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Doenças infecciosas

Hepatites virais A, B, C, D, E: diagnóstico e tratamento

Redação WhiteCoat Pro11 de abril de 2026Atualizado em 16 de setembro de 20265 min de leitura
Conteúdo · 12 seções
  1. 1. Comparação dos vírus da hepatite
  2. 2. Hepatite A
  3. 3. Hepatite B — marcadores
  4. 4. Hepatite B — fases da infecção crônica (EASL 2017)
  5. 5. Tratamento da hepatite B
  6. 6. Hepatite D
  7. 7. Hepatite C — diagnóstico
  8. 8. Hepatite C — tratamento (DAA)
  9. 9. Hepatite E
  10. 10. Complicações das hepatites crônicas
  11. 11. Profilaxia e vacinação
  12. 12. FAQ

Em resumo. As hepatites virais são um grupo heterogêneo de infecções hepáticas. A e E — via fecal-oral, agudas, não cronificam (E é grave em gestantes). B, C, D — parenteral/sexual/vertical; cronificação: B até 5% em adultos e 90% em recém-nascidos, C — 75%, D — apenas com a B. Diagnóstico: marcadores IgM anti-HAV/HEV, HBsAg + anti-HBc IgM, anti-HCV + HCV RNA. Tratamento da C — DAA (sofosbuvir + velpatasvir por 12 semanas, SVR > 95%); B — tenofovir/entecavir por toda a vida quando indicado. Profilaxia — vacinas para A e B.

1. Comparação dos vírus da hepatite

VírusFamíliaGenomaViaCronificaçãoVacina
HAVPicornaviridaeRNAFecal-oralNãoPresente
HBVHepadnaviridaeDNAParental, sexual, verticalSim (5–90%)Presente
HCVFlaviviridaeRNAParental (raramente sexual)Sim (75%)Não
HDVDeltaviridaeRNAParental, apenas com HBVSimVia vacina contra HBV
HEVHepeviridaeRNAFecal-oral (zoonótica)Em imunossupressãoDisponível (China)

2. Hepatite A

  • Incubação de 15–50 dias (média de 28).
  • Quadro clínico: pródromo (febre, sintomas semelhantes aos de IVAS, dispepsia) → fase ictérica (colúria, acolia, icterícia) → convalescença.
  • Em crianças, a forma anictérica é mais comum.
  • Diagnóstico: IgM anti-HAV (aguda), IgG anti-HAV (imunidade/infecção prévia).
  • Tratamento sintomático; não cronifica.
  • Forma fulminante < 0,5%.
  • Vacina: 2 doses (0 e 6–12 meses), eficácia > 95%.

3. Hepatite B — marcadores

MarcadorInterpretação
HBsAgInfecção ativa (aguda ou crônica)
anti-HBsImunidade (infecção prévia ou vacinação)
HBeAgAlta replicação, alta infectividade
anti-HBeBaixa replicação (após soroconversão)
anti-HBc IgMHepatite aguda B
anti-HBc IgGInfecção prévia (permanece por toda a vida)
HBV DNAAvaliação quantitativa da carga viral

4. Hepatite B — fases da infecção crônica (EASL 2017)

  • Infecção crônica HBeAg+ (“tolerância imunológica”): HBeAg+, DNA muito alto, ALT normal.
  • Hepatite crônica HBeAg+: HBeAg+, DNA alto, ALT ↑.
  • Infecção crônica HBeAg− (“portador inativo”): anti-HBe+, DNA < 2000 UI/mL, ALT normal.
  • Hepatite crônica HBeAg−: anti-HBe+, DNA > 2000, ALT ↑ (mutantes de pré-core frequentes).
  • HBsAg− (“oculta”): HBsAg−, anti-HBc+, DNA no fígado.

5. Tratamento da hepatite B

  • Indicações: ALT > 2 LSN + DNA > 2000 UI/mL; F ≥ 2 na biópsia ou elastografia; todos os descompensados; todos os candidatos à imunossupressão ou quimioterapia.
  • Drogas de primeira linha: tenofovir disoproxila (TDF), tenofovir alafenamida (TAF), entecavir (ETV) — alta barreira genética à resistência.
  • Peg-IFN-α — alternativa em jovens com HBeAg+ e baixo DNA, por 48 semanas.
  • Critérios de interrupção: soroconversão do HBsAg (rara) ou supressão prolongada do DNA com soroconversão do HBeAg.
  • Monitoramento: DNA a chaque 3–6 meses, AFP + USG de abdômen total a cada 6 meses (rastreamento de CHC).

6. Hepatite D

  • Vírus defeituoso — utiliza o HBsAg como envelope.
  • Coinfecção (simultânea com HBV) — geralmente curso agudo.
  • Superinfecção (em vigência de HBV crônico) — progressão rápida para cirrose (50% em 5 anos).
  • Diagnóstico: anti-HDV IgM/IgG, HDV RNA.
  • Tratamento: PEG-IFN-α por 48 semanas (baixa eficácia); bulevirtide (Hepcludex) — novo inibidor de entrada.

7. Hepatite C — diagnóstico

  • Rastreio: anti-HCV (ELISA).
  • Confirmação de infecção ativa: HCV RNA (PCR).
  • Genotipagem (1–6) — influencia a escolha do esquema, embora com esquemas pangenotípicos sua importância venha diminuindo.
  • Avaliação de fibrose: elastografia (FibroScan), APRI, FIB-4.
  • Rastreio: todos os HIV+, com fatores de risco parenterais, nascidos entre 1945–1965, antes de quimioterapia e imunossupressão.

8. Hepatite C — tratamento (DAA)

  • Medicamentos antivirais de ação direta (DAAs).
  • Esquemas pangenotípicos (EASL 2020, AASLD 2023):
  • — Sofosbuvir + velpatasvir por 12 semanas.
  • — Glecaprevir + pibrentasvir por 8 semanas (sem cirrose) ou 12 semanas (com cirrose compensada).
  • Esquemas na descompensação: sofosbuvir + velpatasvir ± ribavirina por 12–24 semanas.
  • Critério de cura: SVR12 — HCV RNA não detectável 12 semanas após o término do tratamento.
  • Eficácia dos DAAs > 95% independentemente do genótipo.

9. Hepatite E

  • Genótipos 1, 2 — fecal-oral, surtos epidêmicos em países em desenvolvimento.
  • Genótipos 3, 4 — zoonótico (suínos, cervos), esporádicos na Europa.
  • Particularidade: em gestantes (III trimestre) — forma fulminante com mortalidade de até 20%.
  • Cronificação — apenas em imunossuprimidos (transplante, HIV).
  • Diagnóstico: IgM anti-HEV (aguda), IgG anti-HEV, HEV RNA no soro e nas fezes.
  • Tratamento da aguda — sintomático; da crônica — ribavirina por 12 semanas.

10. Complicações das hepatites crônicas

  • Cirrose hepática — 20–30% após 20 anos de hepatite C crônica; mais rápida na coinfecção por HIV, HDV.
  • Carcinoma hepatocelular (CHC) — 3–5% ao ano na cirrose por HBV/HCV.
  • Descompensação: ascite, hemorragia varicosa, encefalopatia hepática.
  • Extrahepáticas: crioglobulinemia (HCV), poliarterite nodosa (HBV), glomerulonefrite membranosa.
  • Rastreio de CHC: AFP + ultrassonografia a cada 6 meses em todos os pacientes com cirrose e em HBsAg+ com histórico familiar/DNA elevado.

11. Profilaxia e vacinação

  • Vacina contra HAV: 2 doses, para crianças a partir de 1 ano e grupos de risco.
  • Vacina contra HBV: 3 doses (0-1-6 meses); no Brasil — universal pelo Calendário Nacional de Vacinação.
  • Profilaxia pós-exposição para HBV: imunoglobulina HBIG + vacina; recém-nascidos de mães HBsAg+ — nas primeiras 12 h.
  • HCV — sem vacina; profilaxia — segurança transfusional, redução de danos em usuários de drogas injetáveis.
  • Rastreio de gestantes para HBsAg, anti-HCV, HIV — obrigatório.

12. FAQ

Como interpretar HBsAg+ e anti-HBs+ simultaneamente?
Fenômeno raro — ou infecção inativa com anti-HBs inadequado (mutação), ou teste falso-positivo. Requer nova testagem e HBV DNA.

É possível curar completamente a hepatite B?
A cura funcional (perda do HBsAg) é alcançada em 1–5% dos casos com tratamento prolongado; a eliminação completa do vírus (cccDNA) é quase impossível. O objetivo é a supressão a longo prazo do DNA.

Por que a hepatite C antigamente era incurável?
Até 2014, o padrão era PEG-IFN + ribavirina, eficácia de 40–60%, muitos efeitos colaterais. Com o advento dos DAAs, o tratamento tornou-se curto (8–12 semanas), oral e com eficácia > 95%.

O que fazer após um acidente com perfurocortante envolvendo paciente com HCV?
Testar o profissional acidentado para anti-HCV/HCV RNA nas semanas 0, 3 e 6. Em caso de soroconversão — início precoce de DAAs. Não há profilaxia pós-exposição específica.

Por que a hepatite E é perigosa na gravidez?
Alterações imunológicas no III trimestre + expressão viral dependente de estrogênio → evolução fulminante, insuficiência hepática aguda, mortalidade de até 15–20%.

Veja também: Cirrose hepática · CHC · Infecção pelo HIV · Hipertensão portal · Catálogo de infecções

O material tem caráter educacional e não substitui a consulta médica. Verifique esquemas de tratamento e dosagens com as diretrizes clínicas vigentes.

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