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Em resumo. A base do tratamento do DM2 é a metformina + modificação do estilo de vida. Na presença de DCV/IC/DRC, os agonistas do receptor de GLP-1 (semaglutida, liraglutida) e os inhibidores da SGLT-2 (empagliflozina, dapagliflozina) são preferíveis, independentemente da HbA1c. Insulina — em casos de descompensação, gravidez, hiperglicemia grave. A meta de HbA1c é individualizada: 6,5–7% em jovens, 7,5–8% em idosos com alto risco de hipoglicemia.
1. Classes de antidiabéticos orais
| Classe | Exemplos | Mecanismo |
|---|---|---|
| Biguanidas | Metformina | ↓ gliconeogênese hepática, ↑ sensibilidade à insulina |
| Sulfonilureias | Gliclazida, glimepirida | Estimulação da secreção de insulina pelas células β |
| Glinidas (metiglinidas) | Repaglinida | Estimulação curta da secreção de insulina |
| Tiazolidinedionas | Pioglitazona | Agonista de PPAR-γ — ↑ sensibilidade à insulina |
| Inibidores da α-glucosidase | Acarbose | ↓ absorção de carboidratos no intestino |
| Inibidores da DPP-4 (gliptinas) | Sitagliptina, vildagliptina | ↑ GLP-1 e GIP endógenos |
| Agonistas do receptor de GLP-1 | Liraglutida, semaglutida, dulaglutida | Secreção de insulina glicose-dependente, ↓ apetite, gastroparesia |
| Inibidores da SGLT-2 | Empagliflozina, dapagliflozina | ↓ reabsorção renal de glicose, glicosúria |
| Insulinas | Asparte, lispro, glargina, degludeca | Reposição de insulina |
2. Metformina — fármaco de primeira linha
- Mecanismo: ativação da AMPK → ↓ produção hepática de glicose, ↓ resistência à insulina.
- Redução da HbA1c em 1–1,5%.
- Vantagens: não causa hipoglicemia, reduz o peso, comprovada ↓ de eventos cardiovasculares.
- Efeitos colaterais: diarreia, flatulência (transitória); acidose lática rara (suspender se TFGe < 30 ml/min).
- Suspender 48 h antes de exames radiológicos com contraste iodado em pacientes com TFGe 30–60.
3. Inibidores da SGLT-2
- Bloqueiam o cotransportador sódio-glicose nos túbulos proximais renais → glicosúria (50–80 g/dia) → ↓ glicose e peso.
- Redução da HbA1c em 0,5–1%.
- Empagliflozina (EMPA-REG OUTCOME), dapagliflozina (DAPA-HF, DECLARE) — ↓ mortalidade cardiovascular, ↓ internações por IC, retardam a progressão da DRC.
- Efeitos colaterais: infecções urogenitais, CAD euglicêmica, raramente gangrena de Fournier, poliúria.
- Indicação especial: paciente com IC ou DRC (TFGe > 20) — independentemente do diabetes.
4. Agonistas do receptor de GLP-1
- Semaglutida (Ozempic/Rybelsus — forma oral), liraglutida (Saxenda — na dose de 3 mg para perda de peso), dulaglutida.
- Mecanismo: ↑ secreção de insulina glicose-dependente, ↓ glucagon, retardo do esvaziamento gástrico, ↓ apetite.
- Redução da HbA1c em 1–1,5%, perda de peso de 4–15 kg.
- Semaglutida e liraglutida — ↓ MACE em pacientes com DCV.
- Efeitos colaterais: náuseas, vômitos, pancreatite (rara).
- Contraindicações: histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou NEM-2.
- O mais recente é a tirzepatida (duplo agonista de GLP-1/GIP) com uma redução recorde de HbA1c de 2% e de peso de até 20%.
5. Inibidores da DPP-4
- Sitagliptina, vildagliptina, alogliptina, linagliptina.
- Mecanismo: inibem a DPP-4 → ↑ incretinas endógenas (GLP-1 e GIP).
- Redução da HbA1c em 0,5–0,8 %.
- Vantagens: neutros em peso, risco de hipoglicemia mínimo.
- Saxagliptina e alogliptina estão associadas a ↑ risco de hospitalizações por IC.
- Não devem ser combinados com agonistas do receptor de GLP-1 (estimulação excessiva).
6. Sulfonilureias
- Gliclazida MR, glimepirida, glibenclamida (não recomendada).
- Estimulam as células β independentemente da glicose → risco de hipoglicemia, especialmente em idosos.
- Redução da HbA1c em 1–1,5%.
- Segunda linha em restrições orçamentárias; perdem espaço para SGLT-2 e GLP-1.
7. Tiazolidinedionas
- Pioglitazona — ativador de PPAR-γ.
- Redução da HbA1c em 0,8–1 %, melhora dos lipídios.
- Efeitos colaterais: ganho de peso, edema, ↑ risco de ICFER, fraturas em mulheres, ↑ risco de câncer de bexiga (em discussão).
- Contraindicado em IC classe funcional III–IV.
8. Insulinoterapia
Indicações no DM2
- Hiperglicemia acentuada (HbA1c > 10 %, glicose > 16,7 mmol/L) com sintomas.
- Gravidez e planejamento de gravidez.
- Comorbidades graves (infarto, AVC, sepse, cirurgias, insuficiência renal/hepática).
- Falha da terapia oral.
Regimes
- Basal: insulina de ação prolongada (glargina 100/300, degludeca) 0,1–0,2 UI/kg ao deitar.
- Basal-bolus: basal + análogo prandial (asparte, lispro, glulisina).
- Misturas: NovoMix 30/70 2x/dia.
- Terapia com bomba — principalmente no DM1.
9. Algoritmo ADA/EASD 2023
- Histórico cardiovascular:
- DCV → GLP-1 ou SGLT-2 com benefício comprovado.
- IC → SGLT-2.
- DRC (TFGe 20–60) → SGLT-2; se TFGe < 20 ou albuminúria > 200 — GLP-1.
- Foco no peso: GLP-1 (semaglutida, tirzepatida) — redução máxima ↓ de peso.
- Minimização de custos: metformina + sulfonilureias ou TZD.
- Mínimo de hipoglicemias: GLP-1, SGLT-2, DPP-4, metformina, TZD.
10. Metas de controle glicêmico
| Classe | HbA1c alvo |
|---|---|
| Jovens, sem comorbidades | < 6,5 % |
| A maioria dos adultos | < 7,0 % |
| Idosos, complicações graves, risco de hipoglicemia | < 8,0 % |
| Gravidez | < 6,0 % |
11. Hipoglicemia
- Nível 1: < 3,9 mmol/L com sintomas.
- Nível 2: < 3,0 mmol/l.
- Nível 3: com alteração da consciência/convulsões.
- Correção: 15 g de carboidratos de ação rápida (suco, comprimidos de glicose) — regra dos "15/15".
- Grave: glucagon 1 mg IM, glicose 40 % IV.
12. FAQ
Quando iniciar iSGLT-2 e GLP-1 — imediatamente ou após falha da metformina?
Em caso de DCV/IC/DRC — desde o primeiro dia, independentemente da HbA1c. A metformina continua sendo a base, mas não bloqueia a prescrição precoce de classes cardioprotetoras.
Quais são os perigos da CAD euglicêmica durante o uso de SGLT-2?
Desenvolve-se com glicemia de 10–15 mmol/L na vigência de infecção, jejum, álcool ou cirurgias. Na presença de sintomas — corpos cetônicos no sangue/urina, suspensão do medicamento, insulina.
A metformina pode ser usada na DRC?
Sim, mas com ajuste: TFGe > 45 — dose plena, 30–45 — máximo de 1000 mg/dia, < 30 — suspender.
Quando mudar de antidiabéticos orais para insulina?
Com HbA1c > 10 %, hiperglicemia sintomática, complicações, doenças intercorrentes, gravidez, cirurgias.
O que fazer com o DM na UTI?
Suspender os antidiabéticos orais, migrar para insulina — basal + corretiva; alvo de glicemia de 7,8–10 mmol/L.
Veja também: DM e suas complicações (CAD) · IC · Glicocorticoides · Tireoide · Catálogo de farmacologia