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Revalida · Brasil

Questões de urgência e emergência para o Revalida

50 questões originais no estilo do Revalida sobre urgência e emergência. Cada uma com a resposta correta, o comentário, por que as outras alternativas estão erradas e o ponto-chave. Resolva no simulado ou leia abaixo, agrupadas por tema.

Questões50 com gabarito
Temas13
Alternativas por questão4
Tempo≈ 75 min
Revalida · Urgência e emergência: simuladoEscolha uma alternativa para ver na hora a resposta correta e o comentário. Seu melhor resultado fica salvo neste navegador.

PCR e Arritmias

6 questões
1

Paciente de 58 anos é encontrado inconsciente na sala de espera de uma UPA. Não responde a estímulos, não respira e não se palpa pulso carotídeo. Compressões torácicas são iniciadas imediatamente e um desfibrilador manual é conectado, mostrando no monitor ondas irregulares, de amplitude variável, sem complexos QRS identificáveis. Qual a próxima conduta mais apropriada?

  1. AChecar pulso central por 10 segundos antes de decidir sobre o choque
  2. BAplicar choque não sincronizado de 200 J e retomar compressões imediatamente após
  3. CRealizar cardioversão elétrica sincronizada com 100 J
  4. DAdministrar adrenalina 1 mg intravenosa antes de qualquer tentativa de choque
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Resposta: B. Aplicar choque não sincronizado de 200 J e retomar compressões imediatamente após

O ritmo descrito é fibrilação ventricular (FV), um ritmo chocável. A conduta correta é a desfibrilação imediata com choque não sincronizado (assíncrono), pois no FV não há onda R organizada para sincronizar. Após o choque, deve-se retomar as compressões torácicas imediatamente, sem pausar para checar pulso ou ritmo, completando um ciclo de 2 minutos antes da próxima reavaliação. A desfibrilação precoce é o fator isolado mais associado à sobrevida em PCR por FV/TV sem pulso.

  • A. Checar pulso prolonga a interrupção das compressões e não é indicado antes do choque em ritmo chocável já identificado.
  • C. A cardioversão sincronizada é usada em taquiarritmias com pulso, não em PCR.
  • D. A adrenalina não substitui a desfibrilação e não deve atrasar o choque em ritmo chocável.
Ponto-chave: Em FV/TV sem pulso, o choque deve ser aplicado de forma não sincronizada e seguido imediatamente de compressões torácicas, sem atraso.
2

Homem de 70 anos entra em parada cardiorrespiratória durante atendimento em UPA. A equipe inicia manobras de reanimação cardiopulmonar e, ao conectar o monitor, observa-se uma linha isoelétrica, sem atividade elétrica identificável, confirmada em duas derivações diferentes. Qual a conduta imediata mais adequada?

  1. ASuspender a reanimação por se tratar de ritmo não compatível com sobrevida
  2. BAplicar choque não sincronizado de 360 J imediatamente
  3. CRealizar cardioversão elétrica sincronizada com 50 J
  4. DManter compressões torácicas de alta qualidade e administrar adrenalina a cada 3 a 5 minutos
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Resposta: D. Manter compressões torácicas de alta qualidade e administrar adrenalina a cada 3 a 5 minutos

A assistolia é um ritmo não chocável. Nesses casos, a desfibrilação não tem indicação, pois não há atividade elétrica organizada ou desorganizada para ser revertida pelo choque. A conduta consiste em manter RCP de alta qualidade (compressões ininterruptas, ventilação adequada) e administrar adrenalina 1 mg IV a cada 3-5 minutos, além de investigar e tratar causas reversíveis (5H e 5T). A suspensão da reanimação só é considerada após tempo prolongado de esforços sem retorno de circulação espontânea e ausência de causas reversíveis corrigíveis.

  • A. A reanimação não deve ser suspensa de imediato; deve-se manter RCP e investigar causas reversíveis antes de considerar essa decisão.
  • B. O choque não é indicado em ritmos não chocáveis como assistolia e AESP.
  • C. Cardioversão sincronizada é empregada em taquiarritmias com pulso, não na PCR.
Ponto-chave: Assistolia e AESP são ritmos não chocáveis cuja conduta baseia-se em RCP de alta qualidade, adrenalina e busca ativa de causas reversíveis.
3

Durante o atendimento de uma parada cardiorrespiratória em ambiente hospitalar, a equipe decide administrar adrenalina conforme o protocolo de suporte avançado de vida cardiovascular. Um acesso venoso periférico já está estabelecido. Qual a dose e a via corretas de administração da adrenalina nesse contexto?

  1. A1 mg por via intravenosa em dose única, sem repetição
  2. B5 mg por via intravenosa a cada 10 minutos
  3. C1 mg por via intravenosa, repetida a cada 3 a 5 minutos
  4. D0,5 mg por via intramuscular, repetida a cada 5 minutos
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Resposta: C. 1 mg por via intravenosa, repetida a cada 3 a 5 minutos

Na parada cardiorrespiratória, a adrenalina é administrada na dose de 1 mg (geralmente 1 mL da solução 1:1000 ou 10 mL da solução 1:10.000) por via intravenosa ou intraóssea, repetida a cada 3 a 5 minutos durante toda a reanimação, independentemente do ritmo ser chocável ou não chocável. O efeito alfa-adrenérgico promove vasoconstrição periférica, aumentando a pressão de perfusão coronariana e cerebral durante as compressões torácicas. A via intramuscular não é utilizada na PCR estabelecida.

  • A. A adrenalina deve ser repetida a cada 3-5 minutos durante toda a reanimação, não administrada em dose única.
  • B. A dose de 5 mg é excessiva e não corresponde ao protocolo padrão de PCR.
  • D. A via intramuscular e a dose de 0,5 mg não correspondem ao protocolo de PCR, sendo usadas em outros contextos como anafilaxia.
Ponto-chave: Na PCR, a adrenalina é administrada na dose de 1 mg IV ou IO, repetida a cada 3-5 minutos durante toda a reanimação.
4

Paciente permanece em fibrilação ventricular após três tentativas de desfibrilação, compressões torácicas contínuas e administração de adrenalina conforme protocolo. A equipe decide iniciar um antiarrítmico. Qual a droga e a dose inicial recomendadas nesse cenário?

  1. AAmiodarona 150 mg por via intravenosa em infusão contínua de 24 horas
  2. BLidocaína 300 mg por via intravenosa em bolus como primeira escolha
  3. CAmiodarona 300 mg por via intravenosa em bolus
  4. DAmiodarona 5 mg/kg por via intramuscular
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Resposta: C. Amiodarona 300 mg por via intravenosa em bolus

Na FV/TV sem pulso refratária a desfibrilação, a amiodarona é o antiarrítmico de primeira escolha, administrada na dose inicial de 300 mg IV ou IO em bolus, podendo ser repetida uma segunda dose de 150 mg se a arritmia persistir. Ela age prolongando o potencial de ação e o período refratário, bloqueando canais de sódio, potássio e cálcio, o que facilita a reversão do ritmo chocável refratário ao choque. A lidocaína é uma alternativa aceitável, mas não é a primeira escolha quando a amiodarona está disponível.

  • A. A infusão contínua de 24 horas não corresponde à administração em bolus indicada durante a PCR.
  • B. A lidocaína é alternativa de segunda linha, usada quando a amiodarona não está disponível.
  • D. A via intramuscular não é apropriada durante a PCR, que exige acesso IV ou IO.
Ponto-chave: Na FV/TV sem pulso refratária ao choque, a amiodarona 300 mg IV em bolus é o antiarrítmico de primeira escolha.
5

Paciente intubado está em parada cardiorrespiratória há 15 minutos, com monitorização contínua por capnografia em forma de onda. Durante as compressões torácicas, o valor de PETCO2 (pressão expirada final de dióxido de carbono) mantém-se em 8 mmHg. Qual a interpretação correta desse achado?

  1. AO tubo orotraqueal está mal posicionado em esôfago e deve ser removido
  2. BO paciente está hiperventilado e a frequência de ventilações deve ser reduzida
  3. CAs compressões torácicas estão inadequadas e devem ser otimizadas
  4. DHouve retorno da circulação espontânea e as compressões devem ser interrompidas
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Resposta: C. As compressões torácicas estão inadequadas e devem ser otimizadas

Durante a RCP, o PETCO2 reflete indiretamente o débito cardíaco gerado pelas compressões torácicas, já que o CO2 só retorna aos pulmões se houver fluxo sanguíneo pulmonar. Valores persistentemente abaixo de 10 mmHg indicam compressões de baixa qualidade ou perfusão inadequada, sendo um sinal para reavaliar e otimizar a técnica das compressões (profundidade, frequência, retorno completo do tórax). Um aumento abrupto e sustentado do PETCO2 (geralmente acima de 35-40 mmHg) é o indicador mais precoce de retorno da circulação espontânea.

  • A. Um PETCO2 detectável, mesmo baixo, confirma que o tubo está nas vias aéreas, não no esôfago.
  • B. Hiperventilação não é a interpretação correta de um PETCO2 baixo durante compressões; o problema está relacionado à perfusão gerada pelas compressões.
  • D. O retorno de circulação espontânea é sugerido por elevação abrupta do PETCO2, não por valores baixos.
Ponto-chave: PETCO2 persistentemente baixo (<10 mmHg) durante a RCP indica compressões torácicas inadequadas e necessidade de otimização técnica.
6

Mulher de 34 anos, usuária de drogas injetáveis, é encontrada em parada cardiorrespiratória em via pública e levada à UPA. Durante a reanimação, mantém-se em atividade elétrica sem pulso. O exame rápido evidencia veias jugulares distendidas, hipotensão prévia conhecida e turgência abdominal. A equipe suspeita de uma causa reversível relacionada ao tamponamento. Qual exame à beira-leito melhor auxilia na investigação dessa hipótese durante a reanimação?

  1. ARadiografia de tórax portátil para avaliar área cardíaca
  2. BEletrocardiograma de 12 derivações para avaliar baixa voltagem
  3. CUltrassonografia point-of-care (FAST/ecocardiograma) para avaliar derrame pericárdico
  4. DDosagem sérica de troponina para avaliar isquemia miocárdica
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Resposta: C. Ultrassonografia point-of-care (FAST/ecocardiograma) para avaliar derrame pericárdico

Entre as causas reversíveis de PCR (5H: hipovolemia, hipóxia, hidrogênio/acidose, hipo/hipercalemia, hipotermia; 5T: tamponamento cardíaco, tensão no tórax/pneumotórax hipertensivo, toxinas, tromboembolismo pulmonar, trombose coronariana), o tamponamento cardíaco pode ser rapidamente identificado durante a RCP pela ultrassonografia point-of-care, que evidencia derrame pericárdico e sinais de compressão das câmaras cardíacas. Esse exame pode ser realizado sem interromper significativamente as compressões torácicas e permite indicação imediata de pericardiocentese, intervenção que pode reverter a PCR. Os demais exames são mais lentos ou pouco específicos nesse contexto agudo.

  • A. A radiografia de tórax é pouco prática durante a PCR e tem baixa sensibilidade para derrame pericárdico agudo.
  • B. A baixa voltagem no ECG é inespecífica e não permite diagnóstico rápido durante a reanimação.
  • D. A troponina não é útil na investigação imediata de tamponamento cardíaco durante a PCR.
Ponto-chave: A ultrassonografia point-of-care permite identificar rapidamente causas reversíveis de PCR, como o tamponamento cardíaco, durante a reanimação.

Síndromes Coronarianas e Emergências Cardiovasculares

6 questões
7

Homem de 60 anos dá entrada em UPA de município do interior com quadro de dor precordial há 2 horas e eletrocardiograma evidenciando supradesnivelamento do segmento ST em parede anterior extensa. A unidade não dispõe de serviço de hemodinâmica, e o hospital terciário com sala de cateterismo está a 3 horas de transporte terrestre, sem disponibilidade de transporte aéreo. O paciente não apresenta contraindicações a fibrinolíticos. Qual a conduta mais adequada?

  1. ATransferir o paciente para angioplastia primária, mesmo com tempo estimado de 3 horas
  2. BAguardar reavaliação do ECG em 6 horas antes de decidir a conduta
  3. CIniciar fibrinólise imediatamente no local de atendimento
  4. DAdministrar apenas dupla antiagregação plaquetária e anticoagulação, sem terapia de reperfusão
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Resposta: C. Iniciar fibrinólise imediatamente no local de atendimento

Diante de IAMCSST, quando a angioplastia primária não pode ser realizada dentro de 120 minutos da primeira avaliação médica, a estratégia farmacoinvasiva com fibrinólise imediata é a conduta recomendada pelos protocolos do Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Nesse cenário, o tempo estimado de transporte de 3 horas excede amplamente o limite aceitável para transferência direta à hemodinâmica. Após a fibrinólise, o paciente deve ser transferido para avaliação angiográfica entre 3 e 24 horas, mesmo se houver sinais de reperfusão.

  • A. Transferir sem reperfusão prévia, com tempo de transporte de 3 horas, ultrapassa o limite de 120 minutos recomendado e aumenta a área de necrose miocárdica.
  • B. Retardar a decisão terapêutica em IAMCSST aumenta a mortalidade, pois a reperfusão deve ser a mais precoce possível.
  • D. A dupla antiagregação e anticoagulação são adjuvantes, mas não substituem a necessidade de reperfusão mecânica ou farmacológica.
Ponto-chave: Quando a angioplastia primária não é viável em até 120 minutos, a fibrinólise imediata seguida de estratégia farmacoinvasiva é a conduta recomendada no IAMCSST.
8

Paciente de 70 anos é admitido em hospital de pequeno porte da rede SUS com IAMCSST confirmado por eletrocardiograma, sem possibilidade de angioplastia primária em tempo adequado. Durante a anamnese, revela que sofreu um acidente vascular encefálico hemorrágico há 8 meses, do qual se recuperou totalmente. Está em uso apenas de losartana para hipertensão arterial. Com base nesse antecedente, qual a conduta mais apropriada quanto à terapia de reperfusão?

  1. AAdministrar fibrinólise em dose reduzida pela metade
  2. BContraindicar a fibrinólise pelo risco de ressangramento intracraniano e buscar transferência para angioplastia primária
  3. CAssociar protamina à fibrinólise para reduzir o risco hemorrágico
  4. DRealizar fibrinólise associada a manitol intravenoso profilático
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Resposta: B. Contraindicar a fibrinólise pelo risco de ressangramento intracraniano e buscar transferência para angioplastia primária

O antecedente de acidente vascular encefálico hemorrágico, independentemente do tempo transcorrido, é contraindicação absoluta à terapia fibrinolítica, pois o fármaco ativa o plasminogênio de forma sistêmica, degradando a rede de fibrina e aumentando o risco de sangramento em um sistema nervoso central já fragilizado por lesão prévia. Nesses casos, mesmo com tempo de transporte prolongado, deve-se priorizar a transferência para angioplastia primária, pois os riscos da fibrinólise superam os benefícios. A decisão deve considerar o risco-benefício individual, mas o AVE hemorrágico prévio é contraindicação absoluta em qualquer época segundo as diretrizes vigentes.

  • A. Não existe recomendação de redução de dose do fibrinolítico para contornar contraindicação absoluta; o risco hemorrágico permanece.
  • C. A protamina reverte heparina, não fibrinolíticos, e não reduz o risco de hemorragia intracraniana nesse contexto.
  • D. O manitol é usado no manejo de hipertensão intracraniana estabelecida, não previne hemorragia relacionada à fibrinólise.
Ponto-chave: Antecedente de acidente vascular encefálico hemorrágico em qualquer época é contraindicação absoluta à terapia fibrinolítica no IAMCSST.
9

Mulher de 62 anos é atendida no pronto-socorro com dor torácica em aperto há 3 horas, sem irradiação, acompanhada de náuseas. O eletrocardiograma não mostra supradesnivelamento do segmento ST, mas há inversão de onda T em derivações V4 a V6. A troponina ultrassensível está elevada em relação ao valor de referência. É estabelecido o diagnóstico de síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST, e a paciente será submetida a estratégia invasiva precoce. Além de ácido acetilsalicílico, qual associação medicamentosa é mais adequada para essa paciente neste momento?

  1. AClopidogrel associado a enoxaparina por via subcutânea
  2. BMetoprolol associado a dabigatrana
  3. CNifedipino associado a rivaroxabana
  4. DVarfarina associada a atorvastatina
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Resposta: A. Clopidogrel associado a enoxaparina por via subcutânea

Na síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST, a conduta padrão é a dupla antiagregação plaquetária, combinando ácido acetilsalicílico com um inibidor de P2Y12 como o clopidogrel, associada a anticoagulação parenteral, sendo a enoxaparina subcutânea uma opção amplamente utilizada na rede SUS. Essa combinação reduz o risco de eventos isquêmicos recorrentes ao inibir a agregação plaquetária por duas vias distintas e limitar a propagação do trombo coronariano. A anticoagulação deve ser mantida até a realização da intervenção coronária percutânea ou durante toda a internação se o tratamento for conservador.

  • B. O metoprolol é útil no manejo adjuvante, mas a dabigatrana não é o anticoagulante recomendado na fase aguda da síndrome coronariana.
  • C. O nifedipino não é indicado na fase aguda e a rivaroxabana em dose plena não é a anticoagulação padrão recomendada nesse contexto agudo.
  • D. A varfarina não tem papel na fase aguda da síndrome coronariana e a atorvastatina, embora indicada, não substitui a antiagregação dupla.
Ponto-chave: Na síndrome coronariana aguda sem supra de ST, a dupla antiagregação plaquetária associada à anticoagulação parenteral (como enoxaparina) é a base do tratamento inicial.
10

Homem de 58 anos, hipertenso de longa data e em uso irregular de medicações, chega ao pronto-socorro com dor torácica súbita e intensa, descrita como "rasgando", que iniciou na região retroesternal e migrou para o dorso interescapular. Ao exame, PA no braço direito é 170/100 mmHg e no braço esquerdo é 130/80 mmHg. Há sopro diastólico em foco aórtico. O eletrocardiograma não mostra alterações isquêmicas agudas. Qual exame de imagem é o mais indicado para confirmar o diagnóstico suspeitado?

  1. ARadiografia de tórax em incidência póstero-anterior
  2. BRessonância magnética de tórax sem contraste
  3. CEcocardiograma transtorácico
  4. DAngiotomografia de aorta torácica e abdominal
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Resposta: D. Angiotomografia de aorta torácica e abdominal

O quadro clínico de dor torácica súbita e lancinante com irradiação para o dorso, assimetria pressórica entre os membros superiores e sopro de insuficiência aórtica é altamente sugestivo de dissecção aórtica aguda. A angiotomografia de aorta torácica e abdominal é o exame de escolha na maioria dos serviços de emergência por sua alta sensibilidade e especificidade, rapidez de realização e disponibilidade, permitindo identificar o flap intimal, a extensão da dissecção e envolvimento de ramos. O diagnóstico rápido é essencial, pois a dissecção tipo A exige correção cirúrgica de urgência.

  • A. A radiografia de tórax pode sugerir alargamento do mediastino, mas tem baixa sensibilidade e não confirma o diagnóstico.
  • B. A ressonância magnética tem boa acurácia, porém é menos disponível em serviços de emergência e demanda mais tempo, não sendo a primeira escolha na fase aguda.
  • C. O ecocardiograma transtorácico tem sensibilidade limitada para avaliar a aorta torácica descendente, sendo inferior à angiotomografia nesse contexto.
Ponto-chave: Na suspeita de dissecção aórtica aguda, a angiotomografia de aorta é o exame de imagem de escolha para confirmação diagnóstica na emergência.
11

Mulher de 50 anos comparece à UBS com cefaleia occipital há 2 dias, sem outras queixas. Nega dor torácica, dispneia ou alterações visuais. Ao exame, está assintomática no momento, lúcida e orientada, sem déficits neurológicos focais. PA afere 200/110 mmHg em duas medidas consecutivas com intervalo de 5 minutos. Exame cardiovascular e pulmonar sem alterações. Fundoscopia não realizada na unidade. Qual a conduta mais adequada?

  1. ASolicitar internação em UTI para monitorização contínua
  2. BAdministrar captopril sublingual em dose única para redução rápida da pressão arterial
  3. CIniciar ou ajustar medicação antihipertensiva por via oral e reavaliar em 24 a 48 horas
  4. DEncaminhar para administração imediata de nitroprussiato de sódio intravenoso
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Resposta: C. Iniciar ou ajustar medicação antihipertensiva por via oral e reavaliar em 24 a 48 horas

O caso descreve elevação importante da pressão arterial sem sinais ou sintomas de lesão aguda em órgão-alvo, caracterizando urgência hipertensiva, não emergência. Nesses casos, a conduta recomendada é a redução gradual da pressão arterial com medicação antihipertensiva oral, com reavaliação ambulatorial em 24 a 48 horas, evitando quedas pressóricas abruptas que podem causar hipoperfusão de órgãos. A emergência hipertensiva, que cursaria com lesão aguda de órgão-alvo (como encefalopatia, edema agudo de pulmão ou síndrome coronariana aguda), exigiria redução rápida com drogas parenterais em ambiente de terapia intensiva.

  • A. A internação em UTI não é necessária na urgência hipertensiva, que pode ser manejada ambulatorialmente ou na unidade básica.
  • B. A redução rápida e abrupta da pressão arterial com captopril sublingual não é recomendada, pois pode causar hipoperfusão tecidual sem benefício comprovado.
  • D. O nitroprussiato intravenoso é reservado para emergências hipertensivas com lesão aguda de órgão-alvo, ausente neste caso.
Ponto-chave: A diferenciação entre urgência e emergência hipertensiva baseia-se na presença de lesão aguda de órgão-alvo, determinando a via e a velocidade de redução pressórica.
12

Homem de 72 anos, com antecedente de insuficiência cardíaca, é trazido à UPA com dispneia intensa de início súbito há 1 hora, ortopneia e sudorese. Ao exame: FR 32 irpm, SpO2 85% em ar ambiente, PA 170/95 mmHg, FC 110 bpm, estertores crepitantes em ambos os hemitórax até os terços superiores, turgência jugular presente. É iniciada oxigenoterapia suplementar. Qual a conduta medicamentosa inicial mais apropriada?

  1. ASolução salina isotônica em bólus intravenoso rápido
  2. BFurosemida intravenosa associada a nitrato sublingual ou intravenoso
  3. CBetabloqueador intravenoso em dose plena
  4. DDigoxina intravenosa em dose de ataque
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Resposta: B. Furosemida intravenosa associada a nitrato sublingual ou intravenoso

O quadro apresentado é característico de edema agudo de pulmão cardiogênico, com sinais de congestão pulmonar e sistêmica em paciente hipertenso. A conduta inicial recomendada pelas diretrizes de insuficiência cardíaca aguda é a associação de diurético de alça intravenoso, como a furosemida, que promove rápida redução da volemia e da pressão de enchimento, com vasodilatador como o nitrato, que reduz a pré-carga e a pós-carga, diminuindo a congestão pulmonar. A oxigenoterapia e, se necessário, a ventilação não invasiva, complementam o tratamento inicial.

  • A. A expansão volêmica agrava a congestão pulmonar em paciente já hipervolêmico, sendo contraindicada.
  • C. O betabloqueador em dose plena é contraindicado na fase aguda de descompensação, podendo piorar a função sistólica e a congestão.
  • D. A digoxina não tem papel estabelecido no tratamento da fase aguda do edema pulmonar cardiogênico e seu início agudo não é recomendado nesse cenário.
Ponto-chave: O tratamento inicial do edema agudo de pulmão cardiogênico associa diurético de alça intravenoso e vasodilatador, junto a oxigenoterapia suplementar.
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Emergências Respiratórias

5 questões
13

Mulher de 24 anos, asmática conhecida, é levada à UPA com dispneia progressiva há 3 horas, após exposição a fumaça. Ao exame: fala frases incompletas, uso de musculatura acessória, frequência respiratória de 32 irpm, frequência cardíaca de 128 bpm, saturação de O2 de 90% em ar ambiente, e sibilos difusos à ausculta. O pico de fluxo expiratório está em 45% do previsto. Qual é a conduta farmacológica inicial mais adequada?

  1. ABeta-2 agonista inalatório de curta duração em doses repetidas associado a corticoide sistêmico
  2. BTeofilina intravenosa associada a antibiótico de amplo espectro
  3. CBeta-bloqueador seletivo associado a sedativo para reduzir o esforço respiratório
  4. DCorticoide inalatório em dose alta isolado, sem broncodilatador
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Resposta: A. Beta-2 agonista inalatório de curta duração em doses repetidas associado a corticoide sistêmico

A paciente apresenta critérios de crise asmática grave (fala entrecortada, FR > 30 irpm, SpO2 < 91%, PFE < 50% do previsto), situação que exige broncodilatador beta-2 agonista de curta duração (como salbutamol) em doses repetidas ou contínuas, associado a corticoide sistêmico (como prednisona oral ou hidrocortisona intravenosa) para reduzir a inflamação das vias aéreas e prevenir recidiva precoce. O corticoide inalatório isolado tem início de ação lento e não é indicado para controle agudo de crise grave. Oxigenoterapia suplementar também deve ser associada para manter SpO2 entre 93-95%. A reavaliação clínica frequente orienta a necessidade de brometo de ipratrópio adicional ou sulfato de magnésio intravenoso em casos refratários.

  • B. A teofilina intravenosa não é primeira linha pelo estreito índice terapêutico e risco de arritmias, e não há indicação de antibiótico sem evidência de infecção bacteriana.
  • C. Beta-bloqueadores são contraindicados na asma por risco de broncoespasmo, e sedativos podem mascarar a deterioração respiratória.
  • D. O corticoide inalatório tem início de ação lento e não substitui o broncodilatador de curta duração na crise aguda.
Ponto-chave: Na crise asmática grave, a combinação de beta-2 agonista de curta duração em doses repetidas com corticoide sistêmico é a conduta farmacológica inicial padrão.
14

Homem de 68 anos, com diagnóstico de DPOC grau GOLD 3, é atendido na UPA por dispneia há 2 dias, associada a aumento do volume e purulência do escarro. Está em uso de oxigenoterapia por cateter nasal a 3 L/min. Ao exame, encontra-se com rebaixamento leve do nível de consciência, respiração com uso de musculatura acessória, frequência respiratória de 30 irpm. A gasometria arterial mostra pH 7,28, PaCO2 68 mmHg, PaO2 58 mmHg e bicarbonato 28 mEq/L. Qual é a próxima conduta mais adequada?

  1. AIndicar intubação orotraqueal imediata e ventilação mecânica invasiva
  2. BIniciar ventilação não invasiva com dois níveis de pressão (BiPAP)
  3. CAumentar o fluxo de oxigênio por cateter nasal para 8 L/min
  4. DPrescrever apenas broncodilatador nebulizado e reavaliar em 6 horas
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Resposta: B. Iniciar ventilação não invasiva com dois níveis de pressão (BiPAP)

O paciente apresenta exacerbação de DPOC com acidose respiratória aguda (pH 7,28, PaCO2 68 mmHg), indicação clássica de ventilação não invasiva com pressão positiva em dois níveis (BiPAP), que reduz o trabalho respiratório, melhora a ventilação alveolar e diminui a necessidade de intubação. O rebaixamento leve do nível de consciência não contraindica a VNI, desde que o paciente ainda proteja a via aérea e consiga cooperar com a máscara. Elevar excessivamente o fluxo de oxigênio pode agravar a hipercapnia por abolição do estímulo hipóxico e efeito Haldane. A intubação orotraqueal fica reservada para falha da VNI, rebaixamento importante do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica ou incapacidade de proteger via aérea.

  • A. A intubação orotraqueal é reservada para falha da VNI ou contraindicações a ela, não sendo a primeira escolha neste momento.
  • C. Aumentar o fluxo de oxigênio sem controle pode agravar a hipercapnia e piorar a acidose respiratória em pacientes com DPOC.
  • D. Apenas broncodilatador sem suporte ventilatório é insuficiente diante da acidose respiratória aguda documentada na gasometria.
Ponto-chave: Na exacerbação de DPOC com acidose respiratória aguda, a ventilação não invasiva (BiPAP) é a conduta inicial indicada antes de considerar intubação.
15

Homem de 29 anos é atendido no pronto-socorro após colisão de motocicleta, com trauma torácico à direita. Apresenta-se agitado, com pressão arterial de 82 x 58 mmHg, frequência cardíaca de 132 bpm e saturação de O2 de 86% em máscara com reservatório. À inspeção, há desvio da traqueia para a esquerda e turgência jugular. À palpação, enfisema subcutâneo no hemitórax direito. À percussão, hipertimpanismo à direita, e à ausculta, murmúrio vesicular abolido no mesmo lado. Qual é a próxima conduta mais adequada?

  1. AIniciar reposição volêmica agressiva e aguardar estabilização antes de intervir no tórax
  2. BSolicitar radiografia de tórax portátil antes de qualquer intervenção
  3. CRealizar toracocentese de alívio no segundo espaço intercostal da linha hemiclavicular direita
  4. DRealizar pericardiocentese guiada por ultrassonografia
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Resposta: C. Realizar toracocentese de alívio no segundo espaço intercostal da linha hemiclavicular direita

O quadro clínico (desvio contralateral de traqueia, turgência jugular, hipertimpanismo e abolição do murmúrio vesicular no hemitórax afetado, associados a instabilidade hemodinâmica e hipoxemia) é diagnóstico de pneumotórax hipertensivo, uma emergência que deve ser tratada clinicamente, sem necessidade de confirmação radiológica. A conduta imediata é a descompressão por toracocentese de alívio com agulha no segundo espaço intercostal, linha hemiclavicular, seguida posteriormente de drenagem torácica em selo d'água. Retardar a intervenção para exame de imagem ou apenas repor volume pode levar à parada cardiorrespiratória por colapso do retorno venoso.

  • A. A reposição volêmica isolada não resolve a causa obstrutiva do choque e o paciente pode descompensar antes da estabilização completa.
  • B. O pneumotórax hipertensivo é diagnóstico clínico; aguardar radiografia retarda uma intervenção que pode ser fatal.
  • D. A pericardiocentese é indicada no tamponamento cardíaco, não no pneumotórax, e os achados de percussão e murmúrio vesicular neste caso apontam para pneumotórax.
Ponto-chave: O pneumotórax hipertensivo é diagnóstico clínico e exige descompressão imediata por toracocentese de alívio, sem aguardar exame de imagem.
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Mulher de 52 anos, em pós-operatório de artroplastia de quadril há 10 dias, é atendida na UPA com dispneia súbita e dor torácica ventilatório-dependente. Ao exame: frequência cardíaca de 108 bpm, frequência respiratória de 26 irpm, saturação de O2 de 93% em ar ambiente, assimetria de calibre dos membros inferiores com edema unilateral à direita. Não há história de câncer ativo, hemoptise ou imobilização recente além da cirurgia. O escore de Wells calculado é de 6 pontos, indicando probabilidade alta de tromboembolismo pulmonar. Qual é a conduta diagnóstica mais adequada neste momento?

  1. ASolicitar apenas radiografia de tórax e ecocardiograma transtorácico
  2. BSolicitar dosagem de D-dímero; se negativo, afastar o diagnóstico
  3. CSolicitar cintilografia pulmonar de ventilação/perfusão como primeiro exame
  4. DSolicitar angiotomografia de tórax diretamente, sem necessidade de D-dímero
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Resposta: D. Solicitar angiotomografia de tórax diretamente, sem necessidade de D-dímero

Em pacientes com probabilidade clínica alta de tromboembolismo pulmonar (escore de Wells ≥ 7, ou mesmo na faixa intermediária-alta conforme o protocolo, como neste caso com 6 pontos), o D-dímero não deve ser usado para exclusão diagnóstica, pois sua sensibilidade elevada mas baixa especificidade gera resultados falso-negativos relevantes nesse contexto, especialmente após cirurgia recente. A conduta recomendada é avançar diretamente para angiotomografia de tórax com protocolo para TEP, exame de escolha para confirmação diagnóstica por sua alta acurácia. A cintilografia pulmonar é reservada para pacientes com contraindicação ao contraste iodado ou insuficiência renal significativa. Radiografia de tórax e ecocardiograma são exames complementares, mas não substituem a angiotomografia na investigação direta do TEP.

  • A. Radiografia de tórax e ecocardiograma têm baixa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico direto de TEP.
  • B. O D-dímero tem valor preditivo negativo insuficiente em pacientes com alta probabilidade clínica, não devendo ser usado para exclusão nesse grupo.
  • C. A cintilografia pulmonar é reservada para casos de contraindicação à angiotomografia, não sendo o exame de primeira escolha.
Ponto-chave: Em pacientes com probabilidade clínica alta de TEP, deve-se prosseguir diretamente para angiotomografia de tórax, sem utilizar o D-dímero para exclusão diagnóstica.
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Homem de 38 anos é atendido na UBS minutos após ser picado por abelha, apresentando urticária generalizada, edema de lábios, rouquidão e dispneia. Ao exame: pressão arterial de 84 x 56 mmHg, frequência cardíaca de 122 bpm, saturação de O2 de 92% em ar ambiente, estridor laríngeo audível. O quadro é compatível com anafilaxia. Qual é a dose e via de administração da adrenalina indicada neste momento?

  1. AAdrenalina 1 mg intravenosa em bolus único
  2. BAdrenalina 0,3 a 0,5 mg subcutânea no braço, dose única
  3. CAdrenalina 0,3 a 0,5 mg intramuscular na face lateral da coxa, podendo repetir em 5 a 15 minutos
  4. DAdrenalina nebulizada isoladamente, sem administração parenteral
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Resposta: C. Adrenalina 0,3 a 0,5 mg intramuscular na face lateral da coxa, podendo repetir em 5 a 15 minutos

O tratamento de primeira linha da anafilaxia é a adrenalina intramuscular, na dose de 0,3 a 0,5 mg (solução 1:1000) em adultos, aplicada preferencialmente na face lateral da coxa (músculo vasto lateral), por apresentar absorção mais rápida e previsível que a via subcutânea. A dose pode ser repetida a cada 5 a 15 minutos caso não haja melhora clínica. A via intravenosa em bolus é contraindicada pelo risco de arritmias graves e crise hipertensiva, sendo reservada, em infusão contínua diluída e titulada, para casos refratários em ambiente de terapia intensiva. A adrenalina nebulizada pode ser usada como adjuvante para edema de via aérea superior, mas nunca substitui a via intramuscular sistêmica.

  • A. A administração intravenosa em bolus não diluída tem alto risco de arritmias e crise hipertensiva, sendo contraindicada fora de ambiente de infusão controlada.
  • B. A via subcutânea tem absorção mais lenta e errática que a intramuscular, sendo inferior no tratamento da anafilaxia.
  • D. A via nebulizada isolada não trata a reação sistêmica e não substitui a adrenalina intramuscular como tratamento primário.
Ponto-chave: O tratamento de primeira linha da anafilaxia é adrenalina intramuscular 0,3-0,5 mg na face lateral da coxa, podendo ser repetida a cada 5-15 minutos.

Manejo de Via Aérea e Ventilação

3 questões
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Homem de 54 anos é trazido à sala de emergência após inalação de fumaça em incêndio residencial. Apresenta queimadura facial com fuligem em narinas e orofaringe, rouquidão progressiva e estridor audível à distância. Está consciente, orientado, com saturação de O2 de 96% em máscara com reservatório, pressão arterial de 128 x 80 mmHg e frequência cardíaca de 98 bpm. Qual é a próxima conduta mais adequada?

  1. ASolicitar fibrobroncoscopia ambulatorial eletiva para avaliação da via aérea em 24 horas
  2. BIniciar corticoide sistêmico isolado para reduzir o edema de via aérea e evitar intubação
  3. CManter oxigenoterapia por máscara e reavaliar em 2 horas, já que a saturação está adequada
  4. DProceder à intubação orotraqueal precoce, antes da progressão do edema de via aérea
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Resposta: D. Proceder à intubação orotraqueal precoce, antes da progressão do edema de via aérea

Sinais de lesão inalatória (queimadura facial, fuligem em narinas e orofaringe, rouquidão e estridor) indicam risco iminente de obstrução progressiva da via aérea por edema, mesmo com saturação de oxigênio ainda preservada, pois a oximetria não reflete a permeabilidade da via aérea superior. Essa é uma indicação clássica de via aérea definitiva por intubação orotraqueal precoce, realizada antes que o edema torne a intubação tecnicamente difícil ou impossível, evitando uma via aérea cirúrgica de urgência. Aguardar a evolução ou solicitar exames eletivos expõe o paciente ao risco de obstrução completa súbita. O corticoide sistêmico isolado não tem eficácia comprovada suficiente para substituir a necessidade de proteção precoce da via aérea neste cenário.

  • A. Aguardar avaliação eletiva em 24 horas expõe o paciente ao risco de obstrução completa da via aérea antes da reavaliação.
  • B. O corticoide sistêmico não tem eficácia comprovada suficiente para substituir a intubação precoce diante de sinais claros de lesão inalatória.
  • C. A saturação normal não exclui obstrução iminente da via aérea superior por edema progressivo.
Ponto-chave: Sinais de lesão inalatória com risco de obstrução progressiva de via aérea (estridor, rouquidão, queimadura facial) indicam intubação orotraqueal precoce, independentemente da saturação de oxigênio.
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Homem de 45 anos sofre trauma facial grave por acidente motociclístico, com sangramento maciço em orofaringe e edema progressivo de região cervical. Após três tentativas de laringoscopia direta sem sucesso, não é possível ventilar o paciente com máscara facial, e a saturação de oxigênio cai para 72%. Não há cricotireoidostomia cirúrgica disponível no momento nem material para via aérea supraglótica. Qual é a conduta imediata mais adequada?

  1. ARealizar cricotireoidostomia por punção com agulha calibrosa e ventilação jato transtraqueal
  2. BTentar nova ventilação com máscara facial usando manobra de dois socorristas
  3. CRepetir a laringoscopia direta com lâmina de tamanho diferente
  4. DAguardar a chegada da equipe de otorrinolaringologia para via aérea cirúrgica
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Resposta: A. Realizar cricotireoidostomia por punção com agulha calibrosa e ventilação jato transtraqueal

No cenário de via aérea difícil classificada como 'não intubável, não ventilável', a prioridade é restabelecer a oxigenação pela via mais rápida disponível. A cricotireoidostomia por punção, com agulha calibrosa inserida na membrana cricotireóidea seguida de ventilação jato transtraqueal, é uma técnica de resgate que pode ser realizada rapidamente à beira do leito quando a cricotireoidostomia cirúrgica não está disponível. Essa técnica garante oxigenação temporária até que uma via aérea definitiva seja estabelecida. Retardar a ação à espera de outras tentativas ou de especialistas expõe o paciente a hipoxemia grave e risco de parada cardiorrespiratória.

  • B. A ventilação com máscara já foi tentada sem sucesso, e insistir nessa manobra prolonga o tempo de hipoxemia crítica.
  • C. Repetir a laringoscopia em situação de 'não intubável, não ventilável' apenas retarda a correção da hipoxemia grave e já houve falha em tentativas prévias.
  • D. Aguardar especialista é inaceitável diante de saturação de 72% e risco iminente de parada cardiorrespiratória; a via aérea de resgate deve ser imediata.
Ponto-chave: Na via aérea 'não intubável, não ventilável', a cricotireoidostomia por punção com ventilação jato é a técnica de resgate imediata quando a via cirúrgica não está disponível.
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Mulher de 52 anos é internada em UTI com síndrome do desconforto respiratório agudo secundária a pneumonia bilateral grave. Está intubada e sob ventilação mecânica, com peso predito de 60 kg. A radiografia de tórax mostra infiltrados bilaterais difusos, e a relação PaO2/FiO2 é de 140. Qual conjunto de parâmetros ventilatórios iniciais é mais adequado para essa paciente, seguindo estratégia de ventilação protetora?

  1. AVolume corrente de 8 mL/kg de peso predito sem limite de pressão de platô
  2. BVolume corrente de 10 mL/kg de peso predito e pressão de platô menor que 35 cmH2O
  3. CVolume corrente de 12 mL/kg de peso predito com PEEP de 5 cmH2O
  4. DVolume corrente de 6 mL/kg de peso predito e pressão de platô menor que 30 cmH2O
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Resposta: D. Volume corrente de 6 mL/kg de peso predito e pressão de platô menor que 30 cmH2O

A estratégia de ventilação mecânica protetora na síndrome do desconforto respiratório agudo preconiza volume corrente baixo, de 4 a 6 mL/kg de peso predito, para reduzir a lesão pulmonar induzida pela ventilação por hiperdistensão alveolar. A pressão de platô deve ser mantida abaixo de 30 cmH2O, pois pressões maiores aumentam o risco de barotrauma e lesão alveolar difusa. Essa abordagem, validada pelo estudo ARDSNet, reduz mortalidade em comparação com volumes correntes tradicionais mais altos. A PEEP deve ser titulada conforme a gravidade da hipoxemia e a mecânica respiratória, geralmente iniciando-se em valores mais altos que 5 cmH2O nos casos moderados a graves.

  • A. A ausência de limite de pressão de platô permite lesão por barotrauma, mesmo com volume corrente moderado.
  • B. Volume corrente de 10 mL/kg é excessivo para estratégia protetora e aumenta o risco de lesão pulmonar associada à ventilação.
  • C. Volume corrente de 12 mL/kg associado a PEEP baixa favorece hiperdistensão alveolar e colapso ao final da expiração, contrariando a estratégia protetora.
Ponto-chave: Na SDRA, a ventilação mecânica protetora utiliza volume corrente de 4 a 6 mL/kg de peso predito com pressão de platô inferior a 30 cmH2O.

Trauma - Avaliação Inicial

3 questões
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Homem de 28 anos é trazido à sala de emergência após colisão automobilística. Ao chegar, apresenta via aérea permeável e sem sinais de obstrução, murmúrio vesicular presente e simétrico bilateralmente, frequência respiratória de 18 irpm. A pressão arterial é de 80x50 mmHg, frequência cardíaca de 128 bpm, extremidades frias e pele pálida. Após a confirmação da via aérea e da ventilação adequadas, qual deve ser o próximo passo na avaliação inicial?

  1. ARealizar avaliação neurológica completa com Escala de Coma de Glasgow
  2. BExpor completamente o paciente para procurar lesões ocultas e prevenir hipotermia
  3. CControlar hemorragias externas e obter acesso venoso calibroso para reposição volêmica
  4. DSolicitar tomografia de corpo inteiro antes de qualquer intervenção
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Resposta: C. Controlar hemorragias externas e obter acesso venoso calibroso para reposição volêmica

Após garantir a via aérea e a adequação da ventilação (etapas A e B do ABCDE), a etapa C corresponde à avaliação e ao controle da circulação, com foco no controle de hemorragias externas e no estabelecimento de dois acessos venosos periféricos calibrosos para reposição volêmica. O paciente descrito apresenta sinais claros de choque hemorrágico, com hipotensão, taquicardia e perfusão periférica alterada, exigindo intervenção imediata nessa etapa antes de avançar para a avaliação neurológica (D) ou exposição (E). Seguir rigorosamente a sequência do ABCDE evita que lesões que ameaçam a vida sejam negligenciadas.

  • A. A avaliação neurológica (D) só deve ser realizada após a estabilização circulatória, que é a prioridade imediata neste paciente em choque.
  • B. A exposição completa (E) é etapa posterior à estabilização circulatória e não deve ser priorizada diante de sinais de choque.
  • D. Exames de imagem só devem ser solicitados após a estabilização inicial do paciente, nunca antes do controle hemodinâmico em paciente instável.
Ponto-chave: No atendimento inicial ao politraumatizado, a sequência do ABCDE deve ser seguida rigorosamente, priorizando o controle circulatório (C) após via aérea e ventilação estarem garantidas.
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Mulher de 24 anos, vítima de ferimento por arma branca em abdome, é avaliada na sala de trauma. Apresenta pressão arterial de 100x70 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm, frequência respiratória de 24 irpm, débito urinário estimado em 25 mL/hora e discreta ansiedade, mantendo-se orientada. Estima-se perda sanguínea estimada em cerca de 1.600 mL para peso corporal de 65 kg. De acordo com a classificação do choque hemorrágico pela perda volêmica, em qual classe essa paciente se encontra?

  1. AClasse I
  2. BClasse II
  3. CClasse III
  4. DClasse IV
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Resposta: C. Classe III

O choque hemorrágico classe III corresponde a uma perda sanguínea de 30% a 40% da volemia, aproximadamente 1.500 a 2.000 mL em um adulto de 70 kg, e caracteriza-se por taquicardia acentuada, taquipneia, queda mensurável da pressão arterial sistólica, redução do débito urinário para 5-15 mL/hora e alteração do estado mental, como ansiedade ou confusão. A paciente descrita apresenta frequência cardíaca elevada, taquipneia, débito urinário reduzido e alteração do estado mental compatível com essa classificação, apesar de a pressão arterial sistólica ainda estar na faixa normal-baixa, pois a queda tensional pode ser tardia pelos mecanismos compensatórios. Reconhecer a classe de choque orienta a necessidade de reposição volêmica agressiva e hemocomponentes.

  • A. A classe I corresponde a perda de até 15% da volemia, sem alterações significativas de frequência cardíaca, pressão arterial ou débito urinário.
  • B. A classe II corresponde a perda de 15% a 30% da volemia, com taquicardia leve e débito urinário preservado entre 20-30 mL/hora, sem alteração relevante do estado mental.
  • D. A classe IV implica perda acima de 40% da volemia, com hipotensão franca, débito urinário desprezível e letargia ou perda de consciência, achados mais graves que os apresentados.
Ponto-chave: A classificação do choque hemorrágico baseia-se na correlação entre percentual de perda volêmica e parâmetros clínicos como frequência cardíaca, pressão arterial, débito urinário e estado mental.
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Homem de 38 anos chega ao pronto-socorro após acidente automobilístico com trauma abdominal fechado e fratura de pelve. Apresenta pressão arterial de 70x40 mmHg, frequência cardíaca de 140 bpm, pele fria e pegajosa, e não responde adequadamente à infusão inicial de 1.000 mL de cristaloide. O índice de choque calculado é maior que 1 e há sinais de sangramento ativo não controlado. A equipe decide ativar o protocolo de transfusão maciça. Qual é a proporção recomendada de hemocomponentes nesse protocolo?

  1. AConcentrado de hemácias e plaquetas na proporção de 1:3, sem plasma fresco congelado
  2. BConcentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas na proporção de 1:1:1
  3. CConcentrado de hemácias isolado, reservando plasma e plaquetas para sangramento refratário
  4. DConcentrado de hemácias e plasma fresco congelado na proporção de 4:1
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Resposta: B. Concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas na proporção de 1:1:1

O protocolo de transfusão maciça no trauma recomenda a administração precoce e balanceada de concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas na proporção de 1:1:1, conforme evidenciado pelo estudo PROPPR. Essa abordagem busca reproduzir a composição do sangue total, prevenindo e corrigindo a coagulopatia induzida pelo trauma, que se associa a maior mortalidade quando não tratada precocemente. A reposição isolada de hemácias sem fatores de coagulação e plaquetas agrava a diluição dos fatores de coagulação e perpetua o sangramento. A ativação do protocolo deve ocorrer precocemente diante de sinais de choque hemorrágico grave refratário à reposição inicial de cristaloide.

  • A. Omitir o plasma fresco congelado não corrige os fatores de coagulação consumidos, perpetuando a coagulopatia do trauma.
  • C. Reservar plasma e plaquetas apenas para sangramento refratário retarda a correção da coagulopatia e contraria a recomendação de reposição precoce e balanceada.
  • D. A proporção 4:1 de hemácias para plasma, sem considerar plaquetas, não corresponde à recomendação atual de transfusão balanceada 1:1:1.
Ponto-chave: O protocolo de transfusão maciça no trauma recomenda reposição balanceada de concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas na proporção de 1:1:1.

Trauma Específico

5 questões
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Homem de 28 anos é trazido à sala de emergência após queda de moto, sem uso de capacete. Na avaliação inicial, abre os olhos apenas à dor, emite sons incompreensíveis e apresenta flexão anormal dos membros ao estímulo doloroso. Frequência respiratória de 10 irpm, saturação de oxigênio de 89% em ar ambiente, pressão arterial de 142 x 88 mmHg e frequência cardíaca de 58 bpm. As pupilas são isocóricas e fotorreagentes. Após garantir a via aérea definitiva, qual medida deve ser priorizada no manejo inicial?

  1. APosicionar o paciente em Trendelenburg para otimizar a perfusão cerebral
  2. BManter a cabeceira do leito elevada a 30 graus e normoventilar o paciente, mantendo PaCO2 entre 35 e 40 mmHg
  3. CInfundir solução salina hipotônica a 0,45% em bolus para reduzir o edema cerebral
  4. DRealizar hiperventilação profilática, mantendo PaCO2 entre 25 e 28 mmHg, para reduzir o volume sanguíneo cerebral
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Resposta: B. Manter a cabeceira do leito elevada a 30 graus e normoventilar o paciente, mantendo PaCO2 entre 35 e 40 mmHg

Na suspeita de hipertensão intracraniana por traumatismo cranioencefálico grave (Glasgow ≤ 8), as medidas iniciais de neuroproteção incluem elevação da cabeceira a 30 graus, que favorece a drenagem venosa cerebral, e normoventilação, evitando tanto a hipóxia quanto a hipocapnia excessiva. A hiperventilação profilática é contraindicada, pois a vasoconstrição cerebral excessiva pode causar isquemia secundária, sendo reservada apenas para herniação iminente, de forma breve e controlada. Deve-se manter a PaCO2 em valores normais e a pressão arterial adequada para garantir a pressão de perfusão cerebral.

  • A. A posição de Trendelenburg aumenta a pressão intracraniana por dificultar o retorno venoso cerebral.
  • C. Soluções hipotônicas estão contraindicadas no TCE grave, pois pioram o edema cerebral; usa-se solução salina isotônica ou hipertônica.
  • D. A hiperventilação profilática reduz excessivamente a PaCO2, causando vasoconstrição cerebral e piora da isquemia, sendo indicada apenas em situações específicas de herniação iminente.
Ponto-chave: No traumatismo cranioencefálico grave, a neuroproteção inicial inclui cabeceira elevada a 30 graus e normoventilação, evitando hiperventilação profilática e soluções hipotônicas.
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Homem de 34 anos sofre queda de altura de aproximadamente 4 metros durante trabalho em obra e é atendido pelo SAMU com queixa de dor cervical e fraqueza em membros inferiores. Ao exame, apresenta força muscular grau 2 em membros inferiores, nível sensitivo em T10 e priapismo. Pressão arterial de 84 x 50 mmHg, frequência cardíaca de 56 bpm, extremidades quentes. Qual a conduta mais adequada diante desse quadro?

  1. AImobilizar a coluna com colar cervical e prancha rígida, iniciar reposição volêmica cautelosa e, se necessário, vasopressor, sem administrar corticoide
  2. BRealizar reposição volêmica agressiva com múltiplos bolus de cristaloide até normalização da pressão arterial, sem necessidade de imobilização adicional
  3. CImobilizar a coluna e administrar metilprednisolona em altas doses nas primeiras 8 horas após o trauma
  4. DPriorizar a administração imediata de dexametasona intravenosa antes da imobilização da coluna
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Resposta: A. Imobilizar a coluna com colar cervical e prancha rígida, iniciar reposição volêmica cautelosa e, se necessário, vasopressor, sem administrar corticoide

O quadro descrito (hipotensão com bradicardia relativa, extremidades quentes, nível sensitivo torácico e priapismo) é compatível com choque neurogênico decorrente de trauma raquimedular. A conduta inicial inclui imobilização adequada da coluna com colar cervical e prancha rígida, reposição volêmica cautelosa para evitar sobrecarga hídrica e uso de vasopressor se necessário para manter perfusão medular adequada. O uso de corticoide (metilprednisolona) em altas doses não é mais recomendado pelas diretrizes atuais, pois os riscos de complicações infecciosas e metabólicas superam o discreto benefício neurológico observado em estudos antigos.

  • B. A reposição volêmica agressiva sem imobilização é inadequada; o choque neurogênico exige reposição cautelosa associada a vasopressor, e a imobilização da coluna é obrigatória.
  • C. As diretrizes atuais não recomendam mais o uso rotineiro de metilprednisolona em altas doses no trauma raquimedular agudo, pelo risco de complicações sem benefício consistente.
  • D. A dexametasona não é indicada no trauma raquimedular agudo, e a imobilização da coluna deve ser prioritária, não postergada.
Ponto-chave: No trauma raquimedular agudo com choque neurogênico, a imobilização da coluna é obrigatória e o uso rotineiro de corticoide em altas doses não é mais recomendado pelas diretrizes atuais.
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Homem de 42 anos é atendido na sala de emergência após ser atropelado por veículo em alta velocidade. Apresenta-se pálido, sudoroso, com pressão arterial de 76 x 42 mmHg e frequência cardíaca de 132 bpm. Ao exame, observa-se assimetria dos membros inferiores, encurtamento do membro inferior direito e dor intensa à compressão da pelve, com mobilidade anormal da crista ilíaca. Não há outras fontes evidentes de sangramento externo ou lesões torácicas identificadas na avaliação primária. Qual a conduta inicial mais apropriada?

  1. AAplicar cinta pélvica compressiva externa, iniciar reposição volêmica e providenciar transferência para angioembolização ou fixação externa de urgência
  2. BSolicitar radiografia de pelve antes de qualquer imobilização, para confirmar o padrão da fratura
  3. CPosicionar o paciente em decúbito lateral para facilitar a redução manual da fratura pélvica
  4. DRealizar tração esquelética imediata do membro inferior afetado como medida inicial de estabilização
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Resposta: A. Aplicar cinta pélvica compressiva externa, iniciar reposição volêmica e providenciar transferência para angioembolização ou fixação externa de urgência

Na fratura de pelve instável com sinais de choque hemorrágico, a prioridade é reduzir o volume da cavidade pélvica e tamponar o sangramento venoso, o que é obtido com a aplicação de cinta pélvica compressiva (ou lençol enrolado, na ausência do dispositivo específico) já na sala de emergência, associada à reposição volêmica concomitante. A angioembolização ou a fixação externa definitiva são realizadas a seguir, conforme disponibilidade e persistência da instabilidade hemodinâmica. A radiografia não deve retardar a estabilização mecânica inicial, que é clínica e não depende de confirmação radiográfica prévia.

  • B. A imobilização pélvica deve ser realizada com base na suspeita clínica, sem aguardar confirmação radiográfica, que não deve retardar a estabilização inicial.
  • C. O decúbito lateral não é indicado e pode agravar a lesão; a conduta correta é a compressão pélvica externa em posição neutra.
  • D. A tração esquelética não é a medida inicial indicada para fratura pélvica instável; a prioridade é a compressão externa da pelve.
Ponto-chave: Na fratura pélvica instável com choque hemorrágico, a conduta inicial é a compressão pélvica externa associada à reposição volêmica, seguida de angioembolização ou fixação definitiva conforme a resposta hemodinâmica.
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Homem de 30 anos, com 80 kg, sofre queimaduras por chama em incêndio doméstico há 1 hora. Ao exame, apresenta queimaduras de segunda profundidade com bolhas em todo o tórax anterior, todo o abdome anterior e em toda a face anterior do membro superior direito, sem comprometimento de vias aéreas. Utilizando a regra dos nove, qual é a estimativa da superfície corporal queimada e o volume de cristaloide a ser infundido nas primeiras 24 horas, segundo a fórmula de Parkland? (Admita o tórax anterior como 9%, abdome anterior como 9% e face anterior do membro superior como 4,5% da superfície corporal total)

  1. A22,5% de superfície corporal queimada; 14.400 mL de Ringer lactato nas primeiras 24 horas, infundidos em velocidade constante
  2. B18% de superfície corporal queimada; 5.760 mL de Ringer lactato nas primeiras 24 horas, com metade nas primeiras 8 horas
  3. C27% de superfície corporal queimada; 8.640 mL de Ringer lactato nas primeiras 24 horas, infundidos em velocidade constante
  4. D22,5% de superfície corporal queimada; 7.200 mL de Ringer lactato nas primeiras 24 horas, com metade nas primeiras 8 horas
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Resposta: D. 22,5% de superfície corporal queimada; 7.200 mL de Ringer lactato nas primeiras 24 horas, com metade nas primeiras 8 horas

Somando as áreas afetadas pela regra dos nove (tórax anterior 9% + abdome anterior 9% + face anterior do membro superior direito 4,5%), obtém-se 22,5% de superfície corporal queimada. A fórmula de Parkland estabelece volume de 4 mL de Ringer lactato por kg de peso por percentual de superfície queimada nas primeiras 24 horas: 4 x 80 x 22,5 = 7.200 mL. Metade desse volume (3.600 mL) deve ser infundida nas primeiras 8 horas contadas a partir do momento da queimadura, e a outra metade nas 16 horas subsequentes, com ajustes conforme o débito urinário.

  • A. O cálculo de 14.400 mL corresponde ao dobro do volume correto pela fórmula de Parkland, que utiliza 4 mL/kg por percentual de área queimada, e não 8 mL/kg.
  • B. A soma correta das áreas pela regra dos nove resulta em 22,5%, não 18%, e o volume de 5.760 mL não corresponde ao cálculo correto para esse percentual.
  • C. A área queimada foi somada incorretamente (27% em vez de 22,5%), e a infusão de Parkland deve ser fracionada, com metade nas primeiras 8 horas, não em velocidade constante.
Ponto-chave: Pela fórmula de Parkland, o volume de reposição nas primeiras 24 horas é de 4 mL/kg de peso por percentual de superfície corporal queimada, administrando-se metade nas primeiras 8 horas.
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Homem de 45 anos é atendido na emergência após acidente automobilístico com trauma direto no tórax contra o volante. Encontra-se taquipneico, com frequência respiratória de 32 irpm, saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente, e dor intensa à palpação da parede torácica anterior direita. Observa-se que, durante a inspiração, um segmento da parede torácica anterior direita se movimenta para dentro, enquanto o restante do tórax se expande, com movimento inverso durante a expiração. A ausculta revela redução do murmúrio vesicular à direita. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. ATamponamento cardíaco
  2. BPneumotórax hipertensivo
  3. CTórax instável por fratura de múltiplos arcos costais contíguos
  4. DContusão pulmonar isolada
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Resposta: C. Tórax instável por fratura de múltiplos arcos costais contíguos

O movimento paradoxal da parede torácica, caracterizado por depressão de um segmento durante a inspiração e protrusão durante a expiração, é o sinal clássico do tórax instável (flail chest), que resulta da fratura de três ou mais arcos costais contíguos em dois ou mais pontos cada, criando um segmento ósseo flutuante independente da caixa torácica. Esse quadro está frequentemente associado a contusão pulmonar subjacente, que contribui para a hipoxemia observada. O diagnóstico é clínico, baseado na inspeção do movimento paradoxal e na palpação da crepitação costal.

  • A. O tamponamento cardíaco se manifesta com a tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular e bulhas abafadas), sem o sinal de movimento paradoxal torácico.
  • B. O pneumotórax hipertensivo cursa com desvio de traqueia, turgência jugular e hipotensão, sem o movimento paradoxal característico da parede torácica.
  • D. A contusão pulmonar isolada não causa o movimento paradoxal da parede torácica, que depende da instabilidade do arcabouço costal.
Ponto-chave: O tórax instável é diagnosticado clinicamente pelo movimento paradoxal da parede torácica, decorrente de fratura de múltiplos arcos costais contíguos em dois pontos cada.

Emergências Neurológicas

4 questões
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Mulher de 68 anos é trazida à UPA pelo marido, que relata ter notado, há 2 horas, que ela subitamente não conseguia mover o braço direito e apresentava dificuldade para falar, enquanto preparava o café da manhã. Ao exame, apresenta afasia e hemiparesia direita com força grau 2. Pressão arterial de 162 x 94 mmHg, glicemia capilar de 98 mg/dL. A tomografia de crânio sem contraste não evidencia sangramento, área de hipodensidade precoce ou outra alteração aguda. Não há histórico de cirurgias recentes, sangramentos ou uso de anticoagulantes. Qual a conduta mais adequada neste momento?

  1. AIniciar trombólise intravenosa com alteplase, após confirmar ausência de contraindicações
  2. BAguardar nova avaliação em 6 horas para definir conduta, mantendo apenas controle pressórico
  3. CEncaminhar para trombectomia mecânica isolada, sem considerar o uso de trombolítico
  4. DIniciar ácido acetilsalicílico por via oral imediatamente, postergando outras intervenções
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Resposta: A. Iniciar trombólise intravenosa com alteplase, após confirmar ausência de contraindicações

A paciente apresenta quadro compatível com AVC isquêmico agudo, com início dos sintomas bem definido há 2 horas, dentro da janela terapêutica de até 4,5 horas estabelecida para trombólise intravenosa com alteplase, segundo as diretrizes atuais. A tomografia de crânio sem contraste excluiu hemorragia, e não há contraindicações evidentes relatadas (sem uso de anticoagulantes, sem cirurgias recentes). A pressão arterial deve ser controlada para valores abaixo de 185 x 110 mmHg antes da infusão do trombolítico, mas isso não contraindica o tratamento, devendo ser corrigida rapidamente para permitir o início da terapia dentro da janela.

  • B. Aguardar reavaliação em 6 horas ultrapassaria a janela terapêutica para trombólise intravenosa, prejudicando o prognóstico da paciente.
  • C. A trombectomia mecânica é indicada para oclusões de grandes vasos, geralmente em janela de até 24 horas em casos selecionados, mas não substitui a trombólise intravenosa quando esta é indicada e está dentro da janela.
  • D. O ácido acetilsalicílico isolado não substitui a trombólise dentro da janela terapêutica, sendo reservado para casos fora da janela ou após a trombólise, conforme protocolo.
Ponto-chave: No AVC isquêmico agudo sem contraindicações, a trombólise intravenosa com alteplase deve ser iniciada dentro da janela de até 4,5 horas do início dos sintomas, após exclusão de hemorragia por tomografia.
30

Homem de 58 anos, hipertenso em tratamento irregular, é levado à emergência por cefaleia súbita de forte intensidade seguida de vômitos e diminuição do nível de consciência, com início há 40 minutos. Ao exame, apresenta Glasgow 12, hemiparesia esquerda e pressão arterial de 198 x 112 mmHg. Qual exame deve ser solicitado como primeira escolha para esclarecer o diagnóstico e orientar a conduta imediata?

  1. ARessonância magnética de crânio com difusão
  2. BTomografia de crânio sem contraste
  3. CPunção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano
  4. DAngiografia cerebral digital por cateterismo
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Resposta: B. Tomografia de crânio sem contraste

A tomografia de crânio sem contraste é o exame de primeira escolha na suspeita de acidente vascular cerebral agudo, pois é rápida, amplamente disponível e permite diferenciar com alta sensibilidade o AVC hemorrágico, identificado por uma área de hiperdensidade espontânea, do AVC isquêmico, que pode se apresentar sem alterações nas primeiras horas. No AVC hemorrágico confirmado, o controle pressórico intensivo, reduzindo a pressão arterial sistólica para valores próximos de 140 mmHg de forma gradual, está associado a melhor desfecho funcional. A ressonância magnética não é a primeira escolha pela menor disponibilidade e maior tempo de realização em contexto de urgência.

  • A. A ressonância magnética tem maior sensibilidade para isquemia precoce, mas não é a primeira escolha na emergência pela menor disponibilidade e maior tempo de aquisição.
  • C. A punção lombar não é indicada na suspeita de AVC hemorrágico com rebaixamento do nível de consciência, pelo risco de herniação cerebral e por não ser necessária quando a tomografia está disponível.
  • D. A angiografia digital é reservada para investigação etiológica de aneurismas ou malformações vasculares após o diagnóstico inicial, não sendo o exame de primeira escolha na fase aguda.
Ponto-chave: A tomografia de crânio sem contraste é o exame de escolha na fase aguda do AVC para diferenciar hemorragia de isquemia e orientar o controle pressórico imediato.
31

Homem de 34 anos é atendido na UPA em crise convulsiva tônico-clônica generalizada que já dura 12 minutos, sem recuperação da consciência entre os episódios. Nega uso de drogas ou trauma. Glicemia capilar de 98 mg/dL. É obtido acesso venoso periférico e administrado diazepam endovenoso, sem resposta após duas doses adequadas. A equipe decide iniciar um segundo fármaco. Qual droga deve ser administrada nesse momento?

  1. ASulfato de magnésio endovenoso
  2. BPropofol endovenoso em infusão contínua
  3. CMidazolam intramuscular
  4. DFenitoína endovenosa
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Resposta: D. Fenitoína endovenosa

Após falha de duas doses adequadas de benzodiazepínico (primeira linha), a segunda linha no estado de mal epiléptico consiste em um fármaco antiepiléptico de ação prolongada, sendo a fenitoína (ou fosfenitoína) endovenosa a opção clássica, podendo-se usar também valproato ou levetiracetam endovenosos conforme disponibilidade. A fenitoína atua bloqueando canais de sódio voltagem-dependentes, estabilizando a membrana neuronal e reduzindo a propagação da descarga epiléptica. Caso a crise persista após a segunda linha, caracteriza-se estado de mal epiléptico refratário, indicando-se anestesia geral com midazolam, propofol ou tiopental em infusão contínua sob monitorização em UTI.

  • A. O sulfato de magnésio é indicado nas convulsões da eclâmpsia, não fazendo parte do esquema padrão de estado de mal epiléptico generalizado.
  • B. O propofol em infusão contínua é reservado para o estado de mal epiléptico refratário, após falha da segunda linha com fármaco antiepiléptico de ação prolongada.
  • C. O midazolam por via intramuscular é opção de primeira linha quando não há acesso venoso, não sendo a conduta de segunda linha após falha do diazepam endovenoso.
Ponto-chave: No estado de mal epiléptico, a falha de benzodiazepínico em dose adequada (primeira linha) indica o uso de fenitoína, valproato ou levetiracetam endovenosos como segunda linha.
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Mulher de 22 anos chega à UPA com febre de 39,5 °C, cefaleia intensa e rigidez de nuca iniciadas há 8 horas. Ao exame, está confusa, com sinal de Kernig positivo, sem lesões purpúricas na pele. Pressão arterial de 100/60 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm. A tomografia de crânio não está disponível no momento e a equipe suspeita de meningite bacteriana aguda. Qual é a conduta mais adequada em relação à antibioticoterapia?

  1. AIniciar ceftriaxona endovenosa imediatamente, sem aguardar a punção lombar
  2. BIniciar antibiótico somente após transferência para hospital de referência
  3. CAguardar o resultado da tomografia de crânio antes de iniciar o antibiótico
  4. DAguardar o resultado da cultura do líquor para direcionar o antibiótico
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Resposta: A. Iniciar ceftriaxona endovenosa imediatamente, sem aguardar a punção lombar

Na suspeita de meningite bacteriana aguda, a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente em até 1 hora do reconhecimento, pois o retardo aumenta significativamente a mortalidade e as sequelas neurológicas. A coleta de hemocultura e, se possível, a punção lombar devem ser feitas antes do antibiótico, mas nunca devem retardar seu início. A ceftriaxona é a droga empírica de escolha para cobrir os principais agentes (Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae) nessa faixa etária. A tomografia de crânio só é necessária antes da punção lombar em situações específicas (imunossupressão, déficit focal, papiledema, convulsão recente ou alteração do nível de consciência), e mesmo nesses casos o antibiótico não deve ser postergado.

  • B. A transferência para outro serviço não deve retardar o início do antibiótico, que deve ser administrado no local do primeiro atendimento.
  • C. A tomografia só é necessária antes da punção lombar em situações de risco de herniação, e mesmo assim não deve retardar o início do antibiótico.
  • D. Aguardar a cultura do líquor atrasaria o tratamento em dias, aumentando a mortalidade; o antibiótico deve ser empírico e imediato.
Ponto-chave: Na suspeita de meningite bacteriana aguda, a antibioticoterapia empírica com ceftriaxona deve ser iniciada imediatamente, sem aguardar exames de imagem ou resultado de cultura.

Emergências Metabólicas

3 questões
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Adolescente de 16 anos, diabética tipo 1, é levada à UPA por dor abdominal, vômitos e respiração rápida e profunda há 24 horas. Está desidratada, taquicárdica, com hálito cetônico. Glicemia capilar de 320 mg/dL. Gasometria arterial mostra pH 7,18, bicarbonato sérico de 9 mEq/L. Exame de urina revela cetonúria 3+. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. ACetoacidose diabética
  2. BAcidose lática por sepse
  3. CInsuficiência renal aguda pré-renal
  4. DSíndrome hiperosmolar hiperglicêmica
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Resposta: A. Cetoacidose diabética

O diagnóstico de cetoacidose diabética exige a tríade de hiperglicemia (geralmente acima de 200-250 mg/dL), acidose metabólica (pH menor que 7,30 e bicarbonato menor que 18 mEq/L) e cetonemia ou cetonúria significativas, achados todos presentes neste caso. A respiração de Kussmaul (rápida e profunda) é o mecanismo compensatório respiratório para a acidose metabólica. O manejo inclui reposição volêmica vigorosa com solução salina isotônica, insulinoterapia endovenosa contínua e reposição de potássio, com monitorização seriada de glicemia, eletrólitos e gasometria.

  • B. A acidose lática não explica a cetonúria 3+ nem o quadro clássico de hiperglicemia com hálito cetônico em paciente diabética tipo 1.
  • C. A insuficiência renal pré-renal não justifica a cetonúria intensa nem a acidose metabólica grave associada à hiperglicemia descrita.
  • D. A síndrome hiperosmolar hiperglicêmica cursa com glicemias muito mais elevadas (geralmente acima de 600 mg/dL), pH próximo do normal e cetonúria discreta ou ausente, diferente deste caso.
Ponto-chave: O diagnóstico de cetoacidose diabética baseia-se na tríade de hiperglicemia, acidose metabólica com bicarbonato baixo e cetonemia ou cetonúria significativas.
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Homem de 62 anos, com doença renal crônica em hemodiálise, falta à última sessão dialítica e é levado à UPA com fraqueza muscular generalizada. O eletrocardiograma mostra ondas T apiculadas e alargamento do complexo QRS. O potássio sérico é de 7,8 mEq/L. Após administração de gluconato de cálcio endovenoso para estabilização da membrana cardíaca, qual é o próximo passo mais adequado?

  1. ASolicitar hemodiálise de urgência sem outra medida imediata
  2. BAdministrar insulina regular endovenosa associada a glicose
  3. CAdministrar bicarbonato de sódio endovenoso isoladamente
  4. DIniciar poliestirenossulfonato de cálcio por via oral
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Resposta: B. Administrar insulina regular endovenosa associada a glicose

Após a estabilização da membrana miocárdica com gluconato de cálcio, o próximo passo no tratamento da hipercalemia grave é promover o deslocamento intracelular do potássio, sendo a insulina regular endovenosa associada à glicose (para prevenir hipoglicemia) a medida mais rápida e eficaz, pois estimula a bomba Na-K-ATPase. Beta-agonistas inalatórios, como o salbutamol, também podem ser usados com o mesmo objetivo. A hemodiálise é o tratamento definitivo para remoção do potássio, especialmente em pacientes com doença renal crônica, mas deve ser providenciada em paralelo, sem atrasar as medidas imediatas de estabilização e redistribuição.

  • A. A hemodiálise é o tratamento definitivo, mas não deve ser a única conduta imediata, pois medidas de redistribuição rápida do potássio são necessárias enquanto ela é providenciada.
  • C. O bicarbonato de sódio tem efeito limitado e lento na redistribuição do potássio quando usado isoladamente, sendo coadjuvante e não a medida prioritária neste momento.
  • D. As resinas trocadoras de potássio por via oral têm início de ação lento, levando horas para reduzir o potássio sérico, não sendo adequadas para a fase aguda com alterações eletrocardiográficas.
Ponto-chave: No tratamento da hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas, após a estabilização de membrana com cálcio, deve-se promover a redistribuição intracelular do potássio com insulina e glicose, seguida de medidas definitivas de remoção, como a hemodiálise.
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Mulher de 74 anos, diabética tipo 2, é trazida à UPA por sonolência progressiva e confusão mental há 2 dias, associadas a infecção urinária não tratada. Está desidratada, hipotensa, sem hálito cetônico e sem taquipneia significativa. Glicemia capilar de 850 mg/dL. Gasometria arterial: pH 7,34, bicarbonato de 20 mEq/L. Cetonúria ausente na fita urinária. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. ACetoacidose diabética
  2. BAcidose metabólica por sepse urinária isolada
  3. CEncefalopatia hipertensiva
  4. DSíndrome hiperosmolar hiperglicêmica
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Resposta: D. Síndrome hiperosmolar hiperglicêmica

A síndrome hiperosmolar hiperglicêmica caracteriza-se por hiperglicemia acentuada (geralmente acima de 600 mg/dL), osmolaridade plasmática elevada, ausência ou discreta cetonemia/cetonúria e pH arterial próximo do normal (geralmente acima de 7,30), diferentemente da cetoacidose diabética, que cursa com acidose metabólica franca e cetonúria significativa. É mais comum em idosos com diabetes tipo 2, frequentemente precipitada por infecções, e manifesta-se predominantemente com alteração do nível de consciência decorrente da hiperosmolaridade. O tratamento baseia-se em reposição volêmica cuidadosa, insulinoterapia e correção do fator precipitante, com atenção especial ao risco de desidratação grave nessa população.

  • A. A cetoacidose diabética cursaria com acidose metabólica mais intensa, cetonúria positiva e hálito cetônico, achados ausentes neste caso.
  • B. O pH de 7,34 está dentro da faixa quase normal e a hiperglicemia extrema não é explicada apenas pela infecção urinária, sendo compatível com descompensação hiperosmolar.
  • C. A encefalopatia hipertensiva não explica a hiperglicemia extrema nem os achados laboratoriais descritos no caso.
Ponto-chave: A síndrome hiperosmolar hiperglicêmica distingue-se da cetoacidose diabética pela glicemia muito mais elevada, pH próximo do normal e ausência de cetonúria significativa.

Emergências Infecciosas

2 questões
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Homem de 70 anos é atendido na UPA com febre, confusão mental aguda e frequência respiratória de 24 irpm. A pressão arterial é de 85/50 mmHg. Suspeita-se de sepse de foco pulmonar. Após identificação do quadro, qual deve ser a próxima conduta prioritária na primeira hora de atendimento?

  1. AIniciar vasopressor isoladamente antes de qualquer outra medida
  2. BSolicitar tomografia de tórax antes de iniciar qualquer tratamento
  3. CColetar lactato sérico e hemoculturas antes de iniciar antibiótico empírico
  4. DAguardar resultado da hemocultura para iniciar antibioticoterapia dirigida
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Resposta: C. Coletar lactato sérico e hemoculturas antes de iniciar antibiótico empírico

O pacote da primeira hora no manejo da sepse recomenda, de forma simultânea e sem demora, a coleta de lactato sérico e de hemoculturas (antes da antibioticoterapia, sem retardá-la), a administração de antibiótico empírico de amplo espectro, a reposição volêmica com cristaloide (geralmente 30 mL/kg em pacientes com hipotensão ou lactato elevado) e o início de vasopressor se a hipotensão persistir após a reposição volêmica. Este paciente apresenta critérios clínicos sugestivos de disfunção orgânica (confusão mental, taquipneia, hipotensão), compatíveis com qSOFA alterado, justificando o início imediato do pacote. O lactato serve também como marcador de gravidade e de resposta ao tratamento.

  • A. O vasopressor só deve ser iniciado após reposição volêmica adequada com cristaloide, caso a hipotensão persista.
  • B. A tomografia de tórax não deve atrasar o início das medidas do pacote da primeira hora, que têm prioridade sobre exames de imagem.
  • D. Aguardar o resultado da hemocultura atrasaria o início do antibiótico, que deve ser administrado na primeira hora, idealmente logo após a coleta das culturas.
Ponto-chave: No atendimento da sepse, o pacote da primeira hora inclui coleta de lactato e hemoculturas, antibioticoterapia empírica imediata e reposição volêmica, sem aguardar resultados de exames complementares.
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Homem de 58 anos é atendido na UPA com febre de 39,2 °C, confusão mental iniciada há 2 horas e tosse produtiva há 3 dias. PA 82/50 mmHg, FC 118 bpm, FR 28 irpm, SpO2 91% em ar ambiente. Lactato arterial: 42 mg/dL (VR até 18 mg/dL). Após coleta de hemoculturas e início de antibioticoterapia empírica, qual deve ser a conduta imediata para suporte hemodinâmico?

  1. AInfundir 500 mL de solução glicosada a 5% em acesso periférico
  2. BIniciar noradrenalina venosa antes de qualquer expansão volêmica
  3. CInfundir 30 mL/kg de Ringer lactato em até 3 horas, reavaliando a resposta clínica
  4. DInfundir 30 mL/kg de solução de albumina a 20% em bólus único
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Resposta: C. Infundir 30 mL/kg de Ringer lactato em até 3 horas, reavaliando a resposta clínica

Nas diretrizes de sepse e choque séptico (Surviving Sepsis Campaign e protocolos do Ministério da Saúde), a reposição volêmica inicial deve ser feita com cristaloides balanceados, como Ringer lactato, na dose de 30 mL/kg nas primeiras 3 horas, com reavaliação contínua de perfusão, pressão arterial e lactato. Cristaloides são preferidos a coloides por menor custo e ausência de benefício comprovado destes últimos. A meta é restaurar a perfusão tecidual e reduzir o lactato, evitando hipervolemia iatrogênica.

  • A. Solução glicosada não expande volume intravascular de forma eficaz e não é indicada para ressuscitação hemodinâmica.
  • B. Vasopressores são indicados quando a hipotensão persiste após expansão volêmica adequada, não antes dela.
  • D. Albumina não é solução de primeira linha para expansão volêmica inicial na sepse, sendo reservada para situações específicas após cristaloides.
Ponto-chave: Na sepse com hipoperfusão, a ressuscitação volêmica inicial deve usar cristaloide balanceado 30 mL/kg nas primeiras 3 horas.

Intoxicações Exógenas

4 questões
38

Trabalhador rural de 34 anos é levado à UPA após manuseio de agrotóxico sem proteção adequada. Apresenta sialorreia intensa, lacrimejamento, miose bilateral, broncorreia com estertores difusos, sudorese profusa e fasciculações musculares nos membros. PA 100/60 mmHg, FC 52 bpm, FR 24 irpm, SpO2 88% em ar ambiente. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. AIntoxicação aguda por organofosforado
  2. BCrise colinérgica por miastenia gravis
  3. CIntoxicação aguda por carbamato de uso doméstico
  4. DSíndrome anticolinérgica por plantas tóxicas
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Resposta: A. Intoxicação aguda por organofosforado

O quadro descrito é clássico de síndrome colinérgica muscarínica e nicotínica por inibição da acetilcolinesterase, típica da intoxicação por organofosforados usados como agrotóxicos. Os sinais muscarínicos incluem miose, sialorreia, lacrimejamento, broncorreia e bradicardia, enquanto os nicotínicos incluem fasciculações musculares. A exposição ocupacional sem proteção e a gravidade respiratória reforçam esse diagnóstico. O reconhecimento precoce é essencial para iniciar atropinização e considerar o uso de pralidoxima.

  • B. A crise miastênica colinérgica ocorre em pacientes com miastenia gravis em uso de anticolinesterásicos, sem relação com exposição ocupacional a agrotóxico.
  • C. Carbamatos causam quadro semelhante, mas o contexto de agrotóxico agrícola e a gravidade do caso tornam o organofosforado mais provável nesse cenário.
  • D. A síndrome anticolinérgica causa midríase, pele seca e taquicardia, exatamente o oposto dos achados descritos.
Ponto-chave: A intoxicação por organofosforado causa síndrome colinérgica com miose, sialorreia, broncorreia, bradicardia e fasciculações.
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Mulher de 27 anos é encontrada inconsciente em via pública e levada à UPA. Ao exame: Glasgow 7, FR 8 irpm, pupilas puntiformes bilateralmente, SpO2 82% em ar ambiente, pele fria. Há marcas de punção recente em antebraço. Após garantir via aérea e oxigenação, qual é a conduta farmacológica indicada?

  1. AFisostigmina por via intramuscular
  2. BN-acetilcisteína por via oral
  3. CNaloxona por via intravenosa ou intramuscular
  4. DFlumazenil por via intravenosa
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Resposta: C. Naloxona por via intravenosa ou intramuscular

O quadro de depressão respiratória, miose puntiforme e rebaixamento do nível de consciência associado a marcas de punção é altamente sugestivo de intoxicação por opioides. A naloxona é o antagonista competitivo específico dos receptores opioides, revertendo rapidamente a depressão respiratória e o coma. Pode ser administrada por via intravenosa, intramuscular, subcutânea ou intranasal, sendo repetida conforme resposta clínica, já que sua duração de ação é mais curta que a de muitos opioides.

  • A. Fisostigmina é usada em intoxicação anticolinérgica grave, não relacionada a este quadro.
  • B. N-acetilcisteína é o antídoto da intoxicação por paracetamol, não de opioides.
  • D. Flumazenil é antagonista de benzodiazepínicos e não reverte a intoxicação opioide.
Ponto-chave: A naloxona é o antídoto específico da intoxicação por opioides e pode ser administrada por via intravenosa ou intramuscular.
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Homem de 45 anos, com histórico de uso crônico de diazepam para ansiedade, é trazido ao pronto-socorro após ingestão intencional de múltiplos comprimidos não identificados há 1 hora, em tentativa de autoextermínio. Está sonolento, Glasgow 10, FR 14 irpm, SpO2 94% em ar ambiente, sem sinais focais. A equipe considera o uso de flumazenil para reverter possível sedação benzodiazepínica. Qual é o principal risco dessa conduta neste caso?

  1. ACausar hipertensão arterial maligna por efeito simpaticomimético direto
  2. BInduzir broncoespasmo grave por liberação histamínica
  3. CProvocar hepatotoxicidade aguda por metabolismo hepático do flumazenil
  4. DPrecipitar crise convulsiva por reduzir o efeito protetor do benzodiazepínico sobre o limiar convulsivo
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Resposta: D. Precipitar crise convulsiva por reduzir o efeito protetor do benzodiazepínico sobre o limiar convulsivo

O flumazenil é um antagonista competitivo dos receptores benzodiazepínicos e, em pacientes com uso crônico de benzodiazepínicos ou em intoxicações mistas com antidepressivos tricíclicos ou outros convulsivantes, pode precipitar convulsões graves e de difícil controle ao reverter abruptamente a ação anticonvulsivante do benzodiazepínico. Por isso, seu uso de rotina na intoxicação por benzodiazepínicos não é recomendado, sendo reservado para casos selecionados sem história de uso crônico e sem suspeita de coingestão de outras substâncias. A conduta inicial preferencial é o suporte clínico e monitorização das vias aéreas.

  • A. Não há relação entre flumazenil e crise hipertensiva por efeito simpaticomimético.
  • B. O flumazenil não está associado a broncoespasmo por liberação histamínica como risco principal.
  • C. O flumazenil não é reconhecido por causar hepatotoxicidade aguda significativa.
Ponto-chave: O flumazenil pode precipitar convulsões em usuários crônicos de benzodiazepínicos ou em intoxicações mistas, limitando seu uso rotineiro.
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Mulher de 22 anos procura o pronto-socorro relatando ingestão de 40 comprimidos de paracetamol de 500 mg há 6 horas, em tentativa de autoextermínio. Está assintomática, com exame físico normal. Dosagem sérica de paracetamol colhida na 6ª hora está acima do limite que indica risco de hepatotoxicidade pelo nomograma de Rumack-Matthew. Qual é a conduta mais adequada?

  1. AAguardar elevação de transaminases para iniciar N-acetilcisteína
  2. BIniciar N-acetilcisteína por via oral ou intravenosa imediatamente
  3. CRealizar hemodiálise de urgência como primeira medida terapêutica
  4. DAdministrar carvão ativado isoladamente sem uso de antídoto
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Resposta: B. Iniciar N-acetilcisteína por via oral ou intravenosa imediatamente

A N-acetilcisteína é o antídoto específico da intoxicação por paracetamol e atua repondo os estoques de glutationa hepática, neutralizando o metabólito tóxico N-acetil-p-benzoquinoneimina. Seu benefício é maior quando iniciada em até 8 horas da ingestão, mas deve ser administrada sempre que a dosagem sérica, interpretada pelo nomograma de Rumack-Matthew, indicar risco de hepatotoxicidade, independentemente de sintomas. Esperar a elevação de transaminases retarda o tratamento e aumenta o risco de lesão hepática irreversível.

  • A. Aguardar a elevação de transaminases retarda o início do antídoto e aumenta o risco de insuficiência hepática.
  • C. Hemodiálise não é a primeira medida e é reservada a casos de intoxicação maciça com acidose grave ou falência do antídoto.
  • D. Carvão ativado pode ser considerado se a ingestão for recente, mas não substitui a N-acetilcisteína quando há risco de hepatotoxicidade.
Ponto-chave: A N-acetilcisteína deve ser iniciada precocemente, idealmente até 8 horas da ingestão, sempre que houver risco de hepatotoxicidade pelo nomograma de Rumack-Matthew.

Emergências Ambientais e Outras Urgências

3 questões
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Criança de 6 anos é resgatada por banhistas após submersão em piscina, com tempo estimado de 1 minuto sob a água. Ao chegar à margem, está consciente, tossindo, com respiração espontânea, auscultando-se estertores finos bibasais, e SpO2 93% em ar ambiente. Não houve perda de consciência nem necessidade de ventilação durante o resgate. Qual é a conduta inicial mais adequada?

  1. ALiberar a criança para casa imediatamente, já que está consciente e respirando espontaneamente
  2. BAdministrar oxigênio suplementar e manter em observação hospitalar por possível piora respiratória tardia
  3. CRealizar manobra de compressão abdominal para eliminar água aspirada dos pulmões
  4. DIniciar ventilação mecânica invasiva de forma profilática devido ao risco de síndrome do desconforto respiratório agudo
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Resposta: B. Administrar oxigênio suplementar e manter em observação hospitalar por possível piora respiratória tardia

O afogamento com sintomas respiratórios leves, como tosse e estertores, com paciente consciente e sem necessidade de ventilação, é classificado como grau moderado, segundo classificações de gravidade utilizadas no Brasil. A conduta inclui oxigenoterapia suplementar e observação hospitalar por pelo menos 6 a 24 horas, pois pode ocorrer deterioração respiratória tardia por edema pulmonar ou broncoespasmo. A alta precoce sem período de observação é perigosa mesmo em pacientes aparentemente estáveis.

  • A. Mesmo com respiração espontânea, a presença de estertores e hipoxemia leve exige observação hospitalar pelo risco de piora tardia.
  • C. Manobras de compressão abdominal como a de Heimlich não são recomendadas no afogamento, pois não removem água dos pulmões e podem causar lesões ou vômito com aspiração.
  • D. Ventilação mecânica profilática não é indicada quando há respiração espontânea eficaz e boa oxigenação relativa.
Ponto-chave: No afogamento com sintomas respiratórios leves e paciente consciente, a conduta é oxigenoterapia e observação hospitalar pelo risco de piora tardia.
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Homem de 68 anos é trazido à UPA por familiares após ser encontrado confuso em casa durante uma onda de calor, com temperatura ambiente de 38°C. Está desorientado, com temperatura corporal de 41,2°C, pele quente e seca, FC 128 bpm, PA 90/60 mmHg, FR 26 irpm. Não há relato de atividade física recente. Qual é o diagnóstico mais provável e a principal medida terapêutica inicial?

  1. AGolpe de calor clássico, com resfriamento corporal rápido por imersão em água fria ou uso de ventilação com borrifo de água
  2. BInsolação por exercício, com reposição isolada de líquidos orais e repouso em ambiente ventilado
  3. CSíndrome neuroléptica maligna, com administração imediata de dantroleno sódico
  4. DHipertermia maligna anestésica, com suspensão de agentes anestésicos voláteis
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Resposta: A. Golpe de calor clássico, com resfriamento corporal rápido por imersão em água fria ou uso de ventilação com borrifo de água

O golpe de calor clássico ocorre em idosos, geralmente sem exercício físico, durante ondas de calor, caracterizado por temperatura corporal muito elevada, pele quente e seca por falência dos mecanismos de sudorese, e disfunção neurológica como confusão mental. É uma emergência com alta mortalidade, e a medida terapêutica mais eficaz e prioritária é o resfriamento corporal rápido, por imersão em água fria ou métodos evaporativos como borrifo de água associado a ventilação, reduzindo a temperatura central o mais rápido possível. O diagnóstico diferencial com insolação por exercício considera idade, contexto e presença ou ausência de sudorese.

  • B. A insolação por exercício ocorre tipicamente em jovens durante atividade física intensa, e mesmo nela o resfriamento ativo é prioritário, não apenas reposição oral.
  • C. A síndrome neuroléptica maligna está associada ao uso de antipsicóticos e rigidez muscular, sem relação com exposição a calor ambiental.
  • D. A hipertermia maligna anestésica ocorre durante anestesia geral com agentes voláteis ou succinilcolina, não no contexto descrito.
Ponto-chave: O golpe de calor clássico em idosos se manifesta com hipertermia, pele seca e confusão mental, exigindo resfriamento corporal rápido como medida prioritária.
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Uma mulher de 34 anos é atendida na UPA 10 minutos após picada de abelha, com surgimento rápido de urticária generalizada, edema labial e dispneia. Exame físico: PA 78 x 45 mmHg, FC 128 bpm, extremidades quentes e bem perfundidas, tempo de enchimento capilar de 1 segundo, ausculta pulmonar com sibilos difusos e ausculta cardíaca sem alterações. Qual é o diagnóstico mais provável para explicar esse quadro de choque?

  1. AChoque anafilático
  2. BChoque séptico
  3. CChoque hipovolêmico hemorrágico
  4. DChoque cardiogênico
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Resposta: A. Choque anafilático

A combinação de exposição a alérgeno, urticária, edema de mucosas, broncoespasmo e hipotensão caracteriza anafilaxia. No choque anafilático há vasodilatação periférica intensa por liberação de histamina e outros mediadores, resultando em extremidades quentas e bem perfundidas, ao contrário do choque cardiogênico, que cursa com extremidades frias e tempo de enchimento capilar prolongado por baixo débito cardíaco. A presença de sibilos e angioedema reforça a origem alérgica do choque. O reconhecimento clínico dessa diferença orienta a conduta imediata com adrenalina intramuscular.

  • B. O choque séptico tipicamente cursa com febre ou hipotermia e foco infeccioso, não com urticária após picada de insecto.
  • C. O choque hemorrágico apresenta extremidades frias por vasoconstrição compensatória e não se associa a urticária ou edema de mucosas.
  • D. No choque cardiogênico esperam-se extremidades frias, má perfusão periférica e sinais de congestão, não urticária ou broncoespasmo.
Ponto-chave: No choque anafilático, a vasodilatação periférica mantém as extremidades quentas e bem perfundidas, diferenciando-o do choque cardiogênico, em que há extremidades frias por baixo débito.

Emergências Obstétricas e Pediátricas

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Uma gestante de 28 anos, 34 semanas, é admitida na maternidade após convulsão tônico-clônica generalizada testemunhada pela equipe. PA na admissão: 170 x 115 mmHg. Após estabilização inicial, inicia-se sulfato de magnésio conforme protocolo de Zuspan. Trinta minutos depois, a paciente apresenta frequência respiratória de 10 irpm, reflexo patelar ausente e diurese de 20 mL na última hora. Qual é a conduta mais apropriada diante desse quadro?

  1. AAumentar a dose de manutenção do sulfato de magnésio para prevenir nova crise
  2. BSuspender a infusão de sulfato de magnésio e administrar gluconato de cálcio intravenoso
  3. CManter a dose atual de sulfato de magnésio e associar diazepam intravenoso
  4. DReduzir a velocidade de infusão do sulfato de magnésio para a metade da dose em curso
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Resposta: B. Suspender a infusão de sulfato de magnésio e administrar gluconato de cálcio intravenoso

Os achados de depressão respiratória (FR menor que 12 irpm), abolição do reflexo patelar e oligúria são sinais clássicos de intoxicação por magnésio, que deve ser prontamente reconhecida durante o uso do sulfato de magnésio na eclâmpsia. A conduta correta é suspender imediatamente a infusão e administrar gluconato de cálcio a 10% por via intravenosa, que é o antídoto específico por antagonizar os efeitos do magnésio na junção neuromuscular. O magnésio é eliminado por via renal, por isso a função renal deve ser monitorada antes e durante a infusão. Antes de cada nova dose, é obrigatório avaliar reflexo patelar, frequência respiratória e diurese.

  • A. Aumentar a dose na presença de sinais de intoxicação pode levar a parada respiratória e cardíaca.
  • C. Associar diazepam não trata a intoxicação por magnésio e pode agravar a depressão respiratória.
  • D. Reduzir a dose não corrige a intoxicação já instalada; a infusão deve ser suspensa e o antídoto administrado.
Ponto-chave: Sinais de intoxicação por sulfato de magnésio (reflexo patelar abolido, FR < 12 irpm, oligúria) exigem suspensão imediata da infusão e administração de gluconato de cálcio intravenoso.
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Uma puérpera de 31 anos, 15 minutos após parto vaginal, apresenta sangramento vaginal volumoso estimado em 800 mL. Ao exame, o útero está hipotônico e amolecido à palpação, sem sinais de laceração de trajeto ou retenção placentária. Já foram realizados massagem uterina bimanual e administração de ocitocina intravenosa em dose adequada, sem resposta satisfatória do tônus uterino e persistência do sangramento. Qual é a próxima conduta mais indicada?

  1. AProceder à curetagem uterina para esvaziamento da cavidade
  2. BRealizar histerectomia subtotal de urgência
  3. CAdministrar ácido tranexâmico intravenoso associado a ocitócico de segunda linha, como metilergometrina ou misoprostol
  4. DAguardar nova avaliação em 30 minutos antes de qualquer intervenção adicional
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Resposta: C. Administrar ácido tranexâmico intravenoso associado a ocitócico de segunda linha, como metilergometrina ou misoprostol

Na atonia uterina refratária à massagem e à ocitocina, o próximo passo no manejo escalonado da hemorragia pós-parto é associar um ocitócico de segunda linha, como metilergometrina ou misoprostol, além do ácido tranexâmico, que reduz a mortalidade por sangramento quando administrado precocemente. Essa abordagem segue a sequência preconizada pelo Ministério da Saúde e pela FEBRASGO antes de medidas mais invasivas, como o tamponamento com balão intrauterino ou procedimentos cirúrgicos. A histerectomia é reservada para casos refratários a todas as medidas conservadoras. A rapidez na escalada terapêutica é determinante para o desfecho materno.

  • A. A curetagem não é indicada na ausência de retenção placentária e não trata a atonia uterina.
  • B. A histerectomia é medida de último recurso, indicada apenas após falha de todas as medidas conservadoras e farmacológicas.
  • D. Aguardar sem intervenção diante de atonia uterina com sangramento ativo aumenta o risco de choque hemorrágico.
Ponto-chave: Na atonia uterina refratária à massagem e à ocitocina, a conduta seguinte é associar ácido tranexâmico e um ocitócico de segunda linha antes de medidas invasivas.
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Um menino de 3 anos, com peso estimado de 15 kg, é admitido na sala de emergência em parada cardiorrespiratória com ritmo em assistolia confirmado no monitor. A equipe já iniciou compressões torácicas e ventilação com bolsa-máscara, mas não conseguiu obter acesso venoso periférico após duas tentativas. Qual é a conduta mais adequada para administração imediata de adrenalina?

  1. AAdministrar adrenalina por via intramuscular na dose de 0,15 mg
  2. BAguardar acesso venoso central antes de administrar qualquer dose de adrenalina
  3. CAdministrar adrenalina por via endotraqueal na dose de 0,01 mg/kg
  4. DObter acesso intraósseo e administrar adrenalina 0,15 mg (0,01 mg/kg) a cada 3 a 5 minutos
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Resposta: D. Obter acesso intraósseo e administrar adrenalina 0,15 mg (0,01 mg/kg) a cada 3 a 5 minutos

Na parada cardiorrespiratória pediátrica, quando o acesso venoso periférico não é obtido rapidamente, a via intraóssea é a alternativa preferencial, pois permite administração imediata de fármacos e líquidos com farmacocinética semelhante à via venosa. A dose de adrenalina em PCR pediátrica é 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da solução 1:10.000), repetida a cada 3 a 5 minutos, o que corresponde a 0,15 mg para uma criança de 15 kg. O acesso venoso central não deve ser priorizado em situação de emergência pelo tempo necessário para sua obtenção. A via intramuscular não é utilizada para adrenalina em PCR, e a via endotraqueal é reservada como último recurso, com doses diferentes e absorção menos previsível.

  • A. A via intramuscular não é indicada para adrenalina durante reanimação cardiopulmonar em PCR.
  • B. Aguardar acesso venoso central retarda a administração de adrenalina, o que compromete o prognóstico na PCR.
  • C. A via endotraqueal é reservada como última opção quando não há acesso vascular disponível, com dose diferente (0,1 mg/kg) e absorção errática.
Ponto-chave: Na PCR pediátrica sem acesso venoso imediato, a via intraóssea é a preferencial para administrar adrenalina na dose de 0,01 mg/kg a cada 3-5 minutos.
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Uma criança de 2 anos é levada à UPA com tosse metálica, estridor inspiratório audível em repouso, tiragem subcostal e intercostal visível e agitação. A saturação de oxigênio é de 93% em ar ambiente e a temperatura axilar é de 37,8 °C. O quadro teve início há 2 dias com coriza e rouquidão. Qual é a conduta medicamentosa mais adequada neste momento?

  1. ANebulização com salbutamol associada a prednisolona oral por 5 dias
  2. BObservação clínica isolada sem necessidade de medicação, pois o quadro é autolimitado
  3. CAmoxicilina com clavulanato por via oral e dexametasona em dose única
  4. DAdrenalina nebulizada associada a dexametasona oral ou intramuscular em dose única
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Resposta: D. Adrenalina nebulizada associada a dexametasona oral ou intramuscular em dose única

O quadro descrito é de laringotraqueíte aguda (crupe) com estridor em repouso, tiragem e agitação, caracterizando crupe moderado a grave. Nesses casos, a conduta recomendada é adrenalina nebulizada, que promove vasoconstrição da mucosa laríngea e reduz o edema rapidamente, associada a corticoide sistêmico em dose única (dexametasona), que reduz a gravidade e a duração dos sintomas. O crupe tem etiologia predominantemente viral, não havendo indicação de antibioticoterapia. O broncodilatador beta-2 agonista não tem papel no edema subglótico, que é o mecanismo fisiopatológico do crupe.

  • A. O salbutamol atua na musculatura bronquial e não no edema subglótico, que é o mecanismo do crupe; o corticoide deve ser em dose única, não por 5 dias.
  • B. Estridor em repouso com tiragem e agitação indica crupe moderado a grave, que exige tratamento imediato, não apenas observação.
  • C. O crupe é de etiologia viral; antibióticos não têm indicação na ausência de sinais de infecção bacteriana secundária.
Ponto-chave: No crupe moderado a grave, com estridor em repouso e tiragem, a conduta é adrenalina nebulizada associada a corticoide sistêmico em dose única.

Organização da Rede de Urgência

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Em uma UPA, o enfermeiro classificador recebe um homem de 55 anos com dor torácica retroesternal iniciada há 40 minutos, irradiada para o braço esquerdo, associada a sudorese fria e dispneia. PA 150 x 95 mmHg, FC 102 bpm, SpO2 94%. Segundo o protocolo de Manchester, qual é a cor de classificação de risco mais adequada para esse paciente, determinando a prioridade de atendimento?

  1. AVermelho (emergência, atendimento imediato)
  2. BVerde (prioridade não urgente, atendimento em até 120 minutos)
  3. CAzul (atendimento de consultório, sem urgência)
  4. DAmarelo (urgência, atendimento em até 60 minutos)
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Resposta: A. Vermelho (emergência, atendimento imediato)

No protocolo de Manchester, dor torácica de características isquêmicas associada a sinais de instabilidade, como sudorese, dispneia e irradiação para o membro superior, é classificada como fluxograma de dor torácica com discriminadores de alto risco, levando à classificação vermelha, que exige atendimento imediato. Essa classificação não é um diagnóstico, mas uma estimativa de risco e tempo máximo para atendimento médico, essencial para a priorização em serviços de urgência com grande volume de pacientes. A demora no atendimento de um possível infarto agudo do miocárdio pode resultar em desfechos graves. O fluxograma de dor torácica é um dos mais utilizados e um dos que mais frequentemente geram classificação vermelha ou laranja na triagem.

  • B. A classificação verde é reservada para queixas de baixo risco, incompatível com dor torácica associada a sudorese e dispneia.
  • C. A classificação azul destina-se a queixas sem necessidade de avaliação urgente, o que não se aplica a esse quadro.
  • D. A classificação amarela subestima o risco de um quadro compatível com síndrome coronariana aguda com sinais de instabilidade.
Ponto-chave: Dor torácica com sinais de instabilidade (sudorese, dispneia, irradiação) deve ser classificada como vermelha no protocolo de Manchester, com atendimento imediato.
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Durante consulta em uma UBS, um homem de 60 anos apresenta pressão arterial de 220 x 130 mmHg, cefaleia intensa, confusão mental de início agudo e desvio da rima labial. A UBS não possui estrutura para suporte avançado de vida. Qual é a conduta mais adequada segundo o fluxo da Rede de Atenção às Urgências (RAU) do SUS?

  1. AEncaminhar o paciente de carro particular acompanhado por um agente comunitário de saúde até o hospital
  2. BAcionar o SAMU 192 para avaliação e transporte com suporte adequado até unidade de referência para urgências neurológicas
  3. CManter o paciente em observação na UBS até resolução espontânea do quadro
  4. DOrientar o paciente a se dirigir por meios próprios até a UPA mais próxima
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Resposta: B. Acionar o SAMU 192 para avaliação e transporte com suporte adequado até unidade de referência para urgências neurológicas

Diante de sinais sugestivos de acidente vascular cerebral com rebaixamento do nível de consciência e hipertensão grave em uma unidade sem suporte avançado, a conduta correta é acionar o SAMU 192 para transporte seguro e monitorizado até um serviço de referência com capacidade de realizar neuroimagem e tratamento específico dentro da janela terapêutica. A Rede de Atenção às Urgências organiza o fluxo entre os pontos de atenção, cabendo à UBS identificar a gravidade e solicitar apoio especializado em vez de assumir o transporte por conta própria. O transporte inadequado ou o retardo no acionamento do SAMU pode comprometer a janela terapêutica para trombólise. A regulação médica do SAMU direciona o paciente ao serviço de referência mais apropriado conforme a disponibilidade de vagas e recursos.

  • A. O transporte por veículo particular sem suporte médico ou de enfermagem expõe o paciente a risco de agravamento sem monitorização adequada.
  • C. Manter o paciente em observação na UBS sem suporte avançado retarda o diagnóstico e tratamento específico, comprometendo a janela terapêutica.
  • D. Um paciente com confusão mental aguda e déficit neurológico não tem condições de se deslocar por meios próprios com segurança.
Ponto-chave: Na suspeita de AVC com instabilidade clínica em unidade sem suporte avançado, deve-se acionar o SAMU 192 para transporte regulado até serviço de referência.

Perguntas frequentes

Estas são questões reais do Revalida?

Não. São questões originais escritas no estilo do Revalida, de acordo com a matriz da prova. Um segundo modelo independente resolveu cada questão sem ver o gabarito, e as que tinham gabarito discutível foram removidas.

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