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Revalida · Brasil

Questões de infectologia para o Revalida

50 questões originais no estilo do Revalida sobre infectologia. Cada uma com a resposta correta, o comentário, por que as outras alternativas estão erradas e o ponto-chave. Resolva no simulado ou leia abaixo, agrupadas por tema.

Questões50 com gabarito
Temas11
Alternativas por questão4
Tempo≈ 75 min
Revalida · Infectologia: simuladoEscolha uma alternativa para ver na hora a resposta correta e o comentário. Seu melhor resultado fica salvo neste navegador.

Dengue, Zika, Chikungunya e Arboviroses

7 questões
1

Paciente de 24 anos, previamente sadio, é atendido na UPA no 5º dia de quadro febril com mialgia intensa e exantema, iniciado após término espontâneo da febre há 12 horas. Refere dor abdominal contínua e vomitou três vezes nas últimas 4 horas. Ao exame: PA 110x70 mmHg, FC 92 bpm, hidratado, abdome doloroso difusamente à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. Hemograma mostra hematócrito de 46% (basal estimado 40%) e plaquetas de 95.000/mm³. Qual a conduta mais adequada neste momento?

  1. AInternação hospitalar com reposição volêmica intravenosa imediata e reavaliação do hematócrito em 2 horas
  2. BAlta com orientações de sinais de alarme e retorno ambulatorial em 48 horas
  3. CPrescrição de dipirona para dor abdominal e liberação para acompanhamento domiciliar
  4. DObservação em leito de UPA com hidratação oral e reavaliação clínica e laboratorial em 24 horas
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Resposta: A. Internação hospitalar com reposição volêmica intravenosa imediata e reavaliação do hematócrito em 2 horas

O paciente apresenta dengue com sinais de alarme (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hemoconcentração com queda de plaquetas), classificando-se como Grupo C pelo PCDT do Ministério da Saúde. A conduta recomendada é internação hospitalar (ou em leito de observação com estrutura adequada) para reposição volêmica intravenosa imediata com cristaloide, iniciando com 10 mL/kg na primeira hora, e reavaliação clínica e de hematócrito em até 2 horas. O retardo no início da hidratação intravenosa aumenta o risco de evolução para dengue grave com choque.

  • B. A alta é contraindicada na presença de sinais de alarme, que indicam risco de evolução para dengue grave.
  • C. Analgésico isolado sem reposição volêmica não trata a hemoconcentração e o risco de extravasamento plasmático.
  • D. A hidratação oral é insuficiente diante de sinais de alarme já estabelecidos, que exigem reposição intravenosa imediata.
Ponto-chave: Dengue com sinais de alarme (Grupo C) exige internação e reposição volêmica intravenosa imediata com reavaliação em 2 horas.
2

Mulher de 35 anos comparece à UBS no 3º dia de febre, cefaleia e artralgia, sem comorbidades e sem sangramentos. Nega dor abdominal, vômitos ou qualquer sinal de alarme. Exame físico sem alterações relevantes, PA 118x76 mmHg, FC 80 bpm. Reside em área de alta transmissão de dengue no momento. Prova do laço não realizada por ausência de indicação. De acordo com a classificação de risco do PCDT de dengue, em qual grupo essa paciente deve ser classificada?

  1. AGrupo C
  2. BGrupo B
  3. CGrupo D
  4. DGrupo A
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Resposta: D. Grupo A

Pelo PCDT de dengue, o Grupo A corresponde aos casos sem sangramento espontâneo ou induzido, sem comorbidades de risco, sem sinais de alarme e sem condições clínicas especiais ou risco social. A conduta é manejo ambulatorial com hidratação oral abundante e analgesia com paracetamol, orientando retorno imediato caso surjam sinais de alarme. Essa paciente não apresenta nenhum critério que a eleve para os grupos B, C ou D.

  • A. O Grupo C requer presença de sinal de alarme, que a paciente não apresenta.
  • B. O Grupo B exige sangramento de pele espontâneo ou induzido pela prova do laço, ou presença de comorbidade de risco, ausentes neste caso.
  • C. O Grupo D é reservado a casos com sinais de choque, sangramento grave ou disfunção orgânica grave, ausentes no quadro descrito.
Ponto-chave: No PCDT de dengue, o Grupo A reúne casos sem sangramento, sem comorbidades, sem sinais de alarme e sem risco social, com manejo ambulatorial.
3

Adolescente de 16 anos é levado ao pronto-socorro com extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, pulso radial fino e PA 80x60 mmHg. Está no 6º dia de dengue confirmada por teste rápido NS1 positivo realizado há 2 dias. Peso corporal: 60 kg. A equipe reconhece quadro de choque por extravasamento plasmático. Qual a conduta imediata mais adequada?

  1. ATransfusão imediata de concentrado de hemácias independente do valor do hematócrito
  2. BInfusão intravenosa de cristaloide 10 mL/kg em 1 hora, com reavaliação ao final da infusão
  3. CHidratação oral vigorosa associada a antiemético intravenoso enquanto se aguarda vaga em UTI
  4. DInfusão intravenosa de cristaloide 20 mL/kg em até 20 minutos, com reavaliação e repetição se necessário
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Resposta: D. Infusão intravenosa de cristaloide 20 mL/kg em até 20 minutos, com reavaliação e repetição se necessário

O paciente apresenta sinais clássicos de choque por dengue (extremidades frias, enchimento capilar lentificado, pulso fino, hipotensão), configurando dengue grave (Grupo D) pelo PCDT. A conduta inicial é expansão volêmica rápida com cristaloide (soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato) na dose de 20 mL/kg em até 20 minutos, podendo ser repetida até três vezes conforme resposta clínica, com reavaliação contínua de sinais vitais, diurese e hematócrito. O atraso na reposição agressiva aumenta significativamente a mortalidade por choque hipovolêmico.

  • A. A transfusão só está indicada após confirmação de sangramento significativo ou queda do hematócrito sem resposta à reposição volêmica, não como conduta inicial no choque.
  • B. Esse volume e tempo de infusão são adequados para sinais de alarme sem choque (Grupo C), insuficientes para reverter choque estabelecido.
  • C. Hidratação oral é contraindicada em paciente chocado, que não tolera via oral e necessita de expansão intravenosa imediata.
Ponto-chave: No choque por dengue grave, a expansão volêmica inicial é cristaloide 20 mL/kg em até 20 minutos, repetível conforme resposta.
4

Durante atendimento na UBS de paciente com síndrome febril há 4 dias e suspeita de dengue, o médico deseja avaliar a presença de fragilidade capilar como critério de classificação de risco. Qual exame físico deve ser realizado para essa finalidade?

  1. ASinal de Nikolsky, friccionando a pele para avaliar descolamento epidérmico
  2. BTeste do torniquete venoso prolongado por 10 minutos no membro inferior
  3. CManobra de Valsalva, observando alterações hemodinâmicas durante a manobra
  4. DProva do laço, insuflando o manguito até a média entre as pressões sistólica e diastólica por 5 minutos
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Resposta: D. Prova do laço, insuflando o manguito até a média entre as pressões sistólica e diastólica por 5 minutos

A prova do laço é o exame físico padronizado pelo Ministério da Saúde para avaliar fragilidade capilar em pacientes com suspeita de dengue. Realiza-se insuflando o manguito do esfigmomanômetro até o valor médio entre a pressão sistólica e diastólica, mantendo por 5 minutos em adultos (3 minutos em crianças), e contando o número de petéquias formadas em um quadrado de 2,5 cm na face anterior do antebraço. O resultado positivo (igual ou maior que 20 petéquias em adultos) indica sangramento induzido, classificando o paciente pelo menos como Grupo B.

  • A. O sinal de Nikolsky avalia descolamento epidérmico em doenças bolhosas, sem relação com a avaliação de fragilidade capilar na dengue.
  • B. Não existe teste padronizado de torniquete venoso prolongado de 10 minutos no PCDT; o tempo e a técnica corretos são os da prova do laço clássica.
  • C. A manobra de Valsalva avalia resposta hemodinâmica autonômica, não fragilidade capilar.
Ponto-chave: A prova do laço avalia fragilidade capilar na dengue, insuflando o manguito na pressão média por 5 minutos e contando petéquias formadas.
5

Paciente de 29 anos comparece à UBS com febre há 2 dias, cefaleia retro-orbitária e mialgia intensa, em região com surto confirmado de dengue. Solicita algo para aliviar a dor, pois já tentou ibuprofeno em casa sem melhora significativa. Qual orientação farmacológica é a mais adequada diante da suspeita diagnóstica?

  1. AManter o ibuprofeno e associar ácido acetilsalicílico em dose baixa para efeito antipirético sinérgico
  2. BSuspender o ibuprofeno e prescrever paracetamol para controle da dor e da febre
  3. CAssociar ibuprofeno com dipirona em doses alternadas para otimizar o controle analgésico
  4. DSubstituir o ibuprofeno por diclofenaco, que apresenta menor risco de sangramento gastrointestinal
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Resposta: B. Suspender o ibuprofeno e prescrever paracetamol para controle da dor e da febre

Em toda suspeita de dengue, anti-inflamatórios não esteroidais (como ibuprofeno e diclofenaco) e ácido acetilsalicílico devem ser evitados, pois aumentam o risco de sangramento por efeito antiplaquetário e podem agravar lesão gástrica, além de risco de síndrome de Reye com AAS em crianças. O paracetamol é o analgésico e antitérmico de escolha, respeitando a dose máxima diária, pela ausência de efeito sobre a função plaquetária. Essa orientação é válida desde a suspeita clínica inicial, antes mesmo da confirmação laboratorial.

  • A. AAS tem efeito antiplaquetário e aumenta risco hemorrágico, sendo contraindicado na suspeita de dengue independentemente da associação.
  • C. O ibuprofeno permanece contraindicado nessa associação, mantendo o risco de sangramento mesmo com a adição de dipirona.
  • D. O diclofenaco é também um AINE e mantém o risco de sangramento e disfunção plaquetária, sendo igualmente contraindicado.
Ponto-chave: Na suspeita de dengue, AINEs e AAS são contraindicados pelo risco de sangramento; o paracetamol é o analgésico/antitérmico de escolha.
6

Mulher de 52 anos retorna à UBS 4 meses após episódio confirmado de chikungunya na fase aguda. Queixa-se de dor articular persistente e simétrica em punhos, mãos e tornozelos, com rigidez matinal de 45 minutos, sem febre, sem exantema e sem outros sinais sistêmicos. Exame físico mostra discreto edema articular sem sinais flogísticos intensos. Qual é a conduta mais adequada para o manejo dessa artralgia persistente?

  1. AAciclovir oral para tratamento da fase crônica da infecção viral persistente
  2. BAntibioticoterapia empírica para cobertura de artrite séptica reativa
  3. CAnti-inflamatório não esteroidal associado a fisioterapia e reavaliação clínica periódica
  4. DCorticoide sistêmico em dose alta por tempo prolongado como primeira linha de tratamento
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Resposta: C. Anti-inflamatório não esteroidal associado a fisioterapia e reavaliação clínica periódica

A fase crônica da chikungunya, definida por sintomas articulares persistentes além de 3 meses do início da doença, é tratada com anti-inflamatórios não esteroidais associados a fisioterapia e reabilitação, reservando-se corticoides e imunomoduladores (como metotrexato) para casos refratários ou com padrão inflamatório mais exuberante, sob critério reumatológico. Diferente da fase aguda, em que os AINEs são evitados pelo risco de sangramento, na fase crônica eles são a base do tratamento analgésico e anti-inflamatório. Não há indicação de antibiótico ou antiviral nessa fase, pois não se trata de infecção bacteriana ativa nem de replicação viral persistente tratável.

  • A. Não existe tratamento antiviral específico eficaz para a fase crônica da chikungunya, que não decorre de replicação viral ativa persistente tratável com aciclovir.
  • B. Não há evidência de infecção bacteriana neste quadro, sendo a artralgia crônica de mecanismo inflamatório pós-viral, não séptico.
  • D. Corticoide sistêmico em dose alta não é primeira linha, sendo reservado a casos refratários e com monitorização especializada pelos efeitos adversos.
Ponto-chave: Na chikungunya crônica, o tratamento de primeira linha da artralgia persistente é AINE associado a fisioterapia.
7

Recém-nascido a termo, filho de mãe que apresentou exantema e artralgia leve no primeiro trimestre de gestação sem investigação na época, nasce com perímetro cefálico de 30 cm (abaixo do percentil esperado para idade gestacional e sexo). Ao exame, apresenta desproporção craniofacial e irritabilidade. Diante da suspeita de síndrome congênita associada à infecção por zika vírus, qual exame de imagem deve ser priorizado na investigação inicial desse recém-nascido?

  1. ARadiografia simples de crânio em incidências anteroposterior e perfil
  2. BUltrassonografia transfontanelar para avaliação de calcificações e alterações estruturais encefálicas
  3. CRessonância magnética de crânio sob sedação geral como primeiro exame de triagem
  4. DEcocardiograma para avaliação de malformações cardíacas associadas
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Resposta: B. Ultrassonografia transfontanelar para avaliação de calcificações e alterações estruturais encefálicas

Diante de microcefalia com suspeita de síndrome congênita do zika vírus, a ultrassonografia transfontanelar é o exame de imagem inicial recomendado pelo Ministério da Saúde, por ser acessível, não invasivo e capaz de identificar calcificações intracranianas, ventriculomegalia e outras alterações estruturais sugestivas da infecção congênita. A ressonância magnética fica reservada para casos em que a ultrassonografia é inconclusiva ou quando se necessita de maior detalhamento anatômico, geralmente após o fechamento da fontanela. A investigação deve ser complementada com avaliação oftalmológica, auditiva e sorológica/molecular específica para zika.

  • A. A radiografia simples de crânio não avalia adequadamente estruturas encefálicas nem calcificações intraparenquimatosas finas, sendo pouco útil nessa investigação.
  • C. A ressonância magnética não é o exame inicial de triagem por exigir sedação e maior complexidade logística, sendo reservada para casos selecionados.
  • D. O ecocardiograma avalia malformações cardíacas, não fazendo parte da investigação de primeira linha da microcefalia por zika congênita.
Ponto-chave: Na suspeita de síndrome congênita do zika vírus, a ultrassonografia transfontanelar é o exame de imagem inicial de escolha.

Malária e Doenças por Vetores

4 questões
8

Mulher de 41 anos é levada à UPA de município do Pará com febre há 5 dias, confusão mental iniciada nas últimas 12 horas e diminuição do volume urinário. Ao exame: Glasgow 12, temperatura 39,5°C, PA 90x60 mmHg, FC 118 bpm, FR 26 irpm, SpO2 91% em ar ambiente. Exames: hemoglobina 7,8 g/dL, creatinina 2,9 mg/dL, bilirrubina total 4,1 mg/dL, lactato 4,2 mmol/L. Gota espessa evidencia Plasmodium falciparum com parasitemia de 6% das hemácias. Qual é a conduta terapêutica mais adequada?

  1. AInternação em enfermaria e cloroquina intramuscular a cada 12 horas
  2. BInternação em unidade de terapia intensiva e artesunato intravenoso
  3. CTratamento ambulatorial com artemeter + lumefantrina via oral e retorno em 24 horas
  4. DInternação em enfermaria e quinina oral associada à clindamicina
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Resposta: B. Internação em unidade de terapia intensiva e artesunato intravenoso

A paciente apresenta critérios de malária grave por Plasmodium falciparum: alteração do nível de consciência, insuficiência renal (creatinina elevada e oligúria), anemia grave, icterícia, hiperlactatemia e hiperparasitemia (acima de 4-5%), configurando disfunção multiorgânica. O tratamento recomendado pelo Ministério da Saúde para malária grave é a internação em unidade de terapia intensiva com artesunato intravenoso, droga de escolha por reduzir mortalidade em comparação à quinina. O manejo inclui ainda suporte hemodinâmico, controle glicêmico e monitorização renal rigorosa.

  • A. A cloroquina não é eficaz contra Plasmodium falciparum resistente e não é indicada em casos graves.
  • C. O tratamento ambulatorial é contraindicado em malária grave, que exige internação e terapia parenteral imediata.
  • D. A quinina oral associada à clindamicina é esquema para gestantes com malária não complicada, inadequado para quadro grave com via oral comprometida pela alteração de consciência.
Ponto-chave: Malária grave por Plasmodium falciparum exige internação em UTI e tratamento com artesunato intravenoso, droga de primeira escolha por reduzir mortalidade.
9

Criança de 4 anos, procedente de área endêmica do Nordeste brasileiro, é levada ao pronto-socorro com febre prolongada há 6 semanas, emagrecimento e distensão abdominal progressiva. Ao exame: palidez cutânea importante, hepatomegalia de 4 cm abaixo do rebordo costal direito e esplenomegalia volumosa palpável até a fossa ilíaca esquerda. Hemograma mostra hemoglobina 6,8 g/dL, leucócitos 2.100/mm³, plaquetas 85.000/mm³. Qual exame tem maior utilidade para confirmação diagnóstica nesse caso?

  1. AHemocultura seriada para identificação do agente etiológico
  2. BPesquisa de anticorpos heterófilos (teste de Paul-Bunnell)
  3. CTeste rápido imunocromatográfico (rK39) associado a exame parasitológico de medula óssea
  4. DReação de Mantoux (PPD) para investigação de infecção concomitante
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Resposta: C. Teste rápido imunocromatográfico (rK39) associado a exame parasitológico de medula óssea

O quadro clínico de febre prolongada, hepatoesplenomegalia e pancitopenia em criança procedente de área endêmica é altamente sugestivo de leishmaniose visceral (calazar). O diagnóstico é confirmado pela combinação de teste rápido imunocromatográfico (rK39), de fácil realização e alta sensibilidade, com exame parasitológico direto de aspirado de medula óssea, que permite visualização das formas amastigotas de Leishmania infantum, considerado padrão de referência. O tratamento de escolha nos casos sem critérios de gravidade é o antimonial pentavalente (antimoniato de meglumina).

  • A. A hemocultura não identifica Leishmania, sendo útil para investigação de outras infecções bacterianas sistêmicas.
  • B. O teste de Paul-Bunnell é utilizado na investigação de mononucleose infecciosa, não de leishmaniose visceral.
  • D. O PPD avalia exposição ao Mycobacterium tuberculosis e não contribui para o diagnóstico de leishmaniose visceral.
Ponto-chave: O diagnóstico de leishmaniose visceral é confirmado pela associação de teste rápido rK39 com exame parasitológico de medula óssea em paciente com quadro clínico compatível.
10

Surto de 6 casos ocorre em uma família após consumo de suco de açaí artesanal preparado em região rural do Pará. Todos os indivíduos apresentam, após 10 dias, febre, mal-estar, edema de face e hepatoesplenomegalia. Exame sorológico e parasitológico confirmam doença de Chagas aguda em todos os casos, sem relato de picada por triatomíneo ou transfusão sanguínea. Qual mecanismo mais provavelmente explica a transmissão nesse surto?

  1. AContato da mucosa oral com secreções de animal silvestre reservatório
  2. BIngestão de alimento contaminado por triatomíneos ou suas fezes durante o processamento artesanal
  3. CTransmissão transplacentária ocorrida simultaneamente em todos os indivíduos
  4. DPicada direta de triatomíneo infectado durante o consumo do alimento
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Resposta: B. Ingestão de alimento contaminado por triatomíneos ou suas fezes durante o processamento artesanal

A transmissão oral da doença de Chagas ocorre pela ingestão de alimentos contaminados por Trypanosoma cruzi, geralmente por triturarão acidental de triatomíneos infectados ou contaminação por suas fezes durante o processamento artesanal de alimentos como açaí, caldo de cana e outros sucos de frutas na região Norte do Brasil. Essa via é responsável pela maioria dos surtos de doença de Chagas aguda na Amazônia atualmente, superando a transmissão vetorial clássica por picada. O quadro agudo caracteriza-se por febre, edema (sinal de Romaña quando há porta de entrada ocular), hepatoesplenomegalia e miocardite em casos mais graves.

  • A. Não há relato de contato direto com animal silvestre, e o padrão do surto é consistente com contaminação alimentar coletiva.
  • C. A transmissão transplacentária não explica surtos familiares simultâneos associados ao consumo de alimento comum.
  • D. Os triatomíneos não picam durante o consumo do alimento; a contaminação ocorre pela presença do parasito no próprio alimento processado.
Ponto-chave: A transmissão oral por ingestão de alimentos contaminados por triatomíneos é hoje a principal via de surtos de doença de Chagas aguda na região amazônica.
11

Homem de 58 anos, natural de área rural de Minas Gerais com sorologia positiva para doença de Chagas há 20 anos, procura atendimento por disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos e perda de peso de 8 kg em 6 meses. Esofagografia baritada mostra dilatação importante do esôfago com afilamento distal em “bico de pássaro”. Qual é a complicação mais provável associada a esse quadro?

  1. ANeoplasia esofágica obstrutiva de localização distal
  2. BAcalasia idiopática sem relação com a infecção crônica
  3. CEstenose esofágica péptica secundária a doença do refluxo gastroesofágico
  4. DMegaesôfago chagásico por denervação do plexo mioentérico
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Resposta: D. Megaesôfago chagásico por denervação do plexo mioentérico

A doença de Chagas crônica pode cursar com destruição dos neurônios do plexo mioentérico (plexo de Auerbach) no trato digestivo, levando a megaesôfago e megacólon chagásicos. O megaesôfago manifesta-se com disfagia progressiva, regurgitação e perda de peso, e o aspecto radiológico clássico é a dilatação esofágica com afilamento distal em “bico de pássaro”, semelhante à acalasia idiopática, mas de etiologia chagásica comprovada pela sorologia positiva e epidemiologia compatível. O tratamento pode incluir dilatação endoscópica, cardiomiotomia ou, em casos avançados, esofagectomia.

  • A. A neoplasia esofágica cursaria com imagem de estenose irregular, não com dilatação simétrica e aspecto de bico de pássaro.
  • B. A acalasia idiopática apresenta aspecto radiológico semelhante, mas neste caso a sorologia positiva para Chagas e o contexto epidemiológico apontam etiologia chagásica.
  • C. A doença do refluxo gastroesofágico cursa com estenose peptídica distal, não com dilatação importante em bico de pássaro, e não explica o contexto epidemiológico.
Ponto-chave: O megaesôfago chagásico resulta da destruição do plexo mioentérico por Trypanosoma cruzi e se apresenta com disfagia progressiva e dilatação esofágica em bico de pássaro na radiografia contrastada.
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Tuberculose

6 questões
12

Homem de 34 anos é atendido na UBS com tosse produtiva há 5 semanas, febre vespertina e perda de 6 kg em 2 meses. Radiografia de tórax mostra cavitação em lobo superior direito. O teste rápido molecular do escarro detecta Mycobacterium tuberculosis sem resistência à rifampicina. O paciente não tem comorbidades e nunca fez tratamento para tuberculose. Qual é a conduta terapêutica inicial mais adequada?

  1. ARifampicina, isoniazida e pirazinamida por 2 meses, seguidos de rifampicina e isoniazida por 7 meses
  2. BRifampicina e isoniazida por 6 meses, associadas a etambutol nos primeiros 2 meses
  3. CRifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol por 2 meses, seguidos de rifampicina e isoniazida por 4 meses
  4. DIsoniazida isolada por 6 meses, com reavaliação bacteriológica mensal
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Resposta: C. Rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol por 2 meses, seguidos de rifampicina e isoniazida por 4 meses

O esquema básico recomendado pelo Ministério da Saúde para tuberculose em adultos e adolescentes é o RHZE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) na fase intensiva de 2 meses, seguido de rifampicina e isoniazida (RH) na fase de manutenção por 4 meses, totalizando 6 meses de tratamento. O etambutol foi incorporado à fase intensiva para reduzir o risco de falência por resistência primária à isoniazida. Esse esquema é padronizado em comprimidos de dose fixa combinada (4 em 1), facilitando a adesão. O esquema é indicado para casos novos, sem necessidade de ajuste quando não há resistência identificada no TRM-TB.

  • A. A duração da fase de manutenção está incorreta; deveria ser de 4 meses, não 7.
  • B. Omite a pirazinamida na fase intensiva, essencial para reduzir a duração total do tratamento.
  • D. Monoterapia com isoniazida é tratamento de tuberculose latente, não de doença ativa.
Ponto-chave: O esquema básico para tuberculose ativa sem resistência é RHZE por 2 meses seguido de RH por 4 meses.
13

Mulher de 45 anos, em tratamento para tuberculose pulmonar com esquema RHZE há 3 semanas, retorna à UPA com náuseas, vômitos e icterícia há 2 dias. Nega uso de álcool ou outros medicamentos. Exame físico: ictérica, dor leve em hipocôndrio direito. Exames: AST 280 U/L, ALT 310 U/L (valor de referência até 40 U/L), bilirrubina total 3,2 mg/dL. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

  1. ASuspender todos os tuberculostáticos e reintroduzi-los escalonadamente após normalização das transaminases
  2. BSubstituir a pirazinamida por estreptomicina sem alterar os outros fármacos
  3. CReduzir a dose de pirazinamida e manter os demais fármacos inalterados
  4. DManter o esquema RHZE e solicitar apenas repetição das transaminases em 7 dias
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Resposta: A. Suspender todos os tuberculostáticos e reintroduzi-los escalonadamente após normalização das transaminases

Hepatotoxicidade clinicamente significativa (sintomas associados a elevação de transaminases maior que 3 vezes o limite superior da normalidade, ou elevação assintomática maior que 5 vezes) exige suspensão imediata de todos os tuberculostáticos hepatotóxicos. Após a normalização das enzimas hepáticas e resolução dos sintomas, os fármacos devem ser reintroduzidos um a um, geralmente começando por etambutol e rifampicina, com pirazinamida sendo a última opção ou substituída definitivamente se a hepatotoxicidade for grave. Pirazinamida, isoniazida e rifampicina são os fármacos mais associados a lesão hepática. Manter o esquema nessa situação expõe a paciente a risco de insuficiência hepática aguda.

  • B. Substituir apenas um fármaco sem suspender o esquema completo não trata a hepatotoxicidade estabelecida.
  • C. Reduzir a dose não é conduta validada diante de hepatotoxicidade sintomática; a suspensão completa é necessária.
  • D. Manter o esquema com sintomas e transaminases muito elevadas expõe a risco de hepatite fulminante.
Ponto-chave: Hepatotoxicidade sintomática com transaminases elevadas exige suspensão de todos os tuberculostáticos e reintrodução escalonada após normalização.
14

Homem de 28 anos, morador de rua, é atendido na UPA com tosse há 4 semanas e expectoração hemoptoica. O teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) realizado no escarro detecta Mycobacterium tuberculosis com resistência à rifampicina. Qual é a conduta mais adequada diante desse resultado?

  1. AEncaminhar amostra para cultura com teste de sensibilidade e iniciar esquema para tuberculose resistente conforme avaliação de referência
  2. BIniciar esquema básico RHZE imediatamente, pois o TRM-TB detecta apenas a presença do bacilo
  3. CRepetir o TRM-TB em nova amostra de escarro antes de qualquer decisão terapêutica
  4. DSolicitar radiografia de tórax para confirmar resistência antes de iniciar tratamento
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Resposta: A. Encaminhar amostra para cultura com teste de sensibilidade e iniciar esquema para tuberculose resistente conforme avaliação de referência

O TRM-TB detecta o DNA de Mycobacterium tuberculosis e mutações associadas à resistência à rifampicina em poucas horas, sendo o teste de escolha para triagem inicial em casos suspeitos de tuberculose, especialmente em populações de risco para resistência. Quando há detecção de resistência à rifampicina, é obrigatório o envio de amostra para cultura com teste de sensibilidade a fármacos de primeira e segunda linha, além de encaminhamento a serviço de referência para tuberculose drogarresistente, pois o esquema básico é inadequado nesses casos. A cultura segue sendo o método de referência (padrão-ouro) para confirmação diagnóstica e para monitoramento de resposta terapêutica. O TRM-TB não substitui a cultura, mas agiliza a decisão inicial sobre o esquema terapêutico.

  • B. O esquema básico contém rifampicina, inadequado quando há resistência detectada a esse fármaco.
  • C. Repetir o teste atrasa o início do tratamento adequado; o resultado de resistência já direciona a conduta.
  • D. Radiografia de tórax não avalia perfil de sensibilidade bacteriana; não substitui o teste de sensibilidade por cultura.
Ponto-chave: Resistência à rifampicina detectada no TRM-TB exige cultura com teste de sensibilidade e encaminhamento para tratamento de tuberculose drogarresistente.
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Menina de 8 anos é levada à UBS para avaliação após diagnóstico de tuberculose pulmonar bacilífera em sua mãe, com quem reside. A criança está assintomática, radiografia de tórax normal e prova tuberculínica (PPD) de 12 mm. Ela recebeu BCG ao nascimento. Qual é a conduta mais adequada?

  1. ARepetir o PPD em 8 semanas antes de decidir sobre tratamento
  2. BSolicitar cultura de escarro seriada antes de qualquer intervenção
  3. CNão tratar, pois o PPD positivo reflete apenas efeito da vacina BCG
  4. DIniciar tratamento da infecção latente por tuberculose com isoniazida
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Resposta: D. Iniciar tratamento da infecção latente por tuberculose com isoniazida

Em crianças contactantes de caso bacilífero, com PPD maior ou igual a 5 mm e radiografia de tórax normal (afastando doença ativa), está indicado o tratamento da infecção latente por tuberculose (ILTB), independentemente de vacinação prévia com BCG, pois a vacina não costuma causar reações tuberculínicas tão intensas após os primeiros anos de vida. O tratamento preferencial é isoniazida por 6 a 9 meses, reduzindo significativamente o risco de progressão para doença ativa. A investigação de doença ativa (radiografia e avaliação clínica) deve sempre precedido o tratamento da ILTB. Crianças menores de 10 anos contactantes são população prioritária para essa intervenção.

  • A. Não há indicação de repetir o PPD quando já há critério de positividade e contexto epidemiológico claro de exposição.
  • B. Cultura seriada é usada para diagnóstico de doença ativa, não para decisão sobre tratamento de infecção latente.
  • C. Em crianças maiores de 2 anos, o efeito isolado do BCG sobre o PPD é pouco significativo, não justificando essa interpretação.
Ponto-chave: Criança contactante de tuberculose bacilífera com PPD positivo e radiografia normal deve receber tratamento da infecção latente com isoniazida.
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Homem de 22 anos é internado em hospital com cefaleia progressiva, febre e confusão mental há 10 dias. Exame neurológico mostra rigidez de nuca e rebaixamento do nível de consciência. Punção lombar revela líquido cefalorraquidiano límpido, celularidade de 180 células/mm³ com predomínio linfocitário, proteína de 180 mg/dL e glicose de 28 mg/dL (glicemia sérica simultânea de 95 mg/dL). Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. AMeningite criptocócica
  2. BMeningite tuberculosa
  3. CMeningite bacteriana aguda por pneumococo
  4. DMeningite viral por enterovírus
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Resposta: B. Meningite tuberculosa

A meningite tuberculosa classicamente se apresenta com evolução subaguda (dias a semanas), líquor com pleocitose linfocítica moderada, proteinorraquia elevada e hipoglicorraquia importante, como observado neste caso (relação glicose liquórica/glicemia inferior a 0,5). Esse padrão bioquímico, associado ao quadro clínico insidioso com sinais de hipertensão intracraniana e comprometimento de nervos cranianos, é altamente sugestivo dessa etiologia, devendo-se buscar confirmação por baciloscopia, cultura e TRM-TB no líquor. O tratamento empírico deve ser iniciado precocemente diante de suspeita clínica, sem aguardar confirmação laboratorial, pelo risco de sequelas neurológicas graves e óbito.

  • A. Meningite criptocócica ocorre predominantemente em imunossuprimidos e é diagnosticada por pesquisa de antígeno criptocócico ou tinta da China, não pelo padrão bioquímico isolado.
  • C. Meningite bacteriana aguda tipicamente cursa com evolução mais rápida (horas a poucos dias) e predomínio de polimorfonucleares no líquor.
  • D. Meningite viral geralmente apresenta glicorraquia normal e proteinorraquia discretamente elevada, diferente do padrão observado.
Ponto-chave: Meningite tuberculosa cursa com líquor linfocítico, proteína elevada e hipoglicorraquia importante em quadro clínico subagudo.
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Recém-nascido a termo, com peso de 3.200 g, está em alojamento conjunto e será encaminhado para alta hospitalar. A mãe pergunta sobre a vacina BCG. Qual é a orientação correta sobre essa vacina?

  1. ADeve ser administrada por via oral, em dose única, nas primeiras 12 horas de vida
  2. BDeve ser administrada por via intradérmica, preferencialmente na inserção inferior do músculo deltoide direito, ainda na maternidade
  3. CDeve ser administrada por via intramuscular profunda na região glútea, logo após o nascimento
  4. DDeve ser administrada por via subcutânea no deltoide esquerdo, podendo ser feita até os 5 anos de idade sem restrição
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Resposta: B. Deve ser administrada por via intradérmica, preferencialmente na inserção inferior do músculo deltoide direito, ainda na maternidade

A vacina BCG é indicada preferencialmente ao nascimento, idealmente antes da alta da maternidade, para crianças com peso maior ou igual a 2 kg, sendo administrada por via intradérmica na inserção inferior do músculo deltoide direito. Essa via e local permitem a formação característica de pápula, posterior úlcera e cicatriz, usados como indicador de resposta vacinal. A vacina protege principalmente contra formas graves de tuberculose na infância, como a meningite tuberculosa e a forma miliar, mas tem eficácia variável contra a tuberculose pulmonar do adulto. É contraindicada em crianças com imunodeficiência grave, incluindo filhos de mães com HIV até que se exclua infecção na criança.

  • A. A BCG é uma vacina de bactéria viva atenuada administrada por via intradérmica, não por via oral.
  • C. A via intramuscular profunda não é utilizada para BCG e aumenta o risco de complicações locais.
  • D. A via correta é intradérmica, não subcutânea, e a idade limite para vacinação de rotina é bem mais restrita.
Ponto-chave: A BCG deve ser aplicada por via intradérmica no deltoide direito, idealmente ao nascimento, em crianças com peso maior ou igual a 2 kg.

Hanseníase

1 questões
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Paciente de 45 anos é atendido na UBS com diagnóstico recente de hanseníase dimorfa. Durante a avaliação neurológica simplificada, o agente de saúde relata dificuldade em avaliar a força muscular das mãos do paciente, pois não há um instrumento padronizado disponível na unidade. O paciente nega qualquer dormência ou perda de sensibilidade até o momento. Qual é a conduta mais adequada para a avaliação do grau de incapacidade física deste paciente?

  1. AClassificar o paciente diretamente como grau de incapacidade zero, já que ele nega sintomas sensitivos
  2. BAdiar a avaliação de incapacidade para a próxima consulta, após 6 meses de poliquimioterapia
  3. CSolicitar eletroneuromiografia dos nervos ulnar, mediano e fibular antes de definir a conduta
  4. DRealizar teste de sensibilidade com o estesiômetro (monofilamentos de Semmes-Weinstein) nos pontos padronizados das mãos, pés e face
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Resposta: D. Realizar teste de sensibilidade com o estesiômetro (monofilamentos de Semmes-Weinstein) nos pontos padronizados das mãos, pés e face

A avaliação do grau de incapacidade física na hanseníase deve ser feita em toda consulta, por meio do exame neurológico simplificado, que inclui palpação de nervos, avaliação de força muscular e teste de sensibilidade com o estesiômetro nos pontos padronizados. A ausência de queixas sensitivas não dispensa a avaliação objetiva, pois a perda sensitiva pode ser assintomática nas fases iniciais. Esse exame é essencial para classificar o grau de incapacidade (0, 1 ou 2) e detectar precocemente o comprometimento neural, permitindo intervenção antes que a incapacidade se instale de forma definitiva.

  • A. A classificação de incapacidade não pode se basear apenas no relato do paciente, exigindo exame objetivo da sensibilidade e força muscular.
  • B. A avaliação de incapacidade deve ser feita no diagnóstico e repetida periodicamente, não deve ser adiada por 6 meses.
  • C. A eletroneuromiografia não é exame de rotina e não substitui a avaliação neurológica simplificada disponível na atenção básica.
Ponto-chave: A avaliação do grau de incapacidade física na hanseníase deve ser objetiva, com teste de sensibilidade pelo estesiômetro e avaliação de força muscular, independentemente de queixas do paciente.

HIV/Aids

7 questões
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Homem de 38 anos, recém-diagnosticado com infecção pelo HIV, é atendido no ambulatório de infectologia. Está assintomático, com contagem de linfócitos T-CD4+ de 620 células/mm³ e carga viral de 12.000 cópias/mL. Não apresenta comorbidades, não usa outras medicações e os exames de função renal e hepática são normais. Qual é a conduta terapêutica recomendada pelo Ministério da Saúde?

  1. AIniciar tenofovir associado a lamivudina e dolutegravir, independentemente da contagem de CD4
  2. BAguardar repetição da carga viral em 3 meses antes de decidir sobre o início do tratamento
  3. CPostergar o início da terapia antirretroviral até que o CD4 caia abaixo de 500 células/mm³
  4. DIniciar apenas profilaxia para infecções oportunistas, sem terapia antirretroviral neste momento
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Resposta: A. Iniciar tenofovir associado a lamivudina e dolutegravir, independentemente da contagem de CD4

Desde 2013, o Ministério da Saúde recomenda a estratégia 'testar e tratar', pela qual todo paciente diagnosticado com HIV deve iniciar terapia antirretroviral imediatamente, independentemente da contagem de CD4 ou da presença de sintomas, já que o tratamento precoce reduz morbimortalidade e transmissão. O esquema de primeira linha preferencial no Brasil é a combinação de tenofovir (TDF) e lamivudina (3TC) como backbone, associada ao dolutegravir (DTG) como terceira droga, por sua alta potência, barreira genética à resistência e boa tolerabilidade.

  • B. Não há indicação de aguardar nova carga viral antes de iniciar o tratamento, que deve ser iniciado o mais precocemente possível após o diagnóstico.
  • C. A estratégia atual não condiciona o início do tratamento a um limiar de CD4; todo paciente diagnosticado deve iniciar TARV de imediato.
  • D. A profilaxia para oportunistas isolada não trata a infecção pelo HIV e não substitui a terapia antirretroviral.
Ponto-chave: No Brasil, todo paciente diagnosticado com HIV deve iniciar imediatamente TARV com tenofovir, lamivudina e dolutegravir, independentemente da contagem de CD4.
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Homem de 27 anos, que faz sexo com homens, procura o serviço de saúde relatando múltiplas parcerias sexuais sem uso consistente de preservativo nos últimos meses. Nega sintomas atuais e o teste rápido para HIV realizado na consulta é negativo. Ele pergunta sobre métodos para reduzir o risco de adquirir a infecção pelo HIV antes de uma possível exposição. Qual é a conduta preventiva indicada neste caso, segundo o protocolo do Ministério da Saúde?

  1. AIndicar profilaxia pré-exposição com tenofovir associado a entricitabina, de uso contínuo diário
  2. BIndicar profilaxia pós-exposição preventiva, a ser tomada antes de cada relação sexual de risco
  3. CIndicar terapia antirretroviral completa de três drogas, igual ao tratamento de pacientes já infectados
  4. DOrientar apenas o uso de preservativo, pois a profilaxia farmacológica é reservada a profissionais de saúde
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Resposta: A. Indicar profilaxia pré-exposição com tenofovir associado a entricitabina, de uso contínuo diário

A profilaxia pré-exposição (PrEP) está indicada para pessoas com maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV, incluindo homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, profissionais do sexo e parceiros sorodiscordantes, especialmente quando há relato de relações sexuais sem uso consistente de preservativo e múltiplas parcerias. O esquema recomendado pelo MS é a combinação de tenofovir e entricitabina em dose fixa, tomada diariamente de forma contínua, devendo o paciente ser monitorado periodicamente com testes de HIV, função renal e triagem para outras IST. A PrEP não substitui o preservativo, mas reduz significativamente o risco de aquisição do HIV quando usada com boa adesão.

  • B. A profilaxia pós-exposição é usada após uma exposição de risco já ocorrida, não antes, de forma contínua, o que caracteriza erro conceitual.
  • C. A PrEP utiliza apenas dois antirretrovirais (tenofovir e entricitabina), não o esquema completo de três drogas usado no tratamento de infectados.
  • D. A PrEP está disponível no SUS para toda a população-chave elegível, não apenas para profissionais de saúde.
Ponto-chave: A PrEP com tenofovir e entricitabina de uso diário contínuo é indicada para populações com maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV, como HSH com práticas sexuais de risco.
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Enfermeira de 26 anos sofre acidente perfurocortante com agulha utilizada em paciente com sorologia para HIV positiva conhecida, durante procedimento na UPA. O acidente ocorreu há 5 horas. Ela comparece ao serviço de saúde buscando orientação. Qual é a conduta correta em relação à profilaxia pós-exposição ocupacional neste caso?

  1. AAguardar o resultado da carga viral do paciente-fonte antes de decidir sobre o início da profilaxia
  2. BNão iniciar profilaxia, pois o prazo ideal de 2 horas após o acidente já foi superado
  3. CIniciar profilaxia apenas se a paciente-fonte tiver carga viral indetectável documentada
  4. DIniciar profilaxia com tenofovir, lamivudina e dolutegravir o mais rápido possível, pois o acidente ocorreu dentro de 72 horas
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Resposta: D. Iniciar profilaxia com tenofovir, lamivudina e dolutegravir o mais rápido possível, pois o acidente ocorreu dentro de 72 horas

A profilaxia pós-exposição (PEP) ao HIV, seja ocupacional ou sexual, deve ser iniciada o mais rapidamente possível, idealmente nas primeiras 2 horas, mas é eficaz e indicada até 72 horas após a exposição de risco. O esquema preferencial recomendado pelo Ministério da Saúde é a combinação de tenofovir, lamivudina e dolutegravir, mantida por 28 dias. Nesse caso, com exposição de alto risco (acidente perfurocortante com fonte HIV positiva conhecida) e dentro da janela de 72 horas, a PEP está claramente indicada, sem necessidade de aguardar exames adicionais do paciente-fonte para iniciar.

  • A. A profilaxia deve ser iniciada prontamente, sem aguardar resultados de exames do paciente-fonte, que não devem retardar o início.
  • B. O prazo de até 72 horas ainda está dentro da janela de indicação da PEP; apenas 5 horas se passaram.
  • C. Mesmo com carga viral indetectável do paciente-fonte, a PEP é indicada em exposições de alto risco, pois não há garantia absoluta de ausência de transmissão.
Ponto-chave: A profilaxia pós-exposição ao HIV deve ser iniciada o mais precocemente possível, até no máximo 72 horas após a exposição, com esquema de tenofovir, lamivudina e dolutegravir por 28 dias.
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Homem de 36 anos, portador de HIV sem tratamento regular, é atendido na emergência com tosse seca e dispneia progressiva há 3 semanas, associadas a febre baixa intermitente. Ao exame, apresenta frequência respiratória de 26 irpm, saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente e auscultas pulmonares sem ruídos adventícios significativos. A radiografia de tórax mostra infiltrado intersticial bilateral difuso, predominando nas regiões peri-hilares, sem derrame pleural. A contagem de linfócitos T-CD4+ é de 110 células/mm³. Qual é o exame mais indicado para confirmar o diagnóstico suspeito? Observação: considere que o quadro sugere pneumonia por Pneumocystis jirovecii.

  1. AHemocultura para fungos em meio específico, coletada em três amostras consecutivas
  2. BPesquisa de antígeno galactomanano sérico, específico para este patógeno
  3. CPesquisa direta do agente em escarro induzido ou lavado broncoalveolar, com coloração especial ou imunofluorescência
  4. DTomografia computadorizada de tórax com contraste, suficiente isoladamente para confirmação diagnóstica
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Resposta: C. Pesquisa direta do agente em escarro induzido ou lavado broncoalveolar, com coloração especial ou imunofluorescência

A apresentação clínica (dispneia progressiva, tosse seca, febre, hipoxemia desproporcional ao exame físico) em paciente HIV positivo com CD4 abaixo de 200 células/mm³ e infiltrado intersticial bilateral peri-hilar é clássica de pneumocistose. O diagnóstico de certeza exige a identificação do Pneumocystis jirovecii em amostra respiratória, geralmente escarro induzido ou lavado broncoalveolar, por meio de colorações especiais (como prata-metenamina ou Giemsa) ou imunofluorescência, já que o organismo não cresce em cultura convencional. A tomografia de tórax apoia a suspeita ao mostrar o padrão em vidro fosco, mas não confirma o diagnóstico etiológico.

  • A. O Pneumocystis jirovecii não é cultivável em meios convencionais de hemocultura, tornando este exame inadequado para o diagnóstico.
  • B. O galactomanano é marcador para aspergilose invasiva, não para pneumocistose.
  • D. A tomografia de tórax auxilia na suspeita clínica pelo padrão radiológico, mas não confirma o diagnóstico etiológico sem identificação do agente.
Ponto-chave: O diagnóstico de pneumocistose exige identificação direta do Pneumocystis jirovecii em escarro induzido ou lavado broncoalveolar, pois o agente não cresce em cultura convencional.
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Mulher de 41 anos, portadora de HIV com má adesão ao tratamento, é internada com cefaleia progressiva, confusão mental e hemiparesia direita de início há 5 dias. A contagem de linfócitos T-CD4+ é de 70 células/mm³. A tomografia de crânio com contraste mostra múltiplas lesões hipodensas com realce anelar e edema perilesional, localizadas predominantemente nos núcleos da base. Diante do diagnóstico presuntivo de neurotoxoplasmose, qual é o esquema terapêutico de primeira escolha?

  1. AAnfotericina B lipossomal em monoterapia por via intravenosa
  2. BAlbendazol em monoterapia por via oral por 4 semanas
  3. CSulfadiazina associada a pirimetamina e ácido folínico
  4. DCeftriaxona associada a vancomicina por via intravenosa
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Resposta: C. Sulfadiazina associada a pirimetamina e ácido folínico

A combinação de múltiplas lesões com realce anelar em núcleos da base, edema perilesional e imunossupressão grave (CD4 abaixo de 100 células/mm³) é o quadro clássico de neurotoxoplasmose em pacientes com aids. O tratamento de primeira escolha recomendado pelo Ministério da Saúde é a associação de sulfadiazina e pirimetamina, com ácido folínico para reduzir a toxicidade hematológica da pirimetamina, mantida por pelo menos 6 semanas, seguida de profilaxia secundária até reconstituição imune adequada. A melhora clínica e radiológica esperada em 10 a 14 dias de tratamento adequado também reforça o diagnóstico presuntivo, dispensando biópsia cerebral na maioria dos casos.

  • A. A anfotericina B é utilizada no tratamento de infecções fúngicas do sistema nervoso central, como criptococose, não de toxoplasmose.
  • B. O albendazol é utilizado no tratamento de neurocisticercose, não tem papel estabelecido no tratamento da neurotoxoplasmose.
  • D. Ceftriaxona e vancomicina são antibióticos usados em meningites bacterianas, sem atividade contra o Toxoplasma gondii.
Ponto-chave: O tratamento de escolha para neurotoxoplasmose em pacientes com aids é a associação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por pelo menos 6 semanas.
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Gestante de 28 anos, 32 semanas de idade gestacional, é atendida na UBS com exame de rotina do pré-natal mostrando sorologia anti-HIV positiva, confirmada por carga viral de 45.000 cópias/mL. Ela nunca realizou tratamento antirretroviral e não apresenta sintomas. O exame obstétrico é normal. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

  1. AAguardar o resultado da contagem de linfócitos T CD4+ para decidir sobre o início da terapia antirretroviral
  2. BIniciar terapia antirretroviral combinada imediatamente e manter até o parto, independente da via de parto
  3. CPostergar o início da terapia antirretroviral para após o parto, realizando apenas zidovudina intravenosa no momento do parto
  4. DIniciar terapia antirretroviral apenas se a carga viral se mantiver acima de 100.000 cópias/mL em exame de repetição
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Resposta: B. Iniciar terapia antirretroviral combinada imediatamente e manter até o parto, independente da via de parto

Toda gestante com diagnóstico de HIV deve iniciar terapia antirretroviral combinada o mais precocemente possível, independentemente da contagem de CD4 ou da carga viral, com o objetivo de atingir supressão viral antes do parto e reduzir o risco de transmissão vertical. O esquema preferencial atual recomendado pelo Ministério da Saúde inclui tenofovir, lamivudina e dolutegravir. A definição da via de parto e a necessidade de zidovudina intravenosa intraparto dependerão da carga viral próxima ao parto, mas o tratamento não deve ser postergado.

  • A. A decisão de tratar não depende da contagem de CD4; toda gestante com HIV deve ser tratada.
  • C. Postergar o tratamento aumenta o risco de transmissão vertical, pois a supressão viral demora semanas para ser atingida.
  • D. O tratamento deve ser iniciado independentemente do valor da carga viral, não apenas acima de determinado limiar.
Ponto-chave: Toda gestante com HIV deve iniciar terapia antirretroviral combinada imediatamente após o diagnóstico, visando à supressão viral antes do parto para reduzir a transmissão vertical.
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Homem de 45 anos, em tratamento para HIV há 6 anos com esquema contendo lopinavir/ritonavir, comparece à UBS relatando mudança na distribuição da gordura corporal. Ao exame, observa-se acúmulo de tecido adiposo na região dorsocervical e abdominal, associado a atrofia do tecido subcutâneo em face, braços e pernas. Exames laboratoriais mostram triglicerídeos de 380 mg/dL e glicemia de jejum de 118 mg/dL. Qual é o mecanismo mais provável associado a esse quadro clínico?

  1. AToxicidade mitocondrial direta causada pelos inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeo
  2. BAlteração do metabolismo lipídico e da diferenciação adipocitária relacionada ao uso de inibidores de protease
  3. CSíndrome inflamatória de reconstituição imune desencadeada pela recuperação da contagem de linfócitos T CD4+
  4. DHipersensibilidade imunomediada ao componente abacavir do esquema antirretroviral
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Resposta: B. Alteração do metabolismo lipídico e da diferenciação adipocitária relacionada ao uso de inibidores de protease

A lipodistrofia associada à terapia antirretroviral, especialmente aos inibidores de protease como o lopinavir/ritonavir, decorre de alterações no metabolismo lipídico e na diferenciação dos adipócitos, levando à redistribuição de gordura corporal com lipoatrofia periférica e acúmulo central, além de dislipidemia e resistência insulínica. Esse quadro está associado a maior risco cardiovascular e metabólico, exigindo monitorização laboratorial periódica. Em casos significativos, pode-se considerar a substituição do inibidor de protease por outra classe, como os inibidores de integrase, que apresentam menor impacto metabólico.

  • A. A toxicidade mitocondrial dos análogos de nucleosídeo está mais associada à lipoatrofia isolada e à acidose lática, não ao quadro misto descrito.
  • C. A síndrome de reconstituição imune ocorre precocemente após início do tratamento, com piora paradoxal de infecções oportunistas, não com lipodistrofia.
  • D. A hipersensibilidade ao abacavir manifesta-se com febre, exantema e sintomas sistêmicos agudos, não com alterações crônicas de distribuição de gordura.
Ponto-chave: A lipodistrofia por antirretrovirais, principalmente inibidores de protease, decorre de alteração do metabolismo lipídico e da diferenciação adipocitária, associando-se a dislipidemia e resistência insulínica.

Infecções Sexualmente Transmissíveis

6 questões
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Homem de 24 anos procura a UBS por lesão genital indolor, há 5 dias, surgida após relação sexual desprotegida há cerca de 3 semanas. Ao exame, observa-se úlcera única na glande, de bordas bem delimitadas, fundo limpo e consistência endurecida à palpação, sem secreção purulenta. Nega febre ou outros sintomas. Qual é a sequência mais adequada para confirmação diagnóstica da hipótese principal?

  1. ASolicitar cultura da secreção da úlcera em meio específico para identificação do agente etiológico
  2. BSolicitar pesquisa direta de Haemophilus ducreyi em material coletado da base da úlcera
  3. CSolicitar teste rápido treponêmico e, se positivo, confirmar com teste não treponêmico quantitativo (VDRL ou RPR)
  4. DSolicitar sorologia para herpes simples tipos 1 e 2 por imunofluorescência direta da lesão
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Resposta: C. Solicitar teste rápido treponêmico e, se positivo, confirmar com teste não treponêmico quantitativo (VDRL ou RPR)

O quadro descrito é típico de cancro duro da sífilis primária: úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo. O fluxograma do Ministério da Saúde para diagnóstico de sífilis preconiza iniciar com um teste treponêmico (teste rápido ou ELISA), que se torna positivo precocemente e permanece positivo por toda a vida; caso positivo, deve-se complementar com teste não treponêmico (VDRL ou RPR) para avaliação de atividade da doença e seguimento terapêutico. O Treponema pallidum não é cultivável em meios laboratoriais convencionais, o que torna a sorologia o método diagnóstico padrão.

  • A. O Treponema pallidum não cresce em meios de cultura convencionais, tornando esse método inviável na prática clínica.
  • B. A pesquisa de Haemophilus ducreyi seria pertinente para cancro mole, que se apresenta com úlceras dolorosas e de bordas irregulares, diferente do caso descrito.
  • D. O quadro clínico não é compatível com herpes genital, que cursa com vesículas múltiplas e dolorosas, não úlcera única endurecida e indolor.
Ponto-chave: O diagnóstico de sífilis primária (cancro duro) é confirmado por testes sorológicos, iniciando-se com teste treponêmico seguido de teste não treponêmico quantitativo para avaliação de atividade.
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Mulher de 30 anos, sem comorbidades, é diagnosticada com sífilis na UBS. Relata que a lesão genital surgiu há aproximadamente 2 meses e já cicatrizou espontaneamente, sem outros sintomas no período. O teste treponêmico e o VDRL (título 1:16) são positivos. Não há registro de tratamento anterior para sífilis. Qual é o esquema terapêutico mais adequado?

  1. APenicilina cristalina 18 a 24 milhões UI por dia, via intravenosa, por 10 dias
  2. BPenicilina benzatina 2,4 milhões UI, via intramuscular, em dose única
  3. CDoxiciclina 100 mg, via oral, a cada 12 horas, por 15 dias
  4. DPenicilina benzatina 2,4 milhões UI, via intramuscular, semanalmente por 3 semanas
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Resposta: B. Penicilina benzatina 2,4 milhões UI, via intramuscular, em dose única

O caso descreve sífilis latente recente (menos de um ano de evolução provável, considerando a história de cancro duro há 2 meses e ausência de tratamento), que é classificada como sífilis latente recente ou, mais precisamente neste contexto clínico, sífilis primária resolvida sem tratamento, correspondendo ao estágio inicial da doença. Segundo o PCDT de IST do Ministério da Saúde, a sífilis primária e a sífilis latente recente (até um ano de evolução) são tratadas com penicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, em dose única. Esquemas com múltiplas doses são reservados para sífilis latente tardia ou terciária, e a penicilina cristalina intravenosa é indicada para neurossífilis.

  • A. A penicilina cristalina intravenosa é reservada para o tratamento da neurossífilis, não indicada neste caso.
  • C. A doxiciclina é uma alternativa apenas em casos de alergia confirmada à penicilina, não sendo a primeira escolha.
  • D. O esquema de 3 doses semanais é indicado para sífilis latente tardia (mais de um ano de evolução) ou terciária, não para o estágio inicial.
Ponto-chave: A sífilis primária e a sífilis latente recente são tratadas com penicilina benzatina 2,4 milhões UI, via intramuscular, em dose única.
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Gestante de 22 anos, 20 semanas de idade gestacional, realiza VDRL de rotina do pré-natal na UBS, com resultado positivo em título 1:32, confirmado por teste treponêmico positivo. Ela é tratada corretamente com penicilina benzatina conforme o estágio da doença. O parceiro sexual é convocado, realiza teste treponêmico que resulta positivo, mas recusa-se a comparecer para tratamento, sendo tratado apenas por telefone com orientações, sem acompanhamento documentado. Diante dessa situação, como deve ser classificado o tratamento do parceiro para fins de definição de sífilis congênita no recém-nascido?

  1. ATratamento inadequado apenas se o parceiro apresentar sintomas clínicos de sífilis no momento da avaliação
  2. BTratamento inadequado, pois não há documentação do esquema terapêutico, data de início e comprovação laboratorial do tratamento realizado
  3. CTratamento adequado, pois o parceiro teve teste treponêmico positivo e recebeu orientação terapêutica
  4. DTratamento adequado, pois a gestante foi tratada corretamente, o que é suficiente para descartar sífilis congênita
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Resposta: B. Tratamento inadequado, pois não há documentação do esquema terapêutico, data de início e comprovação laboratorial do tratamento realizado

Para que o tratamento do parceiro seja considerado adequado, é necessário documentação completa: esquema terapêutico apropriado ao estágio clínico, data de início do tratamento e, idealmente, confirmação laboratorial da evolução dos títulos. Orientação verbal sem comprovação de administração efetiva da penicilina benzatina não atende a esse critério. A classificação do tratamento do parceiro é um dos critérios usados para definição de sífilis congênita, independentemente do tratamento adequado da gestante, pois o risco de reinfecção materna por parceiro não tratado adequadamente compromete a proteção fetal.

  • A. A classificação do tratamento depende da documentação do esquema realizado, não da presença de sintomas no momento da avaliação.
  • C. Teste positivo sem comprovação documentada de tratamento efetivo não caracteriza tratamento adequado.
  • D. O tratamento adequado da gestante não substitui a necessidade de tratamento comprovado do parceiro, pois este pode reinfectá-la durante a gestação.
Ponto-chave: O tratamento do parceiro sexual só é considerado adequado quando há documentação do esquema terapêutico completo, compatível com o estágio clínico e com data de início registrada.
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Homem de 35 anos é tratado na UPA com penicilina benzatina 2,4 milhões UI, via intramuscular, para sífilis secundária. Cerca de 6 horas após a aplicação, retorna à unidade com febre de 38,3°C, cefaleia, mialgia e piora transitória das lesões cutâneas maculopapulares, que se tornam mais eritematosas. A pressão arterial é 110x70 mmHg e a frequência cardíaca é 92 bpm, sem sinais de broncoespasmo, edema de face ou urticária. Qual é a conduta mais adequada?

  1. ATranquilizar o paciente, orientar uso de antitérmico e repouso, mantendo a penicilina já administrada como parte do tratamento
  2. BSuspender definitivamente o uso de penicilina e substituir por doxiciclina para completar o tratamento
  3. CInternar o paciente para observação em unidade de terapia intensiva e investigar sepse bacteriana
  4. DAdministrar adrenalina intramuscular imediatamente pelo risco de anafilaxia à penicilina
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Resposta: A. Tranquilizar o paciente, orientar uso de antitérmico e repouso, mantendo a penicilina já administrada como parte do tratamento

O quadro descrito é característico da reação de Jarisch-Herxheimer, uma resposta inflamatória autolimitada causada pela liberação de produtos da lise de espiroquetas após o início do tratamento antibiótico, geralmente ocorrendo nas primeiras 24 horas. Manifesta-se com febre, mialgia, cefaleia e exacerbação transitória das lesões cutâneas, sem comprometimento hemodinâmico significativo, diferenciando-se claramente de uma reação anafilática. A conduta é sintomática, com antitérmicos e tranquilização do paciente, sem necessidade de suspender o tratamento antibiótico já realizado.

  • B. A reação de Jarisch-Herxheimer não indica alergia à penicilina; não há motivo para suspender o tratamento já administrado.
  • C. O quadro é autolimitado e benigno, sem sinais de sepse ou instabilidade hemodinâmica que justifiquem internação em UTI.
  • D. Não há sinais de anafilaxia como broncoespasmo, hipotensão ou edema de face; a adrenalina não é indicada neste quadro.
Ponto-chave: A reação de Jarisch-Herxheimer é uma resposta inflamatória autolimitada ao tratamento da sífilis, manejada com medidas sintomáticas, sem necessidade de suspender a antibioticoterapia.
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Homem de 26 anos comparece à UBS com queixa de corrimento uretral purulento há 4 dias, associado a disúria. Nega febre ou lesões genitais. Ao exame, observa-se secreção uretral purulenta espontânea, sem outras alterações ao exame físico. Não há disponibilidade de exames laboratoriais rápidos na unidade para identificação do agente etiológico. Qual é a conduta terapêutica mais adequada segundo o protocolo de manejo sindrômico de IST?

  1. ACiprofloxacino 500 mg, via oral, dose única, associado a doxiciclina 100 mg via oral a cada 12 horas por 7 dias
  2. BPenicilina benzatina 2,4 milhões UI, via intramuscular, dose única, associada a aciclovir 400 mg via oral três vezes ao dia por 7 dias
  3. CCeftriaxona 500 mg, via intramuscular, dose única, associada a azitromicina 500 mg, via oral, dois comprimidos em dose única
  4. DAzitromicina 500 mg, via oral, dois comprimidos em dose única, isoladamente, aguardando resultado de cultura antes de tratar gonococo
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Resposta: C. Ceftriaxona 500 mg, via intramuscular, dose única, associada a azitromicina 500 mg, via oral, dois comprimidos em dose única

A abordagem sindrômica do corrimento uretral, recomendada pelo Ministério da Saúde quando não há disponibilidade imediata de testes diagnósticos, preconiza tratamento concomitante para os dois principais agentes envolvidos: Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, dada a alta frequência de coinfecção. O esquema recomendado é ceftriaxona em dose única por via intramuscular associada à azitromicina em dose única por via oral, garantindo cobertura eficaz e dose supervisionada, o que melhora a adesão ao tratamento. O ciprofloxacino não é mais recomendado para gonorreia devido às altas taxas de resistência bacteriana documentadas no Brasil.

  • A. O ciprofloxacino não é mais recomendado para tratamento de gonorreia devido à alta prevalência de resistência bacteriana.
  • B. Esse esquema é direcionado a sífilis e herpes genital, não aos agentes causadores de corrimento uretral purulento.
  • D. Tratar apenas clamídia e aguardar cultura deixa a gonorreia sem tratamento, além de a cultura não ser rotineiramente disponível nem recomendada para decisão terapêutica inicial na abordagem sindrômica.
Ponto-chave: No corrimento uretral, a abordagem sindrômica trata simultaneamente gonorreia e clamídia com ceftriaxona intramuscular associada a azitromicina oral, ambas em dose única.
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Homem de 29 anos procura a UPA com queixa de lesões genitais dolorosas há 3 dias. Ao exame, observam-se múltiplas úlceras pequenas, superficiais, de bordas irregulares e fundo com exsudato purulento na glande, além de linfadenopatia inguinal bilateral dolorosa e amolecida, com flutuação à palpação em um dos linfonodos. Não há relato de vesículas antes do aparecimento das úlceras. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?

  1. ACancro mole (cancroide)
  2. BHerpes genital
  3. CSífilis primária
  4. DLinfogranuloma venéreo
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Resposta: A. Cancro mole (cancroide)

O quadro de múltiplas úlceras dolorosas, de bordas irregulares e fundo purulento, associadas a linfadenopatia inguinal dolorosa com tendência à flutuação (bubão), é característico do cancro mole, causado por Haemophilus ducreyi. A ausência de fase vesicular prévia torna o herpes genital menos provável, já que este costuma apresentar-se com vesículas agrupadas que evoluem para úlceras múltiplas superficiais, geralmente sem bubão supurativo. O linfogranuloma venéreo caracteriza-se por lesão inicial pequena e indolor seguida de linfadenopatia proeminente que surge semanas depois, enquanto a sífilis primária apresenta úlcera única, indolor e de base endurecida.

  • B. O herpes genital geralmente apresenta fase vesicular prévia e úlceras múltiplas superficiais, sem bubão inguinal supurativo tão proeminente.
  • C. A sífilis primária caracteriza-se por úlcera única, indolor, de bordas endurecidas, sem exsudato purulento, diferente do quadro descrito.
  • D. O linfogranuloma venéreo cursa com lesão genital inicial discreta e autolimitada, seguida de linfadenopatia volumosa que aparece semanas após, não com úlceras dolorosas múltiplas concomitantes.
Ponto-chave: O cancro mole caracteriza-se por úlceras genitais múltiplas, dolorosas, de bordas irregulares, associadas a linfadenopatia inguinal dolorosa com tendência à supuração (bubão).

Hepatites Virais

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Paciente assintomático de 34 anos realiza exames de rotina para doação de sangue. Os resultados mostram: HBsAg negativo, anti-HBc total positivo e anti-HBs positivo com título de 150 mUI/mL. Qual é a interpretação correta desse perfil sorológico?

  1. AJanela imunológica de infecção aguda recente pelo vírus B
  2. BInfecção passada pelo vírus da hepatite B, com imunidade natural
  3. CHepatite B crônica em fase de baixa replicação viral
  4. DVacinação prévia contra hepatite B, sem contato com o vírus
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Resposta: B. Infecção passada pelo vírus da hepatite B, com imunidade natural

A presença de anti-HBc total positivo indica que houve contato prévio com o vírus da hepatite B, enquanto o anti-HBs positivo demonstra imunidade. A combinação HBsAg negativo, anti-HBc positivo e anti-HBs positivo é típica de infecção resolvida (cura), pois a vacina não contém o antígeno do core e, portanto, não gera anti-HBc. Esse perfil deve ser diferenciado do de vacinados, que apresentam apenas anti-HBs positivo, sem anti-HBc.

  • A. Na janela imunológica o HBsAg já desapareceu mas o anti-HBs ainda não surgiu, havendo apenas anti-HBc IgM positivo isoladamente.
  • C. Na hepatite B crônica o HBsAg permanece positivo por definição (persistência além de 6 meses), o que não ocorre neste caso.
  • D. A vacinação isolada produz apenas anti-HBs positivo, sem anti-HBc, pois o imunizante não contém o antígeno do core.
Ponto-chave: HBsAg negativo com anti-HBc e anti-HBs positivos indica infecção passada e curada pelo vírus da hepatite B, com imunidade natural.
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Técnica de enfermagem de 29 anos sofre acidente com agulha contaminada por sangue de paciente HBsAg positivo durante procedimento em UPA. Ela refere esquema vacinal completo para hepatite B há 10 anos, mas nunca realizou sorologia de anti-HBs. Qual é a conduta profilática mais adequada neste momento?

  1. ARepetir o esquema vacinal completo de três doses, sem necessidade de imunoglobulina
  2. BNão é necessária nenhuma intervenção, pois o esquema vacinal já confere proteção permanente
  3. CAplicar imediatamente imunoglobulina hiperimune contra hepatite B, independentemente de sorologia
  4. DSolicitar anti-HBs; se não resposta vacinal, aplicar uma dose de vacina e imunoglobulina hiperimune
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Resposta: D. Solicitar anti-HBs; se não resposta vacinal, aplicar uma dose de vacina e imunoglobulina hiperimune

Em profissionais de saúde previamente vacinados com esquema completo, mas sem documentação de resposta vacinal (anti-HBs), a conduta recomendada após exposição a fonte HBsAg positiva é solicitar o anti-HBs com a maior brevidade possível. Se o anti-HBs for não reagente (<10 mUI/mL) ou não puder ser obtido em tempo hábil, deve-se administrar uma dose de vacina associada à imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB), idealmente até 7 dias após o acidente. Se o anti-HBs confirmar imunidade (≥10 mUI/mL), nenhuma intervenção adicional é necessária.

  • A. Repetir todo o esquema vacinal sem avaliar a titulação de anti-HBs expõe a paciente a doses desnecessárias e não garante profilaxia adequada em caso de ausência de imunidade.
  • B. A ausência de confirmação sorológica de resposta vacinal não permite assumir proteção automática, sendo obrigatória a avaliação do anti-HBs após exposição de risco.
  • C. Administrar imunoglobulina sem antes verificar a resposta vacinal é conduta excessiva, pois, se a paciente for imune, nenhuma profilaxia adicional é necessária.
Ponto-chave: Em acidente ocupacional com fonte HBsAg positiva e vacinado sem anti-HBs documentado, deve-se solicitar anti-HBs e, se não reagente, associar vacina e imunoglobulina hiperimune.
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Homem de 52 anos, sem comorbidades, é diagnosticado com hepatite C crônica após detecção de anti-HCV e HCV-RNA positivos em exame de rotina. A ultrassonografia abdominal é normal e a elastografia hepática não evidencia fibrose avançada. Qual é a conduta terapêutica recomendada pelo Ministério da Saúde para este caso?

  1. AObservação clínica sem tratamento até evidência de cirrose
  2. BAssociação de antivirais de ação direta por via oral, por 8 a 12 semanas
  3. CEntecavir por via oral, em uso contínuo e indefinido
  4. DInterferon peguilado associado à ribavirina, por 24 semanas
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Resposta: B. Associação de antivirais de ação direta por via oral, por 8 a 12 semanas

O tratamento atual da hepatite C crônica no SUS é baseado em antivirais de ação direta (DAA), como as combinações de sofosbuvir com velpatasvir ou outras combinações pangenotípicas, administrados por via oral durante 8 a 12 semanas, conforme o genótipo e o grau de fibrose. Esses esquemas apresentam taxas de cura (resposta virológica sustentada) superiores a 95%, com excelente perfil de tolerabilidade. O tratamento deve ser oferecido a todo paciente com HCV-RNA detectável, independentemente do estágio de fibrose.

  • A. A hepatite C crônica deve ser tratada precocemente para evitar progressão a cirrose e carcinoma hepatocelular, não sendo adequado aguardar o desenvolvimento de cirrose.
  • C. O entecavir é um antiviral utilizado no tratamento da hepatite B crônica, sem ação contra o vírus da hepatite C.
  • D. O interferon peguilado associado à ribavirina foi o tratamento padrão no passado, mas foi abandonado pela maior toxicidade e menor eficácia comparado aos antivirais de ação direta.
Ponto-chave: O tratamento da hepatite C crônica é feito com antivirais de ação direta orais por 8 a 12 semanas, com altas taxas de cura.

Infecções Respiratórias e Meningites

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Homem de 68 anos é atendido na UPA com tosse produtiva, febre de 38,8°C e dispneia há 3 dias. Ao exame: frequência respiratória de 32 irpm, pressão arterial de 88x56 mmHg, frequência cardíaca de 110 bpm, e confusão mental de início recente. A radiografia de tórax mostra consolidação em lobo inferior direito. Ureia sérica é 65 mg/dL. Qual é a conduta mais adequada diante desse quadro?

  1. AObservação na UPA por 24 horas antes de decidir sobre internação
  2. BInternação hospitalar, com consideração de unidade de terapia intensiva
  3. CTratamento ambulatorial com antibiótico oral e retorno em 48 horas
  4. DAlta com antibiótico oral e orientação de retorno se piora dos sintomas
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Resposta: B. Internação hospitalar, com consideração de unidade de terapia intensiva

O paciente apresenta critérios do escore CURB-65: Confusão mental, Ureia >50 mg/dL (19 mmol/L), frequência Respiratória ≥30 irpm e pressão arterial Baixa (sistólica <90 ou diastólica ≤60 mmHg), totalizando pontuação elevada (4 pontos, considerando a idade ≥65 anos como critério adicional em algumas versões). Escores de 3 a 5 indicam pneumonia grave, com necessidade de internação hospitalar e avaliação de suporte em unidade de terapia intensiva. O reconhecimento precoce da gravidade é essencial para reduzir a mortalidade associada à pneumonia comunitária.

  • A. A gravidade já está estabelecida pelos critérios clínicos e laboratoriais presentes, não sendo apropriado postergar a decisão de internação com observação prolongada.
  • C. O tratamento ambulatorial é reservado a pacientes com CURB-65 de 0 a 1 ponto, sem sinais de gravidade, o que não se aplica a este paciente com múltiplos critérios positivos.
  • D. Dar alta a um paciente com confusão mental, hipotensão e taquipneia expõe o paciente a risco elevado de deterioração clínica e óbito.
Ponto-chave: O escore CURB-65 orienta a decisão de internação na pneumonia comunitária, sendo pontuação ≥3 indicativa de doença grave e necessidade de internação hospitalar.
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Mulher de 45 anos, previamente saudável, é atendida na UBS com tosse, febre de 38,2°C e dor torácica ventilatório-dependente há 2 dias. Sinais vitais: frequência respiratória de 18 irpm, pressão arterial de 118x76 mmHg, frequência cardíaca de 88 bpm, sem confusão mental. Radiografia de tórax mostra condensação em lobo inferior esquerdo. Não há comorbidades. Qual é o esquema antibiótico empírico mais adequado para tratamento ambulatorial?

  1. AAmoxicilina, via oral, por 7 dias
  2. BCeftriaxona intramuscular, dose única
  3. CCiprofloxacino, via oral, por 7 dias
  4. DVancomicina, via oral, por 10 dias
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Resposta: A. Amoxicilina, via oral, por 7 dias

Para pneumonia adquirida na comunidade de baixa gravidade (CURB-65 de 0 a 1), em paciente sem comorbidades e com tratamento ambulatorial, a amoxicilina via oral é o antibiótico de primeira escolha, por sua eficácia contra o Streptococcus pneumoniae, principal agente etiológico. As fluoroquinolonas respiratórias e os macrolídeos são reservados para pacientes com comorbidades, alergia a penicilinas ou suspeita de patógenos atípicos. O tratamento ambulatorial é guiado pela ausência de critérios de gravidade.

  • B. A ceftriaxona é indicada para pacientes internados ou com maior gravidade, não sendo a primeira escolha para tratamento ambulatorial de pneumonia leve.
  • C. O ciprofloxacino tem cobertura insuficiente contra Streptococcus pneumoniae, sendo preferíveis fluoroquinolonas respiratórias (como levofloxacino) apenas em situações específicas, não como primeira escolha ambulatorial.
  • D. A vancomicina não tem apresentação oral eficaz para tratamento sistêmico de pneumonia e é reservada para cobertura de Staphylococcus aureus resistente em casos graves hospitalares.
Ponto-chave: Na pneumonia comunitária leve, sem comorbidades e tratada ambulatorialmente, a amoxicilina oral é o antibiótico empírico de escolha.
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Um menino de 6 anos é internado em hospital de referência com diagnóstico confirmado de meningite meningocócica. Ele frequenta uma creche em período integral, onde permanece cerca de 8 horas por dia junto com outras 15 crianças e 3 professoras. A equipe da Vigilância Epidemiológica é notificada para orientar as medidas de proteção aos contactantes próximos. Qual é a conduta profilática indicada para os coleguinhas de creche e professoras que tiveram contato direto com o caso?

  1. ARifampicina oral por 2 dias para todos os contactantes próximos, independentemente de vacinação prévia
  2. BObservação clínica sem quimioprofilaxia, pois a transmissão em creches é considerada baixa
  3. CCeftriaxona intramuscular em dose única apenas para os contactantes sintomáticos
  4. DVacinação meningocócica conjugada imediata, substituindo a quimioprofilaxia antibiótica
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Resposta: A. Rifampicina oral por 2 dias para todos os contactantes próximos, independentemente de vacinação prévia

A quimioprofilaxia com rifampicina está indicada para contactantes próximos de caso confirmado ou suspeito de doença meningocócica, incluindo comunicantes domiciliares, de creches e escolas com convívio prolongado, idealmente iniciada em até 48 horas do diagnóstico do caso índice. O esquema padrão para crianças é rifampicina 10 mg/kg (máximo 600 mg) a cada 12 horas por 2 dias. A quimioprofilaxia visa eliminar o estado de portador na nasofaringe e interromper a cadeia de transmissão, sendo indicada independentemente do estado vacinal do contactante.

  • B. A transmissão em ambientes de convívio prolongado como creches é significativa, e a quimioprofilaxia é obrigatória para os contactantes próximos conforme protocolo do Ministério da Saúde.
  • C. A ceftriaxona é uma alternativa de profilaxia em situações específicas (como gestantes), mas a profilaxia deve ser oferecida a todos os contactantes próximos, não apenas aos sintomáticos — contactante sintomático é caso suspeito, não alvo de profilaxia.
  • D. A vacinação não substitui a quimioprofilaxia nos contactantes próximos, pois não elimina rapidamente o estado de portador nem oferece proteção imediata contra a cepa circulante.
Ponto-chave: A quimioprofilaxia com rifampicina deve ser oferecida a todos os contactantes próximos de caso de doença meningocócica em até 48 horas, independentemente do status vacinal.
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Uma mulher de 68 anos, hipertensa, é levada à UPA com quadro de febre de 39°C, tosse seca e mialgia iniciado há 24 horas. Ao exame, está taquipneica, com frequência respiratória de 26 irpm, saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente e pressão arterial de 100/60 mmHg. A radiografia de tórax mostra infiltrado intersticial bilateral. É período de maior circulação de vírus respiratórios na região. Qual é a conduta mais adequada em relação ao uso de antiviral?

  1. AIniciar oseltamivir imediatamente, mesmo antes da confirmação laboratorial, devido à gravidade do quadro
  2. BSolicitar painel viral molecular completo e iniciar oseltamivir apenas se o resultado for positivo para influenza
  3. CNão indicar antiviral, pois o oseltamivir só é eficaz quando iniciado nas primeiras 48 horas em pacientes ambulatoriais leves
  4. DAguardar o resultado do teste rápido de antígeno antes de decidir pelo uso do antiviral
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Resposta: A. Iniciar oseltamivir imediatamente, mesmo antes da confirmação laboratorial, devido à gravidade do quadro

A paciente apresenta critérios de síndrome respiratória aguda grave (SRAG): síndrome gripal associada a dispneia/taquipneia, saturação de oxigênio menor que 95% em ar ambiente e/ou piora de doença cardiorrespiratória preexistente. Segundo o Ministério da Saúde, todo caso de SRAG deve receber oseltamivir empiricamente o mais rápido possível, sem aguardar confirmação laboratorial, pois o benefício clínico é maior quanto mais precoce o início do tratamento. O atraso para aguardar exames pode comprometer o desfecho em pacientes graves.

  • B. Aguardar resultado de exame molecular para iniciar o antiviral contraria a recomendação de tratamento empírico imediato em todo caso de SRAG.
  • C. Essa afirmação é falsa: em casos de SRAG, o oseltamivir está indicado independentemente do tempo de início dos sintomas, podendo trazer benefício mesmo após 48 horas.
  • D. Em casos de SRAG, o tratamento deve ser iniciado empiricamente sem aguardar confirmação laboratorial, pois o retardo pode agravar o prognóstico.
Ponto-chave: Todo paciente com síndrome respiratória aguda grave deve receber oseltamivir empírico o mais precocemente possível, sem aguardar confirmação laboratorial de influenza.

Infecções Entéricas e Zoonoses

6 questões
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Um homem de 24 anos procura a UBS com febre persistente há 10 dias, cefaleia, dor abdominal difusa e constipação. Ao exame, apresenta temperatura de 38,9°C, frequência cardíaca de 88 bpm (dissociação pulso-temperatura), hepatoesplenomegalia discreta e exantema maculopapular róseo no tronco. Relata consumo frequente de água não tratada em zona rural sem saneamento básico. A hemocultura confirma isolamento de Salmonella Typhi. Qual é o tratamento antimicrobiano de primeira escolha para este paciente?

  1. AAmoxicilina oral
  2. BCeftriaxona intravenosa
  3. CSulfametoxazol-trimetoprima oral
  4. DAzitromicina oral em dose única
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Resposta: B. Ceftriaxona intravenosa

A febre tifoide, causada pela Salmonella Typhi, tem como tratamento de escolha nos casos moderados a graves a ceftriaxona intravenosa, na dose de 2 a 4 g/dia por 10 a 14 dias, devido à sua boa penetração tecidual e eficácia comprovada, especialmente diante da crescente resistência a antimicrobianos orais clássicos. O quadro clínico com febre prolongada, dissociação pulso-temperatura, roséolas tíficas e hepatoesplenomegalia é característico. Em áreas com cepas multirresistentes, as cefalosporinas de terceira geração são preferidas às opções orais tradicionais.

  • A. A amoxicilina foi historicamente usada, mas a resistência da Salmonella Typhi a este fármaco tornou-se frequente, não sendo mais a primeira escolha.
  • C. O sulfametoxazol-trimetoprima apresenta taxas crescentes de resistência e não é a opção preferencial nos protocolos atuais.
  • D. A azitromicina é uma alternativa para casos leves ou não complicados em algumas situações, mas não é a primeira escolha padrão, especialmente neste caso com evolução prolongada.
Ponto-chave: A ceftriaxona intravenosa é o tratamento de primeira escolha para febre tifoide moderada a grave, dada a eficácia e o perfil de resistência atual da Salmonella Typhi.
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Uma mulher de 30 anos, previamente sadia, procura a UBS com quadro de diarreia iniciado há 2 dias, com 5 a 6 evacuações diárias de fezes pastosas, sem sangue ou muco, associada a dor abdominal em cólica e náuseas. Nega febre. Ao exame, está hidratada, com pressão arterial de 110/70 mmHg e frequência cardíaca de 76 bpm. Relata ter comido em um restaurante de comida rápida há 3 dias. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

  1. AOrientar hidratação oral e reavaliação clínica, sem antibioticoterapia
  2. BPrescrever ciprofloxacino oral por 5 dias
  3. CSolicitar coprocultura e iniciar metronidazol empírico até o resultado
  4. DPrescrever azitromicina oral em dose única
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Resposta: A. Orientar hidratação oral e reavaliação clínica, sem antibioticoterapia

A maioria dos casos de diarreia aguda em adultos previamente sadios é autolimitada e de etiologia viral ou bacteriana leve, não necessitando de antibioticoterapia. A conduta inicial recomendada é hidratação oral, manutenção da alimentação e reavaliação clínica. Antibióticos são reservados para quadros com sinais de disenteria (fezes com sangue ou muco), febre alta, sinais de sepse, imunossupressão, diarreia do viajante grave ou identificação de patógeno específico com indicação terapêutica. Neste caso, o quadro é leve, afebril e sem sinais de alarme, favorecendo o manejo conservador.

  • B. O uso empírico de quinolona não está indicado em diarreia aguda leve sem sinais de disenteria ou gravidade, podendo favorecer resistência bacteriana.
  • C. Não há indicação de iniciar antibiótico empírico com metronidazol em um quadro leve e inespecífico antes mesmo de qualquer resultado de exame.
  • D. A azitromicina é reservada para situações específicas, como suspeita de Campylobacter em diarreia disenteriforme ou diarreia do viajante moderada a grave, não sendo indicada neste quadro leve.
Ponto-chave: A diarreia aguda leve, afebril e sem sinais de disenteria deve ser tratada de forma conservadora com hidratação, reservando-se antibioticoterapia para casos com sinais de gravidade ou disenteria.
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Um homem de 42 anos, morador de área alagada após enchente recente, é atendido na UPA com febre de 39°C, mialgia intensa em panturrilhas, cefaleia e hiperemia conjuntival há 4 dias. Na evolução, apresenta icterícia rubínica, oligúria e dispneia. Exames laboratoriais mostram creatinina de 3,8 mg/dL, bilirrubina total de 12 mg/dL (predomínio direto) e plaquetas de 65.000/mm³. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. AHepatite A fulminante
  2. BMalária grave por Plasmodium falciparum
  3. CFebre amarela na forma grave
  4. DLeptospirose na forma grave (síndrome de Weil)
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Resposta: D. Leptospirose na forma grave (síndrome de Weil)

A síndrome de Weil é a forma grave da leptospirose, caracterizada pela tríade de icterícia (geralmente rubínica, de tom alaranjado), insuficiência renal aguda (frequentemente não oligúrica, mas pode ser oligúrica) e diátese hemorrágica, associada a manifestações como mialgia intensa em panturrilhas, hiperemia conjuntival e sufusão conjuntival. O contexto epidemiológico de exposição a água de enchente é fundamental para a suspeita diagnóstica. A combinação de icterícia rubínica, disfunção renal e plaquetopenia neste contexto epidemiológico torna a leptospirose grave o diagnóstico mais provável.

  • A. A hepatite A geralmente não causa insuficiência renal aguda tão proeminente nem mialgia intensa em panturrilhas, e a icterícia costuma ser de padrão diferente.
  • B. A malária grave pode causar icterícia e insuficiência renal, mas o contexto epidemiológico de exposição à água de enchente e a mialgia intensa em panturrilhas tornam a leptospirose mais provável.
  • C. A febre amarela grave causa icterícia e disfunção hepática, mas não é tipicamente associada à exposição a água de enchente, e a hiperemia conjuntival com mialgia em panturrilhas é mais característica da leptospirose.
Ponto-chave: A síndrome de Weil, forma grave da leptospirose, é definida pela tríade de icterícia rubínica, insuficiência renal aguda e diátese hemorrágica em contexto de exposição a água contaminada.
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Um pescador de 35 anos é atendido na UBS com febre de 38,5°C, mialgia em panturrilhas e cefaleia iniciadas há 2 dias, após ter trabalhado em área com histórico recente de enchente. Está hemodinamicamente estável, sem icterícia, sem alterações respiratórias ou renais ao exame. A hipótese diagnóstica é leptospirose na fase inicial (forma leve/anictérica). Qual é o antibiótico de escolha para tratamento ambulatorial deste paciente?

  1. ACeftriaxona intravenosa
  2. BPenicilina cristalina intravenosa
  3. CDoxiciclina oral
  4. DCiprofloxacino oral
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Resposta: C. Doxiciclina oral

Nas formas leves de leptospirose, sem sinais de gravidade, o tratamento ambulatorial de escolha é a doxiciclina oral, na dose de 100 mg a cada 12 horas por 5 a 7 dias, iniciada preferencialmente nos primeiros dias de sintomas para reduzir a duração e a gravidade da doença. Nas formas graves, com icterícia, insuficiência renal ou manifestações hemorrágicas, o tratamento deve ser hospitalar com penicilina cristalina ou ceftriaxona intravenosa. Como este paciente apresenta forma leve e ambulatorial, a doxiciclina é a conduta mais apropriada.

  • A. A ceftriaxona intravenosa é alternativa para formas graves hospitalares, não sendo necessária em quadro leve que pode ser tratado ambulatorialmente por via oral.
  • B. A penicilina cristalina intravenosa é reservada para formas graves da leptospirose que requerem internação hospitalar, não sendo indicada neste caso leve e ambulatorial.
  • D. O ciprofloxacino não é o antibiótico recomendado pelos protocolos nacionais para o tratamento da leptospirose.
Ponto-chave: A doxiciclina oral é o tratamento de escolha para a forma leve da leptospirose em manejo ambulatorial, reservando-se penicilina ou ceftriaxona intravenosa para as formas graves hospitalares.
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Um menino de 8 anos é levado à UBS após ter sido mordido por um cão desconhecido, sem dono identificável, na perna, causando lesão superficial única com sangramento discreto, há cerca de 2 horas. O animal fugiu após a mordida e não pode ser observado ou capturado. A região não é considerada área de raiva controlada. Qual é a conduta de profilaxia pós-exposição mais adequada?

  1. ANão iniciar profilaxia, pois a lesão é única e superficial, aguardando sinais de raiva no paciente
  2. BIniciar apenas o esquema vacinal antirrábico, sem necessidade de soro, pois a lesão é superficial
  3. CLavar o local com água e sabão e apenas observar o animal por 10 dias antes de decidir pela vacinação
  4. DLavar o local com água e sabão e iniciar esquema completo de vacina antirrábica associado a soro antirrábico
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Resposta: D. Lavar o local com água e sabão e iniciar esquema completo de vacina antirrábica associado a soro antirrábico

Mordeduras por cão desconhecido, não observável e em área sem raiva controlada são classificadas como exposição grave quando a ferida, mesmo superficial, ocorre em região de alta inervação ou associada a sangramento, e a impossibilidade de observação do animal por 10 dias impõe tratamento completo imediato. O protocolo do Ministério da Saúde recomenda, nesses casos de risco não controlável, o esquema completo de vacina antirrábica (5 doses, dias 0, 3, 7, 14 e 28) associado ao soro antirrábico heterólogo ou imunoglobulina, administrado o mais precocemente possível, idealmente infiltrado ao redor da ferida. A lavagem imediata da ferida com água e sabão é medida inicial essencial em qualquer exposição.

  • A. A raiva é doença de letalidade praticamente de 100% após o início dos sintomas, portanto a profilaxia deve ser iniciada imediatamente após a exposição, sem aguardar sinais clínicos.
  • B. Em exposições graves com animal não observável, o soro antirrábico é indicado associado à vacina, não devendo ser omitido mesmo com lesão aparentemente superficial.
  • C. A observação do animal por 10 dias só é válida quando o animal está disponível para acompanhamento; como o cão fugiu e não pode ser observado, essa conduta expõe o paciente a risco inaceitável.
Ponto-chave: Em exposição a cão desconhecido e não observável em área sem raiva controlada, deve-se iniciar imediatamente o esquema completo de vacina e soro antirrábico, após lavagem da ferida com água e sabão.
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Um agricultor de 38 anos, residente em área endêmica de Minas Gerais, procura a UBS com queixa de dor abdominal, diarreia intermitente e hepatomegalia discreta há vários meses. Relata hábito frequente de banhar-se em córregos próximos à propriedade. O exame parasitológico de fezes (método de Kato-Katz) identifica ovos com espículo lateral característico. Em relação ao ciclo de transmissão desta parasitose, qual hospedeiro intermediário é essencial para a manutenção da doença nessa região?

  1. ACaramujos do gênero Lymnaea
  2. BMoscas do gênero Lutzomyia
  3. CLarvas de mosquitos do gênero Aedes
  4. DCaramujos do gênero Biomphalaria
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Resposta: D. Caramujos do gênero Biomphalaria

A esquistossomose mansônica, causada pelo Schistosoma mansoni, tem como hospedeiro intermediário obrigatório caramujos de água doce do gênero Biomphalaria, nos quais ocorre a multiplicação assexuada do parasita e a liberação de cercárias na água. O achado de ovos com espículo lateral nas fezes é característico do S. mansoni e confirma o diagnóstico. A transmissão ocorre pelo contato com água doce contaminada por cercárias, que penetram ativamente na pele humana. O tratamento de escolha é o praziquantel em dose única de 50 a 60 mg/kg para adultos.

  • A. Os caramujos do gênero Lymnaea são hospedeiros intermediários da fasciolíase, não da esquistossomose mansônica.
  • B. As moscas do gênero Lutzomyia são vetores da leishmaniose, não participando do ciclo de transmissão da esquistossomose.
  • C. Os mosquitos do gênero Aedes transmitem arboviroses como dengue, zika e chikungunya, não estando relacionados ao ciclo do Schistosoma mansoni.
Ponto-chave: O caramujo do gênero Biomphalaria é o hospedeiro intermediário essencial no ciclo de transmissão da esquistossomose mansônica, e o praziquantel é o tratamento de escolha.

Sepse e Infecções Hospitalares

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Um homem de 68 anos é atendido na UPA com queixa de febre e tosse produtiva há 3 dias. Está em uso de losartana para hipertensão. Ao exame: pressão arterial de 98 x 60 mmHg, frequência respiratória de 24 irpm, temperatura axilar de 38,6 °C, frequência cardíaca de 104 bpm. Ele está sonolento, mas abre os olhos ao chamado e responde às perguntas de forma confusa, não sabendo informar corretamente a data. A auscultação pulmonar revela estertores crepitantes em base direita. Diante desse quadro, qual é a conduta mais adequada para avaliação inicial do risco de desfecho desfavorável?

  1. ASolicitar apenas hemograma completo, pois a leucocitose isoladamente confirma ou exclui o diagnóstico de sepse
  2. BClassificar o paciente como estável hemodinamicamente, pois a pressão arterial sistólica ainda está acima de 90 mmHg
  3. CAguardar o resultado da proteína C reativa antes de iniciar qualquer medida, pois o diagnóstico de sepse depende de confirmação laboratorial
  4. DCalcular o escore qSOFA, considerando que o paciente já apresenta 2 critérios alterados, o que indica alto risco e exige reavaliação laboratorial imediata
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Resposta: D. Calcular o escore qSOFA, considerando que o paciente já apresenta 2 critérios alterados, o que indica alto risco e exige reavaliação laboratorial imediata

O qSOFA (quick SOFA) é uma ferramenta de triagem à beira-leito para identificar pacientes com suspeita de infecção e risco aumentado de desfecho desfavorável, usando três critérios: frequência respiratória ≥ 22 irpm, alteração do nível de consciência (Glasgow < 15) e pressão arterial sistólica ≤ 100 mmHg. O paciente descrito apresenta alteração do estado mental e frequência respiratória de 24 irpm, totalizando pelo menos 2 critérios, o que já indica necessidade de investigação complementar com o escore SOFA completo e dosagem de lactato. O qSOFA não substitui o diagnóstico de sepse, mas sinaliza a necessidade de abordagem mais agressiva e rápida. Vale destacar que a PAS de 98 mmHg já preenche o critério de pressão, contrariando a ideia de estabilidade hemodinâmica baseada apenas no corte de 90 mmHg.

  • A. A leucocitose isolada não confirma nem exclui sepse; o diagnóstico depende de critérios clínicos e disfunção orgânica associados à infecção.
  • B. A PAS de 98 mmHg já está dentro do critério de alteração do qSOFA (≤ 100 mmHg), portanto o paciente não pode ser considerado estável apenas por estar acima de 90 mmHg.
  • C. A sepse é uma emergência clínica e a conduta não pode esperar exames inespecíficos como PCR antes de qualquer ação; o reconhecimento é clínico.
Ponto-chave: O qSOFA (FR ≥ 22 irpm, alteração do estado mental, PAS ≤ 100 mmHg) é uma ferramenta de triagem rápida que, com 2 ou mais critérios positivos, indica maior risco de desfecho desfavorável e necessidade de avaliação completa para sepse.
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Uma mulher de 54 anos, diabética, é admitida na emergência de um hospital da rede SUS com quadro de dor lombar à direita, febre de 39,2 °C e calafrios há 1 dia. Exame físico: pressão arterial de 84 x 52 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm, frequência respiratória de 26 irpm, saturação de oxigênio de 94% em ar ambiente, Glasgow 14 (desorientação leve). Punho-percussão lombar positiva à direita. O lactato sérico coletado é de 4,2 mmol/L. Após a coleta de hemoculturas, qual é a conduta prioritária nos primeiros 60 minutos?

  1. ATransfundir concentrado de hemácias para elevar a oferta de oxigênio tecidual antes de iniciar antibiótico
  2. BIniciar noradrenalina venosa em acesso periférico como primeira medida, postergando a antibioticoterapia até a estabilização pressórica
  3. CIniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro e infundir 30 mL/kg de cristaloide balanceado em bólus
  4. DSolicitar tomografia de abdome com contraste antes de qualquer intervenção para confirmar o foco infeccioso
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Resposta: C. Iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro e infundir 30 mL/kg de cristaloide balanceado em bólus

A paciente apresenta choque séptico (hipotensão, lactato de 4,2 mmol/L, suspeita de foco urinário) e, segundo as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign e do protocolo de sepse do Ministério da Saúde, o pacote da primeira hora inclui coleta de lactato e hemoculturas, administração de antibiótico de amplo espectro o mais rápido possível e reposição volêmica agressiva com 30 mL/kg de cristaloide nas primeiras 3 horas, idealmente já iniciada na primeira hora em caso de hipotensão ou lactato elevado. O retardo na antibioticoterapia está associado a aumento da mortalidade, de forma que não se deve aguardar exames de imagem para iniciar o tratamento. A via periférica é aceitável para início imediato de fluidos e antibióticos, sem necessidade de aguardar acesso central.

  • A. A transfusão de hemácias não é medida de primeira linha na reanimação inicial da sepse; está reservada para casos com hemoglobina muito baixa (geralmente < 7 g/dL) após estabilização.
  • B. Vasopressores são indicados quando a hipotensão persiste após reposição volêmica adequada, e nunca devem substituir ou postergar a antibioticoterapia.
  • D. A tomografia pode ser necessária para identificar o foco (ex.: pielonefrite obstrutiva), mas não deve retardar o início de antibiótico e reposição volêmica no choque séptico.
Ponto-chave: No choque séptico, o pacote da primeira hora inclui coleta de lactato e culturas, antibioticoterapia empírica precoce e reposição volêmica com 30 mL/kg de cristaloide, sem aguardar exames de imagem.
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Um homem de 72 anos, acamado por sequela de acidente vascular encefálico, é levado à UPA por familiares devido a febre de 38,9 °C, confusão mental aguda e urina com odor fétido há 2 dias. Está em uso de sonda vesical de demora há 3 semanas. Exame físico: pressão arterial de 90 x 58 mmHg, frequência cardíaca de 112 bpm, frequência respiratória de 24 irpm. Não há sinais de foco pulmonar, cutâneo ou abdominal ao exame. Após coleta de urina e hemoculturas, qual é o esquema antibiótico empírico mais adequado para suspeita de infecção urinária associada a dispositivo, considerando a gravidade do quadro?

  1. ASulfametoxazol-trimetoprima por via oral
  2. BPiperacilina-tazobactam por via intravenosa
  3. CNitrofurantoína por via oral
  4. DAmoxicilina por via oral
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Resposta: B. Piperacilina-tazobactam por via intravenosa

O paciente apresenta infecção do trato urinário associada a cateter vesical de demora evoluindo com sepse/choque séptico (hipotensão, taquicardia, confusão mental), o que exige antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro cobrindo bacilos Gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa e enterobactérias produtoras de betalactamases, germes frequentes em infecções relacionadas a dispositivos e internações prolongadas. A piperacilina-tazobactam oferece essa cobertura de amplo espectro e é amplamente utilizada como terapia empírica inicial em quadros graves de origem urinária nosocomial. As demais opções são antibióticos orais, inadequados tanto pela gravidade hemodinâmica do paciente quanto pelo espectro insuficiente para patógenos multirresistentes associados a cateter de longa permanência.

  • A. O sulfametoxazol-trimetoprima por via oral não tem indicação em paciente com instabilidade hemodinâmica, que necessita de antibiótico parenteral de amplo espectro.
  • C. A nitrofurantoína tem indicação apenas para cistite não complicada, não atinge concentrações adequadas em caso de bacteremia e não deve ser usada em quadro séptico.
  • D. A amoxicilina isolada tem espectro limitado e alta taxa de resistência entre enterobactérias, sendo inadequada para sepse de foco urinário associada a dispositivo.
Ponto-chave: Em sepse de foco urinário associada a cateter vesical de demora, a antibioticoterapia empírica deve ser intravenosa e de amplo espectro, cobrindo Gram-negativos multirresistentes, como piperacilina-tazobactam.
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Um homem de 34 anos, usuário de drogas injetáveis, procura o hospital por febre intermitente há 3 semanas, associada a mialgia e perda de peso de 4 kg. Ao exame: temperatura de 38,3 °C, sopro sistólico em borda esternal inferior esquerda que se intensifica à inspiração, além de lesões eritematosas dolorosas em pulpa digital. Qual é a conduta mais adequada para investigação diagnóstica inicial desse paciente?

  1. AColetar três amostras de hemocultura de sítios periféricos distintos, com intervalo entre as coletas, antes de iniciar antibioticoterapia
  2. BRealizar apenas ecocardiograma transtorácico, dispensando a coleta de hemoculturas quando há sopro cardíaco ao exame
  3. CSolicitar sorologia para HIV isoladamente, visto que o quadro é mais provável de ser síndrome retroviral aguda
  4. DIniciar antibioticoterapia empírica imediata e solicitar hemocultura apenas se houver falha terapêutica após 5 dias
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Resposta: A. Coletar três amostras de hemocultura de sítios periféricos distintos, com intervalo entre as coletas, antes de iniciar antibioticoterapia

O quadro clínico (febre prolongada, sopro cardíaco novo, lesões de Osler nas pontas dos dedos, uso de drogas injetáveis) é altamente sugestivo de endocardite infecciosa, cujo diagnóstico pelos critérios de Duke modificados depende da positividade de hemoculturas associada a achados ecocardiográficos. A recomendação é coletar pelo menos três amostras de hemocultura de sítios de punção periférica diferentes, antes do início de qualquer antibiótico, para maximizar a chance de isolamento do agente etiológico, uma vez que o início precoce de antibioticoterapia empírica reduz a sensibilidade das culturas. Esse isolamento microbiológico é um dos critérios maiores de Duke e orienta a escolha definitiva do esquema terapêutico.

  • B. O ecocardiograma é essencial, mas não substitui a hemocultura; o diagnóstico de endocardite pelos critérios de Duke depende da combinação de achados microbiológicos e ecocardiográficos.
  • C. Embora a sorologia para HIV possa ser considerada pelo fator de risco, o quadro com sopro novo e lesões de Osler aponta para endocardite, não para síndrome retroviral aguda isoladamente.
  • D. Iniciar antibiótico antes da coleta de hemoculturas compromete a sensibilidade do exame e retarda o diagnóstico etiológico, fundamental nos critérios de Duke.
Ponto-chave: Na suspeita de endocardite infecciosa, deve-se coletar ao menos três hemoculturas de sítios periféricos distintos antes de iniciar antibioticoterapia, pois a positividade microbiológica é critério maior de Duke.

Imunizações e Profilaxias Gerais

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Um homem de 45 anos dá entrada na UPA após sofrer corte profundo com arame enferrujado no antebraço durante trabalho rural, há cerca de 2 horas. A ferida apresenta bordas irregulares, tecido necrótico e contaminação visível com terra. Ele informa ter recebido apenas 2 doses de vacina contra tétano na vida adulta, sem nenhum reforço há mais de 15 anos. Qual é a conduta mais adequada para profilaxia antitetânica nesse caso?

  1. AAdministrar apenas imunoglobulina antitetânica, sem necessidade de vacina, já que o paciente já tem alguma imunidade prévia
  2. BAplicar uma dose de vacina dT e administrar imunoglobulina antitetânica (ou soro antitetânico), além dos cuidados locais com a ferida
  3. CNão administrar nenhuma profilaxia, pois o esquema vacinal incompleto não permite intervenção até confirmação sorológica
  4. DAplicar apenas uma dose de reforço de dT, sem necessidade de imunoglobulina, pois o paciente já recebeu duas doses prévias
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Resposta: B. Aplicar uma dose de vacina dT e administrar imunoglobulina antitetânica (ou soro antitetânico), além dos cuidados locais com a ferida

Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, a conduta de profilaxia do tétano acidental depende do tipo de ferida e do histórico vacinal. Essa ferida é classificada como de alto risco (profunda, com tecido necrótico e contaminação por terra). Para pacientes com esquema vacinal incompleto (menos de 3 doses) e ferida de alto risco, está indicada tanto a aplicação de uma dose de vacina dT (para completar o esquema e estimular memória imunológica) quanto a administração de imunoglobulina antitetânica ou soro antitetânico, para garantir proteção imediata enquanto a resposta vacinal se desenvolve. Feridas limpas e superficiais em pacientes com esquema incompleto exigiriam apenas a vacina, sem necessidade de imunoglobulina.

  • A. A vacina dT também deve ser aplicada, pois o esquema vacinal está incompleto e precisa ser complementado, além da proteção imediata pela imunoglobulina.
  • C. A profilaxia antitetânica não depende de confirmação sorológica; a conduta é baseada no histórico vacinal relatado e no tipo de ferida.
  • D. Com apenas 2 doses prévias e ferida de alto risco, o esquema é considerado incompleto, exigindo também a imunoglobulina, não apenas o reforço vacinal.
Ponto-chave: Em ferida de alto risco com esquema vacinal antitetânico incompleto, a profilaxia deve incluir vacina dT e imunoglobulina (ou soro) antitetânica, conforme o protocolo do Ministério da Saúde.
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Um médico de uma UBS no interior do Pará atende um paciente de 38 anos com quadro de febre alta, cefaleia intensa, mialgia e exantema maculopapular há 4 dias, com suspeita clínica de sarampo, reforçada pela presença de manchas de Koplik na mucosa oral. O paciente não possui comprovante vacinal contra sarampo. De acordo com a Lista Nacional de Notificação Compulsória do Ministério da Saúde, qual é a conduta correta quanto à notificação desse caso?

  1. ANotificar apenas se houver outros casos semelhantes na mesma semana na região, caracterizando surto confirmado
  2. BAguardar confirmação laboratorial por sorologia antes de realizar qualquer notificação às autoridades de saúde
  3. CNotificar o caso suspeito de forma imediata, em até 24 horas, por ser doença de notificação compulsória imediata
  4. DNotificar o caso apenas na notificação semanal, pois sarampo não exige comunicação urgente às autoridades sanitárias
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Resposta: C. Notificar o caso suspeito de forma imediata, em até 24 horas, por ser doença de notificação compulsória imediata

O sarampo é classificado na Lista Nacional de Notificação Compulsória do Ministério da Saúde como doença de notificação compulsória imediata, devendo ser comunicado em até 24 horas às autoridades de saúde (vigilância epidemiológica municipal, estadual e, quando necessário, nacional), mesmo diante de caso apenas suspeito, pois seu potencial de disseminação e impacto na saúde pública exigem resposta rápida, incluindo busca ativa de contatos e vacinação de bloqueio. A notificação não deve esperar confirmação laboratorial, já que o objetivo é permitir intervenção precoce para controle da cadeia de transmissão.

  • A. A notificação de caso suspeito individual é obrigatória e imediata, independentemente da existência de outros casos simultâneos; não se trata de notificação condicionada a surto confirmado.
  • B. A notificação compulsória imediata deve ser feita a partir da suspeita clínica, sem necessidade de aguardar confirmação laboratorial, para permitir ação rápida de controle.
  • D. Sarampo está entre as doenças de notificação compulsória imediata justamente pelo alto potencial de surto e necessidade de resposta rápida da vigilância epidemiológica.
Ponto-chave: Doenças com alto potencial de disseminação e impacto na saúde pública, como o sarampo, são de notificação compulsória imediata (até 24 horas) a partir da suspeita clínica, sem necessidade de confirmação laboratorial prévia.

Perguntas frequentes

Estas são questões reais do Revalida?

Não. São questões originais escritas no estilo do Revalida, de acordo com a matriz da prova. Um segundo modelo independente resolveu cada questão sem ver o gabarito, e as que tinham gabarito discutível foram removidas.

Como usar estas questões de infectologia?

Faça primeiro o simulado sem olhar as respostas e depois leia o comentário de cada questão que você errou ou chutou. O ponto-chave abaixo de cada resposta é o que vale guardar.

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Sim. Todas as questões, respostas e comentários desta página são gratuitos e não exigem cadastro.

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