Topografia das artérias ilíacas
O sistema dos vasos ilíacos começa na região da bifurcação da aorta. Cada artéria ilíaca comum divide-se posteriormente em ramos externo e interno.
A artéria ilíaca externa (a. iliaca externa) serve como a continuação direta da artéria ilíaca comum. Seu trajeto topográfico estende-se estritamente ao longo da linha terminal da pelve menor, direcionando-se para o meio do ligamento inguinal. Passando pela lacuna dos vasos (lacuna vasorum), localizada sob este ligamento, o vaso emerge na coxa, onde muda de nome e continua como artéria femoral. Em seu trajeto, emite ramos musculares que suprem o músculo iliopsoas (m. iliopsoas), bem como dois ramos importantes: a artéria epigástrica inferior (a. epigastrica inferior) e a artéria circunflexa ilíaca profunda (a. circumflexa ilium profunda).
A artéria ilíaca interna (a. iliaca interna) desce retroperitonealmente ao longo da parede lateral da pelve menor. Sua principal referência anatômica é o forame isquiático maior. Ao atingir a margem superior deste forame, o grande vaso divide-se em dois troncos principais: os ramos anterior e posterior.
Ramos parietais da aorta abdominal
Como os vasos ilíacos originam-se da aorta abdominal, é necessário examinar os ramos desta última para compreender a irrigação sanguínea da região. Os vasos parietais suprem as paredes das cavidades e as massas musculares.
- Artérias frênicas inferiores (aa. phrenicae inferiores dextra et sinistra): originam-se da face anterior da porção inicial da aorta abdominal. Ascendem para frente e para os lados, apoiando-se na superfície abdominal do diafragma.
- Artérias lombares (aa. lumbales): são quatro pares de vasos que se originam da parede posterior da aorta ao longo das primeiras quatro vértebras lombares. Elas suprem sangue às regiões laterais da parede abdominal, à região lombar e à medula espinal.
- Artéria sacral mediana (a. sacralis mediana): vaso ímpar de calibre fino. Tem origem ao nível da quinta vértebra lombar (L5), diretamente da face posterior da aorta na zona de sua bifurcação. Desce estritamente pela linha mediana da superfície pélvica do sacro até o cóccix, emitindo rames para o músculo iliopsoas (m. iliopsoas), para o próprio sacro e para o cóccix.
Ramos viscerais ímpares
Os ramos viscerais internos (ímpares) fornecem sangue arterial aos órgãos do trato gastrointestinal.
- Tronco celíaco (truncus celiacus): vaso curto, porém calibroso, que se origina da face anterior da aorta ao nível da décima segunda vértebra torácica (TXII). Divide-se imediatamente em três artérias: gástrica esquerda (a. gastrica sinistra), hepática comum (a. hepatica communis) e esplênica (a. lienalis).
- Artéria mesentérica superior (a. mesenterica superior): inicia-se anteriormente ao nível da primeira vértebra lombar (LI). O vaso emerge sob a margem inferior do colo do pâncreas, repousa sobre a face anterior da parte ascendente do duodeno (segmento D3) e penetra na raiz do mesentério do intestino delgado. Irriga o pâncreas, o duodeno, toda a parte mesentérica do intestino delgado e a porção inicial do intestino grosso.
- Artéria mesentérica inferior (a. mesenterica inferior): origina-se da parede anterior do terço inferior da aorta ao nível da terceira vértebra lombar (LIII). Passa retroperitonealmente e emite as artérias cólica esquerda (a. colica sinistra), sigmoideas (aa. sigmoideae) e retal superior (a. rectalis superior).
Ramos viscerais pares
Os ramos viscerais pares destinam-se à nutrição dos órgãos simétricos do espaço retroperitoneal e do sistema reprodutor.
- Artéria suprarrenal média (a. suprarenalis media): origina-se da face lateral da aorta, logo abaixo da origem da artéria mesentérica superior, e dirige-se à glândula suprarrenal.
- Artérias renais (aa. renales): grandes troncos principais que se direcionam aos rins.
- Artérias testicular ou ovárica (aa. testiculares / aa. ovaricae): vasos pares delgados que se iniciam na face anterior da aorta abaixo das artérias renais. Descem retroperitonealmente, cruzando os ureteres e as artérias ilíacas externas. Nos homens, passam pelo canal inguinal em direção ao testículo e, nas mulheres, percorrem o interior do ligamento suspensório do ovário, direcionando-se aos ovários e às tubas uterinas.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais vasos específicos originam-se dos troncos anterior e posterior da artéria ilíaca interna?
Os troncos anterior e posterior da artéria ilíaca interna dão origem a ramos viscerais e parietais.
Do tronco anterior originam-se:
- Artéria umbilical (a. umbilicalis) — emite as artérias vesicais superiores.
- Artéria vesical inferior (a. vesicalis inferior) — localiza-se profundamente à artéria umbilical.
- Artéria uterina (a. uterina) — ramo visceral.
- Artéria retal média (a. rectalis media) — situa-se no diafragma pélvico.
- Artéria obturatória (a. obturatoria) — segue para o canal obturatório.
- Artéria pudenda interna (a. pudenda interna) — penetra no forame infrapiriforme.
- Artéria glútea inferior (a. glutea inferior) — ramo terminal do tronco anterior.
Do tronco posterior originam-se:
- Artéria iliolombar (a. iliolumbalis) — divide-se em ramos lombar e ilíaco.
- Artéria glútea superior (a. glutea superior) — penetra no forame suprapiriforme.
Quais artérias participam da irrigação sanguínea do reto?
Os seguintes vasos participam da irrigação sanguínea do reto:
- Artéria retal superior (a. rectalis superior) — ramo terminal da artéria mesentérica inferior, direciona-se para a parte ampular do reto.
- Artérias retais médias (aa. rectales mediae) — localizadas no diafragma da pelve.
- Artérias retais inferiores (aa. rectales inferiores) — passam pela fossa isquioanal (fossa ischiorectalis) no plano frontal.
Quais vasos formam a "coroa da morte" (corona mortis) em casos de origem atípica?
A "coroa da morte" (corona mortis) é formada por uma anastomose entre os ramos das artérias ilíacas externa e interna.
Participam da formação desta conexão vascular:
- Artéria obturatória (a. obturatoria) — emite o ramo púbico (r. pubicus).
- Artéria epigástrica inferior (a. epigastrica inferior) — emite seu próprio ramo púbico (r. pubicus), que se conecta ao ramo da artéria obturatória.
- Artéria ilíaca externa (a. iliaca externa) — pode participar diretamente da formação da anastomose com a artéria obturatória.
Esta variação anatômica ocorre em 25–35% dos pacientes e apresenta alto risco de hemorragia maciça em traumas pélvicos e acessos cirúrgicos.
Para memorizar rapidamente os três ramos do tronco celíaco (truncus celiacus), é útil utilizar a sigla GHE: artérias gástrica esquerda, hepática comum e esplênica.
Questões de aulas e exames
Em que nível se inicia a artéria sacral mediana?
Ela origina-se da face posterior da aorta na região de sua bifurcação, o que corresponde ao nível da quinta vértebra lombar (L5).
Através de qual formação anatômica a artéria ilíaca externa emerge para a coxa?
O vaso passa sob o ligamento inguinal através da lacuna dos vasos (lacuna vasorum), prosseguindo a partir daí como artéria femoral.
Quais órgãos são irrigados pela artéria mesentérica superior?
Ela emite ramos para o pâncreas, duodeno, toda a parte mesentérica do intestino delgado e a porção inicial do intestino grosso.
Onde ocorre a divisão da artéria ilíaca interna em seus ramos?
A divisão nos ramos anterior e posterior ocorre ao nível da margem superior do forame isquiático maior.
O que mais estudar sobre o tema
- Topografia e ramos do tronco anterior da artéria ilíaca interna
- Topografia e ramos do tronco posterior da artéria ilíaca interna
- Anastomoses entre os ramos das artérias mesentéricas superior e inferior
- Formação e limites da lacuna dos vasos (lacuna vasorum)
- Particularidades da irrigação sanguínea da medula espinal pelas artérias lombares
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