Limites e marcos externos
A região infraclavicular é considerada pelos topografistas como parte da região omoplatular. Possui limites osteomusculares claros:
- Superior: clavícula (clavicula).
- Inferior: linha horizontal que passa ao nível do 3º espaço intercostal.
- Medial: margem lateral do esterno.
- Lateral: margem anterior do músculo deltoide (m. deltoideus).
O marco principal é a fossa infraclavicular (fossa infraclavicularis), também conhecida como fossa de Mohrenheim. Localiza-se abaixo da clavícula, no limite entre os terços lateral e médio. A continuação distal dessa fossa é o sulco deltoito-peitoral (sulco deltopectoralis). No fundo desse sulco, aproximadamente 1,5 a 2 cm abaixo da clavícula, é possível palpar o processo coracóide da escápula (processus coracoideus).
Estrutura em camadas e fáscias
Os tecidos da região infraclavicular dispõem-se em camadas, formando importantes espaços interfasciais e celulosos:
- Pele e tecido subcutâneo: a pele é fina e móvel. No tecido adiposo passam os nervos supraclaviculares (nn. supraclaviculares) do plexo cervical.
- Fáscia superficial: no terço superior, forma uma bainha para o músculo platisma (platysma). Ao nível da II–III costelas, ela se condensa, formando os ligamentos suspensórios da mama (ligamentos de Cooper).
- Fáscia própria do tórax (fascia pectoralis): consiste em lâminas superficial e profunda que formam uma bainha fechada para o músculo peitoral maior (m. pectoralis major). Entre os feixes musculares passam septos fasciais com vasos linfáticos. Processos purulentos, bem como metástases do câncer de mama, podem se propagar por essas vias para planos mais profundos.
- Espaço subpeitoral (spatium subpectorale): espaço celuloso situado atrás do músculo peitoral maior.
- Fáscia clavipeitoral (fascia clavipectoralis): lâmina fascial profunda que forma bainhas ósseo-fibrosas para os músculos peitoral menor e subclávio.
Trígonos do tórax
Para facilitar a descrição da topografia do feixe vasculonervoso axilar, a região infraclavicular é dividida em três trígonos. O principal marco de referência é o músculo peitoral menor (m. pectoralis minor):
- Trígono clavipeitoral (trigonum clavipectorale) — localizado entre a clavícula e a margem superior do músculo peitoral menor. É onde se projeta a primeira parte da artéria axilar.
- Trígono peitoral (trigonum pectorale) — corresponde aos contornos do próprio músculo peitoral menor. Contém a segunda parte da artéria axilar, que é cercada em três lados (lateral, medial e posterior) pelos fascículos do plexo braquial.
- Trígono subpeitoral (trigonum subpectorale) — situado entre as margens inferiores dos músculos peitoral menor e peitoral maior. Corresponde à terceira parte da artéria, onde os troncos nervosos principais começam a divergir em direção ao membro superior.
Anatomia clínica dos vasos e tecido celuloso
A projeção do feixe axilar estende-se da metade medial do terço médio da clavícula para baixo e para fora até o limite entre os terços inferior e médio do sulco deltoito-peitoral. Nesse trajeto, a veia axilar (v. axillaris) ocupa a posição mais medial.
O tecido celuloso da região infraclavicular não é isolado. Através de defeitos fasciais e ao longo dos vasos, os processos purulentos podem se propagar livremente para o trígono lateral do pescoço, para a fossa axilar e para as áreas situadas mais abaixo.
A região da clavícula tem especial importância clínica: nela, a fáscia clavipeitoral está densamente aderida à adventícia da veia axilar. Durante a abdução brusca do braço, a veia pode ser comprimida entre a fáscia, a clavícula e a 1ª costela, levando ao desenvolvimento da chamada «trombose de esforço».
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais ramos emergem da artéria axilar no trígono clavipeitoral?
No trígono clavipeitoral, os seguintes ramos emergem da artéria axilar:
- Artéria torácica superior (a. thoracica superior) — ramifica-se no primeiro e segundo espaços intercostais.
- Artéria tóraco-acromial (a. thoracoacromialis) — ramifica-se quase imediatamente nos ramos deltoide, peitoral e acromial.
Para memorizar a topografia do feixe vasculonervoso no trígono clavipeitoral (de anterior para posterior e de medial para lateral), utilize a palavra VAPlex: Veia, Artéria, Plexo (braquial).
Questões de aulas e exames
O que é a fossa de Mohrenheim?
É um sinônimo para a fossa infraclavicular (fossa infraclavicularis). Ela se localiza abaixo da clavícula, entre seus terços lateral e médio, sendo limitada pela parte clavicular do músculo peitoral maior e pelo músculo deltoide.
Como ocorrem as metástases do câncer de mama nesta região?
Eles frequentemente seguem pelos vasos linfáticos localizados ao longo dos septos de tecido conjuntivo da fáscia própria, estendendo-se para a superfície profunda do músculo peitoral maior.
Quais músculos estão contidos nas bainhas da fáscia clavipeitoral?
Esta fáscia (fascia clavipectoralis) forma bainhas ósseo-fibrosas isoladas para dois músculos: o peitoral menor (m. pectoralis minor) e o subclávio (m. subclavius).
O que mais estudar sobre o tema
- Ramos da artéria axilar em cada um dos três trígonos
- Syntopia dos fascículos do plexo braquial no trígono peitoral
- Topografia da veia cefálica do membro superior (v. cephalica)
- Limites e conteúdo do espaço subpeitoral
- Forame quadrangular (Foramen quadrilaterum) da região axilar
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