Estrutura geral do sacro: base e ápice
No adulto, o sacro é um osso único e massivo, formado pela fusão natural de cinco vértebras sacrais (vertebrae sacrales S₁–S₅). Esse osso desempenha uma função de suporte crucial, pois participa diretamente da formação da parede posterior da pelve.
Anatomicamente, ele apresenta duas extremidades:
- Base do sacro (basis sacri) — orientada superiormente, apresenta o corpo da primeira vértebra sacral (corpus vertebrae sacralis primi). Na margem anterior deste corpo localiza-se o promontório (promontorium) — um ponto característico projetado anteriormente, que desempenha um papel fundamental como referência obstétrica. Lateralmente ao corpo encontram-se as asas do sacro (ala ossis sacri). Na superfície póstero-superior da base podem ser encontrados os processos articulares superiores (processus articulares superiores), necessários para a articulação com a quinta vértebra lombar (L₅).
- Ápice do sacro (apex sacri) — a porção estreitada, voltada para baixo, que serve como local de articulação com o osso coccígeo.
Relevo das superfícies do sacro
O sacro possui duas superfícies distintas com relevos completamente diferentes, devido às suas funções:
- Superfície pélvica (facies pelvica). É côncava e relativamente lisa. Nela são claramente visíveis as linhas transversas (lineae transversae), que são vestígios da fusão dos corpos das vértebras sacrais (geralmente existem quatro dessas linhas). Localizam-se aqui também quatro pares de forames sacrais anteriores (foramina sacralia anteriora), através dos quais os ramos anteriores dos nervos espinais sacrais emergem para a cavidade pélvica.
- Superfície dorsal (facies dorsalis). É convexa e muito rugosa. Caracteriza-se pela presença de cristas ósseas longitudinais proeminentes:
- Crista sacral mediana (crista sacralis mediana) — formada pelos processos espinhosos totalmente fundidos.
- Cristas sacrais mediais (cristae sacrales intermediae) — localizadas lateralmente à crista mediana, resultam da fusão dos processos articulares.
- Cristas sacrais laterais (cristae sacrales laterales) — situadas ainda mais lateralmente, originam-se dos rudimentos dos processos transversos.
Na mesma superfície abrem-se quatro pares de forames sacrais posteriores (foramina sacralia posteriora) para a passagem dos ramos nervosos posteriores.
Partes laterais e canal sacral
Nas massas laterais do sacro situa-se a face auricular (facies auricularis), que articula com a superfície homônima do osso do quadril. Logo atrás dela encontra-se a tuberosidade sacral (tuberositas ossis sacri), uma área rugosa e espessa que serve de fixação para fortes ligamentos de sustentação.
No interior do osso, de cima para baixo, estende-se o canal sacral (canalis sacralis). Ele é a continuação anatômica direta do canal vertebral. Na sua parte inferior, na superfície dorsal, o canal termina no hiato sacral (hiatus sacralis). Lateralmente a este hiato projetam-se para baixo os cornos sacrais (cornua sacralia) pares.
Anatomia do cóccix
O cóccix (os coccygis) representa um vestígio evolutivo (rudimento) da região caudal da coluna vertebral. No ser humano, forma-se pela fusão de duas a quatro pequenas vértebras coccígeas (vertebrae coccygeae Co₁–Co₄).
A primeira vértebra coccígea é a maior e apresenta na sua superfície superior processos articulares rudimentares denominados cornos coccígeos (cornua coccygea). Eles apontam para cima e articulam-se com os cornos sacrais.
Apesar da participação do cóccix na sustentação corporal ser extremamente insignificante, ele possui grande importância biomecânica, servindo como ponto firme de fixação para o aparelho ligamentar e parte dos músculos do assoalho pélvico.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
O que passa pelos forames sacrais anteriores e posteriores?
Os ramos dos nervos espinais sacrais passam pelos forames sacrais anteriores e posteriores.
- Forames sacrais anteriores (foramina sacralia anteriora) — servem como ponto de saída para os ramos anteriores dos nervos espinais sacrais.
- Forames sacrais posteriores (foramina sacralia posteriora) — são o local de saída dos ramos posteriores dos nervos sacrais.
Qual é o conteúdo anatômico do canal sacral?
O conteúdo anatômico do canal sacral inclui a cauda equina, plexos venosos e tecido adiposo.
- Cauda equina (cauda equina) — localizada diretamente na cavidade do canal.
- Plexos venosos vertebrais internos (plexus venosi vertebrales interni) — ascendem pelo espaço epidural até a extremidade inferior do canal sacral.
O espaço epidural sacral também contém tecido adiposo.
Quais músculos se originam na superfície pélvica do sacro?
Apenas um músculo mencionado nas fontes se origina na superfície anterior (pélvica) do sacro: o músculo piriforme.
- Músculo piriforme (m. piriformis) — origina-se na superfície anterior do sacro, saindo da cavidade pélvica através do forame isquiático maior (foramen ischiadicum majus) para se inserir no ápice do trocânter maior.
Quais são os limites anatômicos do hiato sacral?
O hiato sacral é anatomicamente limitado pela superfície posterior do ápice do sacro e pelos cornos sacrais.
- Ápice do sacro (apex ossis sacri) — a superfície posterior do ápice forma o limite da abertura de saída do canal.
- Cornos sacrais (cornua sacralia) — localizam-se lateralmente ao hiato sacral, apontam para baixo e o limitam.
Externamente, este hiato é fechado pelo ligamento sacrococcígeo dorsal superficial (membrana sacrococcígea).
Para memorizar facilmente a origem das cristas na superfície dorsal do sacro, associe-as à estrutura de uma vértebra típica do centro para a periferia: Mediana — Espinhosos, Intermédia — Articulares, Lateral — Transversos (ME - IA - LT).
Questões de aulas e exames
O que é o promontório sacral e qual a sua importância?
O promontório (promontorium) é o ponto projetado anteriormente na margem anterior do corpo da primeira vértebra sacral. Ele serve como um marco obstétrico essencial na avaliação da conjugada verdadeira e dos diâmetros pélvicos em geral.
De onde vêm as linhas transversas na superfície pélvica do sacro?
As linhas transversas (lineae transversae) são suturas ósseas que representam vestígios da fusão dos corpos de vértebras sacrais inicialmente separadas em um osso único. Geralmente são quatro.
O que passa pelos forames sacrais?
Os ramos anteriores dos nervos espinais sacrais emergem pelos forames sacrais anteriores, enquanto os ramos posteriores emergem pelos forames sacrais posteriores, respetivamente.
Para que servem os cornos sacrais e coccígeos?
Estes são processos articulares rudimentares das vértebras correspondentes. Os cornos sacrais limitam o hiato sacral lateralmente e articulam-se com os cornos coccígeos, formando a articulação sacrococcígea.
O que mais estudar sobre o tema
- Mecanismo de formação e limites da parede posterior da pelve
- Topografia e ramificação dos nervos espinais sacrais
- Anatomia da articulação entre a face auricular e o osso do quadril
- Aparelho ligamentar da tuberosidade sacral
- Características da articulação sacrococcígea e sua mobilidade nas mulheres
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