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Em poucas palavras. A tuberculose é uma infecção crônica por M. tuberculosis, transmitida por via aérea. A Rússia é um país com alta carga de MDR-TB. Diagnóstico: Diaskintest e IGRA (mais sensíveis que o teste de Mantoux), baciloscopia/cultura/GeneXpert MTB/RIF, radiografia/TC. Tratamento da forma sensível: HRZE por 2 meses + HR por 4 meses. Em casos de MDR (resistência à isoniazida + rifampicina) — esquemas com bedaquilina, linezolida, pretomanid de acordo com as diretrizes da OMS de 2022.
1. Epidemiologia
- Globalmente, ocorrem ~10 milhões de casos novos e 1,5 milhão de mortes por ano.
- A Rússia está entre os 30 países com alta carga de TB e MDR-TB.
- Grupos de risco: pessoas vivendo com HIV, migrantes, prisioneiros, diabéticos, fumantes, contactantes.
2. Agente etiológico e patogenia
Mycobacterium tuberculosis é um bacilo álcool-ácido resistente de crescimento lento. Transmissão aerogênica por gotículas < 5 µm. A dose infectante é de 1 a 3 bacilos.
Após a entrada nos alvéolos, os macrófagos fagocitam o patógeno, mas o M. tuberculosis é capaz de inibir a fusão fagolisossômica. Forma-se um granuloma (célula típica de Langhans) com necrose caseosa no centro. Em 90% dos infectados, a forma é latente; em 10%, desenvolve-se TB ativa ao longo da vida. No HIV, o risco de reativação é de 7 a 10% ao ano.
3. Classificação da TB
- Infecção tuberculosa latente (ITBL) — infecção sem manifestações clínicas ou alterações radiológicas.
- Tuberculose ativa:
- Complexo primário (foco de Ghon + linfangite + linfadenite).
- Disseminada (miliar).
- Infiltrativa — a forma mais comum em adultos.
- Pneumonia caseosa.
- Tuberculoma.
- Cavernosa, fibrocavernosa.
- Cirrótica.
- Pleurisia, tuberculose brônquica, laríngea.
- Extrapulmonar (ossos, rins, intestino, meninges, pericárdio, linfonodos).
4. Quadro clínico
- Febre (geralmente subfebril, > 2–3 semanas).
- Tosse > 3 semanas, produtiva.
- Hemoptise (em formas cavitárias).
- Sudorese noturna, perda de peso, astenia.
- Dor torácica na pleurisia.
- TB extrapulmonar — sintomas dependem da localização.
5. Diagnóstico de infecção latente
| Método | Como funciona | Prós/contras |
|---|---|---|
| Teste de Mantoux (tuberculina PPD) | Injeção intradérmica de tuberculina, leitura da pápula em 72h | Baixo custo; reação à BCG, falso-positivo |
| Diaskintest (ESAT-6, CFP-10) | Intradérmico — proteínas ausentes na BCG | Alta especificidade, triagem de escolares |
| IGRA (QuantiFERON, T-SPOT) | IFN-γ em resposta a antígenos | Não reage à BCG, visita única; alto custo |
6. Diagnóstico de TB ativa
- Baciloscopia de escarro (coloração de Ziehl-Neelsen): baixa sensibilidade (~50%), mas rápida e barata.
- Cultura em meios líquidos (BACTEC MGIT) e sólidos (Löwenstein-Jensen) — padrão-ouro; resultado em 2–8 semanas, teste de sensibilidade aos fármacos (TSF).
- GeneXpert MTB/RIF — PCR + detecção de resistência à rifampicina em 2 horas, teste de triagem recomendado pela OMS.
- LPA (line probe assay) — detecção de resistência à isoniazida e fluoroquinolonas.
- Radiografia e TC — infiltrados, cavidades, disseminação, linfadenopatia.
- Broncoscopia com LBA — na ausência de escarro.
- Biópsia — em formas extrapulmonares; histologia + cultura + PCR.
7. Tratamento de ITBL
- Isoniazida 5 mg/kg por 6–9 meses (padrão).
- Rifampicina por 4 meses — alternativa com menor hepatotoxicidade.
- Esquema curto 3HP: isoniazida + rifapentina 1x/semana por 12 doses.
- Indicações: contactantes de TB, HIV, inibidores de TNF, candidatos a transplante.
8. Tratamento da tuberculose sensível a medicamentos
Esquema DOTS padrão:
- Fase intensiva de 2 meses: HRZE — isoniazida (H) + rifampicina (R) + pirazinamida (Z) + etambutol (E).
- Fase de manutenção de 4 meses: HR.
- Duração total — 6 meses; 9 meses — em formas extrapulmonares, HIV, meningite.
- O medicamento é administrado diariamente, sob observação direta (DOT).
Efeitos colaterais
- Isoniazida — hepatite, neuropatia periférica (profilaxia — piridoxina 25 mg/dia).
- Rifampicina — hepatite, indução de CYP (reduz a concentração de COCs, varfarina, inibidores de protease), coloração avermelhada dos fluidos biológicos.
- Pirazinamida — hepatite, hiperuricemia, artralgia.
- Etambutol — neurite retrobulbar (controle da acuidade visual e da visão de cores).
9. Tuberculose multirresistente e extensivamente resistente (MDR-TB e XDR-TB)
- MDR-TB — resistência à isoniazida e rifampicina.
- Pré-XDR-TB — MDR + resistência a fluoroquinolonas OU a um dos injetáveis de segunda linha.
- XDR-TB — MDR + fluoroquinolona + medicamento de segunda linha (injetáveis ou bedaquilina/linezolida conforme a definição de 2021).
- Esquema BPaLM (6–9 meses): bedaquilina + pretomanida + linezolida + moxifloxacino — regime recomendado pela OMS para MDR-TB e pré-XDR-TB.
- Antigamente — 18–24 meses de medicamentos injetáveis (capreomicina, amicacina); hoje — transição para regimes orais.
10. Tuberculose e HIV
- Triagem de 4 sintomas em todos os pacientes HIV+: tosse, febre, sudorese, perda de peso.
- Formas disseminadas e extrapulmonares são mais frequentes.
- A TARV é iniciada nas primeiras 2 semanas de tratamento da TB com CD4 < 50 céls/µL e dentro de 8 semanas com CD4 ≥ 50.
- A rifampicina é substituída pela rifabutina ao usar inibidores de protease; o efavirenz é compatível com a rifampicina.
- IRIS (síndrome inflamatória de reconstituição imune) — complicação do início rápido da TARV.
11. Profilaxia
- BCG — em recém-nascidos na maternidade; revacinação aos 7 anos (com teste de Mantoux negativo).
- Triagem — fluorografia anual, em crianças — Mantoux/Diaskintest.
- Isolação de pacientes bacilíferos até a cessação da eliminação de bacilos.
- Controle de infecção — máscaras, ventilação, luz ultravioleta (UV) em hospitais.
12. FAQ
Por que o Diaskintest é melhor que o Mantoux?
Contém apenas proteínas recombinantes ESAT-6/CFP-10, ausentes na BCG e na maioria das micobactérias não tuberculosas — menor número de reações falso-positivas.
Por que não se deve encurtar o curso do tratamento?
M. tuberculosis divide-se muito lentamente; um curso curto deixa "persistores" — risco de recidiva e desenvolvimento de resistência.
O que fazer em caso de recusa ao tratamento?
O paciente em estado epidemicamente perigoso é hospitalizado compulsoriamente por decisão judicial. Esta é a única doença na Federação Russa com tal norma (Lei Federal nº 77).
É possível vacinar com BCG em caso de HIV?
Em crianças com status de HIV desconhecido — sim; com HIV confirmado — não (BCGite disseminada).
Quando o paciente é dado de alta do registro dispensário?
Em caso de cura: após 1 a 3 anos de acompanhamento, dependendo da forma; na presença de alterações residuais ou grupos de risco — o Grupo III de registro é mantido.
Veja também: HIV · Pneumonia · DPOC · Antibióticos · Catálogo de doenças infecciosas