Doença do Refluxo Gastroesofágico e Distúrbios Esofágicos
6 questõesMulher de 29 anos procura a UBS com queixa de pirose retroesternal e regurgitação ácida há 3 meses, com piora após refeições copiosas e ao deitar-se. Nega disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia ou hematêmese. Exame físico sem alterações. Não usa anti-inflamatórios nem outros medicamentos.
- AIniciar inibidor da bomba de prótons por 4 a 8 semanas e reavaliar resposta clínica
- BSolicitar endoscopia digestiva alta antes de iniciar qualquer tratamento
- CIniciar bloqueador H2 associado a procinético como primeira escolha terapêutica
- DSolicitar pHmetria esofágica de 24 horas para confirmar o diagnóstico antes de tratar
Ver resposta
Em pacientes jovens com sintomas típicos de DRGE (pirose e regurgitação) e sem sinais de alarme, o diagnóstico é clínico e a conduta inicial recomendada é o teste terapêutico empírico com inibidor da bomba de prótons em dose padrão por 4 a 8 semanas. A melhora dos sintomas reforça o diagnóstico e dispensa, nesse momento, exames complementares. A endoscopia e a pHmetria são reservadas para casos com sinais de alarme, refratariedade ao tratamento ou antes de intervenções cirúrgicas.
- B. A endoscopia não é necessária de rotina em pacientes jovens sem sinais de alarme antes do tratamento empírico.
- C. Os bloqueadores H2 são menos eficazes que os IBP no controle dos sintomas de DRGE e não constituem primeira escolha.
- D. A pHmetria é exame de segunda linha, indicado em casos refratários ou atípicos, não na investigação inicial.
Homem de 58 anos é atendido na UPA com queixa de pirose há 6 meses, associada a perda de 8 kg no período e episódios de disfagia progressiva para alimentos sólidos nas últimas semanas. Refere ainda anemia detectada em exame de rotina. Exame físico: palidez cutaneomucosa leve, sem massas abdominais palpáveis.
- AIniciar IBP em dose dobrada por 12 semanas e reavaliar antes de qualquer exame
- BSolicitar endoscopia digestiva alta com biópsias
- CSolicitar esofagograma baritado como exame inicial de escolha
- DSolicitar manometria esofágica de alta resolução antes de qualquer outro exame
Ver resposta
A presença de sinais de alarme — disfagia progressiva, perda de peso significativa e anemia — em paciente com sintomas de refluxo indica investigação endoscópica imediata, independentemente da idade. A endoscopia digestiva alta com biópsias permite excluir neoplasia esofágica ou gástrica, esofagite erosiva grave e esôfago de Barrett, condições que devem ser descartadas antes de qualquer tratamento empírico prolongado. Postergar o exame para tratamento empírico atrasaria o diagnóstico de doenças potencialmente graves.
- A. Tratar empiricamente sem investigar sinais de alarme pode retardar o diagnóstico de neoplasia ou complicações graves.
- C. O esofagograma tem menor sensibilidade para lesões mucosas e não permite biópsia, sendo inferior à endoscopia nesse contexto.
- D. A manometria avalia distúrbios motores, não é o exame inicial quando há sinais de alarme sugestivos de lesão orgânica.
Homem de 52 anos com DRGE de longa data realiza endoscopia digestiva alta de seguimento, que evidencia extensão de mucosa colunar salmão se estendendo 2 cm acima da transição esofagogástrica. O laudo histopatológico das biópsias descreve mucosa com metaplasia intestinal especializada, presença de células caliciformes, sem displasia.
- ARepetir endoscopia com biópsias em 3 a 5 anos
- BIniciar ablação por radiofrequência da mucosa alterada imediatamente
- CRepetir endoscopia em 6 meses devido ao risco iminente de adenocarcinoma
- DEncaminhar para esofagectomia devido ao diagnóstico de esôfago de Barrett
Ver resposta
O achado endoscópico de mucosa colunar associado à confirmação histológica de metaplasia intestinal com células caliciformes define o esôfago de Barrett sem displasia. Nesses casos, a conduta recomendada é a vigilância endoscópica com biópsias a cada 3 a 5 anos, sem necessidade de terapia ablativa ou cirúrgica, que são reservadas para casos com displasia de alto grau ou adenocarcinoma. O IBP deve ser mantido para controle do refluxo subjacente.
- B. A ablação por radiofrequência é indicada em displasia confirmada, não em Barrett sem displasia.
- C. O intervalo de 6 meses é usado em displasia de baixo grau, não em Barrett sem displasia.
- D. A esofagectomia é reservada para adenocarcinoma invasivo ou displasia de alto grau refratária, não para Barrett sem displasia.
Mulher de 40 anos relata disfagia progressiva para sólidos e líquidos há 1 ano, regurgitação de alimentos não digeridos e perda de 6 kg. Nega pirose significativa. Esofagograma contrastado mostra dilatação do corpo esofágico com afilamento distal em “bico de pássaro” e ausência de peristalse no terço inferior.
- AEsofagite eosinofílica
- BEspasmo esofágico difuso
- CAcalasia
- DDoença do refluxo gastroesofágico com estenose peptídica
Ver resposta
A combinação de disfagia para sólidos e líquidos, regurgitação e o achado radiológico clássico de dilatação esofágica com estreitamento afunilado da junção esofagogástrica (“bico de pássaro”) é característica de acalasia, causada pela degeneração dos neurônios do plexo mioentérico e ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior. A esofagomanometria de alta resolução confirma o diagnóstico, mostrando aperistalse do corpo esofágico e relaxamento incompleto do EEI. A ausência de peristalse ao esofagograma reforça o diagnóstico motor em vez de obstrução mecânica.
- A. A esofagite eosinofílica tipicamente causa disfagia intermitente para sólidos em adultos jovens com atopia, sem o achado de “bico de pássaro”.
- B. O espasmo esofágico difuso cursa com contrações simultâneas vigorosas, não com aperistalse, e o esofagograma mostraria padrão em “saca-rolhas”.
- D. A estenose peptídica causaria disfagia predominantemente para sólidos, de forma progressiva, sem o padrão de aperistalse ao esofagograma.
Homem de 24 anos, com história de rinite alérgica e asma, procura atendimento por episódios recorrentes de impactação alimentar e disfagia intermitente para sólidos há 2 anos, sem perda de peso. Endoscopia digestiva alta revela esôfago com anéis concêntricos e sulcos longitudinais; biópsias mostram mais de 20 eosinófilos por campo de grande aumento no epitélio escamoso.
- ADoença do refluxo gastroesofágico erosiva
- BAnel esofágico de Schatzki
- CEsofagite eosinofílica
- DCandidíase esofágica
Ver resposta
O quadro de disfagia intermitente e impactação alimentar em adulto jovem com atopia (rinite, asma), associado aos achados endoscópicos de anéis concêntricos e sulcos longitudinais e à contagem de eosinófilos acima de 15 por campo de grande aumento na biópsia esofágica, é diagnóstico de esofagite eosinofílica. Essa é uma doença imunomediada crônica do esôfago, distinta da DRGE, que deve ser considerada sempre que houver disfagia recorrente associada a atopia. O tratamento inclui IBP, corticoide tópico deglutido e dieta de exclusão conforme protocolo.
- A. A DRGE erosiva não apresenta anéis concêntricos nem a contagem elevada de eosinófilos na biópsia observada neste caso.
- B. O anel de Schatzki é um achado isolado na transição esofagogástrica, sem o infiltrado eosinofílico difuso descrito na biópsia.
- D. A candidíase esofágica apresenta placas brancacentas removíveis à endoscopia, não anéis e sulcos, e ocorre em imunossuprimidos.
Paciente de 45 anos relata dificuldade para engolir tanto alimentos sólidos quanto líquidos desde o início dos sintomas, de forma simultânea, associada a sensação de alimento parado na região retroesternal e, ocasionalmente, dor torácica relacionada à deglutição. Não houve progressão de sólidos para líquidos ao longo do tempo.
- AO padrão sugere obstrução mecânica progressiva, como estenose ou neoplasia esofágica
- BO padrão sugere divertículo de Zenker como causa mais provável
- CO padrão sugere anel esofágico inferior como causa mais provável
- DO padrão sugere distúrbio motor do esôfago, pois sólidos e líquidos são afetados desde o início
Ver resposta
Quando a disfagia envolve sólidos e líquidos simultaneamente desde o início, o mecanismo mais provável é um distúrbio motor do esôfago, como acalasia ou espasmo esofágico difuso, pois a peristalse anormal compromete o trânsito de qualquer consistência. Já a disfagia que começa apenas para sólidos e progride depois para líquidos sugere obstrução mecânica progressiva, como estenose ou neoplasia. Essa distinção clínica orienta a escolha entre manometria esofágica e endoscopia como primeiro exame.
- A. A obstrução mecânica progressiva classicamente inicia com disfagia só para sólidos, progredindo depois para líquidos, padrão diferente do descrito.
- B. O divertículo de Zenker cursa com regurgitação de alimentos não digeridos, halitose e disfagia orofaríngea alta, não esse padrão simultâneo.
- C. O anel esofágico inferior causa disfagia intermitente apenas para sólidos, geralmente com alimentos pouco mastigados.
Doença Ulcerosa Peptídica e Helicobacter pylori
7 questõesHomem de 35 anos é diagnosticado com úlcera duodenal na endoscopia digestiva alta realizada por dor epigástrica recorrente. O teste rápido de urease na biópsia gástrica é positivo. Ele não possui alergias medicamentosas conhecidas e nunca usou antibióticos macrolídeos.
- AAmoxicilina associada a metronidazol, sem inibidor de bomba de prótons
- BOmeprazol associado a amoxicilina e claritromicina por 14 dias
- COmeprazol isoladamente por 8 semanas, sem antibióticos
- DClaritromicina isolada por 10 dias
Ver resposta
O esquema de primeira linha para erradicação do Helicobacter pylori recomendado pelo Ministério da Saúde e pelas diretrizes atuais combina um inibidor da bomba de prótons (como omeprazol) com dois antibióticos, amoxicilina e claritromicina, por 14 dias. Esse esquema tríplice reduz a acidez gástrica, otimizando a ação dos antibióticos, e apresenta boa taxa de erradicação em regiões com baixa resistência à claritromicina. A erradicação do H. pylori reduz significativamente a recidiva da úlcera duodenal.
- A. A ausência do IBP reduz a eficácia do esquema, e metronidazol não substitui a claritromicina no esquema de primeira linha padrão.
- C. O uso isolado de IBP trata o sintoma e favorece a cicatrização da úlcera, mas não erradica o H. pylori, mantendo risco de recidiva.
- D. A monoterapia com antibiótico não erradica o H. pylori e favorece o desenvolvimento de resistência bacteriana.
Mulher de 50 anos, em acompanhamento ambulatorial após tratamento de erradicação do Helicobacter pylori para úlcera duodenal há 6 semanas, retorna para confirmar a cura. Ela não usa IBP há 2 semanas e não fez uso de antibióticos no período. Está assintomática.
- ASorologia para anticorpos IgG anti-H. pylori
- BNova endoscopia digestiva alta com biópsia, independente de sintomas
- CTeste rápido de urease na biópsia gástrica realizada na endoscopia
- DTeste respiratório da ureia marcada com carbono
Ver resposta
Para confirmação de erradicação do H. pylori após tratamento, o teste respiratório da ureia marcada é o método não invasivo de escolha, devendo ser realizado pelo menos 4 semanas após o término dos antibióticos e após suspensão do IBP por 1 a 2 semanas, para evitar resultados falso-negativos. A sorologia não é útil para controle de cura, pois os anticorpos IgG permanecem positivos por meses ou anos após a erradicação bem-sucedida. A endoscopia é reservada para úlceras gástricas (necessidade de biópsia para excluir malignidade) ou sintomas persistentes, não sendo rotina em úlcera duodenal assintomática.
- A. A sorologia permanece positiva por longo período mesmo após erradicação bem-sucedida, não servindo para controle de cura.
- B. A endoscopia é invasiva e não é necessária de rotina para confirmar erradicação em paciente assintomático com úlcera duodenal.
- C. Esse teste exige endoscopia, sendo mais invasivo e dispensável quando há método não invasivo disponível para controle de cura.
Mulher de 58 anos, previamente hígida, procura UBS com queixa de dor epigástrica em queimação há 2 meses, associada à saciedade precoce e perda de 4 kg. Nega hematêmese ou melena. É submetida a endoscopia digestiva alta, que revela lesão ulcerada de 1,5 cm em pequena curvatura do corpo gástrico, com bordas irregulares e elevadas. São coletadas biópsias das margens e do fundo da lesão, que mostram apenas inflamação crônica inespecífica, sem displasia ou malignidade. Diante desse resultado, qual a conduta mais adequada?
- AIniciar inibidor de bomba de prótons e repetir endoscopia com novas biópsias em 8 a 12 semanas para confirmar cicatrização completa
- BSolicitar tomografia de abdome com contraste para estadiamento antes de qualquer tratamento
- CTranquilizar a paciente, pois a biópsia negativa já exclui neoplasia, e manter apenas acompanhamento clínico
- DIndicar laparotomia exploradora com biópsia intraoperatória, já que a biópsia endoscópica tem baixa sensibilidade
Ver resposta
Toda úlcera gástrica deve ser biopsiada e reavaliada endoscopicamente após tratamento, pois cerca de 3 a 5% das úlceras de aparência benigna podem corresponder a adenocarcinoma gástrico precoce, e uma única biópsia negativa não exclui malignidade com segurança. A conduta padrão é tratar com IBP e repetir a endoscopia com nova biópsia em 8 a 12 semanas para confirmar a cicatrização completa; úlceras que não cicatrizam ou recidivam exigem investigação adicional. Esse controle evolutivo é o que diferencia o manejo da úlcera gástrica do manejo da úlcera duodenal, que raramente necessita de biópsia de rotina.
- B. Não há indicação de estadiamento oncológico antes de confirmar histologicamente a presença de neoplasia.
- C. Uma biópsia negativa isolada não é suficiente; a ausência de cicatrização completa no controle endoscópico é sinal de alerta para malignidade.
- D. A cirurgia exploradora é desproporcional e não é a conduta inicial diante de biópsia benigna, que deve ser primeiro reavaliada endoscopicamente.
Homem de 47 anos é levado à UPA com dor abdominal súbita e intensa, iniciada há 3 horas, que começou em epigástrio e se difundiu para todo o abdome. Refere uso frequente de ibuprofeno para dor lombar nas últimas semanas. Ao exame: pressão arterial 90x60 mmHg, frequência cardíaca 118 bpm, temperatura 37,8°C. Abdome em tábua, com dor à descompressão brusca difusa e ausência de ruídos hidroaéreos. Qual exame de imagem inicial é mais indicado para confirmar a hipótese diagnóstica?
- ATomografia de abdome sem contraste
- BUltrassonografia de abdome total
- CRadiografia simples de tórax em ortostase
- DEndoscopia digestiva alta de urgência
Ver resposta
O quadro de dor abdominal súbita, abdome em tábua e sinais de irritação peritoneal difusa em paciente usuário crônico de AINE sugere fortemente perfuração de úlcera peptídica. A radiografia de tórax em ortostase é o exame inicial de escolha por ser rápida, disponível na maioria dos serviços de urgência e capaz de demonstrar pneumoperitônio como ar livre sob a cúpula diafragmática em até 75% dos casos. Diante de forte suspeita clínica com radiografia inconclusiva, a tomografia de abdome é o próximo passo, mas não é o exame inicial. O diagnóstico de perfuração é uma emergência cirúrgica e não deve retardar a indicação de laparotomia ou laparoscopia.
- A. A tomografia é mais sensível, porém não é o exame inicial; a radiografia simples é mais rápida e acessível na urgência.
- B. A ultrassonografia tem baixa sensibilidade para detectar pneumoperitônio e não é o exame inicial de escolha nessa suspeita.
- D. A endoscopia está contraindicada na suspeita de perfuração, pois a insuflação de ar pode agravar o extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade.
Homem de 63 anos chega ao pronto-socorro com história de melena há 1 dia e um episódio de hematêmese há 2 horas. Está em uso de ácido acetilsalicílico para doença coronariana. Ao exame: pressão arterial 88x54 mmHg, frequência cardíaca 124 bpm, palidez cutâneo-mucosa 2+/4+, extremidades frias. Laboratório inicial: hemoglobina 7,8 g/dL. Após acesso venoso periférico calibroso duplo e início de cristaloide, qual a conduta mais adequada na sequência?
- ATransfundir concentrado de hemácias e realizar endoscopia digestiva alta em até 24 horas após estabilização hemodinâmica
- BIniciar dieta líquida e observar evolução clínica por 48 horas antes de indicar exame endoscópico
- CIndicar laparotomia exploradora de urgência para controle direto do sítio de sangramento
- DSolicitar angiotomografia de abdome de urgência antes de qualquer outra intervenção
Ver resposta
O paciente apresenta hemorragia digestiva alta com instabilidade hemodinâmica e anemia grave, exigindo transfusão de concentrado de hemácias para manter hemoglobina acima de 7 g/dL (ou acima de 8 a 9 g/dL em cardiopatas) enquanto se busca estabilização. Após a ressuscitação volêmica inicial, a endoscopia digestiva alta deve ser realizada em até 24 horas, pois permite diagnóstico etiológico e tratamento endoscópico hemostático, reduzindo recidiva hemorrágica e mortalidade. A endoscopia muito precoce, antes da estabilização hemodinâmica, não é recomendada pelo maior risco de complicações. A via cirúrgica é reservada para falha do tratamento endoscópico ou instabilidade refratária.
- B. Aguardar 48 horas sem endoscopia atrasa o diagnóstico e o tratamento hemostático, aumentando o risco de ressangramento e morte.
- C. A cirurgia de urgência não é a conduta inicial; está reservada para casos de falha do tratamento endoscópico.
- D. A angiotomografia não é o exame de escolha na hemorragia digestiva alta; a endoscopia é diagnóstica e terapêutica.
Durante endoscopia digestiva alta realizada por hemorragia digestiva em paciente com úlcera duodenal, é identificada lesão com vaso visível não sangrante no fundo da úlcera, sem sangramento ativo no momento do exame. De acordo com a classificação de Forrest, essa lesão corresponde à categoria IIa e está associada a qual risco aproximado de ressangramento sem terapia endoscópica?
- ARisco baixo, inferior a 10%
- BRisco elevado, em torno de 40 a 50%
- CRisco intermediário, em torno de 20 a 30%
- DRisco mínimo, próximo de 0%, dispensando terapia endoscópica
Ver resposta
A classificação de Forrest estratifica o risco de ressangramento de úlceras pépticas com base no achado endoscópico. A categoria IIa, que corresponde a vaso visível não sangrante, está associada a risco de ressangramento em torno de 40 a 50% se não tratada endoscopicamente, sendo indicação formal de terapia endoscópica dupla (por exemplo, injeção de adrenalina associada a método térmico ou mecânico). Lesões Forrest I (sangramento ativo) têm o maior risco, enquanto Forrest IIc (mancha plana pigmentada) e III (base limpa) têm risco baixo e geralmente não necessitam de terapia endoscópica.
- A. Esse risco corresponde a lesões de baixo risco, como mancha plana pigmentada (Forrest IIc), não ao vaso visível.
- C. Esse percentual subestima o risco associado ao vaso visível não sangrante, que é considerado de alto risco.
- D. O vaso visível não sangrante tem risco significativo de ressangramento e exige terapia endoscópica, não dispensa.
Mulher de 68 anos com osteoartrite de joelhos, hipertensa, faz uso contínuo de naproxeno para controle da dor há 6 meses. Nunca apresentou sintomas dispépticos ou sangramento digestivo. Não tem história de úlcera peptídica prévia e testou negativo para Helicobacter pylori. Está programada para manter o AINE por tempo prolongado devido à limitação funcional. Qual a conduta mais adequada para reduzir o risco de complicações gastrointestinais associadas ao uso crônico desse medicamento?
- ASubstituir o naproxeno por corticoide oral em dose baixa, que tem menor risco gastrointestinal
- BAssociar bloqueador H2 em dose padrão apenas se surgirem sintomas dispépticos
- CManter o AINE isolado, pois a ausência de história prévia de úlcera torna a profilaxia inoficiosa
- DAssociar inibidor de bomba de prótons em dose padrão durante todo o período de uso do AINE
Ver resposta
O uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais é um dos principais fatores de risco para úlcera peptídica e suas complicações, por inibição da síntese de prostaglandinas protetoras da mucosa gástrica. Em pacientes com fatores de risco adicionais, como idade avançada, uso prolongado ou comorbidades, a coprescrição de inibidor de bomba de prótons em dose padrão durante todo o período de uso do AINE é a estratégia de proteção gástrica recomendada pelas diretrizes, reduzindo significativamente o risco de úlcera e sangramento. Os bloqueadores H2 em dose padrão têm eficácia inferior para essa profilaxia. Corticoides não substituem AINEs com essa finalidade e também aumentam risco gastrointestinal, especialmente quando combinados.
- A. Corticoides não são substitutos adequados de AINEs para essa finalidade e também aumentam o risco de lesão gastrointestinal.
- B. Os bloqueadores H2 em dose padrão são menos eficazes que o IBP para profilaxia de lesão gástrica por AINE, e a proteção deve ser preventiva, não apenas reativa a sintomas.
- C. A idade acima de 65 anos já é fator de risco suficiente para indicar profilaxia gástrica em uso crônico de AINE, independentemente de história prévia de úlcera.
Doenças Inflamatórias Intestinais
6 questõesHomem de 24 anos relata dor abdominal em fossa ilíaca direita, diarreia sem sangue visível e perda de 6 kg em 4 meses. Apresenta também dor e hiperemia em joelho direito e lesões cutâneas eritematosas e dolorosas em região pré-tibial bilateral, compatíveis com eritema nodoso. Colonoscopia com ileoscopia revela úlceras aftoides intercaladas com áreas de mucosa normal no íleo terminal e no ceco, com estenose segmentar. Biópsia mostra inflamação transmural com granulomas não caseosos. Qual é o diagnóstico mais provável?
- ARetocolite ulcerativa
- BDoença de Crohn
- CColite isquêmica
- DTuberculose intestinal
Ver resposta
O quadro combina acometimento segmentar e salteado do íleo terminal e ceco, inflamação transmural com granulomas não caseosos e manifestações extraintestinais como artrite periférica e eritema nodoso, achados característicos da doença de Crohn. O padrão descontínuo da mucosa, com áreas poupadas entre as lesões, e a estenose segmentar diferenciam a Crohn da retocolite ulcerativa, que acomete a mucosa de forma contínua a partir do reto. A tuberculose intestinal pode mimetizar Crohn, mas tipicamente apresenta granulomas caseosos e deve ser excluída, mas o quadro clínico e histológico aqui é mais consistente com Crohn.
- A. A retocolite ulcerativa causa inflamação restrita à mucosa, contínua a partir do reto, sem formação de granulomas ou estenoses segmentares típicas.
- C. A colite isquêmica ocorre geralmente em pacientes idosos com fatores de risco vascular e cursa com quadro agudo, não com granulomas ou manifestações extraintestinais crônicas.
- D. A tuberculose intestinal tipicamente apresenta granulomas caseosos e acometimento predominante da região ileocecal, mas o padrão salteado com granulomas não caseosos é mais típico de Crohn.
Mulher de 31 anos apresenta diarreia sanguinolenta há 3 semanas, associada a tenesmo e urgência evacuatória, com cerca de 8 episódios por dia. Nega febre ou perda ponderal significativa. Colonoscopia mostra mucosa eritematosa, friável e com úlceras superficiais iniciando no reto e estendendo-se de forma contínua e circunferencial até o cólon descendente, sem áreas de mucosa normal intercaladas e sem acometimento do íleo terminal. Biópsia revela inflamação limitada à mucosa e submucosa, com abscessos de cripta, sem granulomas. Qual é o diagnóstico mais provável?
- ARetocolite ulcerativa
- BColite por Clostridioides difficile
- CDoença de Crohn
- DColite infecciosa por Shigella
Ver resposta
O acometimento contínuo e circunferencial da mucosa, iniciando no reto e progredindo proximalmente sem áreas poupadas, associado à inflamação restrita à mucosa e submucosa com abscessos de cripta e ausência de granulomas, é o padrão clássico da retocolite ulcerativa. A ausência de acometimento transmural e de áreas salteadas diferencia essa condição da doença de Crohn. Colites infecciosas costumam ter apresentação aguda e autolimitada, geralmente associada a contexto epidemiológico específico, como viagem, uso de antibiótico ou surto, o que não está descrito no caso.
- B. A colite por Clostridioides difficile geralmente está associada a uso recente de antibióticos e apresenta pseudomembranas na colonoscopia, não descritas neste caso.
- C. A doença de Crohn apresenta inflamação transmural com áreas salteadas, achados ausentes neste caso, que mostra acometimento contínuo restrito à mucosa.
- D. A colite por Shigella costuma ter curso agudo autolimitado, associado a contexto epidemiológico de contaminação alimentar, não um quadro de 3 semanas com esse padrão histológico.
Homem de 29 anos com diagnóstico prévio de retocolite ulcerativa, em remissão clínica há 8 meses com uso regular de mesalazina, retorna à UBS relatando aumento da frequência evacuatória e desconforto abdominal leve nas últimas 2 semanas, sem sangue nas fezes. É solicitada dosagem de calprotectina fecal, que retorna com valor de 350 microgramas por grama de fezes (valor de referência normal até 50 microgramas por grama). Qual a interpretação mais adequada desse resultado?
- AIndica exclusivamente contaminação bacteriana intestinal transitória, sem relação com atividade da doença de base
- BConfirma isoladamente diagnóstico de neoplasia colorretal, exigindo colonoscopia de urgência para estadiamento
- CSugere atividade inflamatória intestinal, indicando necessidade de avaliação endoscópica para confirmar recidiva da doença
- DÉ um resultado esperado em pacientes em remissão clínica e não requer qualquer investigação adicional
Ver resposta
A calprotectina fecal é uma proteína liberada por neutrófilos e seu valor elevado reflete a presença de inflamação na mucosa intestinal, sendo um marcador sensível e não invasivo de atividade inflamatória em doenças inflamatórias intestinais. Valores elevados, como o observado neste caso, muito acima do limite de referência, sugerem recidiva da inflamação mesmo antes do aparecimento de sinais clássicos como sangramento, e justificam avaliação endoscópica para confirmar atividade da doença e guiar ajuste terapêutico. A calprotectina não é específica para neoplasia nem para infecção bacteriana isolada, sendo um marcador inflamatório geral do trato intestinal.
- A. A calprotectina fecal não é específica para infecção bacteriana; ela reflete inflamação intestinal de qualquer causa, incluindo recidiva da doença inflamatória intestinal.
- B. A calprotectina elevada não confirma neoplasia isoladamente; é um marcador inespecífico de inflamação que requer confirmação por exame endoscópico.
- D. Um valor muito elevado em paciente com sintomas novos não é esperado na remissão e deve ser investigado, não ignorado.
Uma mulher de 29 anos procura a UBS com relato de diarreia com muco e sangue há 3 semanas, cerca de 4 evacuações por dia, associada a leve desconforto abdominal em cólica. Nega febre, perda de peso ou sinais sistêmicos. Exame físico sem alterações relevantes, sinais vitais normais. Colonoscopia realizada há uma semana mostrou retocolite ulcerativa restrita ao reto e sigmoide, com mucosa eritematosa, friável e ulcerações superficiais, sem úlceras profundas. Qual é a conduta terapêutica inicial mais adequada para indução de remissão?
- ACorticoide via oral em dose plena por 8 semanas
- BMesalazina via oral associada a mesalazina via retal
- CAzatioprina via oral como monoterapia
- DInfliximabe intravenoso em esquema de indução
Ver resposta
Na retocolite ulcerativa (RCU) leve a moderada com extensão até o sigmoide (proctossigmoidite), o tratamento de indução de primeira linha é o aminossalicilato (mesalazina), preferencialmente combinando via oral e retal (supositório ou enema), pois essa combinação é superior a qualquer uma das vias isoladamente para induzir remissão. Os corticoides sistêmicos são reservados para casos que não respondem aos aminossalicilatos ou para doença moderada a grave. Imunobiológicos e imunomoduladores são indicados em doença refratária, dependente de corticoide ou com critérios de gravidade.
- A. Corticoide sistêmico não é a primeira escolha em doença leve a moderada, sendo reservado para falha aos aminossalicilatos ou doença mais extensa/grave.
- C. Azatioprina é usada para manutenção em casos corticodependentes ou refratários, não para indução isolada em doença leve.
- D. Infliximabe é indicado em doença moderada a grave refratária ou com critérios de gravidade, não como primeira linha em doença leve.
Um homem de 34 anos, com diagnóstico prévio de retocolite ulcerativa extensa, é levado à UPA por piora da diarreia sanguinolenta, distensão abdominal e febre há 2 dias. Ao exame: temperatura de 38,9°C, frequência cardíaca de 118 bpm, pressão arterial de 98/60 mmHg, abdome distendido, timpânico, doloroso difusamente, com ruídos hidroaéreos diminuídos. Exames laboratoriais mostram hemoglobina de 9,8 g/dL, leucócitos de 16.200/mm³ e albumina de 2,6 g/dL. Radiografia simples de abdome evidencia dilatação do colo transverso medindo 7,2 cm, com perda do padrão haustral. Qual é o diagnóstico mais provável?
- AMegacólon tóxico
- BPerfuração colônica livre
- CIsquemia mesentérica aguda
- DObstrução intestinal mecânica
Ver resposta
O megacólon tóxico é definido pela associação de dilatação colônica (geralmente diâmetro do colo transverso maior que 6 cm na radiografia simples) com sinais de toxicidade sistêmica, como febre, taquicardia, leucocitose e hipotensão, em paciente com colite grave, mais frequentemente retocolite ulcerativa. É uma complicação potencialmente fatal que exige internação, suspensão de opioides e anticolinérgicos, antibioticoterapia de amplo espectro, corticoide intravenoso e avaliação cirúrgica precoce caso não haja melhora em 24 a 72 horas. O diagnóstico é predominantemente clínico-radiológico, sem necessidade de colonoscopia na fase aguda pelo risco de perfuração.
- B. Não há evidência de pneumoperitônio ou sinais de abdome agudo perfurativo na descrição, como ausência total de ruídos hidroaéreos ou peritonite difusa com rigidez.
- C. A isquemia mesentérica aguda tipicamente ocorre em pacientes com fatores de risco vascular ou fibrilação atrial, não sendo a complicação clássica de DII com esse quadro radiológico.
- D. A obstrução mecânica não explica a toxicidade sistêmica associada nem o contexto de colite inflamatória em atividade.
Uma mulher de 41 anos com diagnóstico de doença de Crohn com envolvimento colônico extenso, estabelecido há 9 anos, está em acompanhamento ambulatorial e encontra-se em remissão clínica com uso de azatioprina. Ela pergunta ao médico sobre a necessidade de exames preventivos relacionados à sua doença de base. Qual é a conduta mais adequada para rastreamento de neoplasia nessa paciente?
- ASolicitar apenas pesquisa de sangue oculto nas fezes anualmente
- BIniciar colonoscopias de vigilância com biópsias seriadas a partir de agora
- CAguardar até os 50 anos para iniciar rastreamento, como na população geral
- DSolicitar dosagem de antígeno carcinoembrionário (CEA) semestralmente
Ver resposta
Pacientes com doença inflamatória intestinal com envolvimento colônico (retocolite ulcerativa extensa ou doença de Crohn colônica extensa) têm risco aumentado de câncer colorretal relacionado à inflamação crônica, e as diretrizes recomendam iniciar colonoscopia de vigilância com biópsias seriadas (ou cromoscopia) a partir de 8 a 10 anos do início dos sintomas, independentemente da idade, repetindo o exame em intervalos de 1 a 3 anos conforme fatores de risco adicionais. O rastreamento baseado apenas em sangue oculto fecal ou em marcadores tumorais não tem acurácia suficiente para detectar displasia ou neoplasia precoce no contexto de colite de longa duração. Esperar até os 50 anos, como na população geral, subestima o risco específico desses pacientes.
- A. A pesquisa de sangue oculto fecal não tem sensibilidade adequada para detectar displasia ou lesões precoces na mucosa colônica inflamada.
- C. O risco de câncer colorretal na DII colônica extensa se eleva já a partir de 8 a 10 anos de doença, não devendo o rastreamento ser postergado até os 50 anos.
- D. O CEA não é um exame de rastreamento validado para detecção precoce de neoplasia colorretal em pacientes com DII.
Síndrome do Intestino Irritável e Distúrbios Funcionais
4 questõesUma mulher de 32 anos relata dor abdominal recorrente há 8 meses, presente em pelo menos 3 dias por mês nos últimos 3 meses, associada à alteração do padrão evacuatório, alternando períodos de constipação e diarreia. A dor costuma melhorar após a evacuação. Ela não apresenta perda de peso, sangramento retal, febre ou história familiar de neoplasia ou doença inflamatória intestinal. Exame físico e exames laboratoriais básicos, incluindo hemograma e proteína C-reativa, são normais. Segundo os critérios de Roma IV, qual elemento é necessário para confirmar o diagnóstico de síndrome do intestino irritável nessa paciente?
- AExclusão completa de doença celíaca por biópsia duodenal
- BResposta terapêutica favorável a antiespasmódico em uso contínuo
- CPresença de distensão abdominal visível associada a flatulência excessiva
- DDor abdominal associada a alteração na frequência ou na forma das fezes
Ver resposta
Os critérios de Roma IV definem síndrome do intestino irritável como dor abdominal recorrente, em média pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses, associada a dois ou mais dos seguintes: relação com a evacuação, associação com alteração na frequência das fezes ou associação com alteração na forma (aparência) das fezes, com início dos sintomas há pelo menos 6 meses. A distensão abdominal e a flatulência são sintomas associados frequentes, mas não constituem critério diagnóstico central. A exclusão de doença celíaca por biópsia não é exigida rotineiramente, sendo reservada para casos com sorologia positiva ou alta suspeita clínica. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios, e não depende de resposta terapêutica prévia.
- A. A biópsia duodenal não é exigência obrigatória nos critérios de Roma IV; a triagem para doença celíaca é feita por sorologia quando há suspeita clínica.
- B. O diagnóstico de SII é clínico e baseado em critérios, não dependendo de resposta terapêutica para sua confirmação.
- C. Distensão e flatulência são sintomas frequentemente associados, mas não fazem parte do critério central de Roma IV para o diagnóstico.
Um homem de 58 anos vai à UBS com queixa de dor abdominal em cólica e alteração do hábito intestinal há 4 meses, alternando constipação e diarreia. Ele relata perda involuntária de 6 kg no período e episódios ocasionais de sangue vivo misturado às fezes. Não há febre nem uso de anti-inflamatórios. História familiar de câncer colorretal no pai, diagnosticado aos 55 anos. Diante desse quadro, qual é a conduta mais adequada?
- AIniciar tratamento empírico para síndrome do intestino irritável com antiespasmódico
- BEncaminhar para colonoscopia antes de considerar diagnóstico funcional
- CSolicitar apenas calprotectina fecal e liberar retorno se normal
- DPrescrever dieta pobre em FODMAPs e reavaliar em 60 dias
Ver resposta
A presença de sinais de alarme, como perda de peso involuntária, sangramento retal, idade de início dos sintomas acima de 50 anos e história familiar de câncer colorretal, exige investigação adicional com colonoscopia antes de se considerar um diagnóstico de distúrbio funcional como a síndrome do intestino irritável. Esses achados aumentam a probabilidade de doença orgânica subjacente, incluindo neoplasia colorretal, doença inflamatória intestinal ou outras causas estruturais que precisam ser excluídas. Iniciar tratamento empírico sem investigação, nesse contexto, pode retardar o diagnóstico de uma condição potencialmente grave.
- A. Tratar empiricamente como SII sem investigação prévia seria inadequado diante de sinais de alarme que sugerem doença orgânica.
- C. A calprotectina fecal pode auxiliar na triagem de doença inflamatória intestinal, mas isoladamente não substitui a colonoscopia na presença de sangramento retal e perda de peso nessa faixa etária.
- D. A dieta pobre em FODMAPs é uma estratégia terapêutica para SII confirmada, não uma conduta inicial diante de sinais de alarme.
Uma mulher de 45 anos refere evacuações infrequentes, cerca de duas vezes por semana, com fezes endurecidas, necessidade de esforço e sensação de evacuação incompleta há mais de 6 meses. Nega perda de peso, sangramento ou sintomas de alarme. Exame físico e toque retal sem alterações. Ela já aumentou a ingestão de água, mas segue com sintomas. Qual é a conduta mais adequada como próximo passo no manejo dessa paciente?
- APrescrever enema evacuador diário para regularização do hábito intestinal
- BIndicar colonoscopia imediata para investigação etiológica antes de qualquer tratamento
- COrientar aumento da ingestão de fibras e, se necessário, associar laxante formador de massa ou osmótico
- DIniciar laxante estimulante de uso diário contínuo como primeira escolha
Ver resposta
No manejo inicial da constipação intestinal crônica funcional, sem sinais de alarme, a primeira medida é orientar aumento da ingestão de fibras alimentares e líquidos, associada a atividade física regular; quando essas medidas não são suficientes, inicia-se laxante formador de massa (como psyllium) ou laxante osmótico (como polietilenoglicol ou lactulose). Os laxantes estimulantes são reservados para casos refratários às medidas anteriores, pelo potencial de tolerância e dependência com uso crônico contínuo. A colonoscopia não é obrigatória de rotina na ausência de sinais de alarme, sendo reservada para pacientes com critérios de investigação adicional.
- A. O enema evacuador diário não é indicado como terapia de rotina pelo risco de distúrbios hidroeletrolíticos e dependência do método.
- B. Na ausência de sinais de alarme, a colonoscopia não é obrigatória antes de iniciar o tratamento conservador inicial.
- D. Os laxantes estimulantes não são primeira escolha; devem ser reservados para casos que não respondem a fibras e laxantes osmóticos.
Um homem de 38 anos relata dor e desconforto na região epigástrica, associados a plenitude pós-prandial e saciedade precoce, há cerca de 5 meses, sem relação clara com alimentação específica. Nega perda de peso, disfagia, vômitos recorrentes ou sangramento digestivo. Não faz uso de anti-inflamatórios. Pesquisa de Helicobacter pylori pelo teste respiratório foi negativa. Endoscopia digestiva alta realizada há 2 semanas não evidenciou úlceras, erosões ou lesões neoplásicas. Qual é a conduta mais adequada para esse paciente?
- ARepetir a endoscopia digestiva alta em 4 semanas para confirmar ausência de lesão
- BConfirmar o diagnóstico de dispepsia funcional e iniciar tratamento com inibidor de bomba de protons ou procinético
- CIniciar erradicação empírica de Helicobacter pylori independentemente do resultado do teste
- DSolicitar tomografia de abdome com contraste antes de iniciar qualquer tratamento
Ver resposta
A dispepsia funcional é um diagnóstico de exclusão, estabelecido quando sintomas dispépticos persistem por ao menos 3 meses, com início há pelo menos 6 meses, na ausência de doença estrutural identificável na endoscopia digestiva alta e após exclusão de infecção por Helicobacter pylori. Uma vez excluídas causas orgânicas, como neste caso com endoscopia normal e teste para H. pylori negativo, o tratamento inicial consiste em inibidor de bomba de prótons, especialmente na síndrome da dor epigástrica, ou procinéticos, especialmente na síndrome do desconforto pós-prandial. Repetir exames invasivos ou de imagem sem nova indicação clínica não agrega valor e atrasa o tratamento.
- A. Repetir a endoscopia em curto intervalo sem nova indicação clínica não é necessário, pois o exame recente já excluiu lesão estrutural.
- C. Como o teste para H. pylori foi negativo, não há indicação de erradicação empírica, que é dirigida pela confirmação da infecção.
- D. A tomografia de abdome não é exame de rotina para dispepsia funcional após endoscopia normal, sendo reservada para suspeita de outras etiologias.
Doença Hepática Crônica e Cirrose
8 questõesUm homem de 36 anos, assintomático, realiza exames de rotina em uma UBS. Os resultados mostram: HBsAg positivo, anti-HBc IgG positivo, anti-HBc IgM negativo, HBeAg negativo, anti-HBe positivo, e carga viral de HBV-DNA de 450 UI/mL. As transaminases estão dentro da normalidade. Qual é a interpretação mais adequada desse perfil sorológico?
- AInfecção aguda pelo vírus da hepatite B em fase de resolução
- BImunidade adquirida por vacinação prévia contra hepatite B
- CInfecção crônica pelo vírus da hepatite B em fase de baixa replicação (portador inativo)
- DInfecção crônica pelo vírus da hepatite B em fase replicativa ativa
Ver resposta
A presença de HBsAg positivo por mais de 6 meses define infecção crônica pelo vírus da hepatite B. O anti-HBc IgG positivo com IgM negativo indica infecção estabelecida, não aguda recente. A negatividade do HBeAg com positividade do anti-HBe, associada a carga viral baixa (tipicamente menor que 2.000 UI/mL) e transaminases normais, caracteriza a fase de infecção crônica com baixa replicação viral, também chamada de portador inativo, que requer apenas seguimento clínico e laboratorial periódico, sem indicação de tratamento antiviral nesse momento. A vacinação confere apenas anti-HBs positivo isolado, sem HBsAg ou anti-HBc.
- A. A infecção aguda em resolução apresentaria anti-HBc IgM positivo (ou ainda presente) e tendência à negativação do HBsAg, o que não ocorre aqui.
- B. A imunidade por vacinação cursa apenas com anti-HBs positivo isolado, sem positividade de HBsAg ou anti-HBc.
- D. A fase replicativa ativa cursaria com HBeAg positivo e carga viral elevada, geralmente acima de 20.000 UI/mL, o que contrasta com o perfil apresentado.
Homem de 52 anos, usuário de drogas injetáveis no passado, é atendido na UBS após exame de rotina mostrar anti-HCV positivo. O HCV-RNA quantitativo confirma viremia de 1.200.000 UI/mL. Exame físico sem alterações. Elastografia hepática mostra rigidez de 6 kPa (fibrose leve). Função renal e hepática normais, sem coinfecção por HIV ou HBV.
- AIniciar esquema com sofosbuvir e daclatasvir por 12 semanas
- BRepetir o HCV-RNA em 6 meses antes de decidir o tratamento
- CIniciar interferon peguilado associado à ribavirina por 24 semanas
- DSolicitar biópsia hepática para definir se há indicação de tratamento
Ver resposta
Segundo o PCDT de Hepatite C do Ministério da Saúde, todo paciente com HCV-RNA detectável (confirmando infecção ativa) tem indicação de tratamento com antivirais de ação direta, independentemente do grau de fibrose. O esquema pangenotípico com sofosbuvir e daclatasvir por 12 semanas é uma das opções preconizadas pelo SUS para pacientes sem cirrose. Não é necessário aguardar progressão da fibrose nem repetir exames antes de tratar. A biópsia hepática não é mais exigida como pré-requisito, sendo substituída por métodos não invasivos como a elastografia.
- B. O tratamento não deve ser postergado, pois a viremia detectável já indica necessidade terapêutica.
- C. Interferon peguilado e ribavirina são esquemas antigos, abandonados pelo alto perfil de efeitos adversos e inferioridade aos antivirais de ação direta.
- D. A biópsia não é exigida atualmente; métodos não invasivos como elastografia são suficientes para avaliar fibrose.
Mulher de 48 anos é atendida na UPA com icterícia e dor em hipocôndrio direito há 5 dias. Relata consumo de aproximadamente 60 g de etanol por dia há 15 anos. Ao exame: febre de 37,8°C, hepatomegalia dolorosa, telangiectasias em tórax. Exames: AST 180 U/L, ALT 70 U/L (relação AST/ALT > 2), bilirrubina total 4,2 mg/dL, INR 1,3, albumina 3,2 g/dL. Sorologias virais negativas. Ultrassonografia mostra esteato-hepatite sem obstrução biliar.
- AColangite aguda
- BHepatite isquêmica
- CHepatite autoimune
- DHepatite alcoólica
Ver resposta
O quadro de consumo crônico de etanol em quantidade significativa (acima de 20-40 g/dia por tempo prolongado), associado a icterícia, hepatomegalia dolorosa, elevação de transaminases com relação AST/ALT maior que 2 e exclusão de causas virais e obstrutivas, é compatível com hepatite alcoólica. A relação AST/ALT elevada ocorre pela deficiência relativa de piridoxina, cofator necessário para a síntese de ALT, que é mais afetada que a AST no contexto alcoólico. A ausência de dilatação de vias biliares na ultrassonografia exclui causa obstrutiva.
- A. A colangite aguda cursa com dilatação de vias biliares à ultrassonografia e tríade de Charcot, achados ausentes neste caso.
- B. A hepatite isquêmica ocorre em contexto de choque ou hipoperfusão hepática aguda, com elevação maciça e rápida de transaminases, não compatível com a apresentação subaguda descrita.
- C. A hepatite autoimune tipicamente ocorre em mulheres jovens com outros marcadores de autoimunidade e não explica o padrão de AST/ALT nem o histórico etílico relevante.
Mulher de 44 anos, obesa (IMC 33 kg/m²), é avaliada na UBS por fadiga leve. Nega consumo de álcool. Apresenta hipertensão arterial e glicemia de jejum de 118 mg/dL. Exames laboratoriais: ALT 65 U/L, AST 48 U/L, sorologias virais negativas, perfil de autoanticorpos negativo. Ultrassonografia abdominal mostra fígado hiperecogênico difusamente, compatível com infiltração graxa, sem sinais de hipertensão portal.
- ADoença de Wilson
- BDoença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica
- CHepatite autoimune
- DDeficiência de alfa-1 antitripsina
Ver resposta
A presença de esteatose hepática à imagem associada a pelo menos um componente de síndrome metabólica (obesidade, hipertensão arterial, glicemia de jejum alterada), na ausência de consumo significativo de álcool e de outras causas de hepatopatia, define a doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica (antiga esteato-hepatite não alcoólica). O mecanismo central é a resistência insulínica, que aumenta a lipólise periférica e o acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos, promovendo inflamação e podendo progredir para fibrose. O diagnóstico é de exclusão, após afastar causas virais, autoimunes e alcoólicas.
- A. A doença de Wilson é uma causa rara de hepatopatia, geralmente em pacientes jovens com manifestações neurológicas associadas, não sugerida pelo quadro clínico.
- C. A hepatite autoimune foi excluída pela negatividade do perfil de autoanticorpos.
- D. A deficiência de alfa-1 antitripsina cursa frequentemente com doença pulmonar associada e não se relaciona ao contexto de síndrome metabólica descrito.
Homem de 60 anos com cirrose hepática por hepatite C apresenta ao exame ascite moderada controlada com diurético, sem encefalopatia. Exames: bilirrubina total 2,8 mg/dL, albumina 2,9 g/dL, INR 1,9. Com base nesses dados, calcula-se a pontuação de Child-Pugh para estratificação prognóstica.
- AChild-Pugh classe A, com prognóstico excelente em curto prazo
- BChild-Pugh classe C, com indicação imediata de transplante de urgência
- CChild-Pugh classe B, com sobrevida intermediária em 1 e 2 anos
- DChild-Pugh classe A, sem necessidade de acompanhamento especializado
Ver resposta
A classificação de Child-Pugh pontua bilirrubina, albumina, INR, ascite e encefalopatia, cada item variando de 1 a 3 pontos. Neste caso: bilirrubina 2,8 mg/dL (2 pontos), albumina 2,9 g/dL (2 pontos), INR 1,9 (2 pontos), ascite moderada (2 pontos) e ausência de encefalopatia (1 ponto), totalizando 9 pontos, compatível com classe B (7 a 9 pontos). A classe B está associada a sobrevida intermediária em um e dois anos, sendo indicação para avaliação de transplante hepático e vigilância mais próxima de complicações.
- A. A soma dos pontos (9) corresponde à classe B, não à classe A, que exige escore de 5 a 6 pontos.
- B. A classe C corresponde a escore de 10 a 15 pontos; o transplante de urgência não é indicado apenas pelo escore, dependendo de avaliação específica (MELD e lista de espera).
- D. Mesmo na classe A haveria necessidade de acompanhamento especializado, e neste caso o escore não corresponde a essa classe.
Paciente cirrótico de 55 anos está em acompanhamento ambulatorial para avaliação de transplante hepático. Exames recentes: creatinina 1,8 mg/dL, bilirrubina total 3,5 mg/dL, INR 2,1, sódio sérico 132 mEq/L. O cálculo do escore MELD-Na é utilizado para definir a posição do paciente na fila de transplante.
- AO escore MELD-Na substitui a necessidade de avaliação clínica do paciente na fila
- BPacientes com MELD-Na baixo têm prioridade absoluta, pois indicam maior gravidade
- CO escore MELD-Na é calculado exclusivamente a partir da albumina sérica
- DQuanto maior o escore MELD-Na, maior a prioridade na fila de transplante
Ver resposta
O escore MELD-Na é calculado a partir de bilirrubina, creatinina, INR e sódio sérico, e quanto maior o valor, maior a mortalidade estimada em curto prazo e, consequentemente, maior a prioridade na fila de transplante hepático no sistema de alocação por gravidade adotado no Brasil. Esse sistema substituiu o critério de tempo de espera, priorizando quem tem maior risco de morte sem o transplante. A avaliação clínica complementar continua sendo importante, mas o MELD-Na é o principal critério objetivo de priorização.
- A. Embora seja o principal critério objetivo, a avaliação clínica complementar (como presença de complicações agudas) também é considerada na gestão da fila.
- B. É o inverso: escores mais baixos indicam menor gravidade e menor prioridade na fila.
- C. A albumina não compõe o cálculo do MELD-Na; os componentes são bilirrubina, creatinina, INR e sódio.
Homem de 58 anos recebe diagnóstico de cirrose hepática compensada por doença hepática alcoólica, confirmado por elastografia e dados clínicos. Não apresenta história de hemorragia digestiva. Exame físico sem estigmas de hipertensão portal descompensada, plaquetas 145.000/mm³.
- ASolicitar endoscopia digestiva alta para rastreamento de varizes esofágicas
- BIniciar betabloqueador não seletivo empiricamente, sem necessidade de endoscopia
- CAguardar sintomas de hemorragia digestiva para então investigar varizes
- DSolicitar tomografia de abdome com contraste para avaliar varizes
Ver resposta
Todo paciente com diagnóstico recente de cirrose hepática deve ser submetido a endoscopia digestiva alta para rastreamento de varizes esofagogástricas, pois sua presença e tamanho determinam a necessidade de profilaxia primária de hemorragia digestiva. A tomografia não substitui a endoscopia nesse contexto, pois não permite avaliação adequada do calibre e risco de sangramento das varizes. Aguardar sintomas de hemorragia é inadequado, pois a primeira manifestação pode ser um sangramento maciço com alta mortalidade.
- B. O uso empírico de betabloqueador sem conhecer a presença e o calibre das varizes não é a conduta recomendada; a decisão terapêutica depende do achado endoscópico.
- C. Aguardar sintomas expõe o paciente a risco de hemorragia digestiva maciça, que tem alta mortalidade; o rastreamento deve ser proativo.
- D. A tomografia não é o método recomendado para rastreamento de varizes esofágicas, sendo a endoscopia digestiva alta o exame padrão.
Homem de 54 anos, cirrótico conhecido, é levado à UPA após hematêmese volumosa há 1 hora. Pressão arterial 88/56 mmHg, frequência cardíaca 118 bpm, palidez cutânea importante. Após estabilização inicial com reposição volêmica, a hipótese de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas é considerada antes da endoscopia.
- ARealizar apenas transfusão de concentrado de hemácias, sem necessidade de droga vasoativa
- BAguardar resultado da endoscopia antes de iniciar qualquer droga vasoativa
- CIniciar omeprazol intravenoso em altas doses como medida isolada antes da endoscopia
- DIniciar terlipressina intravenosa e programar endoscopia digestiva alta nas primeiras 12 horas
Ver resposta
Na suspeita de hemorragia digestiva alta de origem varicosa em paciente cirrótico, deve-se iniciar precocemente uma droga vasoativa, como terlipressina (ou octreotide, quando disponível), para reduzir a pressão portal e o fluxo esplâncnico, mesmo antes da confirmação endoscópica. A endoscopia digestiva alta deve ser realizada dentro das primeiras 12 horas após estabilização hemodinâmica, permitindo diagnóstico e tratamento com ligadura elástica. Antibioticoprofilaxia também deve ser associada para reduzir risco de infecção e ressangramento.
- A. A transfusão isolada, sem droga vasoativa, não aborda o mecanismo da hipertensão portal responsável pelo sangramento varicoso.
- B. A droga vasoativa deve ser iniciada precocemente, antes mesmo da confirmação endoscópica, diante da forte suspeita clínica de sangramento varicoso.
- C. O omeprazol isolado não tem papel comprovado específico no controle de sangramento varicoso; a droga vasoativa é a medida farmacológica inicial recomendada.
Doenças Biliares e Pancreáticas
7 questõesMulher de 45 anos é atendida na UBS com achado incidental de colelitíase em ultrassonografia abdominal solicitada para investigação de outra queixa. Nega dor em hipocôndrio direito, náuseas ou episódios prévios de cólica biliar. Exame físico sem alterações, Murphy negativo. A ultrassonografia mostra vesícula biliar com paredes finas e dois cálculos de 8 mm, sem sinais de complicação. Qual é a conduta mais adequada?
- AAcompanhamento clínico, sem indicação cirúrgica no momento
- BColecistectomia videolaparoscópica eletiva imediata
- CÁcido ursodesoxicólico para dissolução dos cálculos
- DColangiopancreatografia retrógrada endoscópica para remoção dos cálculos
Ver resposta
A colelitíase assintomática, definida pela ausência de cólica biliar ou outras manifestações clínicas relacionadas aos cálculos, não tem indicação de colecistectomia na maioria dos casos, pois o risco de desenvolver sintomas ou complicações ao longo da vida é relativamente baixo. A conduta recomendada é o acompanhamento clínico, orientando a paciente a procurar atendimento caso desenvolva dor em hipocôndrio direito, icterícia ou outros sintomas. A colecistectomia é indicada em colelitíase sintomática ou em situações especiais de alto risco (vesícula em porcelana, cálculos muito grandes, pólipos associados, anemia falciforme), não presentes neste caso.
- B. A colecistectomia eletiva não é indicada em colelitíase assintomática na ausência de fatores de risco especiais.
- C. O ácido ursodesoxicólico tem eficácia limitada e não é a conduta padrão para colelitíase assintomática.
- D. A CPRE é procedimento invasivo reservado para coledocolitíase, não indicado em colelitíase vesicular assintomática.
Mulher de 58 anos é atendida na UPA com dor em hipocôndrio direito há 18 horas, associada a náuseas e febre de 38,6°C. Ao exame: dor à palpação profunda em hipocôndrio direito com interrupção da inspiração durante a palpação (sinal de Murphy positivo). Leucócitos 14.200/mm³, proteína C reativa elevada. Ultrassonografia abdominal mostra vesícula biliar com parede espessada (5 mm), distendida, com cálculo impactado no infundíbulo e líquido perivesicular. Qual é a conduta mais adequada?
- ADrenagem percutânea da vesícula biliar como tratamento definitivo
- BColangiopancreatografia retrógrada endoscópica de urgência
- CColecistectomia videolaparoscópica precoce, nas primeiras 72 horas
- DAntibioticoterapia isolada, com colecistectomia eletiva após 6 semanas
Ver resposta
O quadro apresenta critérios diagnósticos de colecistite aguda segundo os critérios de Tokyo: sinal de Murphy positivo com sinais locais de inflamação, associado a sinais sistêmicos (febre, leucocitose) e confirmação por imagem (espessamento de parede vesicular, distensão, cálculo impactado, líquido perivesicular). Para pacientes com condição clínica favorável, o tratamento recomendado é a colecistectomia videolaparoscópica precoce, idealmente realizada dentro das primeiras 72 horas do início dos sintomas, pois reduz tempo de internação e complicações em comparação à cirurgia tardia. A antibioticoterapia é complementar, mas não substitui a abordagem cirúrgica precoce nos pacientes com condições clínicas para operar.
- A. A drenagem percutânea é opção paliativa para pacientes com alto risco cirúrgico, não tratamento definitivo em paciente com boas condições clínicas.
- B. A CPRE é indicada para coledocolitíase ou colangite, não é o tratamento da colecistite aguda isolada.
- D. Postergar a colecistectomia para 6 semanas aumenta o risco de recorrência e complicações, sendo reservada apenas para pacientes com alto risco cirúrgico no momento agudo.
Mulher de 52 anos procura a UBS com relato de dor em hipocôndrio direito há 3 dias, associada a urina escurecida e icterícia progressiva. Nega febre ou calafrios. Exame físico: afebril, PA 120/80 mmHg, FC 78 bpm, icterícia +2/4+, abdome com dor leve à palpação em hipocôndrio direito, sem sinais de peritonite. Exames laboratoriais mostram bilirrubina total 4,2 mg/dL (predomínio direto), fosfatase alcalina e gama-GT elevadas. Ultrassonografia abdominal evidencia vesícula biliar com múltiplos cálculos e dilatação do colédoco (9 mm), sem visualização clara de cálculo no ducto. Qual é a conduta mais adequada para elucidação diagnóstica neste momento?
- AColangiopancreatografia retrógrada endoscópica diagnóstica imediata
- BColangiorressonância magnética
- CTomografia computadorizada de abdome com contraste
- DRepetir a ultrassonografia abdominal em 48 horas
Ver resposta
Na suspeita de coledocolitíase com probabilidade intermediária (dilatação de colédoco e alterações de enzimas canaliculares, sem visualização direta do cálculo), a colangiorressonância magnética é o exame de escolha por ser não invasivo e ter alta sensibilidade e especificidade para detectar cálculos no ducto biliar comum. Ela permite confirmar o diagnóstico antes de indicar um procedimento invasivo terapêutico. A CPRE deve ser reservada para quando há alta probabilidade diagnóstica (ex.: colangite ou cálculo visível à ultrassonografia) ou já com intuito terapêutico. A tomografia tem menor sensibilidade para cálculos biliares em comparação à colangiorressonância.
- A. A CPRE é invasiva e deve ser reservada para casos de alta probabilidade diagnóstica ou finalidade terapêutica, não como primeiro exame confirmatório.
- C. A tomografia tem menor sensibilidade que a colangiorressonância para detecção de cálculos no colédoco.
- D. Repetir a ultrassonografia não acrescenta sensibilidade para avaliação da via biliar distal, que é pouco visibilizada por esse método.
Homem de 68 anos é levado à UPA por febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia há 24 horas. Ao exame: temperatura 39,2°C, PA 100/60 mmHg, FC 112 bpm, FR 22 irpm, confuso, icterícia +3/4+, dor à palpação em hipocôndrio direito sem sinais de irritação peritoneal. Exames mostram leucocitose de 18.500/mm³, bilirrubina total 6,8 mg/dL, proteína C-reativa elevada. Ultrassonografia abdominal revela dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas com cálculo impactado no colédoco distal. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
- AHidratação venosa e observação clínica, com CPRE eletiva após estabilização
- BAntibioticoterapia venosa e colecistectomia videolaparoscópica de urgência
- CAntibioticoterapia venosa isolada, com colangiorressonância em 48 horas para reavaliação
- DAntibioticoterapia venosa e drenagem biliar urgente por CPRE
Ver resposta
O quadro é compatível com colangite aguda grave (tríade de Charcot associada a disfunção orgânica: hipotensão e confusão mental, caracterizando a pêntade de Reynolds). O tratamento consiste em antibioticoterapia venosa de amplo espectro associada à drenagem biliar urgente, sendo a CPRE com papilotomia o método de escolha para descompressão da via biliar na maioria dos casos. O retardo na drenagem aumenta o risco de sepse biliar e óbito. A colecistectomia não trata a obstrução do colédoco de forma urgente e não é o procedimento indicado neste momento agudo.
- A. A colangite aguda grave exige drenagem biliar urgente; postergar o procedimento aumenta o risco de sepse e óbito.
- B. A colecistectomia não promove a drenagem biliar necessária na urgência e não é o procedimento indicado para colangite aguda grave.
- C. Aguardar exame de imagem adicional retarda a drenagem biliar, que deve ser urgente neste quadro grave.
Mulher de 45 anos chega à emergência com dor abdominal intensa em andar superior do abdome, com irradiação para o dorso, iniciada há 6 horas após refeição gordurosa, acompanhada de náuseas e vômitos. Ao exame: PA 110/70 mmHg, FC 96 bpm, afebril, abdome doloroso em epigástrio, sem irritação peritoneal. Lipase sérica: 850 U/L (valor de referência até 160 U/L). Ultrassonografia abdominal mostra vesícula biliar com múltiplos cálculos, sem dilatação de vias biliares. Qual é o diagnóstico mais provável e sua etiologia mais frequente no Brasil?
- APancreatite aguda de etiologia autoimune
- BPancreatite aguda de etiologia hipertrigliceridêmica
- CPancreatite aguda de etiologia alcoólica
- DPancreatite aguda de etiologia biliar
Ver resposta
O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois de três critérios: dor abdominal característica, lipase ou amilase sérica elevada acima de três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. Esta paciente preenche dor típica e lipase muito elevada, confirmando o diagnóstico. A presença de colelitíase na ultrassonografia, sem outros fatores de risco, aponta para etiologia biliar, que é a causa mais comum de pancreatite aguda no Brasil e no mundo, especialmente em mulheres.
- A. A pancreatite autoimune é rara e geralmente se apresenta com quadro insidioso associado a outras doenças autoimunes, não com este quadro agudo.
- B. Não há relato de hipertrigliceridemia e a presença de colelitíase torna a etiologia biliar mais provável.
- C. A etiologia alcoólica é mais frequente em homens com história de consumo etílico importante, ausente neste caso.
Homem de 54 anos é internado com diagnóstico de pancreatite aguda biliar. Após 48 horas de internação, apresenta persistência de dor abdominal, PA 90/60 mmHg mesmo após reposição volêmica adequada, FR 28 irpm, creatinina sérica 2,4 mg/dL (basal 0,9 mg/dL) e saturação de oxigênio 89% em ar ambiente, necessitando de oxigenoterapia suplementar. Não há melhora dessas alterações após 48 horas de tratamento de suporte. De acordo com a classificação de Atlanta revisada, como deve ser classificada a gravidade deste quadro?
- APancreatite aguda leve
- BPancreatite aguda moderadamente grave
- CPancreatite aguda com falência orgânica transitória
- DPancreatite aguda grave
Ver resposta
A classificação de Atlanta revisada define pancreatite aguda grave como aquela com falência orgânica persistente, ou seja, que dura mais de 48 horas, envolvendo um ou mais sistemas (cardiovascular, respiratório ou renal). Neste caso, o paciente apresenta disfunção respiratória, renal e cardiovascular que persistem além de 48 horas, caracterizando falência orgânica persistente e, portanto, pancreatite aguda grave, associada a maior mortalidade e necessidade de suporte intensivo.
- A. A forma leve não apresenta falência orgânica nem complicações locais ou sistêmicas.
- B. A forma moderadamente grave cursa com falência orgânica transitória (até 48 horas) ou complicações locais, sem falência persistente.
- C. A falência orgânica transitória dura menos de 48 horas e caracteriza a forma moderadamente grave, não a grave.
Homem de 38 anos é internado com pancreatite aguda biliar leve, sem comorbidades, há 12 horas do início dos sintomas. Está hemodinamicamente estável, com PA 118/76 mmHg, FC 88 bpm, diurese preservada, dor abdominal moderada e tolerando pequenos volumes por via oral sem náuseas significativas. Qual é a conduta mais adequada em relação à hidratação e à dieta neste momento?
- AHidratação venosa de manutenção e sonda nasoenteral para dieta enteral exclusiva
- BHidratação venosa vigorosa e nutrição parenteral total imediata
- CHidratação venosa restritiva e jejum prolongado até resolução completa da dor
- DHidratação venosa com cristaloide e reintrodução precoce da dieta oral conforme tolerância
Ver resposta
O manejo inicial da pancreatite aguda inclui reposição volêmica adequada com cristaloides (como Ringer lactato) para manter perfusão tecidual e prevenir complicações, além de reintrodução precoce da dieta oral, tão breve quanto tolerado pelo paciente, geralmente dentro das primeiras 24 a 72 horas, mesmo que a dor ainda não tenha resolvido completamente. Estudos mostram que a alimentação oral precoce reduz tempo de internação e complicações infecciosas, sem aumentar o risco de piora clínica em casos leves. O jejum prolongado e a nutrição parenteral são reservados para situações específicas, como intolerância alimentar grave ou íleo prolongado.
- A. A sonda nasoenteral é reservada para pacientes que não toleram via oral ou com quadros graves, não sendo necessária neste caso leve.
- B. A nutrição parenteral total não é a primeira escolha e é reservada para casos em que a via enteral não é tolerada.
- C. O jejum prolongado não é recomendado em casos leves e pode prejudicar a recuperação da mucosa intestinal.
Doenças do Trato Gastrointestinal Inferior e Neoplasias
3 questõesMulher de 58 anos procura a UBS por alteração do hábito intestinal há 3 meses, alternando períodos de constipação com fezes afiladas e episódios de diarreia. Relata perda de 6 kg no período, sem dieta intencional, e cansaço progressivo. Exame físico: palidez de mucosas, abdome flácido e indolor, sem massas palpáveis. Exames laboratoriais: hemoglobina 9,2 g/dL, VCM 72 fL, ferritina sérica baixa. Qual é a conduta mais apropriada?
- AEncaminhar para ultrassonografia abdominal total
- BIniciar dieta rica em fibras e solicitar parasitológico de fezes
- CPrescrever sulfato ferroso e reavaliar em 60 dias
- DSolicitar colonoscopia com biópsia de eventuais lesões
Ver resposta
A combinação de mudança do hábito intestinal persistente, afilamento das fezes, perda de peso não intencional e anemia ferropriva em paciente acima de 50 anos constitui sinais de alarme para neoplasia colorretal e exige investigação endoscópica. A colonoscopia permite visualizar diretamente a mucosa colônica, localizar a lesão e obter biópsia para diagnóstico histológico, sendo o exame de escolha nesse cenário. Retardar a investigação com tratamentos sintomáticos (ferro, fibras) atrasa o diagnóstico de uma possível neoplasia. A anemia ferropriva em adulto, principalmente homem ou mulher na pós-menopausa, deve ser considerada de origem digestiva até prova em contrário.
- A. A ultrassonografia abdominal tem baixa sensibilidade para lesões intraluminais do cólon.
- B. Não investiga a causa dos sinais de alarme e pode mascarar uma neoplasia subjacente.
- C. Trata apenas a anemia sem investigar a causa, retardando o diagnóstico de possível neoplasia.
Homem de 62 anos relata sangramento vivo ao final da evacuação há 4 meses, de pequena quantidade, associado a prolapso de mucosa anal que reduz espontaneamente. Nega perda de peso, nega alteração do calibre das fezes e nega dor abdominal. Ao toque retal, não há massas palpáveis e o canal anal apresenta mucosa levemente protrusa e friável. Hemoglobina 13,8 g/dL. Qual conduta inicial é mais adequada?
- AIniciar tratamento para hemorroidas e solicitar retossigmoidoscopia ou colonoscopia complementar
- BTranquilizar o paciente e indicar apenas medidas dietéticas, sem exames adicionais
- CEncaminhar diretamente para hemorroidectomia cirúrgica de urgência
- DSolicitar colonoscopia antes de confirmar o diagnóstico de doença hemorroidária
Ver resposta
O quadro clínico é sugestivo de doença hemorroidária (sangramento vivo terminal, prolapso redutível, ausência de sinais de alarme), mas em pacientes acima de 50 anos com sangramento retal é recomendado excluir neoplasia colorretal antes de atribuir definitivamente o sintoma às hemorroidas, mesmo quando o exame proctológico é compatível com doença hemorroidária. A conduta correta combina o tratamento clínico da doença hemorroidária (fibras, higiene local, pomadas) com investigação endoscópica complementar (retossigmoidoscopia ou colonoscopia) para rastrear lesões proximais, já que hemorroidas e neoplasia podem coexistir. Assumir o diagnóstico sem excluir câncer ou tratar sem investigar expõe o paciente ao risco de diagnóstico tardio.
- B. Negligencia a necessidade de excluir neoplasia colorretal em paciente acima de 50 anos com sangramento retal.
- C. Conduta cirúrgica de urgência não se justifica para doença hemorroidária não complicada sem sinais de alarme.
- D. A colonoscopia não precisa ser pré-requisito para iniciar tratamento sintomático, mas deve ser complementar.
Homem de 68 anos, tabagista há 40 anos e com história de infecção por Helicobacter pylori não tratada, procura o serviço de saúde com queixa de saciedade precoce e desconforto epigástrico há 3 meses, associados a perda de 8 kg e episódios recentes de dificuldade para engolir alimentos sólidos. Exame físico revela palidez cutâneo-mucosa e linfonodo supraclavicular esquerdo palpável, endurecido e indolor. Qual é a conduta diagnóstica inicial mais apropriada?
- ATeste respiratório da ureia para Helicobacter pylori
- BRadiografia contrastada de esôfago, estômago e duodeno
- CTomografia de abdome com contraste para avaliação inicial
- DEndoscopia digestiva alta com biópsia das lesões suspeitas
Ver resposta
A combinação de idade avançada, perda de peso significativa, disfagia progressiva, anemia e linfonodo supraclavicular palpável (sinal de Virchow) são sinais de alarme fortemente sugestivos de neoplasia gástrica avançada. A endoscopia digestiva alta com biópsia é o exame de escolha, pois permite visualização direta da mucosa, caracterização da lesão e confirmação histológica, essencial para o diagnóstico e planejamento terapêutico. A radiografia contrastada tem menor sensibilidade e não permite biópsia. A tomografia é útil para estadiamento após confirmação diagnóstica, e o teste da urease não substitui a investigação de uma lesão suspeita já instalada.
- A. Investigaria apenas a infecção pregressa, sem avaliar a lesão neoplásica já sugerida pelo quadro.
- B. Exame com menor sensibilidade que não permite biópsia da lesão suspeita.
- C. Útil para estadiamento após confirmação histológica, não como exame inicial de diagnóstico.
Doenças Infecciosas e Parasitárias Gastrointestinais
3 questõesMulher de 68 anos, internada há 12 dias em hospital da rede pública para tratamento de pneumonia com ceftriaxona, evolui com 8 episódios de evacuações líquidas por dia, dor abdominal em cólica e febre de 38,2°C. Exame físico: distensão abdominal leve, ruídos hidroaéreos aumentados. Exames: leucócitos 16.200/mm³, creatinina 1,1 mg/dL. Pesquisa de toxinas A/B de Clostridioides difficile nas fezes positiva. Qual é a conduta terapêutica mais adequada?
- ALoperamida oral conforme necessário para controle dos sintomas
- BVancomicina oral 125 mg a cada 6 horas por 10 dias
- CCiprofloxacino oral 500 mg a cada 12 horas por 7 dias
- DProbiótico à base de Saccharomyces boulardii por 14 dias
Ver resposta
A colite por Clostridioides difficile associada a antibiótico é tratada preferencialmente com vancomicina oral (ou fidaxomicina, quando disponível), pois esses fármacos atuam localmente na luz intestinal, onde a bactéria produz as toxinas responsáveis pela diarreia e colite. O metronidazol oral era alternativa, mas atualmente é reservado para casos leves quando vancomicina não está disponível. A suspensão do antibiótico causador, quando possível, e a reposição volêmica complementam o tratamento.
- A. Antidiarreicos como loperamida são contraindicados por risco de megacólon tóxico.
- C. Ciprofloxacino não tem papel no tratamento da infecção por C. difficile e pode até favorecer disbiose.
- D. Probióticos não substituem o tratamento antimicrobiano específico na infecção estabelecida.
Homem de 38 anos, agricultor de região endêmica no nordeste do Brasil, é atendido com queixa de aumento progressivo do volume abdominal e episódio de hematêmese há 2 dias. Exame físico: hepatomegalia de borda endurecida, esplenomegalia palpável a 6 cm do rebordo costal esquerdo, circulação colateral visível na parede abdominal e ausência de icterícia. Exames laboratoriais mostram transaminases normais e plaquetas de 85.000/mm³. Qual é o mecanismo fisiopatológico responsável pelo quadro de hipertensão portal nesse paciente?
- ADepósito amiloide nos espaços porta causando compressão vascular pré-sinusoidal
- BFibrose periportal por reação granulomatosa aos ovos do parasita, causando obstrução pré-sinusoidal
- CNecrose hepatocelular extensa com substituição por tecido fibroso difuso pós-sinusoidal
- DTrombose da veia hepática levando a congestão venosa pós-sinusoidal
Ver resposta
Na esquistossomose mansônica, a forma hepatoesplênica resulta da deposição de ovos de Schistosoma mansoni nos ramos da veia porta, desencadeando reação granulomatosa que evolui para fibrose periportal (fibrose de Symmers), um bloqueio pré-sinusoidal que preserva a função hepatocelular, explicando transaminases normais mesmo com hipertensão portal significativa. A manutenção da função hepática distingue esse mecanismo da cirrose, onde a arquitetura lobular é difusamente destruída. A hipertensão portal leva a esplenomegalia, varizes esofágicas e risco de hemorragia digestiva alta.
- A. Depósito amiloide é mecanismo da amiloidose hepática, não relacionado à infecção esquistossomótica.
- C. A necrose hepatocelular difusa é característica da cirrose, que cursaria com alteração de função hepática e transaminases elevadas.
- D. Trombose de veia hepática é a causa da síndrome de Budd-Chiari, não da esquistossomose.
Homem de 55 anos, em tratamento com prednisona 60 mg/dia há 3 semanas por glomerulonefrite, é internado com dor abdominal difusa, vômitos, diarreia e dispneia. Exame físico: febre de 38,5°C, estertores crepitantes bilaterais e púrpura periumbilical. Radiografia de tórax mostra infiltrado alveolar bilateral. Hemograma revela eosinofilia ausente e leucocitose com desvio à esquerda. Qual é o principal fator de risco relacionado ao quadro apresentado por esse paciente?
- AContato com solo contaminado por ovos de Ascaris lumbricoides
- BIngestão de carne suína mal cozida, favorecendo infecção por Taenia solium
- CUso de corticosteroide em dose imunossupressora, favorecendo hiperinfecção por Strongyloides stercoralis
- DExposição ocupacional a águas contaminadas, favorecendo infecção por Schistosoma mansoni
Ver resposta
O uso prolongado de corticosteroides em dose imunossupressora inibe a resposta Th2 que normalmente controla a autoinfecção por Strongyloides stercoralis, permitindo ciclo de autoinfecção acelerado e disseminação de larvas para pulmões, pele e trato gastrointestinal, com perda da eosinofilia característica. A síndrome de hiperinfecção cursa com sintomas respiratórios, gastrointestinais e lesões cutâneas purpúricas periumbilicais (sinal do trovão), além de risco de sepse por translocação bacteriana associada às larvas. O diagnóstico exige alto índice de suspeição em pacientes imunossuprimidos de áreas endêmicas.
- A. A ascaridíase não apresenta ciclo de autoinfecção nem disseminação sistêmica facilitada por corticoterapia.
- B. A teníase não está associada a quadros de disseminação sistêmica relacionados a imunossupressão.
- D. A esquistossomose não causa síndrome de hiperinfecção disseminada associada à imunossupressão por corticoide.
Doença Celíaca e Má Absorção
3 questõesMulher de 27 anos relata diarreia crônica intermitente, distensão abdominal e perda de 4 kg nos últimos 6 meses. Nega viagens recentes ou uso de medicamentos. Exame físico: emagrecida, sem outras alterações. Antes de iniciar qualquer restrição dietética, a equipe da UBS deseja investigar doença celíaca. Qual é o exame inicial mais adequado para essa investigação, considerando que a paciente mantém dieta normal com glúten?
- AAnticorpo antigliadina IgG sérico
- BPesquisa de antígeno leucocitário humano HLA-DQ2/DQ8
- CAnticorpo antitransglutaminase tecidual IgA sérico
- DBiópsia duodenal por endoscopia digestiva alta
Ver resposta
O anticorpo antitransglutaminase tecidual IgA é o teste sorológico de escolha para triagem inicial da doença celíaca, devido à alta sensibilidade e especificidade, desde que o paciente esteja em dieta com glúten no momento da coleta. Resultado positivo deve ser confirmado por biópsia duodenal com múltiplas amostras, demonstrando atrofia de vilosidades, hiperplasia de criptas e infiltrado linfocitário intraepitelial. É importante dosar também a IgA total, pois a deficiência seletiva de IgA pode causar falso-negativo no teste.
- A. O antigliadina IgG tem menor sensibilidade e especificidade, não sendo mais recomendado como teste inicial de triagem.
- B. A pesquisa de HLA-DQ2/DQ8 tem alto valor preditivo negativo mas baixa especificidade, usada em situações específicas, não como triagem inicial.
- D. A biópsia duodenal é exame confirmatório, realizado após sorologia positiva, não sendo o teste inicial de triagem.
Mulher de 32 anos tem diagnóstico confirmado de doença celíaca por sorologia e biópsia duodenal compatível, apresentando atualmente diarreia crônica e perda ponderal. Após orientação nutricional na UBS, ela pergunta sobre a duração do tratamento necessário para controle da doença. Qual é a conduta terapêutica correta a ser orientada a essa paciente?
- AUso de enzima digestiva oral à base de tuaminoheptano antes das refeições contendo glúten
- BDieta isenta de glúten por 12 meses, com reintrodução gradual após remissão dos sintomas
- CRestrição de glúten apenas durante episódios de diarreia, com dieta livre nos períodos assintomáticos
- DDieta isenta de glúten por toda a vida, com acompanhamento clínico e sorológico periódico
Ver resposta
O tratamento da doença celíaca consiste na exclusão completa e permanente do glúten da dieta, já que não existe tratamento farmacológico curativo e a exposição contínua ao glúten mantém a resposta imune mediada por linfócitos T, perpetuando a lesão da mucosa intestinal. A adesão à dieta deve ser monitorada clinicamente e por sorologia (queda progressiva do antitransglutaminase IgA), pois a reintrodução do glúten, mesmo em pequenas quantidades, pode reativar a enteropatia e aumentar o risco de complicações como linfoma intestinal e osteoporose.
- A. Não existe enzima digestiva oral aprovada capaz de substituir a exclusão do glúten no tratamento da doença celíaca.
- B. Não existe indicação de reintrodução do glúten após período determinado; a exclusão deve ser permanente.
- C. A restrição intermitente não controla a doença, pois mesmo pequenas exposições mantêm a lesão da mucosa intestinal.
Homem de 45 anos relata que, há cerca de 1 ano, sempre que ingere leite ou derivados apresenta distensão abdominal, flatulência e diarreia aquosa que melhora espontaneamente em poucas horas. Fora desses episódios, encontra-se completamente assintomático e sem perda de peso. Exame físico normal. Qual é o exame mais indicado para confirmar a suspeita diagnóstica desse paciente?
- AEndoscopia digestiva alta com biópsia duodenal
- BTeste do hidrogênio expirado após sobrecarga oral de lactose
- CAnticorpo antitransglutaminase tecidual IgA sérico
- DPesquisa de gordura fecal em amostra de 72 horas
Ver resposta
O teste do hidrogênio expirado após sobrecarga de lactose é o exame não invasivo padrão para confirmar deficiência de lactase, detectando o aumento de hidrogênio exalado produzido pela fermentação bacteriana da lactose não digerida no cólon. O quadro clínico típico de sintomas desencadeados especificamente pela ingestão de laticínios, sem perda de peso ou sinais de má absorção generalizada, sugere intolerância à lactose e não doença celíaca ou outra enteropatia. O tratamento consiste na redução da ingestão de lactose e, se necessário, reposição da enzima lactase.
- A. A biópsia duodenal é invasiva e não é necessária quando o quadro clínico sugere intolerância à lactose isolada.
- C. O antitransglutaminase IgA investiga doença celíaca, que cursaria com má absorção generalizada e não sintomas restritos à ingestão de lactose.
- D. A pesquisa de gordura fecal avalia esteatorreia por má absorção de gorduras, não é o exame específico para intolerância à lactose.
Abdome Agudo e Urgências Gastrointestinais
3 questõesHomem de 22 anos chega à UPA com dor abdominal iniciada na região periumbilical há 18 horas, que migrou para a fossa ilíaca direita, associada a náuseas e um episódio de vômito. Nega diarreia. Exame físico: temperatura de 37,8°C, dor à palpação da fossa ilíaca direita com descompressão brusca dolorosa no ponto de McBurney, defesa muscular localizada. Hemograma mostra leucocitose de 13.800/mm³ com desvio à esquerda. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
- ASolicitar colonoscopia para confirmação diagnóstica antes de qualquer intervenção
- BEncaminhar para apendicectomia após estabilização clínica e antibioticoprofilaxia
- CPrescrever analgesia e orientar retorno ambulatorial caso os sintomas persistam
- DIniciar antibioticoterapia isolada e reavaliar em 48 horas sem indicação cirúrgica
Ver resposta
O quadro clínico de dor migratória de periumbilical para fossa ilíaca direita, sinal de Blumberg positivo no ponto de McBurney, defesa muscular localizada e leucocitose com desvio à esquerda é altamente sugestivo de apendicite aguda, condição que exige tratamento cirúrgico. A apendicectomia, preferencialmente por via laparoscópica quando disponível, deve ser realizada precocemente, com antibioticoprofilaxia pré-operatória para reduzir risco de infecção de sítio cirúrgico. O retardo no diagnóstico e tratamento aumenta o risco de perfuração e peritonite.
- A. A colonoscopia não é exame indicado na investigação de abdome agudo inflamatório com suspeita de apendicite, podendo inclusive agravar o quadro.
- C. Postergar o tratamento com conduta ambulatorial expõe o paciente a risco de perfuração apendicular e peritonite.
- D. O tratamento exclusivamente clínico com antibióticos não é a conduta padrão nos casos típicos de apendicite aguda não complicada em adultos jovens.
Uma mulher de 58 anos é atendida na UPA com dor abdominal em cólica, distensão abdominal progressiva e parada de eliminação de gases e fezes há 2 dias, associadas a vômitos biliosos. Ela foi submetida a histerectomia abdominal há 6 anos. Ao exame: PA 118x76 mmHg, FC 92 bpm, abdome distendido, timpânico, com ruídos hidroaéreos aumentados em tom metálico, sem sinais de peritonite. A radiografia de abdome em pé mostra múltiplas alças de intestino delgado dilatadas, dispostas em pilha de moedas, com níveis hidroaéreos escalonados, e ausência de gás na ampola retal. Qual é a causa mais provável do quadro?
- AHérnia inguinal encarcerada
- BVolvo de sigmoide
- CAderências peritoneais pós-operatórias
- DNeoplasia de cólon obstrutiva
Ver resposta
A radiografia com distensão de alças de intestino delgado em pilha de moedas e níveis hidroaéreos escalonados, com ausência de gás distal, é clássica de obstrução mecânica do intestino delgado. Em pacientes com cirurgia abdominal prévia, a causa mais comum de obstrução de delgado são as bridas (aderências peritoneais), que formam bandas fibrosas capazes de angular ou comprimir alças intestinais. O antecedente cirúrgico é o principal fator de risco identificável nesse contexto. O manejo inicial envolve jejum, sondagem nasogástrica e reposição volêmica, reservando a cirurgia para casos refratários ou com sinais de estrangulamento.
- A. Hérnia encarcerada seria sugerida por massa dolorosa palpável na região inguinal, não mencionada no caso.
- B. O volvo de sigmoide cursa com distensão predominante de cólon e sinal do grão de café, não com padrão de delgado em pilha de moedas.
- D. Neoplasia de cólon costuma causar obstrução mais insidiosa e geralmente não está associada a cirurgia abdominal prévia como principal fator causal.
Um homem de 74 anos, portador de fibrilação atrial crônica sem uso regular de anticoagulante, é levado à emergência com dor abdominal intensa de início súbito há 3 horas, localizada em mesogástrio. Ele apresenta náuseas e um episódio de evacuação semilíquida. Ao exame: PA 132x84 mmHg, FC 110 bpm irregular, abdome discretamente distendido, flácido, com dor à palpação desproporcional à intensidade relatada pelo paciente, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais mostram leucocitose de 16.000/mm³ e lactato sérico de 4,2 mmol/L (referência até 2,0 mmol/L). Qual é o mecanismo fisiopatológico mais provável para explicar o quadro?
- AEmbolia arterial para a artéria mesentérica superior a partir de trombo cardíaco
- BVasoconstrição esplâncnica difusa por baixo débito cardíaco
- CTrombose venosa mesentérica por estado de hipercoagulabilidade
- DCompressão extrínseca da artéria mesentérica superior pelo ligamento arqueado
Ver resposta
A combinação de fibrilação atrial sem anticoagulação, dor abdominal de início súbito e desproporcional ao exame físico, e lactato elevado é altamente sugestiva de isquemia mesentérica aguda por embolia arterial. O átrio fibrilante favorece a formação de trombos murais, que podem se desprender e embolizar para a artéria mesentérica superior, geralmente acima da origem da cólica média, causando isquemia abrupta de delgado. A dor desproporcional ao exame é uma pista clássica, pois a necrose da mucosa ocorre antes de sinais evidentes de peritonite. O diagnóstico deve ser confirmado por angiotomografia de abdome com urgência, pois o retardo aumenta a mortalidade.
- B. A isquemia mesentérica não oclusiva ocorre em estados de baixo débito ou choque, não sendo o mecanismo mais provável em paciente hemodinamicamente estável com fibrilação atrial.
- C. A trombose venosa mesentérica tem apresentação mais insidiosa, ao longo de dias, e não está classicamente associada à fibrilação atrial.
- D. A síndrome do ligamento arqueado causa isquemia crônica e intermitente, geralmente relacionada à alimentação, não um quadro agudo como o descrito.
Perguntas frequentes
Estas são questões reais do Revalida?
Não. São questões originais escritas no estilo do Revalida, de acordo com a matriz da prova. Um segundo modelo independente resolveu cada questão sem ver o gabarito, e as que tinham gabarito discutível foram removidas.
Como usar estas questões de gastroenterologia?
Faça primeiro o simulado sem olhar as respostas e depois leia o comentário de cada questão que você errou ou chutou. O ponto-chave abaixo de cada resposta é o que vale guardar.
As questões são gratuitas?
Sim. Todas as questões, respostas e comentários desta página são gratuitos e não exigem cadastro.
Mais temas do Revalida
O Revalida é aplicado pelo Inep. O WhiteCoat Pro não tem vínculo nem aval desse órgão. Todas as questões são originais: escritas pela equipe editorial do WhiteCoat Pro com ajuda de IA e revisadas por um segundo modelo de IA independente, que resolve cada questão sem ver o gabarito; questões com gabarito discutível são removidas. Não são questões reais da prova. Uso educacional, não é orientação médica.