Critérios de pontuação
O sistema de avaliação do risco cirúrgico requer a soma dos pontos de três fatores principais: estado clínico basal do paciente, agressividade cirúrgica e agressividade da anestesia.
1. Estado geral do paciente
- 0,5 ponto: Estado satisfatório. Doença estritamente localizada, sem distúrbios sistêmicos ou comorbidades.
- 1 ponto: Moderadamente grave. Presença de alterações sistêmicas leves ou moderadas.
- 2 pontos: Estado grave. Distúrbios sistêmicos acentuados causados pela patologia cirúrgica principal ou comorbidade.
- 4 pontos: Estado extremamente grave. Distúrbios sistêmicos com risco de vida (presentes independentemente da realização da cirurgia).
- 6 pontos: Estado terminal. Descompensação das funções dos órgãos vitais. Probabilidade extremamente alta de óbito na mesa cirúrgica ou nas primeiras horas após a intervenção.
2. Porte e natureza da cirurgia
- 0,5 ponto: Pequenas cirurgias sépticas e intervenções superficiais.
- 1 ponto: Cirurgias mais complexas na superfície corporal, intervenções em órgãos internos, coluna vertebral, nervos periféricos e vasos sanguíneos.
- 1,5 ponto: Cirurgias extensas e prolongadas em órgãos internos, bem como nas áreas de neurocirurgia, oncologia, urologia e traumatologia.
- 2 pontos: Intervenções complexas no coração e grandes vasos, cirurgias oncológicas ampliadas, reconstrutivas e reintervenções.
- 2,5 pontos: Cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea (CEC), transplante de órgãos internos.
3. Tipo de anestesia A escolha do método de analgesia é sempre estritamente individual. Basicamente, prefere-se a neuroleptoanalgesia (NLA). Em casos de asma brônquica e pneumopatias, a anestesia com halotano é indicada, enquanto na insuficiência cardíaca, alguns procedimentos são realizados sob anestesia local.
- 0,5 ponto: Anestesia local potenciada.
- 1 ponto: Anestesia venosa, regional, raquidiana, peridural, bem como anestesia inalatória com máscara com respiração espontânea.
- 1,5 ponto: Anestesia geral combinada padrão (AGCP).
- 2 pontos: AGCP combinada com hipotermia artificial, hipotensão arterial controlada, eletroestimulação cardíaca ou terapia infusional massiva.
- 2,5 pontos: AGCP combinada com circulação extracorpórea (CEC), oxigenação hiperbárica ou métodos de terapia intensiva e reanimação.
Determinação do grau de risco
Para determinar o grau de risco final, somam-se os pontos dos três critérios. Isso permite que cirurgiões e anestesiologistas ajustem o plano de tratamento, por exemplo, reduzindo o porte da cirurgia ou escolhendo um método anestésico mais seguro.
- Grau I (risco insignificante): 1,5 ponto.
- Grau II (risco moderado): 2–3 pontos.
- Grau III (risco significativo): 3,5–5 pontos.
- Grau IV (risco alto): 8,5–11 pontos.
Avaliação pré-operatória e monitorização
É impossível avaliar o risco com precisão sem uma investigação adequada do paciente antes da cirurgia.
Anamnese: É criticamente importante avaliar o balanço hídrico e a possível perda sanguínea. O médico registra a presença de sede, o volume de líquido perdido (por exemplo, por vômitos) e o volume estimado de sangue perdido em hemorragias externas ou hematêmese. Também investiga-se a história alérgica, tolerabilidade a transfusões prévias, presença de hepatopatias ou nefropatias, bem como alterações no débito urinário.
Estado clínico (Status praesens):
- Pele e mucosas: a sequidão das mucosas e o colabamento das veias superficiais indicam desidratação e distúrbios volêmicos. Pele marmórea e cianose de extremidades são marcadores de microcirculação prejudicada e insuficiencia respiratória.
- Hemodinâmica e respiração: mede-se a PA, frequência de pulso, avalia-se a presença de dispneia, profundidade e frequência respiratória, realiza-se ausculta pulmonar e ECG. Em pacientes graves, a medida da pressão venosa central (PVC) é obrigatória.
Avaliação da homeostase: Os parâmetros são monitorizados de forma seriada, pois as respostas do organismo ao trauma, infecção ou hemorragia são inespecíficas. Controlam-se:
- Rins: densidade urinária relativa, débito urinário de 24 horas e horário.
- Sangue: hemoglobina (Hb), hematócrito (Ht).
- Eletrólitos e gasometria: equilíbrio ácido-base (EAB), níveis de $Na^+$, $K^+$, $Ca^{2+}$, $Mg^{2+}$, $Cl^-$.
- Hemodinâmica: volume sanguíneo circulante (VSC).
Particularidades na cirurgia de urgência
Em estados de urgência, o tempo para exames e preparo é estritamente limitado para não atrasar o início de uma cirurgia salvadora.
- Diagnóstico laboratorial rápido: avaliam-se rapidamente o hemograma completo (Hb, Ht) para entender a gravidade da inflamação e da perda sanguínea, e o sumário de urina para monitorar a função renal. O VSC e os eletrólitos são determinados para orientar a terapia de reposição ou desintoxicação.
- Sanação de focos infecciosos: focos crônicos (cáries, amigdalite, infecções de pele) em indicações de urgência são tratados apenas na medida do possível. Em indicações relativas, o paciente pode ter alta temporária para o tratamento adequado das infecções.
- Situações extremas: em caso de hemorragia interna maciça ou ferimento cardíaco, o preparo pré-operatório é totalmente cancelado — o paciente é imediatamente transportado para o centro cirúrgico.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais escalas especializadas e índices são utilizados para avaliar o risco de complicações cardíacas em cirurgias não cardíacas?
Nas fontes citadas, o índice de risco cardíaco revisado (rRCRI) é indicado para avaliar o risco cardíaco. Ele é utilizado na identificação de condições clínicas agudas ou instáveis. Nesses estados, o tratamento cirúrgico eletivo é adiado, e o paciente é transferido para um centro vascular regional ou unidade coronariana especializada para melhorar o estado cardíaco e estabilização.
Para não esquecer os fatores de risco, utilize a regra "CEA": Estado do paciente (Condição), Extensão da cirurgia, Anestesia.
Questões de aulas e exames
Qual método de anestesia é considerado básico e preferencial?
A neuroleptoanalgesia (NLA) foi indicada como o método preferencial. No entanto, o princípio de escolha é sempre estritamente individual — por exemplo, em caso de asma, prefere-se o halotano.
Como identificar rapidamente os sinais de desidratação na inspeção visual?
A desidratação e os distúrbios volêmicos são indicados por secura acentuada da pele e das mucosas, bem como pelo colabamento das veias superficiais.
Quando o preparo pré-operatório não é realizado de forma alguma?
Em situações extremas, como ferimento cardíaco penetrante ou hemorragia interna maciça. O paciente é levado às pressas para a mesa cirúrgica.
O que mais estudar sobre o tema
- Particularidades da anestesia e escolha de fármacos na asma brônquica
- Neuroleptoanalgesia (NLA): farmacodinâmica e indicações
- Técnica de medição e significado clínico da PVC
- Princípios da terapia infusional e transfusional de urgência na hemorragia
- Interpretação do equilíbrio ácido-base (EAB) na cirurgia
Estude o tópico completo no curso de «Cirurgia Geral»
Aqui está um resumo. No curso, você encontra tudo o que é cobrado em aula e na prova.
- Guia prático completo sobre "Avaliação do risco cirúrgico e anestésico" e outras 3.335 páginas da disciplina
- Exercícios e testes após cada tópico — como no colóquio
- Tutor de IA responderá a perguntas sobre o tópico a qualquer momento
- 70 vídeo-aulas da disciplina
Outros tópicos da seção «CAPÍTULO 8. CIRURGIA»
Material preparado por professores da WhiteCoat Pro de acordo com o currículo de medicina. Possui caráter educacional.