Essência do conceito de biodisponibilidade
Em farmacologia clínica, a biodisponibilidade fornece uma avaliação quantitativa exata de quanto princípio ativo entrou na corrente sanguínea após a administração do medicamento. Quando falamos em circulação sistêmica, excluímos aquela parte da dose que pode ter sido perdida ou não absorvida ao longo do percurso. Para descobrir esse valor no caso de comprimidos ou cápsulas tomados por via oral, é necessário realizar uma comparação direta com a situação em que o medicamento é injetado diretamente na veia.
Método de determinação experimental
A biodisponibilidade por via oral (administração por via oral, ou per os) é sempre determinada experimentalmente. A base é a comparação de duas vias de administração da substância no organismo de um mesmo indivíduo.
O experimento clínico inclui as seguintes etapas rigorosas:
- Administração de referência. Primeiro, o paciente selecionado recebe o fármaco investigado por via intravenosa (i.v.). Esta via é considerada ideal.
- Medições primárias. Em intervalos estritamente fixos, amostras de sangue são coletadas do paciente e a concentração do fármaco é medida. Com base nesses pontos, constrói-se a primeira curva para a administração intravenosa.
- Administração de teste. Após o tempo necessário, ao mesmo paciente é administrada exatamente a mesma dose do mesmo fármaco, mas agora por via oral.
- Medições secundárias. Novamente, de forma análoga à primeira etapa, mede-se a alteração da concentração ao longo do tempo e constrói-se a segunda curva — para a administração oral.
Parâmetro-chave de avaliação (AUC)
Após obter os dados das medições, os farmacologistas analisam os gráficos que mostram a relação entre concentração e tempo. O principal indicador a ser extraído desses gráficos é a área sob a curva.
Na prática internacional, este parâmetro é indicado pela sigla AUC (do inglês Area Under the Curve). É justamente a área sob a curva «concentração versus tempo» que permite avaliar objetivamente a quantidade total do fármaco que entrou na circulação sanguínea durante todo o período de observação.
Cálculo do valor da biodisponibilidade
Para converter os dados gráficos em números específicos, utiliza-se uma fórmula matemática simples. A essência da interpretação é que a área sob a curva na administração intravenosa é convencionalmente assumida como o máximo absoluto (100%), já que não há perdas no caminho para a circulação sanguínea.
Fórmula de cálculo: $$F = \frac{AUC_{oral}}{AUC_{i.v.}} \times 100\%$$
Portanto, a biodisponibilidade é a razão entre a área sob a curva com a administração oral do fármaco e a área sob a curva com sua administração intravenosa.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais fatores reduzem a biodisponibilidade de um fármaco administrado por via oral?
A biodisponibilidade de um fármaco administrado por via oral diminui devido a barreiras no trato gastrintestinal e no fígado. Os principais fatores incluem:
- Fatores físico-químicos e enzimáticos do TGI — destruição da substância pelo ácido clorídrico do estômago, inativação por enzimas digestivas e absorção incompleta.
- Metabolismo na parede intestinal — conversão da substância dentro dos enterócitos (por exemplo, levodopa (Levodopa)).
- Transporte ativo — efluxo de substratos dos enterócitos de volta para o lúmen intestinal mediado pela glicoproteína P.
- Eliminação pré-sistêmica — metabolismo intenso durante a «primeira passagem» pelo fígado.
- Aumento da peristalse do TGI — redução do tempo de contato com a mucosa.
Além disso, a biodisponibilidade de alguns medicamentos pode diminuir sob a influência de alimentos.
O que é metabolismo pré-sistêmico e como ele afeta a biodisponibilidade?
O metabolismo pré-sistêmico (eliminação pré-sistêmica ou efeito de primeira passagem) é a perda de parte da substância medicamentosa antes de atingir a circulação sistêmica na administração oral. Como resultado, uma quantidade menor da substância entra na grande circulação em comparação com a quantidade absorvida no lúmen intestinal. A eliminação pré-sistêmica pode ocorrer devido a:
- Metabolismo no fígado durante a passagem da substância pela circulação portal.
- Metabolismo na parede intestinal com a participação da isoenzima CYP3A4, bem como ao efluxo de substâncias de volta para o lúmen intestinal mediado pela glicoproteína P.
O efeito intenso de primeira passagem reduz a biodisponibilidade; para alguns medicamentos, a via oral pode ser ineficaz e, em certos casos, é necessário um aumento da dose.
A fórmula é fácil de memorizar logicamente: dividimos o que estamos investigando (AUC oral) pelo ideal absoluto (AUC i.v.) e multiplicamos o resultado por 100%.
Questões de aulas e exames
Por que a administração intravenosa é utilizada especificamente como referência?
Na via intravenosa, toda a dose administrada do fármaco entra imediata e integralmente na circulação sistêmica, motivo pelo qual este indicador é considerado como 100%.
O que significa a sigla AUC?
AUC significa Area Under the Curve, que se traduz como «área sob a curva» no gráfico da concentração do fármaco em função do tempo.
Por que o mesmo paciente é utilizado no experimento?
A administração de teste (oral) e de referência (i.v.) é realizada no mesmo paciente para excluir a influência de características individuais do organismo nos resultados da comparação.
O que mais estudar sobre o tema
- Clearance total do fármaco
- Volume de distribuição dos medicamentos
- Meia-vida
- Conceito de concentração estacionária
- Particularidades da circulação hepática e portal
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