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Revalida · Brasil

Questões de cardiologia para o Revalida

50 questões originais no estilo do Revalida sobre cardiologia. Cada uma com a resposta correta, o comentário, por que as outras alternativas estão erradas e o ponto-chave. Resolva no simulado ou leia abaixo, agrupadas por tema.

Questões50 com gabarito
Temas12
Alternativas por questão4
Tempo≈ 75 min
Revalida · Cardiologia: simuladoEscolha uma alternativa para ver na hora a resposta correta e o comentário. Seu melhor resultado fica salvo neste navegador.

Síndromes Coronarianas Agudas

6 questões
1

Homem de 58 anos chega à UPA com dor torácica opressiva de início há 1 hora, irradiando para o braço esquerdo, associada a sudorese. PA 138/86 mmHg, FC 92 bpm, SpO2 96%. O eletrocardiograma mostra supradesnivelamento do segmento ST de 2 mm em V2 e V3 e de 1,5 mm em V4, com ondas T positivas nas mesmas derivações. Não há bloqueio de ramo. De acordo com os critérios diagnósticos, qual é a interpretação correta deste traçado?

  1. ACompatível com infarto agudo do miocárdio com supra de ST de parede anterior
  2. BAlteração inespecífica de repolarização ventricular sem significado isquêmico
  3. CRepolarização precoce benigna, achado comum em homens jovens
  4. DPadrão sugestivo de pericardite aguda pelo supradesnivelamento difuso do ST
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Resposta: A. Compatível com infarto agudo do miocárdio com supra de ST de parede anterior

O diagnóstico eletrocardiográfico de IAMCSST exige supradesnivelamento do ST ≥2 mm em homens (ou ≥1,5 mm em mulheres) em pelo menos duas derivações contíguas precordiais, ou ≥1 mm em duas derivações contíguas de membros, na ausência de bloqueio de ramo esquerdo ou hipertrofia ventricular que confundam a análise. O caso apresenta supra em V2, V3 e V4, derivações contíguas que representam a parede anterior, satisfazendo plenamente o critério. A apresentação clínica com dor torácica típica reforça o diagnóstico. Esse padrão indica oclusão proximal da artéria descendente anterior e exige reperfusão imediata.

  • B. O quadro preenche critério diagnóstico formal de supra de ST em derivações contíguas, não sendo apenas inespecífico.
  • C. A repolarização precoce tipicamente ocorre em derivações laterais/inferiores com concavidade do ST e não explica dor torácica aguda com esse padrão.
  • D. A pericardite causa supra difuso e concavo em múltiplas derivações não contíguas a uma parede específica, associado a infradesnivelamento de PR, o que não é o caso.
Ponto-chave: O IAMCSST é definido por supradesnivelamento do ST ≥2 mm (homens) ou ≥1,5 mm (mulheres) em pelo menos duas derivações precordiais contíguas, na ausência de bloqueio de ramo esquerdo.
2

Paciente de 61 anos é atendido em UPA com dor torácica típica iniciada há 40 minutos. O ECG confirma supradesnivelamento do ST em parede inferior. A UPA não possui serviço de hemodinâmica e o hospital de referência com angioplastia primária está a 40 minutos de distância. Já foram administrados ácido acetilsalicílico mastigável e oxigênio suplementar, com SpO2 mantida em 94%. Qual é a próxima conduta mais apropriada antes da transferência?

  1. AAdministrar clopidogrel e anticoagulante parenteral, acionar o serviço de transporte e transferir imediatamente para angioplastia primária
  2. BAguardar resultado de troponina sérica antes de qualquer decisão terapêutica adicional
  3. CSolicitar ecocardiograma transtorácico urgente para confirmar a extensão da área infartada antes de transferir
  4. DIniciar betabloqueador intravenoso em bólus para controle da frequência cardíaca antes da transferência
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Resposta: A. Administrar clopidogrel e anticoagulante parenteral, acionar o serviço de transporte e transferir imediatamente para angioplastia primária

No IAMCSST com possibilidade de angioplastia primária em tempo hábil (porta-balão ≤120 minutos), a conduta é a transferência imediata, associando terapia antiplaquetária dupla (AAS + inibidor de P2Y12, como clopidogrel) e anticoagulação parenteral (como heparina não fracionada ou enoxaparina) ainda na unidade de origem. O diagnóstico de IAMCSST é eletrocardiográfico e clínico, não dependendo de troponina para iniciar tratamento ou decidir a reperfusão. A urgência da reperfusão não deve ser postergada por exames de imagem. O objetivo é minimizar o tempo total de isquemia até a abertura da artéria.

  • B. A troponina não é necessária para o diagnóstico ou decisão terapêutica no IAMCSST, cujo diagnóstico é eletrocardiográfico; aguardá-la apenas retarda a reperfusão.
  • C. O ecocardiograma não é necessário para a decisão de reperfusão imediata e seu uso aqui apenas atrasaria a transferência, sendo reservado para avaliação de complicações.
  • D. Betabloqueador intravenoso em bólus não é conduta padrão na fase aguda e pode ser deletério em paciente com risco de instabilidade hemodinâmica, sem benefício sobre a decisão de transferência.
Ponto-chave: No IAMCSST, confirmado o diagnóstico, deve-se iniciar antiagregação dupla e anticoagulação parenteral e transferir prontamente para angioplastia primária quando o tempo porta-balão for ≤120 minutos.
3

Paciente de 54 anos dá entrada em UPA de município do interior com dor torácica típica há 1 hora e 30 minutos. O ECG confirma supradesnivelamento do ST em parede anterior. O hospital terciário com hemodinâmica está a 3 horas de transporte terrestre, sem disponibilidade de helicóptero. O paciente não apresenta sinais de choque, sangramento ativo ou história de acidente vascular cerebral. Qual é a conduta terapêutica mais adequada neste momento?

  1. AIniciar fibrinolítico imediatamente, pois o tempo estimado até a angioplastia primária excede o limite aceitável
  2. BIniciar apenas anticoagulação plena e aguardar transporte, reservando fibrinolítico apenas para casos de choque cardiogênico
  3. CAguardar na UPA a evolução do quadro por 6 horas antes de decidir sobre reperfusão
  4. DTransferir o paciente sem terapia adicional, pois a trombólise só é indicada após falha da angioplastia
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Resposta: A. Iniciar fibrinolítico imediatamente, pois o tempo estimado até a angioplastia primária excede o limite aceitável

Quando o tempo estimado entre o diagnóstico de IAMCSST e a angioplastia primária excede 120 minutos (ou 90-110 minutos em infartos extensos e precoces), a fibrinólise deve ser iniciada prontamente, idealmente dentro de 30 minutos da chegada, desde que não haja contraindicações. O paciente está dentro da janela terapêutica de até 12 horas do início dos sintomas e não apresenta contraindicações evidentes. A reperfusão farmacológica reduz mortalidade quando a reperfusão mecânica não é viável em tempo hábil. Após a trombólise, o paciente ainda deve ser transferido para avaliação angiográfica, idealmente nas primeiras 24 horas.

  • B. A anticoagulação isolada sem terapia fibrinolítica ou mecânica não promove reperfusão da artéria ocluída e não deve substituir a trombólise nesse contexto.
  • C. Retardar a reperfusão aumenta a área de necrose miocárdica e a mortalidade; não há indicação de observação prolongada sem tratamento.
  • D. A trombólise é indicada como estratégia de reperfusão primária quando a angioplastia não está disponível em tempo adequado, não apenas após falha desta.
Ponto-chave: A fibrinólise está indicada no IAMCSST quando a angioplastia primária não pode ser realizada dentro de 120 minutos do diagnóstico, respeitada a janela de até 12 horas do início dos sintomas.
4

Paciente de 68 anos é atendido em UPA com IAMCSST de parede anterior há 2 horas, sem disponibilidade de angioplastia primária em tempo adequado. Durante a anamnese, relata ter sofrido acidente vascular cerebral hemorrágico há 8 meses, com recuperação parcial da força no hemicorpo direito. Está hemodinamicamente estável, sem sangramentos ativos. Diante desse antecedente, qual é a conduta mais apropriada em relação à terapia de reperfusão?

  1. AAdministrar o fibrinolítico em dose plena, pois o AVC hemorrágico prévio não é contraindicação quando há mais de 6 meses do evento
  2. BAdministrar fibrinolítico em dose reduzida pela metade para minimizar o risco de sangramento
  3. CContraindicar a fibrinólise devido ao antecedente de AVC hemorrágico e buscar transferência para angioplastia primária, mesmo com atraso
  4. DAssociar fibrinolítico a protamina profilática para reduzir o risco de sangramento intracraniano
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Resposta: C. Contraindicar a fibrinólise devido ao antecedente de AVC hemorrágico e buscar transferência para angioplastia primária, mesmo com atraso

O antecedente de acidente vascular cerebral hemorrágico em qualquer tempo é contraindicação absoluta à terapia fibrinolítica, pelo risco elevado de recorrência de sangramento intracraniano, frequentemente fatal. Nessas situações, mesmo que implique atraso, a angioplastia primária deve ser buscada como estratégia de reperfusão, com esforço para transferência rápida. Não existe dose reduzida segura de fibrinolítico para pacientes com contraindicação absoluta. A decisão de reperfusão deve sempre pesar o risco hemorrágico individual antes de qualquer terapia trombolítica.

  • A. O AVC hemorrágico prévio é contraindicação absoluta independentemente do tempo transcorrido desde o evento.
  • B. Não existe recomendação de dose reduzida de fibrinolítico para pacientes com contraindicação absoluta; o risco de sangramento permanece proibitivo em qualquer dose.
  • D. A protamina é antagonista da heparina e não reduz o risco de sangramento intracraniano relacionado ao efeito fibrinolítico, não sendo medida de proteção válida.
Ponto-chave: História de acidente vascular cerebral hemorrágico em qualquer momento da vida é contraindicação absoluta à terapia fibrinolítica.
5

Mulher de 62 anos, hipertensa e diabética, procura a UPA com dor torácica em aperto, de intensidade moderada, iniciada há 3 horas, sem irradiação típica. O ECG não mostra supradesnivelamento do ST, apenas infradesnivelamento discreto de 0,5 mm em DII, DIII e aVF. Os sinais vitais são: PA 142/88 mmHg, FC 84 bpm, SpO2 97%. Qual exame laboratorial é mais útil para confirmar lesão miocárdica e orientar a estratificação diagnóstica neste momento?

  1. AMioglobina sérica isolada
  2. BTroponina de alta sensibilidade seriada
  3. CCreatinofosfoquinase total (CPK total) isolada
  4. DDesidrogenase lática (LDH) sérica
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Resposta: B. Troponina de alta sensibilidade seriada

A troponina de alta sensibilidade é o biomarcador de escolha para detectar necrose miocárdica em pacientes com suspeita de síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do ST, devendo ser dosada de forma seriada (na admissão e após 1 a 3 horas, conforme o protocolo disponível) para aumentar a sensibilidade diagnóstica e permitir a diferenciação entre angina instável e infarto sem supra de ST. Sua elevação acima do percentil 99 do valor de referência, associada a variação significativa entre as dosagens, confirma lesão miocárdica aguda. A CPK total e a LDH têm baixa especificidade cardíaca. A mioglobina, apesar de se elevar precocemente, tem baixa especificidade e não é recomendada como exame isolado para diagnóstico de infarto.

  • A. A mioglobina tem baixa especificidade cardíaca e não é recomendada isoladamente para o diagnóstico de infarto, apesar da elevação precoce.
  • C. A CPK total é pouco específica para lesão miocárdica, elevando-se também em lesões musculares esqueléticas, sendo inferior à troponina.
  • D. A LDH é um marcador tardio e inespecífico de lesão tecidual, não sendo utilizada para diagnóstico de síndrome coronariana aguda.
Ponto-chave: A troponina de alta sensibilidade, dosada de forma seriada, é o biomarcador de escolha para o diagnóstico de lesão miocárdica nas síndromes coronarianas agudas sem supra de ST.
6

Homem de 70 anos é internado com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST. Apresenta troponina elevada, alterações dinâmicas do segmento ST no ECG e creatinina de 1,8 mg/dL (clearance estimado de 48 mL/min). Não há insuficiência cardíaca ou instabilidade hemodinâmica. O escore GRACE calculado é de 155 pontos, classificando-o como risco alto. Qual é a conduta mais adequada quanto à estratégia de cateterismo cardíaco?

  1. ARealizar cateterismo apenas se houver novo episódio de dor torácica durante a internação
  2. BIndicar tratamento conservador exclusivo com otimização de terapia antiplaquetária, sem necessidade de cateterismo
  3. CRealizar cateterismo cardíaco com estratégia invasiva precoce, dentro de 24 horas da admissão
  4. DPostergar o cateterismo para após 30 dias de estabilização clínica ambulatorial
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Resposta: C. Realizar cateterismo cardíaco com estratégia invasiva precoce, dentro de 24 horas da admissão

Pacientes com síndrome coronariana aguda sem supra de ST classificados como alto risco pelo escore GRACE (geralmente acima de 140 pontos), ou que apresentem critérios de alto risco como troponina elevada com alterações dinâmicas do ECG e disfunção renal, devem ser submetidos a estratégia invasiva precoce, com cateterismo cardíaco idealmente dentro de 24 horas da admissão. Essa conduta reduz eventos isquêmicos recorrentes e mortalidade em comparação à estratégia conservadora. A presença de disfunção renal e marcadores de necrose miocárdica reforça a indicação de investigação invasiva precoce, não devendo ser postergada.

  • A. Aguardar novo episódio de dor torácica para indicar cateterismo contraria a recomendação de investigação invasiva precoce já indicada pelo escore de risco elevado.
  • B. O tratamento exclusivamente conservador não é adequado para pacientes de alto risco, nos quais a estratégia invasiva precoce reduz desfechos adversos.
  • D. Postergar o cateterismo por 30 dias expõe o paciente de alto risco a eventos isquêmicos recorrentes evitáveis com intervenção precoce.
Ponto-chave: Pacientes com SCA sem supra de ST e escore GRACE de alto risco devem ser submetidos a cateterismo cardíaco com estratégia invasiva precoce, idealmente em até 24 horas.

Insuficiência Cardíaca

6 questões
7

Paciente de 61 anos, com diagnóstico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção de 28%, em acompanhamento ambulatorial, já em uso de enalapril e carvedilol em doses otimizadas, permanece em classe funcional II da NYHA. Potássio sérico é 4,2 mEq/L e creatinina é 1,0 mg/dL, com taxa de filtração glomerular estimada de 75 mL/min/1,73m². Qual das seguintes classes de medicamento deve ser adicionada ao esquema terapêutico para reduzir mortalidade?

  1. ABloqueador dos canais de cálcio dihidropiridínico
  2. BAntagonista do receptor mineralocorticoide
  3. CDiurético tiazídico
  4. DDigoxina
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Resposta: B. Antagonista do receptor mineralocorticoide

Os quatro pilares farmacológicos da IC-FER que reduzem mortalidade são o inibidor da enzima conversora de angiotensina (ou BRA, ou sacubitril-valsartana), o betabloqueador, o antagonista do receptor mineralocorticoide (espironolactona) e o inibidor de SGLT2. Como o paciente já está em uso otimizado de IECA e betabloqueador mas permanece sintomático, a adição de espironolactona está indicada, respeitando os níveis seguros de potássio e função renal apresentados. Os bloqueadores de canais de cálcio dihidropiridínicos não têm benefício comprovado de mortalidade e a digoxina atua apenas em controle de sintomas e frequência, sem reduzir mortalidade.

  • A. Não reduz mortalidade na IC-FER e não compõe os pilares terapêuticos recomendados pelas diretrizes.
  • C. Tem papel apenas no controle de congestão sintomática, sem impacto comprovado em mortalidade.
  • D. Melhora sintomas e reduz hospitalizações, mas não reduz mortalidade na IC-FER.
Ponto-chave: Os quatro pilares terapêuticos que reduzem mortalidade na IC-FER são IECA/BRA ou sacubitril-valsartana, betabloqueador, antagonista mineralocorticoide e inibidor de SGLT2.
8

Paciente de 72 anos, com insuficiência cardíaca crônica, é internado em hospital da rede SUS por dispneia progressiva e ganho de 4 kg em uma semana. Ao exame: FC 100 bpm, PA 118x76 mmHg, SpO2 92% em ar ambiente, estertores crepitantes bilaterais até terço médio e edema de membros inferiores +3/4. É iniciada furosemida intravenosa 40 mg em bolus. Após 2 horas, o débito urinário registrado foi de apenas 90 mL e não houve melhora clínica significativa da dispneia. Qual a próxima conduta mais apropriada?

  1. ADobrar a dose de furosemida intravenosa
  2. BAguardar 12 horas antes de nova avaliação da resposta diurética
  3. CAssociar nitroprussiato de sódio intravenoso
  4. DTrocar furosemida por hidroclorotiazida oral
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Resposta: A. Dobrar a dose de furosemida intravenosa

Na descompensação aguda da insuficiência cardíaca, a resposta diurética deve ser reavaliada em 2 horas após a dose inicial de furosemida intravenosa. Débito urinário insuficiente (inferior a 100-150 mL/h) indica resposta inadequada, e a conduta recomendada é dobrar a dose do diurético de alça intravenoso, podendo repetir essa estratégia até atingir resposta adequada ou dose máxima. A troca para via oral é contraindicada na fase aguda devido à má absorção intestinal por congestão, e aguardar prolongadamente retarda o tratamento da congestão, aumentando o risco de piora clínica.

  • B. O retardo na reavaliação prolonga a congestão e pode agravar a insuficiência respiratória do paciente.
  • C. É usado em casos de edema agudo de pulmão hipertensivo, não como estratégia primária para resposta diurética insatisfatória nesse contexto.
  • D. A via oral tem absorção comprometida por edema de parede intestinal na descompensação aguda e não é recomendada nesse momento.
Ponto-chave: Na resposta diurética inadequada após 2 horas de furosemida intravenosa na IC descompensada, a conduta é dobrar a dose do diurético de alça.
9

Paciente de 66 anos chega à sala de emergência de uma UPA com dispneia intensa de início súbito, ortopneia e sudorese profusa. Ao exame: PA 168x98 mmHg, FC 118 bpm, FR 32 irpm, SpO2 84% em ar ambiente, estertores crepitantes em todo o tórax bilateralmente. Qual conjunto de medidas iniciais é mais apropriado?

  1. APosição sentada com cabeceira elevada, oxigenoterapia, morfina intravenosa e betabloqueador intravenoso
  2. BPosição sentada com cabeceira elevada, oxigenoterapia, furosemida intravenosa e nitroglicerina intravenosa
  3. CPosição supina, oxigenoterapia, hidratação venosa vigorosa e digoxina intravenosa
  4. DPosição supina, oxigenoterapia, furosemida intravenosa e nitroglicerina intravenosa
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Resposta: B. Posição sentada com cabeceira elevada, oxigenoterapia, furosemida intravenosa e nitroglicerina intravenosa

No edema agudo de pulmão cardiogênico, o paciente deve ser mantido sentado com a cabeceira elevada para reduzir o retorno venoso e melhorar a mecânica respiratória, associado a suplementação de oxigênio para corrigir a hipoxemia. A furosemida intravenosa promove diurese e venodilatação, enquanto a nitroglicerina intravenosa reduz a pré-carga e a pós-carga, sendo apropriada diante da pressão arterial elevada apresentada. A posição supina piora a congestão pulmonar, a morfina não é mais recomendada rotineiramente pelo risco de depressão respiratória, os betabloqueadores são contraindicados na fase aguda de congestão, e a hidratação vigorosa agravaria o quadro.

  • A. A morfina não é recomendada de rotina pelo risco de depressão respiratória e os betabloqueadores são contraindicados na insuficiência cardíaca aguda descompensada.
  • C. A hidratação vigorosa e a posição supina agravam a congestão pulmonar nesse cenário.
  • D. A posição supina aumenta o retorno venoso e piora a congestão pulmonar, sendo contraindicada nesse contexto.
Ponto-chave: No edema agudo de pulmão cardiogênico, a conduta inicial inclui posição sentada, oxigênio, diurético de alça intravenoso e vasodilatador intravenoso quando a pressão arterial permite.
10

Mulher de 74 anos, hipertensa e diabética há 15 anos, é avaliada na UBS por dispneia aos esforços moderados e edema de tornozelos há 2 meses. Exame físico mostra PA 148x88 mmHg, estertores finos em bases pulmonares e terceira bulha ausente. O ecocardiograma revela fração de ejeção de 58%, hipertrofia ventricular esquerda concêntrica e sinais de disfunção diastólica. Qual é a etiologia mais frequentemente associada a esse padrão de insuficiência cardíaca?

  1. ADoença de Chagas em fase cardíaca avançada
  2. BCardiopatia isquêmica por infarto extenso prévio
  3. CHipertensão arterial sistêmica crônica
  4. DMiocardiopatia dilatada idiopática
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Resposta: C. Hipertensão arterial sistêmica crônica

A hipertensão arterial sistêmica crônica é a principal causa de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, levando à hipertrofia ventricular concêntrica e disfunção diastólica, como observado no caso descrito. O diabetes mellitus associado atua como fator agravante dessa fisiopatologia. Já o infarto extenso prévio e a miocardiopatia dilatada tipicamente cursam com fração de ejeção reduzida, e a cardiopatia chagásica avançada também costuma apresentar dilatação ventricular e redução importante da fração de ejeção, sendo incompatíveis com o padrão ecocardiográfico descrito.

  • A. A fase cardíaca avançada da doença de Chagas tipicamente apresenta dilatação ventricular e fração de ejeção reduzida.
  • B. Infarto extenso prévio tipicamente resulta em disfunção sistólica com fração de ejeção reduzida, não no padrão preservado descrito.
  • D. A miocardiopatia dilatada cursa com dilatação de câmaras e fração de ejeção reduzida.
Ponto-chave: A hipertensão arterial sistêmica crônica é a principal etiologia da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
11

Paciente de 70 anos com insuficiência cardíaca crônica está internado por quadro de descompensação aguda com congestão pulmonar e edema de membros inferiores. Por erro de prescrição, recebeu metoprolol na dose habitual ambulatorial durante a fase aguda da descompensação. Horas depois, apresenta piora da dispneia, PA 86x54 mmHg, FC 52 bpm e extremidades frias. Qual mecanismo mais provavelmente explica essa piora clínica?

  1. ATaquicardia reflexa por bloqueio dos receptores beta-2
  2. BRedução do efeito inotrópico compensatório pelo bloqueio beta-adrenérgico
  3. CVasodilatação arterial periférica excessiva induzida pelo fármaco
  4. DRetenção hídrica por ação mineralocorticoide direta do betabloqueador
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Resposta: B. Redução do efeito inotrópico compensatório pelo bloqueio beta-adrenérgico

Na insuficiência cardíaca aguda descompensada, o sistema adrenérgico está hiperativado como mecanismo compensatório para manter o débito cardíaco. O uso de betabloqueador nessa fase bloqueia esse estímulo inotrópico e cronotrópico compensatório, podendo levar a queda do débito cardíaco, hipotensão, bradicardia e hipoperfusão periférica, como observado no caso. Por esse motivo, os betabloqueadores devem ser evitados ou ter a dose reduzida na fase de descompensação aguda com sinais de baixo débito, sendo reintroduzidos ou ajustados somente após estabilização clínica.',

  • A. O quadro apresentado é de bradicardia, e não de taquicardia reflexa.
  • C. O efeito observado no caso é de vasoconstrição periférica e baixo débito, não de vasodilatação excessiva.
  • D. Os betabloqueadores não possuem ação mineralocorticoide direta relevante na retenção hídrica.
Ponto-chave: O uso de betabloqueador na insuficiência cardíaca aguda descompensada pode bloquear o suporte adrenérgico compensatório e precipitar baixo débito cardíaco com hipotensão e bradicardia.
12

Paciente de 74 anos é atendido na UPA com queixa de dispneia progressiva há 5 dias, ortopneia e edema de membros inferiores. Ao exame: FR 26 irpm, SpO2 91% em ar ambiente, estertores crepitantes bibasais, turgência jugular a 45°, edema de membros inferiores 2+/4+. Antecedente de hipertensão arterial e tabagismo de 40 anos-maço. É solicitado NT-proBNP, que retorna em 5200 pg/mL. Qual a interpretação mais adequada desse resultado no contexto clínico?

  1. AO valor elevado sugere exclusivamente doença pulmonar obstrutiva crônica descompensada como causa da dispneia
  2. BO valor elevado confirma etiologia cardíaca da dispneia e é compatível com insuficiência cardíaca descompensada
  3. CO valor elevado é inespecífico e não auxilia na diferenciação entre causa cardíaca e pulmonar nesse paciente
  4. DO resultado deve ser desconsiderado, pois a idade avançada invalida o uso de peptídeos natriuréticos
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Resposta: B. O valor elevado confirma etiologia cardíaca da dispneia e é compatível com insuficiência cardíaca descompensada

Os peptídeos natriuréticos (BNP e NT-proBNP) são liberados pelos miócitos ventriculares em resposta ao estiramento da parede por sobrecarga de volume ou pressão, sendo marcadores sensíveis de disfunção cardíaca. Valores de NT-proBNP acima de 900 pg/mL em pacientes com mais de 50 anos (ou acima de 1800 pg/mL em maiores de 75 anos) tornam a insuficiência cardíaca extremamente provável como causa da dispneia aguda. Valores muito baixos (NT-proBNP menor que 300 pg/mL) praticamente excluem a etiologia cardíaca, direcionando a investigação para causa pulmonar. No caso descrito, o valor de 5200 pg/mL associado aos achados clínicos de congestão (turgência jugular, estertores, edema) confirma a etiologia cardíaca da dispneia.

  • A. Na DPOC descompensada sem componente cardíaco, os níveis de NT-proBNP tendem a permanecer baixos ou discretamente elevados, não atingindo valores tão altos.
  • C. Os peptídeos natriuréticos têm alto valor discriminativo entre dispneia cardíaca e pulmonar, sendo úteis justamente para essa diferenciação.
  • D. A idade avançada exige o uso de pontos de corte ajustados, mas não invalida a interpretação do exame.
Ponto-chave: NT-proBNP elevado (acima do ponto de corte ajustado para idade) associado a sinais clínicos de congestão confirma a etiologia cardíaca da dispneia aguda.
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Arritmias

6 questões
13

Mulher de 68 anos, hipertensa e diabética, é atendida em UBS para acompanhamento. Está em uso de losartana e metformina. Durante a consulta, o exame cardiovascular revela pulso irregular, e o ECG confirma fibrilação atrial com resposta ventricular de 88 bpm, assintomática. Pressão arterial 128/78 mmHg. Não há história de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca ou doença vascular. Qual a conduta mais adequada em relação à anticoagulação?

  1. AIniciar anticoagulação oral, pois o escore CHA2DS2-VASc indica risco que justifica a terapia
  2. BNão anticoagular, pois a ausência de sintomas torna o risco tromboembólico desprezível
  3. CPostergar a decisão sobre anticoagulação até que a paciente apresente algum episódio embólico
  4. DIndicar apenas ácido acetilsalicílico em dose antiagregante como profilaxia tromboembólica
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Resposta: A. Iniciar anticoagulação oral, pois o escore CHA2DS2-VASc indica risco que justifica a terapia

O escore CHA2DS2-VASc estratifica o risco tromboembólico em pacientes com fibrilação atrial não valvar. Nessa paciente, sexo feminino (1 ponto), hipertensão (1 ponto) e diabetes (1 ponto) somam 3 pontos, o que já indica benefício claro da anticoagulação oral, independentemente de sintomas. Pacientes com FA são anticoagulados com base no risco tromboembólico calculado pelo escore, não pela presença de sintomas da arritmia. Os anticoagulantes orais diretos (como a rivaroxabana ou apixabana) ou a warfarina são as opções indicadas, sendo a antiagregação plaquetária isolada insuficiente para profilaxia nesse contexto.

  • B. A decisão de anticoagular baseia-se no risco tromboembólico estimado pelo escore, e não na presença de sintomas da arritmia.
  • C. A anticoagulação deve ser iniciada de forma preventiva, antes de qualquer evento embólico, pois seu objetivo é justamente evitar o primeiro episódio.
  • D. Antiagregantes plaquetários isolados não são recomendados para profilaxia tromboembólica em FA, pois têm eficácia inferior à anticoagulação oral.
Ponto-chave: A indicação de anticoagulação oral em fibrilação atrial não valvar é guiada pelo escore CHA2DS2-VASc, independentemente da presença de sintomas.
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Homem de 58 anos chega ao serviço de emergência com palpitações de início há 2 horas, associadas a dor torácica e sudorese. Pressão arterial 78/50 mmHg, frequência cardíaca 160 bpm, nível de consciência reduzido com sonolência. O ECG mostra fibrilação atrial com resposta ventricular rápida, sem ondas P identificáveis e QRS estreito irregular. Qual a conduta imediata mais adequada?

  1. AAdministração intravenosa de metoprolol em bolus
  2. BAdministração intravenosa de amiodarona em infusão lenta
  3. CAdministração intravenosa de digoxina para controle de frequência
  4. DCardioversão elétrica sincronizada imediata sob sedação
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Resposta: D. Cardioversão elétrica sincronizada imediata sob sedação

Fibrilação atrial associada a instabilidade hemodinâmica (hipotensão, alteração do nível de consciência, dor torácica isquêmica ou congestão pulmonar) é uma emergência que exige cardioversão elétrica sincronizada imediata, independentemente do tempo de início da arritmia. O choque sincronizado é disparado na onda R para evitar o período refratário relativo e reduzir o risco de induzir fibrilação ventricular. Drogas para controle de frequência ou ritmo têm início de ação mais lento e não são apropriadas quando há comprometimento hemodinâmico agudo, pois atrasam a estabilização do paciente.

  • A. Betabloqueadores têm efeito mais lento e podem agravar a hipotensão, sendo inadequados nesse cenário de instabilidade.
  • B. A amiodarona tem início de ação lento e não é a conduta de escolha quando há instabilidade hemodinâmica, que exige reversão imediata.
  • C. A digoxina tem início de ação lento e não resolve a instabilidade hemodinâmica aguda.
Ponto-chave: Fibrilação atrial com instabilidade hemodinâmica exige cardioversão elétrica sincronizada imediata, independentemente do tempo de evolução da arritmia.
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Mulher de 29 anos procura a UPA por palpitações de início súbito há 30 minutos, associadas a leve desconforto torácico, sem dispneia. Está consciente, orientada, pressão arterial 110/70 mmHg, frequência cardíaca 182 bpm. O ECG mostra taquicardia de QRS estreito, regular, sem ondas P visíveis. Manobra de Valsalva foi tentada sem sucesso. Qual a próxima conduta mais adequada?

  1. AAdministração de verapamil intravenoso em infusão lenta
  2. BAdministração de adenosina intravenosa em bolus rápido
  3. CAdministração de amiodarona intravenosa em infusão contínua
  4. DCardioversão elétrica sincronizada imediata
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Resposta: B. Administração de adenosina intravenosa em bolus rápido

A taquicardia supraventricular paroxística (TSVP) estável deve ser tratada inicialmente com manobras vagais (Valsalva, massagem do seio carotídeo); se não houver reversão, a adenosina intravenosa em bolus rápido seguido de flush salino é a droga de escolha, pois bloqueia transitoriamente a condução pelo nó atrioventricular, interrompendo o circuito de reentrada na maioria dos casos. A adenosina tem meia-vida extremamente curta (segundos), o que permite seu uso seguro mesmo sem confirmação absoluta do mecanismo da taquicardia. O verapamil intravenoso é uma alternativa, mas não é a primeira escolha após falha da manobra vagal.

  • A. O verapamil é uma alternativa válida, mas a adenosina é a droga de primeira escolha após falha da manobra vagal, por seu início de ação mais rápido e perfil de segurança.
  • C. A amiodarona não é a primeira escolha para TSVP estável e seu início de ação é mais lento que o da adenosina.
  • D. A cardioversão elétrica é reservada para casos de instabilidade hemodinâmica ou falha do tratamento farmacológico, não sendo indicada em paciente estável.
Ponto-chave: Na TSVP estável, o tratamento segue a sequência: manobra vagal, seguida de adenosina intravenosa em bolus rápido se não houver reversão.
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Homem de 61 anos, com antecedente de infarto do miocárdio prévio, é atendido na emergência com palpitações e mal-estar súbitos. Está consciente, mas confuso, com pressão arterial 82/54 mmHg e extremidades frias. O monitor mostra taquicardia de QRS largo (140 ms), regular, com frequência de 190 bpm, e há pulso central palpável. Qual a conduta mais adequada?

  1. AAdministração intravenosa de amiodarona em bolus
  2. BAdministração intravenosa de sulfato de magnésio
  3. CCardioversão elétrica sincronizada imediata sob sedação
  4. DDesfibrilação não sincronizada imediata
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Resposta: C. Cardioversão elétrica sincronizada imediata sob sedação

Taquicardia ventricular sustentada com pulso presente, mas associada a sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, confusão mental, hipoperfusão periférica), exige cardioversão elétrica sincronizada imediata, geralmente com sedação prévia quando o tempo permite. O choque sincronizado, disparado na onda R, é fundamental nesse contexto para evitar precipitar fibrilação ventricular, o que ocorreria com maior risco em choque não sincronizado. Antiarrítmicos intravenosos têm início de ação mais lento e são reservados para TV estável ou como adjuvantes após a cardioversão.

  • A. A amiodarona é opção para TV estável ou refratária, mas não deve ser a conduta inicial quando há instabilidade hemodinâmica, que exige reversão elétrica imediata.
  • B. O sulfato de magnésio é indicado principalmente em torsades de pointes, não sendo a conduta adequada para TV monomórfica instável.
  • D. A desfibrilação não sincronizada é reservada para fibrilação ventricular ou TV sem pulso; em TV com pulso, o choque deve ser sincronizado para evitar risco de fibrilação ventricular.
Ponto-chave: TV sustentada com pulso e instabilidade hemodinâmica deve ser tratada com cardioversão elétrica sincronizada imediata.
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Durante atendimento em enfermaria, um homem de 66 anos apresenta perda súbita de consciência. Ao exame, não há pulso carotídeo palpável em 10 segundos, não há movimentos respiratórios eficazes. O monitor cardíaco mostra ritmo caótico, de amplitude e frequência irregulares, sem complexos QRS identificáveis. As compressões torácicas são iniciadas imediatamente. Qual a conduta mais adequada diante desse ritmo?

  1. ADesfibrilação não sincronizada imediata, associada à continuidade das compressões torácicas
  2. BCardioversão elétrica sincronizada, interrompendo as compressões para preparo do choque
  3. CAdministração imediata de adenosina intravenosa em bolus antes de qualquer choque
  4. DObservação contínua do ritmo por 2 minutos antes de decidir pela desfibrilação
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Resposta: A. Desfibrilação não sincronizada imediata, associada à continuidade das compressões torácicas

O ritmo descrito, caótico e sem complexos QRS organizados, é compatível com fibrilação ventricular, um dos ritmos chocáveis na parada cardiorrespiratória. A conduta correta é a desfibrilação não sincronizada (assíncrona) imediata, pois não há onda R identificável para sincronizar o choque, associada à manutenção de compressões torácicas de alta qualidade com interrupções mínimas. O atraso na desfibrilação reduz significativamente as chances de sobrevida, já que a probabilidade de sucesso diminui com o tempo de fibrilação ventricular não tratada.

  • B. A cardioversão sincronizada não é aplicável à fibrilação ventricular, pois não há onda R identificável para sincronização, e a interrupção das compressões para esse fim é inadequada.
  • C. A adenosina não tem papel no tratamento de ritmos chocáveis como fibrilação ventricular; a prioridade é a desfibrilação imediata.
  • D. Retardar a desfibrilação para observação prolongada do ritmo reduz as chances de sobrevida e não está indicado quando o ritmo chocável já foi identificado.
Ponto-chave: A fibrilação ventricular é um ritmo chocável que deve ser tratada com desfibrilação não sincronizada imediata associada a compressões torácicas de alta qualidade.
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Uma mulher de 74 anos, em uso de digoxina 0,25 mg/dia para controle de frequência na fibrilação atrial, é levada à UPA por náuseas, mal-estar e visão com halos amarelados há 3 dias. Ela também iniciou furosemida há uma semana por piora de edema de membros inferiores. Ao exame: FC de 38 bpm, PA de 100 x 60 mmHg, ritmo cardíaco irregular à ausculta. O ECG mostra ritmo de escape juncional com episódios de taquicardia atrial com bloqueio AV 2:1. O potássio sérico é 3,0 mEq/L. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

  1. AAumentar a dose de furosemida para reduzir a sobrecarga volêmica
  2. BIniciar amiodarona intravenosa para controle do ritmo atrial
  3. CAdministrar anticorpo antidigoxina (imunofab) e corrigir o potássio sérico
  4. DRealizar cardioversão elétrica sincronizada imediata
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Resposta: C. Administrar anticorpo antidigoxina (imunofab) e corrigir o potássio sérico

A combinação de taquicardia atrial com bloqueio AV e bradicardia é um padrão clássico de intoxicação digitálica, especialmente agravada por hipopotassemia induzida por diurético de alça, que aumenta a ligação da digoxina à bomba Na+/K+-ATPase. O tratamento de escolha é o anticorpo antidigoxina (imunofab), que neutraliza o fármaco circulante, associado à correção cuidadosa do potássio sérico. A cardioversão elétrica é contraindicada na intoxicação digitálica pelo risco de arritmias ventriculares refratárias. A amiodarona pode aumentar os níveis séricos de digoxina e não trata a causa de base.

  • A. Aumentar a furosemida pioraria a hipopotassemia, agravando a toxicidade digitálica.
  • B. A amiodarona eleva os níveis séricos de digoxina e não trata a intoxicação.
  • D. A cardioversão elétrica é contraindicada na intoxicação digitálica pelo risco de fibrilação ventricular.
Ponto-chave: Na intoxicação digitálica com arritmia significativa, o tratamento específico é o anticorpo antidigoxina associado à correção de distúrbios eletrolíticos, sendo a cardioversão elétrica contraindicada.

Hipertensão Arterial Sistêmica

5 questões
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Um homem de 50 anos comparece à UBS para consulta de rotina. Na medição realizada pela enfermagem, a PA foi de 148 x 94 mmHg. O médico repete a aferição após 5 minutos de repouso, com técnica adequada, obtendo 146 x 92 mmHg. O paciente nega uso de medicações e não possui registros anteriores de pressão arterial elevada. Não há lesões de órgão-alvo identificáveis ao exame físico. Qual é a conduta mais adequada para confirmar o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica neste paciente, segundo a diretriz brasileira?

  1. ASolicitar MAPA ou MRPA para confirmar o diagnóstico antes de iniciar tratamento
  2. BIniciar tratamento farmacológico imediatamente, independente de nova confirmação
  3. CRepetir a medida casual em mais duas consultas subsequentes com intervalo de 3 meses
  4. DFirmar o diagnóstico de HAS com base nas duas medidas casuais já obtidas
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Resposta: A. Solicitar MAPA ou MRPA para confirmar o diagnóstico antes de iniciar tratamento

Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, pacientes com PA entre 140-179 x 90-109 mmHg na consulta, sem lesão de órgão-alvo evidente ou risco cardiovascular muito alto, devem ter o diagnóstico confirmado por método fora do consultório, preferencialmente MAPA de 24 horas ou, na indisponibilidade, MRPA, para excluir o efeito do avental branco. Apenas em casos de PA muito elevada (igual ou maior que 180 x 110 mmHg) ou lesão de órgão-alvo associada o diagnóstico pode ser firmado com medidas casuais isoladas. A repetição de medidas casuais em consultas subsequentes é uma alternativa menos precisa quando MAPA/MRPA não estão disponíveis, mas não é a conduta preferencial quando há acesso a esses métodos.

  • B. Iniciar tratamento sem confirmação expõe o paciente ao risco de tratamento inadequado por efeito do avental branco.
  • C. Essa é uma alternativa aceitável apenas na indisponibilidade de MAPA/MRPA, não a conduta preferencial.
  • D. Duas medidas casuais isoladas, sem PA muito elevada ou lesão de órgão-alvo, não são suficientes para o diagnóstico definitivo.
Ponto-chave: O diagnóstico de HAS em pacientes com PA de consultório entre 140-179 x 90-109 mmHg deve ser confirmado por MAPA ou MRPA antes do início do tratamento.
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Um homem de 58 anos chega à UPA com cefaleia intensa e confusão mental iniciadas há 2 horas. Está em uso irregular de losartana. Ao exame: PA de 220 x 130 mmHg, FC de 92 bpm, Glasgow 14 (desorientação temporal), sem déficits focais. O exame de fundo de olho mostra hemorragias retinianas e papiledema bilateral. Os exames laboratoriais, incluindo função renal, são normais. Qual é a conduta inicial mais adequada?

  1. AAdministrar nifedipina de ação rápida sublingual para redução imediata da PA
  2. BPrescrever captopril oral e reavaliar a PA em 24 horas em acompanhamento ambulatorial
  3. CReduzir a PA para valores normais (menor que 130 x 80 mmHg) nas primeiras 2 horas
  4. DInternar o paciente e reduzir a PA média em até 25% nas primeiras horas com nitroprussiato de sódio intravenoso
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Resposta: D. Internar o paciente e reduzir a PA média em até 25% nas primeiras horas com nitroprussiato de sódio intravenoso

O quadro de PA gravemente elevada associado a encefalopatia hipertensiva e retinopatia grau III/IV caracteriza emergência hipertensiva, com risco iminente de lesão de órgão-alvo progressiva. A conduta correta é a internação com uso de anti-hipertensivo intravenoso titulável, como nitroprussiato de sódio, com redução gradual da PA média em até 25% nas primeiras horas, evitando quedas abruptas que possam causar hipoperfusão cerebral, renal ou coronariana. A nifedipina sublingual de ação rápida é contraindicada pelo risco de queda abrupta e descontrolada da pressão arterial. O tratamento ambulatorial é inadequado, pois o paciente apresenta lesão de órgão-alvo aguda e necessita de monitorização intensiva.

  • A. A nifedipina sublingual de ação rápida é contraindicada pelo risco de queda abrupta e imprevisível da PA.
  • B. O tratamento ambulatorial é inadequado em emergência hipertensiva com lesão de órgão-alvo aguda.
  • C. A redução para valores normais em poucas horas pode causar hipoperfusão de órgãos vitais e deve ser evitada.
Ponto-chave: Na emergência hipertensiva com lesão de órgão-alvo aguda, a PA deve ser reduzida gradualmente, em até 25% da PA média nas primeiras horas, com anti-hipertensivo intravenoso em ambiente de internação.
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Uma mulher de 55 anos, em tratamento para hipertensão arterial com enalapril 20 mg/dia há 3 meses, retorna à UBS com queixa de tosse seca persistente, sem dispneia, febre ou expectoração, iniciada cerca de um mês após o início da medicação. O exame físico e a radiografia de tórax são normais. Qual é a conduta mais adequada?

  1. AReduzir a dose do enalapril para 10 mg/dia
  2. BSubstituir o enalapril por losartana
  3. CManter o enalapril e solicitar espirometria
  4. DAssociar broncodilatador inalatório ao esquema atual
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Resposta: B. Substituir o enalapril por losartana

A tosse seca é um efeito adverso comum dos inibidores da enzima conversora de angiotensina, decorrente do acúmulo de bradicinina e substância P nas vias aéreas, que não são degradadas na ausência da inibição da ECA. A conduta recomendada é a substituição por um bloqueador do receptor de angiotensina II, como a losartana, que não interfere no metabolismo da bradicinina e mantém eficácia anti-hipertensiva semelhante. Reduzir a dose não costuma resolver o sintoma, pois o efeito é de classe e não dose-dependente. A investigação com espirometria ou broncodilatador não é indicada, pois o quadro clínico já é característico de efeito adverso medicamentoso.

  • A. A redução de dose geralmente não resolve a tosse, pois o efeito é de classe e não dose-dependente.
  • C. A manutenção do IECA perpetua o efeito adverso; a espirometria não é necessária em quadro clínico típico.
  • D. O broncodilatador não trata a causa da tosse, que é o próprio IECA, e não há evidência de broncoespasmo.
Ponto-chave: A tosse seca por acúmulo de bradicinina é um efeito adverso de classe dos IECA e deve ser manejada com a substituição por um bloqueador do receptor de angiotensina II.
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Uma mulher de 32 anos é atendida na UBS com PA de 168 x 108 mmHg, confirmada em MAPA, de difícil controle apesar do uso regular de três classes de anti-hipertensivos em doses adequadas, incluindo um diurético. Ela relata episódios de cefaleia pulsátil, sudorese excessiva e palpitações que ocorrem de forma paroxística, com duração de minutos, seguidos de período assintomático. Não há história familiar de hipertensão. O exame físico não revela sopros abdominais ou alterações relevantes. Qual é o exame inicial mais indicado para investigação diagnóstica?

  1. ADosagem de metanefrinas fracionadas em urina de 24 horas ou plasma
  2. BAngiografia de artérias renais
  3. CDosagem de aldosterona e renina plasmáticas
  4. DDosagem de cortisol salivar noturno
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Resposta: A. Dosagem de metanefrinas fracionadas em urina de 24 horas ou plasma

A combinação de hipertensão resistente com episódios paroxísticos de cefaleia, sudorese e palpitações é altamente sugestiva de feocromocitoma, tumor produtor de catecolaminas. O exame inicial de escolha para investigação é a dosagem de metanefrinas fracionadas em urina de 24 horas ou no plasma, que apresenta alta sensibilidade para o diagnóstico bioquímico dessa condição. A dosagem de aldosterona e renina é indicada quando há suspeita de hiperaldosteronismo primário, geralmente associado a hipopotassemia. A angiografia renal seria indicada na suspeita de estenose de artéria renal, geralmente sugerida por sopro abdominal, achado ausente neste caso.

  • B. A angiografia renal é indicada na suspeita de estenose de artéria renal, sem sustentação clínica neste caso.
  • C. A dosagem de aldosterona e renina é indicada na suspeita de hiperaldosteronismo primário, não no quadro paroxístico descrito.
  • D. O cortisol salivar noturno é indicado na suspeita de síndrome de Cushing, cujo quadro clínico é diferente do descrito.
Ponto-chave: Em hipertensão resistente associada a episódios paroxísticos de cefaleia, sudorese e palpitações, deve-se investigar feocromocitoma com dosagem de metanefrinas fracionadas.
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Um homem de 48 anos é diagnosticado com hipertensão arterial estágio 2 (PA média de 172 x 104 mmHg confirmada por MAPA) em consulta na UBS. Ele não apresenta diabetes mellitus, doença renal crônica ou outras comorbidades relevantes, e os exames laboratoriais iniciais são normais. Segundo a diretriz brasileira, qual é a estratégia farmacológica inicial mais adequada para este paciente?

  1. AMonoterapia com betabloqueador cardiosseletivo, com ajuste posterior conforme resposta
  2. BAssociação de inibidor da enzima conversora de angiotensina com bloqueador dos canais de cálcio
  3. CAssociação de betabloqueador com diurético poupador de potássio
  4. DMonoterapia com diurético tiazídico, reservando a combinação para falha terapêutica
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Resposta: B. Associação de inibidor da enzima conversora de angiotensina com bloqueador dos canais de cálcio

Na hipertensão arterial estágio 2 (PA sistólica maior ou igual a 160 mmHg ou diastólica maior ou igual a 100 mmHg), a Diretriz Brasileira de Hipertensão recomenda iniciar o tratamento já com combinação de dois fármacos de classes diferentes, pois a monoterapia raramente é suficiente para atingir a meta pressórica nesse estágio. A combinação preferencial inclui um inibidor da enzima conversora de angiotensina (ou bloqueador do receptor de angiotensina II) associado a um bloqueador dos canais de cálcio ou a um diurético tiazídico. O uso inicial de betabloqueador não é recomendado como primeira linha na hipertensão não complicada, sendo reservado para indicações específicas como doença coronariana, insuficiência cardíaca ou arritmias.

  • A. Betabloqueador não é recomendado como monoterapia de primeira linha na hipertensão não complicada.
  • C. Betabloqueador não é a classe preferencial inicial e a combinação com diurético poupador de potássio não é a estratégia padrão de primeira linha.
  • D. Na HAS estágio 2, a diretriz recomenda iniciar já com combinação, não monoterapia.
Ponto-chave: Na hipertensão arterial estágio 2, o tratamento deve ser iniciado já com combinação de duas classes, preferencialmente IECA ou BRA associado a bloqueador dos canais de cálcio ou diurético tiazídico.

Valvopatias

5 questões
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Homem de 68 anos é atendido na UBS com queixa de cansaço progressivo aos esforços e um episódio de síncope há uma semana durante caminhada. Ao exame: PA 128/82 mmHg, FC 76 bpm, pulso de ascensão lenta e amplitude reduzida. Ausculta cardíaca revela sopro sistólico rude em foco aórtico, irradiado para carótidas, com frêmito à palpação. Ecocardiograma mostra valva aórtica calcificada, área valvar de 0,8 cm² e gradiente médio de 48 mmHg, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 55%. Qual a conduta mais adequada?

  1. AIniciar betabloqueador e reavaliar a necessidade de cirurgia em 6 meses
  2. BIndicar apenas profilaxia para endocardite infecciosa e seguimento ambulatorial anual
  3. CEncaminhar para troca valvar aórtica, pois a lesão é grave e sintomática
  4. DPrescrever diurético de alça e vasodilatador para controle dos sintomas
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Resposta: C. Encaminhar para troca valvar aórtica, pois a lesão é grave e sintomática

O paciente apresenta estenose aórtica grave (área valvar < 1,0 cm², gradiente médio > 40 mmHg) associada a sintomas (síncope e dispneia aos esforços), achados de pulso parvus et tardus e sopro sistólico com irradiação carotídea típicos. Estenose aórtica grave sintomática é indicação de classe I para troca valvar, cirúrgica ou por via percutânea (TAVI), independentemente da função ventricular, pois o tratamento clínico não altera a história natural da doença e o risco de morte súbita é elevado sem intervenção. O retardo da cirurgia nesses casos aumenta a mortalidade.

  • A. Betabloqueadores podem ser deletérios na estenose aórtica grave por reduzirem a frequência cardíaca e o débito cardíaco, e não substituem a indicação cirúrgica.
  • B. A profilaxia isolada sem intervenção na valva não trata a obstrução grave e sintomática, deixando o paciente em risco de morte súbita.
  • D. Diuréticos e vasodilatadores podem causar hipotensão grave na estenose aórtica por reduzirem a pré-carga em um ventrículo com débito fixo.
Ponto-chave: Estenose aórtica grave sintomática (área < 1,0 cm², gradiente médio > 40 mmHg, com síncope, angina ou dispneia) tem indicação de troca valvar independentemente da fração de ejeção.
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Mulher de 55 anos, acompanhada na UBS por hipertensão arterial, relata dispneia leve aos esforços moderados. Ao exame físico: PA 130/80 mmHg, FC 78 bpm, ictus cordis desviado para a esquerda e palpável em decúbito lateral esquerdo. À ausculta, nota-se sopro holossistólico em foco mitral, de intensidade constante durante toda a sístole, irradiado para a axila esquerda, melhor audível em decúbito lateral esquerdo. Qual mecanismo fisiopatológico explica a característica holossistólica e contínua desse sopro?

  1. ATurbulência do fluxo anterógrado através de um orifício valvar mitral estreitado durante a diástole ventricular
  2. BRefluxo de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo durante toda a sístole, por incompetência valvar mantida enquanto a pressão ventricular excede a atrial
  3. CFluxo turbulento através de uma comunicação interventricular com gradiente variável entre os ventrículos
  4. DVibração do aparelho valvar mitral mixomatoso apenas no momento do prolapso, no meio da sístole
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Resposta: B. Refluxo de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo durante toda a sístole, por incompetência valvar mantida enquanto a pressão ventricular excede a atrial

Na insuficiência mitral crônica, a valva não se coapta adequadamente durante toda a sístole, permitindo refluxo contínuo de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo enquanto a pressão ventricular for maior que a atrial, o que ocorre durante toda a sístole isovolumétrica e de ejeção. Isso gera um sopro holossistólico de intensidade relativamente constante ('em platô'), diferente de sopros que variam de intensidade por mudanças no gradiente de pressão. A irradiação para a axila e o ictus desviado refletem a sobrecarga de volume crônica do ventrículo esquerdo.

  • A. Esse mecanismo descreve a estenose mitral, que gera sopro diastólico, não sistólico.
  • C. Esse mecanismo é característico da comunicação interventricular, que não corresponde ao foco de ausculta nem à irradiação descritos.
  • D. Essa descrição é típica do prolapso valvar mitral com sopro mesossistólico, não holossistólico contínuo.
Ponto-chave: O sopro holossistólico em platô da insuficiência mitral crônica resulta do refluxo contínuo de sangue do ventrículo para o átrio esquerdo durante toda a sístole.
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Mulher de 34 anos, natural de área rural do interior do Nordeste, procura a UPA com queixa de dispneia progressiva e episódios de palpitação há 2 meses. Relata ter tido, na infância, quadro de artrite migratória em joelhos e tornozelos acompanhado de febre, não investigado na época. Ao exame: FC 110 bpm irregular, PA 110/70 mmHg, ausculta cardíaca com ruflar diastólico em foco mitral e hiperfonese de B1. Eletrocardiograma mostra fibrilação atrial. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. AComunicação interatrial tipo ostium secundum
  2. BCardiomiopatia hipertrófica obstrutiva
  3. CEstenose mitral de etiologia reumática
  4. DMixoma de átrio esquerdo
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Resposta: C. Estenose mitral de etiologia reumática

O relato de poliartrite migratória febril na infância sugere surto prévio de febre reumática não diagnosticado, principal causa de estenose mitral em adultos jovens no Brasil. O ruflar diastólico em foco mitral com hiperfonese de B1 é o achado auscultatório clássico da estenose mitral, decorrente do fluxo turbulento através da valva espessada e fibrosada pelo processo inflamatório reumático. A dilatação atrial esquerda crônica predispõe à fibrilação atrial, achado frequente nesses pacientes.

  • A. A comunicação interatrial cursa com sopro sistólico pulmonar e desdobramento fixo de B2, não com ruflar diastólico mitral.
  • B. A cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva apresenta sopro sistólico que aumenta com manobra de Valsalva, não ruflar diastólico.
  • D. O mixoma atrial pode simular estenose mitral, mas não explica o antecedente de poliartrite febril migratória da infância, que aponta para etiologia reumática.
Ponto-chave: A estenose mitral em adultos jovens no Brasil é, na maioria dos casos, sequela de febre reumática, muitas vezes com antecedente de poliartrite migratória febril na infância.
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Homem de 45 anos, portador de prótese valvar mecânica em posição mitral, será submetido a extração dentária eletiva em unidade de saúde. Está assintomático, sem sinais de infecção ativa. Qual a conduta profilática mais adequada antes do procedimento?

  1. ACiprofloxacino 500 mg por via oral, dose única, imediatamente após o procedimento
  2. BAmoxicilina 2 g por via oral, dose única, 30 a 60 minutos antes do procedimento
  3. CPenicilina benzatina 1.200.000 UI por via intramuscular, dose única, no dia do procedimento
  4. DCefalexina 2 g por via oral, a cada 6 horas, por 7 dias após o procedimento
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Resposta: B. Amoxicilina 2 g por via oral, dose única, 30 a 60 minutos antes do procedimento

Pacientes com prótese valvar cardíaca pertencem ao grupo de maior risco para endocardite infecciosa e maior risco de desfecho desfavorável, sendo candidatos à profilaxia antibiótica em procedimentos odontológicos que envolvam manipulação de gengiva, região periapical do dente ou perfuração da mucosa oral. A droga de escolha é a amoxicilina 2 g via oral em dose única, de 30 a 60 minutos antes do procedimento, visando cobrir estreptococos do grupo viridans, principais agentes da bacteremia transitória nesses casos.

  • A. Quinolonas não cobrem adequadamente estreptococos viridans e não fazem parte dos esquemas recomendados de profilaxia odontológica para endocardite.
  • C. A penicilina benzatina intramuscular é usada na profilaxia secundária da febre reumática, não na profilaxia de endocardite para procedimentos odontológicos.
  • D. Cefalosporinas prolongadas por via oral não são o esquema recomendado para profilaxia antes de procedimento odontológico; o uso é em dose única pré-procedimento.
Ponto-chave: Em pacientes de alto risco para endocardite infecciosa (prótese valvar, endocardite prévia, cardiopatia congênita cianótica não corrigida), a profilaxia para procedimentos odontológicos invasivos é feita com amoxicilina 2 g VO em dose única, 30-60 minutos antes.
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Homem de 29 anos, usuário de drogas injetáveis, é internado com febre há 10 dias, calafrios e lesões eritematosas dolorosas nas polpas digitais. Ao exame: temperatura 38,9°C, FC 104 bpm, sopro sistólico em foco tricúspide não relatado anteriormente. Exame oftalmológico de fundo de olho mostra manchas de Roth. Antes de iniciar antibioticoterapia empírica, qual é a conduta mais apropriada?

  1. AAguardar resultado do ecocardiograma transtorácico antes de qualquer coleta de exame laboratorial
  2. BColher três amostras de hemocultura de sítios diferentes, com intervalo entre as coletas, antes de iniciar o antibiótico
  3. CIniciar imediatamente vancomicina empírica e colher hemocultura 48 horas após o início do tratamento
  4. DSolicitar apenas proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação para confirmar o diagnóstico
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Resposta: B. Colher três amostras de hemocultura de sítios diferentes, com intervalo entre as coletas, antes de iniciar o antibiótico

O quadro clínico (febre, fenômenos vasculíticos como lesões dolorosas nas polpas digitais sugestivas de nódulos de Osler, manchas de Roth e sopro novo em usuário de drogas injetáveis) é altamente sugestivo de endocardite infecciosa. A hemocultura é o pilar diagnóstico e deve ser colhida em três amostras de sítios de punção diferentes, antes do início de qualquer antibiótico, para maximizar a chance de isolamento do agente etiológico, que é determinante tanto para os critérios de Duke quanto para o ajuste posterior do esquema terapêutico. Iniciar antibiótico antes da coleta reduz a sensibilidade da hemocultura e pode mascarar o agente causal.

  • A. O ecocardiograma é importante no diagnóstico, mas não deve retardar a coleta de hemoculturas, que são prioritárias e devem ser obtidas antes da antibioticoterapia.
  • C. Iniciar antibiótico antes da coleta reduz a sensibilidade da hemocultura, comprometendo a identificação do agente etiológico, essencial para o diagnóstico e tratamento dirigido.
  • D. Marcadores inflamatórios inespecíficos como PCR e VHS não fazem parte dos critérios diagnósticos de Duke e não substituem a hemocultura.
Ponto-chave: Diante de suspeita de endocardite infecciosa, deve-se colher três hemoculturas de sítios diferentes antes de iniciar antibioticoterapia, pois são essenciais para os critérios de Duke e para guiar o tratamento.

Doença Cardíaca Estrutural e Pericárdio

4 questões
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Homem de 32 anos procura a UPA com dor torácica há 2 dias, de caráter pleurítico, que piora ao deitar e melhora ao sentar-se inclinado para frente, associada a febre baixa. Relata quadro gripal há uma semana. Ao exame: PA 118/76 mmHg, FC 92 bpm, atrito pericárdico audível na borda esternal esquerda. Eletrocardiograma mostra supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior em múltiplas derivações e infradesnivelamento do segmento PR. Troponina normal. Qual é a conduta terapêutica inicial mais adequada?

  1. APericardiocentese guiada por ecocardiografia imediatamente
  2. BIbuprofeno em dose anti-inflamatória associado a colchicina por via oral
  3. CCorticoide sistêmico em altas doses como primeira linha isolada
  4. DAngioplastia coronariana percutânea de urgência
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Resposta: B. Ibuprofeno em dose anti-inflamatória associado a colchicina por via oral

O quadro clínico (dor pleurítica que melhora ao inclinar-se para frente, atrito pericárdico, supra de ST difuso com concavidade superior e infra de PR) é característico de pericardite aguda, frequentemente de etiologia viral após quadro gripal. O tratamento de primeira linha é um anti-inflamatório não esteroidal (como ibuprofeno ou AAS em dose alta) associado à colchicina, que reduz recorrências e acelera a resolução dos sintomas. Corticoides são reservados para casos refratários ou contraindicação aos AINEs, pois seu uso precoce está associado a maior taxa de recorrência.

  • A. Não há evidência clínica de tamponamento cardíaco (sem hipotensão, turgência jugular ou abafamento de bulhas), não havendo indicação de pericardiocentese nesse momento.
  • C. Corticoides não são a primeira linha de tratamento na pericardite aguda, pois seu uso precoce aumenta o risco de recorrência; são reservados para casos refratários.
  • D. Não há evidência de infarto agudo do miocárdio (troponina normal, alterações eletrocardiográficas difusas e não localizadas em território coronariano), não havendo indicação de angioplastia de urgência.
Ponto-chave: A pericardite aguda é tratada com AINE associado a colchicina como primeira linha, reservando-se corticoide para casos refratários ou contraindicação aos AINEs.
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Mulher de 54 anos, em tratamento quimioterápico para neoplasia de mama com metástases, é levada à emergência com dispneia progressiva e mal-estar há 3 dias. Ao exame: PA 88/68 mmHg, FC 118 bpm, turgência jugular patente a 45°, bulhas cardíacas abafadas à ausculta, e queda da pressão arterial sistólica de 18 mmHg durante a inspiração. Ecocardiograma à beira do leito confirma derrame pericárdico volumoso com colapso diastólico do ventrículo direito. Qual é a conduta imediata mais apropriada?

  1. APericardiocentese guiada por ecocardiografia
  2. BDiurético intravenoso em dose plena para redução da pré-carga
  3. CNitrato sublingual para alívio da congestão venosa
  4. DObservação clínica com reavaliação ecocardiográfica em 24 horas
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Resposta: A. Pericardiocentese guiada por ecocardiografia

O quadro apresenta a tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular e bulhas abafadas) associada a pulso paradoxal e evidência ecocardiográfica de colapso diastólico do ventrículo direito, confirmando tamponamento cardíaco, provavelmente secundário a derrame pericárdico neoplásico. O tamponamento cardíaco é uma emergência que compromete o enchimento ventricular e o débito cardíaco, exigindo drenagem imediata do líquido pericárdico por pericardiocentese guiada por imagem para alívio da pressão intrapericárdica e restabelecimento hemodinâmico.

  • B. Diuréticos reduzem ainda mais a pré-carga em um paciente já com enchimento ventricular comprometido, podendo agravar a hipotensão e o choque.
  • C. Nitratos reduzem a pré-carga e podem precipitar colapso hemodinâmico em pacientes com tamponamento, sendo contraindicados nesse contexto.
  • D. O tamponamento cardíaco é uma emergência com risco iminente de choque obstrutivo e óbito, não sendo apropriado postergar a drenagem para reavaliação tardia.
Ponto-chave: O tamponamento cardíaco, caracterizado pela tríade de Beck e colapso diastólico de câmaras direitas ao ecocardiograma, exige pericardiocentese imediata como tratamento definitivo de urgência.
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Homem de 52 anos, natural de área rural do norte de Minas Gerais, procura a UBS com queixa de dispneia progressiva aos esforços e edema de membros inferiores há 4 meses. Relata ter morado em casa de pau-a-pique na infância. Ao exame: PA 100/70 mmHg, FC 96 bpm irregular, turgência jugular a 45°, hepatomegalia dolorosa e edema bilateral de MMII +++/4+. O ECG mostra bloqueio de ramo direito associado a bloqueio divisional anterossuperior esquerdo. O ecocardiograma revela dilatação biventricular com disfunção sistólica importante e aneurisma apical. Qual exame complementar é indicado para confirmar a etiologia suspeita?

  1. ASorologia para doença de Chagas (dois testes de princípios diferentes)
  2. BDosagem de ferritina e saturação de transferrina
  3. CAnticorpo anti-receptor de TSH (TRAb)
  4. DBiópsia endomiocárdica para pesquisa de amiloide
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Resposta: A. Sorologia para doença de Chagas (dois testes de princípios diferentes)

O quadro de cardiomiopatia dilatada com bloqueio de ramo direito associado a bloqueio divisional anterossuperior esquerdo e aneurisma apical em paciente procedente de área endêmica é altamente sugestivo de cardiopatia chagásica crônica. O diagnóstico sorológico exige dois testes sorológicos de princípios distintos (ex.: ELISA e imunofluorescência indireta ou hemaglutinação) para confirmação, conforme recomendação do Ministério da Saúde. A associação desses achados eletrocardiográficos com a sorologia positiva confirma a etiologia chagásica da miocardiopatia dilatada. Esse padrão de bloqueio bifascicular é um marcador eletrocardiográfico clássico da doença de Chagas.

  • B. A hemocromatose cursa com cardiomiopatia restritiva/dilatada, mas não explica a procedência rural nem o padrão eletrocardiográfico descrito.
  • C. O hipertireoidismo pode causar miocardiopatia, mas o quadro clínico e epidemiológico não sugere essa etiologia.
  • D. A biópsia endomiocárdica é reservada para suspeita de amiloidose ou miocardites específicas, não é o exame de escolha neste contexto epidemiológico.
Ponto-chave: O diagnóstico etiológico da cardiopatia chagásica crônica exige dois testes sorológicos de princípios diferentes, especialmente em pacientes de área endêmica com bloqueio de ramo direito e bloqueio divisional anterossuperior esquerdo.
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Atleta de 17 anos, jogador de futebol, é levado ao pronto-socorro após síncope durante treino intenso. Nega uso de drogas ou doenças prévias. Há relato familiar de morte súbita do tio materno aos 30 anos durante atividade física. Ao exame: PA 118/76 mmHg, FC 78 bpm, sopro sistólico em borda esternal esquerda que aumenta de intensidade com a manobra de Valsalva. O ecocardiograma mostra hipertrofia septal assimétrica de 19 mm com obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo. Qual é o principal mecanismo responsável pelo risco de morte súbita nesse paciente durante o esforço físico?

  1. ADissecção da camada média da aorta ascendente por fragilidade da parede
  2. BRotura de placa aterosclerótica coronariana com oclusão trombótica aguda
  3. CEmbolização sistêmica a partir de trombo em aurícula esquerda fibrilante
  4. DArritmias ventriculares malignas desencadeadas por desarranjo das fibras miocárdicas hipertróficas
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Resposta: D. Arritmias ventriculares malignas desencadeadas por desarranjo das fibras miocárdicas hipertróficas

Na cardiomiopatia hipertrófica, a morte súbita durante esforço físico decorre predominantemente de arritmias ventriculares malignas, como taquicardia ventricular polimórfica e fibrilação ventricular, originadas pelo desarranjo miofibrilar (disarray) e fibrose intersticial que criam substrato elétrico instável. O esforço físico intenso aumenta a demanda metabólica e pode precipitar isquemia subendocárdica relativa, somando-se à obstrução dinâmica da via de saída, o que favorece instabilidade elétrica. É a principal causa de morte súbita cardíaca em atletas jovens. A presença de hipertrofia septal assimétrica com história familiar positiva reforça o diagnóstico e o risco arrítmico.

  • A. A dissecção aórtica está associada a doenças do tecido conjuntivo, como síndrome de Marfan, e não é o mecanismo esperado neste quadro.
  • B. Doença aterosclerótica coronariana é incomum em adolescentes e não é o mecanismo típico de morte súbita na cardiomiopatia hipertrófica.
  • C. Fibrilação atrial com embolização é uma complicação tardia e menos comum em pacientes jovens com esse quadro agudo de síncope.
Ponto-chave: Na cardiomiopatia hipertrófica, a principal causa de morte súbita durante exercício físico em jovens são as arritmias ventriculares malignas decorrentes do desarranjo das fibras miocárdicas.

Doenças da Aorta e Vascular Periférica

4 questões
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Homem de 61 anos, hipertenso de longa data em uso irregular de medicação, chega à UPA com dor torácica súbita e intensa, descrita como "rasgando", com irradiação para o dorso interescapular, iniciada há 40 minutos. Ao exame: PA 178/102 mmHg no braço direito e 142/88 mmHg no braço esquerdo, FC 104 bpm, sopro diastólico em foco aórtico. O ECG não mostra alterações isquêmicas agudas e a troponina inicial é normal. Diante da discrepância pressórica entre os membros e da assimetria de pulsos radiais, qual exame de imagem deve ser solicitado com prioridade para confirmar o diagnóstico suspeito?

  1. ARadiografia de tórax em PA e perfil
  2. BAngiotomografia de aorta
  3. CRessonância magnética cardíaca com gadolínio
  4. DEcocardiograma transtorácico
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Resposta: B. Angiotomografia de aorta

A angiotomografia de aorta é o exame de escolha na suspeita de dissecção aórtica em paciente estável hemodinamicamente, pois tem alta sensibilidade e especificidade, permite avaliar a extensão da dissecção, identificar o tipo (Stanford A ou B) e orientar a conduta cirúrgica ou clínica de forma rápida. A combinação de dor torácica com irradiação para o dorso, assimetria de pulsos e diferença pressórica entre os membros é clássica da dissecção e deve ser diferenciada do IAM, no qual a troponina costuma se elevar precocemente e o ECG mostra alterações isquêmicas. O achado de sopro diastólico em foco aórtico sugere insuficiência aórtica aguda por extensão da dissecção à raiz da aorta.

  • A. A radiografia de tórax pode sugerir alargamento do mediastino, mas não confirma o diagnóstico nem define a extensão da dissecção.
  • C. A ressonância magnética tem boa acurácia, porém é menos disponível em urgência e demanda mais tempo de aquisição que a tomografia.
  • D. O ecocardiograma transtorácico tem sensibilidade limitada para avaliar a aorta torácica descendente, sendo inferior à tomografia neste contexto.
Ponto-chave: Na suspeita de dissecção aórtica em paciente hemodinamicamente estável, a angiotomografia de aorta é o exame de escolha para confirmação diagnóstica e planejamento terapêutico.
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Homem de 64 anos, diabético e tabagista, relata dor em membro inferior direito que surge após caminhar cerca de 200 metros e melhora com repouso, há 3 meses. Ao exame, pulsos pediosos direitos diminuídos, pele fria e brilhante na perna direita, sem lesões ulceradas. Os pulsos à esquerda são normais. Qual exame deve ser realizado inicialmente para confirmar o diagnóstico suspeito e estimar a gravidade da doença?

  1. AÍndice tornozelo-braquial
  2. BArteriografia digital de membros inferiores
  3. CAngiotomografia de membros inferiores
  4. DPletismografia de pulso digital
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Resposta: A. Índice tornozelo-braquial

O índice tornozelo-braquial (ITB) é o exame inicial de escolha para o diagnóstico de doença arterial periférica, sendo simples, não invasivo e de baixo custo. Valores de ITB entre 0,90 e 1,00 sugerem doença leve, entre 0,40 e 0,89 doença moderada, e abaixo de 0,40 doença grave com risco de isquemia crítica. O quadro de claudicação intermitente, com dor que surge à caminhada e melhora ao repouso, associado a pulsos diminuídos, é típico da doença arterial periférica aterosclerótica. Exames de imagem mais invasivos, como a arteriografia, ficam reservados para planejamento de revascularização após confirmação diagnóstica pelo ITB.

  • B. A arteriografia é invasiva e reservada para planejamento terapêutico, não para o diagnóstico inicial.
  • C. A angiotomografia tem papel no planejamento cirúrgico, mas não é o exame inicial de triagem.
  • D. A pletismografia digital é utilizada em casos específicos de avaliação de perfusão distal, não como exame de primeira linha.
Ponto-chave: O índice tornozelo-braquial é o exame inicial para diagnóstico e estratificação de gravidade da doença arterial periférica.
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Mulher de 45 anos, no 10º dia de pós-operatório de artroplastia de joelho, procura a UPA com dor e edema unilateral na perna esquerda há 2 dias. Ao exame: perna esquerda com aumento de volume em relação à contralateral, dor à palpação do trajeto venoso profundo, sem varizes visíveis, sem outro diagnóstico alternativo mais provável. Aplicando o escore de Wells, a paciente pontua alto risco para trombose venosa profunda. Qual é a conduta diagnóstica mais adequada neste momento?

  1. ASolicitar ultrassonografia Doppler venosa de membros inferiores
  2. BSolicitar venografia contrastada como exame inicial
  3. CIniciar anticoagulação empírica sem exames de imagem
  4. DDosar D-dímero e, se negativo, excluir o diagnóstico
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Resposta: A. Solicitar ultrassonografia Doppler venosa de membros inferiores

Em pacientes classificados como alto risco pelo escore de Wells, a conduta recomendada é a realização direta de ultrassonografia Doppler venosa de membros inferiores, exame não invasivo de alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de TVP proximal. O D-dímero tem valor preditivo negativo elevado apenas em pacientes de baixa probabilidade pré-teste, não sendo útil para exclusão diagnóstica em pacientes de alto risco, nos quais sua taxa de falso-negativo é maior. A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para TVP, incluindo cirurgia ortopédica recente e imobilização, o que reforça a probabilidade pré-teste elevada. A confirmação por imagem é fundamental antes de iniciar anticoagulação terapêutica plena.

  • B. A venografia contrastada é invasiva e não é mais utilizada como exame de primeira linha, tendo sido substituída pelo Doppler.
  • C. A anticoagulação empírica sem confirmação diagnóstica expõe a paciente a risco de sangramento sem base diagnóstica estabelecida.
  • D. O D-dímero não deve ser usado para excluir TVP em pacientes de alta probabilidade pré-teste, pois seu valor preditivo negativo é insuficiente nesse cenário.
Ponto-chave: Em pacientes com alta probabilidade pré-teste pelo escore de Wells, o Doppler venoso de membros inferiores é o exame indicado diretamente para confirmação diagnóstica de TVP, sem necessidade de D-dímero.
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Mulher de 58 anos, obesa, em pós-operatório de histerectomia há 8 dias, é levada ao pronto-socorro com dispneia súbita e dor torácica pleurítica. Ao exame: PA 78/50 mmHg, FC 128 bpm, SatO2 86% em ar ambiente, extremidades frias e sudorese. A angiotomografia de tórax confirma tromboembolismo pulmonar bilateral extenso, e o ecocardiograma mostra disfunção do ventrículo direito. Após medidas de ressuscitação volêmica inicial, a paciente mantém hipotensão persistente. Qual é a conduta terapêutica mais adequada neste momento?

  1. AAnticoagulação oral com warfarina em dose plena imediata
  2. BFiltro de veia cava inferior como terapia definitiva isolada
  3. CAnticoagulação plena com heparina não fracionada isoladamente
  4. DTrombólise sistêmica com alteplase
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Resposta: D. Trombólise sistêmica com alteplase

A paciente apresenta TEP de alto risco (maciço), definido por instabilidade hemodinâmica persistente (PA sistólica menor que 90 mmHg ou necessidade de vasopressor) associada à disfunção de ventrículo direito, com indicação formal de trombólise sistêmica, preferencialmente com alteplase, desde que não haja contraindicação absoluta. A trombólise reduz rapidamente a sobrecarga do ventrículo direito e a mortalidade nesse grupo de pacientes, atuando na dissolução do trombo e no restabelecimento do fluxo pulmonar. A anticoagulação isolada é insuficiente para reverter rapidamente a instabilidade hemodinâmica em TEP maciço, pois não lisa o trombo já formado. O filtro de veia cava é reservado para contraindicação à anticoagulação ou recorrência de embolia, não substituindo a trombólise no TEP de alto risco.

  • A. A warfarina tem início de ação lento, depende da síntese de fatores de coagulação, e não é apropriada em situação de emergência com instabilidade hemodinâmica.
  • B. O filtro de veia cava previne novos episódios embólicos, mas não trata o trombo já instalado nem reverte o choque.
  • C. A anticoagulação isolada não resolve rapidamente a obstrução vascular maciça nem revertem a instabilidade hemodinâmica, sendo insuficiente nesse cenário.
Ponto-chave: No tromboembolismo pulmonar de alto risco com instabilidade hemodinâmica e disfunção de ventrículo direito, a trombólise sistêmica é a conduta terapêutica indicada.

Prevenção Cardiovascular e Dislipidemia

3 questões
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Mulher de 61 anos, em uso de sinvastatina 40 mg/dia há 3 meses para dislipidemia, retorna à UBS queixando-se de dor e fraqueza em coxas e panturrilhas há 2 semanas, sem trauma ou exercício físico recente. Nega uso de outros medicamentos novos. Exame físico: força muscular preservada, sem edema ou sinais inflamatórios locais. Solicitada dosagem de creatinofosfoquinase (CK), que retorna em 1.450 U/L (valor de referência até 190 U/L). Qual é a conduta mais adequada neste momento?

  1. AAumentar a dose de sinvastatina para otimizar o efeito hipolipemiante
  2. BAssociar fenofibrato à sinvastatina para tratar a miopatia
  3. CManter a sinvastatina na mesma dose e reavaliar a CK em 6 meses
  4. DSuspender a sinvastatina e reavaliar os sintomas e a CK em algumas semanas
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Resposta: D. Suspender a sinvastatina e reavaliar os sintomas e a CK em algumas semanas

A elevação significativa da CK (mais de 5 a 10 vezes o limite superior da normalidade) associada a sintomas musculares em paciente em uso de estatina caracteriza miopatia induzida pela droga, exigindo suspensão do medicamento. Após a suspensão, espera-se melhora clínica e laboratorial progressiva nas semanas seguintes, o que confirma o diagnóstico. A reintrodução de outra estatina ou em dose menor pode ser tentada posteriormente, conforme a gravidade do quadro. A associação de fibratos aumenta o risco de rabdomiólise e é contraindicada nesse contexto.

  • A. Aumentar a dose agravaria a miopatia e o risco de lesão muscular.
  • B. A associação com fibrato aumenta ainda mais o risco de miopatia e rabdomiólise.
  • C. Manter a estatina com CK tão elevada e sintomas musculares expõe a paciente a risco de rabdomiólise.
Ponto-chave: Miopatia por estatina com CK elevada e sintomas musculares exige suspensão imediata da droga, com reavaliação clínica e laboratorial posterior.
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Homem de 45 anos, assintomático, comparece à UBS para consulta de rotina, sem acompanhamento médico prévio. Não há registros de aferição de pressão arterial, glicemia ou perfil lipídico em seu prontuário. Nega comorbidades conhecidas e não faz uso de medicamentos. Exame físico: PA 128/82 mmHg, IMC 26 kg/m², demais achados sem alterações. Qual é a conduta mais adequada do médico de família para o rastreamento inicial de fatores de risco cardiovascular neste paciente?

  1. AEncaminhar diretamente para cardiologista para estratificação de risco especializada
  2. BAguardar o aparecimento de sintomas cardiovasculares antes de iniciar investigação
  3. CSolicitar apenas ecocardiograma transtorácico para avaliação cardiovascular basal
  4. DSolicitar perfil lipídico, glicemia de jejum e aferir pressão arterial, além de investigar tabagismo
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Resposta: D. Solicitar perfil lipídico, glicemia de jejum e aferir pressão arterial, além de investigar tabagismo

A prevenção primária cardiovascular na atenção básica inclui o rastreamento sistemático de fatores de risco modificáveis: hipertensão arterial (aferição de PA), diabetes mellitus (glicemia de jejum), dislipidemia (perfil lipídico) e tabagismo (anamnese dirigida). Esses dados permitem o cálculo do escore de risco cardiovascular e orientam intervenções precoces, como mudança de estilo de vida e, se indicado, tratamento farmacológico. O rastreamento deve ser realizado em adultos assintomáticos a partir dos 40 anos, segundo os Cadernos de Atenção Básica do Ministério da Saúde. Exames de imagem complexos ou encaminhamento especializado não são indicados como primeira linha de rastreamento.

  • A. O encaminhamento direto sem avaliação inicial pela atenção básica não está indicado para paciente assintomático de baixo risco aparente.
  • B. A prevenção primária exige rastreamento ativo de fatores de risco, não a espera por sintomas.
  • C. O ecocardiograma não é exame de rastreamento inicial de fatores de risco cardiovascular na atenção básica.
Ponto-chave: O rastreamento de fatores de risco cardiovascular (PA, glicemia, perfil lipídico, tabagismo) deve ser ativo e sistemático na atenção primária, mesmo em pacientes assintomáticos.
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Homem de 62 anos recebe alta hospitalar após infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento de ST, tratado com angioplastia primária e implante de stent em artéria coronária direita há 5 dias. Está assintomático, com função ventricular preservada ao ecocardiograma (fração de ejeção de 58%). Além da dupla antiagregação plaquetária por tempo determinado, qual é a conduta medicamentosa referente ao ácido acetilsalicílico (AAS) e ao betabloqueador para prevenção secundária a longo prazo?

  1. AManter AAS em dose baixa e betabloqueador indefinidamente, salvo contraindicação
  2. BSuspender ambos os medicamentos após completar 1 ano, mantendo apenas estatina
  3. CSuspender o AAS após 30 dias e manter apenas o betabloqueador por 1 ano
  4. DSuspender o betabloqueador após 6 meses e manter apenas o AAS indefinidamente
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Resposta: A. Manter AAS em dose baixa e betabloqueador indefinidamente, salvo contraindicação

Após infarto agudo do miocárdio, o AAS em dose baixa (100 mg/dia) deve ser mantido indefinidamente como parte da prevenção secundária, reduzindo o risco de novos eventos trombóticos. O betabloqueador também deve ser mantido por tempo indeterminado, pois reduz mortalidade e risco de arritmias ventriculares, especialmente nos primeiros anos após o evento. Essa recomendação vale mesmo em pacientes com função ventricular preservada, embora o benefício seja mais robusto em disfunção ventricular. A suspensão precoce de qualquer um dos dois fármacos sem contraindicação específica aumenta o risco de recorrência de eventos cardiovasculares.

  • B. Ambos os medicamentos devem ser mantidos indefinidamente, não apenas por 1 ano.
  • C. O AAS deve ser mantido indefinidamente na prevenção secundária, não suspenso após 30 dias.
  • D. O betabloqueador deve ser mantido indefinidamente, não suspenso após 6 meses.
Ponto-chave: Na prevenção secundária pós-infarto, AAS em dose baixa e betabloqueador devem ser mantidos indefinidamente, salvo contraindicação.

Eletrocardiograma e Exames Diagnósticos

4 questões
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Homem de 70 anos é atendido na UPA com dor torácica opressiva iniciada há 1 hora, associada a sudorese e náusea. Pressão arterial de 150/90 mmHg, frequência cardíaca de 98 bpm, saturação de oxigênio de 96%. O eletrocardiograma mostra bloqueio completo de ramo esquerdo, que não constava em exame realizado há 6 meses, quando o traçado era normal. Qual é a conduta mais adequada diante desse achado?

  1. ARepetir o eletrocardiograma em 6 horas para confirmar a persistência do bloqueio
  2. BSolicitar troponina e aguardar o resultado antes de decidir sobre reperfusão
  3. CEncaminhar para teste ergométrico ambulatorial para elucidação diagnóstica
  4. DTratar como síndrome coronariana aguda com indicação de terapia de reperfusão imediata
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Resposta: D. Tratar como síndrome coronariana aguda com indicação de terapia de reperfusão imediata

O bloqueio de ramo esquerdo novo ou presumivelmente novo, em paciente com quadro clínico compatível com síndrome coronariana aguda, deve ser interpretado como equivalente de supradesnivelamento de ST, pois dificulta a avaliação direta de alterações isquêmicas no ECG. Nesse contexto, a conduta é equivalente à do infarto com supra de ST: terapia de reperfusão imediata, preferencialmente angioplastia primária, sem aguardar confirmação por marcadores de necrose. Atrasar a reperfusão para aguardar troponina ou repetir o ECG pode resultar em perda de miocárdio viável e piora do prognóstico. O teste ergométrico é contraindicado na fase aguda de uma possível síndrome coronariana aguda.

  • A. Repetir o ECG em 6 horas atrasa inaceitavelmente a decisão terapêutica em um quadro tempo-dependente.
  • B. Aguardar a troponina retarda a reperfusão, que deve ser indicada com base no quadro clínico e no ECG.
  • C. O teste ergométrico é contraindicado na fase aguda e não serve para esse diagnóstico.
Ponto-chave: Bloqueio de ramo esquerdo novo associado a quadro clínico de síndrome coronariana aguda deve ser tratado como equivalente de supradesnivelamento de ST, com reperfusão imediata.
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Mulher de 55 anos, hipertensa há 10 anos com controle irregular da pressão arterial, realiza eletrocardiograma de rotina na UBS. O traçado mostra ritmo sinusal, com amplitude da onda S em V1 de 18 mm e amplitude da onda R em V5 de 20 mm. Não há alterações do segmento ST ou da onda T. Qual é a interpretação mais adequada desse achado eletrocardiográfico?

  1. ASobrecarga atrial esquerda
  2. BPadrão normal de repolarização precoce
  3. CCritério de voltagem compatível com hipertrofia ventricular esquerda
  4. DBloqueio de ramo direito incompleto
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Resposta: C. Critério de voltagem compatível com hipertrofia ventricular esquerda

O índice de Sokolow-Lyon é calculado pela soma da amplitude da onda S em V1 com a onda R em V5 ou V6, sendo considerado positivo para hipertrofia ventricular esquerda quando essa soma é igual ou superior a 35 mm. No caso descrito, a soma é de 38 mm (18 mm + 20 mm), preenchendo o critério de voltagem. Esse achado é especialmente relevante em pacientes hipertensos com controle pressórico inadequado, sendo sugestivo de remodelamento ventricular por sobrecarga pressórica crônica. A confirmação diagnóstica e a avaliação de função ventricular devem ser complementadas com ecocardiograma.

  • A. A sobrecarga atrial esquerda é identificada por alterações da onda P, não pela voltagem do QRS.
  • B. A repolarização precoce caracteriza-se por alterações do ponto J e do segmento ST, não pela amplitude do QRS.
  • D. O bloqueio de ramo direito tem padrão morfológico próprio em V1 e V6, não definido por esse critério de voltagem.
Ponto-chave: O índice de Sokolow-Lyon (SV1 + RV5 ou RV6 ≥ 35 mm) é um critério eletrocardiográfico de voltagem para hipertrofia ventricular esquerda.
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Paciente de 68 anos com doença renal crônica em hemodiálise é atendido na UPA referindo fraqueza muscular progressiva e palpitações desde a última sessão de diálise, há 4 dias. Exames laboratoriais mostram potássio sérico de 7,2 mEq/L e creatinina de 6,8 mg/dL. Qual alteração eletrocardiográfica é mais caracteristicamente associada a esse distúrbio eletrolítico?

  1. AOndas U proeminentes associadas a depressão do segmento ST
  2. BOndas T apiculadas e simétricas, com encurtamento do intervalo QT
  3. COnda delta precedendo o complexo QRS
  4. DElevação difusa do segmento ST com concavidade superior
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Resposta: B. Ondas T apiculadas e simétricas, com encurtamento do intervalo QT

A hipercalemia causa alterações eletrocardiográficas progressivas conforme a gravidade: inicialmente ondas T apiculadas, estreitas e simétricas, com encurtamento do intervalo QT, seguidas de alargamento do QRS, achatamento da onda P e, em casos graves, padrão sinusoidal com risco de assistolia. O mecanismo envolve a aceleração da repolarização ventricular pelo aumento do potássio extracelular, que afeta a condutância das correntes de potássio nas células miocárdicas. O reconhecimento precoce é essencial para o início imediato de medidas de estabilização de membrana, como gluconato de cálcio. Esse achado é particularmente relevante em pacientes com doença renal crônica que perdem sessões de diálise.

  • A. Ondas U proeminentes com depressão do segmento ST são típicas da hipocalemia, não da hipercalemia.
  • C. A onda delta é característica da síndrome de Wolff-Parkinson-White, não de distúrbios eletrolíticos.
  • D. A elevação difusa do segmento ST com concavidade superior é sugestiva de pericardite aguda.
Ponto-chave: A hipercalemia causa ondas T apiculadas e simétricas com QT curto, progredindo para alargamento do QRS e padrão sinusoidal em casos graves.
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Homem de 54 anos é atendido na UBS com queixa de dispneia progressiva aos esforços há 2 meses, associada a edema de membros inferiores e ortopneia recente. Ao exame, apresenta estase jugular a 45 graus, terceira bulha cardíaca audível e crepitações bibasais. Pressão arterial de 110/70 mmHg, frequência cardíaca de 96 bpm. Diante da suspeita clínica de insuficiência cardíaca, qual exame complementar é o mais indicado para avaliação inicial da função e estrutura cardíacas?

  1. ATeste ergométrico
  2. BEcocardiograma transtorácico
  3. CCateterismo cardíaco direito
  4. DRessonância magnética cardíaca
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Resposta: B. Ecocardiograma transtorácico

O ecocardiograma transtorácico é o exame de primeira linha na avaliação inicial de pacientes com suspeita de insuficiência cardíaca, pois permite avaliar a fração de ejeção do ventrículo esquerdo, o tamanho das câmaras cardíacas, a função valvar e alterações de contratilidade segmentar, de forma não invasiva e amplamente disponível no SUS. Esse exame orienta a classificação da insuficiência cardíaca em fração de ejeção reduzida, intermediária ou preservada, o que direciona diretamente a escolha terapêutica. O teste ergométrico e o cateterismo direito têm indicações mais específicas, e a ressonância cardíaca é reservada para situações em que o ecocardiograma é inconclusivo ou há suspeita de etiologias específicas, como miocardite ou doenças infiltrativas.

  • A. O teste ergométrico avalia capacidade funcional e isquemia induzida por esforço, não é o exame inicial para suspeita de insuficiência cardíaca.
  • C. O cateterismo cardíaco direito é um exame invasivo reservado para situações específicas, não para avaliação inicial.
  • D. A ressonância cardíaca é reservada para casos específicos ou quando o ecocardiograma é inconclusivo, não como exame de primeira linha.
Ponto-chave: O ecocardiograma transtorácico é o exame de escolha inicial na investigação de suspeita de insuficiência cardíaca, por avaliar função e estrutura cardíacas de forma não invasiva.

Cardiopatias Congênitas e Pediatria

3 questões
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Lactente de 14 meses é levado à UBS para consulta de puericultura. A mãe nega sintomas, e a criança tem bom ganho ponderal. Ao exame: FC 108 bpm, FR 24 irpm, ausculta cardíaca com desdobramento fixo da segunda bulha e sopro sistólico suave em borda esternal superior esquerda, sem frêmito. Pulsos periféricos normais. O ecocardiograma solicitado confirma a hipótese diagnóstica. Qual é o mecanismo fisiopatológico que melhor explica o achado auscultatório descrito?

  1. AFluxo turbulento através de uma válvula aórtica bicúspide estenótica
  2. BShunt da esquerda para a direita através do septo interatrial, aumentando o fluxo pulmonar e retardando o fechamento da válvula pulmonar
  3. CComunicação direta entre a aorta e a artéria pulmonar com fluxo contínuo durante todo o ciclo cardíaco
  4. DShunt da direita para a esquerda através do septo interatrial, causando hipofluxo pulmonar
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Resposta: B. Shunt da esquerda para a direita através do septo interatrial, aumentando o fluxo pulmonar e retardando o fechamento da válvula pulmonar

Na comunicação interatrial (CIA), o shunt esquerda-direita aumenta o volume de sangue que passa pela valva pulmonar, prolongando seu tempo de ejeção e retardando o fechamento da válvula pulmonar em relação à aórtica, o que gera o desdobramento fixo da segunda bulha (não varia com a respiração). O sopro sistólico suave em borda esternal superior esquerda decorre do hiperfluxo relativo pela via de saída do ventrículo direito, e não de um defeito septal verdadeiro com fluxo turbulento significativo. A CIA costuma ser assintomática na infância, sendo um achado de exame de rotina, como neste caso.

  • A. A estenose aórtica produz sopro sistólico rude em foco aórtico com irradiação para carótidas, não desdobramento fixo de B2.
  • C. Essa descrição corresponde à persistência do canal arterial, que causa sopro contínuo em maquinaria, não desdobramento fixo de B2.
  • D. Shunt direita-esquerda ocorreria apenas em caso de hipertensão pulmonar grave com inversão do shunt (síndrome de Eisenmenger), o que não é o quadro típico de uma CIA não complicada na infância.
Ponto-chave: O desdobramento fixo da segunda bulha é o achado clássico da comunicação interatrial e resulta do hiperfluxo pulmonar causado pelo shunt esquerda-direita.
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Lactente de 8 meses, com diagnóstico prévio de cardiopatia congênita cianótica, é levado à UPA porque, durante o choro intenso, ficou subitamente mais cianótico, taquipneico e hipotônico, com diminuição da intensidade do sopro cardíaco previamente auscultado. Após alguns minutos, a mãe relata que a criança melhorou ao ser colocada de cócoras no colo. Qual é a conduta inicial mais apropriada diante desse quadro agudo?

  1. AAdministrar furosemida intravenosa para reduzir a congestão pulmonar
  2. BPosicionar a criança em posição genupeitoral (joelhos contra o tórax) e administrar oxigênio suplementar
  3. CIniciar digoxina oral para melhorar a contratilidade miocárdica
  4. DRealizar cardioversão elétrica sincronizada imediatamente
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Resposta: B. Posicionar a criança em posição genupeitoral (joelhos contra o tórax) e administrar oxigênio suplementar

O quadro descrito é uma crise de hipóxia (crise cianótica) da tetralogia de Fallot, desencadeada por choro, dor ou esforço, que aumenta o shunt direita-esquerda pela obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo direito. A posição genupeitoral (ou colocar o lactente de cócoras) aumenta a resistência vascular sistêmica e reduz o retorno venoso, diminuindo o shunt direita-esquerda e melhorando o fluxo pulmonar, associada à oxigenoterapia. A diminuição da intensidade do sopro durante a crise ocorre porque menos sangue atravessa a via de saída pulmonar obstruída, sinal de gravidade e não de melhora.

  • A. Diuréticos não têm papel na crise de hipóxia, que não é causada por congestão pulmonar, e podem agravar a hipovolemia relativa que piora o shunt.
  • C. A digoxina não é indicada na tetralogia de Fallot não operada e não trata a crise aguda de hipóxia.
  • D. Não há indicação de cardioversão, pois a crise de hipóxia não é uma arritmia, e sim uma piora funcional do shunt direita-esquerda.
Ponto-chave: A crise de hipóxia na tetralogia de Fallot deve ser tratada com posição genupeitoral e oxigênio para reduzir o shunt direita-esquerda.
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Recém-nascido pré-termo, 29 semanas de idade gestacional, 3º dia de vida, em UTI neonatal, apresenta sopro contínuo em região infraclavicular esquerda, pulsos amplos e precórdio hiperdinâmico. O ecocardiograma confirma canal arterial amplo com repercussão hemodinâmica significativa (átrio esquerdo dilatado e fluxo diastólico reverso em aorta descendente). A função renal está preservada e não há sangramento ativo. Qual é a classe farmacológica indicada para o fechamento do canal arterial nesse caso?

  1. AInibidor da ciclo-oxigenase (indometacina ou ibuprofeno intravenoso)
  2. BProstaglandina E1 (alprostadil) intravenosa
  3. CBetabloqueador (propranolol) oral
  4. DDiurético de alça (furosemida) intravenosa isoladamente
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Resposta: A. Inibidor da ciclo-oxigenase (indometacina ou ibuprofeno intravenoso)

A persistência do canal arterial (PCA) com repercussão hemodinâmica em recém-nascido pré-termo pode ser tratada farmacologicamente com inibidores da ciclo-oxigenase, como indometacina ou ibuprofeno, que bloqueiam a síntese de prostaglandinas e promovem o fechamento do canal. A escolha depende da disponibilidade e do perfil de efeitos adversos, sendo o ibuprofeno associado a menor risco de comprometimento da função renal. A indicação de tratamento considera o grau de repercussão hemodinâmica, como o fluxo diastólico reverso na aorta descendente observado no caso, e a ausência de contraindicações como sangramento ativo ou insuficiência renal.

  • B. A prostaglandina E1 mantém o canal arterial aberto, sendo usada em cardiopatias canal-dependentes, o que é o efeito contrário ao desejado neste caso.
  • C. O propranolol não tem papel estabelecido no fechamento farmacológico do canal arterial neonatal.
  • D. A furosemida isolada pode ser usada como suporte na insuficiência cardíaca associada, mas não promove o fechamento do canal arterial.
Ponto-chave: O fechamento farmacológico da persistência do canal arterial com repercussão hemodinâmica em prematuros é feito com inibidores da ciclo-oxigenase (indometacina ou ibuprofeno).

Ressuscitação Cardiopulmonar

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Paciente de 68 anos é encontrado em parada cardiorrespiratória na enfermaria. A equipe inicia manobras de ressuscitação cardiopulmonar e, após verificação do ritmo no monitor, observa-se uma linha isoelétrica compatível com assistolia. Um acesso venoso periférico já está estabelecido. Além da manutenção de compressões torácicas de alta qualidade e ventilação com dispositivo bolsa-válvula-máscara, qual é a próxima conduta medicamentosa mais apropriada?

  1. AAdministrar adrenalina 1 mg intravenosa, repetida a cada 3 a 5 minutos
  2. BAdministrar atropina 1 mg intravenosa a cada 3 minutos
  3. CAdministrar bicarbonato de sódio 1 mEq/kg intravenoso de rotina
  4. DAdministrar amiodarona 300 mg intravenosa em bolus imediato
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Resposta: A. Administrar adrenalina 1 mg intravenosa, repetida a cada 3 a 5 minutos

Em ritmos não chocáveis como assistolia e atividade elétrica sem pulso (AESP), a adrenalina deve ser administrada o mais precocemente possível, na dose de 1 mg intravenosa ou intraóssea, repetida a cada 3 a 5 minutos durante a ressuscitação, conforme as diretrizes da American Heart Association e da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A adrenalina atua como agonista alfa-adrenérgico, aumentando a resistência vascular periférica e a pressão de perfusão coronariana e cerebral durante a RCP. A amiodarona é reservada para ritmos chocáveis refratários (fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso), e a atropina não é mais recomendada de rotina na parada cardiorrespiratória.

  • B. A atropina de rotina foi removida dos algoritmos de PCR por ausência de benefício comprovado em assistolia e AESP.
  • C. O bicarbonato de sódio não é recomendado de rotina, sendo reservado para situações específicas como acidose metabólica grave preexistente, hiperpotassemia ou intoxicação por antidepressivos tricíclicos.
  • D. A amiodarona é indicada em fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso refratárias a choques, não em ritmos não chocáveis como assistolia.
Ponto-chave: Em assistolia e AESP, a adrenalina 1 mg IV/IO deve ser administrada precocemente e repetida a cada 3 a 5 minutos durante a RCP.
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Durante um treinamento de suporte básico de vida em uma UPA, um médico está demonstrando a técnica de compressão torácica em um adulto em parada cardiorrespiratória simulada. Segundo as diretrizes atuais da American Heart Association e da Sociedade Brasileira de Cardiologia, qual combinação de parâmetros define uma compressão torácica de alta qualidade no adulto?

  1. AProfundidade de 8 a 10 cm, frequência de 100 a 120 compressões por minuto, com interrupções frequentes para checar o pulso
  2. BProfundidade de 5 a 6 cm, frequência de 100 a 120 compressões por minuto, com retorno completo do tórax entre as compressões
  3. CProfundidade de 2 a 3 cm, frequência de 80 a 100 compressões por minuto, sem necessidade de retorno completo do tórax
  4. DProfundidade de 5 a 6 cm, frequência de 140 a 160 compressões por minuto, com apoio contínuo sobre o tórax
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Resposta: B. Profundidade de 5 a 6 cm, frequência de 100 a 120 compressões por minuto, com retorno completo do tórax entre as compressões

A compressão torácica de alta qualidade no adulto deve ter profundidade de 5 a 6 cm, frequência de 100 a 120 compressões por minuto, com retorno completo do tórax entre as compressões para permitir o enchimento ventricular adequado, e minimização de interrupções. Compressões superficiais ou muito profundas, assim como apoiar-se sobre o tórax entre as compressões, reduzem o débito cardíaco gerado e a perfusão coronariana. A relação compressão-ventilação recomendada para adultos sem via aérea avançada é de 30:2.

  • A. Profundidade acima de 6 cm aumenta o risco de lesões torácicas, e interrupções frequentes para checar pulso reduzem a perfusão coronariana durante a RCP.
  • C. Essa profundidade é insuficiente para gerar débito cardíaco adequado, e a ausência de retorno completo do tórax compromete o enchimento ventricular.
  • D. Uma frequência acima de 120 compressões por minuto não melhora os desfechos e o apoio contínuo sobre o tórax impede o retorno venoso adequado.
Ponto-chave: A compressão torácica eficaz no adulto exige profundidade de 5 a 6 cm, frequência de 100 a 120/min e retorno completo do tórax entre as compressões.
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Paciente de 55 anos recupera a circulação espontânea após 12 minutos de ressuscitação cardiopulmonar por fibrilação ventricular em ambiente hospitalar. Está hemodinamicamente estável com uso de noradrenalina em baixa dose, porém permanece em coma, sem abertura ocular e sem resposta a comandos verbais, com Glasgow 6. Qual é a conduta mais apropriada em relação ao controle de temperatura nas próximas horas?

  1. AInduzir hipertermia terapêutica entre 38°C e 39°C para estimular o metabolismo cerebral
  2. BResfriamento rápido para hipotermia profunda abaixo de 30°C durante 48 horas
  3. CPermitir variação livre da temperatura corporal sem monitorização, pois o controle não altera o prognóstico neurológico
  4. DControle direcionado de temperatura, mantendo-a constante entre 32°C e 36°C por pelo menos 24 horas, evitando hipertermia subsequente
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Resposta: D. Controle direcionado de temperatura, mantendo-a constante entre 32°C e 36°C por pelo menos 24 horas, evitando hipertermia subsequente

Pacientes que permanecem comatosos após retorno da circulação espontânea devem ser submetidos ao controle direcionado de temperatura, mantendo uma temperatura-alvo constante entre 32°C e 36°C por pelo menos 24 horas, com prevenção ativa de hipertermia nas horas e dias subsequentes. Essa estratégia reduz o metabolismo cerebral e a lesão neurológica secundária causada pela isquemia-reperfusão, melhorando o desfecho neurológico. A escolha do alvo específico dentro dessa faixa pode variar conforme características do paciente, mas a hipertermia deve ser sempre evitada, pois agrava o dano neurológico.

  • A. A hipertermia aumenta o consumo metabólico cerebral e está associada a piores desfechos neurológicos após PCR, sendo o oposto da conduta recomendada.
  • B. Temperaturas abaixo de 32°C aumentam o risco de arritmias, coagulopatia e infecções, sem benefício adicional comprovado em relação à faixa de 32 a 36°C.
  • C. A ausência de controle de temperatura permite hipertermia não detectada, que piora o prognóstico neurológico; o controle de temperatura é recomendado pelas diretrizes atuais.
Ponto-chave: Pacientes comatosos após retorno da circulação espontânea devem receber controle direcionado de temperatura entre 32°C e 36°C por ao menos 24 horas, com prevenção de hipertermia.

Choque Cardiogênico

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Homem de 64 anos é admitido na emergência com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST de parede anterior, 3 horas após o início dos sintomas. Após angioplastia primária com sucesso, evolui em 6 horas com pressão arterial de 82x50 mmHg, frequência cardíaca de 112 bpm, extremidades frias e pegajosas, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e diurese de 15 mL/h nas últimas duas horas. Auscuta pulmonar revela estertores crepitantes bibasais. Qual é a conduta terapêutica mais apropriada neste momento?

  1. AIniciar betabloqueador intravenoso para reduzir a frequência cardíaca
  2. BAdministrar bolus de solução cristaloide intravenosa de 30 mL/kg em infusão rápida
  3. CIniciar suporte inotrópico com dobutamina e considerar dispositivo de assistência circulatória mecânica se houver refratariedade
  4. DAdministrar nitroglicerina intravenosa em dose plena para reduzir a pós-carga
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Resposta: C. Iniciar suporte inotrópico com dobutamina e considerar dispositivo de assistência circulatória mecânica se houver refratariedade

O quadro descrito, hipotensão, taquicardia, hipoperfusão periférica (extremidades frias, enchimento capilar lentificado), oligúria e congestão pulmonar após infarto agudo do miocárdio, caracteriza choque cardiogênico, causado por falência de bomba do ventrículo esquerdo. O tratamento inicial inclui suporte inotrópico, geralmente com dobutamina, para aumentar a contratilidade e o débito cardíaco, associado a monitorização hemodinâmica contínua; nos casos refratários, deve-se considerar dispositivos de assistência circulatória mecânica, como balão intra-aórtico ou dispositivos percutâneos de suporte ventricular. A reperfusão coronariana precoce, já realizada neste caso, é a medida mais importante para reduzir a mortalidade, e o suporte hemodinâmico visa manter a perfusão de órgãos enquanto o miocárdio se recupera.

  • A. Betabloqueadores têm efeito inotrópico negativo e estão contraindicados na fase aguda do choque cardiogênico, podendo agravar a hipoperfusão.
  • B. A reposição volêmica agressiva está contraindicada no choque cardiogênico com congestão pulmonar, pois pode agravar o edema pulmonar sem melhorar o débito cardíaco.
  • D. Vasodilatadores como a nitroglicerina em dose plena podem agravar a hipotensão e reduzir ainda mais a perfusão de órgãos no choque cardiogênico.
Ponto-chave: O choque cardiogênico pós-IAM deve ser tratado com suporte inotrópico (dobutamina) e, nos casos refratários, assistência circulatória mecânica, além da reperfusão coronariana precoce.

Perguntas frequentes

Estas são questões reais do Revalida?

Não. São questões originais escritas no estilo do Revalida, de acordo com a matriz da prova. Um segundo modelo independente resolveu cada questão sem ver o gabarito, e as que tinham gabarito discutível foram removidas.

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