Partes e constrições fisiológicas
Anatomicamente, o ureter é um tubo longo que é topograficamente dividido em dois segmentos principais:
- Parte abdominal (pars abdominalis) — localizada retroperitonealmente.
- Parte pélvica (pars pelvina) — situada no tecido subperitoneal da pelve menor.
O lúmen do ureter não é uniforme em toda a sua extensão: áreas de dilatação (onde o diâmetro atinge 0,5–1,0 cm) alternam-se regularmente com zonas mais estreitas. Na anatomia clínica, distinguem-se três constrições fisiológicas:
- Constrição superior — localizada bem no início do tubo, na zona de transição direta da pélvica renal para o ureter.
- Constrição média — projetada ao nível da linha terminal da pelve, no local onde o ureter cruza os vasos sanguíneos ilíacos.
- Constrição inferior — localizada próximo à desembocadura do tubo na parede da bexiga urinária. Este é o ponto mais estreito do trato urinário, onde o diâmetro diminui para os críticos 2–3 mm.
Significado clínico: O conhecimento da localização dessas constrições é extremamente importante para cirurgiões e urologistas, pois é exatamente nesses "gargalos" anatômicos que ocorre com mais frequência a retenção de cálculos migratórios na urolitíase.
Topografia geral e relação com os nervos
Em seu trajeto descendente, os ureteres estão firmemente aplicados ao músculo psoas maior (m. psoas) e à fáscia que o reveste. Descendendo para a região lombar inferior, eles cruzam os vasos gonadais: testiculares nos homens (vasa testicularia) ou ovários nas mulheres (vasa ovarica). Ao atingirem o nível da linha terminal, os ureteres cruzam os vasos ilíacos, situando-se estritamente anteriores a eles.
De particular importância clínica é a relação dos ureteres com os troncos nervosos do espaço retroperitoneal. Acima do cruzamento com os vasos ilíacos, a superfície posterior do ureter entra em contato direto com o nervo genitofemoral (n. genitofemoralis).
Significado clínico: Esse fato topográfico explica a irradiação característica da dor durante uma crise de cólica renal. Durante a passagem de um cálculo e o espasmo da parede ureteral, ocorre irritação do nervo adjacente, fazendo com que a dor aguda irradie para a região inguinal, escroto e pênis em pacientes do sexo masculino, ou para os lábios maiores em mulheres.
Syntopia dos ureteres direito e esquerdo
As relações topográficas com os órgãos abdominais vizinhos variam significativamente dependendo do lado.
Syntopia do ureter direito:
- Medialmente: faz limite com a veia cava inferior.
- Lateralmente: é adjacente à margem medial do ceco e do cólon ascendente.
- Anterior e superiormente: é coberto pela parte descendente do duodeno.
- Anterior e inferiormente: é cruzado pela raiz do mesentério do intestino delgado.
No restante de seu trajeto, o ureter direito é coberto anteriormente pela lâmina parietal do peritônio do seio mesentérico direito. Na camada de tecido adiposo entre o peritônio e o próprio tubo passam os vasos ileocólicos (vasa ileocolica) e cólicos direitos (vasa colica dextra) acompanhados por vias e linfonodos.
Syntopia do ureter esquerdo:
- Medialmente: passa paralelo à aorta abdominal.
- Lateralmente: é adjacente à margem medial do cólon descendente.
- Anterior e superiormente: é coberto pelo peritônio parietal do seio mesentérico esquerdo.
- Anterior e inferiormente: é cruzado pela raiz do mesocolo sigmóide.
Entre o peritônio e o ureter esquerdo encontram-se ramos dos vasos mesentéricos inferiores junto com linfonodos regionais.
Suprimento sanguíneo, drenagem linfática e inervação
- Suprimento sanguíneo: O sangue arterial para a parte lombar provém de ramos das artérias renais (a. renalis), bem como das artérias gonadais — testiculares (a. testicularis) ou ováricas (a. ovarica).
- Drenagem linfática: A linfa das paredes do ureter drena para os linfonodos localizados ao redor dos grandes vasos principais do espaço retroperitoneal — a aorta abdominal e a veia cava inferior.
- Inervação: A inervação autônoma tem caráter segmentar. A parte abdominal recebe fibras nervosas do plexo renal (plexus renalis), enquanto a parte pélvica é inervada por ramos originados dos plexos hipogástricos (plexus hypogastricus).
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Em quais partes o ureter é anatomicamente dividido?
Anatomicamente, o ureter é dividido em duas partes principais e também possui um segmento na parede da bexiga urinária.
- Parte abdominal (pars abdominalis) — localizada retroperitonealmente.
- Parte pélvica (pars pelvina) — situada no tecido subperitoneal da pelve menor.
Adicionalmente, distingue-se a parte intramural, ao longo da qual os ureteres penetram na parede da bexiga de cima para baixo e de fora para dentro.
Quais artérias suprem a parte pélvica do ureter?
O suprimento sanguíneo da parte pélvica do ureter é realizado pelas seguintes artérias:
- Artérias retais médias (aa. rectales mediae).
- Artérias vesicais inferiores (aa. vesicales inferiores).
Para onde é direcionada a drenagem linfática dos ureteres?
A drenagem linfática dos ureteres é realizada para os linfonodos do espaço retroperitoneal e da pelve.
A direção da drenagem depende da parte específica do órgão:
- Da parte abdominal, a linfa drena para os nós localizados ao redor da aorta abdominal e da veia cava inferior.
- Da parte pélvica dos ureteres, a drenagem linfática ocorre para os linfonodos ilíacos.
É fácil lembrar das três constrições fisiológicas do ureter pela regra «L-P-B» (de cima para baixo): Lpélvica/Pélvis (local de transição da pélvica para o ureter), Palíacos/Vasos ilíacos (cruzamento na linha terminal), Bexiga/Urinária (abertura na parede).
Questões de aulas e exames
Onde os cálculos costumam ficar presos na cólica renal?
Os cálculos geralmente ficam retidos em uma das três constrições fisiológicas: na saída da pélvica, no cruzamento com os vasos ilíacos ou no ponto mais estreito — antes da abertura na bexiga urinária (onde o diâmetro diminui para 2–3 mm).
Por que, durante a passagem de um cálculo pelo ureter, a dor irradia para a virgula e os órgãos genitais?
Isso ocorre porque a superfície posterior do ureter (acima do cruzamento com os vasos ilíacos) entra em contato direto com o nervo genitofemoral (n. genitofemoralis). A irritação desse nervo causa irradiação característica da dor para o escroto, pênis ou lábios maiores.
Com quais grandes vasos troncais os ureteres fazem limite medialmente?
O ureter direito faz divisa pelo lado interno com a veia cava inferior, enquanto o ureter esquerdo é adjacente medialmente à aorta abdominal.
O que mais estudar sobre o tema
- Topografia e syntopia da parte pélvica do ureter em homens e mulheres
- Suprimento sanguíneo da parte pélvica do ureter (fontes de irrigação arterial na pelve menor)
- Estrutura histológica da parede do ureter (camadas, túnicas musculares)
- Acessos cirúrgicos aos ureteres no espaço retroperitoneal
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