Mecanismo de ação e farmacocinética
A nistatina pertence aos antibióticos naturais, especificamente ao subgrupo dos antibióticos poliénicos. A principal característica farmacocinética do fármaco quando administrado por via oral é a ausência quase total de absorção. A substância ativa passa em trânsito pelo trato gastrointestinal (TGI) e é excretada inalterada nas fezes.
É exatamente essa propriedade (a excreção de substâncias não absorvidas pelo intestino) que torna o fármaco uma excelente ferramenta para a terapia local no lúmen intestinal. Ela realiza a descontaminação sem entrar na corrente sanguínea sistêmica, o que permite evitar efeitos colaterais sistêmicos.
Espectro de atividade e posição na classificação
O fármaco possui um espectro de ação estreito, mas clinicamente extremamente importante. É mais eficaz contra leveduras do gênero Candida (o patógeno mais comum é a Candida albicans).
Na classificação dos antibióticos poliénicos, destacam-se vários representantes principais que diferem em seu campo de aplicação:
- A anfotericina B — o principal fármaco para o tratamento de micoses sistêmicas graves.
- A nistatina e a levorina — fármacos para uso tópico e descontaminação do TGI.
- A natamicina.
Ao contrário da anfotericina B, a nistatina não é utilizada por via sistêmica. Isso se deve à sua alta toxicidade quando entra na corrente sanguínea e às características farmacocinéticas. Enquanto para reduzir a nefrotoxicidade da anfotericina B os farmacologistas criam formas lipídicas complexas (Ambisome lipossomal, complexo lipídico de Abelcet, dispersão coloidal de Amphocil), a estratégia de segurança da nistatina baseia-se exclusivamente em sua aplicação tópica e enteral.
Indicações: tratamento e profilaxia da candidíase
A principal indicação para prescrição são as candidíases. Estas infeções fúngicas podem ocorrer de forma superficial, afetando a cavidade oral, o intestino e o trato urogenital.
Na farmacologia clínica, presta-se especial atenção ao uso profilático da Nistatinum. O disbiose (perturbação do equilíbrio natural da microflora das mucosas) é um efeito colateral específico da farmacoterapia com agentes antimicrobianos.
A patogénese do desenvolvimento da superinfecção fúngica é a seguinte:
- Os antibióticos de largo espetro causam a morte da microflora competitiva benéfica.
- Há uma diminuição da imunidade local das mucosas.
- Inicia-se a proliferação ativa da flora oportunista, em particular dos fungos do gênero Candida.
Para prevenir esta complicação, aplica-se a estratégia de combinação racional de medicamentos. A associação «Antibióticos de largo espetro + Nistatina (ou Levorina)» é considerada terapeuticamente apropriada. Neste caso, o antifúngico atua como terapia etiológica, eliminando as reações adversas do antibiótico (profilaxia da candidíase).
Formas farmacêuticas e aplicação
Para garantir a ação local em diferentes locais, o fármaco é produzido em várias formas farmacêuticas. A dosagem não é medida em gramas, mas sim em UI (unidades internacionais):
- Comprimidos: de 250.000 e 500.000 UI. São prescritos por via oral para a descontaminação do TGI.
- Supositórios (retais e vaginais): de 250.000 e 500.000 UI. São utilizados por via retal (na candidíase do trato intestinal inferior) e intravaginal (na candidíase urogenital).
- Pomada: produzida em bisnagas de 15 e 30 g. Concentração da substância ativa: 1 g de pomada contém 100.000 UI. É aplicada topicamente em lesões de pele e mucosas.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Qual é o mecanismo de ação molecular da nistatina nas células fúngicas?
O mecanismo de ação molecular da nistatina, como representante dos antibióticos poliénicos, consiste na ligação às moléculas de ergosterol na membrana celular dos fungos. Esta interação leva à rutura da integridade da membrana e à formação de poros na mesma. Através dos canais formados, iões ($K^+$, $Mg^{2+}$) e substâncias de baixo peso molecular saem da célula fúngica. A perda do conteúdo intracelular causa a morte celular, proporcionando um efeito fungicida pronunciado. O fármaco possui seletividade de ação, uma vez que o principal esterol das membranas celulares dos mamíferos é o colesterol, e nos fungos é o ergosterol.
«Nistatina — trânsito direto pelo TGI». O fármaco atravessa o intestino de ponta a ponta, sem ser absorvido para o sangue, e elimina a candida diretamente no lúmen.
Questões de aulas e exames
Por que a nistatina não é utilizada para o tratamento de micoses sistêmicas?
Devido à alta toxicidade na ação sistêmica e à ausência de absorção no TGI. Para infeções sistêmicas, o fármaco de escolha do grupo dos polienos é a anfotericina B.
Qual é o sentido da combinação de antibióticos de largo espetro e nistatina?
Este é um exemplo de combinação racional de medicamentos. A nistatina previne o desenvolvimento de candidíase (superinfecção), que surge devido à morte da microflora normal sob a ação do antibiótico.
Como a nistatina é eliminada quando administrada por via oral?
O fármaco pertence às substâncias não absorvíveis. Passa em trânsito pelo trato gastrointestinal e é excretado inalterado nas fezes.
O que mais estudar sobre o tema
- Antibióticos poliénicos: anfotericina B, levorina, natamicina.
- Formas farmacêuticas lipídicas da anfotericina B e o problema da nefrotoxicidade.
- Disbiose e superinfecções como efeitos colaterais da antibioticoterapia.
- Colite pseudomembranosa (Clostridium difficile) — diagnóstico diferencial de complicações.
- Azóis (fluconazol, clotrimazol) como alternativa aos polienos no tratamento da candidíase.
- Princípios da combinação racional de medicamentos.
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