Princípios de fluxo e regime sanitário
A base da prevenção da infecção exógena é a separação rígida dos fluxos de pacientes em «limpos» e «infectados».
Em condições ideais, pacientes com patologias purulento-inflamatórias são direcionados a alas cirúrgicas separadas, com equipe de funcionários, salas de cirurgia e salas de curativo próprias. Se o hospital dispuser de apenas uma ala, os pacientes infectados devem ser isolados em um setor especial com uma sala de curativo obrigatoriamente separada.
O processo de prevenção começa já no setor de admissão:
- Triagem primária: separação imediata dos fluxos limpos e infectados.
- Processamento sanitário: banho de chuveiro ou imersão higiênica, troca de roupas por vestimentas hospitalares.
- Tratamento específico: caso sejam detectados escabiose ou pediculose, realiza-se a desinsetização das roupas e o tratamento do paciente.
Na própria ala cirúrgica, mantém-se um regime rigoroso. A limpeza úmida com o uso de antissépticos é realizada diariamente, e as paredes passam por limpeza úmida com escovas a cada três dias. O uso de chuveiro antes do plantão, toucas, calçados privativos e roupas privativas é obrigatório para a equipe. Uma etapa crucial é a identificação de portadores de bactérias (indivíduos clinicamente saudáveis que eliminam flora patogênica pela oro-faringe ou nariz). Tais funcionários são afastados do trabalho, passam por descontaminação e só retornam após resultados negativos em culturas bacteriológicas.
Combate à infecção exógena
A infecção exógena penetra na ferida a partir do meio externo. O principal método de combate a ela é a assepsia (sistema de medidas para prevenir a entrada de microrganismos).
As fontes de flora exógena incluem pacientes com infecções purulentas, portadores de bactérias e, em raros casos, animais. Estes últimos são perigosos pelo desenvolvimento de infecções específicas: ao manipular carcaças contaminadas, pode-se contrair antraz; e pela contaminação de feridas acidentais com terra contendo esporos, tétano ou gangrena gasosa.
Vias de penetração:
- De contato (via principal). A infecção é transmitida por veículos de transmissão: mãos do cirurgião, roupas cirúrgicas, material de curativo ou instrumentais cirúrgicos.
- Via aérea. Sedimentação de microrganismos do ar ambiente sobre a superfície da ferida.
- De implantação. A infecção ocorre quando se deixam materiais de sutura, fixadores ósseos ou próteses nos tecidos. A causa é a violação das regras de esterilização do implante ou a sua contaminação diretamente durante o procedimento.
Prevenção da infecção endógena
A infecção endógena está localizada dentro do próprio organismo do paciente. Para eliminá-la, utiliza-se a antissepsia.
As fontes podem ser:
- Focos crônicos fora da zona operatória (dentes cariados, amigdalite, piodermite).
- Órgãos nos quais a intervenção é realizada (apêndice inflamado, vesícula biliar, foco de osteomielite).
- Microflora saprófita natural (vias aéreas, cavidade oral, intestino).
Vias de disseminação dentro do organismo:
- De contato. Ocorre por falha na técnica cirúrgica (fator iatrogênico), quando exsudato, pus ou conteúdo intestinal entram em uma ferida limpa a partir de luvas ou compressas.
- Hematogênica. Transporte de bactérias pela corrente sanguínea a partir de um foco distante.
- Linfogênica. Disseminação de microrganismos pelos vasos linfáticos.
Segurança infecciosa no centro cirúrgico
No bloco cirúrgico, mantém-se um nível crítico de esterilidade. A via aérea responde por cerca de 10% das infecções de feridas. Apesar do uso de roupas estéreis, a equipe cirúrgica libera ativamente microrganismos. Em 1 a 1,5 hora de trabalho, a carga bacteriana do ar dobra.
Padrões para 1 m³ de ar:
- Antes do início do trabalho: no máximo 500 microrganismos.
- Durante a cirurgia: no máximo 1000 microrganismos.
- A flora patogênica deve estar absolutamente ausente.
Durante a própria operação, o cirurgião deve seguir rigorosamente a sequência de manobras. Ao abrir cavidades infectadas (cólon, peritonite purulenta), a ferida é isolada de forma segura com compressas. Após a conclusão desta etapa «suja», é obrigatória a troca de instrumentais, luvas, compressas e, se necessário, também das roupas cirúrgicas.
A assepsia é o escudo contra o mundo exterior (infecção exógena). A antissepsia é a espada contra a ameaça interna (infecção endógena).
Questões de aulas e exames
É permitido operar um paciente eletivamente se ele tiver cárie ou amigdalite?
Não, as intervenções eletivas devem obrigatoriamente ser adiadas até a completa resolução de todos os focos crônicos de infecção endógena (cárie, amigdalite, furunculose).
Como proceder em uma cirurgia de emergência se o paciente apresentar um foco infeccioso?
Cirurgias de emergência (por exemplo, em casos de hemorragia ou trauma grave) são realizadas por indicações vitais, sem adiamentos. O cirurgião assume o risco, aplicando o máximo de medidas de precaução para proteger a zona de intervenção.
Quem são os portadores de bactérias no ambiente hospitalar cirúrgico?
São funcionários clinicamente saudáveis que eliminam microflora patogênica (frequentemente da oro-faringe e do nariz). Eles são temporariamente afastados do trabalho para tratamento.
O que mais estudar sobre o tema
- Métodos e regimes de esterilização de instrumentais cirúrgicos
- Sistema de ventilação e ar-condicionado no bloco cirúrgico
- Profilaxia específica para gangrena gasosa e tétano
- Algoritmos de antissepsia das mãos do cirurgião e do campo operatório
- Classificação dos agentes antissépticos modernos
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