Protocolo de escaneamento e características técnicas
A base para uma imagem de alta qualidade na avaliação da pelve é a estrita adesão ao protocolo de contraste. A aquisição de dados é realizada habitualmente na fase portal venosa, que ocorre aproximadamente 70 segundos após a injeção intravenosa de um agente de contraste iodado de baixa osmolaridade.
- O contraste intravenoso é essencial para realçar o leito vascular e os órgãos parenquimatosos. Ele permite ao radiologista diferenciar claramente linfonodos aumentados e lesões intra-orgânicas.
- O contraste oral é utilizado para o preenchimento completo do intestino delgado e grosso. Sem ele, alças intestinais colapsadas podem simular massas pélvicas ou linfadenopatia. Além disso, o intestino contrastado ajuda a identificar pequenos depósitos serosos (serosal deposits).
As vantagens indubitáveis do método incluem sua ampla disponibilidade, rapidez na aquisição de imagens (fast data acquisition) e alta resolução espacial. As principais limitações são a carga de radiação ionizante e o risco de degradação da imagem. Os artefatos ocorrem mais frequentemente devido ao biótipo do paciente (body habitus) ou à presença de materiais metálicos na área escaneada, como próteses de quadril (metallic hip).
TC em oncologia ginecológica
Embora a ressonância magnética (RM) seja superior na diferenciação de tecidos moles no estadiamento local do câncer de colo uterino e de endométrio, a TC continua sendo a ferramenta mais utilizada para avaliar a extensão regional e à distância do câncer ginecológico, bem como para detectar recidivas.
- Câncer de ovário: a TC desempenha um papel principal. A avaliação do acometimento peritoneal determina diretamente a abordagem cirúrgica e a estratégia geral de tratamento.
- Câncer de endométrio e de colo uterino: o método é altamente adequado para a detecção de metástases à distância e linfonodos acometidos.
O método também serve como um sistema de navegação conveniente. Sob guia tomográfica, realiza-se biópsia direcionada de massas tumorais na pelve ou do omento comprometido (omental cake) para obtenção de confirmação histológica do diagnóstico.
Estadiamento de tumores e avaliação de linfonodos
Em exames combinados do abdome e da pelve (abdominopelvic CT), a sensibilidade do método na detecção de linfonodos retroperitoneais acometidos chega a 93%. No entanto, nos estágios 1 e 2 da doença, pode ocorrer subestadiamento (understaging). Isso é favorecido por alças intestinais insuficientemente opacificadas e por variações anatômicas do sistema venoso.
Os radiologistas prestam especial atenção às vias de drenagem linfática, que são bastante previsíveis. Por exemplo, em tumores testiculares, o acometimento isolado de linfonodos pélvicos é extremamente raro. Ocorre apenas em casos de criptorquidia prévia ou invasão tumoral direta do escroto. A disseminação de metástases para baixo (linfonodos inguinais) ou para o lado contralateral ocorre apenas em casos de envolvimento maciço dos linfonodos do lado ipsilateral.
É por isso que o escaneamento de toda a pelve é obrigatório no estadiamento inicial. Contudo, na etapa de acompanhamento (follow-up) em casos não complicados, a utilidade da TC pélvica é questionável, pois o risco da radiação pode superar o valor diagnóstico.
Condições agudas: imagem pélvica em casos de hemorragia
No diagnóstico por imagem de emergência, a TC de abdome e pelve com contraste ajuda a identificar rapidamente complicações potencialmente fatais do processo oncológico em pacientes com quadro clínico de abdome agudo.
Um exemplo clássico é a ruptura espontânea de um tumor hepático maligno. Nos cortes da pelve nesses casos, observa-se líquido livre de alta atenuação (high attenuation fluid). Este é o sinal radiológico clássico de hemoperitônio (hemoperhemoperitoneum) — hemorragia intra-abdominal. O sangue extravasa devido à ruptura da cápsula tumoral e acumula-se nas regiões declives da pelve, sendo detectado com precisão pelo tomógrafo.
Questões de aulas e exames
Por que o paciente recebe contraste oral antes do escaneamento pélvico?
O agente oral opacifica a luz do intestino delgado e grosso. Isso ajuda o médico a distinguir as alças intestinais de massas pélvicas patológicas ou linfonodos aumentados, além de detectar metástases nas superfícies serosas.
Em quais situações a TC pode subestadiar uma doença oncológica?
Nos estágios iniciais (1 e 2), existe o risco de subestimar a extensão do tumor devido ao preenchimento inadequado das alças intestinais ou a variantes anatômicas venosas que mascaram pequenos linfonodos acometidos.
É sempre necessário escanear a pelve no acompanhamento de pacientes com tumores testiculares?
Não. Na pesquisa inicial de metástases, a TC de pelve é obrigatória, mas no acompanhamento rot rutina (follow-up) de casos não complicados, a realização do exame é controversa devido à carga de radiação, visto que o acometimento pélvico isolado é extremamente raro.
Como a hemorragia intra-abdominal se apresenta nos cortes tomográficos da pelve?
O sangramento (por exemplo, na ruptura tumoral) é visualizado na cavidade pélvica como líquido livre de alta atenuação.
O que mais estudar sobre o tema
- Estadiamento por RM do câncer de colo uterino e de endométrio (avaliação da invasão miometrial local)
- Navegação ultrassonográfica e ultrassonografia transvaginal em oncologia ginecológica
- Aplicação de PET/CT com FDG no estadiamento e detecção de recidivas de tumores pélvicos
- Padrões de metástase linfonodal retroperitoneal no câncer testicular
- Semiologia tomográfica da ruptura espontânea de carcinoma hepatocelular
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