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Revalida · Brasil

Questões de ginecologia e obstetrícia para o Revalida

47 questões originais no estilo do Revalida sobre ginecologia e obstetrícia. Cada uma com a resposta correta, o comentário, por que as outras alternativas estão erradas e o ponto-chave. Resolva no simulado ou leia abaixo, agrupadas por tema.

Questões47 com gabarito
Temas10
Alternativas por questão4
Tempo≈ 70 min
Revalida · Ginecologia e obstetrícia: simuladoEscolha uma alternativa para ver na hora a resposta correta e o comentário. Seu melhor resultado fica salvo neste navegador.

Pré-natal e assistência obstétrica básica

8 questões
1

Uma gestante de 24 anos, sem comorbidades, está com 14 semanas de idade gestacional e realiza sua segunda consulta de pré-natal na UBS, sem intercorrências. O exame obstétrico e os exames laboratoriais estão normais. Conforme o calendário mínimo de consultas de pré-natal recomendado pelo Ministério da Saúde, qual deve ser a periodicidade das próximas consultas até o final da gestação, considerando a ausência de fatores de risco?

  1. AQuinzenal durante toda a gestação, com intensificação apenas no último mês
  2. BMensal até 28 semanas, quinzenal de 28 a 36 semanas e semanal a partir de 36 semanas até o parto
  3. CMensal durante toda a gestação, independentemente da idade gestacional
  4. DQuinzenal até 32 semanas e semanal a partir de 32 semanas até o parto
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Resposta: B. Mensal até 28 semanas, quinzenal de 28 a 36 semanas e semanal a partir de 36 semanas até o parto

O Ministério da Saúde recomenda, para gestações de baixo risco, consultas mensais até a 28ª semana, quinzenais entre a 28ª e a 36ª semana, e semanais a partir da 36ª semana até o parto. Essa periodicidade permite identificar precocemente intercorrências como hipertensão gestacional, diabetes mellitus gestacional, restrição de crescimento fetal e trabalho de parto prematuro. O calendário mínimo preconizado é de pelo menos seis consultas de pré-natal, idealmente uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro trimestre. A intensificação da vigilância no terceiro trimestre justifica-se pelo maior risco de complicações próximas ao termo.

  • A. Não corresponde ao esquema escalonado recomendado pelo MS, que prevê intervalos decrescentes conforme a idade gestacional avança.
  • C. Não contempla a necessidade de intensificação da vigilância no terceiro trimestre, conforme recomendado.
  • D. Periodicidade incorreta, pois antecipa a fase quinzenal e a fase semanal em relação ao recomendado pelo MS.
Ponto-chave: O pré-natal de baixo risco deve seguir consultas mensais até 28 semanas, quinzenais até 36 semanas e semanais até o parto, conforme o Ministério da Saúde.
2

Uma gestante de 30 anos, com 10 semanas de idade gestacional, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS. Nega comorbidades e está assintomática. De acordo com os protocolos do Ministério da Saúde, diversos exames laboratoriais devem ser solicitados no primeiro trimestre. Qual dos exames listados a seguir deve ser obrigatoriamente repetido no terceiro trimestre da gestação, independentemente do resultado inicial, mesmo que negativo no primeiro trimestre?

  1. AEletroforese de hemoglobina
  2. BTipagem sanguínea e fator Rh
  3. CSorologia para rubéola
  4. DSorologia para toxoplasmose (IgG e IgM), se não imune na primeira avaliação
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Resposta: D. Sorologia para toxoplasmose (IgG e IgM), se não imune na primeira avaliação

A sorologia para toxoplasmose deve ser repetida no terceiro trimestre em gestantes suscetíveis (IgG negativo na primeira avaliação), pois a infecção aguda pode ocorrer em qualquer momento da gestação e sua detecção tardia permite tratamento oportuno para reduzir o risco de transmissão vertical. Os demais exames citados, como tipagem sanguínea, eletroforese de hemoglobina e sorologia para rubéola, são solicitados apenas uma vez, já que seus resultados não se alteram ao longo da gestação. O Ministério da Saúde também recomenda repetir no terceiro trimestre a glicemia, VDRL, anti-HIV, HBsAg e hemograma.

  • A. É solicitado uma única vez, pois identifica hemoglobinopatias que não se alteram com o tempo.
  • B. É um exame único, pois o grupo sanguíneo e o fator Rh não se modificam durante a gestação.
  • C. É realizada apenas na primeira consulta, pois a imunidade à rubéola, uma vez confirmada, não se modifica.
Ponto-chave: Gestantes suscetíveis à toxoplasmose (IgG negativo) devem repetir a sorologia no terceiro trimestre para detectar seroconversão e indicar tratamento precoce.
3

Uma mulher de 26 anos planeja engravidar e procura a UBS para orientação pré-concepcional. Não apresenta comorbidades, não tem antecedente de defeito de tubo neural em gestações anteriores e não usa medicações teratogênicas. Segundo as recomendações do Ministério da Saúde para prevenção de defeitos do tubo neural, qual é a conduta adequada quanto à suplementação de ácido fólico nessa paciente?

  1. AIniciar ácido fólico 0,4 mg/dia apenas a partir da 12ª semana de gestação
  2. BIniciar ácido fólico 5 mg/dia apenas após a confirmação da gravidez, mantendo durante toda a gestação
  3. CIniciar ácido fólico 0,4 a 0,8 mg/dia pelo menos 30 dias antes da concepção, mantendo até o final do primeiro trimestre
  4. DNão há necessidade de suplementação de ácido fólico se a alimentação for balanceada e rica em folato
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Resposta: C. Iniciar ácido fólico 0,4 a 0,8 mg/dia pelo menos 30 dias antes da concepção, mantendo até o final do primeiro trimestre

A suplementação de ácido fólico na dose de 0,4 a 0,8 mg/dia deve ser iniciada idealmente pelo menos 30 dias antes da concepção e mantida até o final do primeiro trimestre (12 semanas), período crítico para o fechamento do tubo neural, que ocorre entre a 3ª e a 4ª semana embrionária. Essa suplementação reduz significativamente o risco de defeitos do tubo neural, como anencefalia e espinha bífida. Doses mais altas, como 4 a 5 mg/dia, são reservadas para mulheres com antecedente pessoal ou familiar de defeito de tubo neural, uso de anticonvulsivantes ou diabetes mellitus pré-gestacional. A suplementação isolada pela dieta não é suficiente para garantir a proteção adequada.

  • A. Início tardio, pois o fechamento do tubo neural ocorre nas primeiras semanas embrionárias, antes da 12ª semana.
  • B. Dose elevada reservada para gestantes de alto risco para defeito de tubo neural, e o início tardio perde a janela crítica de fechamento do tubo neural.
  • D. A ingestão alimentar isolada geralmente não atinge os níveis séricos necessários para a proteção adequada contra defeitos do tubo neural.
Ponto-chave: O ácido fólico deve ser suplementado idealmente desde o período pré-concepcional até 12 semanas de gestação para prevenir defeitos do tubo neural.
4

Uma gestante de 22 anos, com 24 semanas de idade gestacional, comparece à UBS para atualização do calendário vacinal. Está assintomática, sem comorbidades, e nunca foi vacinada para febre amarela. Reside em área sem recomendação de vacinação contra febre amarela. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde para imunização de gestantes, qual vacina deve ser indicada nesta consulta?

  1. AVacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)
  2. BVacina febre amarela (atenuada)
  3. CVacina varicela (atenuada)
  4. DVacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto)
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Resposta: D. Vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto)

A vacina dTpa é recomendada para todas as gestantes a partir da 20ª semana de idade gestacional, idealmente entre 27 e 36 semanas, em cada gestação, com o objetivo de proteger o recém-nascido contra a coqueluche por meio da transferência passiva de anticorpos maternos. As vacinas de vírus vivos atenuados, como febre amarela, tríplice viral e varicela, são contraindicadas na gestação pelo risco teórico de transmissão do vírus vacinal ao feto, exceto em situações de risco epidemiológico elevado para febre amarela, quando o benefício supera o risco. Na ausência de indicação de risco epidemiológico, a vacina de febre amarela deve ser postergada para o puerpério.

  • A. Vacina de vírus vivo atenuado, contraindicada durante toda a gestação.
  • B. Vacina de vírus vivo atenuado, contraindicada na gestação exceto em situação de risco epidemiológico elevado, não presente nesta paciente.
  • C. Vacina de vírus vivo atenuado, contraindicada durante toda a gestação.
Ponto-chave: A dTpa deve ser administrada a partir de 20 semanas em toda gestação, enquanto vacinas de vírus vivo atenuado são contraindicadas na ausência de risco epidemiológico específico.
5

Uma gestante de 35 anos, com 16 semanas de idade gestacional, está em acompanhamento na UBS. Antecedente de duas cesáreas anteriores por desproporção cefalopélvica, nega outras comorbidades. Pressão arterial 110x70 mmHg, exame obstétrico sem alterações. Diante desse antecedente obstétrico, qual é a conduta mais adequada em relação ao seguimento do pré-natal dessa paciente?

  1. AManter exclusivamente na atenção básica, pois a pressão arterial está normal
  2. BReferenciar à maternidade apenas no momento do trabalho de parto, sem necessidade de pré-natal especializado
  3. CSolicitar internação hospitalar eletiva para investigação da cicatriz uterina
  4. DReferenciar ao pré-natal de alto risco, mantendo acompanhamento conjunto com a UBS
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Resposta: D. Referenciar ao pré-natal de alto risco, mantendo acompanhamento conjunto com a UBS

Antecedente de duas ou mais cesáreas é um dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para classificação de gestação de alto risco, pelo maior risco de complicações como rotura uterina, placenta prévia e acretismo placentário em gestações subsequentes. Essas gestantes devem ser referenciadas ao pré-natal de alto risco, preferencialmente mantendo acompanhamento compartilhado com a atenção básica para ações de cuidado continuado, como vacinação e orientações gerais. A referência precoce permite avaliação especializada, incluindo ultrassonografia direcionada para avaliação de inserção placentária. A internação eletiva não é indicada apenas pelo antecedente de cesáreas anteriores, na ausência de outras complicações.

  • A. A pressão arterial normal não exclui o risco obstétrico decorrente do antecedente de múltiplas cesáreas.
  • B. O acompanhamento especializado deve ocorrer durante toda a gestação, e não apenas no momento do parto.
  • C. Não há indicação de internação hospitalar apenas pelo antecedente de cesáreas, sem sinais de complicação atual.
Ponto-chave: Antecedente de duas ou mais cesáreas caracteriza gestação de alto risco e exige referência ao pré-natal especializado.
6

Uma gestante de 29 anos, com 30 semanas de idade gestacional confirmadas por ultrassonografia precoce, realiza consulta de pré-natal na UBS. A medida da altura uterina é de 24 cm. Na consulta anterior, com 26 semanas, a altura uterina era de 25 cm, dentro da faixa esperada no gráfico de acompanhamento. O índice de massa corporal pré-gestacional era normal e o ganho de peso está adequado. Diante desse achado na curva de altura uterina, qual é a conduta mais apropriada?

  1. AEncaminhar para ultrassonografia obstétrica para avaliação do crescimento fetal e do volume de líquido amniótico
  2. BPrescrever suplementação calórico-proteica e solicitar hemograma completo
  3. COrientar repouso domiciliar e reavaliação da altura uterina em 15 dias
  4. DTranquilizar a paciente e repetir a medida de altura uterina apenas na próxima consulta de rotina
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Resposta: A. Encaminhar para ultrassonografia obstétrica para avaliação do crescimento fetal e do volume de líquido amniótico

A altura uterina que se mantém estacionária ou reduz entre consultas sucessivas, cruzando percentis para baixo na curva de acompanhamento, é sinal de alerta para restrição de crescimento fetal ou oligoâmnio, exigindo investigação complementar imediata. A ultrassonografia obstétrica permite avaliar biometria fetal, estimativa de peso e índice de líquido amniótico, direcionando a conduta subsequente. Adiar a reavaliação ou adotar apenas medidas conservadoras, sem investigação por imagem, pode retardar o diagnóstico de uma condição que requer vigilância fetal mais intensiva. O ganho de peso adequado e o IMC normal não excluem alterações do crescimento fetal.

  • B. A suplementação nutricional isolada não substitui a investigação por imagem necessária para esclarecer a causa da estagnação da altura uterina.
  • C. O repouso domiciliar isolado não é uma medida diagnóstica nem terapêutica comprovada para a alteração encontrada.
  • D. Postergar a investigação pode retardar o diagnóstico de uma condição com potencial impacto no prognóstico fetal.
Ponto-chave: A estagnação ou redução da altura uterina entre consultas indica investigação ultrassonográfica para avaliar crescimento fetal e líquido amniótico.
7

Uma gestante de 21 anos, com 18 semanas de idade gestacional, realiza teste rápido para sífilis na UBS, com resultado positivo, confirmado por VDRL com titulação 1:16. Nega sintomas e não relata lesões genitais prévias. Não há registro de tratamento anterior para sífilis. O parceiro sexual está assintomático e nunca foi testado. Qual é a conduta mais adequada para o tratamento da gestante e do parceiro, conforme o protocolo do Ministério da Saúde?

  1. ATratar apenas a gestante com penicilina G benzatina e aguardar o resultado do teste do parceiro antes de iniciar qualquer tratamento nele
  2. BTratar a gestante com penicilina G benzatina conforme o estágio clínico e convocar e tratar o parceiro simultaneamente, mesmo antes do resultado do teste
  3. CTratar a gestante com azitromicina oral, já que a penicilina é contraindicada na gestação, e orientar o parceiro a procurar atendimento
  4. DPostergar o tratamento da gestante até a confirmação por teste treponêmico de segunda linha, para evitar tratamento desnecessário
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Resposta: B. Tratar a gestante com penicilina G benzatina conforme o estágio clínico e convocar e tratar o parceiro simultaneamente, mesmo antes do resultado do teste

A gestante com teste rápido positivo e VDRL reagente deve iniciar tratamento imediato com penicilina G benzatina, sem aguardar confirmação por segundo teste, dado o risco de transmissão vertical e as graves consequências da sífilis congênita. O parceiro sexual deve ser convocado e tratado empiricamente de forma simultânea, independentemente do resultado de seus exames, para evitar reinfecção da gestante e romper a cadeia de transmissão. A penicilina benzatina é o único tratamento comprovadamente eficaz para prevenir a sífilis congênita, não devendo ser substituída por azitromicina, que não garante a mesma eficácia transplacentária. A dose e o esquema dependem do estágio clínico, sendo a sífilis latente de duração indeterminada tratada com três doses semanais.

  • A. Atrasar o tratamento do parceiro mantém o risco de reinfecção da gestante, comprometendo a eficácia terapêutica.
  • C. A azitromicina não é equivalente à penicilina na prevenção da transmissão vertical e não é a primeira escolha para o tratamento materno.
  • D. O tratamento não deve ser postergado diante de teste rápido e VDRL reagentes, pelo risco de sífilis congênita associado ao retardo terapêutico.
Ponto-chave: Toda gestante com sífilis confirmada deve ser tratada imediatamente com penicilina benzatina, com tratamento simultâneo e empírico do parceiro sexual.
8

Gestante de 36 anos, G2P1, com 36 semanas e 2 dias de idade gestacional, comparece à UBS para consulta de pré-natal de rotina. É realizada coleta de swab vaginal e retal para cultura, que confirma colonização por Streptococcus agalactiae. Ela não apresenta alergia a antibióticos, não teve bacteriúria por esse agente na gestação atual e não teve filho anterior com doença invasiva neonatal por esse germe. A paciente pergunta em que momento deverá receber o antibiótico para proteger o recém-nascido.

  1. ADurante o trabalho de parto, com penicilina G cristalina intravenosa, a partir do início das contrações até o clampeamento do cordão
  2. BAgora, na consulta atual, com amoxicilina oral por 7 dias, independentemente do início do trabalho de parto
  3. CNo puerpério imediato, com cefalotina intravenosa, logo após o parto
  4. DNo início do terceiro trimestre, com azitromicina oral em dose única
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Resposta: A. Durante o trabalho de parto, com penicilina G cristalina intravenosa, a partir do início das contrações até o clampeamento do cordão

A colonização materna por Streptococcus agalactiae (GBS) identificada pela cultura de swab vaginal e retal entre 35-37 semanas indica profilaxia antibiótica intraparto, não antes. O antibiótico de escolha é a penicilina G cristalina intravenosa, iniciada no começo do trabalho de parto ou da rotura de membranas e mantida até o clampeamento do cordão, pois reduz a transmissão vertical e a sepse neonatal precoce. Tratar antes do parto não erradica a colonização de forma duradoura, pois o reto e a vagina voltam a ser recolonizados. A via intravenosa contínua durante o parto garante níveis adequados do antibiótico no líquido amniótico e no neonato no momento da passagem pelo canal de parto.

  • B. Tratamento antenatal com amoxicilina oral não erradica a colonização de forma sustentada e não substitui a profilaxia intraparto.
  • C. A profilaxia deve ser feita antes do parto, durante o trabalho de parto, e não após o nascimento, quando já não previne a exposição do neonato.
  • D. A azitromicina oral em dose única no terceiro trimestre não é o esquema recomendado para profilaxia da transmissão vertical do GBS.
Ponto-chave: A profilaxia intraparto com penicilina G cristalina intravenosa, do início do trabalho de parto até o clampeamento do cordão, é a conduta indicada para gestantes colonizadas por estreptococo do grupo B identificado na cultura de 35-37 semanas.

Síndromes hipertensivas da gestação

5 questões
9

Gestante de 29 anos, nulípara, com 33 semanas de idade gestacional, é atendida na UPA com pressão arterial de 152/98 mmHg, confirmada em duas medidas com intervalo de 15 minutos. Ela nega hipertensão prévia à gestação e não realizou pré-natal antes da 20ª semana. Ao exame, está assintomática, sem cefaleia, epigastralgia ou alterações visuais. O exame de urina tipo I mostra proteinúria de fita 1+, e a relação proteína/creatinina urinária isolada é de 0,20 mg/mg (valor de referência para proteinúria significativa: ≥ 0,3 mg/mg). As provas de função hepática e a contagem de plaquetas estão normais.

  1. AHipertensão crônica superajuntada
  2. BPré-eclâmpsia sem sinais de gravidade
  3. CHipertensão crônica isolada
  4. DHipertensão gestacional
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Resposta: D. Hipertensão gestacional

O diagnóstico de hipertensão gestacional é definido por pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg ou diastólica ≥ 90 mmHg surgida após 20 semanas de gestação, em paciente previamente normotensa, na ausência de proteinúria significativa (relação proteína/creatinina < 0,3 mg/mg) ou de outros critérios de gravidade. Nesta paciente, a proteinúria de fita é inespecífica e a relação proteína/creatinina está dentro do normal, o que exclui pré-eclâmpsia. Como não há hipertensão documentada antes das 20 semanas ou antes da gestação, também se exclui hipertensão crônica. A paciente deve manter acompanhamento rigoroso, pois pode evoluir para pré-eclâmpsia.

  • A. Não há relato de hipertensão antes da gestação ou antes de 20 semanas, o que é necessário para caracterizar hipertensão crônica superajuntada.
  • B. A relação proteína/creatinina urinária está abaixo de 0,3 mg/mg, não caracterizando proteinúria significativa necessária para esse diagnóstico.
  • C. O diagnóstico de hipertensão crônica isolada exige hipertensão prévia à gestação ou detectada antes de 20 semanas, o que não ocorreu nesse caso.
Ponto-chave: A hipertensão gestacional é definida por hipertensão após 20 semanas em gestante previamente normotensa, sem proteinúria significativa nem outros critérios de pré-eclâmpsia.
10

Gestante de 24 anos, com 35 semanas de idade gestacional, é internada com pressão arterial de 168/112 mmHg em duas aferições com 15 minutos de intervalo. Ela refere cefaleia holocraniana intensa, persistente, que não melhora com analgésico comum, associada a escotomas visuais há cerca de 2 horas. Ao exame, está consciente, orientada, sem sinais de irritação meníngea. Os exames mostram proteinúria de 24 horas de 1,8 g, plaquetas de 180.000/mm³, transaminases normais e creatinina sérica de 0,8 mg/dL.

  1. APré-eclâmpsia sem sinais de gravidade
  2. BHipertensão gestacional com proteinúria incidental
  3. CPré-eclâmpsia com sinais de gravidade
  4. DSíndrome HELLP
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Resposta: C. Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade

A pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é caracterizada pela presença de pressão arterial ≥ 160/110 mmHg ou por sintomas de iminência de eclâmpsia, como cefaleia intensa e persistente ou distúrbios visuais, independentemente dos valores de plaquetas ou enzimas hepáticas. Nesta paciente, tanto a pressão arterial muito elevada quanto a cefaleia refratária com escotomas já definem o quadro como grave, exigindo conduta ativa com sulfato de magnésio e anti-hipertensivo de ação rápida. A ausência de plaquetopenia ou elevação de transaminases não exclui a gravidade do quadro, pois os critérios são múltiplos e independentes. A síndrome HELLP é descartada pela normalidade das plaquetas e das transaminases.

  • A. A presença de pressão arterial ≥ 160/110 mmHg e sintomas de iminência de eclâmpsia já classificam o quadro como grave, excluindo a forma sem gravidade.
  • B. A proteinúria significativa associada à hipertensão grave e aos sintomas neurológicos caracteriza pré-eclâmpsia grave, não um achado incidental isolado.
  • D. A síndrome HELLP exige hemólise, elevação de transaminases e plaquetopenia, achados ausentes nesta paciente.
Ponto-chave: Pressão arterial ≥ 160/110 mmHg ou sintomas de iminência de eclâmpsia (cefaleia refratária, distúrbios visuais) definem pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, independentemente de plaquetas ou enzimas hepáticas.
11

Gestante de 31 anos, com 32 semanas, internada por pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, está em uso de sulfato de magnésio intravenoso em esquema de manutenção (dose de ataque seguida de infusão contínua), conforme protocolo de Zuspan, para prevenção de eclâmpsia. Durante a reavaliação de enfermagem, 2 horas após o início da infusão, observa-se frequência respiratória de 10 incursões por minuto, reflexo patelar ausente bilateralmente e diurese de 20 mL na última hora. A pressão arterial é de 150/95 mmHg e a saturação de oxigênio é de 94%.

  1. ASuspender imediatamente a infusão de sulfato de magnésio e administrar gluconato de cálcio intravenoso
  2. BTrocar o sulfato de magnésio por fenitoína intravenosa para continuar a profilaxia
  3. CReduzir a velocidade de infusão do sulfato de magnésio à metade e reavaliar em 1 hora
  4. DManter a infusão sem alterações, pois os achados são esperados com o uso do fármaco
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Resposta: A. Suspender imediatamente a infusão de sulfato de magnésio e administrar gluconato de cálcio intravenoso

A abolição do reflexo patelar, a frequência respiratória menor que 12 incursões por minuto e a oligúria são sinais clássicos de intoxicação por magnésio, que pode progredir para depressão respiratória grave e parada cardiorrespiratória. A conduta correta é suspender imediatamente a infusão e administrar gluconato de cálcio intravenoso, que é o antídoto específico, pois compete com o magnésio nos receptores musculares e reverte a toxicidade neuromuscular e respiratória. A monitorização clínica horária de reflexos, frequência respiratória e diurese é obrigatória durante o uso do sulfato de magnésio justamente para detectar esses sinais precocemente. Reduzir a infusão ou mantê-la sem intervenção expõe a paciente a risco de parada respiratória.

  • B. A fenitoína não é a droga de escolha para profilaxia ou tratamento da eclâmpsia e não trata a intoxicação por magnésio.
  • C. A presença de arreflexia e bradipneia já indica toxicidade estabelecida, que exige suspensão imediata e antídoto, não apenas redução da dose.
  • D. Esses achados não são esperados: arreflexia, bradipneia e oligúria são sinais de intoxicação por magnésio e exigem intervenção imediata.
Ponto-chave: A perda do reflexo patelar, a frequência respiratória menor que 12/min e a oligúria indicam intoxicação por sulfato de magnésio e exigem suspensão imediata da infusão e administração de gluconato de cálcio.
12

Gestante de 33 anos, com 34 semanas de idade gestacional, é internada com queixa de dor em quadrante superior direito do abdome e mal-estar geral há 1 dia. A pressão arterial é de 158/104 mmHg. Os exames laboratoriais mostram hemoglobina de 9,8 g/dL com presença de esquizócitos no esfregaço de sangue periférico, desidrogenase lática de 720 U/L, aspartato aminotransferase de 142 U/L, alanina aminotransferase de 128 U/L e contagem de plaquetas de 68.000/mm³.

  1. ASíndrome HELLP
  2. BPúrpura trombocitopênica trombótica
  3. CEsteatose hepática aguda da gestação
  4. DPré-eclâmpsia sem sinais de gravidade
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Resposta: A. Síndrome HELLP

A síndrome HELLP é definida pela tríade de hemólise microangiopática (evidenciada por anemia com esquizócitos e desidrogenase lática elevada), elevação das enzimas hepáticas (AST e ALT aumentadas) e plaquetopenia (contagem menor que 100.000/mm³), geralmente associada à hipertensão gestacional. A dor em quadrante superior direito reflete distensão da cápsula hepática por edema e microtrombose sinusoidal. A conduta imediata inclui estabilização materna, sulfato de magnésio para profilaxia de eclâmpsia, controle pressórico e interrupção da gestação, geralmente independentemente da idade gestacional após estabilização clínica, dada a gravidade do quadro. A esteatose hepática aguda e a púrpura trombocitopênica trombótica são diagnósticos diferenciais, mas não se encaixam no conjunto completo de alterações apresentado.

  • B. A púrpura trombocitopênica trombótica não está associada tipicamente à elevação tão marcada de transaminases hepáticas como neste caso, e o quadro clínico aqui se encaixa no padrão clássico de HELLP.
  • C. A esteatose hepática aguda da gestação tipicamente cursa com hipoglicemia, coagulopatia e insuficiência hepática mais acentuada, sem o padrão típico de hemólise com esquizócitos associado à plaquetopenia da forma descrita.
  • D. A presença de hemólise, plaquetopenia e elevação de transaminases define quadro mais grave que a pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade.
Ponto-chave: A síndrome HELLP é definida por hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia em gestante com quadro hipertensivo, exigindo estabilização e interrupção da gestação.
13

Gestante de 26 anos, com 29 semanas e 4 dias de idade gestacional, é internada com diagnóstico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Após estabilização inicial com sulfato de magnésio e controle pressórico adequado com hidralazina intravenosa, a paciente permanece assintomática, sem cefaleia ou dor epigástrica. Os exames laboratoriais atuais mostram plaquetas de 165.000/mm³, transaminases normais e função renal preservada. A cardiotocografia fetal está reativa e a avaliação dopplervelocimétrica não mostra centralização de fluxo.

  1. AIndução do parto vaginal imediata, independentemente das condições cervicais
  2. BConduta expectante em ambiente hospitalar, com monitorização materna e fetal rigorosa e corticoterapia para maturação pulmonar fetal
  3. CInterrupção imediata da gestação por via cesariana, independentemente da idade gestacional
  4. DAlta hospitalar com retorno ambulatorial semanal, mantendo apenas metildopa oral
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Resposta: B. Conduta expectante em ambiente hospitalar, com monitorização materna e fetal rigorosa e corticoterapia para maturação pulmonar fetal

Em gestações abaixo de 34 semanas, quando a pré-eclâmpsia grave está clinicamente estabilizada, sem sinais de deterioração materna (como eclâmpsia, edema agudo de pulmão, descolamento de placenta, HELLP ou hipertensão refratária) ou fetal (sofrimento fetal agudo, centralização grave), preconiza-se a conduta expectante em ambiente hospitalar, buscando prolongar a gestação para reduzir a morbimortalidade neonatal associada à prematuridade. Essa conduta inclui corticoterapia antenatal para maturação pulmonar fetal e vigilância materna e fetal contínua. A interrupção imediata estaria indicada caso houvesse instabilidade materna ou fetal, o que não ocorre nesta paciente. A alta hospitalar é inadequada, pois o quadro exige monitorização intensiva pelo risco de progressão.

  • A. A indução do parto não é indicada nesta fase, pois a paciente está estável e beneficia-se do prolongamento da gestação com vigilância hospitalar.
  • C. A interrupção imediata é reservada para casos de instabilidade materna ou fetal; nesta paciente estabilizada e com boa vitalidade fetal, a conduta expectante é preferível antes de 34 semanas.
  • D. A gravidade do quadro exige monitorização hospitalar contínua, não sendo seguro dar alta com acompanhamento apenas ambulatorial semanal.
Ponto-chave: Na pré-eclâmpsia grave antes de 34 semanas, com paciente e feto estáveis, indica-se conduta expectante hospitalar com corticoterapia, reservando a interrupção imediata para casos de instabilidade materna ou fetal.
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Hemorragias da gestação

4 questões
14

Gestante de 32 anos, G3P2, com 34 semanas de idade gestacional, chega à UPA relatando sangramento vaginal de início súbito há 1 hora, de cor vermelho-viva, em moderada quantidade, sem dor abdominal. Nega trauma. Ao exame, útero está indolor à palpação, tônus normal, e o batimento cardiofetal está presente, em 140 bpm. Pressão arterial de 110x70 mmHg e frequência cardíaca de 88 bpm. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. ARotura de seio marginal
  2. BRotura uterina
  3. CDescolamento prematuro de placenta
  4. DPlacenta prévia
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Resposta: D. Placenta prévia

A placenta prévia classicamente se apresenta com sangramento vaginal indolor, de sangue vermelho-vivo, de início súbito, geralmente no final do segundo ou no terceiro trimestre, sem hipertonia uterina e com boa vitalidade fetal inicial. O útero permanece indolor à palpação e com tônus normal, diferentemente do descolamento prematuro de placenta, que cursa com dor abdominal intensa e hipertonia uterina. A ausência de dor e de hipertonia, associada a sangramento vivo, direciona o diagnóstico para placenta prévia. A confirmação diagnóstica é feita por ultrassonografia transvaginal, que deve ser preferida à transabdominal pela maior acurácia na localização placentária.

  • A. A rotura de seio marginal é diagnóstico de exclusão, geralmente confirmado apenas no exame da placenta após o parto, não sendo a hipótese inicial mais provável.
  • B. A rotura uterina ocorre geralmente durante o trabalho de parto, associada a dor súbita intensa e alteração do padrão de contrações, não compatível com o quadro descrito.
  • C. O DPP cursa tipicamente com dor abdominal intensa, hipertonia uterina e sangramento escurecido, achados ausentes neste caso.
Ponto-chave: O sangramento vaginal indolor, vermelho-vivo e sem hipertonia uterina no terceiro trimestre sugere placenta prévia, enquanto dor e hipertonia sugerem descolamento prematuro de placenta.
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Gestante de 35 anos, G4P3, com 33 semanas de idade gestacional e hipertensão crônica mal controlada, é levada à emergência obstétrica com dor abdominal súbita e intensa, associada a sangramento vaginal escurecido em pequena quantidade. Ao exame, pressão arterial de 160x100 mmHg, frequência cardíaca de 110 bpm, útero hipertônico e muito doloroso à palpação. A cardiotocografia evidencia bradicardia fetal sustentada em 90 bpm. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

  1. AIndução do parto vaginal com amniotomia e ocitocina
  2. BObservação em leito de alto risco com cardiotocografia contínua por 6 horas
  3. CCesariana de urgência imediata
  4. DTocólise com nifedipino para reduzir a hipertonia uterina
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Resposta: C. Cesariana de urgência imediata

O quadro de dor abdominal súbita, hipertonia uterina e sangramento escurecido em gestante hipertensa é compatível com descolamento prematuro de placenta. A presença de bradicardia fetal sustentada caracteriza sofrimento fetal agudo, configurando emergência obstétrica que exige interrupção imediata da gestação pela via mais rápida, geralmente a cesariana, independentemente da idade gestacional. O retardo na resolução aumenta o risco de óbito fetal e de complicações maternas graves, como coagulopatia e choque hemorrágico.

  • A. A indução do parto vaginal é demorada e não é segura diante de sofrimento fetal agudo, que exige resolução imediata.
  • B. A observação prolongada é inadequada diante de bradicardia fetal sustentada, que indica necessidade de parto imediato.
  • D. A tocólise é contraindicada no descolamento prematuro de placenta, pois não trata a causa e retarda o parto necessário.
Ponto-chave: O descolamento prematuro de placenta com sofrimento fetal agudo é emergência obstétrica que exige interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana.
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Puérpera de 27 anas apresenta sangramento vaginal volumoso 20 minutos após parto vaginal de feto único a termo. Ao exame, o útero está amolecido e aumentado de volume, não contraindo adequadamente à massagem uterina bimanual. A placenta foi extraída íntegra e não há lacerações visíveis no canal de parto. Qual é a causa mais provável do sangramento?

  1. ACoagulopatia de consumo
  2. BRetenção de restos placentários
  3. CAtonia uterina
  4. DLaceração cervical não identificada
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Resposta: C. Atonia uterina

A atonia uterina é a causa mais comum de hemorragia pós-parto, correspondendo a cerca de 70% dos casos, e se caracteriza por útero hipotônico, amolecido e aumentado, que não se contrai adequadamente mesmo após massagem uterina. No mnemônico dos 4T, a atonia corresponde ao 'tônus', devendo ser a primeira causa investigada e tratada diante de hemorragia pós-parto, já que a placenta íntegra e a ausência de lacerações visíveis praticamente excluem as demais causas descritas.

  • A. A coagulopatia corresponde à 'trombina' dos 4T e é causa menos frequente, geralmente associada a distúrbios hematológicos ou complicações obstétricas prévias, não sugeridas no caso.
  • B. A retenção de restos placentários foi excluída pela extração íntegra da placenta, o que corresponde ao 'tecido' dos 4T.
  • D. A laceração cervical corresponde ao 'trauma' dos 4T, mas o exame não evidenciou lacerações no canal de parto.
Ponto-chave: A atonia uterina é a causa mais frequente de hemorragia pós-parto e corresponde ao 'tônus' no mnemônico dos 4T, devendo ser investigada e tratada em primeiro lugar.
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Em uma UBS vinculada a um hospital de referência, durante treinamento sobre manejo ativo do terceiro período do parto, o preceptor pergunta qual é a droga de primeira escolha para a profilaxia da hemorragia pós-parto imediatamente após o desprendimento fetal, em parto vaginal sem complicações. Qual é a resposta correta?

  1. AMetilergometrina intramuscular
  2. BOcitocina intramuscular ou intravenosa
  3. CÁcido tranexâmico intravenoso
  4. DMisoprostol via retal
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Resposta: B. Ocitocina intramuscular ou intravenosa

A ocitocina é o uterotônico de primeira linha para a profilaxia da hemorragia pós-parto, administrada por via intramuscular ou intravenosa imediatamente após o desprendimento fetal, como parte do manejo ativo do terceiro período do parto. Ela promove contração uterina eficaz, reduzindo o risco de atonia uterina, com perfil de segurança superior aos demais uterotônicos. O misoprostol é reservado para locais sem acesso à ocitocina ou como adjuvante no tratamento da hemorragia estabelecida, e a metilergometrina é contraindicada em hipertensas.

  • A. A metilergometrina pode ser usada no tratamento da atonia, mas é contraindicada em pacientes hipertensas e não é a primeira escolha profilática.
  • C. O ácido tranexâmico é usado como adjuvante no tratamento da hemorragia pós-parto estabelecida, não na profilaxia de rotina.
  • D. O misoprostol é alternativa quando a ocitocina não está disponível, mas não é a primeira escolha onde há acesso a ela.
Ponto-chave: A ocitocina intramuscular ou intravenosa é o uterotônico de primeira escolha na profilaxia da hemorragia pós-parto durante o manejo ativo do terceiro período.

Trabalho de parto e parto

8 questões
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Gestante de 24 anos, G1P0, com 39 semanas de idade gestacional, comparece à maternidade relatando contrações uterinas dolorosas há 3 horas. Ao exame, as contrações ocorrem a cada 4 minutos, com duração de 50 segundos, de forte intensidade à palpação. O toque vaginal revela colo uterino com 5 cm de dilatação, 80% de apagamento, e apresentação cefálica em plano +1 de De Lee. As membranas estão íntegras. Qual é a conduta mais adequada diante desses achados?

  1. AInternar a paciente, pois está em trabalho de parto ativo
  2. BOrientar retorno domiciliar, pois ainda está na fase latente do parto
  3. CRealizar amniotomia imediata para acelerar a dilatação
  4. DIniciar ocitocina intravenosa para intensificar as contrações
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Resposta: A. Internar a paciente, pois está em trabalho de parto ativo

O trabalho de parto ativo é definido pela presença de contrações uterinas regulares e dolorosas associadas a dilatação cervical progressiva, geralmente a partir de 5 a 6 cm segundo critérios atuais da Organização Mundial da Saúde, com apagamento cervical significativo. A paciente apresenta 5 cm de dilatação, 80% de apagamento e contrações regulares e intensas, critérios que justificam a internação hospitalar para acompanhamento do trabalho de parto. A amniotomia e a ocitocina não são indicadas de rotina, pois a paciente já apresenta boa evolução espontânea do trabalho de parto.

  • B. A fase latente corresponde a dilatação inferior a 5 cm com contrações irregulares, não compatível com os achados descritos.
  • C. A amniotomia de rotina não é recomendada quando o trabalho de parto evolui espontaneamente de forma adequada.
  • D. A ocitocina não está indicada, pois não há sinais de distócia ou parada de progressão que justifiquem sua intensificação.
Ponto-chave: O trabalho de parto ativo é caracterizado por contrações regulares e dolorosas associadas a dilatação cervical de pelo menos 5 a 6 cm, critério que justifica a internação hospitalar.
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Primigesta de 21 anos está em acompanhamento de trabalho de parto com partograma. Há 4 horas, a dilatação cervical era de 6 cm, com contrações regulares e boa descida da apresentação. Na avaliação atual, a dilatação permanece em 6 cm, as contrações continuam regulares e intensas, a cada 3 minutos, e não houve progressão da descida fetal. A linha de ação do partograma já foi cruzada. Qual é a interpretação mais adequada desse quadro?

  1. AParada secundária da dilatação, compatível com distócia funcional
  2. BFase latente prolongada, sem indicação de intervenção
  3. CPeríodo pélvico prolongado, aguardando descida espontânea
  4. DEvolução normal do trabalho de parto, dentro da variabilidade esperada
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Resposta: A. Parada secundária da dilatação, compatível com distócia funcional

A parada secundária da dilatação é definida pela ausência de progressão da dilatação cervical por 2 horas ou mais, apesar de contrações uterinas adequadas em frequência e intensidade, configurando distócia funcional. No partograma, isso se traduz pelo cruzamento da linha de ação, exigindo reavaliação da proporção cefalopélvica, da dinâmica uterina e da posição fetal para definir a conduta, que pode incluir correção da dinâmica com ocitocina ou indicação de cesariana, conforme a causa identificada.

  • B. A fase latente prolongada ocorre antes de 5 a 6 cm de dilatação, incompatível com o quadro descrito, em que a dilatação já atingiu 6 cm com estagnação subsequente.
  • C. O período pélvico refere-se à fase de expulsão fetal após dilatação completa, não compatível com o quadro de 6 cm de dilatação descrito.
  • D. O cruzamento da linha de ação e a estagnação por 4 horas não correspondem a evolução normal, indicando necessidade de intervenção.
Ponto-chave: A estagnação da dilatação cervical por 2 horas ou mais com contrações adequadas, evidenciada pelo cruzamento da linha de ação no partograma, caracteriza parada secundária da dilatação.
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Durante o acompanhamento do trabalho de parto de uma gestante a termo, a cardiotocografia intraparto mostra linha de base de 150 bpm, variabilidade moderada, presença de acelerações transitórias, e desacelerações variáveis ocasionais de curta duração, que se resolvem rapidamente e não se repetem na maioria das contrações. Como deve ser classificado esse traçado segundo as categorias de interpretação da cardiotocografia?

  1. ACategoria III, traçado anormal, exigindo interrupção imediata da gestação
  2. BCategoria I, traçado normal, com conduta expectante e reavaliação periódica
  3. CCategoria I, mas com necessidade de amnioinfusão para correção das desacelerações
  4. DCategoria II, traçado indeterminado, com indicação de cesariana imediata
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Resposta: B. Categoria I, traçado normal, com conduta expectante e reavaliação periódica

O traçado é classificado como categoria I, ou seja, normal, pois apresenta linha de base dentro da normalidade (110 a 160 bpm), variabilidade moderada, presença de acelerações e ausência de desacelerações tardias ou variáveis recorrentes significativas. Desacelerações variáveis ocasionais, de curta duração e sem repetição na maioria das contrações, não excluem a categoria I, pois são achados comuns durante o trabalho de parto. A conduta é expectante, com monitorização contínua, sem necessidade de intervenção imediata.

  • A. A categoria III exige achados graves como variabilidade ausente associada a desacelerações tardias ou variáveis recorrentes, ou padrão sinusoidal, ausentes neste traçado.
  • C. A amnioinfusão é indicada em casos de desacelerações variáveis recorrentes por compressão de cordão, não sendo necessária em traçado categoria I.
  • D. O traçado não apresenta os achados indeterminados de categoria II, como desacelerações variáveis recorrentes ou variabilidade mínima, que justificariam maior vigilância.
Ponto-chave: O traçado cardiotocográfico categoria I apresenta linha de base normal, variabilidade moderada e ausência de desacelerações tardias ou variáveis recorrentes, indicando bem-estar fetal e conduta expectante.
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Gestante de 28 anos, G2P1C0, 39 semanas, é admitida em maternidade da rede SUS em trabalho de parto. Exame obstétrico: apresentação cefálica, dilatação de 6 cm, bolsa íntegra, dinâmica uterina regular, batimentos cardiofetais de 140 bpm. Antecedente de uma cesariana anterior por sofrimento fetal agudo, incisão segmentar transversa, sem complicações. Ela deseja parto vaginal e pergunta se isso é seguro. Qual a conduta mais adequada?

  1. ARealizar indução com ocitocina em altas doses para acelerar o parto e reduzir o tempo de exposição ao risco de rotura uterina
  2. BIndicar cesariana apenas se a dilatação não progredir em quatro horas, independente de outros achados
  3. CPermitir tentativa de parto vaginal após cesárea, com monitorização contínua do bem-estar fetal
  4. DIndicar cesariana eletiva imediata pelo antecedente de cesárea prévia
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Resposta: C. Permitir tentativa de parto vaginal após cesárea, com monitorização contínua do bem-estar fetal

O Ministério da Saúde e as principais sociedades obstétricas recomendam que, na ausência de contraindicações (cesárea clássica, rotura uterina prévia, outras indicações absolutas), a cesariana anterior única com incisão segmentar transversa não é indicação obrigatória de nova cesárea. Deve-se oferecer a prova de trabalho de parto vaginal após cesárea (PTPVAC), com monitorização contínua da frequência cardíaca fetal e da progressão do parto, pelo risco de rotura uterina. Essa conduta está alinhada à meta de redução das taxas excessivas de cesariana no Brasil, preconizada pelo MS e pela OMS. A decisão deve ser compartilhada com a gestante, respeitando sua autonomia e o contexto clínico favorável.

  • A. Ocitocina em altas doses aumenta o risco de rotura uterina em paciente com cicatriz uterina prévia e não é recomendada dessa forma.
  • B. A conduta não deve se basear em critério de tempo fixo isolado, mas na avaliação contínua do bem-estar materno-fetal e progressão do parto.
  • D. A cesárea anterior segmentar transversa isolada não é indicação absoluta de nova cesárea.
Ponto-chave: A cesárea prévia segmentar transversa única, sem outras contraindicações, não constitui indicação obrigatória de nova cesariana, devendo-se oferecer prova de trabalho de parto vaginal com monitorização adequada.
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Puérpera de 32 anos, parto vaginal espontâneo a termo, recém-nascido vigoroso, está na sala de parto de uma maternidade pública imediatamente após a expulsão fetal. A placenta ainda não foi dequitada. Qual conduta está de acordo com as boas práticas recomendadas pelo Ministério da Saúde para essa fase do parto?

  1. AAplicar ocitocina 10 UI intramuscular após a saída do ombro anterior ou imediatamente após o nascimento, associada a tração controlada do cordão
  2. BRealizar clampeamento imediato do cordão umbilical nos primeiros 15 segundos de vida
  3. CAguardar a dequitação espontânea sem uso de uterotônico, reservando-o apenas para casos de hemorragia já instalada
  4. DRealizar manobra de Kristeller para acelerar a dequitação placentária
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Resposta: A. Aplicar ocitocina 10 UI intramuscular após a saída do ombro anterior ou imediatamente após o nascimento, associada a tração controlada do cordão

O manejo ativo do terceiro estágio do parto, recomendado pela OMS e pelo Ministério da Saúde, consiste na administração profilática de ocitocina (10 UI IM) logo após o desprendimento do ombro anterior ou nos primeiros minutos após o nascimento, seguida de tração controlada do cordão e massagem uterina após a dequitação. Essa prática reduz significativamente a incidência de hemorragia pós-parto, principal causa de morte materna evitável. O clampeamento do cordão deve ser tardio (entre 1 e 3 minutos), pois melhora os estoques de ferro do recém-nascido, exceto em situações que exijam reanimação imediata. A manobra de Kristeller é contraindicada por risco de inversão uterina e lacerações.

  • B. O clampeamento deve ser tardio, entre 1 e 3 minutos após o nascimento, exceto em casos de necessidade de reanimação neonatal imediata.
  • C. A ocitocina deve ser administrada de forma profilática em todas as pacientes, não apenas terapeuticamente após hemorragia instalada.
  • D. A manobra de Kristeller é contraindicada por aumentar o risco de inversão uterina, lacerações e embolia.
Ponto-chave: O manejo ativo do terceiro estágio do parto, com ocitocina profilática e clampeamento tardio do cordão, reduz a hemorragia pós-parto e melhora os estoques de ferro neonatal.
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Gestante de 26 anos, G1P0, 37 semanas de idade gestacional, é atendida em UBS para pré-natal de rotina. Ao exame obstétrico, altura uterina de 33 cm, apresentação pélvica confirmada por ultrassonografia, peso fetal estimado em 2.900 g, líquido amniótico normal, placenta de inserção normal, sem malformações fetais identificadas. Qual a conduta mais adequada neste momento?

  1. AIndicar cesariana eletiva imediatamente, independente da tentativa de versão
  2. BAguardar o início espontâneo do trabalho de parto para definir a via de parto apenas na admissão hospitalar
  3. CEncaminhar para tentativa de versão cefálica externa por profissional habilitado, entre 36 e 37 semanas
  4. DOrientar apenas repouso em posição genupeitoral até o início do trabalho de parto
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Resposta: C. Encaminhar para tentativa de versão cefálica externa por profissional habilitado, entre 36 e 37 semanas

Diante de apresentação pélvica confirmada próximo ao termo, sem contraindicações, a versão cefálica externa (VCE) realizada por profissional treinado entre 36 e 37 semanas é a conduta recomendada pelo Ministério da Saúde e pela Febrasgo, pois pode reverter a apresentação e possibilitar parto vaginal, reduzindo a taxa de cesariana. A técnica deve ser realizada em ambiente hospitalar, com monitorização fetal antes e depois do procedimento. Caso a VCE seja malsucedida ou contraindicada, a cesariana é a via de parto recomendada para apresentação pélvica a termo, conforme evidências atuais de maior segurança perinatal.

  • A. A cesariana só é indicada se a versão cefálica externa for contraindicada ou malsucedida, não antes da tentativa.
  • B. Aguardar sem conduta ativa perde a janela adequada para tentativa de versão, que deve ser feita antes do início do trabalho de parto.
  • D. A posição genupeitoral não tem eficácia comprovada para corrigir a apresentação pélvica a termo.
Ponto-chave: Na apresentação pélvica a termo, deve-se tentar a versão cefálica externa entre 36 e 37 semanas antes de indicar cesariana eletiva.
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Parturiente de 34 anos, G3P2, 41 semanas, feto macrossômico estimado em 4.300 g, está em segundo estágio do parto em maternidade de referência. Após o desprendimento da cabeça fetal, observa-se o sinal da tartaruga, com dificuldade de desprendimento dos ombros mesmo com tração suave. Qual deve ser o próximo passo imediato?

  1. ARealizar manobra de Zavanelli como primeira escolha antes de outras manobras
  2. BIndicar cesariana de urgência imediata com o feto ainda em posição
  3. CAplicar tração axial vigorosa associada à manobra de Kristeller
  4. DRealizar manobra de McRoberts, com hiperflexão e abdução das coxas maternas
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Resposta: D. Realizar manobra de McRoberts, com hiperflexão e abdução das coxas maternas

Diante de distocia de ombro, caracterizada pelo sinal da tartaruga e falha do desprendimento dos ombros com tração suave, a primeira manobra recomendada é a de McRoberts, que consiste em hiperflexão e abdução das coxas maternas sobre o abdome, promovendo retificação da lordose lombossacra e rotação da sínfise pubiana, facilitando a liberação do ombro anterior. Essa manobra é simples, rápida e resolve a maioria dos casos. Tração vigorosa e manobra de Kristeller aumentam o risco de lesão de plexo braquial e fratura de clavícula. A manobra de Zavanelli é reservada para casos refratários a todas as outras manobras, por ser de alto risco.

  • A. A manobra de Zavanelli é reservada para casos refratários a todas as manobras iniciais, não sendo a primeira escolha.
  • B. Após o desprendimento cefálico, a cesariana não é mais factível; deve-se resolver a distocia por manobras obstétricas.
  • C. Tração vigorosa e manobra de Kristeller aumentam o risco de lesão de plexo braquial e não são recomendadas na distocia de ombro.
Ponto-chave: Na distocia de ombro, a manobra de McRoberts é a primeira conduta indicada por sua eficácia e baixo risco de complicações.
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Primigesta de 23 anos está em trabalho de parto ativo em uma maternidade da rede SUS, com dilatação de 5 cm, dinâmica uterina regular e relata dor intensa, solicitando alívio. Não há contraindicações obstétricas ou anestésicas identificadas. Qual conduta está mais alinhada às boas práticas recomendadas pelo Ministério da Saúde para o manejo da dor nessa fase do parto?

  1. AAdministrar opioide intramuscular em dose única, independente da preferência da paciente, como conduta padrão inicial
  2. BPostergar qualquer forma de alívio da dor até a dilatação completa, para não interferir na progressão do parto
  3. COferecer métodos não farmacológicos, como banho de imersão, deambulação e bola suíça, e discutir com a paciente a opção de analgesia farmacológica conforme sua preferência e disponibilidade do serviço
  4. DIndicar analgesia peridural apenas se a paciente atingir 8 cm de dilatação, sendo contraindicada antes disso
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Resposta: C. Oferecer métodos não farmacológicos, como banho de imersão, deambulação e bola suíça, e discutir com a paciente a opção de analgesia farmacológica conforme sua preferência e disponibilidade do serviço

As boas práticas de atenção ao parto, segundo o Ministério da Saúde e a OMS, preconizam que a mulher tenha acesso a métodos não farmacológicos de alívio da dor (deambulação, banho de imersão, bola suíça, massagem) desde o início do trabalho de parto, e que a analgesia farmacológica, incluindo a peridural, seja oferecida e discutida conforme o desejo da paciente e a disponibilidade do serviço, sem dilatação mínima obrigatória. A dor no parto deve ser respeitada e manejada de forma individualizada, sendo direito da parturiente receber informação e participar da decisão. Postergar o alívio da dor sem motivo clínico contraria os princípios de parto humanizado e centrado na mulher.

  • A. A escolha do método analgésico deve respeitar a preferência da paciente, não sendo imposta uma conduta padronizada sem diálogo.
  • B. Postergar o alívio da dor sem indicação clínica específica contraria as boas práticas de parto humanizado.
  • D. Não há dilatação mínima obrigatória para indicar analgesia peridural; ela pode ser oferecida em qualquer fase do trabalho de parto ativo, conforme avaliação clínica.
Ponto-chave: A analgesia de parto, farmacológica ou não farmacológica, deve ser oferecida conforme a preferência da parturiente e a disponibilidade do serviço, sem exigência de dilatação mínima.

Puerpério e aleitamento

5 questões
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Puérpera de 29 anos, sete dias após parto vaginal sem complicações, retorna à UBS relatando febre e dor em baixo ventre há dois dias. Exame físico: temperatura de 38,6°C, frequência cardíaca de 112 bpm, útero doloroso à palpação, subinvoluído, lóquios com odor fétido. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. AEndometrite puerperal
  2. BInfecção do trato urinário baixo
  3. CTromboflebite superficial de membro inferior
  4. DMastite lactacional
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Resposta: A. Endometrite puerperal

O quadro de febre, taquicardia, dor pélvica, útero subinvoluído e doloroso associado a lóquios com odor fétido no puerpério é característico de endometrite puerperal, infecção polimicrobiana da cavidade uterina que ocorre mais comumente entre o terceiro e o décimo dia pós-parto. Os fatores de risco incluem trabalho de parto prolongado, rotura prematura de membranas e manipulação uterina excessiva. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado nesses achados típicos, sem necessidade obrigatória de exames de imagem para confirmação inicial.

  • B. A infecção urinária causa sintomas urinários como disúria e polaciúria, sem alteração dos lóquios ou subinvolução uterina.
  • C. A tromboflebite superficial manifesta-se com dor, calor e cordão palpável em membro inferior, não com febre associada a achados uterinos.
  • D. A mastite lactacional cursa com dor, hiperemia e calor na mama, não com dor pélvica e lóquios fétidos.
Ponto-chave: Febre, útero subinvoluído e doloroso com lóquios fétidos no puerpério são sinais clássicos de endometrite puerperal.
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Puérpera de 31 anos, cinco dias após cesariana, é internada em hospital da rede SUS com febre de 38,9°C, taquicardia de 118 bpm, dor abdominal baixa intensa, útero doloroso à palpação e lóquios purulentos e fétidos. Hemograma mostra leucocitose de 16.000/mm³ com desvio à esquerda. Após coleta de culturas apropriadas, qual é a conduta terapêutica mais adequada?

  1. AIniciar amoxicilina oral isolada em dose única diária, ambulatorialmente
  2. BIniciar antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, associando clindamicina e gentamicina
  3. CAguardar resultado de cultura de secreção vaginal antes de iniciar qualquer antibiótico
  4. DRealizar apenas curetagem uterina sem associação de antibioticoterapia
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Resposta: B. Iniciar antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, associando clindamicina e gentamicina

A endometrite puerperal, especialmente após cesariana, é uma infecção polimicrobiana que requer antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, sendo o esquema clássico a associação de clindamicina com gentamicina, que cobre germes gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios. O tratamento deve ser iniciado precocemente, sem aguardar resultado de cultura, pela gravidade potencial do quadro e risco de progressão para sepse. A curetagem uterina é reservada para casos de retenção de restos ovulares identificados por exame clínico ou de imagem, sempre associada à antibioticoterapia, nunca como tratamento isolado.

  • A. Amoxicilina oral isolada não tem espectro adequado para cobertura polimicrobiana da endometrite puerperal, especialmente em quadro moderado a grave.
  • C. O tratamento antibiótico deve ser iniciado empiricamente de forma precoce, sem aguardar resultado de cultura, pelo risco de progressão da infecção.
  • D. A curetagem isolada sem antibioticoterapia não trata a infecção e é indicada apenas em casos específicos de retenção de restos ovulares, sempre associada a antibióticos.
Ponto-chave: O tratamento da endometrite puerperal baseia-se em antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, classicamente clindamicina associada a gentamicina, iniciada precocemente.
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Puérpera de 27 anos, três semanas pós-parto, em aleitamento materno exclusivo, procura a UBS com dor e hiperemia em quadrante superior externo da mama direita há um dia, associada a febre de 38,4°C e mal-estar. Ao exame, área endurecida, dolorosa e eritematosa na mama, sem flutuação ou sinais de coleção. Qual a conduta mais adequada?

  1. ASuspender a amamentação na mama afetada até resolução completa dos sintomas, substituindo por fórmula infantil
  2. BIndicar drenagem cirúrgica imediata da região afetada, independente da ausência de flutuação
  3. COrientar apenas compressas frias e suspensão temporária de toda a amamentação até realização de ultrassonografia mamária
  4. DOrientar manutenção da amamentação, esvaziamento completo da mama afetada e iniciar antibioticoterapia oral com cefalexina
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Resposta: D. Orientar manutenção da amamentação, esvaziamento completo da mama afetada e iniciar antibioticoterapia oral com cefalexina

A mastite lactacional, caracterizada por dor, hiperemia, calor local e febre, geralmente causada por obstrução ductal associada à infecção por Staphylococcus aureus, deve ser tratada com manutenção da amamentação, pois o esvaziamento frequente e completo da mama acelera a resolução e não traz risco ao lactente. Recomenda-se antibioticoterapia oral, sendo a cefalexina uma primeira escolha habitual, além de analgesia e orientação para aumentar a frequência das mamadas ou uso de bombinha de extração na mama afetada. A suspensão do aleitamento não é indicada e pode agravar a estase láctea, favorecendo a progressão para abscesso mamário.

  • A. A suspensão da amamentação favorece a estase láctea e pode agravar o quadro, além de não ser necessária, pois a infecção não contraindica a amamentação.
  • B. Na ausência de sinais de flutuação ou coleção purulenta, não há indicação de drenagem cirúrgica; o tratamento inicial é clínico.
  • C. Compressas frias e suspensão da amamentação não são a conduta recomendada; o esvaziamento frequente da mama é essencial para a resolução do quadro.
Ponto-chave: Na mastite lactacional sem abscesso, deve-se manter a amamentação, orientar esvaziamento completo da mama e iniciar antibioticoterapia oral apropriada.
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Puérpera de 24 anos, 3 semanas após parto vaginal, comparece à UBS para consulta de puericultura. Está amamentando exclusivamente, com mamadas frequentes dia e noite, e deseja iniciar método contraceptivo. Nega tabagismo e comorbidades. Exame físico sem alterações. Qual a melhor orientação contraceptiva para esta paciente neste momento?

  1. AInjetável trimestral de medroxiprogesterona, contraindicado durante a lactação
  2. BPílula de progestagênio isolado (noretisterona), podendo ser iniciada a partir da sexta semana pós-parto
  3. CPílula combinada de etinilestradiol e levonorgestrel, iniciando imediatamente
  4. DDispositivo intrauterino de cobre, inserido apenas após 90 dias do parto
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Resposta: B. Pílula de progestagênio isolado (noretisterona), podendo ser iniciada a partir da sexta semana pós-parto

Métodos contendo apenas progestagênio (pílula de noretisterona, injetável trimestral ou implante) não interferem na lactação e podem ser usados por mulheres amamentando, segundo o Ministério da Saúde e a OMS. Em geral recomenda-se iniciar após a sexta semana pós-parto, período em que já se estabeleceu a lactação, embora, se não houver amamentação exclusiva, possam ser iniciados antes. Os métodos combinados (estrogênio e progestagênio) são contraindicados nas primeiras seis semanas pós-parto e desencorajados até 6 meses em lactantes, pois o estrogênio reduz a produção de leite. O DIU de cobre pode ser inserido imediatamente após o parto (até 48 horas) ou após 4 semanas, não sendo necessário aguardar 90 dias.

  • A. O injetável trimestral de progestagênio isolado é compatível com a amamentação, não contraindicado.
  • C. Estrogênios reduzem a produção láctea e são contraindicados nas primeiras semanas pós-parto em lactantes.
  • D. O DIU de cobre pode ser inserido logo após o parto ou a partir de 4 semanas, não sendo necessário aguardar 90 dias.
Ponto-chave: Métodos contraceptivos de progestagênio isolado são seguros e preferenciais durante a amamentação, enquanto os combinados devem ser evitados nas primeiras semanas pós-parto.
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Puérpera de 29 anos retorna à UBS 6 semanas após o parto para consulta de revisão. Relata tristeza na maior parte do dia há 3 semanas, choro fácil, perda de interesse pelas atividades habituais, insônia e sentimento de culpa por não conseguir cuidar bem do bebê. Nega ideação suicida. Nega uso de substâncias. Qual é a conduta mais apropriada na atenção básica para confirmar o diagnóstico suspeito?

  1. AEncaminhar diretamente para internação psiquiátrica compulsória
  2. BAplicar a Escala de Depressão Pós-Parto de Edinburgh e avaliar os sintomas segundo critérios clínicos
  3. CSolicitar dosagem de hormônio tireoestimulante (TSH) como exame confirmatório isolado
  4. DPrescrever benzodiazepínico empírico sem avaliação clínica adicional
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Resposta: B. Aplicar a Escala de Depressão Pós-Parto de Edinburgh e avaliar os sintomas segundo critérios clínicos

A Escala de Depressão Pós-Parto de Edinburgh (EPDS) é um instrumento validado e recomendado pelo Ministério da Saúde para rastreio de depressão puerperal na atenção básica, complementando a avaliação clínica dos critérios de episódio depressivo maior (humor deprimido, anedonia, alterações do sono e do apetite, culpa, por pelo menos duas semanas). O diagnóstico é clínico, baseado em critérios sindrômicos (como os do DSM-5), e a escala auxilia a quantificar a gravidade e indicar seguimento. TSH deve ser solicitado para excluir disfunção tireoidiana como diagnóstico diferencial, mas não confirma depressão. Internação só é indicada em casos graves com risco a si ou ao bebê.

  • A. Não há indicação de internação compulsória em quadro leve a moderado sem risco de suicídio ou de dano ao bebê.
  • C. O TSH é útil para excluir causa orgânica, mas não confirma o diagnóstico de depressão pós-parto.
  • D. Benzodiazepínico empírico não trata depressão e não deve ser prescrito sem avaliação diagnóstica adequada.
Ponto-chave: A Escala de Edinburgh associada à avaliação clínica dos critérios depressivos é a ferramenta recomendada para rastreio da depressão pós-parto na atenção básica.

Infecções em ginecologia e obstetrícia

6 questões
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Mulher de 32 anos comparece à UBS com corrimento vaginal de odor desagradável há 5 dias, sem prurido significativo. Ao exame especular, observa-se corrimento branco-acinzentado, homogêneo, aderido às paredes vaginais, com pH vaginal de 5,2. O teste das aminas (whiff test) com hidróxido de potássio é positivo, liberando odor de peixe. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. ACervicite por clamídia
  2. BTricomoníase
  3. CCandidíase vulvovaginal
  4. DVaginose bacteriana
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Resposta: D. Vaginose bacteriana

O quadro é compatível com vaginose bacteriana pelos critérios de Amsel, que exige a presença de pelo menos 3 dos 4 critérios: corrimento homogêneo branco-acinzentado, pH vaginal maior que 4,5, teste das aminas positivo e presença de clue cells à microscopia. A paciente apresenta corrimento típico, pH elevado e whiff test positivo, totalizando critérios suficientes. A vaginose resulta do desequilíbrio da microbiota vaginal com predomínio de bactérias anaeróbias como a Gardnerella vaginalis, substituindo os lactobacilos. Não há inflamação importante, por isso o prurido é discreto e não há tipicamente eritema vulvar intenso.

  • A. A cervicite por clamídia costuma ser assintomática ou causar corrimento mucopurulento cervical, sem alteração característica do pH vaginal.
  • B. A tricomoníase causa corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, com colo em framboesa, podendo ter whiff test positivo, mas o quadro descrito é mais clássico de vaginose.
  • C. A candidíase cursa com corrimento grumoso branco, prurido intenso e pH vaginal normal (menor que 4,5), sem odor de peixe ao whiff test.
Ponto-chave: O diagnóstico de vaginose bacteriana é clínico, baseado nos critérios de Amsel (corrimento homogêneo, pH >4,5, whiff test positivo e clue cells).
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Mulher de 26 anos procura a UBS por corrimento vaginal amarelado com odor fétido e desconforto à relação sexual há 1 semana. Nega dor pélvica ou febre. O parceiro está assintomático. Ao exame especular, observa-se corrimento abundante amarelo-esverdeado bolhoso e colo uterino com pontilhado hemorrágico. Seguindo a abordagem sindrômica do Ministério da Saúde para corrimento vaginal com suspeita de tricomoníase, qual o tratamento indicado para a paciente e seu parceiro?

  1. AAzitromicina 1 g por via oral em dose única apenas para a paciente
  2. BMetronidazol 2 g por via oral em dose única para ambos
  3. CFluconazol 150 mg por via oral em dose única para ambos
  4. DBenzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI por via intramuscular para ambos
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Resposta: B. Metronidazol 2 g por via oral em dose única para ambos

A tricomoníase é uma IST curável causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, e o tratamento sindrômico recomendado pelo Ministério da Saúde é o metronidazol 2 g por via oral em dose única, devendo-se tratar sempre o parceiro sexual, mesmo assintomático, para evitar reinfecção. O colo uterino com aspecto de framboesa ou pontilhado hemorrágico (colpitis macularis) é um achado característico, embora não exclusivo. Deve-se orientar abstinência de álcool durante o tratamento devido ao efeito antabuse do metronidazol.

  • A. Azitromicina é indicada para clamídia, não para tricomoníase, e o tratamento deve incluir o parceiro.
  • C. Fluconazol trata candidíase e não tem ação contra Trichomonas vaginalis.
  • D. Benzilpenicilina benzatina é o tratamento da sífilis, não da tricomoníase.
Ponto-chave: O tratamento sindrômico da tricomoníase é metronidazol 2 g em dose única, com tratamento obrigatório do parceiro sexual.
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Mulher de 22 anos é atendida na UPA com dor pélvica há 4 dias, associada a febre de 38,9°C, náuseas e vômitos. Ao exame, apresenta dor à palpação do hipogástrio, dor à mobilização do colo uterino e massa anexial palpável à direita, dolorosa. Pressão arterial de 100x60 mmHg, frequência cardíaca de 112 bpm. Ultrassonografia transvaginal evidencia coleção anexial compatível com abscesso tubo-ovariano de 6 cm. Qual a conduta mais adequada?

  1. AObservação em leito de urgência por 6 horas, com antitérmico e alta se houver melhora da febre
  2. BAlta com analgesia e retorno ambulatorial em 7 dias para reavaliação
  3. CTratamento ambulatorial com ceftriaxona intramuscular em dose única associada a doxiciclina oral
  4. DInternação hospitalar para antibioticoterapia intravenosa, com possível drenagem ou abordagem cirúrgica
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Resposta: D. Internação hospitalar para antibioticoterapia intravenosa, com possível drenagem ou abordagem cirúrgica

A presença de abscesso tubo-ovariano é um critério formal de internação hospitalar para doença inflamatória pélvica, independente da resposta clínica inicial, pois há risco de rotura e sepse. Outros critérios de hospitalização incluem gestação, falha de tratamento ambulatorial, intolerância a medicação oral, quadro clínico grave (febre alta, náuseas, vômitos) e impossibilidade de exclusão de abdome agudo cirúrgico. O tratamento hospitalar envolve antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro cobrindo gonococo, clamídia e anaeróbios, podendo ser necessária drenagem percutânea ou cirúrgica do abscesso se não houver resposta.

  • A. Observação breve sem antibioticoterapia intravenosa não é conduta adequada para abscesso tubo-ovariano.
  • B. Alta sem tratamento adequado expõe a paciente a risco de rotura do abscesso e sepse.
  • C. O tratamento ambulatorial é reservado para DIP leve a moderada sem complicações como abscesso tubo-ovariano.
Ponto-chave: Abscesso tubo-ovariano é critério de internação hospitalar na doença inflamatória pélvica, exigindo antibioticoterapia intravenosa e eventual drenagem.
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Gestante de 34 semanas, portadora de HIV em uso regular de terapia antirretroviral desde o primeiro trimestre, realiza exame de carga viral que resulta indetectável. Está em acompanhamento pré-natal regular no SUS, sem outras comorbidades, e o feto apresenta crescimento adequado. Qual a via de parto recomendada para esta gestante segundo o protocolo do Ministério da Saúde?

  1. ACesárea eletiva apenas se a gestante não estiver em uso de terapia antirretroviral
  2. BParto vaginal, exclusivamente se houver carga viral acima de 1.000 cópias/mL
  3. CParto vaginal, mantendo a terapia antirretroviral e sem necessidade de zidovudina intravenosa intraparto
  4. DCesárea eletiva obrigatória com zidovudina intravenosa iniciada 3 horas antes da cirurgia
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Resposta: C. Parto vaginal, mantendo a terapia antirretroviral e sem necessidade de zidovudina intravenosa intraparto

Gestantes com carga viral indetectável ou abaixo de 1.000 cópias/mL a partir da 34ª semana podem ter parto vaginal, pois o risco de transmissão vertical é muito baixo nessa condição, não sendo necessária a zidovudina intravenosa intraparto segundo o protocolo atual do Ministério da Saúde. A cesárea eletiva é indicada quando a carga viral é maior ou igual a 1.000 cópias/mL ou desconhecida próximo ao parto, devendo ser realizada a partir da 38ª semana, com zidovudina intravenosa iniciada 3 horas antes da cirurgia. A via de parto é definida pela carga viral e não apenas pelo uso de TARV.

  • A. A indicação de cesárea depende do valor da carga viral, não apenas do uso ou não de antirretrovirais.
  • B. O parto vaginal é indicado justamente quando a carga viral está baixa (indetectável ou abaixo de 1.000 cópias/mL), e não quando elevada.
  • D. A cesárea eletiva com zidovudina intravenosa é reservada para carga viral detectável igual ou maior que 1.000 cópias/mL próximo ao parto.
Ponto-chave: A via de parto em gestante com HIV é definida pela carga viral próxima ao termo: vaginal se indetectável ou abaixo de 1.000 cópias/mL, cesárea eletiva com zidovudina intravenosa se igual ou maior.
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Gestante de 18 semanas realiza sorologia de rotina do pré-natal que evidencia IgM positivo e IgG positivo para toxoplasmose, com teste de avidez de IgG baixa, sugerindo infecção recente. A ultrassonografia morfológica não mostra alterações fetais até o momento. Qual é a conduta terapêutica mais adequada nesta fase da gestação?

  1. AAguardar o terceiro trimestre para iniciar qualquer tratamento
  2. BSulfadiazina associada a pirimetamina e ácido folínico até o parto
  3. CEspiramicina até o parto ou confirmação de infecção fetal
  4. DAzitromicina isolada por 10 dias
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Resposta: C. Espiramicina até o parto ou confirmação de infecção fetal

Na toxoplasmose aguda materna confirmada sem evidência de infecção fetal, a espiramicina é o antibiótico de escolha por reduzir a transmissão transplacentária do Toxoplasma gondii, sendo mantida até o parto ou até a confirmação de infecção fetal por PCR no líquido amniótico. O esquema com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é reservado para quando há confirmação de infecção fetal (por amniocentese ou achados ultrassonográficos sugestivos) ou quando a infecção materna ocorre após 18 semanas com alto risco de transmissão, pois esse esquema trata diretamente o parasita no feto, mas tem maior toxicidade hematológica.

  • A. O tratamento deve ser iniciado imediatamente após a confirmação diagnóstica, não postergado para o terceiro trimestre.
  • B. Esse esquema é reservado para quando há confirmação ou forte suspeita de infecção fetal, não sendo a primeira escolha sem evidência de comprometimento fetal.
  • D. Azitromicina não é o tratamento padrão recomendado para toxoplasmose na gestação.
Ponto-chave: Na toxoplasmose aguda gestacional sem confirmação de infecção fetal, a espiramicina é o tratamento de escolha para reduzir a transmissão vertical.
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Gestante de 30 semanas chega à maternidade com relato de perda de líquido claro pela vagina há 2 horas. Ao exame especular, confirma-se saída de líquido amniótico pelo orifício cervical externo. Não há contrações uterinas regulares, sangramento ou sinais de infecção. Temperatura de 36,8°C, frequência cardíaca fetal de 140 bpm, sem taquicardia materna. Qual a conduta mais adequada diante deste quadro?

  1. ACorticoterapia antenatal com betametasona e antibioticoprofilaxia com ampicilina ou azitromicina
  2. BTocólise prolongada associada a antibioticoterapia de amplo espectro por via intravenosa por 14 dias
  3. CIndução imediata do parto independentemente da idade gestacional
  4. DConduta expectante sem qualquer intervenção medicamentosa até completar 37 semanas
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Resposta: A. Corticoterapia antenatal com betametasona e antibioticoprofilaxia com ampicilina ou azitromicina

Na rotura prematura de membranas pré-termo entre 24 e 34 semanas, sem sinais de corioamnionite ou sofrimento fetal, a conduta recomendada é a conduta expectante associada a corticoterapia antenatal (betametasona ou dexametasona) para maturação pulmonar fetal e antibioticoprofilaxia (ampicilina ou eritromicina/azitromicina) para prolongar o período de latência e reduzir infecção materna e neonatal. A antibioticoprofilaxia não deve ser prolongada por 14 dias, sendo geralmente limitada a 7 dias ou até o parto. A interrupção imediata da gestação não é indicada na ausência de sinais de infecção ou comprometimento fetal nesta idade gestacional.

  • B. A tocólise prolongada não é recomendada na rotura de membranas pré-termo, e a antibioticoterapia intravenosa por 14 dias excede o tempo recomendado.
  • C. A indução imediata não é indicada sem sinais de infecção ou sofrimento fetal, pois o objetivo é prolongar a gestação com segurança até idade gestacional mais favorável.
  • D. A conduta expectante isolada sem corticoide e antibioticoprofilaxia não oferece os benefícios comprovados de redução de morbimortalidade neonatal e infecção.
Ponto-chave: Na rotura prematura de membranas pré-termo sem sinais de infecção, indica-se corticoterapia para maturação pulmonar fetal e antibioticoprofilaxia para prolongar a latência.

Rastreamento oncológico e patologias do colo uterino

2 questões
37

Mulher de 32 anos, sem comorbidades, realiza citologia de rastreamento que evidencia lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). O exame especular não revela lesões macroscópicas visíveis no colo uterino. Qual é a conduta mais adequada segundo o fluxograma do Ministério da Saúde?

  1. ARepetir a citologia em 6 meses para confirmar o achado antes de qualquer investigação
  2. BIndicar conização a frio imediatamente, sem avaliação colposcópica prévia
  3. CEncaminhar para colposcopia com biópsia dirigida das áreas suspeitas
  4. DSolicitar apenas captura híbrida para HPV de alto risco e aguardar resultado
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Resposta: C. Encaminhar para colposcopia com biópsia dirigida das áreas suspeitas

Segundo o fluxograma do Ministério da Saúde, toda citologia com resultado de HSIL deve ser encaminhada diretamente para colposcopia, independentemente da idade, pois esse achado tem alto valor preditivo para lesão de alto grau ou carcinoma. Na colposcopia, áreas com achados anormais (como epitélio acetobranco denso, mosaico ou pontilhado grosseiro) devem ser biopsiadas para confirmação histológica antes de qualquer tratamento excisional. A conização sem confirmação histológica prévia (ver-e-tratar) é reservada a situações específicas, não sendo a conduta inicial padrão em todos os casos.

  • A. Repetir a citologia atrasa o diagnóstico e não é indicado diante de um resultado de HSIL, que exige investigação imediata por colposcopia.
  • B. A conização sem biópsia prévia expõe a paciente a tratamento excessivo sem confirmação histológica, não sendo a conduta padrão inicial.
  • D. A captura híbrida isolada não substitui a colposcopia no seguimento de citologia com HSIL conforme o fluxograma do MS.
Ponto-chave: Toda citologia com HSIL deve ser encaminhada para colposcopia com biópsia das áreas suspeitas, conforme o fluxograma do Ministério da Saúde.
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Mulher de 45 anos procura a UPA com sinusorragia há 2 meses e corrimento vaginal fétido. Ao exame especular, observa-se lesão cervical exofítica, friável, sangrante ao toque, de aproximadamente 4 cm, com extensão aparente ao terço superior da vagina. O toque retal não evidencia comprometimento parametrial. Qual é a conduta inicial mais apropriada para confirmação diagnóstica?

  1. ABiópsia da lesão cervical guiada por visualização direta
  2. BRepetir a citologia cervical convencional para definir o diagnóstico
  3. CSolicitar ressonância magnética de pelve antes de qualquer biópsia
  4. DRealizar conização cervical como método diagnóstico inicial
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Resposta: A. Biópsia da lesão cervical guiada por visualização direta

Diante de lesão cervical macroscopicamente suspeita de malignidade, a biópsia dirigida da lesão visível é o método diagnóstico de escolha, pois permite confirmação histológica direta sem necessidade de colposcopia prévia. A citologia tem baixa sensibilidade em lesões invasoras já estabelecidas e pode gerar resultados falso-negativos. Exames de imagem como ressonância magnética são úteis para o estadiamento após a confirmação histológica, mas não substituem a biópsia como etapa diagnóstica inicial. A conização é procedimento excisional maior, reservado a lesões pré-invasoras ou microinvasoras, não sendo indicada como primeira abordagem diante de lesão exofítica evidente.

  • B. A citologia tem baixa acurácia diagnóstica em lesões invasoras macroscopicamente visíveis e não confirma o diagnóstico histológico.
  • C. A ressonância magnética é útil para o estadiamento, mas deve ser solicitada após a confirmação histológica da malignidade, não antes da biópsia.
  • D. A conização é um procedimento excisional maior, não indicado como primeira abordagem diagnóstica diante de lesão exofítica já visível.
Ponto-chave: Diante de lesão cervical macroscopicamente suspeita, a biópsia dirigida é o método de escolha para confirmação histológica do câncer de colo uterino.

Patologias benignas do útero e anexos

4 questões
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Mulher de 38 anos, nuligesta, com desejo reprodutivo, procura a UBS com relato de menorragia e dismenorreia progressiva há 8 meses. O exame revela útero aumentado, correspondente a 14 semanas de gestação, de contorno irregular. A ultrassonografia transvaginal mostra múltiplos miomas intramurais, o maior medindo 6 cm, sem componente submucoso. Hemoglobina: 10,8 g/dL. Qual é a conduta terapêutica mais apropriada neste momento?

  1. AMiomectomia, preservando o útero e a fertilidade
  2. BAblação endometrial para controle do sangramento
  3. CHisterectomia total abdominal como tratamento definitivo
  4. DEmbolização das artérias uterinas como primeira escolha
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Resposta: A. Miomectomia, preservando o útero e a fertilidade

Em mulheres com desejo reprodutivo e miomatose sintomática (menorragia, dismenorreia, aumento uterino), a miomectomia é o tratamento cirúrgico de escolha, pois remove os miomas preservando o útero e a possibilidade de gestação futura. A histerectomia, embora definitiva, é contraindicada como primeira opção em pacientes que desejam preservar a fertilidade. A embolização das artérias uterinas e a ablação endometrial não são recomendadas para mulheres com desejo reprodutivo, pois comprometem a vascularização e a integridade endometrial, respectivamente, aumentando riscos obstétricos futuros.

  • B. A ablação endometrial destrói o endométrio e é contraindicada em mulheres que desejam preservar a fertilidade.
  • C. A histerectomia é contraindicada como primeira escolha em mulher com desejo reprodutivo, pois elimina definitivamente a possibilidade de gestação.
  • D. A embolização das artérias uterinas não é recomendada em mulheres com desejo reprodutivo pelo risco de comprometimento da vascularização uterina e da fertilidade.
Ponto-chave: Em mulheres com miomatose sintomática e desejo reprodutivo, a miomectomia é o tratamento cirúrgico de escolha por preservar o útero e a fertilidade.
40

Mulher de 26 anos relata dismenorreia intensa e progressiva, dispareunia de profundidade e dor pélvica crônica há 2 anos, sem desejo gestacional no momento. O exame físico revela nodularidade dolorosa em fundo de saco posterior. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal sugere endometrioma ovariano de 3 cm e não evidencia outros achados relevantes. Após orientação adequada e exclusão de contraindicações, qual é a conduta medicamentosa de primeira linha para controle da dor?

  1. ADanazol em dose plena como terapia inicial
  2. BContraceptivo hormonal combinado de uso contínuo
  3. CAnti-inflamatório não esteroidal isolado como única medida terapêutica
  4. DAgonista do GnRH associado a terapia de add-back por tempo indeterminado
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Resposta: B. Contraceptivo hormonal combinado de uso contínuo

O tratamento hormonal de primeira linha para dor associada à endometriose, na ausência de contraindicações, é o contraceptivo hormonal combinado (estrogênio e progestagênio), preferencialmente em uso contínuo, pois promove supressão da menstruação e redução da proliferação do tecido endometriótico com bom perfil de segurança para uso prolongado. Os agonistas de GnRH são eficazes, mas reservados para casos refratários pelo risco de hipoestrogenismo prolongado, mesmo com add-back. O danazol, embora eficaz, tem uso limitado por efeitos androgênicos significativos. O anti-inflamatório isolado controla apenas a dor sintomática, sem atuar na fisiopatologia hormonal da doença.

  • A. O danazol tem uso limitado devido a efeitos colaterais androgênicos significativos, não sendo a primeira escolha terapêutica.
  • C. O anti-inflamatório isolado trata apenas o sintoma doloroso, sem impacto hormonal sobre a progressão da doença, não sendo considerado tratamento de primeira linha.
  • D. Os agonistas de GnRH são reservados para casos refratários à primeira linha, não sendo a terapia hormonal inicial pelo risco de efeitos hipoestrogênicos prolongados.
Ponto-chave: O contraceptivo hormonal combinado é o tratamento de primeira linha para dor associada à endometriose, na ausência de contraindicações.
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Mulher de 55 anos, na pós-menopausa, é encaminhada ao ambulatório de ginecologia por massa anexial detectada em ultrassonografia de rotina. O exame mostra massa ovariana complexa, sólido-cística, com septações espessas, medindo 7 cm, sem ascite associada. O CA-125 sérico é de 180 U/mL. Utilizando o Risk of Malignancy Index (RMI), qual conjunto de variáveis deve ser combinado com o valor do CA-125 para o cálculo do escore?

  1. AIdade cronológica da paciente e paridade
  2. BNível sérico de CA 19-9 e história familiar de câncer de ovário
  3. CTamanho tumoral em centímetros e presença de dor pélvica
  4. DStatus menopausal e escore ultrassonográfico de características suspeitas
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Resposta: D. Status menopausal e escore ultrassonográfico de características suspeitas

O Risk of Malignancy Index (RMI) combina três variáveis: o valor sérico do CA-125, o status menopausal (pontuação diferente para pré e pós-menopausa) e um escore ultrassonográfico baseado em características suspeitas (multilocularidade, componente sólido, bilateralidade, ascite e metástases). O produto dessas variáveis estratifica o risco de malignidade e orienta a necessidade de encaminhamento para centro de referência oncológico. Valores elevados de RMI, como esperado neste caso com CA-125 alto e massa complexa, indicam alto risco e exigem avaliação especializada.

  • A. Idade cronológica isolada e paridade não são variáveis incluídas na fórmula do RMI.
  • B. O CA 19-9 e a história familiar não são variáveis utilizadas no cálculo do RMI, que utiliza o CA-125.
  • C. Tamanho tumoral em centímetros isolado e presença de dor pélvica não compõem a fórmula do RMI.
Ponto-chave: O RMI combina CA-125, status menopausal e escore ultrassonográfico de características suspeitas para estimar o risco de malignidade em massa anexial.
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Mulher de 24 anos é atendida na UPA com dor pélvica súbita, intensa, em fossa ilíaca direita, iniciada há 3 horas, associada a náuseas e um episódio de vômito. Nega febre ou sangramento vaginal. Ao exame, dor localizada à palpação em fossa ilíaca direita com discreta defesa, sem sinais de peritonite generalizada. A ultrassonografia transvaginal com Doppler mostra ovário direito aumentado (8 cm), com ausência de fluxo vascular ao Doppler e cisto anexial associado. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

  1. AAntibioticoterapia intravenosa de amplo espectro como conduta inicial
  2. BIndução de ovulação com medicamentos para reduzir o volume ovariano
  3. CAnalgesia e observação clínica por 24 horas antes de decidir a conduta
  4. DLaparoscopia de urgência para avaliação e distorção do anexo
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Resposta: D. Laparoscopia de urgência para avaliação e distorção do anexo

A torção ovariana é uma emergência cirúrgica, e o diagnóstico clínico associado a achados ultrassonográficos sugestivos (aumento ovariano, ausência de fluxo ao Doppler, cisto anexial) impõe abordagem cirúrgica de urgência, preferencialmente por via laparoscópica, para distorção do anexo e avaliação da viabilidade ovariana. O retardo na intervenção aumenta o risco de necrose e perda irreversível do ovário. A observação clínica prolonga o tempo de isquemia tecidual, e a antibioticoterapia isolada não trata a causa mecânica da torção. Medicamentos indutores de ovulação não têm papel nessa situação aguda.

  • A. A antibioticoterapia isolada não trata a causa mecânica da torção e não deve ser a conduta inicial nesse quadro.
  • B. Medicamentos indutores de ovulação não têm indicação nessa situação de emergência cirúrgica.
  • C. A observação prolongada retarda a intervenção cirúrgica e aumenta o risco de necrose ovariana irreversível.
Ponto-chave: A torção ovariana é emergência cirúrgica e exige laparoscopia de urgência para distorção do anexo e preservação da viabilidade ovariana.

Climatério, ciclo menstrual e planejamento familiar

3 questões
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Mulher de 44 anos relata sangramento menstrual volumoso e prolongado há 6 meses, com ciclos regulares a cada 28 dias. Ultrassonografia transvaginal evidencia útero aumentado, com nódulo miometrial único de 4 cm, bem delimitado, de localização intramural, sem distorção da cavidade endometrial. Beta-hCG negativo e coagulograma normal. De acordo com o sistema PALM-COEIN, qual o mecanismo fisiopatológico responsável pelo sangramento dessa paciente?

  1. AAumento da área de superfície endometrial e alteração da contratilidade miometrial por leiomioma
  2. BDistúrbio primário da hemostasia por coagulopatia subjacente
  3. CDisfunção ovulatória com produção irregular de progesterona
  4. DHiperplasia endometrial secundária a estímulo estrogênico sem oposição
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Resposta: A. Aumento da área de superfície endometrial e alteração da contratilidade miometrial por leiomioma

O sistema PALM-COEIN classifica as causas de sangramento uterino anormal em estruturais (Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade/hiperplasia) e não estruturais (Coagulopatia, disfunção Ovulatória, disfunção Endometrial, Iatrogenia, Não classificada). Nesta paciente, o leiomioma intramural identificado na ultrassonografia aumenta a área de superfície endometrial e compromete a contratilidade uterina normal, prejudicando a hemostasia local durante a menstruação. A regularidade dos ciclos e o coagulograma normal afastam causas ovulatórias e coagulopáticas.

  • B. O coagulograma normal descarta distúrbio primário da hemostasia como causa.
  • C. Ciclos regulares indicam padrão ovulatório preservado, afastando disfunção ovulatória.
  • D. Não há descrição de espessamento endometrial e a cavidade está preservada, tornando essa causa menos provável que o leiomioma identificado.
Ponto-chave: No sangramento uterino anormal com ciclos regulares e leiomioma identificado na imagem, o mecanismo é estrutural, por aumento de superfície endometrial e disfunção da contratilidade miometrial.
44

Mulher de 36 anos, tabagista (20 cigarros/dia), procura a UBS para orientação contraceptiva. Relata enxaqueca com aura visual há anos, com crises cerca de uma vez por mês. Pressão arterial de 122x78 mmHg. Deseja um método de alta eficácia, sem desejo de gravidez nos próximos anos. Qual método contraceptivo é mais adequado segundo os critérios de elegibilidade da OMS?

  1. AAnel vaginal combinado
  2. BAdesivo transdérmico combinado
  3. CDispositivo intrauterino de cobre
  4. DContraceptivo oral combinado de baixa dosagem
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Resposta: C. Dispositivo intrauterino de cobre

A enxaqueca com aura é contraindicação absoluta (categoria 4 da OMS) ao uso de qualquer método contraceptivo que contenha estrogênio, devido ao risco aumentado de acidente vascular cerebral isquêmico. Isso exclui contraceptivos orais combinados, anel vaginal combinado e adesivo transdérmico, independentemente do tabagismo. O dispositivo intrauterino de cobre é método não hormonal, de alta eficácia e longa duração, sem contraindicação relacionada à enxaqueca ou ao tabagismo, sendo a opção mais adequada para esta paciente.

  • A. Mesmo contendo estrogênio por via vaginal, mantém-se a contraindicação pela enxaqueca com aura.
  • B. Via transdérmica também expõe a paciente ao estrogênio, mantendo a contraindicação pela enxaqueca com aura.
  • D. Contém estrogênio, contraindicado (categoria 4) em mulheres com enxaqueca com aura pelo risco de AVC isquêmico.
Ponto-chave: Enxaqueca com aura é contraindicação absoluta (categoria 4 da OMS) a métodos contraceptivos com estrogênio, sendo o DIU de cobre uma alternativa segura e eficaz.
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Mulher de 22 anos procura atendimento por ciclos menstruais irregulares, com intervalos de 45 a 60 dias, e aumento de pelos no queixo e na linha alba. Nega uso de medicações. Exame físico mostra IMC de 27 kg/m² e acne em face. Ultrassonografia transvaginal revela ovários com volume de 11 mL cada, contendo múltiplos folículos de 4 a 8 mm de diâmetro. TSH, prolactina e 17-hidroxiprogesterona estão normais. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. AHiperprolactinemia funcional
  2. BSíndrome dos ovários policísticos
  3. CHipotireoidismo subclínico
  4. DHiperplasia adrenal congênita de início tardio
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Resposta: B. Síndrome dos ovários policísticos

Pelos critérios de Rotterdam, o diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos (SOP) requer pelo menos dois de três critérios: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, e morfologia ovariana policística à ultrassonografia. Esta paciente apresenta os três critérios: ciclos irregulares, sinais clínicos de hiperandrogenismo (hirsutismo e acne) e ovários com morfologia policística. Os exames normais de TSH, prolactina e 17-hidroxiprogesterona excluem as principais causas secundárias de hiperandrogenismo e anovulação, confirmando o diagnóstico de SOP como diagnóstico de exclusão.

  • A. A prolactina normal exclui hiperprolactinemia como causa da irregularidade menstrual.
  • C. O TSH normal exclui disfunção tireoidiana como causa dos sintomas.
  • D. A 17-hidroxiprogesterona normal torna essa hipótese pouco provável.
Ponto-chave: O diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos pelos critérios de Rotterdam exige dois de três achados (anovulação, hiperandrogenismo, morfologia policística) após exclusão de outras causas endocrinológicas.

Violência sexual e aspectos legais

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Mulher de 19 anos é atendida na UPA 4 horas após ter sido vítima de violência sexual com penetração vaginal, sem uso de preservativo pelo agressor. Nega uso de método contraceptivo. Sinais vitais estáveis. Status vacinal para hepatite B desconhecido. Qual a conduta profilática mais adequada a ser oferecida nesse atendimento?

  1. AApenas contracepção de emergência, pois o risco de infecção é considerado baixo em atendimento precoce
  2. BProfilaxia para HIV isoladamente, aguardando sorologias para decidir sobre as demais medidas
  3. CProfilaxia para HIV, profilaxia para outras IST, contracepção de emergência e vacinação para hepatite B
  4. DEncaminhamento para avaliação ambulatorial em até 7 dias antes de iniciar qualquer profilaxia
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Resposta: C. Profilaxia para HIV, profilaxia para outras IST, contracepção de emergência e vacinação para hepatite B

O protocolo do Ministério da Saúde para atendimento à violência sexual recomenda, idealmente nas primeiras horas e até 72 horas para HIV, a oferta combinada de profilaxia antirretroviral para HIV, profilaxia para outras IST (como sífilis, gonorreia e clamídia), contracepção de emergência quando houver risco de gravidez, e vacinação contra hepatite B associada à imunoglobulina quando indicado, caso o status vacinal seja desconhecido ou incompleto. Essas medidas devem ser iniciadas o mais precocemente possível, independentemente de notificação policial ou boletim de ocorrência. O atendimento não deve ser condicionado à realização de exames confirmatórios prévios.

  • A. O risco de transmissão de IST e de gravidez após violência sexual não é desprezível e exige profilaxia combinada.
  • B. A profilaxia para outras IST e a contracepção de emergência não devem ser postergadas à espera de sorologias.
  • D. O atendimento e o início das profilaxias devem ser imediatos, não podendo ser postergados para consulta ambulatorial futura.
Ponto-chave: O atendimento à vítima de violência sexual deve incluir, de forma imediata, profilaxia para HIV e outras IST, contracepção de emergência e avaliação/vacinação para hepatite B, independentemente de registro policial.
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Mulher de 27 anos relata ter sido vítima de estupro há 10 semanas e deseja interromper a gestação decorrente da violência. Comparece a hospital público solicitando o procedimento, sem apresentar boletim de ocorrência policial ou laudo do Instituto Médico Legal. Qual é a conduta correta da equipe médica em relação à solicitação?

  1. ASolicitar laudo do Instituto Médico Legal confirmando a violência antes de proceder ao abortamento
  2. BNegar o procedimento até que a paciente apresente boletim de ocorrência policial registrado
  3. CRealizar o abortamento legal mediante relato da paciente e preenchimento da documentação do serviço, sem exigir boletim de ocorrência
  4. DEncaminhar o caso ao Ministério Público para autorização judicial prévia ao procedimento
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Resposta: C. Realizar o abortamento legal mediante relato da paciente e preenchimento da documentação do serviço, sem exigir boletim de ocorrência

Pela legislação brasileira (Código Penal, art. 128, e Norma Técnica do Ministério da Saúde), o abortamento em caso de gravidez resultante de estupro é previsto em lei e pode ser realizado mediante o relato da vítima, não sendo exigidos boletim de ocorrência, laudo do IML ou autorização judicial como condição para o procedimento. A equipe de saúde deve registrar o caso em prontuário, formar uma equipe multiprofissional para avaliação e garantir o acesso ao procedimento dentro do limite gestacional previsto, preservando a autonomia e a dignidade da paciente. Exigir documentos adicionais constitui violação de direitos e pode configurar omissão de socorro.

  • A. O laudo do IML não é documento obrigatório para a realização do procedimento, sendo o relato da vítima suficiente.
  • B. A exigência de boletim de ocorrência não é prevista em lei e constitui barreira indevida ao acesso ao serviço.
  • D. A legislação não exige autorização judicial para a realização do abortamento legal em caso de estupro.
Ponto-chave: No abortamento previsto em lei por estupro, o relato da vítima é suficiente para a realização do procedimento, sendo ilegal exigir boletim de ocorrência, laudo do IML ou autorização judicial.

Perguntas frequentes

Estas são questões reais do Revalida?

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