Etiologia e vias de penetração da infecção
A linfadenite não surge por si só. Ela se desenvolve tendo como pano de fundo doenças purulentas e inflamatórias já existentes, tais como feridas infectadas, furúnculos, carbúnculos, panarícios, erisipela, osteomielite, tromboflebites ou úlceras tróficas. Além disso, a causa pode ser infecções específicas, incluindo tuberculose, peste e actinomicose.
Os principais agentes causadores são microrganismos piogênicos. A infecção pode penetrar nos linfonodos por três vias:
- Linfogênica — a via mais frequente e principal, quando os patógenos migram pelos vasos linfáticos a partir do foco primário.
- Hematogênica — ocorre extremamente raramente, sendo a infecção transportada pela corrente sanguínea.
- Por contiguidade — transição direta da inflamação a partir dos tecidos afetados adjacentes.
Estágios de desenvolvimento e quadro clínico
A inflamação dos linfonodos frequentemente ocorre simultaneamente com a linfangite. Os sintomas gerais incluem dor e aumento perceptível dos próprios linfonodos, bem como sinais de intoxicação: cefaleia, astenia, mal-estar geral e febre.
O processo patológico passa por vários estágios sucessivos, cada um apresentando suas características clínicas distintas:
- Edema seroso (linfadenite simples ou catarral). O estado geral do paciente é pouco afetado. Localmente, observa-se dor obtusa na região dos linfonodos afetados. À palpação, os linfonodos estão aumentados, firmes e dolorosos. Um sinal diagnóstico importante: os linfonodos não estão aderidos aos tecidos circundantes (mantêm mobilidade), e a pele sobre eles não está alterada.
- Linfadenite purulenta. A dor torna-se aguda e intensa. A pele sobre a área afetada está hiperemiada, e a palpação é extremamente dolorosa. Os linfonodos fundem-se entre si e com os tecidos subjacentes, tornando-se imóveis.
- Adenoflegmão. Representa uma inflamação purulenta dos tecidos circundantes. Localmente, observa-se hiperemia cutânea difusa e forma-se um infiltrado firme sem limites precisos. O estado geral do paciente torna-se grave: são característicos febre alta, calafrios, taquicardia e astenia pronunciada.
Formas especiais, complicações e tratamento
Destaca-se separadamente o flegmão putrefativo, no qual, durante a palpação no foco da lesão, determina-se crepitação (crepitação característica).
Se o processo não for interrompido, ocorrem complicações graves. A inflamação purulenta pode se disseminar para os espaços celulares profundos (por exemplo, o espaço retroperitoneal ou o mediastino) e, em casos extremos, levar à generalização da infecção — sepse.
O tratamento cirúrgico está indicado na transição da doença para o estágio purulento (formação de abscessos ou adenoflegmões). A tática cirúrgica consiste na abertura dos focos purulentos, remoção completa do exsudato purulento e drenagem obrigatória da ferida. O manejo posterior de tal paciente é realizado estritamente de acordo com os princípios gerais de tratamento de feridas purulentas.
Para memorizar os estágios: «Seroso — Livre (não aderido), Purulento — Fundido (imóvel), Adenoflegmão — Apagado (sem limites precisos)».
Questões de aulas e exames
A linfadenite pode surgir como uma doença independente?
Não, esta é sempre uma doença secundária. Ela atua como complicação de focos purulentos primários (por exemplo, um furúnculo ou ferida) ou de infecções específicas.
Como diferenciar a linfadenite serosa da purulenta ao exame físico?
Na linfadenite serosa, os linfonodos não estão aderidos aos tecidos, e a pele sobre eles não está alterada. Na purulenta, os linfonodos tornam-se imóveis (fundem-se aos tecidos) e a pele sobre eles avermeia (hiperemia).
O que é um adenoflegmão?
Este é o terceiro estágio de desenvolvimento do processo, no qual a inflamação purulenta ultrapassa os limites do linfonodo para os tecidos circundantes, formando um infiltrado firme sem limites precisos.
Qual é a particularidade do flegmão putrefativo?
Sua principal diferença clínica é a crepitação, que é detectada à palpação do foco da lesão.
O que mais estudar sobre o tema
- Patogênese da disseminação de pus para os espaços celulares (mediastino, espaço retroperitoneal)
- Linfadenites específicas: características clínicas na tuberculose, peste e actinomicose
- Princípios do tratamento local de feridas purulentas após a abertura de adenoflegmão
- A relação entre linfadenite e linfangite na prática clínica
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