Puericultura e Crescimento
5 questõesLactente de 8 meses é levado à UBS para consulta de puericultura. A mãe traz a caderneta da criança, que mostra peso de 6,2 kg e estatura de 66 cm. Ao plotar esses valores nas curvas da OMS constantes na caderneta, o peso para idade encontra-se entre os escores-z -2 e -3, e a estatura para idade está entre os escores-z -2 e -3. O perímetro cefálico está entre os escores-z -1 e +1. A criança está em aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, com introdução alimentar iniciada corretamente, aceitando bem a dieta oferecida. Qual é a interpretação correta dos achados antropométricos?
- APeso adequado para a idade e risco de baixa estatura
- BPeso baixo para a idade e estatura adequada para a idade
- CRisco de sobrepeso e estatura adequada para a idade
- DPeso muito baixo para a idade e estatura muito baixa para a idade
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Segundo os critérios da OMS adotados pelo Ministério da Saúde, valores de peso para idade e estatura para idade situados entre os escores-z -2 e -3 classificam-se como 'peso muito baixo para a idade' e 'estatura muito baixa para a idade', respectivamente. Essa faixa indica desnutrição que requer investigação de causas (alimentares, infecciosas, socioeconômicas) e acompanhamento mais frequente, podendo necessitar de referência para avaliação nutricional especializada. O perímetro cefálico normal não afasta o diagnóstico de déficit ponderoestatural. A interpretação correta dos escores-z é essencial para identificar precocemente desvios do crescimento na caderneta da criança.
- A. O peso para idade também está alterado (entre -2 e -3), não apenas a estatura.
- B. O peso para idade está entre -2 e -3, portanto muito baixo, não apenas baixo, e a estatura também está alterada.
- C. Os valores descritos (entre -2 e -3) indicam déficit, não risco de sobrepeso nem estatura adequada.
Lactente de 9 meses é avaliado em consulta de puericultura na UBS. Ao exame, a criança senta sem apoio, engatinha, transfere objetos de uma mão para outra, apresenta pinça inferior ao tentar pegar um grão de cereal, balbucia sílabas repetidas como 'dada' e 'baba', e reage ao ser chamada pelo nome, além de estranhar pessoas desconhecidas. Não fica em pé com apoio e não aponta objetos. Qual é a interpretação correta do desenvolvimento dessa criança?
- ADesenvolvimento neuropsicomotor compatível com a idade
- BAtraso na linguagem, pois deveria emitir palavras com significado
- CAtraso no desenvolvimento motor fino, pois a pinça deveria ser superior
- DAtraso no desenvolvimento motor grosseiro, pois deveria ficar em pé com apoio
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Aos 9 meses, os marcos esperados incluem sentar sem apoio, engatinhar, transferir objetos entre as mãos, iniciar pinça inferior (ainda não a superior, que surge por volta dos 10-12 meses), balbuciar sílabas repetidas (lalação) e demonstrar ansiedade de separação/estranhamento a desconhecidos, todos presentes no caso. Ficar em pé com apoio e apontar objetos são marcos esperados mais próximos dos 10-12 meses, portanto sua ausência aos 9 meses não configura atraso. A Caderneta da Criança do Ministério da Saúde traz esses marcos por faixa etária para vigilância do desenvolvimento nas consultas de puericultura. Reconhecer a variação normal evita investigações e intervenções desnecessárias.
- B. Palavras com significado são esperadas por volta de 12 meses; a lalação presente é adequada para a idade.
- C. A pinça superior é esperada mais tardiamente (10-12 meses); a pinça inferior aos 9 meses é adequada.
- D. Ficar em pé com apoio é marco esperado por volta de 10-12 meses, não configurando atraso aos 9 meses.
Mãe de recém-nascido a termo, parto vaginal sem intercorrências, procura a UBS para organizar o acompanhamento do filho. A criança já recebeu a primeira consulta na primeira semana de vida. Segundo o calendário mínimo de consultas de puericultura recomendado pelo Ministério da Saúde para o primeiro ano de vida, qual é a sequência correta de consultas subsequentes?
- AConsultas apenas aos 2, 4 e 6 meses, coincidindo com as vacinas
- BConsultas aos 1, 2, 4, 6, 9 e 12 meses de vida
- CConsultas mensais até o 6º mês, depois bimestrais até o 12º mês
- DConsultas trimestrais a partir do primeiro mês até completar 1 ano
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O calendário mínimo de consultas de puericultura do Ministério da Saúde preconiza, após a consulta na primeira semana de vida, consultas aos 1, 2, 4, 6, 9 e 12 meses no primeiro ano, tornando-se semestrais no segundo ano de vida e anuais a partir do terceiro ano até os 10 anos, salvo intercorrências que exijam retorno mais frequente. Esse calendário visa garantir vigilância do crescimento, desenvolvimento, alimentação, vacinação e triagens em momentos-chave. Consultas mais espaçadas ou atreladas apenas ao calendário vacinal não cobrem adequadamente os marcos de desenvolvimento e crescimento. O cumprimento desse calendário é um indicador de qualidade da atenção à saúde da criança na Atenção Básica.
- A. Restringir as consultas às datas vacinais deixa lacunas na vigilância do crescimento e desenvolvimento.
- C. Esse esquema não corresponde ao calendário oficial do Ministério da Saúde, que não é mensal até os 6 meses.
- D. O esquema trimestral fixo não corresponde ao calendário mínimo preconizado, que concentra mais consultas nos primeiros meses.
Recém-nascido a termo, nascido em hospital da rede SUS há 4 dias, vai receber alta após triagens neonatais. A equipe de enfermagem orienta a mãe sobre os exames de triagem neonatal já realizados ou a realizar. Considerando o Programa Nacional de Triagem Neonatal e as triagens complementares recomendadas pelo Ministério da Saúde, qual é a afirmação correta sobre esses exames?
- AO teste do coraçãozinho é feito por meio de ecocardiograma em todos os recém-nascidos antes da alta
- BO teste do pezinho deve ser coletado idealmente entre o 3º e o 5º dia de vida, pois detecta doenças como hipotireoidismo congênito e fenilcetonúria
- CO teste da orelhinha deve ser realizado após os 30 dias de vida para maior acurácia diagnóstica
- DO teste do olhinho deve ser realizado apenas em recém-nascidos com fatores de risco para catarata congênita
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O teste do pezinho, parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal, deve ser coletado idealmente entre o 3º e o 5º dia de vida, período em que os níveis de TSH e fenilalanina já refletem adequadamente a condição do recém-nascido, permitindo detectar doenças como hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e hemoglobinopatias, entre outras, conforme a fase de implantação em cada estado. A triagem auditiva (teste da orelhinha) deve ser realizada preferencialmente antes da alta hospitalar, idealmente até 1 mês de vida, por emissões otoacústicas. O teste do coraçãozinho utiliza oximetria de pulso, não ecocardiograma, como triagem universal. O teste do olhinho (reflexo do vermelho) deve ser realizado em todos os recém-nascidos, independentemente de fatores de risco, antes da alta da maternidade.
- A. O teste do coraçãozinho é realizado por oximetria de pulso, não por ecocardiograma, como triagem universal.
- C. O teste da orelhinha deve ser feito preferencialmente antes da alta hospitalar ou no primeiro mês de vida, não após 30 dias.
- D. O teste do olhinho é universal, realizado em todos os recém-nascidos antes da alta, não apenas nos de risco.
Criança de 18 meses é levada à UBS para consulta de puericultura de rotina. A mãe relata que o filho não aponta objetos de interesse, não busca compartilhar atenção com os pais olhando para o que lhe mostram, não responde quando chamado pelo nome na maioria das vezes, e ainda não fala nenhuma palavra com significado. Observa-se também que a criança apresenta movimentos repetitivos de balançar as mãos quando agitada e não demonstra interesse em brincar com outras crianças. Qual conduta é a mais apropriada diante desses achados?
- ATranquilizar a mãe, pois esse é um padrão normal de desenvolvimento até os 24 meses
- BOrientar apenas estimulação em casa e reavaliar em 1 ano, sem necessidade de encaminhamento
- CSolicitar eletroencefalograma como primeiro exame para confirmação diagnóstica
- DEncaminhar a criança para avaliação especializada por suspeita de transtorno do espectro autista
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A ausência de atenção compartilhada (apontar e seguir o apontar de outros), a falta de resposta ao nome, o atraso de linguagem (nenhuma palavra com significado aos 18 meses) e movimentos repetitivos (estereotipias) associados à baixa interação social são sinais de alerta importantes para transtorno do espectro autista (TEA), conforme preconizado pela vigilância do desenvolvimento do Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Diante desses sinais, a conduta correta é o encaminhamento para avaliação especializada (neuropediatria, psiquiatria infantil ou equipe multiprofissional), permitindo diagnóstico e intervenção precoces, que melhoram o prognóstico. O diagnóstico de TEA é clínico, baseado em critérios comportamentais (como os do DSM-5), não havendo exame de imagem ou eletroencefalograma confirmatório de rotina. Retardar o encaminhamento pode postergar intervenções que são mais eficazes quanto mais precoces.
- A. Esses sinais não são variantes normais do desenvolvimento; constituem sinais de alerta estabelecidos para TEA.
- B. Diante de múltiplos sinais de alerta, o encaminhamento para avaliação especializada é indicado, não apenas orientação domiciliar com reavaliação tardia.
- C. O eletroencefalograma não é exame de triagem ou confirmação diagnóstica para TEA, que é um diagnóstico clínico comportamental.
Aleitamento Materno e Nutrição
6 questõesPuérpera de 28 anos, no segundo dia pós-parto em maternidade da rede SUS, pergunta à equipe se pode amamentar seu recém-nascido. Durante o pré-natal, foi diagnosticada com infecção pelo HIV, está em uso de terapia antirretroviral com carga viral indetectável na última dosagem. Qual é a orientação correta sobre a amamentação nessa situação?
- AO aleitamento misto é a melhor opção, combinando leite materno com fórmula infantil para reduzir a carga viral transmitida
- BA amamentação deve ser feita de forma exclusiva até os 6 meses, pois a terapia antirretroviral elimina o risco de transmissão
- CA amamentação é permitida, desde que a carga viral materna permaneça indetectável durante toda a lactação
- DA amamentação está contraindicada, devendo ser substituída por fórmula infantil fornecida pelo SUS
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No Brasil, a infecção materna pelo HIV é contraindicação absoluta à amamentação, independentemente da carga viral materna ou do uso de terapia antirretroviral, pois o vírus pode ser transmitido pelo leite materno mesmo com supressão viral. A recomendação do Ministério da Saúde é a inibição da lactação (farmacológica, se necessário) e o fornecimento de fórmula infantil para a criança até os 6 meses, seguida de alimentação complementar adequada, sendo a fórmula fornecida pelo SUS às mães vivendo com HIV. Essa conduta visa eliminar o risco de transmissão vertical do HIV pela via da amamentação, que persiste mesmo em contextos de boa adesão terapêutica.
- A. O aleitamento misto mantém exposição ao HIV pelo leite materno, não sendo uma alternativa segura.
- B. A terapia antirretroviral materna não elimina o risco de transmissão pelo leite, não sendo indicada a amamentação exclusiva.
- C. A carga viral indetectável não elimina o risco de transmissão pelo leite materno, mantendo a contraindicação absoluta.
Mãe leva lactente de 5 meses e 20 dias à UBS para consulta de puericultura e pergunta sobre o momento e a forma corretos de iniciar a alimentação complementar, já que a criança está em aleitamento materno exclusivo. Segundo as recomendações do Ministério da Saúde para crianças em aleitamento materno exclusivo, qual orientação está correta?
- AA introdução de glúten deve ser postergada até os 12 meses para prevenir o desenvolvimento de doença celíaca
- BDeve-se iniciar mel e leite de vaca integral a partir dos 6 meses, pois são boas fontes de energia e proteína
- CA introdução de alimentos deve começar aos 4 meses com sucos de frutas, seguidos de papas salgadas aos 6 meses
- DA alimentação complementar deve ser iniciada aos 6 meses completos, mantendo-se o leite materno até os 2 anos ou mais
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O Ministério da Saúde recomenda que crianças em aleitamento materno exclusivo iniciem a alimentação complementar aos 6 meses completos de vida, mantendo-se o aleitamento materno complementado até os 2 anos de idade ou mais, pois antes dessa idade o leite materno exclusivo é suficiente para suprir as necessidades nutricionais e a introdução precoce de outros alimentos associa-se a maior risco de infecções e menor eficácia protetora do leite materno. Sucos de frutas não substituem a oferta de frutas in natura e não devem ser introduzidos antes dos alimentos sólidos nem usados como estratégia inicial. Mel deve ser evitado no primeiro ano de vida pelo risco de botulismo infantil, e leite de vaca integral não deve ser oferecido como alimento principal antes de 1 ano por risco de anemia e sobrecarga renal. A introdução do glúten não deve ser postergada além dos 6 meses, pois o atraso não previne doença celíaca e pode associar-se a maior risco de alergias alimentares.
- A. A introdução do glúten deve ocorrer junto com a alimentação complementar, por volta dos 6 meses, não deve ser postergada.
- B. Mel é contraindicado no primeiro ano pelo risco de botulismo, e leite de vaca integral não deve ser a base alimentar antes de 1 ano.
- C. Sucos não devem ser introduzidos antes dos 6 meses nem substituir frutas in natura, e papas salgadas também começam aos 6 meses, não aos 4.
Lactente de 14 meses é levado à UBS pela mãe por recusa alimentar há 2 semanas. Ao exame: peso 7,2 kg, estatura 74 cm (peso/estatura < -3 escore-z), apatia, cabelos finos e quebradiços, edema bilateral em dorso dos pés e pernas, pele com áreas de descamação e hipopigmentação em placas nos membros inferiores. Não há edema de face. Qual é o diagnóstico mais provável?
- ADesidratação hipernatrêmica
- BMarasmo
- CKwashiorkor
- DDesnutrição crônica leve
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O kwashiorkor é a forma de desnutrição grave causada predominantemente por deficiência proteica relativa, mesmo com aporte calórico parcialmente mantido, e se caracteriza por edema simétrico (iniciando em membros inferiores), alterações de pele (dermatose em mosaico, descamação, hipo ou hiperpigmentação) e cabelos finos, esparsos e descoloridos. A presença de edema é o critério que diferencia clinicamente o kwashiorkor do marasmo, que cursa com emagrecimento extremo (fácies senil, perda de panículo adiposo) sem edema. O diagnóstico de desnutrição grave é confirmado pelo índice peso/estatura abaixo de -3 escores-z, segundo os critérios da OMS adotados pelo Ministério da Saúde.
- A. A desidratação hipernatrêmica cursa com sinais de hipertonicidade e pele pastosa, não com edema simétrico e dermatose característica.
- B. O marasmo cursa com emagrecimento extremo e ausência de edema, não com edema e alterações de pele descritas.
- D. A desnutrição crônica leve não cursa com edema, alterações cutâneas e escore-z tão gravemente alterado.
Criança de 2 anos é internada em hospital da rede SUS com desnutrição grave (peso/estatura < -3 escore-z), edema bilateral de membros inferiores e hepatomegalia. Nas primeiras 48 horas de internação, qual é a conduta nutricional mais adequada para reduzir o risco de complicações metabólicas graves?
- AIniciar oferta calórica reduzida (cerca de 80 a 100 kcal/kg/dia), com reintrodução lenta e gradual do aporte proteico
- BIniciar fórmula láctea integral em volume livre, ajustado apenas pela aceitação da criança
- CIniciar dieta hipercalórica e hiperproteica imediatamente para reverter rapidamente o déficit nutricional
- DManter jejum absoluto por 72 horas com hidratação venosa exclusiva até estabilização hemodinâmica
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Na fase de estabilização da desnutrição grave, o Ministério da Saúde recomenda início cauteloso da alimentação, com oferta calórica inicial baixa (aproximadamente 80-100 kcal/kg/dia) e volumes pequenos e frequentes, evitando sobrecarga metabólica. O aumento abrupto de carboidratos e proteínas em uma criança adaptada ao catabolismo pode desencadear a síndrome de realimentação, com hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia graves, levando a insuficiência cardíaca e arritmias. A reintrodução deve ser gradual, com monitorização de eletrólitos, e somente após a fase de estabilização avança-se para a fase de reabilitação com aporte calórico-proteico mais elevado.
- B. Volume livre sem controle calórico aumenta o risco de sobrecarga metabólica e síndrome de realimentação.
- C. Dieta hipercalórica e hiperproteica precoce é o principal fator de risco para síndrome de realimentação nessa fase.
- D. Jejum prolongado agrava o catabolismo e não é recomendado; a alimentação cautelosa deve ser iniciada precocemente.
Lactente de 7 meses, em aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e introdução alimentar adequada, comparece à UBS para consulta de rotina. A criança nasceu a termo, com peso adequado, e não apresenta sinais de anemia. Segundo o Programa Nacional de Suplementação de Ferro e Vitamina A do Ministério da Saúde, qual é a conduta profilática recomendada para essa criança?
- ASuspensão de qualquer suplementação, pois o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses já previne deficiências nutricionais
- BVitamina A isolada em dose diária contínua até os 5 anos, sem necessidade de suplementação de ferro
- CSulfato ferroso 1 mg/kg/dia de ferro elementar dos 6 aos 24 meses, associado à megadose de vitamina A conforme calendário da região
- DSulfato ferroso apenas se houver confirmação laboratorial de anemia por hemoglobina sérica
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O Ministério da Saúde recomenda suplementação universal de ferro para todas as crianças de 6 a 24 meses, na dose de 1 mg de ferro elementar por kg de peso ao dia, independentemente da confirmação de anemia, visando prevenir a deficiência de ferro, que é prevalente nessa faixa etária mesmo com aleitamento adequado. A suplementação de vitamina A é feita em megadoses (100.000 UI dos 6 aos 11 meses e 200.000 UI dos 12 aos 59 meses) em áreas de risco, conforme o calendário de campanhas definido por região endêmica. Essas estratégias fazem parte da Caderneta de Saúde da Criança e dos Cadernos de Atenção Básica.
- A. O aleitamento materno exclusivo não é suficiente para suprir as necessidades de ferro após os 6 meses, por isso a suplementação é recomendada.
- B. A vitamina A é administrada em megadoses periódicas, não em dose diária contínua, e a suplementação de ferro também é recomendada.
- D. A suplementação de ferro é universal e profilática, não dependente de confirmação laboratorial prévia de anemia.
Menino de 8 anos é levado à UBS para consulta de rotina. Peso 38 kg, altura 128 cm, IMC calculado de 23,2 kg/m². Ao plotar na curva de IMC por idade da OMS para o sexo masculino, o valor encontra-se acima do escore-z +2. A criança não apresenta acantose nigricans nem comorbidades identificadas ao exame físico. Qual é a classificação nutricional e a conduta inicial mais adequada?
- ASobrepeso; orientar reavaliação em 6 meses sem intervenção dietética imediata
- BObesidade; orientar mudança do padrão alimentar e aumento da atividade física, com acompanhamento multiprofissional na atenção básica
- CObesidade grave; referência imediata para cirurgia bariátrica pediátrica
- DEutrofia com risco futuro de obesidade; apenas reforçar aleitamento materno prolongado
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Pelos critérios da OMS adotados pelo Ministério da Saúde, para crianças de 5 a 19 anos, IMC por idade acima do escore-z +2 classifica obesidade, enquanto entre +1 e +2 classifica-se sobrepeso. A conduta inicial na atenção básica deve ser orientação para mudança de hábitos alimentares, redução de alimentos ultraprocessados, aumento de atividade física e acompanhamento regular, podendo envolver equipe multiprofissional (nutricionista, educador físico) conforme disponibilidade na rede. Intervenções cirúrgicas são reservadas a casos extremos refratários, geralmente após a puberdade, não sendo indicadas neste momento.
- A. Escore-z acima de +2 já classifica obesidade, não sobrepeso, e intervenção deve ser iniciada, não postergada.
- C. Cirurgia bariátrica pediátrica não é indicada para obesidade sem comorbidades graves nem para essa faixa etária.
- D. O escore-z acima de +2 indica obesidade já estabelecida, não apenas risco futuro.
Imunização
3 questõesLactente de 4 meses é levado à UBS para vacinação de rotina. A mãe relata que a criança está em uso de amoxicilina há 2 dias para otite média aguda, apresenta febre de 37,8°C na consulta e teve, na última dose vacinal, apenas hiperemia e dor leve no local da injeção. Não há histórico de reação anafilática a vacinas prévias. Qual é a conduta mais adequada quanto à vacinação agendada para hoje?
- AAplicar as vacinas normalmente, pois uso de antibiótico, febre baixa e reação local leve não são contraindicações
- BAdiar todas as vacinas até completar o tratamento antibiótico e resolução total da febre
- CSuspender definitivamente as vacinas que causaram reação local na dose anterior
- DAplicar apenas vacinas inativadas e adiar as vacinas de vírus vivo atenuado devido à febre
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O uso de antibióticos, doenças agudas leves (como otite média sem toxemia) e febre baixa a moderada (abaixo de 38,5°C em algumas referências) não são contraindicações à vacinação, assim como reações locais leves (dor, hiperemia, edema discreto) em doses anteriores. Contraindicações verdadeiras incluem reação anafilática a dose anterior ou a algum componente da vacina, imunodeficiência grave para vacinas de vírus vivo, e doença neurológica em progressão para vacinas com componente pertussis. Postergar a vacinação sem motivo real aumenta o risco de janelas de suscetibilidade a doenças preveníveis.
- B. Adiar a vacinação sem motivo real expõe a criança a risco inútil de doenças preveníveis por vacina.
- C. Reação local leve em dose anterior não é contraindicação para doses subsequentes da mesma vacina.
- D. Febre baixa isolada não contraindica nenhuma vacina, incluindo as de vírus vivo atenuado.
Menino de 3 anos reside com irmão de 6 anos em tratamento quimioterápico para leucemia linfoblástica aguda, em período de imunossupressão intensa. Na consulta de puericultura, a mãe pergunta se o filho de 3 anos pode receber a próxima dose da vacina tríplice viral (SCR), já agendada no calendário vacinal. Qual é a orientação correta quanto à vacinação do contactante domiciliar sadio?
- APostergar todas as vacinas de vírus vivo do contactante até o fim completo do tratamento quimioterápico do irmão
- BAplicar apenas a vacina contra varicela no contactante, substituindo a tríplice viral
- CContraindicar a vacina tríplice viral no contactante domiciliar, pelo risco de transmissão do vírus vacinal ao irmão imunodeprimido
- DAplicar a vacina tríplice viral normalmente, pois vacinar os contactantes domiciliares protege indiretamente o paciente imunodeprimido e não há transmissão relevante do vírus vacinal do sarampo, caxumba ou rubéola
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Contactantes domiciliares sadios de pacientes imunodeprimidos devem manter o calendário vacinal normalmente, incluindo vacinas de vírus vivo atenuado como a tríplice viral, pois essas vacinas não apresentam transmissão secundária relevante do vírus vacinal entre contactantes. Pelo contrário, manter os contactantes vacinados reduz a circulação desses patógenos no ambiente domiciliar e protege indiretamente o paciente imunossuprimido, que muitas vezes não pode receber vacinas de vírus vivo. A exceção de atenção especial entre as vacinas de rotina é a vacina oral de poliovírus (VOP), hoje pouco usada no esquema primário, e a varicela, que exige cuidado apenas se houver lesão vesicular pós-vacinal, com cobertura da lesão até resolução.
- A. Postergar vacinas sem base científica expõe a criança sadia a risco desnecessário e não protege o irmão imunodeprimido.
- B. Não há indicação de substituir a tríplice viral pela vacina de varicela; ambas seguem indicações próprias no calendário.
- C. A tríplice viral não tem transmissão secundária relevante do vírus vacinal, não havendo risco real para o irmão imunodeprimido.
Criança de 4 anos é levada por responsável a uma UPA para atendimento de quadro respiratório leve. Durante a consulta, verifica-se na caderneta de vacinação que ela nunca recebeu nenhuma dose de vacina Pentavalente, VIP, Pneumocócica 10-valente ou tríplice viral, estando com o calendário completamente em atraso. Após o atendimento da queixa aguda, qual é a conduta mais adequada em relação à situação vacinal?
- AIniciar a regularização do calendário vacinal na própria unidade, aplicando múltiplas vacinas aplicáveis na mesma visita, seguindo o calendário de vacinação atrasada do PNI, respeitando intervalos mínimos entre doses da mesma vacina
- BOrientar que, por estar com mais de 4 anos, a criança perdeu a janela para aplicação dessas vacinas e deve aguardar vacinas específicas para a faixa etária escolar
- CAplicar apenas uma vacina por consulta, uma vez por mês, até completar todo o esquema atrasado
- DEncaminhar a criança a um centro de referência em imunobiológicos especiais antes de iniciar qualquer vacina, por já estar fora da idade preconizada
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Crianças com esquema vacinal incompleto ou atrasado devem iniciar a regularização assim que identificadas, sem necessidade de reiniciar o esquema do zero, seguindo o calendário de vacinação atrasada do Ministério da Saúde, que permite aplicar simultaneamente, na mesma visita, diferentes vacinas injetáveis em sítios anatômicos distintos. O único cuidado necessário é respeitar o intervalo mínimo recomendado entre doses sucessivas de uma mesma vacina, e não há restrição relevante para administrar várias vacinas diferentes no mesmo dia. Centros de referência em imunobiológicos especiais (CRIE) são indicados para situações específicas como imunodeficiências ou contraindicações a componentes vacinais, não para atraso vacinal simples.
- B. Não existe perda de janela vacinal para essas vacinas na infância; a regularização deve ser iniciada imediatamente.
- C. Diferentes vacinas podem e devem ser aplicadas na mesma consulta; restringir a uma por mês retarda desnecessariamente a proteção da criança.
- D. O CRIE é indicado para situações especiais de imunodeficiência ou contraindicação, não para atraso vacinal simples em criança sadia.
Infectologia Pediátrica
3 questõesMenino de 3 anos é levado à UBS por tosse e febre há 2 dias. A mãe refere que ele está se alimentando bem e brincando normalmente entre os episódios de febre. Exame físico: frequência respiratória de 32 irpm, temperatura axilar de 38,2°C, saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente, sem tiragem subcostal, com estertores crepitantes localizados em base direita. Está alerta, hidratado e sem sinais de desconforto respiratório. Qual a conduta mais adequada?
- AInternação em unidade de terapia intensiva pediátrica para monitorização contínua
- BInternação hospitalar para antibioticoterapia venosa com penicilina cristalina
- CTratamento ambulatorial com amoxicilina oral e reavaliação em 48 a 72 horas
- DEncaminhamento para UPA para realização de radiografia de tórax antes de decidir a conduta
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A criança apresenta pneumonia adquirida na comunidade sem sinais de gravidade: está alerta, hidratada, sem hipoxemia (SpO2 ≥ 92%), sem tiragem subcostal, sem gemência e aceitando bem a alimentação. Segundo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria, esses casos podem ser tratados ambulatorialmente com amoxicilina oral, com reavaliação em 48 a 72 horas para verificar resposta clínica. A radiografia de tórax não é obrigatória para iniciar tratamento quando o diagnóstico clínico é claro e não há sinais de alarme. Internação é reservada para sinais de gravidade como hipoxemia, tiragem, incapacidade de ingerir líquidos ou idade menor que 2 meses.
- A. Não há indicação de cuidados intensivos nesta criança estável e sem desconforto respiratório.
- B. Não há sinais de gravidade que justifiquem internação e via venosa.
- D. O diagnóstico clínico já é suficiente para iniciar tratamento; a radiografia não deve retardar a conduta ambulatorial.
Lactente de 8 meses, sexo feminino, é levada à UPA por febre de 39°C há 24 horas, sem sintomas respiratórios ou gastrointestinais associados. Ao exame, está irritada, mas hidratada, sem sinais de foco infeccioso aparente. A mãe nega corrimento vaginal ou disúria aparente. Qual exame é mais adequado para confirmar o diagnóstico suspeito de infecção do trato urinário nessa faixa etária?
- AExame de urina tipo I (EAS) por jato médio
- BUrocultura colhida por cateterismo vesical ou punção suprapúbica
- CUltrassonografia de vias urinárias
- DUrocultura colhida por saco coletor
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Em lactentes e crianças pequenas sem controle esfincteriano, o diagnóstico definitivo de infecção do trato urinário exige coleta de urina por método que minimize contaminação, como cateterismo vesical ou punção suprapúbica, pois o saco coletor tem alta taxa de falso-positivo por contaminação da pele e região perineal. A urocultura obtida por esses métodos é considerada padrão-ouro para confirmação diagnóstica. O EAS por jato médio não é viável nessa idade pela falta de controle urinário. A ultrassonografia é útil na investigação de malformações após o diagnóstico confirmado, mas não confirma a infecção aguda.
- A. Lactentes sem controle esfincteriano não conseguem fornecer amostra de jato médio confiável.
- C. A ultrassonografia avalia anormalidades estruturais, mas não confirma a infecção urinária aguda.
- D. O saco coletor tem alto índice de contaminação, sendo inadequado para confirmação diagnóstica.
Menino de 2 anos é levado à UBS por febre baixa há 2 dias e lesões orais dolorosas que dificultam a alimentação. Ao exame, apresenta vesículas e úlceras superficiais em mucosa oral, além de máculo-pápulas e vesículas em palmas das mãos e plantas dos pés. Está ativo, hidratado, aceitando líquidos com alguma dificuldade pela dor oral, sem sinais de toxemia. Qual a conduta mais apropriada?
- AOrientar hidratação, analgesia e dieta pastosa fria, com retorno se sinais de alarme
- BIniciar antibioticoterapia oral de amplo espectro para prevenir superinfecção bacteriana
- CSolicitar internação para isolamento de contato e antivirais intravenosos
- DPrescrever aciclovir oral por 7 dias
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O quadro descrito é típico de síndrome mão-pé-boca, causada principalmente pelo vírus Coxsackie A16, uma doença viral autolimitada. O tratamento é de suporte, com analgesia (como paracetamol), hidratação adequada e oferta de alimentos pastosos e frios para reduzir o desconforto da mucosite oral. Não há indicação de antivirais específicos nem de antibióticos, pois não se trata de infecção bacteriana. A internação só é indicada em casos raros com complicações como desidratação grave, encefalite ou miocardite, o que não está presente neste caso.
- B. Não há evidência de infecção bacteriana secundária que justifique antibioticoterapia.
- C. A criança não apresenta sinais de gravidade que justifiquem internação ou isolamento hospitalar.
- D. Não existe indicação de aciclovir para síndrome mão-pé-boca, causada por enterovírus e não por herpesvírus.
Emergências Pediátricas
8 questõesCriança de 4 anos é levada à UPA por febre alta há 12 horas e letargia progressiva. Ao exame: frequência cardíaca de 160 bpm, frequência respiratória de 38 irpm, pressão arterial de 78/40 mmHg, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, extremidades frias e moteadas, pulsos periféricos finos. Está sonolenta, respondendo apenas a estímulos dolorosos. Após garantir via aérea e oxigênio suplementar, qual é o próximo passo mais importante no manejo?
- AIniciar vasopressor periférico antes da reposição volêmica
- BSolicitar hemocultura e aguardar resultado antes de iniciar antibiótico
- CRealizar intubação orotraqueal imediata independentemente do nível de consciência
- DObter acesso vascular e iniciar infusão rápida de cristaloide isotônico
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A criança apresenta sinais clínicos de choque séptico: taquicardia, taquipneia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado, extremidades frias e alteração do nível de consciência. Após a abordagem inicial de via aérea e oxigênio, a prioridade é obter acesso vascular (periférico ou intraósseo, se necessário) e iniciar rapidamente a reposição volêmica com cristaloide isotônico em bolus, conforme preconizado pelos protocolos de sepse pediátrica, visando restaurar a perfusão tecidual. O antibiótico deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente na primeira hora, mas sem aguardar resultado de hemocultura. Vasopressores são indicados quando não há resposta adequada à reposição volêmica inicial.
- A. Vasopressores são indicados após falha da reposição volêmica inicial, não antes dela.
- B. O antibiótico não deve ser postergado para aguardar resultado de hemocultura; deve ser iniciado precocemente após a coleta.
- C. A intubação é reservada para falência respiratória ou incapacidade de proteger via aérea, não deve ser automática.
Menina de 7 anos, asmática conhecida, é levada ao pronto-socorro por dispneia e tosse há 6 horas, sem melhora com uso domiciliar de salbutamol inalatório. Ao exame: frequência respiratória de 40 irpm, saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente, uso de musculatura acessória, sibilos difusos bilaterais audíveis sem o estetoscópio, fala frases incompletas. Está alerta, mas ansiosa. Qual a conduta inicial mais adequada?
- ANebulização com salbutamol associado a brometo de ipratrópio, corticoide sistêmico e oxigênio suplementar
- BAntibioticoterapia empírica associada a broncodilatador de longa duração
- CObservação domiciliar com aumento da dose de salbutamol inalatório a cada 4 horas
- DSedação leve para reduzir a ansiedade e o trabalho respiratório
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A paciente apresenta crise asmática grave, evidenciada por saturação de oxigênio abaixo de 92%, uso de musculatura acessória, frequência respiratória elevada e dificuldade para falar frases completas. O manejo indicado no pronto-socorro inclui oxigenoterapia suplementar para manter saturação adequada, nebulização com beta-2 agonista de curta duração associado a anticolinérgico (brometo de ipratrópio), e corticoide sistêmico precoce para reduzir a inflamação das vias aéreas, conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e do Ministério da Saúde. A crise grave não deve ser manejada em domicílio pelo risco de insuficiência respiratória.
- B. Não há indicação de antibiótico na ausência de evidência de infecção bacteriana, e broncodilatador de longa duração não é indicado na crise aguda.
- C. Crise grave com hipoxemia e dificuldade para falar não deve ser manejada em domicílio.
- D. A sedação é contraindicada na crise asmática por risco de depressão respiratória.
Criança de 3 anos é levada à UPA por estridor inspiratório de início súbito há 4 horas, febre alta de 39,5°C e sialorreia importante, recusando-se a deglutir. A mãe refere que a criança prefere permanecer sentada, inclinada para frente, com o pescoço estendido, e está com voz abafada. Não apresenta tosse. Qual é o diagnóstico mais provável?
- ACorpo estranho em via aérea superior
- BLaringomalácia
- CEpiglotite aguda
- DLaringotraqueíte viral aguda
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O quadro de início súbito com febre alta, sialorreia, disfagia, voz abafada e posição de tripé (sentada, inclinada para frente, com pescoço estendido) é clássico de epiglotite aguda, uma emergência que pode evoluir rapidamente para obstrução total de via aérea. A ausência de tosse seca característica também ajuda a diferenciar de laringotraqueíte viral, que costuma ter tosse metálica, pródromo catarral e evolução mais gradual. Exame direto da orofaringe com abaixador de língua deve ser evitado pelo risco de laringoespasmo e obstrução completa.
- A. O corpo estranho geralmente tem início súbito sem febre alta e sem sialorreia, associado a episódio de engasgo presenciado.
- B. A laringomalácia é uma condição crônica do lactente, com estridor presente desde as primeiras semanas de vida, não um quadro agudo febril.
- D. A laringotraqueíte viral tem início mais gradual, tosse metálica característica e geralmente sem sialorreia importante.
Criança de 18 meses é levada à UBS com história de diarreia aquosa há 2 dias. Ao exame, está irritada, com olhos levemente fundos, sinal da prega cutânea que desaparece lentamente, bebendo água com avidez quando oferecida. Não apresenta vômitos incoercíveis nem alteração do nível de consciência. Segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde, qual é a conduta mais adequada?
- APlano C, com hidratação venosa imediata em ambiente hospitalar
- BPlano A, com orientação de aumento da oferta de líquidos em casa
- CSonda nasogástrica para reidratação por gavagem
- DPlano B, com administração de solução de reidratação oral na unidade de saúde sob observação
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A criança apresenta sinais de desidratação leve a moderada (algum grau de desidratação), caracterizados por irritabilidade, olhos fundos, sinal da prega cutânea lentificado e sede aumentada (bebe com avidez), mas sem sinais de desidratação grave como letargia, pulsos finos ou incapacidade de ingerir líquidos. O Plano B da OMS é indicado nesses casos, com administração de solução de reidratação oral em unidade de saúde sob supervisão, reavaliando a criança periodicamente. O Plano A é reservado para crianças sem sinais de desidratação, e o Plano C para desidratação grave, com necessidade de hidratação venosa.
- A. O Plano C é reservado para desidratação grave com sinais como letargia ou choque, ausentes neste caso.
- B. O Plano A é indicado para ausência de sinais de desidratação, o que não é o caso aqui.
- C. A sonda nasogástrica é reservada para casos de falha da via oral, não como primeira escolha.
Menino de 4 anos é levado à UPA com febre há 2 dias e letargia. Ao exame: peso 16 kg, temperatura 39,2°C, frequência cardíaca 162 bpm, frequência respiratória 38 irpm, pressão arterial 92x58 mmHg, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, extremidades frias e pulsos periféricos finos, porém palpáveis. Diurese relatada pela mãe nas últimas 6 horas foi escassa. Qual a interpretação correta do estado hemodinâmico desta criança?
- AAusência de choque, pois a pressão arterial sistólica está dentro da faixa normal para a idade
- BChoque séptico frio descompensado, caracterizado por pulsos centrais impalpáveis e hipotensão franca
- CChoque séptico descompensado, pois a pressão arterial já está abaixo do percentil esperado para a idade
- DChoque séptico compensado, pois a pressão arterial está normal apesar dos sinais de má perfusão periférica
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Na criança, a pressão arterial é mantida por mecanismos compensatórios (taquicardia e vasoconstrição periférica) até fases avançadas do choque, de modo que a hipotensão é sinal tardio. Este paciente apresenta taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, extremidades frias e oligúria, caracterizando choque séptico compensado (frio), com pressão arterial ainda preservada. O reconhecimento precoce desses sinais de má perfusão, antes da queda da pressão, é essencial para iniciar a ressuscitação volêmica e evitar progressão para choque descompensado. A monitorização seriada de pulsos, perfusão e diurese é mais sensível que a pressão arterial isolada nessa faixa etária.
- A. A presença de taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado e oligúria já indica choque, mesmo com pressão arterial normal.
- B. Os pulsos centrais e periféricos ainda estão palpáveis e não há hipotensão, afastando a fase descompensada.
- C. A pressão arterial informada (92x58 mmHg) está dentro da faixa normal para a idade, não caracterizando descompensação.
Criança de 6 anos, 20 kg, é atendida na UBS minutos após ingerir camarão. Apresenta urticária generalizada, edema labial, estridor laríngeo e dificuldade respiratória, com saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente e frequência cardíaca de 140 bpm. Qual a conduta medicamentosa inicial mais adequada?
- ADifenidramina intramuscular na dose de 1 mg/kg como primeira medida terapêutica
- BHidrocortisona intravenosa na dose de 100 mg, seguida de observação por 1 hora
- CSalbutamol inalatório isolado, reservando a adrenalina para casos de parada cardiorrespiratória
- DAdrenalina intramuscular na dose de 0,2 mg (0,01 mg/kg), podendo repetir em 5 a 15 minutos se necessário
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A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha na anafilaxia, devendo ser administrada imediatamente ao reconhecimento do quadro, na dose de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg por dose), preferencialmente no vasto lateral da coxa. Ela reverte a vasodilatação, o edema de via aérea e o broncoespasmo por ação em receptores alfa e beta-adrenérgicos. A dose pode ser repetida a cada 5 a 15 minutos caso não haja melhora clínica. Corticoides, anti-histamínicos e broncodilatadores são terapias adjuvantes, mas nunca substituem ou retardam a adrenalina.
- A. O anti-histamínico atua apenas sobre sintomas cutâneos e não reverte broncoespasmo ou edema laríngeo, não sendo a primeira linha.
- B. O corticoide é adjuvante e seu início de ação é lento, não devendo ser a primeira medida em quadro com comprometimento de via aérea.
- C. Atrasar a adrenalina para casos de parada cardiorrespiratória é incorreto, pois ela deve ser usada precocemente para evitar a progressão do quadro.
Durante atendimento em UPA, uma criança de 3 anos é encontrada em parada cardiorrespiratória, sem pulso central palpável, por dois socorristas treinados. Foi solicitado o carrinho de parada e o desfibrilador. Qual a relação compressão-ventilação e a frequência de compressões torácicas recomendadas nesta situação, antes da obtenção de via aérea avançada?
- A15 compressões para 1 ventilação, com frequência de 80 a 100 compressões por minuto
- B5 compressões para 1 ventilação, com frequência de 100 a 120 compressões por minuto
- C15 compressões para 2 ventilações, com frequência de 100 a 120 compressões por minuto
- D30 compressões para 2 ventilações, com frequência de 100 a 120 compressões por minuto
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No suporte básico de vida pediátrico com dois socorristas (sem via aérea avançada), a relação compressão-ventilação recomendada é de 15:2, diferente da relação 30:2 usada por um único socorrista. A frequência das compressões deve ser mantida entre 100 e 120 por minuto, com profundidade de pelo menos um terço do diâmetro anteroposterior do tórax. Essa relação otimiza a perfusão coronariana e cerebral ao minimizar interrupções nas compressões, mantendo ventilações eficazes. Após obtenção de via aérea avançada, as compressões passam a ser contínuas, com ventilações assíncronas.
- A. A relação 15:1 não corresponde às diretrizes atuais; além disso, a frequência mínima recomendada é de 100 compressões por minuto.
- B. A relação 5:1 não é recomendada nas diretrizes de suporte básico de vida pediátrico.
- D. A relação 30:2 é utilizada quando há apenas um socorrista realizando a reanimação, não quando há dois socorristas.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, inicia subitamente tosse ineficaz, choro fraco e cianose perioral enquanto manipulava um brinquedo pequeno, evoluindo para incapacidade de emitir sons e perda da consciência. Qual é a próxima conduta mais adequada diante deste quadro?
- ASuspender a criança pelos membros inferiores e aplicar palmadas interescapulares vigorosas
- BRealizar varredura digital às cegas na cavidade oral para tentar remover o corpo estranho
- CPosicionar a criança e iniciar ciclos de compressões torácicas e ventilações como na reanimação cardiopulmonar
- DIniciar manobra de Heimlich com compressões abdominais subdiafragmáticas
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Quando a criança com obstrução de via aérea por corpo estranho perde a consciência, a conduta recomendada é iniciar imediatamente ciclos de reanimação cardiopulmonar, com compressões torácicas e ventilações, pois as compressões podem ajudar a deslocar o corpo estranho além de manter a perfusão. A cada ciclo de compressões, antes de ventilar, deve-se abrir a boca e verificar visualmente a presença de corpo estranho visível, removendo-o apenas se estiver visível. A manobra de Heimlich é indicada apenas em crianças conscientes e maiores de 1 ano. Em lactentes conscientes, utilizam-se golpes nas costas intercalados com compressões torácicas.
- A. Suspender a criança pelos membros inferiores com palmadas é indicado apenas enquanto a criança está consciente, e não substitui a reanimação após perda de consciência.
- B. A varredura digital às cegas é contraindicada, pois pode empurrar o corpo estranho mais profundamente na via aérea.
- D. A manobra de Heimlich (compressões abdominais) é contraindicada em lactentes, mesmo quando conscientes, devido ao risco de lesão de órgãos abdominais.
Doenças Respiratórias
4 questõesLactente de 2 meses é levado à UPA com quadro de coriza e tosse há 3 dias, seguido de piora respiratória nas últimas 12 horas. Ao exame: frequência respiratória de 64 irpm, tiragem subcostal e batimento de aletas nasais, saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente, recusa alimentar e letargia leve. Auscultado sibilos difusos e estertores finos bilaterais. Qual a conduta mais adequada?
- AInternação hospitalar para suporte com oxigenoterapia, hidratação e monitorização
- BNebulização com broncodilatador de curta duração e corticoide oral, com reavaliação em 2 horas
- CPrescrição de antibioticoterapia oral empírica e retorno ambulatorial em 72 horas
- DAlta com orientações de sinais de alarme e retorno em 48 horas para reavaliação
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A bronquiolite viral aguda é predominantemente causada pelo vírus sincicial respiratório e seu diagnóstico é clínico, dispensando exames complementares de rotina. Critérios de internação incluem idade menor que 3 meses, desconforto respiratório importante (taquipneia, tiragem, batimento de aletas nasais), hipoxemia (saturação menor que 92-94%), recusa alimentar e letargia. O tratamento é primariamente de suporte, com oxigenoterapia, hidratação adequada e monitorização clínica, pois não há evidência de benefício consistente de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos no curso da doença. Este lactente preenche múltiplos critérios de gravidade e deve ser internado.
- B. Broncodilatadores e corticoides não têm benefício comprovado na bronquiolite viral aguda e não substituem a necessidade de internação.
- C. A bronquiolite tem etiologia viral e antibióticos não estão indicados na ausência de evidência de infecção bacteriana associada.
- D. A gravidade do quadro, com hipoxemia, recusa alimentar e letargia, contraindica a alta hospitalar.
Criança de 7 anos com diagnóstico de asma persistente inicia tratamento de manutenção com corticoide inalatório via aerossol dosimetrado (spray) acoplado a espaçador valvulado. Qual orientação sobre a farmacologia e a técnica de uso deste medicamento é correta?
- AA suspensão abrupta do corticoide inalatório é recomendada assim que a criança completa 7 dias consecutivos sem sintomas
- BO efeito terapêutico pleno do corticoide inalatório é observado já nas primeiras 24 horas de uso, permitindo uso apenas nos períodos de crise
- CA lavagem bucal após a inalação não é necessária quando se utiliza espaçador valvulado, pois este elimina completamente o risco de efeitos locais
- DO uso de espaçador valvulado aumenta o depósito pulmonar do fármaco e reduz a deposição orofaríngea, diminuindo o risco de candidíase oral
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O espaçador valvulado reduz a velocidade das partículas e o impacto na orofaringe, aumentando a fração de fármaco que atinge as vias aéreas inferiores e reduzindo a deposição local, o que diminui a incidência de candidíase oral e disfonia. O corticoide inalatório é a droga de escolha para o tratamento de manutenção da asma persistente, atuando na redução da inflamação das vias aéreas, com efeito terapêutico pleno alcançado após dias a semanas de uso regular, não sendo adequado para alívio agudo de crises. Mesmo com o uso do espaçador, recomenda-se o enxágue da boca após a inalação para reduzir ainda mais o risco de efeitos adversos locais. A suspensão deve ser gradual e orientada pelo controle clínico, e não baseada apenas em curtos períodos assintomáticos.
- A. A suspensão do corticoide inalatório deve ser gradual, baseada no controle clínico sustentado por período adequado, não apenas por 7 dias assintomáticos.
- B. O efeito anti-inflamatório do corticoide inalatório é cumulativo e não imediato, sendo inadequado seu uso restrito a períodos de crise.
- C. O espaçador reduz, mas não elimina completamente o risco de efeitos locais, sendo recomendada a higiene oral após o uso.
Lactente de 5 meses tem história de três episódios de sibilância desde os 2 meses de vida, todos associados a quadros de coriza e tosse. Entre as crises, apresenta-se assintomático, com bom ganho ponderal (peso no percentil 50) e exame físico normal. Não há história familiar de atopia e os episódios sempre coincidem com infecções respiratórias virais. Qual é o diagnóstico mais provável?
- AAsma do lactente de início precoce
- BSibilância transitória precoce associada a infecções virais
- CRefluxo gastroesofágico com broncoaspiração recorrente
- DFibrose cística com comprometimento pulmonar inicial
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A sibilância recorrente do lactente associada exclusivamente a infecções respiratórias virais, sem sintomas entre as crises, sem história familiar de atopia e com crescimento e desenvolvimento normais, é compatível com o fenótipo de sibilância transitória precoce (induzida por vírus), que tende a resolver-se até os 3 a 6 anos de idade. Esse fenótipo se diferencia da asma do lactente, que cursa com maior associação a atopia pessoal ou familiar, sibilância também fora do contexto infeccioso e maior risco de persistência dos sintomas na infância. A fibrose cística cursaria com manifestações digestivas, déficit de crescimento e infecções respiratórias recorrentes mais graves, o que não está presente neste caso. O refluxo gastroesofágico como causa de broncoaspiração tipicamente se associa a sintomas digestivos e sibilância não restrita a quadros infecciosos.
- A. A asma do lactente geralmente se associa a atopia pessoal ou familiar e sibilância também em contextos não infecciosos, ausentes neste caso.
- C. O refluxo gastroesofágico com broncoaspiração tipicamente apresenta sintomas digestivos associados e sibilância não restrita a infecções virais.
- D. A fibrose cística cursaria com déficit de crescimento, sintomas digestivos e infecções respiratórias recorrentes mais graves, não presentes neste quadro.
Lactente de 4 meses é levado à UBS por tosse produtiva recorrente desde os 2 meses de vida e ganho de peso insuficiente apesar de boa oferta alimentar. A mãe relata que as evacuações são volumosas, fétidas e brilhantes. Ao exame, peso no escore Z -2,3, ausculta pulmonar com estertores finos difusos. A triagem neonatal (teste do pezinho) não foi realizada. Qual é o exame mais indicado para confirmar a hipótese diagnóstica?
- ARadiografia de tórax
- BElastase fecal
- CTeste do suor (dosagem de cloreto no suor)
- DPesquisa de gordura fecal (esteatócrito)
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O quadro de doença pulmonar supurativa recorrente associada a má absorção intestinal e desnutrição em lactente é clássico de fibrose cística. O teste do suor, que mede a concentração de cloreto no suor estimulado por iontoforese com pilocarpina, é o exame padrão-ouro para confirmação diagnóstica, sendo considerado positivo quando o cloreto é maior ou igual a 60 mEq/L em duas amostras. A confirmação deve ser seguida, quando disponível, de análise genética do gene CFTR.
- A. Pode mostrar alterações sugestivas de doença pulmonar crônica, mas não é específica nem diagnóstica.
- B. Avalia insuficiência pancreática exócrina, mas não confirma o diagnóstico de fibrose cística.
- D. Sugere má absorção de gorduras, mas não estabelece o diagnóstico etiológico.
Gastroenterologia Pediátrica
5 questõesCriança de 2 anos é trazida à UPA com diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue ou muco. Está irritada, com olhos levemente fundos, mucosas secas e bebe água avidamente quando oferecida. O turgor cutâneo está discretamente reduzido. Frequência cardíaca de 118 bpm, pressão arterial normal para a idade. Não apresenta vômitos incoercíveis. Qual é a conduta terapêutica inicial mais adequada?
- AHidratação venosa com soro fisiológico 0,9% em bolus, seguida de zinco oral
- BSolução de reidratação oral administrada em pequenos volumes frequentes, associada a sulfato de zinco por 10 a 14 dias
- CSolução de reidratação oral isolada, sem suplementação de zinco
- DAntibioticoterapia empírica com azitromicina associada à solução de reidratação oral
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A criança apresenta sinais de desidratação leve a moderada (irritabilidade, olhos fundos, mucosas secas, sede aumentada), sem sinais de choque ou desidratação grave, o que indica terapia de reidratação oral (TRO) como primeira linha, conforme protocolo do Ministério da Saúde. A TRO deve ser oferecida em pequenos volumes e de forma frequente para minimizar vômitos. A suplementação de zinco (10-20 mg/dia por 10 a 14 dias) é recomendada em todos os casos de diarreia aguda em crianças, pois reduz a duração e a gravidade do episódio e previne recorrências nos meses seguintes.
- A. A via venosa é reservada para desidratação grave ou falha da via oral, o que não é o caso aqui.
- C. A omissão do zinco deixa de oferecer um benefício comprovado na redução da duração e gravidade da diarreia.
- D. Antibiótico não é indicado empiricamente em diarreia aquosa sem sinais de disenteria ou toxemia.
Recém-nascido a termo apresenta eliminação de mecônio apenas após 48 horas de vida. Aos 20 dias, a mãe relata distensão abdominal progressiva e dificuldade para evacuar, com necessidade de estimulação retal para eliminação de fezes. Ao exame, abdome distendido e timpânico, e o toque retal provoca saída explosiva de fezes e gases. Não há escape fecal nas roupas. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
- AEstenose anal congênita
- BHipotireoidismo congênito
- CDoença de Hirschsprung
- DConstipação funcional da infância
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O retardo na eliminação de mecônio (mais de 24 a 48 horas), associado a distensão abdominal progressiva e à eliminação explosiva de fezes após estímulo retal (sinal característico do esvaziamento de uma ampola retal vazia à palpação, mas com fezes acumuladas acima da zona agangliônica), são achados clássicos da doença de Hirschsprung. Essa condição resulta da ausência congênita de células ganglionares no plexo mioentérico, levando a um segmento intestinal distal não relaxado e obstrução funcional. O diagnóstico é confirmado por biópsia retal por sucção, mostrando ausência de células ganglionares e hipertrofia de fibras nervosas colinérgicas.
- A. Causaria obstrução mecânica evidente ao exame físico perianal, com estreitamento visível do orifício anal, não descrito no caso.
- B. Pode causar constipação, mas não explica o retardo de eliminação de mecônio associado a distensão progressiva nem o sinal de evacuação explosiva.
- D. A constipação funcional tipicamente se inicia após o período neonatal, associada à introdução alimentar ou retenção voluntária, e cursa com escape fecal (encoprese), ausente neste caso.
Lactente de 3 meses é levado à consulta de puericultura por episódios de regurgitação após as mamadas, cerca de 4 a 5 vezes ao dia, sem esforço aparente. A criança está alegre, ganha peso adequadamente (está acompanhando o canal de crescimento desde o nascimento) e não apresenta choro excessivo, recusa alimentar ou irritabilidade. O exame físico é normal. Qual é a conduta mais apropriada?
- AOrientar a família sobre o caráter benigno do quadro e reavaliar a evolução clínica
- BSolicitar endoscopia digestiva alta com biópsia
- CSolicitar pHmetria esofágica de 24 horas
- DIniciar tratamento empírico com omeprazol
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Trata-se de refluxo gastroesofágico fisiológico do lactente, extremamente comum até os 12 a 18 meses de vida, caracterizado por regurgitações frequentes sem repercussão no crescimento, sem sinais de alarme (irritabilidade importante, recusa alimentar, hematêmese, falha de crescimento, sintomas respiratórios). Nesses casos, a conduta é orientação dos pais quanto ao caráter autolimitado e benigno da condição, com medidas posturais e de técnica alimentar, sem necessidade de exames complementares ou medicação. A investigação com pHmetria, endoscopia ou tratamento farmacológico é reservada para casos com sinais de alarme sugestivos de doença do refluxo gastroesofágico.
- B. Procedimento invasivo reservado para suspeita de complicações como esofagite, não indicado neste cenário benigno.
- C. Exame invasivo reservado para suspeita de doença do refluxo com sintomas atípicos ou refratários, não indicado em refluxo fisiológico.
- D. Medicação não é indicada sem sinais de doença do refluxo, pois o quadro descrito é fisiológico e autolimitado.
Lactente de 2 meses, em aleitamento materno exclusivo, apresenta episódios recorrentes de cólicas, fezes com raias de sangue e muco, e dermatite eczematosa persistente. O ganho ponderal está no limite inferior da normalidade. Foi feita hipótese de alergia à proteína do leite de vaca, e a investigação de causas infecciosas foi negativa. Qual é a conduta dietética mais adequada neste momento?
- AManter o aleitamento materno e introduzir fórmula infantil complementar à base de leite de vaca integral
- BSuspender o aleitamento materno e iniciar fórmula de soja
- CSuspender o aleitamento materno e iniciar fórmula à base de proteína do leite de vaca extensamente hidrolisada
- DManter o aleitamento materno exclusivo, orientando a mãe a excluir leite de vaca e derivados da própria dieta
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Em lactentes em aleitamento materno exclusivo com suspeita de alergia à proteína do leite de vaca, a conduta recomendada é a manutenção do aleitamento materno com exclusão do leite de vaca e derivados da dieta materna, já que proteínas alimentares ingeridas pela mãe podem ser excretadas no leite e sensibilizar o lactente. O aleitamento materno deve ser preservado pelos seus benefícios imunológicos e nutricionais, sendo a dieta de exclusão materna a primeira linha de tratamento, com reavaliação da melhora dos sintomas em 2 a 4 semanas.
- A. Introduzir leite de vaca integral manteria a exposição ao alérgeno e perpetuaria os sintomas.
- B. A fórmula de soja não é recomendada como primeira escolha em lactentes menores de 6 meses pelo risco de sensibilização cruzada e não substitui o aleitamento materno.
- C. A fórmula extensamente hidrolisada é indicada quando não há aleitamento materno disponível ou quando a dieta de exclusão materna falha, não como primeira conduta em vigência de amamentação.
Lactente de 8 meses, previamente sadio, é levado à UPA por episódios de choro súbito e intenso, com flexão das pernas sobre o abdome, intercalados com períodos de letargia e sonolência. A mãe relata um episódio de vômito e, há poucas horas, eliminação de fezes com aspecto gelatinoso avermelhado. Ao exame, abdome discretamente distendido, com massa palpável em quadrante superior direito, de consistência firme e alongada. Qual é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico?
- AEnema opaco com bário
- BTomografia computadorizada de abdome com contraste
- CUltrassonografia abdominal
- DRadiografia simples de abdome em pé
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O quadro clínico de dor abdominal em cólica intermitente com períodos de letargia, vômitos e fezes em 'gelatina de framboesa' (geleia de groselha) é clássico de invaginação intestinal, mais comum entre 6 meses e 3 anos de idade. A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha, com alta sensibilidade e especificidade, mostrando o sinal característico de 'alvo' ou 'donut' em corte transversal e o sinal do 'pseudo-rim' em corte longitudinal, além de permitir avaliação sem exposição à radiação ionizante.
- A. Pode ser usado tanto para diagnóstico quanto para tratamento (redução hidrostática), mas não é o exame inicial de triagem diagnóstica.
- B. Envolve radiação ionizante e não é o exame inicial de escolha quando a ultrassonografia está disponível.
- D. Pode sugerir obstrução intestinal, mas tem baixa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico específico de invaginação.
Neonatologia
6 questõesRecém-nascido a termo nasce de parto vaginal, líquido amniótico claro. Após os cuidados iniciais de secagem e estimulação tátil, aos 30 segundos de vida, a frequência cardíaca é de 90 bpm, o recém-nascido apresenta respiração irregular e gasping, com cianose central. A oximetria de pulso em membro superior direito mostra saturação de 65%. Qual é o próximo passo mais adequado?
- AAdministrar adrenalina endotraqueal imediatamente
- BIniciar compressões torácicas associadas à ventilação com pressão positiva
- CIniciar ventilação com pressão positiva com máscara facial e ar ambiente ou oxigênio suplementar conforme monitorização
- DRealizar apenas estimulação tátil adicional e reavaliar em 60 segundos
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A presença de frequência cardíaca abaixo de 100 bpm associada a respiração irregular (gasping) ou apneia após as manobras iniciais indica falha da reanimação básica e é indicação clara de ventilação com pressão positiva (VPP), que deve ser iniciada nos primeiros 60 segundos de vida (o chamado 'minuto de ouro'). A VPP é a intervenção mais eficaz e frequentemente suficiente para corrigir a bradicardia e a hipoxemia neonatal, devendo ser guiada por monitorização da saturação de oxigênio e frequência cardíaca, com ajuste da fração de oxigênio conforme protocolo.
- A. A adrenalina é reservada para frequência cardíaca persistentemente abaixo de 60 bpm apesar de VPP e compressões torácicas adequadas, não sendo o passo inicial.
- B. As compressões torácicas são indicadas apenas se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 bpm após 30 segundos de VPP eficaz, o que ainda não foi tentado neste caso.
- D. A estimulação tátil adicional é insuficiente diante de frequência cardíaca baixa e respiração irregular, retardando uma intervenção necessária.
Recém-nascido a termo, parto vaginal, apresenta ao 1º minuto de vida: frequência cardíaca de 110 bpm, respiração irregular e fraca, tônus muscular com alguma flexão dos membros, careta à aspiração de vias aéreas e tronco rosado com extremidades cianóticas. Qual a interpretação correta desse achado?
- AO escore obtido é normal e não requer nenhuma reavaliação adicional
- BO escore obtido traduz depressão leve a moderada e deve ser reavaliado aos 5 minutos de vida
- CO escore obtido reflete asfixia perinatal grave e indica necessidade de reanimação avançada imediata
- DO escore obtido é um indicador prognóstico confiável de sequelas neurológicas a longo prazo
Ver resposta
Atribuindo os valores: FC 110 bpm (2), respiração irregular (1), tônus com alguma flexão (1), careta (1) e cianose de extremidades (1), o escore total é 6, compatível com depressão leve a moderada. O escore de Apgar deve ser sempre reavaliado aos 5 minutos (e a cada 5 minutos se persistir baixo) para acompanhar a evolução e orientar a necessidade de intervenções adicionais. Ele não deve ser usado isoladamente para decidir reanimação, que se baseia em respiração, tônus e frequência cardíaca avaliados em tempo real. Além disso, o Apgar tem baixo valor preditivo isolado para prognóstico neurológico, sendo apenas um dos elementos da avaliação global do recém-nascido.
- A. Um escore de 6 no primeiro minuto indica depressão leve a moderada, exigindo reavaliação e acompanhamento, não sendo considerado normal.
- C. Um escore de 6 não caracteriza asfixia grave, que corresponderia a valores entre 0 e 3; a decisão de reanimar é clínica e não depende exclusivamente do escore.
- D. O Apgar isoladamente tem baixo valor preditivo para sequelas neurológicas, sendo uma limitação reconhecida do escore.
Recém-nascido de 36 semanas, nascido há 8 horas em hospital da rede SUS, filho de mãe com bolsa rota há 22 horas e febre intraparto de 38,3°C sem profilaxia antibiótica adequada. Ao exame: temperatura axilar de 37,9°C, frequência respiratória de 72 irpm com gemido expiratório e hipoatividade. Diante da suspeita de sepse neonatal precoce, qual a conduta antibiótica empírica inicial mais adequada?
- AAmpicilina associada a gentamicina por via intravenosa
- BVancomicina associada a cefepima por via intravenosa
- COxacilina associada a amicacina por via intravenosa
- DCeftriaxona em monoterapia por via intravenosa
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A sepse neonatal precoce, que ocorre nas primeiras 72 horas de vida, está associada a fatores de risco materno-fetais como ruptura prolongada de membranas e corioamnionite, sendo causada principalmente por Streptococcus agalactiae (grupo B) e Escherichia coli. O esquema empírico recomendado pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria é ampicilina associada a um aminoglicosídeo, geralmente gentamicina, que cobre esses patógenos com sinergismo bactericida. A ceftriaxona deve ser evitada em neonatos pela interação com cálcio (risco de precipitação biliar e nefrotoxicidade) e pelo deslocamento da bilirrubina da albumina. Vancomicina e oxacilina são reservadas para suspeita de infecção estafilocócica, mais associada à sepse tardia e a dispositivos invasivos.
- B. Vancomicina e cefepima são reservadas para sepse neonatal tardia ou suspeita de germes resistentes, não sendo a primeira escolha para sepse precoce.
- C. Oxacilina e amicacina não cobrem adequadamente o Streptococcus do grupo B e são indicadas principalmente para sepse neonatal tardia por estafilococos.
- D. A ceftriaxona é contraindicada em recém-nascidos, especialmente nas primeiras semanas de vida, pelo risco de deslocamento da bilirrubina e precipitação com cálcio.
Recém-nascido pré-termo de 31 semanas, nascido de parto cesáreo há 2 horas, sem uso de corticoide antenatal, apresenta frequência respiratória de 68 irpm, retrações intercostais e subcostais, gemido expiratório audível e batimento de aletas nasais, com cianose perioral que melhora parcialmente com oxigênio suplementar. A radiografia de tórax mostra infiltrado reticulogranular difuso com broncogramas aéreos e diminuição do volume pulmonar. Qual é o diagnóstico mais provável?
- ASíndrome do desconforto respiratório do recém-nascido por deficiência de surfactante
- BPneumonia neonatal por aspiração
- CTaquipneia transitória do recém-nascido
- DHipertensão pulmonar persistente do recém-nascido
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A síndrome do desconforto respiratório (doença da membrana hialina) ocorre predominantemente em prematuros, especialmente sem corticoide antenatal, por deficiência quantitativa e qualitativa de surfactante pulmonar, levando a colapso alveolar progressivo. O quadro clínico clássico inclui taquipneia, retrações, gemido e cianose nas primeiras horas de vida, com piora progressiva se não tratado. O padrão radiológico típico é o infiltrado reticulogranular difuso em vidro moído com broncogramas aéreos e volume pulmonar reduzido, diferente da taquipneia transitória, que mostra hiperinsuflação e trama vascular proeminente. A ausência de corticoide antenatal e a prematuridade são os principais fatores de risco reforçando esse diagnóstico.
- B. A pneumonia neonatal geralmente cursa com fatores de risco infecciosos maternos e infiltrados radiológicos assimétricos ou focais, não o padrão difuso em vidro moído característico deste caso.
- C. A taquipneia transitória ocorre mais em termo ou pré-termo tardio após parto cesáreo sem trabalho de parto, com radiografia mostrando hiperinsuflação e trama vascular aumentada, não o padrão reticulogranular descrito.
- D. A hipertensão pulmonar persistente ocorre predominantemente em recém-nascidos a termo ou pós-termo e cursa com cianose refratária à oxigenoterapia, sem o padrão radiológico reticulogranular descrito.
Recém-nascido a termo, grande para a idade gestacional, filho de mãe com diabetes gestacional mal controlada, apresenta 2 horas de vida tremores finos e irritabilidade. A glicemia capilar é de 38 mg/dL. O recém-nascido está em aleitamento materno, sucção vigorosa e sem outras alterações ao exame. Qual a conduta mais adequada neste momento?
- AInternar em unidade de terapia intensiva neonatal para monitorização contínua sem intervenção imediata
- BSuspender o aleitamento materno e iniciar fórmula infantil especial para diabéticos
- COferecer mamada ao seio materno imediatamente e reavaliar a glicemia em 30 a 60 minutos
- DIniciar infusão intravenosa de glicose a 10% em bolus seguida de manutenção contínua
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Em recém-nascidos sintomáticos com glicemia entre 25 e 40 mg/dL, a conduta inicial recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria é tentar a correção por via enteral, oferecendo o seio materno ou leite ordenhado, com reavaliação da glicemia em 30 a 60 minutos após a mamada. A glicose intravenosa fica reservada para hipoglicemia grave (geralmente abaixo de 25 a 20 mg/dL), persistência dos sintomas após tentativa enteral, intolerância alimentar ou impossibilidade de via oral. Filhos de mães diabéticas apresentam hiperinsulinismo transitório pela exposição à hiperglicemia materna intraútero, predispondo à hipoglicemia nas primeiras horas de vida, mas o aleitamento materno deve ser mantido e estimulado, sendo a base do manejo nos casos leves e moderados.
- A. A internação em UTI sem intervenção retarda a correção da hipoglicemia; a prioridade é a oferta enteral imediata com reavaliação precoce.
- B. O aleitamento materno deve ser mantido e estimulado; não há indicação de suspendê-lo nem de substituí-lo por fórmulas especiais.
- D. A glicose intravenosa em bolus é reservada para hipoglicemia grave, sintomática refratária ou com glicemia muito baixa, não sendo a primeira conduta neste caso com sucção vigorosa preservada.
Recém-nascido com idade gestacional de 38 semanas pelo método de Capurro, peso de nascimento de 4.250 g, comprimento de 52 cm e perímetro cefálico de 36 cm. Ao colocar esses dados na curva de Fenton, o peso encontra-se acima do percentil 90 para a idade gestacional. Qual a classificação e a principal implicação clínica imediata deste recém-nascido?
- AAdequado para a idade gestacional, sem risco metabólico aumentado
- BPós-termo, com risco aumentado de síndrome de aspiração meconial
- CPequeno para a idade gestacional, com risco aumentado de policitemia
- DGrande para a idade gestacional, com risco aumentado de hipoglicemia neonatal
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Recém-nascidos com peso acima do percentil 90 para a idade gestacional na curva de crescimento intrauterino (como a curva de Fenton) são classificados como grandes para a idade gestacional (GIG). Essa condição está frequentemente associada a diabetes materno, mal controlado ou não, resultando em hiperinsulinismo fetal, que predispõe à hipoglicemia neonatal nas primeiras horas de vida por queda abrupta do aporte de glicose materno após o clampeamento do cordão. Além do risco metabólico, o GIG também apresenta maior risco de tocotraumatismo, como distocia de ombro e fratura de clavícula, devendo ser monitorado clinicamente após o parto. A idade gestacional de 38 semanas classifica o recém-nascido como termo, não pós-termo.
- A. O peso acima do percentil 90 não é considerado adequado para a idade gestacional, que corresponde à faixa entre os percentis 10 e 90.
- B. Idade gestacional de 38 semanas corresponde a termo, não pós-termo (que seria igual ou superior a 42 semanas).
- C. Peso acima do percentil 90 corresponde a grande para a idade gestacional, não pequeno; o risco de policitemia é mais associado a PIG, embora também possa ocorrer em GIG, mas a classificação do peso está invertida nesta opção.
Doenças Alérgicas e Dermatológicas
2 questõesMenino de 4 anos é levado à UBS com história de lesões eritematosas, pruriginosas e com liquenificação nas fossas antecubitais e poplíteas há vários meses, com piora intermitente. A mãe relata pele seca constante e história pessoal de rinite alérgica na criança. Ao exame, não há sinais de infecção secundária. Qual a conduta terapêutica tópica de primeira linha para o controle desse quadro?
- AAntibiótico tópico associado a corticoide tópico de alta potência de uso contínuo
- BAntifúngico tópico associado a emolientes de uso esporádico apenas durante as crises
- CEmolientes de uso regular associados a corticoide tópico de baixa a média potência nas crises
- DCorticoide tópico de alta potência em monoterapia de uso contínuo prolongado
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A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele associada a disfunção da barreira cutânea e predisposição atópica, como evidenciado pela história de rinite alérgica. O tratamento de base consiste no uso regular e contínuo de emolientes para restaurar a barreira cutânea e reduzir a frequência das crises, associado ao uso de corticoide tópico de baixa a média potência nas áreas afetadas durante as exacerbações, respeitando o tempo mínimo necessário para evitar efeitos adversos como atrofia cutânea. Áreas de pele fina, como flexuras, exigem corticoides de menor potência. Não há indicação de antibiótico ou antifúngico tópico na ausência de sinais de infecção secundária.
- A. Não há sinais de infecção secundária que justifiquem antibiótico tópico, e corticoide de alta potência em uso contínuo aumenta o risco de atrofia cutânea, especialmente em áreas flexurais.
- B. Não há indicação de antifúngico na ausência de suspeita de infecção fúngica, e o uso de emoliente deve ser regular e contínuo, não apenas esporádico.
- D. O uso contínuo prolongado de corticoide de alta potência em monoterapia aumenta o risco de efeitos adversos locais e sistêmicos, sendo inadequado para manutenção, além de áreas flexurais exigirem potências menores.
Criança de 6 anos é levada à UBS com lesões papulosas e escoriadas em espaços interdigitais das mãos, punhos e região periumbilical, associadas a prurido intenso de piora noturna há 3 semanas. A mãe e um irmão mais novo também apresentam prurido semelhante. Não há lêndeas no couro cabeludo. Qual a conduta terapêutica mais adequada para este caso?
- ACorticoide tópico de alta potência aplicado nas lesões associado a antialérgico oral, sem necessidade de escabicida
- BIvermectina tópica em loção aplicada apenas nas lesões visíveis, sem necessidade de tratar os contactantes
- CPermetrina tópica a 5% aplicada em todo o corpo para a criança e contactantes domiciliares, com repetição em 7 a 14 dias
- DPermetrina tópica a 1% aplicada somente no couro cabeludo da criança, com repetição em 7 dias
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O quadro clínico descrito, com prurido de piora noturna, lesões em espaços interdigitais e região periumbilical, além de sintomas semelhantes em contactantes domiciliares, é típico de escabiose. O tratamento recomendado é a permetrina tópica a 5%, aplicada em todo o corpo (exceto face, em lactentes pode-se incluir couro cabeludo), deixada agir por 8 a 12 horas e repetida em 7 a 14 dias para eliminar formas imaturas que eclodiram após o primeiro tratamento. Todos os contactantes domiciliares devem ser tratados simultaneamente, mesmo assintomáticos, para evitar reinfestação, já que a transmissão ocorre por contato pele a pele prolongado. A permetrina a 1% é formulação usada para pediculose, não para escabiose.
- A. Corticoide e antialérgico tratam apenas o sintoma do prurido, mas não eliminam o ácaro Sarcoptes scabiei, sendo obrigatório o uso de escabicida específico.
- B. A ivermectina tópica não é a formulação padrão para escabiose (a sistêmica oral é opção em casos especiais), e os contactantes domiciliares devem sempre ser tratados para evitar reinfestação.
- D. A permetrina a 1% é a concentração usada para pediculose (couro cabeludo), e não trata adequadamente a escabiose, que requer aplicação em todo o corpo com a concentração de 5%.
Hematologia e Oncologia Pediátrica
3 questõesLactente de 14 meses é levado à UBS para consulta de rotina. A mãe relata que a criança mama no peito e aceita alimentação complementar variada, mas consome pouca carne vermelha. Exame físico sem alterações relevantes. Hemograma: hemoglobina 9,8 g/dL, VCM 68 fL, RDW 16%. Ferritina sérica 8 ng/mL. Qual a conduta terapêutica mais adequada?
- ATransfusão de concentrado de hemácias em regime ambulatorial
- BSuplementação de vitamina B12 intramuscular mensal por 6 meses
- CSulfato ferroso oral, 3 a 5 mg/kg/dia de ferro elementar, por 3 a 4 meses, com reavaliação do hemograma
- DOrientação alimentar isolada, com reavaliação do hemograma em 6 meses sem medicação
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O quadro é compatível com anemia ferropriva, a causa mais comum de anemia na infância, confirmada por anemia microcítica com ferritina baixa. O tratamento de escolha é a reposição oral de ferro elementar na dose de 3 a 5 mg/kg/dia, mantida por 3 a 4 meses após a normalização da hemoglobina para repor os estoques corporais. A resposta terapêutica deve ser monitorada com hemograma de controle em 30 dias, esperando-se aumento de hemoglobina de pelo menos 1 g/dL. Orientação alimentar associada é importante, mas não substitui a reposição medicamentosa quando já há anemia estabelecida.
- A. Transfusão é reservada para anemia grave sintomática ou instabilidade hemodinâmica, não para ferropenia leve a moderada estável.
- B. O quadro é de deficiência de ferro, não de vitamina B12; a reposição de B12 não corrige a microcitose nem a ferropenia.
- D. A orientação alimentar isolada é insuficiente para corrigir a anemia já instalada; é necessária reposição de ferro.
Menino de 4 anos é trazido à UPA com palidez progressiva há 3 semanas, febre intermitente e dor óssea nos membros inferiores que o acorda à noite. Ao exame: temperatura 37,8°C, palidez cutaneomucosa importante, petéquias em membros inferiores, hepatomegalia de 3 cm e linfonodomegalia cervical bilateral indolor. Hemograma mostra hemoglobina 6,5 g/dL, leucócitos 2.300/mm³ com neutropenia e plaquetas 38.000/mm³. Qual a conduta mais apropriada?
- AEncaminhamento imediato a serviço de referência em oncologia pediátrica para investigação diagnóstica
- BSolicitação de sorologia para vírus Epstein-Barr e observação domiciliar
- CAntibioticoterapia oral empírica e retorno em 7 dias se não houver melhora
- DPrescrição de sulfato ferroso oral e reavaliação ambulatorial em 30 dias
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A combinação de pancitopenia (anemia, neutropenia e plaquetopenia), dor óssea noturna, hepatomegalia e linfonodomegalia em criança constitui sinal de alerta clássico para leucemia aguda, a neoplasia maligna mais comum na infância. Esses achados exigem investigação urgente, pois sugerem infiltração medular por células neoplásicas que suprime a hematopoese normal. A criança deve ser encaminhada imediatamente a um serviço especializado para mielograma e demais exames diagnósticos, sem retardo por tentativas terapêuticas empíricas. O retardo no diagnóstico piora o prognóstico e aumenta o risco de complicações como sangramento e infecção grave.
- B. A observação domiciliar é inadequada diante de pancitopenia e sinais de alerta oncológico, que exigem investigação hospitalar urgente.
- C. O quadro não é compatível com infecção bacteriana simples e a antibioticoterapia empírica sem investigação retardaria o diagnóstico de uma condição grave.
- D. A anemia faz parte de pancitopenia por provável infiltração medular, não consistente com simples ferropenia; tratar como ferropriva retardaria o diagnóstico oncológico.
Menino de 6 anos, com diagnóstico prévio de doença falciforme, é levado à UPA com dor intensa em membros inferiores e região lombar há 6 horas, de início súbito, sem trauma. Está em choro constante, recusando-se a andar. Sinais vitais: temperatura 37,2°C, frequência cardíaca 118 bpm, frequência respiratória 24 irpm, saturação de oxigênio 97%. Exame físico sem sinais de infecção localizada ou sinais neurológicos focais. Qual a conduta inicial mais adequada?
- AExsanguineotransfusão parcial de urgência antes de qualquer outra medida
- BAnalgesia sistêmica em escala conforme intensidade da dor, associada a hidratação venosa
- CAntibioticoterapia intravenosa de amplo espectro associada a repouso absoluto
- DTransfusão de concentrado de hemácias imediata, independente do nível de hemoglobina
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O quadro descrito é típico de crise vaso-oclusiva (crise álgica), a complicação mais frequente da doença falciforme, causada pela obstrução microvascular por hemácias falcizadas. O manejo inicial consiste em analgesia precoce e adequada, geralmente com escalonamento de analgésicos conforme a intensidade da dor (podendo incluir opioides em dor intensa), associada a hidratação venosa para reduzir a viscosidade sanguínea. A dor deve ser tratada rapidamente, pois o atraso na analgesia é uma das principais falhas assistenciais nessa condição. Antibioticoterapia e transfusão são reservadas para situações específicas, como suspeita de infecção ou anemia grave sintomática, respectivamente, não sendo a conduta inicial nesse caso sem tais achados.
- A. A exsanguineotransfusão é reservada para complicações graves como síndrome torácica aguda grave ou acidente vascular cerebral, não para crise álgica simples.
- C. Não há evidência de foco infeccioso no caso descrito; antibioticoterapia empírica não é a conduta inicial na crise álgica não complicada.
- D. A transfusão não é indicada de rotina na crise vaso-oclusiva simples sem queda significativa da hemoglobina basal ou instabilidade clínica.
Violência e Proteção à Criança
2 questõesMenina de 7 anos é levada à UBS pela avó por apresentar comportamento regressivo, enurese noturna recente e relato espontâneo de que o "tio dorme na cama com ela e faz coisas que doem". Ao exame físico, observam-se equimoses em região de coxas e eritema em região perianal. A criança está acompanhada apenas pela avó, pois os pais trabalham. Qual a conduta mais adequada do médico nesse momento?
- AOrientar a avó a buscar diretamente a delegacia especializada, sem notificação pelo serviço de saúde
- BAguardar confirmação por exame pericial do Instituto Médico Legal antes de qualquer notificação
- CSolicitar autorização dos pais antes de notificar, para preservar o sigilo familiar
- DNotificar imediatamente o Conselho Tutelar e preencher a ficha de notificação compulsória, independente da confirmação dos pais
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A suspeita de violência sexual contra criança constitui notificação compulsória obrigatória ao Conselho Tutelar, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Portaria de Notificação Compulsória do Ministério da Saúde, independentemente de confirmação diagnóstica ou consentimento dos responsáveis. O médico tem o dever legal de notificar diante de suspeita fundamentada, não sendo necessário aguardar exame pericial ou autorização familiar, já que o objetivo é a proteção imediata da criança. A notificação não configura quebra de sigilo médico, pois está prevista em lei como exceção ao sigilo quando há risco à vida ou à integridade de terceiros vulneráveis. O Conselho Tutelar, juntamente com a rede de proteção, é responsável por adotar as medidas protetivas cabíveis.
- A. A notificação ao Conselho Tutelar é dever do profissional de saúde e não pode ser transferida unicamente à família.
- B. A notificação deve ser feita diante de suspeita, sem necessidade de aguardar confirmação pericial, para não retardar a proteção da criança.
- C. A notificação compulsória não depende de autorização dos responsáveis, especialmente quando um deles pode ser o agressor ou estar negligente.
Menina de 9 anos é atendida na UPA 5 horas após relato de abuso sexual com penetração vaginal por padrastro, confirmado por história detalhada e exame físico com lesão himenal recente. Já foi realizada notificação compulsória e coleta de vestígios pela equipe. Qual a próxima conduta mais apropriada em relação à profilaxia?
- AIniciar profilaxia para hepatite B apenas se a criança não tiver esquema vacinal completo, sem necessidade de profilaxia para HIV
- BAguardar resultado de sorologias do agressor antes de iniciar qualquer profilaxia medicamentosa
- CIniciar apenas contracepção de emergência, postergando profilaxias infecciosas para reavaliação em 72 horas
- DIniciar profilaxia pós-exposição para HIV com antirretrovirais e profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis não virais
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Nos casos de violência sexual com penetração e atendimento em até 72 horas, o protocolo do Ministério da Saúde recomenda a profilaxia pós-exposição ao HIV com antirretrovirais, idealmente iniciada o mais precocemente possível, além da profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis não virais (como sífilis, gonorreia e clamídia) com antibioticoterapia apropriada para idade e peso. A contracepção de emergência também deve ser considerada em meninas pós-menarca, mas não substitui as profilaxias infecciosas. Não se deve aguardar sorologia do agressor, pois isso retardaria profilaxias que são mais eficazes quanto mais precocemente iniciadas.
- A. A profilaxia para HIV é indicada em casos de violência sexual com penetração dentro da janela de até 72 horas, independentemente do estado vacinal para hepatite B.
- B. Aguardar sorologias do agressor atrasa profilaxias essenciais e não é necessário para iniciar o protocolo, que deve ser baseado no risco da exposição.
- C. A profilaxia para IST não virais deve ser iniciada já na primeira consulta, não postergada, assim como a avaliação para profilaxia antirretroviral.
Doenças Reumatológicas e Outras Condições Crônicas
3 questõesCriança de 2 anos é levada à emergência com febre de 39,5°C há 6 dias, sem melhora com antitérmicos. Ao exame, apresenta hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, fissuras labiais com língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema endurado em mãos e pés, e linfonodo cervical único de 1,8 cm. Qual o diagnóstico mais provável?
- AEscarlatina
- BDoença de Kawasaki
- CSíndrome de Stevens-Johnson
- DSarampo
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O quadro apresenta febre com duração igual ou superior a 5 dias associada a pelo menos quatro dos cinco critérios clínicos principais da doença de Kawasaki: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações em lábios e cavidade oral (fissuras labiais e língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações em extremidades (edema endurado) e linfadenopatia cervical. A doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica de médios vasos, mais comum em menores de 5 anos, com risco de aneurismas coronarianos se não tratada precocemente com imunoglobulina intravenosa e ácido acetilsalicílico. O diagnóstico é clínico, não havendo exame laboratorial específico confirmatório.
- A. A escarlatina cursa com exantema áspero e sinal de Filatov, geralmente sem conjuntivite bilateral ou edema de extremidades, e está associada a infecção estreptocócica confirmável por teste rápido ou cultura.
- C. A síndrome de Stevens-Johnson apresenta lesões mucocutâneas bolhosas e descolamento epidérmico, tipicamente relacionada a exposição medicamentosa recente, não ao conjunto de achados descritos.
- D. O sarampo cursa com exantema morbiliforme de progressão céfalo-caudal e manchas de Koplik, em contexto epidemiológico de não vacinação, sem o edema de extremidades típico.
Menino de 5 anos é levado à UBS com lesões purpúricas palpáveis em membros inferiores e nádegas, há 3 dias, associadas a dor abdominal em cólica intermitente e edema doloroso em ambos os tornozelos. Não há febre. Refere episódio de infecção de via aérea superior há 2 semanas. Exame de urina mostra hematúria microscópica, sem proteinúria significativa. Contagem de plaquetas e coagulograma são normais. Qual o diagnóstico mais provável?
- ALúpus eritematoso sistêmico juvenil
- BPúrpura de Henoch-Schönlein
- CMeningococcemia
- DPúrpura trombocitopênica idiopática
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O quadro de púrpura palpável em áreas de extensão (membros inferiores e nádegas), associada a artrite ou artralgia, dor abdominal e envolvimento renal (hematúria), com plaquetas e coagulograma normais, é característico da púrpura de Henoch-Schönlein, a vasculite por IgA mais comum na infância. Frequentemente precedida por infecção de vias aéreas superiores, essa vasculite afeta pequenos vasos e pode cursar com nefrite associada, que deve ser monitorada pelo risco de evolução para doença renal crônica. O diagnóstico é predominantemente clínico, sendo a contagem normal de plaquetas um dado importante para diferenciar de púrpuras trombocitopênicas.
- A. O lúpus eritematoso sistêmico juvenil tipicamente cursa com outros achados sistêmicos como fotossensibilidade e múltiplas citopenias, sendo menos comum nessa faixa etária com esse padrão de apresentação.
- C. A meningococcemia cursa com quadro séptico agudo, febre alta e deterioração clínica rápida, incompatível com o quadro afebril e subagudo descrito.
- D. Na púrpura trombocitopênica idiopática, a plaquetopenia é a marca característica, e não há dor abdominal, artrite ou acometimento renal típicos como neste caso.
Menino de 9 anos é levado à UPA por poliúria, polidipsia e perda de peso há 3 semanas, associadas a vômitos e dor abdominal nas últimas 12 horas. Ao exame: letárgico, frequência respiratória de 32 irpm com respiração profunda, frequência cardíaca de 128 bpm, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, hálito cetônico. Glicemia capilar: 480 mg/dL. Gasometria venosa: pH 7,12; bicarbonato 9 mEq/L. Cetonúria 3+. Qual é a conduta inicial mais adequada?
- AIniciar insulina regular subcutânea na dose de 0,5 UI/kg a cada 6 horas
- BExpandir volemia com solução salina isotônica 10 mL/kg em 1 hora, seguida de reposição hídrica e eletrolítica gradual, com insulinoterapia contínua iniciada após a primeira hora
- CIniciar insulina regular intravenosa em bólus de 0,1 UI/kg imediatamente, seguida de infusão contínua
- DAdministrar bicarbonato de sódio intravenoso para correção rápida da acidose metabólica
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A criança apresenta cetoacidose diabética grave (pH < 7,2, bicarbonato < 10 mEq/L) com sinais de desidratação e comprometimento hemodinâmico leve. O manejo inicial segue o protocolo da Sociedade Brasileira de Pediatria e da ISPAD: expansão volêmica cuidadosa com solução isotônica (10-20 mL/kg na primeira hora), evitando correção rápida da osmolaridade pelo risco de edema cerebral, seguida de reposição hídrica e eletrolítica ao longo de 24-48 horas. A insulinoterapia contínua intravenosa (0,05-0,1 UI/kg/hora) é iniciada somente após a primeira hora de expansão volêmica, nunca em bólus, pois este aumenta o risco de queda abrupta da osmolaridade e edema cerebral.
- A. A via subcutânea não é adequada na fase aguda da CAD devido à absorção errática na vigência de desidratação e má perfusão periférica; a via correta é a intravenosa contínua.
- C. O bólus de insulina intravenosa é contraindicado na CAD pediátrica pelo risco aumentado de edema cerebral por queda rápida da osmolaridade.
- D. O bicarbonato de sódio não é recomendado de rotina na CAD, pois pode agravar a hipocalemia e aumentar o risco de edema cerebral, sendo reservado para acidose extrema com instabilidade hemodinâmica refratária.
Perguntas frequentes
Estas são questões reais do Revalida?
Não. São questões originais escritas no estilo do Revalida, de acordo com a matriz da prova. Um segundo modelo independente resolveu cada questão sem ver o gabarito, e as que tinham gabarito discutível foram removidas.
Como usar estas questões de pediatria?
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As questões são gratuitas?
Sim. Todas as questões, respostas e comentários desta página são gratuitos e não exigem cadastro.
Mais temas do Revalida
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