Sumário · 11 seções
Em poucas palavras. Pneumotórax — acúmulo de ar na cavidade pleural com colapso pulmonar. Tipos: espontâneo (primário/secundário), traumático, iatrogênico, hipertensivo (valvular — risco de vida). Diagnóstico — clínica + RX/USG. Hipertensivo — descompressão imediata por agulha no 2º EIC na linha hemiclavicular ou no 5º na linha axilar anterior. Em seguida — drenagem em selo d'água (Bülau).
1. Definição e classificação
Pneumotórax (PT) — presença de ar na cavidade pleural, levando ao colapso pulmonar parcial ou total e ao comprometimento das trocas gasosas. Em condições normais, a pressão na cavidade pleural é negativa (–5 cm H₂O), o que mantém o pulmão expandido.
Quanto ao mecanismo
- Espontâneo primário — sem doença pulmonar evidente, em jovens altos e astênicos (ruptura de bolhas subpleurais).
- Espontâneo secundário — associado à DPOC, fibrose cística, linfangioleiomiomatose, pneumonia por *Pneumocystis* no HIV, câncer de pulmão.
- Traumático — em fraturas de costelas, ferimentos perfurantes.
- Iatrogênico — após punção de veia subclávia, biópsia pulmonar, ventilação mecânica com barotrauma.
Quanto à extensão e gravidade
- Limitado (em uma área), extenso, total.
- Fechado — o defeito pleural fechou.
- Aberto — comunicação livre com a atmosfera através do trajeto da ferida.
- Valvular (hipertensivo) — o ar entra na inspiração e não sai na expiração, aumentando a pressão.
2. Fisiopatologia
O ar na cavidade pleural causa o colapso pulmonar e a redução da superfície de troca gasosa. Desenvolvem-se hipoxemia e insuficiência respiratória. No PT hipertensivo, dentre todos os tipos, ocorre desvio progressivo do mediastino para o lado oposto → compressão da veia cava → ↓ retorno venoso → choque obstrutivo.
3. Quadro clínico
- Dispneia súbita, dor pleurítica no lado do PT.
- Tosse seca.
- Taquicardia, taquipneia.
- Redução do murmúrio vesicular e do frêmito toracovocal no lado afetado.
- Hipersonoridade (timpanismo) à percussão.
- No PT hipertensivo: cianose acentuada, hipotensão, taquicardia, distensão das veias jugulares, desvio da traqueia para o lado oposto — diagnóstico clínico sem aguardar a radiografia.
4. Diagnóstico
Radiografia
- Linha da pleura visceral, além da qual não há trama vascular pulmonar.
- Desvio do mediastino (no hipertensivo — para o lado saudável).
- Rebaixamento da cúpula diafragmática no lado do PT.
- Para avaliar o tamanho — medição da distância entre a parede torácica e a pleura visceral ao nível do hilo pulmonar.
Ultrassonografia pleural
- Ausência de deslizamento pleural («lung sliding») — sensibilidade superior à radiografia em pacientes acamados.
- Ponto pulmonar («Lung point») — sinal específico de PT.
Tomografia Computadorizada (TC)
- Padrão-ouro para avaliação do volume e detecção de bolhas/cistos causadores do PT.
- Indicações: PT recorrente, radiografia duvidosa, planejamento cirúrgico.
5. Avaliação do tamanho do PT
| Tamanho | Critérios (BTS 2010) |
|---|---|
| Pequeno | < 2 cm da parede torácica ao nível do hilo |
| Grande | ≥ 2 cm |
Segundo o ACCP, utiliza-se a distância do ápice pulmonar à cúpula pleural: < 3 cm — pequeno, ≥ 3 cm — grande.
6. Tratamento
Pneumotórax hipertensivo — atendimento de emergência
- Descompressão imediata por agulha (agulha 14G) no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no 5º espaço intercostal na linha axilar anterior (próximo à margem superior do espaço intercostal para evitar lesão ao feixe vasculonervoso intercostal).
- Após a descompressão — inserção de dreno torácico calibroso (28–32 Fr) em selo d'água (Bülau) no 5º EIC.
- Oxigenoterapia, monitorização.
Espontâneo primário
- Pequeno sem dispneia — observação + oxigênio (acelera a reabsorção do ar em 3 a 4 vezes), radiografia de controle em 6–24 h.
- Grande ou com dispneia — aspiração por agulha; em caso de falha (ou PT recorrente) — drenagem.
Espontâneo secundário
- Sempre drenagem: o risco de descompensação rápida é maior.
- Consideração de intervenção cirúrgica em casos de recidiva.
Traumático e iatrogênico
- Iatrogênico pequeno — observação.
- Todos os traumáticos — drenagem da cavidade pleural.
7. Drenagem pleural
- Local: 5º espaço intercostal na linha axilar anterior (safe triangle).
- Tamanho: 20–28 Fr para adultos.
- Conexão ao sistema de Bülau ou com aspiração ativa (−10 a −20 cm H₂O).
- Remoção do dreno — após expansão pulmonar completa + ausência de fuga de ar durante 24 h.
8. Tratamento cirúrgico
- Indicações: segundo episódio do mesmo lado, primeiro episódio do lado oposto, "fuga" contínua de ar > 5–7 dias, PT bilateral, profissões de alto risco (pilotos, mergulhadores).
- Método de escolha — VATS (toracoscopia videoassistida) com bulectomia e pleurodese mecânica/química (pleurectomia, talco).
9. Complicações
- Recidiva (30–50% após o primeiro episódio).
- Hemotórax (em caso de lesão vascular).
- Edema pulmonar de reexpansão em caso de expansão rápida.
- Empiema, infecção no local do dreno.
10. Prevenção de recidiva
- Cessação do tabagismo (forte fator de risco).
- Pleurodese em caso de recidiva.
- Evitar o mergulho sem avaliação prévia e cirurgia.
11. FAQ
É possível diagnosticar o PT hipertensivo clinicamente?
Sim, e é necessário. Perder tempo com raio-X significa perder o paciente. Os sinais clínicos (hipotensão + murmúrio vesicular diminuído + timpanismo + desvio de traqueia) são indicação de descompressão imediata.
Por que a punção é realizada sobre a borda superior da costela?
O feixe vasculonervoso intercostal corre pela borda inferior da costela suprajacente. A punção na borda superior da costela infrajacente é segura.
Quais são os perigos do pneumotórax aberto?
A cada inspiração, o ar é aspirado para a cavidade pleural → respiração paradoxal, flutter mediastinal → distúrbios hemodinâmicos. Primeiros socorros — curativo oclusivo "valvular" (fechado em três lados).
Quando a pleurodese ativa está indicada?
No PT espontâneo recidivante, bilateral, em pacientes com profissões de alto risco. Métodos: pleurectomia cirúrgica, química (talco, doxiciclina).
Quanto tempo é necessário para a expansão pulmonar?
Em PT pequeno com suporte de oxigênio — 1–3 dias; com drenagem de PT grande — horas/dias, dependendo da fonte de vazamento.
Veja também: Pneumonia · DPOC · Ferimentos · Abdome agudo · Catálogo de Cirurgia · Escalas clínicas