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Cirurgia geral

Pneumotórax: classificação, diagnóstico e tratamento de urgência.

Redação WhiteCoat Pro11 de abril de 2026Atualizado em 19 de abril de 20264 min de leitura
Sumário · 11 seções
  1. 1. Definição e classificação
  2. 2. Fisiopatologia
  3. 3. Quadro clínico
  4. 4. Diagnóstico
  5. 5. Avaliação do tamanho do PT
  6. 6. Tratamento
  7. 7. Drenagem pleural
  8. 8. Tratamento cirúrgico
  9. 9. Complicações
  10. 10. Prevenção de recorrência
  11. 11. FAQ

Em poucas palavras. Pneumotórax — acúmulo de ar na cavidade pleural com colapso pulmonar. Tipos: espontâneo (primário/secundário), traumático, iatrogênico, hipertensivo (valvular — risco de vida). Diagnóstico — clínica + RX/USG. Hipertensivo — descompressão imediata por agulha no 2º EIC na linha hemiclavicular ou no 5º na linha axilar anterior. Em seguida — drenagem em selo d'água (Bülau).

1. Definição e classificação

Pneumotórax (PT) — presença de ar na cavidade pleural, levando ao colapso pulmonar parcial ou total e ao comprometimento das trocas gasosas. Em condições normais, a pressão na cavidade pleural é negativa (–5 cm H₂O), o que mantém o pulmão expandido.

Quanto ao mecanismo

  • Espontâneo primário — sem doença pulmonar evidente, em jovens altos e astênicos (ruptura de bolhas subpleurais).
  • Espontâneo secundário — associado à DPOC, fibrose cística, linfangioleiomiomatose, pneumonia por *Pneumocystis* no HIV, câncer de pulmão.
  • Traumático — em fraturas de costelas, ferimentos perfurantes.
  • Iatrogênico — após punção de veia subclávia, biópsia pulmonar, ventilação mecânica com barotrauma.

Quanto à extensão e gravidade

  • Limitado (em uma área), extenso, total.
  • Fechado — o defeito pleural fechou.
  • Aberto — comunicação livre com a atmosfera através do trajeto da ferida.
  • Valvular (hipertensivo) — o ar entra na inspiração e não sai na expiração, aumentando a pressão.

2. Fisiopatologia

O ar na cavidade pleural causa o colapso pulmonar e a redução da superfície de troca gasosa. Desenvolvem-se hipoxemia e insuficiência respiratória. No PT hipertensivo, dentre todos os tipos, ocorre desvio progressivo do mediastino para o lado oposto → compressão da veia cava → ↓ retorno venoso → choque obstrutivo.

3. Quadro clínico

  • Dispneia súbita, dor pleurítica no lado do PT.
  • Tosse seca.
  • Taquicardia, taquipneia.
  • Redução do murmúrio vesicular e do frêmito toracovocal no lado afetado.
  • Hipersonoridade (timpanismo) à percussão.
  • No PT hipertensivo: cianose acentuada, hipotensão, taquicardia, distensão das veias jugulares, desvio da traqueia para o lado oposto — diagnóstico clínico sem aguardar a radiografia.

4. Diagnóstico

Radiografia

  • Linha da pleura visceral, além da qual não há trama vascular pulmonar.
  • Desvio do mediastino (no hipertensivo — para o lado saudável).
  • Rebaixamento da cúpula diafragmática no lado do PT.
  • Para avaliar o tamanho — medição da distância entre a parede torácica e a pleura visceral ao nível do hilo pulmonar.

Ultrassonografia pleural

  • Ausência de deslizamento pleural («lung sliding») — sensibilidade superior à radiografia em pacientes acamados.
  • Ponto pulmonar («Lung point») — sinal específico de PT.

Tomografia Computadorizada (TC)

  • Padrão-ouro para avaliação do volume e detecção de bolhas/cistos causadores do PT.
  • Indicações: PT recorrente, radiografia duvidosa, planejamento cirúrgico.

5. Avaliação do tamanho do PT

TamanhoCritérios (BTS 2010)
Pequeno< 2 cm da parede torácica ao nível do hilo
Grande≥ 2 cm

Segundo o ACCP, utiliza-se a distância do ápice pulmonar à cúpula pleural: < 3 cm — pequeno, ≥ 3 cm — grande.

6. Tratamento

Pneumotórax hipertensivo — atendimento de emergência

  1. Descompressão imediata por agulha (agulha 14G) no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no 5º espaço intercostal na linha axilar anterior (próximo à margem superior do espaço intercostal para evitar lesão ao feixe vasculonervoso intercostal).
  2. Após a descompressão — inserção de dreno torácico calibroso (28–32 Fr) em selo d'água (Bülau) no 5º EIC.
  3. Oxigenoterapia, monitorização.

Espontâneo primário

  • Pequeno sem dispneia — observação + oxigênio (acelera a reabsorção do ar em 3 a 4 vezes), radiografia de controle em 6–24 h.
  • Grande ou com dispneia — aspiração por agulha; em caso de falha (ou PT recorrente) — drenagem.

Espontâneo secundário

  • Sempre drenagem: o risco de descompensação rápida é maior.
  • Consideração de intervenção cirúrgica em casos de recidiva.

Traumático e iatrogênico

  • Iatrogênico pequeno — observação.
  • Todos os traumáticos — drenagem da cavidade pleural.

7. Drenagem pleural

  • Local: 5º espaço intercostal na linha axilar anterior (safe triangle).
  • Tamanho: 20–28 Fr para adultos.
  • Conexão ao sistema de Bülau ou com aspiração ativa (−10 a −20 cm H₂O).
  • Remoção do dreno — após expansão pulmonar completa + ausência de fuga de ar durante 24 h.

8. Tratamento cirúrgico

  • Indicações: segundo episódio do mesmo lado, primeiro episódio do lado oposto, "fuga" contínua de ar > 5–7 dias, PT bilateral, profissões de alto risco (pilotos, mergulhadores).
  • Método de escolha — VATS (toracoscopia videoassistida) com bulectomia e pleurodese mecânica/química (pleurectomia, talco).

9. Complicações

  • Recidiva (30–50% após o primeiro episódio).
  • Hemotórax (em caso de lesão vascular).
  • Edema pulmonar de reexpansão em caso de expansão rápida.
  • Empiema, infecção no local do dreno.

10. Prevenção de recidiva

  • Cessação do tabagismo (forte fator de risco).
  • Pleurodese em caso de recidiva.
  • Evitar o mergulho sem avaliação prévia e cirurgia.

11. FAQ

É possível diagnosticar o PT hipertensivo clinicamente?
Sim, e é necessário. Perder tempo com raio-X significa perder o paciente. Os sinais clínicos (hipotensão + murmúrio vesicular diminuído + timpanismo + desvio de traqueia) são indicação de descompressão imediata.

Por que a punção é realizada sobre a borda superior da costela?
O feixe vasculonervoso intercostal corre pela borda inferior da costela suprajacente. A punção na borda superior da costela infrajacente é segura.

Quais são os perigos do pneumotórax aberto?
A cada inspiração, o ar é aspirado para a cavidade pleural → respiração paradoxal, flutter mediastinal → distúrbios hemodinâmicos. Primeiros socorros — curativo oclusivo "valvular" (fechado em três lados).

Quando a pleurodese ativa está indicada?
No PT espontâneo recidivante, bilateral, em pacientes com profissões de alto risco. Métodos: pleurectomia cirúrgica, química (talco, doxiciclina).

Quanto tempo é necessário para a expansão pulmonar?
Em PT pequeno com suporte de oxigênio — 1–3 dias; com drenagem de PT grande — horas/dias, dependendo da fonte de vazamento.

Veja também: Pneumonia · DPOC · Ferimentos · Abdome agudo · Catálogo de Cirurgia · Escalas clínicas

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