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Doenças infecciosas

Infecção pelo HIV: estágios, infecções oportunistas e terapia antirretroviral

Redação WhiteCoat Pro11 de abril de 2026Atualizado em 16 de setembro de 20265 min de leitura
Sumário · 10 seções
  1. 1. Patógeno e epidemiologia
  2. 2. Patogênese: por que os linfócitos CD4 morrem
  3. 3. Classificação dos estágios
  4. 4. Infecções oportunistas por contagem de CD4
  5. 5. Diagnóstico
  6. 6. Terapia antirretroviral (TARV)
  7. 7. Profilaxia de infecções oportunistas
  8. 8. Profilaxia pós-exposição (PPE)
  9. 9. Profilaxia da transmissão vertical
  10. 10. FAQ

Em poucas palavras. O HIV é um retrovírus que afeta os linfócitos T CD4⁺. Curso: infecção aguda → estágio latente → AIDS (CD4 < 200/µL ou doença definidora de AIDS). Diagnóstico — ELISA + immunoblot + PCR de RNA. TARV = 2 ITNRE + 1 II (regime básico atual), iniciado logo após o diagnóstico, independentemente do CD4.

1. Patógeno e epidemiologia

HIV (vírus da imunodeficiência humana) é um retrovírus de RNA da família Retroviridae, subfamília Lentivirinae. Existem dois tipos: HIV-1 (pandemia global) e HIV-2 (África Ocidental, progressão mais lenta). O genoma consiste em duas cópias de RNA de fita simples contendo os genes gag, pol, env e genes regulatórios.

Principais enzimas do vírion, todas sendo alvos da TARV:

  • Transcriptase reversa — síntese de DNA a partir de um molde de RNA.
  • Integrase — inserção do DNA proviral no genoma da célula hospedeira.
  • Protease — clivagem de poliproteínas em proteínas funcionais.

Vias de transmissão: sexual (>80% dos casos), parenteral (drogas injetáveis, transfusões de sangue), vertical (mãe → feto), ocupacional (equipe médica).

2. Patogênese: por que os linfócitos CD4 morrem

O HIV se liga à membrana da célula CD4⁺ através do receptor CD4 e do coreceptor CCR5 (em macrófagos, células T auxiliares) ou CXCR4 (cepas tardias). RNA viral → DNA (transcriptase reversa) → inserção no genoma (integrase) → síntese de proteínas virais → montagem e saída da célula.

A perda de linfócitos CD4 ocorre por três mecanismos: citólise direta, apoptose de células infectadas e não infectadas ("bystander"), e resposta imune celular CD8 contra as infectadas. A taxa de queda de CD4 correla-se com a carga viral.

3. Classificação dos estágios

Classificação de Pokrovsky (Rússia)

  1. Estágio de incubação (2 a 4 semanas).
  2. Estágio de manifestações primárias:
    2A — assintomático;
    2B — infecção aguda pelo HIV sem doenças secundárias (febre, linfadenopatia, faringite — "mononucleosis-like");
    2C — com doenças secundárias.
  3. Subclínico (de 6 a 7 anos até décadas).
  4. Estágio de doenças secundárias: 4A, 4B, 4C dependendo da gravidade.
  5. Estágio terminal (AIDS).

Classificação do CDC

Baseada na contagem de CD4 e nas categorias clínicas A/B/C:

  • CD4 ≥ 500 — categoria 1; 200–499 — 2; < 200 — 3 (AIDS).
  • A — assintomática / infecção aguda / linfadenopatia generalizada persistente.
  • B — não definidoras de AIDS, mas associadas à imunodeficiência (Herpes zoster, candidíase, displasia por HPV).
  • C — definidoras de AIDS (pneumonia por Pneumocystis, meningite criptocócica, toxoplasmose do SNC, Sarcoma de Kaposi, etc.).

4. Infecções oportunistas por contagem de CD4

O conhecimento dos "limiares" de CD4 é a chave para o raciocínio clínico:

CD4, /µLComplicações típicas
> 500As mesmas infecções que em indivíduos saudáveis; linfadenopatia
200–500Candidíase orofaríngea, Herpes zoster, tuberculose pulmonar, displasia por HPV, leucoplasia pilosa
100–200Pneumocystis jirovecii, pneumonia; toxoplasmose do SNC; criptosporidiose
50–100Meningite criptocócica; leucoencefalopatia multifocal progressiva (vírus JC); retinite por CMV
< 50MAC disseminado, CMV disseminado, linfoma primário do SNC

Doenças definidoras de AIDS (em qualquer contagem de CD4): sarcoma de Kaposi, linfoma primário do SNC, pneumonia por Pneumocystis, tuberculose extrapulmonar, criptococose extrapulmonar, histoplasmose disseminada, encefalopatia pelo HIV.

5. Diagnóstico

Algoritmo laboratorial

  1. Triagem: ELISA de 4ª geração (anticorpos + antígeno p24) — janela imunológica de 2 a 4 semanas.
  2. Confirmação: imunoblot (detecção de anticorpos contra gp160, gp120, gp41, p24).
  3. PCR quantitativa de RNA — determinação da carga viral e monitoramento da TARV.
  4. Linfócitos CD4 — avaliação do status imunológico.
  5. Genotipagem de resistência — antes de iniciar a TARV e em caso de falha virológica.

Janela imunológica: O ELISA pode ser negativo nas primeiras 2 a 4 semanas. Em caso de suspeita de infecção aguda pelo HIV — PCR de RNA imediata (torna-se positiva de 5 a 10 dias após a infecção).

6. Terapia antirretroviral (TARV)

Princípio da TARV moderna: início imediato após o diagnóstico, independentemente do CD4 e do estágio clínico (conceito "treat-all", OMS 2015).

Classes de medicamentos

ClasseExemplosAlvo
ITNRETenofovir (TDF/TAF), emtricitabina (FTC), lamivudina (3TC), abacavir (ABC), zidovudina (AZT)Transcriptase reversa (competitiva)
ITNNREEfavirenz, etravirina, rilpivirina, doravirinaTranscriptase reversa (não competitiva)
IPLopinavir/ritonavir, darunavir/ritonavir, atazanavirProtease
II (preferência)Dolutegravir (DTG), bictegravir, raltegravir, elvitegravirIntegrase
Inibidores de entradaMaraviroc (CCR5), enfuvirtida (fusão)Entrada viral

Esquema de primeira linha padrão

2 ITNRE + 1 inibidor de integrase. Mais frequentemente: tenofovir + lamivudina (ou emtricitabina) + dolutegravir (TLD — um comprimido por dia). Alternativa: bictegravir/emtricitabina/tenofovir-alafenamida (BIC/FTC/TAF).

Metas do tratamento

  • Redução da carga viral para indetectável (< 50 cópias/ml) em 6 meses.
  • Aumento de CD4 em 50–100 células/µl por ano.
  • Prevenção da transmissão: «I = I» (Indetectável = Intransmissível).

7. Prevenção de infecções oportunistas

  • CD4 < 200 — trimetoprima/sulfametoxazol (profilaxia de pneumonia por *Pneumocystis* e toxoplasmose).
  • CD4 < 50 — azitromicina (MAC), com IgG positivo para toxoplasmose — reforço da profilaxia.
  • Contato com TB — isoniazida por 6–9 meses.
  • Vacinação: vacinas inativadas são permitidas; vivas (BCG, sarampo-caxumba-rubéola) — contraindicadas com CD4 < 200.

8. Profilaxia pós-exposição (PPE)

  • Iniciar o mais cedo possível, idealmente nas primeiras 2 h, no máximo 72 h.
  • Esquema: tenofovir + emtricitabina + dolutegravir por 28 dias.
  • Laboratório: teste de HIV na 0, 6ª e 12ª semanas; hepatites B e C.

Profilaxia pré-exposição (PrEP) — tenofovir/emtricitabina diariamente em pessoas de grupos de alto risco, reduz o risco de infecção em >90 %.

9. Prevenção da transmissão vertical

  • TARV para a mulher — durante a gravidez e o parto.
  • Cesariana eletiva se a carga viral for > 1000 cópias/ml.
  • Abstenção do aleitamento materno (em países com acesso a fórmulas infantis).
  • Para o recém-nascido — profilaxia com TARV desde as primeiras horas de vida (zidovudina ± nevirapina/raltegravir por 4–6 semanas).

Ao seguir o protocolo, o risco de transmissão cai de 15–45 % para < 1 %.

10. FAQ

Qual é a diferença entre HIV e AIDS?
O HIV é a infecção (o vírus no organismo). A AIDS é o estágio final, definido pela queda de CD4 < 200/µl ou pela presença de uma doença definidora de AIDS.

O que é «carga viral indetectável»?
< 50 cópias de RNA/ml — significa replicação suprimida. Um paciente com essa carga não transmite o HIV ao parceiro sexual (princípio I=I).

Por que iniciar a TARV independentemente da contagem de CD4?
O tratamento precoce reduz a inflamação sistêmica, o risco de AIDS, câncer, doenças cardiovasculares e a transmissão aos parceiros. A OMS recomenda a estratégia «tratar todos» desde 2015.

O que fazer após um acidente com agulha infectada?
Lavar com água e sabão, consultar um infectologista e, se houver risco confirmado, realizar profilaxia pós-exposição com TARV por 28 dias. Testes de ELISA de controle na 6ª e 12ª semanas.

O HIV é transmitido pelo convívio cotidiano?
Não. Em condições cotidianas (apertos de mão, utensílios, vaso sanitário, piscina), não ocorre transmissão.

Veja também: Tuberculose · Antibióticos · Células de imunidade · Coloração de Gram de bactérias · Catálogo de doenças infecciosas · Escalas clínicas

O material tem caráter educacional e não substitui a consulta médica. Verifique esquemas de tratamento e dosagens com as diretrizes clínicas vigentes.

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