Atenção Básica: princípios e organização do SUS
6 questõesUma mulher de 34 anos comparece à UBS de seu território para consulta de rotina. O médico de família que a atende verifica em seu prontuário eletrônico que ela já havia sido atendida por ele mesmo há oito meses por quadro de cefaleia e, há três anos, por lombalgia, mantendo o acompanhamento contínuo com a mesma equipe desde então, independentemente do motivo da consulta. Esse atributo da atenção primária, caracterizado pelo vínculo e pelo acompanhamento do paciente ao longo do tempo pela mesma equipe, denomina-se:
- ACoordenação do cuidado
- BIntegralidade
- CLongitudinalidade
- DAcesso de primeiro contato
Ver resposta
A longitudinalidade é o atributo essencial da APS definido por Starfield como a existência de uma fonte regular de atenção e seu uso continuado ao longo do tempo, com vínculo entre paciente e equipe independentemente do tipo de problema de saúde. Esse vínculo permanente permite que o profissional conheça a história clínica e o contexto biopsicossocial do paciente, favorecendo maior acurácia diagnóstica e menor uso de serviços de urgência. Difere da integralidade, que se refere à oferta de um amplo espectro de serviços conforme as necessidades do paciente, e da coordenação, que trata da articulação entre diferentes pontos de atenção.
- A. Coordenação do cuidado envolve a articulação entre diferentes níveis e pontos de atenção à saúde, não o acompanhamento contínuo por si só.
- B. Integralidade refere-se à oferta de todos os serviços necessários conforme as necessidades do paciente, não ao vínculo ao longo do tempo.
- D. Acesso de primeiro contato refere-se à acessibilidade e utilização do serviço como porta de entrada, sem relação direta com a continuidade do vínculo.
Em uma UBS, um médico de família atende um homem de 58 anos, hipertenso e diabético, que também apresenta queixa de dor lombar crônica. Durante a consulta, o médico avalia conjuntamente todas as condições do paciente, ajusta a medicação anti-hipertensiva considerando a função renal, orienta sobre atividade física adaptada e articula o encaminhamento ao fisioterapeuta da rede, mantendo-se como responsável pelo cuidado global. Além disso, o médico leva em conta que o paciente mora sozinho e tem baixa renda, adaptando as orientações à sua realidade. Essa última conduta, de considerar o contexto familiar e social do paciente na tomada de decisão clínica, exemplifica um atributo:
- AEssencial, correspondente à coordenação do cuidado
- BDerivado, correspondente ao enfoque comunitário
- CEssencial, correspondente à integralidade
- DDerivado, correspondente à orientação familiar
Ver resposta
Starfield classifica os atributos da APS em essenciais (acesso de primeiro contato, longitudinalidade, integralidade e coordenação) e derivados (orientação familiar, orientação comunitária e competência cultural). A orientação familiar consiste em considerar o contexto e a dinâmica familiar do paciente ao tomar decisões clínicas, reconhecendo que os problemas de saúde individuais estão inseridos em um contexto social e familiar mais amplo. No caso descrito, avaliar a condição de morar sozinho e a baixa renda para adaptar as orientações terapêuticas é um exemplo clássico desse atributo derivado.
- A. A coordenação do cuidado é essencial e trata da articulação entre pontos de atenção, não da avaliação do contexto social do paciente.
- B. O enfoque comunitário é atributo derivado, mas se refere ao conhecimento das necessidades de saúde da comunidade, não do núcleo familiar individual.
- C. A integralidade é atributo essencial e se refere à oferta de serviços conforme as necessidades, não à análise do contexto familiar.
Uma nova equipe de Saúde da Família está sendo implantada em um bairro periférico de um município de médio porte. Antes de iniciar as consultas clínicas regulares, a enfermeira e os agentes comunitários de saúde (ACS) planejam realizar o reconhecimento da área de abrangência, incluindo o levantamento de famílias, condições de moradia, saneamento básico e principais problemas de saúde da comunidade. Qual é a conduta mais adequada para essa etapa inicial de organização do trabalho da equipe?
- AEncaminhar todos os moradores do bairro para avaliação inicial em mutirão na UPA de referência
- BAguardar a demanda espontânea na UBS para identificar progressivamente as famílias do território
- CRealizar o diagnóstico situacional e o cadastramento das famílias por meio de visitas domiciliares em todo o território adscrito
- DSolicitar à Secretaria Municipal de Saúde o envio de dados do Censo do IBGE para delimitar o território sem visitas domiciliares
Ver resposta
O território adscrito é a base organizativa da Estratégia Saúde da Família, e sua delimitação exige o reconhecimento ativo da área por meio do diagnóstico situacional e do cadastramento territorial, realizado principalmente pelos ACS com apoio da equipe, por meio de visitas domiciliares sistemáticas. Esse processo permite identificar famílias, vulnerabilidades, condições sanitárias e necessidades de saúde, servindo de base para o planejamento das ações programáticas e para a vinculação longitudinal da população ao serviço. A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e os Cadernos de Atenção Básica reforçam esse cadastramento como etapa fundamental e contínua do trabalho da ESF.
- A. Encaminhar toda a população para avaliação hospitalar é inadequado e contraria a lógica da atenção primária como ordenadora do cuidado.
- B. A demanda espontânea não garante a cobertura de toda a população adscrita, deixando famílias vulneráveis sem identificação e acompanhamento.
- D. Dados secundários do IBGE são complementares, mas não substituem o cadastramento individualizado e atualizado feito por visita domiciliar.
Durante uma reunião de equipe em uma UBS que segue o modelo de Estratégia Saúde da Família, discute-se a composição mínima obrigatória da equipe para que ela seja considerada uma eSF segundo a Política Nacional de Atenção Básica vigente. Qual das opções a seguir corresponde corretamente a essa composição mínima?
- AMédico, enfermeiro, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde
- BMédico generalista, pediatra, ginecologista e enfermeiro, conforme modelo tradicional
- CMédico, enfermeiro, dentista e auxiliar de saúde bucal, obrigatoriamente
- DMédico, enfermeiro, nutricionista e assistente social, com apoio dos ACS
Ver resposta
A composição mínima de uma equipe de Saúde da Família, segundo a PNAB, inclui médico (preferencialmente especialista em Medicina de Família e Comunidade ou generalista), enfermeiro, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde, podendo ainda incorporar profissionais de saúde bucal como equipe ampliada, mas não obrigatória em todas as eSF. Os ACS têm atribuições específicas, como cadastramento das famílias, visitas domiciliares regulares, orientação sobre prevenção de doenças e promoção da saúde, e articulação entre a comunidade e a equipe. Essa composição básica garante a cobertura populacional definida por território adscrito e permite a organização do cuidado longitudinal.
- B. O modelo tradicional com especialistas focais não corresponde à lógica da Saúde da Família, baseada no médico generalista.
- C. A equipe de saúde bucal é um componente que pode ser incorporado à eSF, mas não é obrigatório para a composição mínima.
- D. Nutricionista e assistente social são profissionais do NASF-AB, de apoio matricial, não compondo a eSF mínima.
Um homem de 45 anos chega à UBS referindo dor torácica retroesternal de início há 40 minutos, em aperto, irradiando para o braço esquerdo, associada a sudorese e náusea. Ao exame: pressão arterial de 150 x 95 mmHg, frequência cardíaca de 98 bpm, frequência respiratória de 20 irpm e saturação de oxigênio de 95%. A UBS não possui eletrocardiógrafo disponível no momento. Qual é a conduta mais adequada?
- AAdministrar ácido acetilsalicílico via oral e encaminhar com transporte adequado para a UPA ou hospital de referência mais próximo com suporte cardiológico
- BPrescrever analgésico oral e orientar repouso domiciliar, com retorno em caso de piora dos sintomas
- CSolicitar transporte para unidade de atenção primária de outro território que disponha de eletrocardiógrafo
- DAgendar retorno em 24 horas para reavaliação clínica e solicitar eletrocardiograma ambulatorial de rotina
Ver resposta
Quadro de dor torácica com características anginosas, sudorese e irradiação para o membro superior esquerdo configura suspeita de síndrome coronariana aguda, uma emergência que exige estabilização imediata e encaminhamento urgente para unidade com capacidade de realizar eletrocardiograma, monitorização e, se necessário, terapia de reperfusão. A UBS, não dispondo de recursos diagnósticos e terapêuticos para esse quadro, deve administrar ácido acetilsalicílico (na ausência de contraindicações) e organizar transporte seguro e rápido para a UPA ou hospital de referência, conforme o fluxo de referência da Rede de Atenção às Urgências. Retardar o atendimento ou manter o paciente na atenção básica aumenta o risco de complicações graves, como arritmias fatais e choque cardiogênico.
- B. Tratar apenas com analgesia e repouso domiciliar ignora a gravidade do quadro e o risco iminente de morte.
- C. Buscar outra unidade de atenção primária apenas pelo eletrocardiógrafo retarda o atendimento definitivo e não oferece suporte para emergências cardiovasculares.
- D. Adiar a avaliação para 24 horas é inadequado e perigoso diante de uma possível síndrome coronariana aguda em curso.
Em uma UBS, uma equipe de Saúde da Família acompanha uma mulher de 29 anos com transtorno depressivo moderado, em uso de sertralina, que não apresenta melhora significativa após seis semanas de tratamento. O médico de família, com dificuldade em ajustar a conduta, solicita discussão do caso com o psiquiatra vinculado ao Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF-AB) da região. Essa interação, na qual o especialista discute o caso e orienta a conduta sem necessariamente assumir o acompanhamento direto da paciente, caracteriza:
- AReferência formal para atendimento especializado em ambulatório de psiquiatria
- BApoio matricial, com corresponsabilização entre a equipe de referência e o especialista
- CInternação compulsória em unidade de saúde mental especializada
- DTransferência de responsabilidade clínica integral para o NASF-AB
Ver resposta
O apoio matricial é a metodologia de trabalho do NASF-AB caracterizada pela construção compartilhada de diagnósticos e condutas entre a equipe de referência (eSF) e os profissionais especialistas, mantendo a corresponsabilização pelo cuidado, sem que o caso seja necessariamente encaminhado ou transferido para o especialista. Esse modelo amplia a capacidade de resolução da atenção primária, evita encaminhamentos desnecessários e fortalece a longitudinalidade do cuidado, já que a equipe de família permanece como referência principal da paciente. A discussão de caso é uma das ferramentas típicas desse apoio, junto com atendimento compartilhado e interconsulta.
- A. A referência formal implicaria encaminhamento direto da paciente ao especialista, assumindo este o seguimento, o que não ocorre no apoio matricial.
- C. Não há indicação de internação compulsória nesse caso, que trata de depressão moderada sem risco iminente descrito.
- D. No apoio matricial a equipe de referência mantém a responsabilidade pelo cuidado, não havendo transferência integral ao NASF-AB.
Vigilância epidemiológica e doenças de notificação compulsória
6 questõesUm médico de uma Unidade Básica de Saúde atende uma criança de 4 anos com febre de 38,9°C, exantema maculopapular generalizado, tosse, coriza e conjuntivite há 2 dias. A mãe relata que a criança não possui comprovante de vacinação e que frequentou uma creche com outros casos semelhantes na última semana. Diante da suspeita diagnóstica, qual é a próxima conduta em relação à notificação desse caso?
- AAguardar a confirmação laboratorial por sorologia antes de realizar qualquer notificação
- BRegistrar apenas no prontuário e notificar somente se houver óbito associado ao caso
- CNotificar o caso em até 7 dias, preenchendo a ficha de notificação semanal padrão
- DNotificar o caso à vigilância epidemiológica em até 24 horas, por se tratar de doença de notificação compulsória imediata
Ver resposta
O quadro clínico é compatível com sarampo (febre alta, exantema morbiliforme, tosse, coriza, conjuntivite), doença incluída na lista de notificação compulsória imediata (até 24 horas) pelo risco de surto e necessidade de resposta rápida da vigilância epidemiológica. A notificação não deve esperar confirmação laboratorial, pois a suspeita clínica já é suficiente para desencadear as medidas de controle. Doenças como hepatites virais e tuberculose, por exemplo, são de notificação semanal, pois não exigem resposta tão urgente.
- A. A notificação compulsória deve ser feita a partir da suspeita clínica, sem aguardar confirmação laboratorial.
- B. A notificação é obrigatória diante da suspeita clínica, independentemente da evolução para óbito.
- C. A notificação semanal é destinada a doenças sem a mesma urgência epidemiológica, o que não se aplica ao sarampo.
Uma mulher de 28 anos, sem comprovante vacinal, procura a UPA com febre de 39°C, exantema maculopapular craniocaudal há 1 dia, tosse seca, coriza e manchas branco-azuladas na mucosa oral. Ela trabalha como atendente em uma creche e reside com o marido e dois filhos pequenos, nenhum vacinado contra sarampo. Após confirmar a suspeita clínica, qual é a conduta mais adequada?
- AEncaminhar a paciente para isolamento hospitalar compulsório por tempo indeterminado até resolução completa do exantema
- BNotificar o caso em até 24 horas, orientar isolamento respiratório por 4 dias após o início do exantema e iniciar investigação dos contactantes
- CPrescrever vacina de sarampo, caxumba e rubéola (SCR) imediatamente para a paciente como parte do tratamento da doença aguda
- DSolicitar sorologia para confirmação diagnóstica antes de notificar e liberar a paciente sem restrições enquanto aguarda o resultado
Ver resposta
Diante de caso suspeito de sarampo, a notificação compulsória imediata (até 24 horas) é obrigatória, independentemente da confirmação laboratorial. O isolamento respiratório deve ser mantido por 4 dias após o início do exantema (período de maior transmissibilidade), e deve-se iniciar a busca ativa de contactantes, especialmente os não vacinados, para avaliação de profilaxia (vacinação ou imunoglobulina, conforme o caso) e vigilância de novos casos. A paciente, por frequentar ambiente com crianças pequenas, representa risco de disseminação, reforçando a urgência da investigação.
- A. O isolamento domiciliar é suficiente na maioria dos casos; a hospitalização compulsória por tempo indeterminado não é indicada nem prevista em protocolo.
- C. A vacina SCR é contraindicada durante a doença aguda e não tem efeito terapêutico sobre a infecção já instalada.
- D. A notificação não deve esperar resultado sorológico, e a liberação sem orientação de isolamento favorece a transmissão.
A equipe de vigilância epidemiológica de um município é notificada sobre 12 casos de gastroenterite aguda em moradores de um mesmo bairro, todos com início dos sintomas nas últimas 48 horas após participarem de uma festa comunitária. Já foram coletados os dados clínicos iniciais e confirmado que se trata de um agrupamento anormal de casos. Qual deve ser o próximo passo na condução dessa investigação?
- AEstabelecer uma definição de caso e realizar busca ativa de casos adicionais na comunidade
- BNotificar o surto ao Ministério da Saúde e aguardar instruções antes de qualquer ação local
- CIniciar tratamento empírico com antibioticoterapia para todos os moradores do bairro, sintomáticos ou não
- DConstruir imediatamente a curva epidêmica final e encerrar a investigação
Ver resposta
Após a confirmação da existência de um surto, a etapa seguinte da investigação epidemiológica é estabelecer uma definição de caso (critérios clínicos, laboratoriais e temporais) e realizar busca ativa de casos adicionais, permitindo identificar a real magnitude do evento. Somente com os dados de todos os casos identificados é possível construir a curva epidêmica, que ajuda a definir o tipo de exposição (fonte comum, propagada, etc.) e orientar as medidas de controle. Notificar é importante, mas não substitui a condução ativa da investigação local pela equipe de vigilância.
- B. A equipe local deve conduzir ativamente a investigação, não apenas notificar e aguardar instruções externas.
- C. O tratamento empírico em massa de assintomáticos não é uma medida de investigação epidemiológica nem está indicado rotineiramente.
- D. A curva epidêmica só pode ser construída após a busca ativa e definição de todos os casos, não antes dela.
Em um município, uma equipe identifica aumento de casos de intoxicação alimentar associados a um restaurante local, deflagrando investigação para identificar a fonte de contaminação e os casos secundários na comunidade. Paralelamente, uma fiscalização é realizada no estabelecimento para verificar condições de higiene, validade dos alimentos e licença de funcionamento. Essa segunda ação de fiscalização corresponde a qual tipo de vigilância em saúde?
- AVigilância sanitária
- BVigilância epidemiológica
- CVigilância em saúde do trabalhador
- DVigilância ambiental
Ver resposta
A vigilância sanitária é responsável pelo controle de bens, serviços e ambientes de interesse à saúde, incluindo fiscalização de estabelecimentos comerciais, condições higiênico-sanitárias, validade de produtos e cumprimento de normas regulatórias, como no exemplo da fiscalização do restaurante. Já a vigilância epidemiológica, no mesmo cenário, seria responsável pela investigação dos casos, identificação da fonte de exposição e monitoramento da disseminação da doença na população. São áreas complementares, mas com objetos de atuação distintos dentro da vigilância em saúde.
- B. A vigilância epidemiológica trata da investigação dos casos e da dinâmica da doença na população, não da fiscalização direta do estabelecimento.
- C. A vigilância em saúde do trabalhador está voltada a agravos relacionados ao ambiente e processo de trabalho, não ao cenário descrito.
- D. A vigilância ambiental foca em fatores físicos, químicos e biológicos do meio ambiente que afetam a saúde, não na fiscalização de estabelecimentos comerciais.
Uma técnica de enfermagem de 26 anos sofre um acidente perfurocortante com agulha utilizada em paciente HIV positivo em uso irregular de antirretrovirais, durante coleta de sangue em uma UPA. O ferimento é superficial, com sangramento espontâneo mínimo. A profissional é atendida 1 hora após o acidente, estável, sem outras comorbidades. Qual é a conduta mais adequada nesse momento?
- ANotificar o acidente ao final do turno de trabalho e aguardar avaliação ambulatorial em até 7 dias para iniciar profilaxia, se indicada
- BNotificar o acidente de trabalho, iniciar profilaxia pós-exposição com antirretrovirais e solicitar sorologias basais da acidentada
- CApenas observar a evolução clínica da técnica de enfermagem, sem necessidade de notificação ou profilaxia medicamentosa
- DIniciar profilaxia pós-exposição apenas se a sorologia da acidentada for positiva no momento do atendimento inicial
Ver resposta
Acidentes com material biológico envolvendo fonte com sorologia conhecida para HIV são de notificação compulsória (SINAN, notificação de acidente de trabalho) e exigem avaliação de risco imediata. A profilaxia pós-exposição (PEP) com antirretrovirais deve ser iniciada idealmente nas primeiras 2 horas, e no máximo até 72 horas após o acidente, pois sua eficácia é tempo-dependente. Também devem ser coletadas sorologias basais da acidentada (HIV, hepatites B e C) para documentar o status pré-exposição e permitir acompanhamento adequado.
- A. O atraso na notificação e no início da profilaxia reduz significativamente sua eficácia, que depende de início precoce.
- C. A ausência de notificação e profilaxia expõe a profissional a risco evitável de infecção, contrariando o protocolo do Ministério da Saúde.
- D. A sorologia positiva da acidentada no momento inicial geralmente reflete infecção prévia, não a exposição atual; a profilaxia deve se basear no status da fonte e no tipo de exposição, não aguardar esse resultado.
Uma adolescente de 15 anos é atendida em uma UBS acompanhada da mãe, relatando que foi vítima de abuso sexual pelo padrasto há 3 dias. Após acolhimento e exame físico, constata-se necessidade de encaminhamento para serviço de referência para profilaxias e coleta de vestígios. A mãe solicita que o caso não seja registrado formalmente, por medo de retaliação do agressor. Qual é a conduta correta do médico em relação à notificação desse caso?
- ANotificar o caso compulsoriamente à vigilância epidemiológica e aos órgãos de proteção, independentemente da autorização da família
- BNotificar apenas se a adolescente, e não a mãe, autorizar expressamente o registro do caso
- CRespeitar o desejo da mãe e não notificar, registrando apenas no prontuário médico da adolescente
- DAdiar a notificação até que a família decida se deseja prosseguir com o registro policial do caso
Ver resposta
A notificação de violência doméstica e sexual é compulsória no Brasil, prevista em lei (Lei nº 10.778/2003 e Estatuto da Criança e do Adolescente), devendo ser realizada pelo profissional de saúde independentemente da autorização da vítima ou da família. O objetivo é garantir proteção à vítima, acionar a rede de proteção (Conselho Tutelar, quando menor de idade) e permitir o monitoramento epidemiológico da violência. A recusa da família não exime o profissional dessa obrigação legal.
- B. A notificação compulsória independe da autorização da vítima ou de seus responsáveis, sendo um dever legal do profissional de saúde.
- C. A notificação é obrigatória por lei e não pode ser omitida mesmo com a recusa da família, sob risco de responsabilização do profissional.
- D. A notificação deve ser feita no momento do atendimento, sem aguardar decisão familiar sobre registro policial, que é um processo distinto e não condicionante.
Puericultura e saúde da criança
6 questõesUma mãe leva seu filho de 8 meses à UBS para consulta de puericultura de rotina. Na Caderneta da Criança, o gráfico de peso por idade mostra que, aos 2 meses, o peso estava próximo ao escore-z 0 (mediana), e nas consultas subsequentes (4, 6 e 8 meses) o peso cruzou progressivamente as linhas de escore-z, estando atualmente abaixo do escore-z -2. A criança está em aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, com introdução alimentar adequada, e o exame físico não evidencia outras alterações além de leve hipotonia e diminuição do panículo adiposo. Qual é a interpretação mais adequada desse padrão de crescimento? Dados: peso atual 6,2 kg, estatura 66 cm.
- AA criança apresenta baixa estatura constitucional, sendo necessário apenas acompanhamento sem investigação adicional, pois o peso tende a se estabilizar espontaneamente
- BA criança apresenta desnutrição, evidenciada pela trajetória descendente progressiva do peso, exigindo investigação da causa e intervenção nutricional
- CA criança apresenta crescimento normal, pois o peso absoluto de 6,2 kg está dentro da faixa esperada para a idade
- DA criança apresenta variação normal da curva de crescimento, sem necessidade de investigação, pois alterações na velocidade de ganho de peso são esperadas no primeiro ano
Ver resposta
A interpretação da curva de crescimento não deve se basear apenas no valor pontual do peso, mas na trajetória ao longo do tempo. O cruzamento progressivo de percentis/escores-z para baixo, associado a sinais clínicos como diminuição do panículo adiposo e hipotonia, indica desnutrição em curso, mesmo que o peso absoluto pareça aceitável para alguns observadores menos atentos. Segundo o Ministério da Saúde, esse padrão de desaceleração do ganho ponderal exige investigação de causas (alimentares, infecciosas, socioeconômicas) e intervenção precoce, já que o diagnóstico de desnutrição baseia-se na tendência da curva, não em valores isolados.
- A. A hipótese de baixa estatura constitucional não se sustenta pela history descrita, que mostra claramente comprometimento ponderal progressivo associado a sinais clínicos de desnutrição.
- C. O peso absoluto isolado não é suficiente para avaliar o estado nutricional; a trajetória descendente na curva é o dado mais relevante e indica problema.
- D. O cruzamento progressivo de duas ou mais linhas de escore-z para baixo não é uma variação normal e requer investigação, não apenas observação.
Uma mãe leva seu filho de 4 meses à UBS para consulta de puericultura. A criança nasceu a termo, sem intercorrências, e já recebeu as doses de pentavalente e pneumocócica 10-valente recomendadas para os 2 e os 4 meses de idade, conforme o calendário do PNI. A mãe pergunta quando deverá retornar para completar o esquema básico dessas duas vacinas. Qual é a conduta correta quanto às próximas doses?
- AAplicar a terceira dose de pentavalente aos 6 meses e não é necessária dose adicional de pneumocócica 10-valente
- BAplicar apenas o reforço da pentavalente (DTP) aos 15 meses, pois o esquema primário já está completo com duas doses
- CAplicar a terceira dose de pentavalente e de pneumocócica 10-valente simultaneamente aos 9 meses
- DAplicar a terceira dose de pentavalente aos 6 meses e o reforço da pneumocócica 10-valente entre 12 e 15 meses
Ver resposta
O esquema básico da pentavalente (DTP/Hib/HB) no PNI é de três doses, aos 2, 4 e 6 meses, com reforços de DTP aos 15 meses e 4 anos. A pneumocócica 10-valente segue esquema de duas doses (2 e 4 meses) mais um reforço entre 12 e 15 meses de idade. Portanto, aos 6 meses a criança deve receber a terceira dose de pentavalente, e o reforço da pneumocócica ocorre posteriormente, entre 12 e 15 meses. Esse intervalo garante proteção adequada contra difteria, tétano, pertussis, Haemophilus influenzae tipo b, hepatite B e pneumococo.
- A. A pneumocócica 10-valente exige reforço entre 12 e 15 meses, não apenas duas doses no primeiro semestre.
- B. O esquema primário da pentavalente requer três doses (2, 4 e 6 meses), não duas.
- C. As doses e os intervalos descritos não correspondem ao calendário oficial do PNI para essas vacinas.
Um recém-nascido a termo, com peso adequado para a idade gestacional, nasceu em maternidade pública há 2 dias e terá alta hospitalar hoje. A equipe de enfermagem pergunta ao médico qual é o exame prioritário a ser agendado para a triagem neonatal biológica (teste do pezinho) e qual o momento ideal para a coleta, segundo o Ministério da Saúde. Qual a orientação correta?
- AColeta deve ser feita no momento do parto, utilizando sangue do cordão umbilical
- BColeta deve ser feita ainda nas primeiras 24 horas de vida, antes da alta hospitalar
- CColeta deve ser feita entre o 3º e o 5º dia de vida, idealmente após 48 horas de amamentação
- DColeta deve ser feita apenas após 30 dias de vida, para permitir maturação do metabolismo hepático
Ver resposta
A triagem neonatal biológica (teste do pezinho) deve ser realizada idealmente entre o 3º e o 5º dia de vida, pois esse período garante que o recém-nascido já tenha recebido alimentação proteica suficiente (amamentação por ao menos 48 horas), permitindo a dosagem confiável de fenilalanina para o diagnóstico de fenilcetonúria, além de outras doenças como hipotireoidismo congênito, fibrose cística, hemoglobinopatias e hiperplasia adrenal congênita. Coletas muito precoces podem gerar resultados falso-negativos, especialmente para erros do metabolismo de aminoácidos. A coleta tardia, após o primeiro mês, retarda o diagnóstico e o tratamento de doenças graves e evitáveis.
- A. Sangue de cordão umbilical não é o método padronizado pelo PNTN; a coleta é feita por punção do calcâneo do recém-nascido.
- B. A coleta muito precoce, antes de 48 horas de alimentação proteica, pode causar falso-negativo para fenilcetonúria.
- D. Atrasar a coleta para além de 30 dias retarda o diagnóstico de doenças graves que exigem tratamento precoce, como hipotireoidismo congênito.
Uma criança de 12 meses é levada à UBS para consulta de puericultura de rotina. Ao exame, observa-se que ela permanece sentada sem apoio, engatinha, fica em pé com apoio e consegue pinçar pequenos objetos entre o polegar e o indicador, mas ainda não caminha sem apoio e não emite palavras com significado, apenas balbucios. A mãe está preocupada. Qual a interpretação correta do desenvolvimento dessa criança?
- AAtraso no desenvolvimento motor grosseiro, pois toda criança de 12 meses deveria caminhar sem apoio
- BAtraso global do desenvolvimento, exigindo referência imediata para neurologista pediátrico
- CAtraso no desenvolvimento da linguagem, pois toda criança de 12 meses deveria falar frases completas
- DDesenvolvimento neuropsicomotor compatível com a idade, sem sinais de alerta
Ver resposta
Aos 12 meses, espera-se que a criança já engatinhe, sente sem apoio, fique em pé com apoio, utilize a pinça fina (polegar-indicador) e emita balbucios ou poucas palavras isoladas; a marcha independente e as primeiras palavras com significado costumam surgir entre 12 e 18 meses, podendo ser consideradas normais até essa faixa. Portanto, o quadro descrito está dentro da variação esperada para a idade, não configurando atraso. A Caderneta da Criança do Ministério da Saúde utiliza esses marcos para vigilância do desenvolvimento, sinalizando alerta apenas quando a criança não atinge os marcos até o limite superior da faixa etária esperada.
- A. A marcha independente pode surgir normalmente até os 18 meses; sua ausência aos 12 meses não configura atraso.
- B. Não há critério para atraso global do desenvolvimento nesse caso, pois os marcos motores e de linguagem descritos são adequados para a idade.
- C. A linguagem com frases completas é esperada muito além dos 12 meses; nessa idade, balbucios e poucas palavras são o esperado.
Uma criança de 2 anos é trazida à UBS para consulta de puericultura. Seu peso é 9,8 kg e sua estatura é 82 cm. Ao plotar os dados na Caderneta da Criança, o índice peso para idade encontra-se abaixo do escore-Z -3, e o índice estatura para idade está entre os escores-Z -2 e -3. Não há edema. Qual a classificação nutricional correta dessa criança segundo os critérios da caderneta?
- AMagreza acentuada, sem baixa estatura associada
- BSobrepeso, com estatura adequada para a idade
- CDesnutrição grave, com baixa estatura associada
- DEutrofia, dentro da variação normal esperada para a idade
Ver resposta
Segundo os critérios da Caderneta da Criança do Ministério da Saúde, peso para idade abaixo do escore-Z -3 corresponde a peso muito baixo para a idade, compatível com desnutrição grave, especialmente quando associado a déficit de estatura para idade (entre -2 e -3, caracterizando baixa estatura). A combinação de peso muito baixo com comprometimento da estatura sugere desnutrição crônica agravada, exigindo investigação de causas (alimentar, infecciosa, socioeconômica) e acompanhamento intensivo, podendo necessitar de referência a serviço especializado. A ausência de edema exclui a forma edematosa (kwashiorkor), mas não afasta a gravidade do quadro.
- A. O índice utilizado para classificar magreza é o IMC para idade ou peso para estatura, não o peso para idade isolado; além disso, há baixa estatura associada.
- B. Os valores descritos indicam déficit de peso e estatura, não excesso de peso.
- D. Escore-Z abaixo de -3 para peso e entre -2 e -3 para estatura não correspondem a eutrofia, mas sim a desnutrição grave.
Uma puérpera comparece à UBS para consulta de puericultura de seu filho de 5 meses, em aleitamento materno exclusivo. Ela relata que a avó da criança sugeriu iniciar chá de erva-doce e suco de frutas para ajudar na digestão, e pergunta ao médico se pode começar a oferecer outros alimentos antes dos 6 meses. Qual é a orientação correta, segundo o Ministério da Saúde?
- AManter aleitamento materno exclusivo até os 6 meses completos, sem oferecer água, chás, sucos ou outros alimentos
- BOferecer água entre as mamadas a partir dos 4 meses para evitar desidratação em dias quentes
- CIniciar chás e sucos de frutas a partir dos 4 meses, mantendo o leite materno como principal fonte nutricional
- DIntroduzir papa de frutas e cereais a partir dos 5 meses, desde que o leite materno seja mantido até os 2 anos
Ver resposta
O Ministério da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os 6 meses completos de vida, sem necessidade de oferecer água, chás, sucos ou qualquer outro alimento, pois o leite materno fornece todos os nutrientes e líquidos necessários nesse período. A introdução de alimentos complementares (papas de frutas, cereais, carnes, leguminosas) deve ocorrer a partir dos 6 meses, mantendo-se o aleitamento materno complementado idealmente até os 2 anos ou mais. A oferta precoce de chás, sucos ou água aumenta o risco de diarreia e desmame precoce, além de reduzir a oferta de leite materno.
- B. Água não deve ser oferecida antes dos 6 meses em vigência de aleitamento materno exclusivo, mesmo em climas quentes.
- C. Chás e sucos não devem ser introduzidos antes dos 6 meses, pois o aleitamento exclusivo já supre as necessidades hídricas e nutricionais da criança.
- D. A introdução de alimentos complementares deve começar a partir dos 6 meses completos, não aos 5 meses.
Saúde da mulher
5 questõesUma mulher de 28 anos, sexualmente ativa, comparece à UBS para consulta de rotina. Nunca realizou exame citopatológico cervical. Nega sintomas ginecológicos e não possui comorbidades. Deseja saber qual é a recomendação do Ministério da Saúde e do INCA para o rastreamento do câncer do colo do útero em seu caso. Qual é a conduta correta?
- AAguardar até os 30 anos para iniciar o rastreamento, pois antes dessa idade o exame não é recomendado
- BRealizar o primeiro exame citopatológico agora e, se normal, repetir anualmente pelo resto da vida
- CRealizar o exame citopatológico agora; se dois exames anuais consecutivos forem normais, repetir a cada 3 anos
- DRealizar o exame citopatológico apenas se houver relato de sangramento vaginal anormal ou dispareunia
Ver resposta
Segundo as diretrizes do INCA e do Ministério da Saúde, o rastreamento do câncer do colo do útero por citopatologia deve ser iniciado aos 25 anos em mulheres que já tiveram atividade sexual, com exames anuais; se dois exames consecutivos anuais forem normais, a periodicidade passa a ser trienal até os 64 anos. Essa estratégia reduz o número de exames desnecessários em mulheres com baixo risco, mantendo a sensibilidade para detecção precoce de lesões precursoras do câncer cervical, causado principalmente por infecção persistente pelo HPV oncogênico. Mulheres com mais de 64 anos sem exames prévios ou com exames alterados recentes também devem ser rastreadas até que dois exames consecutivos sejam negativos.
- A. O rastreamento deve ser iniciado aos 25 anos em mulheres sexualmente ativas, não aos 30 anos.
- B. A repetição anual por toda a vida não é a recomendação padrão após dois exames normais consecutivos; a periodicidade passa a ser trienal.
- D. O rastreamento citopatológico é recomendado de forma programática e periódica, independentemente da presença de sintomas.
Mulher de 34 anos comparece à UBS para receber resultado de citologia oncótica coletada há 15 dias, que evidenciou lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). Ela é assintomática, nega sangramento e o exame especular prévio não mostrou lesões visíveis ao colo. Qual a conduta mais adequada neste momento?
- ARealizar conização a frio imediatamente, independente de biópsia prévia
- BEncaminhar para colposcopia com biópsia dirigida das áreas suspeitas
- CRepetir a citologia oncótica em 6 meses para confirmar o achado
- DSolicitar captura híbrida para HPV antes de qualquer outra conduta
Ver resposta
Toda citologia com resultado de HSIL deve ser encaminhada para colposcopia, pois esse exame permite avaliar diretamente o colo uterino sob magnificação e identificar áreas suspeitas para biópsia dirigida, confirmando histologicamente o grau da lesão antes de qualquer tratamento excisional. Repetir a citologia retardaria o diagnóstico definitivo em uma lesão de alto risco para progressão. A conização sem confirmação histológica expõe a paciente a um procedimento invasivo desnecessário caso a biópsia não confirme lesão de alto grau. O protocolo do Ministério da Saúde (Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero) preconiza a colposcopia como próximo passo padrão nesses casos.
- A. Procedimento excisional sem confirmação histológica prévia é conduta precipitada e não recomendada.
- C. A repetição citológica não é indicada diante de HSIL, que exige investigação histológica imediata.
- D. A captura híbrida não altera a conduta, pois o diagnóstico já indica lesão de alto grau e exige avaliação colposcópica.
Gestante de 24 anos, primigesta, idade gestacional de 10 semanas, inicia pré-natal na UBS sem comorbidades ou fatores de risco. Segundo o calendário de pré-natal de baixo risco preconizado pelo Ministério da Saúde, qual é a periodicidade recomendada das consultas até o parto?
- AMensal durante toda a gestação, independentemente da idade gestacional
- BQuinzenal desde o início até 32 semanas e semanal a partir de então
- CMensal até 20 semanas e quinzenal do segundo trimestre até o parto
- DMensal até 28 semanas, quinzenal de 28 a 36 semanas e semanal de 36 semanas até o parto
Ver resposta
O Ministério da Saúde recomenda consultas mensais até 28 semanas, quinzenais entre 28 e 36 semanas e semanais a partir de 36 semanas até o parto, totalizando no mínimo seis consultas na gestação de baixo risco. Esse escalonamento permite monitorar com maior frequência o crescimento fetal, a pressão arterial e sinais de trabalho de parto prematuro conforme a gestação avança. O acompanhamento mais espaçado no início é suficiente, pois o risco de complicações agudas é menor nesse período. Esse calendário está descrito no Caderno de Atenção Básica nº 32 (Atenção ao Pré-natal de Baixo Risco).
- A. Consultas mensais durante toda a gestação não atendem à necessidade de vigilância mais próxima no terceiro trimestre.
- B. Esse intervalo não corresponde ao escalonamento oficial recomendado pelo Ministério da Saúde.
- C. Esse esquema não reflete a intensificação semanal recomendada a partir de 36 semanas.
Gestante de 28 semanas realiza VDRL de rotina na UBS, que resulta positivo com titulação 1:16, confirmado por teste treponêmico. Ela nega sintomas atuais e não há registro de tratamento prévio. O parceiro sexual está presente na consulta e aceita ser testado e tratado. Qual é a conduta terapêutica correta para o casal?
- ABenzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, em dose única, apenas para a gestante
- BDoxiciclina 100 mg, via oral, 2 vezes ao dia por 14 dias, para a gestante e para o parceiro
- CBenzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, em duas doses com intervalo de uma semana, para a gestante e para o parceiro
- DAzitromicina 2 g, via oral, em dose única, para a gestante e para o parceiro
Ver resposta
Sífilis gestacional classificada como provavelmente latente tardia (titulação alta sem data de infecção definida) deve ser tratada com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI IM, repetida em uma semana, totalizando duas doses, conforme o PCDT de Infecções Sexualmente Transmissíveis. O tratamento do parceiro é obrigatório para evitar reinfecção da gestante, e ele deve receber o mesmo esquema terapêutico indicado para a fase da doença. A penicilina benzatina é a única droga com eficácia comprovada para prevenir a sífilis congênita, sendo o único tratamento seguro na gestação. A doxiciclina é contraindicada na gravidez e a azitromicina não é esquema de primeira linha para sífilis no Brasil.
- A. O tratamento isolado da gestante sem tratar o parceiro permite reinfecção e não encerra a cadeia de transmissão.
- B. A doxiciclina é contraindicada durante a gestação por risco de toxicidade fetal.
- D. A azitromicina não é recomendada como tratamento padrão para sífilis pelo PCDT brasileiro.
Gestante de 26 anos, com idade gestacional de 26 semanas, sem diagnóstico prévio de diabetes, realiza teste oral de tolerância à glicose com sobrecarga de 75 g. Os valores obtidos foram: glicemia de jejum 88 mg/dL, 1 hora 185 mg/dL e 2 horas 145 mg/dL. Qual é a interpretação correta deste resultado?
- ADiagnóstico de diabetes mellitus pré-gestacional não diagnosticado previamente
- BDiagnóstico de diabetes mellitus gestacional, pelo valor alterado na primeira hora
- CNecessidade de repetir o teste em 4 semanas para confirmação diagnóstica
- DResultado normal, pois a glicemia de jejum e de 2 horas estão dentro da faixa esperada
Ver resposta
O diagnóstico de diabetes mellitus gestacional pelo TOTG 75 g é confirmado quando pelo menos um dos três valores está alterado: jejum ≥92 mg/dL, 1 hora ≥180 mg/dL ou 2 horas ≥153 mg/dL, segundo os critérios da IADPSG adotados pelo Ministério da Saúde. Neste caso, o valor de 1 hora (185 mg/dL) excede o limite estabelecido, sendo suficiente isoladamente para o diagnóstico, independentemente dos valores de jejum e 2 horas estarem normais. Não há necessidade de repetição do teste quando um critério já está preenchido. O diagnóstico de diabetes pré-gestacional exigiria valores de jejum ≥126 mg/dL ou glicemia aleatória ≥200 mg/dL com sintomas, o que não é o caso.
- A. Os valores não atingem o critério para diabetes pré-gestacional, que exige jejum ≥126 mg/dL.
- C. Não há indicação de repetição quando um dos três critérios diagnósticos já está presente.
- D. O valor de 1 hora já está alterado e é suficiente para o diagnóstico, tornando o resultado não normal.
Doenças crônicas não transmissíveis na APS
6 questõesHomem de 50 anos comparece à UBS para consulta de rotina. Na aferição em consultório, a pressão arterial é 148/94 mmHg. Ele é orientado a realizar monitorização residencial da pressão arterial (MRPA), que demonstra média de 142/90 mmHg ao longo de 5 dias. Não há lesão de órgão-alvo identificada. Segundo a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, qual é a interpretação correta deste caso?
- ANecessidade obrigatória de MAPA de 24 horas antes de qualquer conclusão diagnóstica
- BDiagnóstico confirmado de hipertensão arterial sistêmica, pela MRPA alterada
- CPressão arterial normal, pois o valor de consultório isolado não configura hipertensão
- DHipertensão do avental branco, devendo-se descartar o diagnóstico de HAS
Ver resposta
A 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial estabelece que o diagnóstico de HAS pode ser confirmado pela combinação de pressão arterial de consultório elevada (≥140/90 mmHg) associada a medidas fora do consultório também alteradas, sendo o limiar diagnóstico para MRPA de 135/85 mmHg. Neste caso, tanto a aferição em consultório quanto a MRPA confirmam valores acima dos limiares diagnósticos, estabelecendo o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica sustentada. A hipertensão do avental branco seria caracterizada por pressão elevada apenas no consultório, com medidas ambulatoriais normais, o que não ocorre aqui. A MAPA é uma alternativa à MRPA para confirmação diagnóstica, mas não é obrigatória quando a MRPA já confirma o diagnóstico.
- A. A MRPA já é suficiente para confirmar o diagnóstico, não sendo obrigatória a realização de MAPA neste caso.
- C. O valor de consultório isolado de 148/94 mmHg já está acima do limiar diagnóstico de 140/90 mmHg.
- D. Os valores de consultório e de MRPA estão concordantemente elevados, não caracterizando efeito do avental branco.
Gestante de 28 anos, com 24 semanas de gestação, comparece à UBS para pré-natal. Pressão arterial de 148/96 mmHg confirmada em duas aferições. Nega cefaleia, escotomas ou dor epigástrica. Exame obstétrico sem alterações, altura uterina compatível com idade gestacional. Proteinúria de fita negativa. É iniciado tratamento farmacológico para hipertensão. Qual das opções a seguir é a droga mais apropriada para controle pressórico nesse caso?
- ACaptopril
- BLosartana
- CMetildopa
- DAtenolol
Ver resposta
A metildopa é o anti-hipertensivo de escolha para tratamento de hipertensão crônica na gestação por seu perfil de segurança estabelecido e longo histórico de uso sem associação com malformações fetais. Atua como agonista alfa-2 central, reduzindo o tônus simpático. Os bloqueadores do sistema renina-angiotensina (IECA e BRA) são contraindicados na gestação por risco de disgenesia renal fetal, oligodrâmnio e insuficiência renal neonatal. Betabloqueadores como o atenolol estão associados a restrição de crescimento fetal, sendo evitados especialmente no início da gestação.
- A. Contraindicado na gestação pelo mesmo mecanismo de toxicidade renal fetal dos BRA.
- B. Contraindicada na gestação por risco de nefrotoxicidade fetal e oligodrâmnio.
- D. Associado a restrição de crescimento intrauterino, sendo evitado como primeira linha na gestação.
Homem de 52 anos, assintomático, comparece à UBS para consulta de rotina. IMC de 29 kg/m². Nega poliúria, polidipsia ou perda de peso. Exames laboratoriais em jejum de 8 horas: glicemia de jejum de 130 mg/dL. Uma semana depois, repete o exame em novo jejum: glicemia de jejum de 128 mg/dL. Qual é o diagnóstico mais adequado para esse paciente?
- ADiabetes mellitus
- BIntolerância à glicose isolada
- CPré-diabetes
- DSíndrome metabólica
Ver resposta
Segundo os critérios da Sociedade Brasileira de Diabetes, o diagnóstico de diabetes mellitus é confirmado por duas glicemias de jejum iguais ou superiores a 126 mg/dL, obtidas em dias diferentes, na ausência de hiperglicemia inequívoca com descompensação metabólica aguda. Nesse caso, ambas as glicemias de jejum estão acima do limiar diagnóstico, satisfazendo o critério de confirmação em paciente assintomático. Não é necessário TOTG ou HbA1c adicional quando dois valores de jejum já preenchem o critério diagnóstico.
- B. Esse termo refere-se a alteração do TOTG (140-199 mg/dL em 2 horas), não avaliado neste caso e com glicemias de jejum já diagnósticas.
- C. Pré-diabetes corresponde a glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL, valor inferior ao encontrado.
- D. Síndrome metabólica exige a combinação de múltiplos critérios (obesidade abdominal, dislipidemia, hipertensão, glicemia alterada), não avaliados integralmente no caso.
Mulher de 48 anos é diagnosticada com diabetes mellitus tipo 2 na UBS, com HbA1c de 7,8%. Apresenta função renal normal (taxa de filtração glomerular estimada de 95 mL/min/1,73m²), sem comorbidades cardiovasculares ou renais estabelecidas. Orientações sobre dieta e atividade física já foram fornecidas. Qual é a conduta farmacológica inicial mais apropriada?
- APioglitazona
- BMetformina
- CInsulina NPH
- DGlibenclamida
Ver resposta
A metformina é o fármaco de primeira linha para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 na Atenção Básica, recomendada pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Diabetes para a maioria dos pacientes ao diagnóstico. Atua reduzindo a produção hepática de glicose e melhorando a sensibilidade periférica à insulina, com baixo risco de hipoglicemia e benefício sobre peso corporal. É contraindicada apenas em casos de disfunção renal significativa (TFG abaixo de 30 mL/min/1,73m²) ou condições hipóxicas graves, o que não se aplica a esta paciente.
- A. Pioglitazona não é fármaco de primeira linha na Atenção Básica, sendo usada em casos selecionados por especialista.
- C. Insulina é reservada para falha de tratamento oral, descompensação aguda grave ou contraindicações à terapia oral.
- D. Sulfonilureias são reservadas para associação ou intolerância à metformina, com maior risco de hipoglicemia e ganho de peso.
Homem de 60 anos, diabético tipo 2 há 8 anos, em acompanhamento na UBS, comparece para consulta de rotina. Faz uso regular de metformina, com bom controle glicêmico. Nunca realizou avaliação oftalmológica desde o diagnóstico. Nega alterações visuais. Qual exame deve ser solicitado neste momento para rastreamento de complicação crônica ocular do diabetes?
- AFundoscopia (exame de fundo de olho)
- BTonometria ocular
- CTeste de acuidade visual com tabela de Snellen
- DCampimetria visual computadorizada
Ver resposta
O rastreamento de retinopatia diabética deve ser realizado por meio de exame de fundo de olho (fundoscopia, com ou sem midríase, ou retinografia), anualmente a partir do diagnóstico no DM2, independentemente de sintomas visuais. A retinopatia diabética é frequentemente assintomática em fases iniciais e tratável quando detectada precocemente, justificando o rastreamento sistemático. A tonometria é voltada ao rastreamento de glaucoma, não sendo o exame específico para avaliação da retinopatia diabética.
- B. A tonometria avalia pressão intraocular, útil para glaucoma, não para retinopatia diabética.
- C. A acuidade visual pode estar preservada mesmo com retinopatia diabética significativa, não sendo exame de rastreamento adequado.
- D. A campimetria avalia campo visual, usada principalmente em glaucoma e doenças neuro-oftalmológicas, não sendo o exame de rastreio padrão para retinopatia diabética.
Mulher de 58 anos, hipertensa, está em uso de enalapril há 2 meses, com boa resposta pressórica. Retorna à UBS queixando-se de tosse seca persistente, sem febre, sem secreção e sem alterações à auscultação pulmonar. Radiografia de tórax normal. A tosse iniciou-se cerca de três semanas após o início do medicamento e não melhorou com uso de antitussígeno. Qual é a conduta mais apropriada?
- AAssociar corticoide inalatório para controle da tosse
- BSuspender o enalapril e substituir por losartana
- CAssociar broncodilatador inalatório ao esquema atual
- DReduzir a dose do enalapril e reavaliar em 30 dias
Ver resposta
A tosse seca persistente é um efeito adverso característico dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), decorrente do acúmulo de bradicinina nas vias aéreas, ocorrendo em cerca de 10 a 20% dos usuários. A conduta recomendada é a suspensão do IECA com substituição por um bloqueador do receptor de angiotensina II (BRA), classe que mantém eficácia anti-hipertensiva semelhante sem o efeito bradicinérgico sobre a tosse. Redução de dose geralmente não resolve o sintoma, pois o mecanismo não é dose-dependente de forma consistente.
- A. Corticoide inalatório não trata a causa da tosse, que é farmacológica e não inflamatória das vias aéreas.
- C. Broncodilatadores não têm papel na tosse por acúmulo de bradicinina, que não envolve broncoespasmo.
- D. A redução de dose raramente resolve a tosse por IECA, que tende a persistir enquanto a droga for mantida.
Saúde do idoso e cuidados paliativos
6 questõesIdoso de 78 anos é levado pela filha à UBS para avaliação geriátrica de rotina. A filha relata que o pai consegue se alimentar, vestir-se e ir ao banheiro sozinho, mas não consegue mais administrar seu próprio dinheiro, usar o telefone de forma independente nem preparar suas refeições, necessitando de supervisão constante para essas tarefas. Qual instrumento é mais adequado para avaliar especificamente essas limitações relatadas?
- AMini Exame do Estado Mental
- BEscala de Lawton (atividades instrumentais de vida diária)
- CEscala de Katz (atividades básicas de vida diária)
- DEscala de depressão geriátrica de Yesavage
Ver resposta
A escala de Lawton avalia as atividades instrumentais de vida diária (AIVD), como uso do telefone, manejo de finanças, preparo de refeições, uso de transporte e administração de medicações, sendo o instrumento apropriado para as limitações descritas no caso. A escala de Katz, em contraste, avalia atividades básicas de vida diária (banho, vestir-se, higiene, transferência, continência, alimentação), que neste paciente estão preservadas. A diferenciação entre essas escalas é fundamental na avaliação multidimensional do idoso para direcionar o plano de cuidado e o grau de dependência.
- A. O Mini Exame do Estado Mental avalia função cognitiva global, não sendo instrumento específico para capacidade funcional em atividades instrumentais.
- C. A escala de Katz avalia atividades básicas (banho, vestir-se, alimentação), que estão preservadas neste paciente; não capta as limitações instrumentais relatadas.
- D. A escala de Yesavage rastreia sintomas depressivos, não avaliando capacidade funcional para atividades da vida diária.
Mulher de 78 anos, independente para as atividades de vida diária, comparece à UBS para consulta de rotina. Relata ter perdido 5 kg nos últimos 12 meses sem fazer dieta e queixa-se de cansaço frequente ao realizar tarefas domésticas. Ao exame: velocidade de marcha de 4 metros em 6,2 segundos e força de preensão palmar reduzida para sua idade e sexo. Nega quedas no último ano. Diante do fenótipo apresentado, qual é o diagnóstico mais provável?
- ASíndrome da fragilidade
- BTranstorno depressivo maior
- CHipotireoidismo subclínico
- DCaquexia neoplásica
Ver resposta
A síndrome da fragilidade é definida pelo fenótipo de Fried, que inclui perda de peso não intencional (≥4,5 kg ou ≥5% do peso corporal no último ano), fadiga/exaustão autorreferida, redução da força de preensão palmar, lentidão da marcha e baixo nível de atividade física. A presença de três ou mais critérios caracteriza fragilidade; a paciente apresenta perda de peso, fadiga, marcha lentificada e preensão reduzida, totalizando quatro critérios. O rastreamento precoce é importante porque a fragilidade aumenta o risco de quedas, hospitalização, dependência funcional e mortalidade, sendo potencialmente reversível com intervenção multidimensional (exercício resistido, suporte nutricional e revisão medicamentosa).
- B. A depressão pode causar perda de peso e fadiga, mas não explica a lentidão de marcha e a redução objetiva de força muscular características do fenótipo avaliado.
- C. O hipotireoidismo subclínico tipicamente causa ganho de peso e lentificação, não perda ponderal com o padrão de fragilidade descrito.
- D. A caquexia neoplásica cursa com perda de peso mais acentuada e progressiva, geralmente acompanhada de outros sinais de doença sistêmica, não sendo o diagnóstico mais provável sem evidência de neoplasia.
Homem de 82 anos é levado pela filha à UBS após ter sofrido uma queda no banheiro de casa há duas semanas, sem fraturas. Faz uso regular de amitriptilina para insônia, glibenclamida e hidroclorotiazida. Mora sozinho em casa com tapetes soltos e iluminação precária no corredor. O exame neurológico e cardiovascular é normal, e o Timed Up and Go resultou em 14 segundos. Qual é a conduta mais adequada para reduzir o risco de novas quedas neste paciente?
- APrescrever vitamina D isoladamente em dose única anual de 300.000 UI
- BSolicitar tomografia de crânio para investigar causa neurológica da queda
- CRevisar e ajustar a prescrição medicamentosa e orientar adequação do ambiente domiciliar
- DIndicar uso de cadeira de rodas para evitar deambulação sem supervisão
Ver resposta
A prevenção de quedas em idosos exige abordagem multifatorial, pois os principais fatores de risco modificáveis são a polifarmácia (especialmente psicotrópicos como a amitriptilina, que causam sedação e hipotensão postural) e os riscos ambientais domiciliares (tapetes soltos, iluminação inadequada). O Ministério da Saúde, por meio do Caderno de Atenção Básica de Saúde da Pessoa Idosa, recomenda revisão periódica da farmacoterapia, buscando reduzir ou substituir medicações de risco, associada à orientação sobre adaptações no domicílio. Essa intervenção combinada tem maior evidência de redução de quedas do que medidas isoladas.
- A. A reposição de vitamina D isolada em megadose anual não é recomendada e, isoladamente, não substitui a abordagem multifatorial necessária para reduzir o risco de quedas.
- B. A tomografia de crânio não é indicada rotineiramente sem sinais neurológicos focais, alteração do nível de consciência ou trauma craniano significativo.
- D. A indicação de cadeira de rodas promove imobilismo e perda funcional, sendo contrária ao objetivo de manter a mobilidade segura do idoso.
Mulher de 84 anos, previamente lúcida e comunicativa segundo os familiares, é internada na enfermaria por pneumonia comunitária. No segundo dia de internação, apresenta flutuação do nível de consciência ao longo do dia, desatenção importante durante a entrevista e episódios de agitação psicomotora alternados com períodos de sonolência. A filha nega qualquer alteração cognitiva prévia. Exame físico revela temperatura de 38,4 °C e saturação de oxigênio de 91%. Qual é o diagnóstico mais provável?
- ATranstorno psicótico breve
- BDelirium
- CDepressão com sintomas psicóticos
- DDemência de início agudo
Ver resposta
O delirium caracteriza-se por início agudo, curso flutuante ao longo do dia, desatenção e alteração do nível de consciência, frequentemente desencadeado por um fator precipitante agudo, como infecção, hipoxemia ou distúrbio metabólico, conforme os critérios do CAM (Confusion Assessment Method). Nesta paciente, a pneumonia com hipoxemia e febre configura o gatilho orgânico típico. A ausência de declínio cognitivo prévio e a flutuação do quadro em curto período de tempo diferenciam o delirium da demência, que tem curso insidioso e progressivo, sem flutuação importante do nível de consciência.
- A. O transtorno psicótico breve não explica a flutuação do nível de consciência nem está associado a um quadro infeccioso agudo concomitante.
- C. A depressão com sintomas psicóticos não cursa tipicamente com desatenção flutuante e alteração do nível de consciência relacionada a um processo infeccioso agudo.
- D. A demência cursa com declínio cognitivo progressivo e insidioso ao longo de meses a anos, sem flutuação aguda do nível de consciência como descrito no caso.
Homem de 76 anos, em cuidados paliativos domiciliares por neoplasia pulmonar avançada, é acompanhado pela equipe de Atenção Domiciliar. Já faz uso regular de paracetamol 500 mg a cada 6 horas e ibuprofeno 400 mg a cada 8 horas, porém mantém dor torácica intensa, com escala numérica de dor de 8 em 10, que limita seu sono e apetite. Não há sinais de insuficiência respiratória. Segundo a escada analgésica da Organização Mundial da Saúde, qual é a conduta mais adequada para o controle da dor deste paciente?
- AAssociar um segundo anti-inflamatório não esteroidal de mecanismo diferente
- BAumentar a dose de ibuprofeno para o dobro da dose atual
- CIniciar codeína isoladamente, suspendendo os analgésicos já em uso
- DIntroduzir opioide forte, como morfina oral, associado a laxativo profilático
Ver resposta
Pela escada analgésica da OMS, dor intensa (geralmente ≥7/10 na escala numérica) que não responde a analgésicos não opioides e opioides fracos indica progressão direta para opioides fortes, como a morfina, mantendo-se os adjuvantes e não opioides conforme necessário. A constipação é um efeito adverso previsível e quase universal dos opioides, por isso a profilaxia com laxativo deve ser iniciada concomitantemente ao início do opioide, e não apenas após o aparecimento do sintoma. Essa é uma das poucas situações em que o manejo profilático de efeito adverso é mandatório desde a primeira prescrição.
- A. Associar dois anti-inflamatórios não esteroidais não aumenta a eficácia analgésica de forma relevante e potencializa os efeitos adversos, sendo prática não recomendada.
- B. Aumentar a dose de anti-inflamatório não esteroidal tem efeito analgésico limitado (efeito teto) e aumenta o risco de toxicidade gastrointestinal e renal sem controlar dor intensa.
- C. A codeína é um opioide fraco, indicado para dor moderada; nesta dor intensa e refratária, não é a opção mais adequada, e os não opioides não devem ser suspendidos ao se associar um opioide.
Mulher de 88 anos, acamada há 6 meses por sequela de acidente vascular encefálico, é acompanhada por médico de família em uma UBS. A família relata dificuldade para realizar o deslocamento até a unidade devido à imobilidade da paciente e à necessidade de uso de sonda nasoenteral para alimentação. A paciente está clinicamente estável, sem sinais de infecção ou necessidade de suporte hospitalar. Qual é a conduta mais adequada para garantir o acompanhamento contínuo desta paciente pela equipe de saúde?
- AIndicar transferência para instituição de longa permanência para idosos
- BEncaminhar para inclusão no Serviço de Atenção Domiciliar (Programa Melhor em Casa)
- COrientar internação hospitalar eletiva para estabilização clínica
- DSolicitar transporte sanitário semanal para consultas presenciais na UBS
Ver resposta
O Programa Melhor em Casa (Serviço de Atenção Domiciliar do SUS) é destinado a pacientes com restrição de mobilidade e necessidade de cuidados continuados, incluindo uso de dispositivos como sonda nasoenteral, que impossibilitam ou dificultam o deslocamento até a unidade de saúde, mas que não necessitam de suporte hospitalar. Os critérios de elegibilidade incluem estabilidade clínica, necessidade de cuidados que podem ser realizados no domicílio e existência de cuidador responsável. Esse modelo permite acompanhamento multiprofissional domiciliar, reduzindo internações hospitalares desnecessárias e mantendo a paciente em seu ambiente familiar.
- A. A institucionalização não é a primeira escolha quando há possibilidade de manutenção do cuidado no domicílio com suporte familiar e da equipe de atenção domiciliar.
- C. A internação hospitalar não é indicada, pois a paciente está clinicamente estável e não há necessidade de suporte hospitalar, apenas de cuidados domiciliares continuados.
- D. O transporte sanitário regular é inviável e inadequado para uma paciente acamada com sonda nasoenteral, sendo o atendimento domiciliar a opção mais apropriada.
Saúde mental na Atenção Básica
6 questõesMulher de 34 anos comparece à UBS relatando tristeza persistente, anedonia e dificuldade de concentração há 5 semanas, após perda de emprego. Refere alteração do sono e redução do apetite, mas mantém-se funcional, cuida dos filhos e nega ideação suicida. Pontuação no PHQ-9 é de 12 pontos. Não há histórico de episódios maníacos, psicose ou uso de substâncias. Qual é a conduta inicial mais adequada pela equipe da Atenção Básica?
- AIniciar apenas benzodiazepínico para controle sintomático até avaliação especializada
- BEncaminhar imediatamente ao CAPS para avaliação psiquiátrica especializada
- CIniciar manejo na própria UBS, com psicoterapia e/ou antidepressivo, e reavaliação em 2 a 4 semanas
- DSolicitar internação psiquiátrica para estabilização do quadro depressivo
Ver resposta
Episódios depressivos leves a moderados, sem sinais de gravidade (como risco de suicídio, sintomas psicóticos ou prejuízo funcional importante), podem e devem ser manejados na própria Atenção Básica, conforme preconizado pelos Cadernos de Atenção Básica em Saúde Mental e pela matriciação. As opções terapêuticas de primeira linha incluem psicoterapia (como terapia cognitivo-comportamental) e/ou antidepressivos (como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina), com reavaliação em 2 a 4 semanas para verificar resposta e ajustar a conduta. O encaminhamento a serviços especializados é reservado para casos refratários, graves ou com comorbidades complexas.
- A. Os benzodiazepínicos não tratam a depressão e seu uso isolado prolongado traz risco de dependência, não sendo a conduta inicial recomendada.
- B. O encaminhamento imediato ao CAPS não é necessário em quadro leve a moderado sem sinais de gravidade, sobrecarregando um serviço destinado a casos mais complexos.
- D. A internação psiquiátrica é reservada para quadros graves com risco iminente à vida ou incapacidade de autocuidado, o que não se aplica a esta paciente funcional.
Homem de 45 anos é atendido na UBS por queixa de insônia. Durante a consulta, o médico observa discurso de desesperança e questiona ativamente sobre ideação suicida. O paciente confirma que pensa em suicídio quase todos os dias na última semana, já pesquisou métodos e definiu um plano específico para executá-lo no final de semana, mas nega tentativas prévias. Nega uso de substâncias no momento. Qual é a conduta imediata mais adequada?
- AOrientar técnicas de higiene do sono e tranquilizar o paciente sobre a normalidade do quadro
- BNão permitir que o paciente saia sozinho da unidade e providenciar encaminhamento para avaliação psiquiátrica de urgência
- CSolicitar que o paciente retorne à UBS apenas se os pensamentos suicidas se intensificarem
- DPrescrever antidepressivo e agendar retorno em 7 dias para reavaliação
Ver resposta
A presença de ideação suicida ativa, com plano estruturado e método definido, caracteriza risco de suicídio elevado e iminente, exigindo intervenção imediata. A conduta correta é garantir a segurança do paciente, não permitindo que ele deixe a unidade sozinho, e providenciar avaliação psiquiátrica de urgência, idealmente em serviço de emergência ou CAPS com acolhimento prioritário, conforme recomendado pelo Ministério da Saúde para manejo do risco de suicídio. O acionamento da rede de apoio familiar e a remoção de acesso a meios letais também fazem parte da abordagem imediata.
- A. Minimizar o risco e apenas orientar sobre sono ignora um sinal de alarme grave e pode resultar em desfecho fatal evitável.
- C. Aguardar intensificação dos sintomas antes de agir é uma conduta perigosa diante de um plano suicida já estruturado, pois o risco de desfecho fatal é iminente.
- D. Agendar retorno em 7 dias é insuficiente diante de um plano suicida estruturado e iminente, que requer intervenção imediata e não pode esperar uma semana.
Homem de 29 anos, acompanhado há 2 anos na UBS por transtorno depressivo, é levado pela mãe após apresentar, na última semana, discurso desorganizado, crença fixa de que está sendo perseguido por vizinhos e isolamento social importante, com prejuízo significativo do autocuidado e das atividades diárias. Nega uso de substâncias psicoativas. Já houve tentativa de ajuste medicamentoso na UBS sem melhora do quadro psicótico. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
- ASolicitar apenas exames laboratoriais de rotina e reavaliação em 30 dias
- BEncaminhar o paciente ao CAPS para avaliação e acompanhamento especializado em saúde mental
- CManter acompanhamento exclusivo na UBS, apenas ajustando novamente a dose do antidepressivo
- DOrientar internação compulsória imediata em hospital psiquiátrico
Ver resposta
O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é o serviço especializado da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) indicado para pacientes com transtornos mentais graves e persistentes, como quadros psicóticos com prejuízo funcional importante, especialmente quando já houve tentativa de manejo na Atenção Básica sem resposta adequada. A referência da UBS ao CAPS deve ocorrer diante de sintomas psicóticos agudos, risco de desorganização importante do funcionamento psicossocial ou necessidade de cuidado intensivo multiprofissional, mantendo-se a lógica de cuidado compartilhado e corresponsável entre os níveis de atenção.
- A. Solicitar apenas exames de rotina e aguardar 30 dias retarda o cuidado necessário diante de um quadro psicótico agudo com prejuízo funcional importante.
- C. Manter o manejo exclusivo na UBS sem suporte especializado é inadequado diante de sintomas psicóticos novos e prejuízo funcional significativo, que extrapolam a complexidade usual da Atenção Básica.
- D. A internação compulsória não é indicada neste momento, pois não há relato de risco iminente à vida ou de terceiros que justifique essa medida extrema sem avaliação especializada prévia.
Um homem de 42 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Durante a anamnese, relata consumir bebida alcoólica socialmente, geralmente nos fins de semana. A médica de família deseja avaliar de forma estruturada o padrão de consumo de álcool do paciente, incluindo frequência, quantidade e consequências do uso, para decidir sobre a necessidade de intervenção breve. Qual instrumento deve ser aplicado para essa avaliação?
- ATeste de Fagerström para dependência de nicotina
- BEscala de Hamilton para depressão
- CAUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test)
- DCAGE
Ver resposta
O AUDIT é o instrumento recomendado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde para triagem do padrão de consumo de álcool na Atenção Básica. Composto por 10 questões, avalia frequência e quantidade do consumo, sinais de dependência e consequências nocivas, permitindo classificar o risco em zonas (I a IV) e orientar a conduta, desde apenas orientação até intervenção breve ou encaminhamento especializado. É validado para uso em UBS por qualquer membro da equipe, inclusive agentes comunitários de saúde treinados. Sua estrutura mais detalhada o torna superior ao CAGE para estratificação de risco e decisão terapêutica.
- A. O teste de Fagerström avalia dependência de nicotina, não de álcool.
- B. A escala de Hamilton avalia sintomas depressivos, não o padrão de consumo de álcool.
- D. O CAGE é um instrumento mais simples, com apenas 4 perguntas, útil para rastreio rápido mas menos detalhado para estratificar risco e orientar intervenção breve.
Uma mulher de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando, há mais de 6 meses, preocupação excessiva e difícil de controlar sobre diversos aspectos da vida (trabalho, família, finanças), acompanhada de tensão muscular, inquietação, fadiga e dificuldade de concentração quase diariamente. Nega ideação suicida. Exame físico e exames laboratoriais, incluindo TSH, são normais. Qual fármaco é considerado de primeira linha para o tratamento farmacológico dessa condição?
- ASertralina
- BAmitriptilina
- CDiazepam
- DHaloperidol
Ver resposta
O quadro descrito preenche critérios para transtorno de ansiedade generalizada (TAG): preocupação excessiva e incontrolável por mais de 6 meses associada a sintomas somáticos como tensão muscular, fadiga e dificuldade de concentração. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como a sertralina, são a primeira linha de tratamento farmacológico do TAG, por eficácia comprovada e melhor perfil de segurança e tolerabilidade em comparação a outras classes. Benzodiazepínicos podem ser usados por curto período para alívio inicial de sintomas agudos, mas não são indicados como tratamento de manutenção pelo risco de dependência. O tratamento deve ser mantido por pelo menos 6 a 12 meses após resposta clínica.
- B. A amitriptilina, antidepressivo tricíclico, não é primeira linha pelo perfil mais desfavorável de efeitos adversos anticolinérgicos e cardiovasculares.
- C. O diazepam pode ser usado para alívio sintomático de curto prazo, mas não como tratamento de manutenção pelo risco de dependência e tolerância.
- D. O haloperidol é antipsicótico, sem indicação para tratamento de TAG.
Uma enfermeira de 38 anos, atuante há 10 anos em uma Unidade de Pronto Atendimento, é discutida em reunião de apoio matricial pela equipe de saúde mental. A médica da UPA relata que a colega apresenta, há cerca de 4 meses, exaustão emocional intensa relacionada ao trabalho, sensação de despersonalização em relação aos pacientes (tratando-os de forma distante e cínica) e percepção de baixa realização profissional, sem apresentar esses sintomas fora do contexto laboral. Qual é a melhor caracterização conceitual desse quadro?
- ATranstorno de adaptação com humor ansioso
- BEpisódio depressivo maior
- CSíndrome de burnout, fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico no trabalho
- DTranstorno de estresse pós-traumático
Ver resposta
A síndrome de burnout é classificada pela Organização Mundial da Saúde (CID-11) como fenômeno ocupacional, não como transtorno mental isolado, caracterizada pela tríade exaustão emocional, despersonalização (ou cinismo) e baixa realização profissional, decorrente de estresse crônico no ambiente de trabalho mal gerenciado. Um ponto-chave diagnóstico é que os sintomas se restringem ao contexto ocupacional, diferenciando-a de transtornos mentais primários como depressão, que afetam múltiplas esferas da vida do indivíduo. O apoio matricial em saúde mental na Atenção Básica é ferramenta importante para identificação precoce e manejo desses casos entre trabalhadores da saúde, incluindo medidas organizacionais e, quando necessário, encaminhamento para avaliação especializada.
- A. O transtorno de adaptação decorre de um estressor identificável recente e não é a melhor caracterização da tríade sintomática apresentada.
- B. O episódio depressivo maior tipicamente compromete múltiplas áreas da vida, não restrito ao contexto laboral como no caso descrito.
- D. O transtorno de estresse pós-traumático requer exposição a evento traumático específico, não descrito no caso.
Doenças infecciosas prevalentes e imunização
5 questõesUm homem de 29 anos, sem comorbidades, procura a Unidade Básica de Saúde com tosse produtiva há 5 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg. A baciloscopia do escarro é positiva (++) para bacilo álcool-ácido resistente, e o paciente nunca recebeu tratamento prévio para tuberculose. Qual é o esquema terapêutico padrão a ser iniciado?
- ARifampicina e isoniazida por 6 meses, sem fase intensiva
- BEstreptomicina, isoniazida e etambutol por 12 meses
- CRifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol por 2 meses, seguidos de rifampicina e isoniazida por 4 meses
- DIsoniazida isolada por 6 meses
Ver resposta
O esquema básico recomendado pelo Ministério da Saúde para tuberculose pulmonar em adultos e adolescentes sem tratamento prévio é o esquema RHZE: rifampicina (R), isoniazida (H), pirazinamida (Z) e etambutol (E) na fase intensiva de 2 meses, seguida de rifampicina e isoniazida (RH) na fase de manutenção por 4 meses, totalizando 6 meses de tratamento. Esse esquema está disponível em comprimidos de dose fixa combinada, o que favorece a adesão. A baciloscopia positiva confirma o diagnóstico bacteriológico e indica início imediato do tratamento, com acompanhamento por baciloscopias mensais de controle.
- A. A fase intensiva com quatro fármacos é essencial para reduzir rapidamente a carga bacilar e prevenir resistência; omiti-la não é recomendado.
- B. A estreptomicina não faz parte do esquema básico atual e o esquema descrito não corresponde ao protocolo padronizado.
- D. A isoniazida isolada é usada para tratamento da infecção latente (quimioprofilaxia), não da tuberculose ativa.
Um homem de 50 anos apresenta, há 8 meses, seis lesões de pele hipoestésicas distribuídas em tronco e membros, além de espessamento do nervo ulnar direito palpável. A baciloscopia de raspado intradérmico é positiva. Após confirmação diagnóstica de hanseníase, qual é a classificação operacional e o esquema terapêutico indicado pelo Ministério da Saúde?
- APaucibacilar; poliquimioterapia com rifampicina e dapsona por 6 meses
- BMultibacilar; poliquimioterapia com rifampicina, dapsona e clofazimina por 12 meses
- CMultibacilar; dapsona isolada por 12 meses
- DPaucibacilar; rifampicina isolada por 6 meses
Ver resposta
A classificação operacional multibacilar é definida pela presença de mais de 5 lesões cutâneas e/ou baciloscopia positiva, como no caso descrito. O tratamento recomendado para a forma multibacilar é a poliquimioterapia (PQT-U) com três fármacos: rifampicina, dapsona e clofazimina, administrados em esquema mensal supervisionado e doses diárias autoadministradas, com duração total de 12 doses mensais (12 meses). O espessamento neural e as lesões hipoestésicas reforçam o comprometimento neurológico típico da hanseníase, exigindo também avaliação de grau de incapacidade física.
- A. A classificação paucibacilar aplica-se a até 5 lesões com baciloscopia negativa, o que não corresponde ao caso, que tem baciloscopia positiva e 6 lesões.
- C. A monoterapia com dapsona não é recomendada por risco de resistência bacteriana; o tratamento multibacilar exige três fármacos.
- D. A monoterapia com rifampicina não é recomendada e a classificação paucibacilar não se aplica a este caso.
Um homem de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando corrimento uretral purulento e disúria há 3 dias, após relação sexual desprotegida. Ao exame, observa-se secreção uretral purulenta espontânea, sem lesões genitais ou linfonodomegalia inguinal. Seguindo a abordagem sindrômica do Ministério da Saúde para essa síndrome, qual é a conduta terapêutica adequada?
- AMetronidazol 2 g, via oral, dose única
- BCeftriaxona 500 mg, via intramuscular, dose única, associada a azitromicina 1 g, via oral, dose única
- CBenzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI, via intramuscular, dose única
- DAciclovir 400 mg, via oral, três vezes ao dia, por 7 dias
Ver resposta
O quadro de corrimento uretral purulento é tratado, pela abordagem sindrômica do Ministério da Saúde, cobrindo empiricamente os dois principais agentes etiológicos: Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, frequentemente coinfectantes. O esquema recomendado é ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose única associada a azitromicina 1 g via oral em dose única, garantindo cobertura dupla sem necessidade de aguardar resultado de exames, o que permite tratamento imediato e interrupção da cadeia de transmissão. A abordagem sindrômica é uma estratégia de saúde pública que prioriza o tratamento no mesmo atendimento, reduzindo perda de seguimento.
- A. O metronidazol é indicado para tricomoníase, mais associada a corrimento vaginal, não ao quadro de uretrite purulenta.
- C. A benzilpenicilina benzatina é o tratamento de sífilis, não de uretrite gonocócica/clamidiana.
- D. O aciclovir é indicado para herpes genital, que se apresenta com lesões vesiculosas/ulceradas, não corrimento purulento.
Homem de 68 anos, hipertenso, comparece à UBS para consulta de rotina em maio. Nega vacinação nos últimos 12 meses, exceto dT há 3 anos, com esquema primário completo na infância. Mora em área sem risco para febre amarela. Qual conduta de imunização está indicada nesta consulta?
- APostergar a vacina influenza para o próximo ano, pois o paciente já recebeu dT há 3 anos
- BAplicar vacina influenza e antecipar reforço de dT para o momento atual, independentemente do intervalo
- CAplicar vacina febre amarela mesmo sem indicação de risco epidemiológico para a região
- DAplicar vacina influenza (dose anual) e manter reforço de dT a cada 10 anos
Ver resposta
A vacina influenza é recomendada anualmente para idosos (e demais grupos prioritários) durante a campanha nacional, independentemente de outras vacinas recebidas. A dT (dupla adulto) deve ser mantida com reforço a cada 10 anos quando o esquema primário está completo; como o paciente recebeu dT há apenas 3 anos, não há indicação de reforço antecipado. A febre amarela só é indicada rotineiramente para residentes ou viajantes de áreas com recomendação da vacina, o que não é o caso aqui. Esse racional segue o Calendário Nacional de Vacinação do adulto e do idoso do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
- A. A vacina influenza deve ser administrada na campanha anual corrente, não deve ser postergada por conta de outra vacina já realizada
- B. Não há indicação de reforço de dT antes de completados os 10 anos do último reforço, caso o esquema primário esteja completo
- C. A vacina febre amarela não deve ser indicada sem avaliação de risco epidemiológico da área de residência ou deslocamento
Mulher de 29 anos é atendida na UPA com febre há 4 dias, agora afebril, relatando dor abdominal intensa e vômitos persistentes nas últimas 6 horas. Exame físico: PA 108 x 70 mmHg, FC 96 bpm, sem sangramentos, abdome doloroso difusamente sem sinais de peritonite. Hematócrito atual 44% (basal não disponível), plaquetas 98.000/mm³. Qual é a conduta inicial mais adequada?
- ATransfusão profilática de concentrado de plaquetas antes de qualquer hidratação
- BHidratação oral vigorosa no domicílio com retorno agendado para reavaliação em 48 horas
- CInternação em leito de observação para hidratação venosa com solução cristaloide 10 mL/kg na primeira hora e reavaliação
- DAlta hospitalar com sintomáticos orais, já que a paciente está afebril e sem sangramento ativo
Ver resposta
A presença de dor abdominal intensa e vômitos persistentes caracteriza sinais de alarme (Grupo C da classificação de gravidade da dengue), exigindo internação para hidratação venosa imediata com cristaloide (10 mL/kg na primeira hora), com reavaliação clínica e laboratorial frequente conforme o Protocolo de Manejo Clínico do Ministério da Saúde. A queda de pressão arterial não é obrigatória para caracterizar sinais de alarme; dor abdominal e vômitos incoercíveis já indicam risco de evolução para choque. Pacientes do Grupo C não devem receber alta nem manejo apenas domiciliar. A transfusão de plaquetas não é indicada de rotina e depende de sangramento ativo significativo, não da contagem isolada.
- A. A transfusão de plaquetas não está indicada de forma profilática na dengue; a prioridade é a reposição volêmica
- B. Sinais de alarme contraindicam manejo domiciliar; a hidratação deve ser venosa e monitorizada em ambiente hospitalar
- D. A presença de sinais de alarme exige internação e observação, independentemente da ausência de febre ou sangramento
Saúde ambiental, do trabalhador e determinantes sociais
4 questõesTrabalhador de 42 anos, operador de máquina em indústria metalúrgica, é atendido na UBS com queixa de perda auditiva progressiva bilateral há 2 anos, associada a zumbido. Relata exposição a ruído intenso no ambiente de trabalho sem uso regular de protetor auricular fornecido pela empresa. Audiometria confirma perda neurossensorial bilateral compatível com exposição ocupacional a ruído. Qual é a conduta correta do médico da UBS neste caso?
- AOrientar o paciente a buscar diretamente o médico do trabalho da empresa, pois a UBS não pode emitir CAT
- BNão emitir CAT, pois a perda auditiva é processo degenerativo natural não relacionado à exposição ocupacional
- CEncaminhar apenas para o INSS sem notificação, já que a CAT é de emissão exclusiva do empregador
- DEmitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e notificar o caso como doença relacionada ao trabalho
Ver resposta
Qualquer médico, inclusive da rede SUS, pode e deve emitir a CAT quando identificar doença relacionada ao trabalho, não sendo essa emissão exclusiva do médico ou do setor de recursos humanos da empresa. A perda auditiva induzida por ruído ocupacional (PAIR) é uma doença relacionada ao trabalho de notificação compulsória, devendo ser notificada ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e encaminhada aos fluxos de vigilância em saúde do trabalhador. O nexo causal estabelecido pela história ocupacional e pelo exame audiométrico compatível justifica a emissão imediata da CAT pelo médico assistente. Esse procedimento garante ao trabalhador o acesso a benefícios previdenciários e medidas de proteção.
- A. A emissão da CAT não é exclusiva do médico do trabalho; qualquer médico pode emiti-la ao identificar nexo ocupacional
- B. A perda auditiva induzida por ruído tem nexo causal estabelecido com a exposição ocupacional, não sendo apenas processo degenerativo natural
- C. A CAT pode ser emitida pelo médico, pelo próprio trabalhador, por sindicato ou autoridade, não sendo exclusiva do empregador
Mulher de 50 anos, diabética tipo 2 em uso de metformina, retorna à UBS com HbA1c de 9,8%, relatando dificuldade de aderir à dieta recomendada. Durante a consulta, relata desemprego recente, insegurança alimentar no domicílio e moradia em área sem saneamento básico adequado. Qual conceito melhor fundamenta a abordagem terapêutica ampliada indicada para este caso?
- ATeoria da transição epidemiológica, que explica isoladamente o aumento de doenças crônicas na população
- BConceito de risco cardiovascular global, que orienta a decisão terapêutica independentemente do contexto social
- CDeterminantes sociais da saúde, que influenciam diretamente o controle glicêmico e devem orientar intervenções intersetoriais
- DModelo biomédico centrado exclusivamente no ajuste da dose de metformina conforme a HbA1c
Ver resposta
Os determinantes sociais da saúde, como condições de emprego, segurança alimentar e saneamento, impactam diretamente a capacidade do paciente de aderir ao tratamento e controlar a doença crônica. O modelo de atenção centrada na pessoa, preconizado pela Atenção Primária à Saúde no SUS, exige que o plano terapêutico incorpore essas dimensões, articulando ações intersetoriais (assistência social, geração de renda, segurança alimentar) além do manejo farmacológico. Ajustar apenas a medicação sem abordar os fatores sociais tende a perpetuar o mau controle glicêmico. Esse enfoque está alinhado às diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica e aos Cadernos de Atenção Básica sobre abordagem familiar e comunitária.
- A. A transição epidemiológica descreve padrões populacionais de morbimortalidade, mas não orienta diretamente a conduta individual no caso
- B. O risco cardiovascular global é relevante para decisões terapêuticas, mas não substitui a necessidade de abordar os determinantes sociais que limitam a adesão
- D. O ajuste farmacológico isolado ignora os fatores sociais que comprometem a adesão e o controle da doença
Trabalhador rural de 38 anos é levado à UPA por familiares após aplicar agrotóxico organofosforado sem equipamento de proteção individual há cerca de 2 horas. Apresenta sudorese intensa, sialorreia, miose bilateral, broncoespasmo e fasciculações musculares. PA 100 x 60 mmHg, FC 52 bpm, SatO2 91% em ar ambiente. Qual é a conduta medicamentosa inicial mais adequada, além de suporte ventilatório e descontaminação cutânea?
- AN-acetilcisteína intravenosa para proteção hepática contra o agrotóxico
- BNaloxona intravenosa em dose única para reversão da depressão respiratória
- CFlumazenil intravenoso para antagonizar a toxicidade colinérgica
- DAtropina intravenosa em doses tituladas até reversão dos sinais muscarínicos
Ver resposta
A intoxicação por organofosforados causa síndrome colinérgica por inibição da acetilcolinesterase, levando a sinais muscarínicos (sialorreia, miose, broncoespasmo, bradicardia) e nicotínicos (fasciculações). A atropina é o antídoto de escolha, administrada em doses tituladas e repetidas conforme resposta clínica (reversão de broncoespasmo e secreções), podendo ser necessárias doses elevadas e repetidas. A pralidoxima pode ser associada quando disponível, mas a atropina é a medida inicial prioritária e amplamente disponível na rede de urgência. Naloxona e flumazenil são antídotos específicos para opioides e benzodiazepínicos, respectivamente, não atuando na toxicidade colinérgica, e a N-acetilcisteína é usada em intoxicação por paracetamol.
- A. A N-acetilcisteína é utilizada na intoxicação por paracetamol, não tendo papel na intoxicação por organofosforados
- B. A naloxona é antídoto específico para intoxicação por opioides, sem ação na síndrome colinérgica
- C. O flumazenil antagoniza benzodiazepínicos, não tendo efeito sobre a toxicidade por organofosforados
Médico de família realiza visita domiciliar a um adolescente de 15 anos com queixa de cefaleia recorrente e baixo rendimento escolar. Durante a consulta, deseja representar graficamente a estrutura familiar, os vínculos emocionais entre os membros e as relações da família com instituições externas, como escola, igreja e serviços de saúde. Qual instrumento é o mais adequado para essa representação completa?
- AEscala de Apgar familiar isoladamente
- BGenograma associado ao ecomapa
- CFicha de cadastro individual do Sistema e-SUS
- DClassificação Internacional de Atenção Primária (CIAP-2)
Ver resposta
O genograma representa graficamente a estrutura familiar, as relações de parentesco e os padrões de vínculo emocional entre os membros ao longo de gerações. O ecomapa complementa essa análise ao representar as conexões da família com sistemas externos, como escola, trabalho, igreja e serviços de saúde, evidenciando redes de apoio e estressores sociais. A combinação desses dois instrumentos permite uma visão ampliada do contexto familiar e comunitário, essencial na abordagem da Medicina de Família e Comunidade conforme os Cadernos de Atenção Básica. A Escala de Apgar familiar avalia funcionalidade familiar de forma pontual, mas não representa graficamente estrutura e vínculos externos.
- A. A escala de Apgar familiar mede funcionalidade familiar por escore, sem representar graficamente estrutura ou vínculos externos
- C. A ficha de cadastro individual do e-SUS registra dados cadastrais e clínicos, sem representar vínculos familiares ou comunitários
- D. A CIAP-2 é um sistema de classificação de problemas de saúde na atenção primária, não um instrumento de representação familiar
Perguntas frequentes
Estas são questões reais do Revalida?
Não. São questões originais escritas no estilo do Revalida, de acordo com a matriz da prova. Um segundo modelo independente resolveu cada questão sem ver o gabarito, e as que tinham gabarito discutível foram removidas.
Como usar estas questões de medicina de família e saúde coletiva?
Faça primeiro o simulado sem olhar as respostas e depois leia o comentário de cada questão que você errou ou chutou. O ponto-chave abaixo de cada resposta é o que vale guardar.
As questões são gratuitas?
Sim. Todas as questões, respostas e comentários desta página são gratuitos e não exigem cadastro.
Mais temas do Revalida
O Revalida é aplicado pelo Inep. O WhiteCoat Pro não tem vínculo nem aval desse órgão. Todas as questões são originais: escritas pela equipe editorial do WhiteCoat Pro com ajuda de IA e revisadas por um segundo modelo de IA independente, que resolve cada questão sem ver o gabarito; questões com gabarito discutível são removidas. Não são questões reais da prova. Uso educacional, não é orientação médica.