Etiologia e patogenia
Na esmagadora maioria dos casos, o agente causador é o estafilococo (Staphylococcus), às vezes acompanhado por Escherichia coli ou estreptococos. Menos frequentemente, encontram-se flora anaeróbica, Pseudomonas aeruginosa e fungos. A infecção hospitalar (nosocomial) tem importância primordial na contaminação.
A infecção penetra nos tecidos principalmente através de fissuras mamilares, mais raramente por via intracanalicular (através dos ductos lactíferos) durante a extração de leite ou a amamentação. No entanto, a mera presença do patógeno não é suficiente. O principal fator predisponente é a estase láctea — alteração no fluxo de leite (frequentemente devido à imaturidade da glândula em primíparas).
O mecanismo de desenvolvimento ocorre da seguinte forma: os micróbios entram nos ductos dilatados $\rightarrow$ o leite neles coagula $\rightarrow$ as paredes dos ductos ficam edemaciadas, agravando a estase $\rightarrow$ o epitélio é danificado e os microrganismos invadem o tecido mamário. A inflamação afeta sucessivamente os ductos lactíferos, o tecido glandular, a aréola e o tecido subcutâneo.
Classificação e estágios de desenvolvimento
O processo é dinâmico e, na ausência de tratamento, progride rapidamente, passando por várias fases:
- Fase serosa. Inicia-se agudamente com calafrios, astenia e febre. A glândula está aumentada, infiltrada por exsudato seroso, e a palpação é extremamente dolorosa. A leucocitose atinge $10,0-12,0 \times 10^9$/L e a VHS está acelerada.
- Mastite infiltrativa aguda. Desenvolve-se em 3 a 6 dias em caso de terapia ineficaz. A temperatura sobe para $38-40^\circ$C e o infiltrado na glândula adquire contornos claros.
- Fase purulenta-destrutiva (abcessos, fleimosa). A infiltração serosa é substituída por liquefação purulenta. Pequenos focos fundem-se em abcessos. A pele avermelha-se e surge o sinal específico de flutuação (presença de líquido na cavidade).
- Forma gangrenosa. Condição extremamente grave associada à trombose vascular. A temperatura atinge $40-41^\circ$C. A glândula apresenta edema acentuado, aparecendo bolhas com conteúdo hemorrágico e áreas de necrose na pele. Nos exames laboratoriais, observa-se leucocitose acentuada com desvio à esquerda e granulação tóxica.
Diagnóstico diferencial: mastite ou ingurgitamento mamário?
Os estágios iniciais da mastite devem ser rigorosamente distinguidos do ingurgitamento mamário agudo. Qualquer endurecimento da glândula acompanhado de elevação térmica deve ser considerado mastite serosa, devendo o tratamento ser iniciado imediatamente.
- Cronologia e localização: O ingurgitamento mamário ocorre mais frequentemente do 3º ao 5º dia (após a descida do leite) e costuma ser bilateral. A mastite é mais frequentemente unilateral.
- Sintomatologia: No ingurgitamento, os nódulos endurecidos são móveis, nodulares, correspondem aos contornos dos lobos e são indolores. O estado geral sofre poucas alterações.
- Extração de leite: Na estase, o leite flui livremente e, após a extração, há um alívio perceptível. Na mastite, a extração é extremamente dolorosa e não traz alívio.
Tratamento conservador e cirúrgico
As formas iniciais (serosa e infiltrativa) são tratadas conservadoramente. A glândula é mantida em posição elevada (sem compressão) e a ingesta hídrica é restrita. A amamentação não é interrompida, sendo necessário o esvaziamento regular para evitar a estase. Prescrevem-se espasmolíticos para melhorar o fluxo, antibióticos (penicilinas, cefalosporinas, macrolídeos) e bloqueios retromamários (procaína + antibiótico + enzimas).
As formas purulentas exigem cirurgia de urgência sob anestesia geral.
- A abertura é realizada por incisões radiais amplas da periferia para o centro (para não danificar os ductos lactíferos).
- Para abcessos profundos ou retromamários, utiliza-se a incisão de Bardenheuer — um acesso semi-oval na prega inframamária. Ela permite descolar a glândula do músculo, garante uma boa drenagem e proporciona um excelente resultado cosmético.
- A cavidade é limpa de tecidos necróticos, lavada com peróxido de hidrogênio e drenada.
Acessos na mastite: Radial — não secciona os ductos; Para-areolar — junto ao mamilo; De Bardenheuer — na prega inferior para abcessos profundos.
Questões de aulas e exames
É possível amamentar na fase inicial da mastite?
Sim, durante o tratamento conservador dos estágios seroso e infiltrativo, a lactação não é interrompida. A ordenha regular e a amamentação são necessárias para prevenir a estase láctea.
Como a composição do leite se altera na inflamação purulenta?
Devido ao aumento da atividade da fosfatase alcalina, o pH desloca-se para a faixa alcalina. Ao exame microscópico, detecta-se um grande número de leucócitos no leite.
Como prevenir o desenvolvimento da mastite pós-parto?
A prevenção inclui o tratamento de focos de infecção ainda antes do parto, a orientação sobre a amamentação correta, o tratamento oportuno de fissuras mamilares e a prevenção da estase láctea.
O que mais estudar sobre o tema
- Complicações da mastite: linangite, linfadenite e sepse
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- Técnica e composição dos bloqueios retromamários
- Prevenção de infecções hospitalares em maternidades
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