Asma
5 questõesMulher de 34 anos procura a UBS por episódios recorrentes de tosse seca, aperto no peito e sibilância, principalmente à noite e ao contato com poeira, há 8 meses, com melhora espontânea entre as crises. Exame físico no momento da consulta é normal. É solicitada espirometria: VEF1 = 68% do previsto, relação VEF1/CVF = 0,65. Após administração de broncodilatador de curta duração, repete-se o exame: VEF1 sobe para 84% do previsto, com aumento absoluto de 320 mL em relação ao basal. Qual é o diagnóstico mais provável?
- ABronquiectasia
- BDisfunção de cordas vocais
- CAsma
- DDoença pulmonar obstrutiva crônica
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O quadro clínico de sintomas variáveis (tosse, sibilância, aperto torácico) com padrão intermitente e gatilhos alérgenos, associado a distúrbio ventilatório obstrutivo (VEF1/CVF reduzido) com resposta significativa ao broncodilatador (aumento de VEF1 ≥ 200 mL e ≥ 12% em relação ao basal), confirma o diagnóstico de asma. A reversibilidade da obstrução é o critério funcional-chave que distingue a asma de outras doenças obstrutivas crônicas. O PCDT de Asma do Ministério da Saúde recomenda a espirometria com prova broncodilatadora como exame confirmatório de escolha quando a clínica é sugestiva.
- A. A bronquiectasia caracteriza-se por tosse crônica produtiva com expectoração purulenta recorrente, não pelo padrão intermitente descrito.
- B. A disfunção de cordas vocais não causa alteração espirométrica com resposta broncodilatadora positiva como a observada.
- D. A DPOC tipicamente ocorre em pacientes com histórico de tabagismo ou exposição ocupacional prolongada e cursa com obstrução pouco reversível ao broncodilatador.
Mulher de 22 anos, asmática, comparece à UBS para reavaliação. Relata sintomas diurnos 2 vezes por semana, sem despertares noturnos, sem uso de medicação de manutenção atualmente, apenas salbutamol de resgate ocasional. Não há histórico de exacerbações graves. Exame físico sem alterações. De acordo com o PCDT de Asma do Ministério da Saúde, qual é a conduta terapêutica inicial mais adequada?
- ACorticoide inalatório em dose alta associado a broncodilatador de longa duração
- BBroncodilatador de longa duração isolado, sem corticoide inalatório
- CCorticoide oral em ciclo curto associado a broncodilatador de curta duração
- DCorticoide inalatório em dose baixa associado a broncodilatador de resgate quando necessário
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Pacientes com sintomas leves e infrequentes (como neste caso, compatível com asma persistente leve) devem iniciar tratamento de manutenção com corticoide inalatório em dose baixa, que é a terapia de escolha para controle da inflamação das vias aéreas mesmo em quadros leves. O uso isolado de broncodilatador de resgate sem corticoide inalatório não é mais recomendado pelo GINA e pelo PCDT, pois não trata a inflamação subjacente e associa-se a maior risco de exacerbações. A dose deve ser titulada conforme resposta clínica, podendo ser ajustada em etapas posteriores.
- A. Doses altas de corticoide inalatório são reservadas para etapas mais avançadas de tratamento, em pacientes não controlados com doses baixas ou moderadas.
- B. O uso de broncodilatador de longa duração sem corticoide inalatório associado não é indicado em asma, pelo risco de mascarar a inflamação e aumentar eventos adversos.
- C. O corticoide oral é reservado para exacerbações agudas moderadas a graves, não sendo indicado como tratamento de manutenção inicial.
Homem de 30 anos, asmático, é levado à UPA com dispneia intensa de início há 2 horas. Ao exame: frequência respiratória de 32 irpm, frequência cardíaca de 128 bpm, saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente, uso de musculatura acessória, fala frases incompletas e sibilos difusos à auscupta pulmonar. Já recebeu oxigênio suplementar por cateter nasal e uma dose de salbutamol inalatório nos primeiros 20 minutos, com melhora discreta. Qual é a próxima conduta mais adequada?
- ASolicitar radiografia de tórax antes de qualquer nova medicação
- BAumentar apenas a frequência das inalações de salbutamol isolado
- CIniciar sulfato de magnésio intravenoso isoladamente, sem corticoide
- DAssociar ipratrópio inalatório ao salbutamol e iniciar corticoide sistêmico
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Na crise asmática grave (FR > 30 irpm, FC > 120 bpm, SpO2 < 92%, fala entrecortada), a conduta padronizada pelo Ministério da Saúde e pelo GINA inclui oxigenoterapia, broncodilatador de curta duração associado a anticolinérgico inalatório (ipratrópio) e corticoide sistêmico precoce, pois a resposta ao SABA isolado foi insuficiente. O corticoide sistêmico reduz a inflamação das vias aéreas e previne recidiva precoce, sendo indicado em todas as crises moderadas a graves. A associação de ipratrópio ao salbutamol potencializa a broncodilatação em quadros graves.
- A. A radiografia de tórax não deve retardar o início do tratamento broncodilatador e corticoide em paciente com sinais de gravidade; é reservada para suspeita de complicações como pneumotórax.
- B. A resposta já foi insuficiente com salbutamol isolado; aumentar apenas a frequência sem associar outras medidas não trata adequadamente a gravidade do quadro.
- C. O sulfato de magnésio pode ser considerado em crises refratárias, mas nunca substitui o corticoide sistêmico, que é mandatório nesse cenário.
Mulher de 26 anos, asmática grave, é atendida na UPA em crise. Apesar de tratamento intensivo com oxigênio, broncodilatadores inalatórios repetidos, corticoide sistêmico e sulfato de magnésio intravenoso, evolui em 40 minutos com rebaixamento do nível de consciência, respiração paradoxal, tórax silencioso à auscupta e gasometria arterial mostrando PaCO2 de 58 mmHg e pH de 7,22. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
- AAumentar a dose de corticoide sistêmico e aguardar resposta em 2 horas
- BVentilação não invasiva com pressão positiva em dois níveis
- CRepetir nova dose de sulfato de magnésio intravenoso e reavaliar em 1 hora
- DIntubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva
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Sinais de asma quase fatal incluem rebaixamento do nível de consciência, tórax silencioso (ausência de sibilos por fluxo aéreo criticamente reduzido), respiração paradoxal e acidose respiratória com hipercapnia progressiva (PaCO2 elevado e pH baixo), indicando falência respiratória iminente. Nessa situação, a ventilação não invasiva é contraindicada pelo risco de piora e vômitos em paciente com rebaixamento de consciência, sendo mandatória a intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva imediata. O retardo da via aérea definitiva nesse cenário associa-se a alto risco de parada cardiorrespiratória.
- A. Aumentar corticoide e aguardar não trata a hipoventilação aguda com acidose respiratória grave já instalada, que exige suporte ventilatório imediato.
- B. A ventilação não invasiva é contraindicada em pacientes com rebaixamento do nível de consciência e falência respiratória iminente, pelo risco de aspiração e falha terapêutica.
- C. Repetir medicação e aguardar observação prolongada retarda uma intervenção definitiva necessária diante de sinais de falência respiratória iminente.
Homem de 45 anos, asmático em uso de corticoide inalatório com formoterol em dose adequada há 6 meses, retorna à UBS com piora dos sintomas: despertares noturnos 2 vezes por semana e uso frequente de resgate. Nega esquecimento de doses e confirma uso diário da medicação. Durante a consulta, é solicitado que demonstre a técnica de uso do dispositivo: ele aperta o inalador e inspira rapidamente e de forma curta pela boca, sem apneia após a inalação. Qual é a causa mais provável do mau controle da asma neste paciente?
- AResistência farmacológica ao corticoide inalatório
- BProgressão natural da doença para fenótipo mais grave
- CTécnica inalatória inadequada, com inspiração rápida e ausência de apneia pós-inalação
- DInteração medicamentosa entre corticoide inalatório e broncodilatador de longa duração
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Mesmo com boa adesão (uso diário confirmado), a eficácia do tratamento inalatório depende da técnica correta: inspiração lenta e profunda seguida de apneia de 5 a 10 segundos para permitir a deposição do fármaco nas vias aéreas inferiores. A inspiração rápida e curta, sem apneia, reduz a deposição pulmonar e aumenta o depósito orofaríngeo, levando a controle inadequado mesmo com dose e frequência corretas. A revisão da técnica inalatória, incluindo uso de espaçador quando indicado, é passo essencial antes de qualquer escalonamento terapêutico.
- A. Resistência farmacológica ao corticoide inalatório é um fenômeno raro e não é a explicação mais provável diante de um erro técnico evidente observado na consulta.
- B. A progressão natural para fenótipo mais grave não deve ser assumida antes de excluir e corrigir causas reversíveis, como a técnica inalatória inadequada.
- D. Não há interação farmacológica relevante entre corticoide inalatório e formoterol que explique o mau controle; essa associação é, na verdade, a terapia padrão combinada.
DPOC
6 questõesHomem de 62 anos, tabagista de 40 anos-maço, procura a UBS por tosse produtiva crônica e dispneia progressiva aos esforços há 3 anos. Exame físico com murmúrio vesicular diminuído difusamente e tempo expiratório prolongado. Qual exame complementar é o mais indicado para confirmar o diagnóstico suspeitado?
- ATeste de caminhada de seis minutos
- BEspirometria com relação VEF1/CVF pós-broncodilatador
- CTomografia de tórax de alta resolução
- DRadiografia de tórax em PA e perfil
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O diagnóstico de DPOC é confirmado por espirometria demonstrando relação VEF1/CVF menor que 0,70 após o uso de broncodilatador, documentando obstrução ao fluxo aéreo persistente, conforme critério das diretrizes GOLD e do PCDT de DPOC do Ministério da Saúde. A espirometria é o exame padrão para diagnóstico funcional e também permite classificar a gravidade da limitação ao fluxo aéreo. Outros exames, como tomografia e radiografia, auxiliam na avaliação de complicações ou diagnósticos diferenciais, mas não confirmam o diagnóstico funcional de DPOC.
- A. O teste de caminhada de seis minutos avalia capacidade funcional e tolerância ao exercício, sendo útil no acompanhamento, mas não confirma o diagnóstico.
- C. A tomografia de tórax é útil para avaliar enfisema, bronquiectasias ou neoplasias associadas, mas não é o exame que define o diagnóstico funcional de DPOC.
- D. A radiografia de tórax pode mostrar sinais indiretos como hiperinsuflação, mas não confirma obstrução ao fluxo aéreo, que exige espirometria.
Homem de 64 anos, ex-tabagista (40 anos-maço), é atendido na UBS com queixa de dispneia progressiva aos esforços há 2 anos e tosse produtiva matinal. Espirometria confirma relação VEF1/CVF pós-broncodilatador de 0,65, com VEF1 de 58% do previsto. Ele apresenta 1 exacerbação leve no último ano, sem internações, e escore mMRC igual a 2. Qual é a conduta farmacológica mais adequada para o tratamento de manutenção neste momento?
- ABroncodilatador de curta duração (SABA) de uso contínuo a cada 6 horas
- BCorticoide inalatório isolado em dose alta
- CTeofilina oral associada a corticoide sistêmico em baixa dose
- DAssociação de broncodilatador de longa duração anticolinérgico (LAMA) com beta-2 agonista de longa duração (LABA)
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Segundo a estratégia GOLD e os protocolos do Ministério da Saúde, pacientes com DPOC sintomáticos (mMRC ≥ 2) e baixo risco de exacerbações (grupo B/E conforme classificação atual) devem iniciar tratamento de manutenção com broncodilatador de longa duração. A combinação LAMA/LABA é superior à monoterapia para controle de sintomas e melhora da função pulmonar, reduzindo hiperinsuflação dinâmica. O corticoide inalatório fica reservado para pacientes com exacerbações frequentes ou eosinofilia elevada, não sendo primeira linha isolada. A base do tratamento farmacológico de manutenção da DPOC é o broncodilatador de longa ação, não o de curta duração.
- A. Broncodilatadores de curta duração servem para alívio de sintomas agudos, não como terapia de manutenção regular.
- B. Corticoide inalatório isolado não é indicado como monoterapia na DPOC e não substitui o broncodilatador de longa ação.
- C. Teofilina tem papel limitado pela toxicidade e não é terapia de primeira linha; corticoide sistêmico contínuo não é recomendado na manutenção.
Mulher de 70 anos com DPOC grave, em acompanhamento ambulatorial, encontra-se clinicamente estável, sem exacerbação nas últimas 8 semanas. Gasometria arterial em repouso, em ar ambiente, mostra PaO2 de 54 mmHg e PaCO2 de 48 mmHg. Ela nega edema de membros inferiores e o ecocardiograma é normal. Qual conduta está indicada?
- APrescrever oxigênio suplementar apenas durante exercício físico e sono
- BPrescrever oxigenoterapia domiciliar prolongada, com uso mínimo de 15 horas por dia
- CNão prescrever oxigenoterapia, pois a PaO2 está acima do limiar estabelecido
- DPrescrever oxigenoterapia apenas se houver episódio de exacerbação futura
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A oxigenoterapia domiciliar prolongada (ODP) está indicada em pacientes com DPOC estável que apresentam PaO2 ≤ 55 mmHg (ou SpO2 ≤ 88%) em repouso, em ar ambiente, confirmada em duas medidas com intervalo de pelo menos 3 semanas. Também é indicada quando PaO2 está entre 56-59 mmHg na presença de cor pulmonale, poliglobulia (hematócrito > 55%) ou evidência de hipertensão pulmonar. O uso deve ser de no mínimo 15 horas por dia, incluindo o período de sono, pois demonstrou redução de mortalidade em estudos clássicos (NOTT e MRC). Esta paciente preenche o critério isolado de PaO2 ≤ 55 mmHg, independentemente de haver cor pulmonale.
- A. Oxigênio apenas intermitente (exercício e sono) não é a indicação correta quando a PaO2 de repouso já está ≤ 55 mmHg; recomenda-se uso contínuo mínimo de 15 horas/dia.
- C. A paciente preenche o critério isolado de PaO2 ≤ 55 mmHg, que por si só já indica a oxigenoterapia domiciliar.
- D. A indicação se baseia na gasometria em estado estável, não na ocorrência de exacerbações futuras.
Homem de 68 anos, portador de DPOC, chega à UPA com piora da dispneia há 2 dias, aumento do volume do escarro e mudança da coloração para amarelo-purulento. Ao exame: frequência respiratória de 26 irpm, SpO2 de 89% em ar ambiente, uso de musculatura acessória, sibilos difusos à auscultação, sem rebaixamento do nível de consciência. Após oxigenoterapia para manter SpO2 entre 88-92%, qual é a conduta medicamentosa mais apropriada?
- ABroncodilatador inalatório de curta ação, corticoide sistêmico e antibiótico
- BApenas antibiótico de amplo espectro, sem broncodilatador ou corticoide
- CApenas corticoide sistêmico em pulsoterapia, sem antibiótico
- DBroncodilatador de longa ação inalatório associado a antitussígeno
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A exacerbação de DPOC com os três critérios de Anthonisen (aumento da dispneia, do volume do escarro e da purulência) indica antibioticoterapia, além de broncodilatador de curta ação (beta-2 agonista, associado ou não a anticolinérgico de curta ação) e corticoide sistêmico (prednisona ou equivalente, geralmente por 5 dias). O broncodilatador de curta ação por via inalatória é preferido na crise por seu início de ação rápido. O corticoide sistêmico reduz o tempo de recuperação e o risco de recaída. A combinação dos três pilares terapêuticos é o manejo padrão da exacerbação moderada a grave.
- B. Antibiótico isolado não trata a broncoconstrição aguda nem a inflamação das vias aéreas, não sendo monoterapia suficiente na crise.
- C. Corticoide isolado não trata a provável etiologia infecciosa sinalizada pela purulência do escarro, critério de Anthonisen para antibioticoterapia.
- D. Broncodilatador de longa ação não tem papel na crise aguda pelo início de ação mais lento, e antitussígenos não fazem parte do tratamento padrão.
Paciente de 58 anos, tabagista atual (1 maço/dia há 30 anos), é diagnosticado com DPOC moderada em consulta na UBS. Ele pergunta quais medidas, além da medicação broncodilatadora, podem reduzir sua mortalidade e o risco de exacerbações a longo prazo. Qual é a orientação mais importante a ser reforçada pelo médico?
- ARestrição total de atividade física para poupar a função pulmonar residual
- BCessação do tabagismo e atualização do calendário vacinal, incluindo influenza anual e pneumocócica
- CSuplementação rotineira de oxigênio domiciliar independente da gasometria
- DUso contínuo de antibiótico profilático mensal para reduzir exacerbações infecciosas
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A cessação do tabagismo é a intervenção isolada mais eficaz para reduzir a progressão da perda de função pulmonar e a mortalidade em pacientes com DPOC, devendo ser abordada em toda consulta com apoio medicamentoso (bupropiona, terapia de reposição de nicotina) quando indicado. A vacinação contra influenza reduz exacerbações e hospitalizações, sendo recomendada anualmente, e a vacina pneumocócica (conforme calendário do PNI) reduz o risco de pneumonia invasiva e suas complicações. Essas duas medidas são pilares de prevenção primária e secundária reconhecidos pelas diretrizes da GOLD e do Ministério da Saúde. Antibiótico profilático rotineiro não é recomendado pela resistência bacteriana e efeitos adversos.
- A. A atividade física regular, e não a restrição total, é recomendada para manter a capacidade funcional e deve ser incentivada com programas de reabilitação pulmonar.
- C. A oxigenoterapia domiciliar depende de critérios gasométricos específicos (hipoxemia documentada) e não deve ser prescrita de forma indiscriminada.
- D. Antibiótico profilático contínuo não é recomendado como medida de rotina pelo risco de resistência bacteriana e não substitui a cessação do tabagismo.
Mulher de 45 anos é avaliada na UBS por tosse seca e dispneia intermitente desde a infância, com piora noturna e em contato com poeira doméstica, além de episódios de sibilância que melhoram espontaneamente entre as crises. Nunca fumou. Espirometria mostra VEF1/CVF de 68% antes do broncodilatador, com aumento do VEF1 de 15% e 220 mL após broncodilatador. Qual é o diagnóstico mais provável?
- AFibrose pulmonar idiopática
- BBronquiectasias
- CAsma bronquial
- DDoença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
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A asma caracteriza-se por sintomas intermitentes desde a infância, variabilidade com gatilhos (alérgenos, exercício, período noturno) e reversibilidade significativa ao broncodilatador (aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL), achados presentes neste caso. A DPOC, em contraste, tipicamente ocorre em tabagistas ou expostos à fumaça de lenha, com sintomas progressivos e persistentes, e a obstrução é predominantemente fixa, com reversibilidade parcial ou ausente. A ausência de história de tabagismo e a presença de atopia e reversibilidade completa favorecem fortemente o diagnóstico de asma sobre DPOC. Bronquiectasias e fibrose pulmonar apresentam padrões clínicos e espirométricos distintos (obstrutivo com broncorreia purulenta ou restritivo, respectivamente), não compatíveis com o quadro descrito.
- A. Fibrose pulmonar idiopática apresenta padrão restritivo na espirometria, não obstrutivo com reversibilidade significativa.
- B. Bronquiectasias cursam com tosse produtiva crônica e infecções respiratórias recorrentes, não com o padrão intermitente e reversível descrito.
- D. A DPOC classicamente ocorre em pacientes com história de tabagismo ou exposição à fumaça de biomassa, ausente neste caso, e cursa com obstrução pouco reversível.
Pneumonias
3 questõesMulher de 35 anos, previamente saudável, sem comorbidades, procura a UBS com febre de 38,5°C, tosse produtiva e dor torácica ventilatório-dependente há 2 dias. Exame físico: frequência respiratória de 18 irpm, pressão arterial de 118x76 mmHg, saturação de 97% em ar ambiente, sem confusão mental. Auscultação pulmonar revela crepitações em base pulmonar esquerda. Radiografia confirma consolidação lobar. Qual é a antibioticoterapia empírica mais apropriada para tratamento ambulatorial?
- AVancomicina por via intravenosa
- BClindamicina por via oral
- CCiprofloxacino por via oral
- DAmoxicilina por via oral
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Para pacientes previamente sadios, sem comorbidades e com pneumonia adquirida na comunidade de baixo risco (CURB-65 0-1), a diretriz brasileira de PAC recomenda amoxicilina como primeira escolha no tratamento ambulatorial, cobrindo o principal agente etiológico, o Streptococcus pneumoniae. Macrolídeos (azitromicina ou claritromicina) são alternativas em casos de suspeita de patógenos atípicos ou alergia a betalactâmicos. Fluoroquinolonas respiratórias são reservadas para pacientes com comorbidades ou falha terapêutica, não sendo primeira linha em pacientes jovens e sem fatores de risco, pelo maior espectro desnecessário e efeitos adversos. Vancomicina e clindamicina não são indicadas empiricamente no tratamento ambulatorial da PAC não complicada.
- A. Vancomicina é reservada para suspeita de infecção por Staphylococcus aureus resistente à meticilina ou uso hospitalar, via intravenosa, sem indicação ambulatorial de rotina.
- B. Clindamicina não cobre adequadamente o Streptococcus pneumoniae como agente empírico de primeira linha na PAC ambulatorial.
- C. Fluoroquinolonas respiratórias são reservadas para pacientes com comorbidades ou falha de tratamento, não sendo primeira escolha em pacientes jovens sem fatores de risco.
Homem de 55 anos é internado em enfermaria com diagnóstico de PAC, CURB-65 igual a 2, sem necessidade de suporte ventilatório ou vasopressor. Em outro cenário, uma mulher de 60 anos com PAC é admitida em UTI por choque séptico e necessidade de ventilação mecânica invasiva. Qual esquema antibiótico empírico é apropriado, respectivamente, para a internação em enfermaria e para a internação em UTI?
- AEnfermaria: aminoglicosídeo isolado; UTI: betalactâmico isolado
- BEnfermaria e UTI: amoxicilina oral isolada em ambos os cenários
- CEnfermaria: fluoroquinolona respiratória em monoterapia; UTI: macrolídeo em monoterapia
- DEnfermaria: betalactâmico associado a macrolídeo; UTI: betalactâmico de amplo espectro associado a macrolídeo ou fluoroquinolona respiratória
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Para pacientes internados em enfermaria, a diretriz recomenda betalactâmico intravenoso (como ampicilina-sulbactam ou ceftriaxona) associado a macrolídeo (azitromicina), cobrindo pneumococo e patógenos atípicos. Para pacientes internados em UTI, especialmente com choque séptico, recomenda-se betalactâmico de amplo espectro antipneumocócico (ceftriaxona ou cefotaxima) associado a macrolídeo ou, alternativamente, a uma fluoroquinolona respiratória (levofloxacino ou moxifloxacino), ampliando a cobertura para maior gravidade e possível infecção por patógenos atípicos graves como Legionella. A escolha de dupla cobertura em ambos os cenários reduz a mortalidade em comparação à monoterapia, especialmente nos casos graves.
- A. Aminoglicosídeo isolado não cobre adequadamente Streptococcus pneumoniae, e betalactâmico isolado em UTI carece da cobertura para patógenos atípicos.
- B. Amoxicilina oral não é apropriada para pacientes internados, que necessitam de antibioticoterapia intravenosa e cobertura ampliada conforme a gravidade.
- C. Monoterapia com fluoroquinolona ou macrolídeo isolados não oferece cobertura adequada para a gravidade dos quadros descritos, especialmente no paciente em UTI.
Paciente de 19 anos, universitário, procura a UBS com tosse seca persistente há 8 dias, associada a febre baixa (37,8°C), cefaleia e mal-estar. Nega comorbidades. Ao exame: bom estado geral, FR 18 irpm, SpO2 97% em ar ambiente, auscultapulmonar com estertores crepitantes discretos em base esquerda, sem sinais de consolidação franca. Radiografia de tórax mostra infiltrado intersticial reticular bilateral, mais evidente em lobo inferior esquerdo, com discordância entre o achado radiológico extenso e o bom estado geral do paciente. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica adequada?
- APneumonia por Mycoplasma pneumoniae; tratar com azitromicina
- BTuberculose pulmonar; iniciar esquema RHZE
- CPneumonia por Pseudomonas aeruginosa; tratar com cefepima
- DPneumonia pneumocócica; tratar com amoxicilina
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O quadro de tosse seca arrastada, sintomas constitucionais leves, bom estado geral e dissociação clínico-radiológica (infiltrado intersticial extenso com paciente pouco grave) em adulto jovem é clássico de pneumonia atípica por Mycoplasma pneumoniae, frequente em ambientes fechados como universidades e quartéis. Por não possuir parede celular, o Mycoplasma é resistente a betalactâmicos, sendo o tratamento de escolha com macrolídeos (azitromicina) ou, alternativamente, doxiciclina. A gravidade costuma ser leve a moderada, permitindo tratamento ambulatorial na maioria dos casos.
- B. A tuberculose cursa com sintomas mais arrastados (semanas), febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso, e não seria a hipótese inicial mais provável diante desse quadro agudo.
- C. Pseudomonas é causa de pneumonia em pacientes com fatores de risco específicos (bronquiectasias, uso de corticoide crônico, internação prolongada), não em jovem previamente sadio.
- D. A pneumonia pneumocócica tipicamente cursa com início agudo, febre alta, tosse produtiva e consolidação lobar bem definida, diferente do quadro insidioso e intersticial descrito.
Doenças pleurais
1 questõesHomem de 32 anos é trazido à UPA após colisão de motocicleta, com trauma torácico à esquerda. Apresenta dispneia intensa, agitação e dor torácica. Exame físico: PA 82/50 mmHg, FC 128 bpm, FR 34 irpm, SpO2 84% em ar ambiente. Observa-se turgência jugular, desvio da traqueia para a direita, murmúrio vesicular abolido no hemitórax esquerdo com timpanismo à percussão, e enfisema subcutâneo na região. Qual é a próxima conduta mais adequada?
- ARealizar punção de alívio com agulha no 2º espaço intercostal, linha hemiclavicular esquerda
- BRealizar drenagem torácica em selo d'água no 5º espaço intercostal, linha axilar média
- CSolicitar radiografia de tórax portátil para confirmar o diagnóstico antes de intervir
- DIniciar reposição volêmica agressiva e aguardar estabilização hemodinâmica
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O quadro clínico (hipotensão, desvio traqueal contralateral, turgência jugular, abolição do murmúrio vesicular e timpanismo unilateral) é compatível com pneumotórax hipertensivo, uma emergência que exige descompressão imediata, sem aguardar exame de imagem. A punção de alívio com agulha no 2º espaço intercostal, linha hemiclavicular, converte o pneumotórax hipertensivo em pneumotórax simples e deve ser seguida de drenagem torácica definitiva. Aguardar radiografia ou apenas repor volume retarda tratamento essencial e aumenta risco de parada cardiorrespiratória.
- B. A drenagem definitiva é importante, mas a descompressão imediata com agulha deve ser feita primeiro, antes do preparo para a drenagem em selo d'água.
- C. O diagnóstico de pneumotórax hipertensivo é clínico; aguardar imagem retarda tratamento essencial e pode levar a parada cardiorrespiratória.
- D. A reposição volêmica isolada não corrige a causa obstrutiva e não substitui a descompressão torácica urgente.
Doenças intersticiais e ocupacionais
3 questõesHomem de 68 anos, ex-tabagista (30 anos-maço), é avaliado na unidade de pneumologia por dispneia progressiva aos esforços e tosse seca há 18 meses. Ao exame, apresenta estertores em velcro bibasais e baqueteamento digital. Nega exposição ocupacional significativa ou uso de medicamentos pneumotóxicos. SpO2 em repouso 94%, caindo para 88% após caminhada de 6 minutos. A tomografia de tórax de alta resolução mostra opacidades reticulares subpleurais e basais, com faveolamento (honeycombing) e bronquiectasias de tração, sem vidro fosco extenso ou nódulos. Qual é o diagnóstico mais provável?
- AFibrose pulmonar idiopática
- BPneumonia de hipersensibilidade crônica
- CPneumonia intersticial não específica
- DSarcoidose pulmonar estágio IV
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O quadro clínico (idade avançada, dispneia progressiva, estertores em velcro, baqueteamento digital) associado ao padrão tomográfico de faveolamento basal e subpleural com bronquiectasias de tração, sem outra causa identificável, é compatível com padrão de pneumonia intersticial usual (UIP), que confirma o diagnóstico de fibrose pulmonar idiopática quando outras causas são excluídas. A ausência de exposição ocupacional ou medicamentosa relevante e o padrão típico de imagem tornam dispensável a biópsia pulmonar na maioria dos casos. O prognóstico é reservado, com sobrevida mediana de 3 a 5 anos após o diagnóstico.
- B. A pneumonia de hipersensibilidade crônica cursa com predomínio em lobos superiores e história de exposição a antígenos orgânicos, ausente neste caso.
- C. A pneumonia intersticial não específica tipicamente mostra vidro fosco predominante e ausência de faveolamento extenso, ao contrário do caso.
- D. A sarcoidose em estágio avançado apresenta fibrose com distorção hilar e predomínio em lobos superiores, diferente do padrão basal subpleural descrito.
Homem de 55 anos, trabalhador de mineração de granito há mais de 20 anos, procura a UBS com tosse seca e dispneia progressiva aos esforços há 1 ano. Nega febre ou hemoptise. Exame físico sem alterações significativas além de leve diminuição do murmúrio vesicular em bases. A radiografia de tórax mostra múltiplos nódulos pequenos e bem definidos, predominantemente em lobos superiores e região posterior, com calcificações puntiformes em alguns linfonodos hilares. Qual é a conduta mais adequada diante deste quadro?
- ASolicitar sorologia para fungos e iniciar antifúngico empírico
- BPreencher a notificação de doença relacionada ao trabalho e afastar o paciente da exposição à poeira de sílica
- CSolicitar broncoscopia com biópsia transbronquica para confirmação histológica imediata
- DIniciar corticoterapia sistêmica em dose alta por tempo prolongado
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O quadro clínico-radiológico (nódulos predominantemente em lobos superiores, calcificações hilares em 'casca de ovo', história de exposição prolongada à poeira de sílica) é característico de silicose, doença pulmonar ocupacional de notificação compulsória no Brasil. A conduta inclui o afastamento da exposição ocupacional, notificação ao sistema de vigilância em saúde do trabalhador (Sinan/Cerest) e acompanhamento clínico-radiológico, já que não há tratamento específico que revert a fibrose. O diagnóstico é predominantemente clínico-epidemiológico-radiológico, sem necessidade de biópsia na maioria dos casos típicos.
- A. Não há dados sugestivos de infecção fúngica; o quadro é compatível com pneumoconiose, não com micose pulmonar.
- C. A biópsia não é necessária quando a história ocupacional e o padrão radiológico são típicos, sendo reservada para casos atípicos ou dúvida diagnóstica.
- D. Não há benefício comprovado de corticoterapia sistêmica em dose alta na silicose simples; essa conduta não é indicada.
Homem de 62 anos, ex-trabalhador de uma fábrica de fibrocimento por 25 anos, com diagnóstico prévio de asbestose confirmado por história ocupacional e placas pleurais calcificadas bilaterais na tomografia, retorna ao ambulatório com queixa de dor torácica persistente e perda ponderal de 6 kg em 3 meses. Nova tomografia de tórax mostra espessamento pleural irregular e nodular à direita, associado a derrame pleural volumoso homolateral. Qual é a neoplasia mais fortemente associada à exposição ocupacional deste paciente?
- AMesotelioma pleural maligno
- BCarcinoma epidermoide de pulmão
- CAdenocarcinoma metastático de origem indeterminada
- DLinfoma pleural primário
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A exposição ao asbesto é o principal fator de risco conhecido para mesotelioma pleural maligno, neoplasia rara que surge do mesotélio pleural, frequentemente décadas após a exposição. O achado de espessamento pleural irregular e nodular associado a derrame pleural volumoso unilateral em paciente com história de exposição ao asbesto é altamente sugestivo dessa neoplasia. O tabagismo não é necessário para o desenvolvimento do mesotelioma, embora potencialize o risco de câncer de pulmão nos expostos ao asbesto. O diagnóstico definitivo requer biópsia pleural com estudo histopatológico e imuno-histoquímico.
- B. O carcinoma epidermoide de pulmão está mais associado ao tabagismo do que à exposição ao asbesto isoladamente, e o padrão descrito é pleural, não parenquimatoso.
- C. O adenocarcinoma metastático não explica o padrão de espessamento pleural nodular característico associado à exposição ocupacional ao asbesto.
- D. O linfoma pleural primário é entidade rara e não tem associação estabelecida com exposição ao asbesto.
Tromboembolismo pulmonar
4 questõesHomem de 38 anos, sem comorbidades, é atendido na UPA com dispneia leve e dor torácica há 2 dias, sem fator de risco identificável para tromboembolismo venoso, sem sinais de trombose venosa profunda, com FC 84 bpm e diagnóstico alternativo (pericardite viral recente) considerado mais provável. O escore de Wells calculado é de 1 ponto, classificando a probabilidade clínica como baixa. Qual é a conduta diagnóstica mais adequada neste momento?
- ASolicitar angiotomografia de tórax diretamente, independentemente do D-dímero
- BSolicitar D-dímero; se negativo, afastar tromboembolismo pulmonar sem necessidade de exame de imagem
- CSolicitar ecocardiograma transtorácico para avaliar sobrecarga de ventrículo direito como exame inicial
- DSolicitar cintilografia pulmonar de ventilação-perfusão como primeira escolha
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Em pacientes com baixa probabilidade clínica pelo escore de Wells, o D-dímero tem alto valor preditivo negativo e, quando negativo, permite afastar tromboembolismo pulmonar com segurança, sem necessidade de exame de imagem adicional. A angiotomografia direta é reservada para pacientes de alta probabilidade clínica ou quando o D-dímero está elevado. A cintilografia de ventilação-perfusão é alternativa à angiotomografia, geralmente reservada para pacientes com contraindicação ao contraste iodado ou gestantes, não como exame inicial em baixa probabilidade. O ecocardiograma avalia repercussão hemodinâmica, mas não é exame diagnóstico de primeira linha para TEP.
- A. A angiotomografia direta é reservada para probabilidade alta ou D-dímero positivo, sendo desnecessária como primeira conduta em baixa probabilidade.
- C. O ecocardiograma avalia repercussão hemodinâmica do TEP já estabelecido, mas não confirma ou exclui o diagnóstico inicial.
- D. A cintilografia de ventilação-perfusão não é exame de primeira escolha nesta estratificação; é reservada principalmente a contraindicações ao contraste iodado.
Mulher de 50 anos, com índice de massa corporal de 24 kg/m², é internada na enfermaria de clínica médica com diagnóstico confirmado de tromboembolismo pulmonar agudo por angiotomografia de tórax, apresentando acometimento de ramo lobar à direita. Está hemodinamicamente estável, com PA 122/80 mmHg, FC 92 bpm, SpO2 95% em ar ambiente, função renal e hepática normais, sem sangramento ativo ou plaquetopenia. Qual é a conduta farmacológica mais adequada para a anticoagulação inicial deste quadro?
- ATrombólise sistêmica com alteplase em dose plena, independentemente da estabilidade hemodinâmica
- BÁcido acetilsalicílico associado a clopidogrel em dose dupla de antiagregação
- CWarfarina em monoterapia, com ajuste de dose pelo INR, iniciada imediatamente
- DRivaroxabana em dose de ataque, via oral, seguida de dose de manutenção
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Em pacientes com TEP agudo hemodinamicamente estáveis e sem contraindicações, os anticoagulantes orais diretos, como a rivaroxabana, são recomendados como primeira linha pelos guidelines atuais, com esquema de dose de ataque (15 mg de 12/12 horas por 21 dias) seguida de dose de manutenção (20 mg uma vez ao dia), sem necessidade de heparina de transição quando a função renal é normal. A warfarina isolada sem anticoagulante parenteral de transição não atinge nível terapêutico rapidamente, sendo inadequada para o período agudo. A dupla antiagregação plaquetária não possui papel estabelecido no tratamento do TEP. A trombólise sistêmica é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica (TEP de alto risco), o que não é o caso desta paciente estável.
- A. A trombólise sistêmica é reservada para TEP de alto risco com instabilidade hemodinâmica, ausente neste caso estável.
- B. A dupla antiagregação plaquetária não tem indicação no tratamento do tromboembolismo venoso.
- C. A warfarina isolada, sem sobreposição com anticoagulante parenteral, demora dias para atingir efeito terapêutico, sendo inadequada para o período agudo do TEP.
Mulher de 58 anos, internada há 5 dias por fratura de fêmur, apresenta subitamente dispneia intensa e dor torácica. Na UPA, PA 82/50 mmHg, FC 128 bpm, FR 32 irpm, SatO2 86% em ar ambiente. Exame mostra turgência jugular e extremidades frias. Angiotomografia de tórax confirma êmbolos bilaterais em artérias pulmonares principais. Após ressuscitação volêmica inicial, a paciente permanece hipotensa. Qual a conduta mais adequada neste momento?
- AIniciar heparina não fracionada em infusão contínua e observar resposta hemodinâmica
- BIndicar embolectomia cirúrgica de urgência como primeira escolha
- CAdministrar alteplase endovenosa e manter anticoagulação após estabilização
- DPrescrever rivaroxabana por via oral e reavaliar em 24 horas
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TEP de alto risco é definido por instabilidade hemodinâmica (choque obstrutivo ou hipotensão persistente) e indica trombólise sistêmica como terapia de primeira linha, desde que não haja contraindicação absoluta. A alteplase promove lise rápida do trombo, reduzindo a pós-carga do ventrículo direito e revertendo o choque obstrutivo. Após a trombólise, mantém-se anticoagulação plena para prevenir recorrência. A trombólise deve ser iniciada o mais rápido possível, sem aguardar deterioração adicional.
- A. A heparina isolada não resolve rapidamente a obstrução causadora do choque obstrutivo nesse cenário de alto risco.
- B. A embolectomia cirúrgica é reservada para casos com contraindicação ou falha da trombólise, não como primeira escolha.
- D. Anticoagulantes orais diretos não têm papel na fase aguda de TEP com instabilidade hemodinâmica.
Homem de 70 anos é internado em enfermaria clínica por pneumonia comunitária grave, com previsão de permanência hospitalar prolongada. Apresenta antecedente de insuficiência cardíaca e mobilidade reduzida, ficando a maior parte do tempo restrito ao leito. Não há história de sangramento ativo, plaquetas são 230.000/mm³ e função renal é normal (clearance de creatinina estimado em 75 mL/min). Qual a conduta mais adequada para prevenção de tromboembolismo venoso neste paciente?
- AMeias de compressão elástica isoladamente, sem anticoagulante
- BVarfarina em dose ajustada por RNI desde a admissão
- CÁcido acetilsalicílico por via oral em dose baixa
- DEnoxaparina subcutânea em dose profilática durante a internação
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Pacientes clínicos internados com mobilidade reduzida e fatores de risco adicionais (idade avançada, insuficiência cardíaca, doença aguda grave) têm indicação de profilaxia farmacológica de TEV, conforme escores de risco como o de Padua. Heparina de baixo peso molecular em dose profilática é a opção preferida na ausência de contraindicação, pois reduz significativamente a incidência de TVP e TEP sem necessidade de monitorização laboratorial. A profilaxia mecânica isolada é reservada para pacientes com alto risco de sangramento.
- A. A compressão mecânica isolada é indicada quando há contraindicação à anticoagulação, não como primeira escolha neste caso.
- B. A varfarina tem início de ação lento e exige monitorização por RNI, não sendo apropriada para profilaxia em internação clínica aguda.
- C. O AAS não é recomendado como profilaxia primária de TEV em pacientes clínicos internados.
Neoplasias pulmonares
3 questõesHomem de 62 anos comparece à UBS para consulta de rotina. É tabagista desde os 20 anos, consumindo 1 carteira de cigarros por dia (carga tabágica de 42 maços-ano), e não apresenta sintomas respiratórios no momento. Não há história de câncer pulmonar na família. Exame físico sem alterações. Segundo as recomendações atuais para rastreamento de câncer de pulmão nesta faixa etária e carga tabágica, qual a conduta mais adequada?
- ASolicitar radiografia de tórax anual como método de rastreamento
- BSolicitar citologia do escarro anualmente
- CSolicitar tomografia de tórax de baixa dose anualmente
- DNão realizar rastreamento, pois não há sintomas respiratórios
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O rastreamento de câncer de pulmão é recomendado para indivíduos entre 50 e 80 anos com carga tabágica igual ou superior a 20 maços-ano, tabagistas atuais ou que cessaram o tabagismo há menos de 15 anos. O método indicado é a tomografia de tórax de baixa dose de radiação, realizada anualmente, pois demonstrou redução da mortalidade por câncer de pulmão em estudos populacionais. A radiografia de tórax e a citologia de escarro não têm sensibilidade adequada para rastreamento nessa população de risco.
- A. A radiografia de tórax tem baixa sensibilidade para detecção de nódulos pequenos e não é recomendada para rastreamento.
- B. A citologia de escarro não é método validado para rastreamento populacional de câncer de pulmão.
- D. A ausência de sintomas não contraindica o rastreamento; pelo contrário, ele é indicado justamente antes do aparecimento de sintomas.
Homem de 68 anos, tabagista pesado, é internado por fraqueza muscular proximal progressiva, confusão mental e náuseas. Exames laboratoriais mostram sódio sérico de 118 mEq/L, osmolalidade sérica baixa e osmolalidade urinária inadequadamente elevada para o nível de sódio plasmático, com sódio urinário acima de 40 mEq/L, na ausência de hipovolemia ou uso de diuréticos. Tomografia de tórax revela massa hilar central. Qual o mecanismo mais provável associado a este quadro?
- AProdução ectópica de hormônio antidiurético pelo tumor
- BSecreção ectópica de hormônio adrenocorticotrófico pelo tumor
- CAnticorpos contra canais de cálcio voltagem-dependentes pré-sinápticos
- DProdução de peptídeo relacionado ao paratormônio pelo tumor
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O carcinoma de pequenas células de pulmão frequentemente produz hormônio antidiurético ectopicamente, causando síndrome de secreção inapropriada de ADH (SIADH), caracterizada por hiponatremia euvolêmica com osmolalidade urinária inadequadamente concentrada e sódio urinário elevado. Isso leva à hiponatremia sintomática, com fraqueza, confusão e, em casos graves, convulsões. O tratamento do tumor de base é essencial, associado à restrição hídrica e correção cuidadosa do sódio.
- B. A secreção ectópica de ACTH causaria síndrome de Cushing, não hiponatremia com esse perfil laboratorial.
- C. Os anticorpos contra canais de cálcio pré-sinápticos causam síndrome miastênica de Lambert-Eaton, que se manifesta com fraqueza muscular, não com este distúrbio hidroeletrolítico.
- D. O peptídeo relacionado ao paratormônio causa hipercalcemia, tipicamente associado a carcinoma epidermoide, não hiponatremia.
Homem de 64 anos, tabagista, procura a emergência com edema facial progressivo há 2 semanas, associado a turgência de veias do pescoço e da parede torácica anterior, além de dispneia que piora ao se inclinar para frente. Ao exame, há pletora facial e circulação colateral venosa visível no tórax. Radiografia de tórax mostra massa mediastinal superior à direita. Qual a conduta inicial mais adequada diante deste quadro?
- AIndicar colocação imediata de stent em veia cava superior sem investigação prévia
- BSolicitar tomografia de tórax com contraste e biópsia da lesão para definição histológica
- CPrescrever diuréticos de alça e restrição hídrica como tratamento definitivo
- DIniciar radioterapia de urgência antes de qualquer confirmação diagnóstica
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A síndrome de veia cava superior, na maioria dos casos de origem neoplásica (frequentemente carcinoma de pulmão ou linfoma), deve ter a causa confirmada histologicamente antes do tratamento definitivo, exceto em situações de risco iminente de morte (obstrução de via aérea ou edema cerebral grave), quando o tratamento pode ser iniciado empiricamente. A tomografia de tórax com contraste define a extensão da massa e orienta a biópsia, que é essencial pois radioterapia e quimioterapia variam conforme o tipo histológico. Medidas de suporte como elevação da cabeceira e oxigênio podem ser associadas, mas não substituem a investigação etiológica.
- A. A colocação de stent é uma opção paliativa para alívio sintomático rápido em casos selecionados, mas não substitui a investigação diagnóstica inicial.
- C. Diuréticos não tratam a causa obstrutiva e não são conduta definitiva na síndrome de veia cava superior.
- D. Iniciar radioterapia sem diagnóstico histológico pode comprometer a definição do tipo tumoral e a escolha terapêutica adequada, sendo reservada para emergências com risco de morte.
Doenças supurativas e vias aéreas
3 questõesMulher de 45 anos relata tosse crônica há mais de 2 anos, com expectoração purulenta abundante diária, principalmente pela manhã, e episódios recorrentes de infecções respiratórias tratadas com antibióticos. Nega tabagismo. Ao exame, há estertores crepitantes bibasais e baqueteamento digital leve. Antecedente de pneumonias de repetição na infância. Qual exame de imagem é mais indicado para confirmar a hipótese diagnóstica principal?
- ACintilografia pulmonar de ventilação-perfusão
- BRadiografia de tórax em incidências póstero-anterior e perfil
- CUltrassonografia de tórax
- DTomografia de tórax de alta resolução
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O quadro clínico de tosse crônica com expectoração purulenta abundante, infecções respiratórias recorrentes e baqueteamento digital é altamente sugestivo de bronquiectasias. A tomografia de tórax de alta resolução é o exame padrão-ouro para confirmação diagnóstica, demonstrando dilatação bronquial irreversível, espessamento de paredes brônquicas e o sinal do anel de sinete. A radiografia de tórax pode sugerir o diagnóstico, mas tem sensibilidade insuficiente para confirmação e caracterização da extensão da doença.
- A. A cintilografia de ventilação-perfusão é utilizada na investigação de tromboembolismo pulmonar, não de bronquiectasias.
- B. A radiografia simples tem baixa sensibilidade para detectar dilatações brônquicas, servindo apenas como triagem inicial.
- C. A ultrassonografia de tórax não permite avaliação adequada do parênquima pulmonar e da arquitetura bronquial.
Homem de 50 anos, usuário de álcool com episódios frequentes de rebaixamento do nível de consciência, é internado por febre de 38,9°C, tosse com expectoração fétida e dor pleurítica há 10 dias. Tomografia de tórax revela cavitação de paredes espessas com nível hidroaéreo no segmento posterior do lobo superior direito, compatível com abscesso pulmonar por provável aspiração. Hemodinamicamente estável, sem necessidade de drenagem cirúrgica no momento. Qual a conduta antibiótica mais adequada?
- AAzitromicina em dose única diária por 5 dias
- BAmoxicilina isolada por via oral durante 7 dias
- CClindamicina ou associação de betalactâmico com inibidor de betalactamase por via endovenosa, com duração prolongada de 4 a 6 semanas
- DCiprofloxacino por via oral durante 10 dias
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O abscesso pulmonar por aspiração, comum em pacientes com rebaixamento do nível de consciência (etilismo, distúrbios neurológicos), é geralmente polimicrobiano, envolvendo anaeróbios da flora oral. O tratamento de escolha é a clindamicina ou um betalactâmico associado a inibidor de betalactamase (como amoxicilina-clavulanato ou ampicilina-sulbactam), cobrindo anaeróbios e aeróbios, mantido por período prolongado de 4 a 6 semanas, geralmente até resolução radiológica ou estabilização da cavidade. Tratamentos curtos ou com cobertura antimicrobiana inadequada resultam em recidiva e cronificação.
- A. Macrolídeos têm cobertura inadequada para flora polimicrobiana anaeróbia e a duração é insuficiente para esta condição.
- B. A amoxicilina isolada não cobre adequadamente anaeróbios produtores de betalactamase e o curso de 7 dias é insuficiente para abscesso pulmonar.
- D. Fluoroquinolonas isoladas têm cobertura limitada contra anaeróbios, principais agentes do abscesso pulmonar por aspiração.
Lactente de 4 meses é levado à UBS por tosse produtiva recorrente desde os 2 meses de vida e ganho de peso insuficiente, apesar de boa oferta alimentar. A mãe relata três episódios de pneumonia confirmados por radiografia nos últimos dois meses e fezes volumosas e gordurosas. O teste do pezinho realizado ao nascimento mostrou tripsinogênio imunorreativo (IRT) elevado. Qual exame deve ser solicitado para confirmar a suspeita diagnóstica?
- ADosagem de cloro no teste do suor
- BRadiografia de tórax em incidência lateral
- CEspirometria com prova broncodilatadora
- DDosagem de elastase fecal
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A fibrose cística deve ser suspeitada em lactente com infecções respiratórias de repetição, desnutrição e esteatorreia, especialmente após IRT elevado no teste do pezinho. O exame confirmatório padrão é o teste do suor, que mede a concentração de cloro no suor obtido por iontoforese com pilocarpina; valores de cloro ≥60 mmol/L em duas amostras confirmam o diagnóstico. O defeito é na proteína CFTR, que regula o transporte de cloro nas células epiteliais exócrinas. A espirometria e a elastase fecal podem complementar a avaliação funcional, mas não confirmam o diagnóstico.
- B. Pode mostrar alterações sugestivas, mas não confirma o diagnóstico de fibrose cística.
- C. Avalia função pulmonar e não confirma o diagnóstico etiológico, além de ser inviável em lactentes pequenos.
- D. Avalia insuficiência pancreática exócrina, mas não é o exame confirmatório da doença.
Insuficiência respiratória e distúrbios ventilatórios
4 questõesHomem de 68 anos, tabagista, é atendido na UPA com dispneia progressiva há 3 dias. Está em respiração espontânea com ar ambiente. Gasometria arterial: pH 7,30, PaCO2 68 mmHg, PaO2 52 mmHg, HCO3- 32 mEq/L, SatO2 82%. Qual é a classificação da insuficiência respiratória apresentada pelo paciente?
- AInsuficiência respiratória tipo I, com acidose metabólica compensada
- BInsuficiência respiratória tipo I, hipoxêmica
- CInsuficiência respiratória tipo II, com alcalose respiratória compensatória
- DInsuficiência respiratória tipo II, hipercápnica
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A insuficiência respiratória tipo II é definida por hipoxemia (PaO2 < 60 mmHg) associada a hipercapnia (PaCO2 > 45 mmHg), geralmente por falência da bomba ventilatória, como ocorre em DPOC avançada. Nesse caso, o pH baixo com PaCO2 elevado e HCO3- aumentado indica acidose respiratória com compensação metabólica renal parcial, típica de retenção crônica de CO2 agudizada. A insuficiência tipo I, por sua vez, cursa com hipoxemia isolada e PaCO2 normal ou baixo, por distúrbio de troca gasosa (shunt ou alteração V/Q). O quadro descrito não é compatível com alcalose respiratória, pois o pH está reduzido.
- A. O distúrbio é respiratório primário (hipercapnia), não metabólico, e não se trata de tipo I.
- B. Exigiria PaCO2 normal ou reduzido, o que não ocorre neste caso.
- C. O pH está reduzido, indicando acidose, e não alcalose.
Homem de 50 anos, obeso (IMC 34 kg/m²), procura a UBS por sonolência diurna excessiva, cefaleia matinal e roncos altos relatados pela esposa, que também observou pausas respiratórias durante o sono. Nega uso de álcool ou sedativos. Ao exame, pressão arterial de 148/94 mmHg e circunferência cervical de 44 cm. Qual é o exame mais indicado para confirmar a suspeita diagnóstica?
- APolissonografia noturna
- BEspirometria com medida de volumes pulmonares
- CTomografia computadorizada de vias aéreas superiores
- DOximetria de pulso domiciliar isolada
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A polissonografia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), permitindo quantificar o índice de apneia-hipopneia (IAH) e classificar a gravidade do quadro. A apresentação clínica com roncos, pausas respiratórias testemunhadas, sonolência diurna, cefaleia matinal e circunferência cervical aumentada é altamente sugestiva de SAOS, especialmente em obesos. A oximetria isolada pode sugerir dessaturações, mas não quantifica eventos respiratórios nem estadia o sono. Exames de imagem e espirometria não têm papel no diagnóstico funcional da SAOS.
- B. Avalia função pulmonar, sem relação direta com o diagnóstico de distúrbios respiratórios do sono.
- C. Pode identificar alterações anatômicas predisponentes, mas não confirma o diagnóstico funcional.
- D. Detecta apenas quedas de saturação, sem avaliar arquitetura do sono ou índice de eventos respiratórios.
Paciente de 45 anos é internado na UTI por pancreatite aguda grave. No terceiro dia de internação, evolui com piora progressiva da dispneia. Radiografia de tórax mostra opacidades bilaterais compatíveis com edema, sem sinais de insuficiência cardíaca ao ecocardiograma. Em ventilação mecânica com PEEP de 8 cmH2O e FiO2 de 60%, a gasometria arterial mostra PaO2 de 90 mmHg. Qual é a classificação da síndrome do desconforto respiratório agudo apresentada, segundo os critérios de Berlim?
- ASARA grave
- BSARA moderada
- CEdema pulmonar cardiogênico, não preenche critérios de SARA
- DSARA leve
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Os critérios de Berlim para SARA exigem início agudo (até 7 dias), opacidades bilaterais não explicadas totalmente por derrame, colapso lobar/pulmonar ou nódulos, origem não cardiogênica do edema, e hipoxemia classificada pela relação PaO2/FiO2 com PEEP mínima de 5 cmH2O. Neste caso, a relação PaO2/FiO2 é 90/0,6 = 150, o que classifica a SARA como moderada (relação entre 100 e 200). SARA leve corresponde a relação entre 200 e 300, e SARA grave a relação ≤100. A ausência de disfunção cardíaca ao ecocardiograma exclui a causa cardiogênica e sustenta o diagnóstico de SARA.
- A. Corresponderia a relação PaO2/FiO2 ≤100, inferior ao valor calculado.
- C. O ecocardiograma normal e o contexto clínico de pancreatite afastam causa cardiogênica, preenchendo critérios de SARA.
- D. Corresponderia a relação PaO2/FiO2 entre 200 e 300, superior ao valor calculado.
Mulher de 55 anos, sem comorbidades conhecidas, é atendida na UPA com pneumonia comunitária. Está taquipneica, com frequência respiratória de 28 irpm, e saturação periférica de oxigênio de 88% em ar ambiente. Não há história de DPOC ou retenção crônica de CO2. Qual é a conduta inicial mais adequada em relação à oxigenoterapia?
- AIniciar oxigênio em alto fluxo até atingir SatO2 de 100%
- BIniciar oxigênio suplementar para manter SatO2 entre 88% e 92%
- CIniciar oxigênio suplementar para manter SatO2 entre 94% e 98%
- DNão iniciar oxigênio, pois a SatO2 de 88% é aceitável em pneumonia
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Em pacientes hipoxêmicos agudos sem risco de hipercapnia crônica (como DPOC ou doenças neuromusculares com retenção de CO2), a meta de saturação periférica de oxigênio recomendada é entre 94% e 98%, conforme diretrizes de oxigenoterapia da British Thoracic Society e adotadas no Brasil. Metas mais baixas (88-92%) são reservadas para pacientes com risco de insuficiência respiratória hipercápnica, nos quais a hiperoxemia pode suprimir o estímulo ventilatório hipóxico e agravar a retenção de CO2. Saturações de 100% não são necessárias e podem estar associadas a hiperóxia, que também traz riscos. A hipoxemia da paciente exige correção imediata, não sendo aceitável a conduta expectante.
- A. Hiperoxemia não traz benefício adicional e pode ser prejudicial; a meta deve ser entre 94% e 98%.
- B. Essa meta é reservada para pacientes com risco de hipercapnia crônica, o que não se aplica a este caso.
- D. A hipoxemia significativa exige correção imediata com oxigênio suplementar.
Infecções respiratórias virais e sazonais
2 questõesMulher de 60 anos, diabética, é internada em hospital da rede SUS com diagnóstico confirmado de COVID-19 por RT-PCR. Apresenta dispneia, frequência respiratória de 24 irpm e saturação periférica de oxigênio de 90% em ar ambiente, necessitando de cateter nasal de oxigênio a 3 L/min para manter saturação acima de 94%. Qual é a conduta medicamentosa mais adequada neste momento?
- AReservar corticoterapia para pacientes sem necessidade de suplementação de oxigênio
- BIniciar dexametasona apenas se houver necessidade de ventilação mecânica invasiva
- CPrescrever hidroxicloroquina associada a azitromicina
- DIniciar dexametasona 6 mg por via oral ou intravenosa, uma vez ao dia
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A corticoterapia com dexametasona está indicada em pacientes com COVID-19 que necessitam de suplementação de oxigênio ou suporte ventilatório, pois reduz a mortalidade por atenuar a resposta inflamatória sistêmica exacerbada característica da fase hipoxêmica da doença. A dose recomendada é de 6 mg/dia por via oral ou intravenosa, por até 10 dias, conforme demonstrado pelo estudo RECOVERY e incorporado pelos protocolos do Ministério da Saúde. Não é necessário aguardar progressão para ventilação mecânica invasiva, pois o benefício já é observado em pacientes em uso de oxigênio suplementar. A hidroxicloroquina e a azitromicina não têm eficácia comprovada no tratamento da COVID-19 e não são recomendadas.
- A. A corticoterapia não é indicada em pacientes sem hipoxemia, pois pode haver prejuízo sem necessidade de oxigênio; o raciocínio está invertido.
- B. O benefício da dexametasona já está estabelecido em pacientes com necessidade de oxigênio suplementar, sem necessidade de aguardar ventilação invasiva.
- C. Essa associação não demonstrou eficácia e não é recomendada no tratamento da COVID-19.
Mulher de 34 anos, professora, procura a UBS com tosse seca há 18 dias, em acessos, que piora à noite e após falar por tempo prolongado, seguida por episódios de vômito pós-tosse. Nega febre. Exame físico sem alterações, ausculta pulmonar limpa. Foi tratada empiricamente com amoxicilina há 10 dias sem melhora. Relata contato com lactente de 2 meses com tosse semelhante há 1 semana. Qual é a conduta mais adequada?
- APrescrever azitromicina, notificar o caso como compulsório e orientar isolamento respiratório
- BTranquilizar a paciente, pois tosse prolongada após infecção viral é autolimitada e não requer notificação
- CSolicitar cultura de escarro para Bordetella pertussis antes de iniciar qualquer medida
- DSolicitar radiografia de tórax e aguardar resultado para decidir tratamento
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A coqueluche no adulto frequentemente se apresenta de forma atípica, sem o estridor inspiratório clássico, manifestando-se como tosse persistente (>14 dias) em acessos, pior à noite, com vômitos pós-tusse, muitas vezes sem febre. O diagnóstico é predominantemente clínico-epidemiológico, reforçado pelo contato com caso suspeito em lactente (grupo de maior gravidade). A coqueluche é doença de notificação compulsória no Brasil, e o tratamento com macrolídeo (azitromicina) deve ser iniciado precocemente, junto com isolamento respiratório e quimioprofilaxia dos contatos próximos, independentemente da confirmação laboratorial.
- B. A apresentação atípica prolongada associada a contato com caso suspeito exige notificação e tratamento, não apenas tranquilização.
- C. A cultura tem baixa sensibilidade após a fase catarral e não deve retardar o início do tratamento empírico.
- D. O tratamento não deve ser postergado à espera de radiografia, que costuma ser normal ou inespecífica na coqueluche.
Exame físico e interpretação de exames complementares
4 questõesHomem de 58 anos é internado na enfermaria com febre de 38,8°C e dispneia há 3 dias. Ao exame físico do hemitórax direito, observa-se expansibilidade reduzida, percussão maciça, frêmito toracovocal aumentado, e à ausculta, murmúrio vesicular abolido com presença de estertores crepitantes e broncofonia aumentada. Qual síndrome pulmonar é mais compatível com esses achados?
- ASíndrome de hiperinsuflação pulmonar
- BSíndrome de atelectasia
- CSíndrome de condensação pulmonar
- DSíndrome de derrame pleural
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A síndrome de condensação (consolidação alveolar, como na pneumonia) caracteriza-se por percussão maciça, frêmito toracovocal aumentado (pelo tecido consolidado transmitir melhor as vibrações) e broncofonia/pectorilóquia aumentadas, associados a estertores crepitantes. Isso a diferencia do derrame pleural, em que o líquido interposto reduz o frêmito toracovocal e abafa a transmissão de sons. Na atelectasia, embora a percussão também seja maciça, o frêmito toracovocal está tipicamente diminuído ou abolido, pois não há ar nem condensação transmissora na via aérea obstruída.
- A. A hiperinsuflação cursa com hipersonoridade à percussão e murmúrio vesicular diminuído, não com macicez e crepitações.
- B. Na atelectasia o frêmito toracovocal costuma estar reduzido, e a traqueia pode desviar para o lado afetado.
- D. No derrame pleural o frêmito toracovocal está diminuído ou abolido, não aumentado como no caso.
Paciente de 62 anos, tabagista de 40 anos-maço, realiza espirometria para investigação de dispneia progressiva. Resultado: VEF1 = 55% do previsto, CVF = 85% do previsto, relação VEF1/CVF = 0,58 (pré-broncodilatador), com aumento de apenas 6% do VEF1 após broncodilatador. Qual é o padrão espirométrico apresentado por esse paciente?
- APadrão obstrutivo, sem resposta broncodilatadora significativa
- BPadrão restritivo puro
- CPadrão misto obstrutivo-restritivo
- DPadrão obstrutivo com resposta broncodilatadora significativa
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A relação VEF1/CVF reduzida (abaixo de 0,70, ou abaixo do limite inferior da normalidade) define o distúrbio obstrutivo, presente neste caso (0,58). A CVF está preservada (85% do previsto), descartando componente restritivo associado. A resposta ao broncodilatador é considerada significativa quando há aumento ≥ 12% e ≥ 200 mL no VEF1; o aumento de 6% não atinge esse critério, caracterizando obstrução sem resposta broncodilatadora significativa, achado típico de DPOC.
- B. O padrão restritivo caracteriza-se por CVF reduzida com relação VEF1/CVF normal ou aumentada, o que não ocorre aqui.
- C. O padrão misto exigiria CVF reduzida além da relação VEF1/CVF baixa, mas a CVF está preservada neste caso.
- D. A resposta broncodilatadora de apenas 6% não atinge o critério de significância (≥12% e ≥200 mL).
Homem de 45 anos, sem comorbidades, procura a UBS com tosse produtiva e febre de 38,5°C há 4 dias, com estertores em base pulmonar direita à auscuta e sinais vitais estáveis. É a primeira investigação de imagem para esse quadro. Qual exame deve ser solicitado inicialmente?
- ARadiografia de tórax em incidências póstero-anterior e perfil
- BUltrassonografia de tórax como exame de primeira linha
- CTomografia de tórax sem contraste
- DTomografia de tórax com contraste
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A radiografia de tórax é o exame de imagem inicial recomendado na investigação de suspeita de pneumonia adquirida na comunidade e na maioria das queixas respiratórias agudas, por ser rápida, de baixo custo, baixa dose de radiação e amplamente disponível na rede básica. A tomografia de tórax é reservada para casos com radiografia inconclusiva, suspeita de complicações (abscesso, empiema), falha terapêutica ou necessidade de melhor caracterização de lesões, não sendo exame de primeira linha pelo maior custo e exposição à radiação.
- B. A ultrassonografia de tórax tem papel complementar (avaliação de derrame pleural), mas não substitui a radiografia como exame inicial padrão.
- C. A tomografia é reservada para casos com radiografia inconclusiva ou suspeita de complicações, não como exame inicial de rotina.
- D. O uso de contraste aumentaria ainda mais o custo e o risco sem benefício comprovado nessa investigação inicial.
Homem de 28 anos, longilíneo, dá entrada na UPA com dor torácica súbita em pontada à direita e dispneia após esforço físico leve. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular abolido no hemitórax direito. A radiografia de tórax mostra uma linha fina e curvilínea paralela à parede torácica direita, com ausência de trama pulmonar entre essa linha e a parede, e desvio discreto do mediastino para a esquerda. Qual é o diagnóstico radiográfico?
- ACondensação pulmonar lobar
- BPneumotórax espontâneo
- CAtelectasia lobar
- DCavitação pulmonar
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O pneumotórax caracteriza-se radiograficamente pela visualização da linha pleural visceral deslocada da parede torácica, com ausência de trama pulmonar (vascular) no espaço entre essa linha e a parede, representando o ar no espaço pleural. Em pneumotórax hipertensivo ou de maior volume, pode haver desvio do mediastino para o lado contralateral. O quadro clínico típico (jovem longilíneo, dor pleurítica súbita e abolição do murmúrio vesicular) reforça o diagnóstico de pneumotórax espontâneo primário.
- A. A condensação aparece como opacidade homogênea com broncograma aéreo, não como uma linha curvilínea com ausência de trama além dela.
- C. A atelectasia cursa com opacidade e desvio do mediastino para o mesmo lado da lesão, por perda de volume, diferente do achado descrito.
- D. A cavitação se manifesta como lesão radiolucente com paredes, geralmente dentro de uma consolidação ou nódulo, não como linha pleural deslocada.
Tabagismo e prevenção
2 questõesMulher de 48 anos, tabagista de 20 cigarros/dia há 25 anos, comparece à UBS para consulta de rotina. Relata já ter tentado parar de fumar duas vezes sem sucesso e demonstra interesse em tentar novamente agora. Não possui comorbidades cardiovasculares nem psiquiátricas. Segundo o Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Ministério da Saúde, qual é a conduta mais adequada para essa paciente nesta consulta?
- APrescrever vareniclina isoladamente, sem necessidade de aconselhamento comportamental
- BAssociar aconselhamento breve estruturado com terapia de reposição de nicotina e/ou bupropiona
- CEncaminhar diretamente para internação em unidade especializada em dependência química
- DOferecer apenas aconselhamento motivacional, sem associação de terapia farmacológica
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O Programa Nacional de Controle do Tabagismo recomenda a abordagem combinada: aconselhamento breve estruturado (abordagem cognitivo-comportamental, nos moldes do método dos 5 A's) associado a tratamento farmacológico quando indicado, especialmente em fumantes com carga tabágica significativa e histórico de tentativas prévias. A terapia de reposição de nicotina (adesivos, gomas) e a bupropiona estão disponíveis pelo SUS e aumentam significativamente as taxas de sucesso quando combinadas ao aconselhamento, em comparação com qualquer intervenção isolada.
- A. A farmacoterapia isolada sem suporte comportamental tem menor eficácia; o aconselhamento é parte essencial do protocolo.
- C. A internação não é indicada para cessação de tabagismo sem complicações psiquiátricas graves; o tratamento é ambulatorial na atenção básica.
- D. O aconselhamento isolado tem eficácia inferior à abordagem combinada com farmacoterapia em fumantes com alta carga tabágica e tentativas prévias fracassadas.
Homem de 50 anos é avaliado na UBS para cessação do tabagismo. Ao aplicar o Teste de Fagerström, obtém-se escore de 8 pontos (de um total de 10), com destaque para: fuma o primeiro cigarro nos primeiros 5 minutos após despertar e considera o primeiro cigarro da manhã o mais difícil de abandonar. Qual é a interpretação desse escore e a conduta terapêutica mais adequada?
- ADependência elevada; associar terapia de reposição de nicotina em dose adequada (ou bupropiona) ao aconselhamento estruturado
- BDependência moderada; iniciar reposição de nicotina em dose baixa isolada
- CEscore inválido, pois o teste de Fagerström não avalia o tempo até o primeiro cigarro do dia
- DDependência leve; indicar apenas aconselhamento comportamental, sem farmacoterapia
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O Teste de Fagerström avalia o grau de dependência física à nicotina em escala de 0 a 10, sendo escores de 7 a 10 classificados como dependência elevada. Dois dos itens mais fortemente associados a maior gravidade são fumar o primeiro cigarro nos primeiros 5 minutos após despertar e considerar esse cigarro o mais difícil de abandonar, ambos presentes neste caso. Pacientes com dependência elevada se beneficiam de terapia farmacológica combinada (reposição de nicotina em dose adequada ao número de cigarros/dia, ou bupropiona) associada ao aconselhamento, pois têm maior risco de sintomas de abstinência intensos e recaída.
- B. O escore de 8 indica dependência elevada, não moderada, e doses baixas isoladas tendem a ser insuficientes para esse grau.
- C. O tempo até o primeiro cigarro do dia é justamente um dos itens centrais do Teste de Fagerström, com alto peso na pontuação.
- D. Um escore de 8 pontos indica dependência elevada, não leve, e a farmacoterapia é recomendada nesse grau.
Perguntas frequentes
Estas são questões reais do Revalida?
Não. São questões originais escritas no estilo do Revalida, de acordo com a matriz da prova. Um segundo modelo independente resolveu cada questão sem ver o gabarito, e as que tinham gabarito discutível foram removidas.
Como usar estas questões de pneumologia?
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Sim. Todas as questões, respostas e comentários desta página são gratuitos e não exigem cadastro.
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