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Cirurgia Geral · CAPÍTULO 3. ALIVIO DA DOR

Anestesia geral

Anestesia geral (narcose) é um estado reversível induzido artificialmente de depressão do sistema nervoso central. É acompanhado pela perda temporária da consciência, bloqueio de todos os tipos de sensibilidade (principalmente a dor), supressão de reflexos e relaxamento dos músculos esqueléticos.

Local de açãoOs anestésicos gerais atuam exclusivamente no sistema nervoso central.
MiorrelaxamentoO relaxamento dos músculos esqueléticos é um requisito obrigatório para a realização de cirurgias abdominais.
Estágio de analgesiaDura apenas 3 a 4 minutos, mas permite a realização de procedimentos cirúrgicos curtos.
PerigoÉ estritamente proibido realizar intervenções cirúrgicas durante o estágio de excitação.
5 min de leituraPara estudantes de medicinaAtualizado em 25/09/2026
Material preparado por edição WhiteCoat Pro de acordo com os guias metodológicos da plataformaRevisado por médico editor: Aulov A. A., médico generalista · 24/09/2026

Classificação da anestesia e mecanismos principais

A anestesia atua nas estruturas do sistema nervoso central (SNC). Dependendo da via de administração dos anestésicos no organismo, existem dois tipos principais:

  • Anestesia inalatória — o fármaco entra no organismo pelas vias respiratórias;
  • Anestesia venosa (não inalatória) — o fármaco é administrado por outras vias (mais frequentemente por via intravenosa).

O principal objetivo da anestesia é garantir a segurança do paciente e criar condições confortáveis para o trabalho do cirurgião. Para isso, é necessário alcançar não apenas a perda de consciência, mas também analgesia completa e relaxamento muscular adequado (miorrelaxamento).

Teorias do mecanismo de ação da anestesia

Atualmente, ainda não existe um conceito único que explique exaustivamente o mecanismo de desenvolvimento da anestesia. Várias teorias examinam esse processo a nível celular (reações químicas e físicas) e fisiológico.

  1. Teoria lipídica (H. Meyer, C. Overton). Os anestésicos dissolvem-se nos lípidos das membranas celulares dos neurónios. Quanto maior for a capacidade da substância de dissolver gorduras, mais forte será o seu efeito anestésico.
  2. Teorias de adsorção (Traube, O. Warburg). Os fármacos são adsorvidos na superfície das células do SNC, alterando as suas propriedades físico-químicas.
  3. Teoria da inibição dos processos oxidativos (Verworn). Há o bloqueio das enzimas responsáveis pelas reações de oxirredução nos tecidos cerebrais.
  4. Teoria da coagulação (C. Bernard). Os fármacos causam a coagulação reversível do protoplasma das células nervosas, privando-as da capacidade de excitação.
  5. Teoria fisiológica (V.S. Galkin, P.A. Anokhin). Considera a anestesia como um processo de inibição do SNC. Nesse caso, a estrutura mais sensível aos anestésicos é a formação reticular do encéfalo.
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Estágios iniciais da anestesia

O processo de saturação do organismo com o anestésico ocorre por estágios. O quadro clínico clássico é mais claramente observado com o uso de anestesia com éter.

Estágio I — Analgesia O paciente está consciente, mas letárgico, respondendo às perguntas com monossílabos. A sensibilidade superficial à dor está completamente perdida, embora a térmica e a tátil sejam preservadas. Este estágio é de curta duração (3 a 4 minutos). Nesse período, podem ser realizados procedimentos rápidos, como abertura de abscessos, flegmões ou procedimentos diagnósticos dolorosos.

Estágio II — Excitação A perda de consciência ocorre. Há inibição do córtex cerebral em segundo plano com uma excitação acentuada dos centros subcorticais. O paciente apresenta agitação motora e verbal, hiperemia cutânea, taquicardia, aumento da pressão arterial. As pupilas estão dilatadas (midríase), mas reagem à luz. Pode ocorrer aumento da secreção brônquica, tosse, lacrimejamento e vómitos. Não se deve operar neste estágio; é necessário continuar a saturação do organismo com o fármaco. A duração é de 7 a 15 minutos.

Estágio cirúrgico e despertar

Estágio cirúrgico (III) ocorre quando o paciente se acalma e os parâmetros hemodinâmicos e respiratórios retornam aos valores basais. Divide-se em quatro níveis:

  • Primeiro nível (III₁) — anestesia superficial. Os movimentos dos globos oculares são suaves, as pupilas estão contraídas. O tônus muscular e os reflexos (corneano, faríngeo e laríngeo) estão preservados. É difícil realizar cirurgias abdominais devido à ausência de miorrelaxamento.
  • Segundo nível (III₂) — anestesia leve. Os globos oculares fixam-se no centro, as pupilas começam a dilatar, os reflexos diminuem. O tônus muscular diminui, permitindo a realização de cirurgias em órgãos abdominais. Normalmente, a anestesia é mantida nos níveis III₁–III₂.
  • Terceiro nível (III₃) — anestesia profunda. Relaxamento completo dos músculos esqueléticos (incluindo os intercostais), a respiração torna-se diafragmática. O reflexo corneano está ausente. O pulso acelera, a PA cai. Devido ao relaxamento muscular, a mandíbula inferior pode cair e bloquear a entrada da laringe, causando parada respiratória. Operar neste nível é com risco de morte.
  • Quarto nível (III₄) — sobrecarga (superdosagem). Dilatação máxima das pupilas sem reação à luz. Pulso filiforme, PA não mensurável. Risco extremamente alto de parada cardiorrespiratória.

Estágio de despertar (IV) começa após a interrupção da administração do anestésico. À medida que sua concentração no sangue diminui, o paciente passa por todos os estágios descritos na ordem inversa até o despertar completo.

Resumo: perguntas e respostas sobre o tema

Quais fármacos são utilizados para anestesia inalatória?

Para a anestesia inalatória, utilizam-se anestésicos líquidos (vaporizáveis) e gases anestésicos.

  • Éter dietílico — anestésico líquido (vaporizável).
  • Halotano (fluotano) — anestésico líquido.
  • Tricloroetileno (trileno) — anestésico líquido.
  • Metoxiflurano (Pentrane) — anestésico líquido.
  • Clorofórmio — anestésico líquido.
  • Óxido nitroso (óxido nitroso) — gás anestésico.
  • Ciclopropano — gás anestésico.
  • Metoxiflurano — anestésico inalatório.
  • Enflurano — anestésico inalatório.
  • Sevoflurano (sevorane) — anestésico inalatório.
  • Xenônio — anestésico inalatório.

Quais são as vias de administração de fármacos na anestesia não inalatória, além da intravenosa?

Além da via intravenosa, na anestesia não inalatória os fármacos podem ser administrados por várias vias.

  • Via intramuscular — administração de fármacos no músculo.
  • Via retal (retal) — administração de fármacos através do reto.
  • Via oral — administração de fármacos por via oral.

A anestesia geral não inalatória também inclui métodos não farmacológicos de eletroestimulação.

Quais complicações do sistema respiratório podem ocorrer durante a anestesia?

Durante a anestesia, podem ocorrer as seguintes complicações do sistema respiratório:

  • Depressão respiratória — hipoventilação (respiração superficial lenta) ou apneia (parada respiratória).
  • Queda da base da língua.
  • Laringospasmo.
  • Broncospasmo.
  • Aspiração — entrada de conteúdo gástrico na traqueia e brônquios no contexto de vómitos.
  • Pneumonia aspirativa.
  • Hipóxia.

Quais componentes fazem parte do conceito de anestesia combinada moderna?

O conceito de anestesia combinada moderna inclui componentes principais e especiais. Componentes principais:

  • Perda de consciência — inibição da percepção psíquica.
  • Analgesia — provisão de alívio da dor central ou periférica.
  • Bloqueio neurovegetativo — supressão das reações autonômicas.
  • Miorrelaxamento — relaxamento dos músculos esqueléticos.
  • Manutenção das trocas gasosas — garantia de respiração adequada.
  • Manutenção da circulação — garantia de hemodinâmica estável.
  • Regulação do metabolismo — manutenção dos processos metabólicos.

Os componentes especiais incluem hipotermia (incluindo craniocerebral), circulação extracorpórea, cardioplegia e hipotensão arterial induzida. Para alcançar esses efeitos, os agentes anestésicos são combinados com miorrelaxantes, analgésicos e bloqueadores ganglionares.

Como memorizar

Para memorizar a sequência dos estágios da anestesia, pode-se usar a frase: "Anestesista Induz a Despertar Cirúrgico" (Analgesia — Excitação — Estágio cirúrgico — Despertar).

Questões de aulas e exames

É possível iniciar a cirurgia se o paciente estiver no estágio de excitação?

Não, os procedimentos cirúrgicos não devem ser realizados de forma alguma. É necessário continuar a saturação do organismo com o anestésico para aprofundar a anestesia até o estágio cirúrgico.

Em qual nível do estágio cirúrgico as cirurgias são geralmente realizadas?

Na maioria dos casos, a anestesia é mantida no primeiro (III₁) ou segundo (III₂) nível do estágio cirúrgico, o que garante analgesia suficiente e segurança ao paciente.

Qual é o principal perigo da anestesia profunda (III₃)?

Na anestesia profunda, ocorre o relaxamento completo da musculatura. Por causa disso, a mandíbula pode cair e fechar a entrada da laringe, o que levará à parada respiratória.

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O que mais estudar sobre o tema

  • Características e diferenças entre anestesia inalatória e venosa
  • Teoria fisiológica de P. K. Anokhin: o papel da formação reticular
  • Diagnóstico diferencial dos níveis do estágio cirúrgico pelos sintomas oculares
  • Causas, prevenção e tratamento da parada respiratória durante a anestesia
  • Dinâmica das alterações da pressão arterial e da frequência cardíaca em diferentes estágios da anestesia

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