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Imunologia

Imunoglobulinas: 5 classes de anticorpos — estrutura e funções

Redação WhiteCoat Pro11 de abril de 20263 min de leitura
Sumário · 7 seções
  1. Estrutura geral das imunoglobulinas
  2. Cinco classes de imunoglobulinas: tabela comparativa
  3. IgG: o principal defensor
  4. Resposta imune primária vs secundária
  5. IgE e alergia (hipersensibilidade do tipo I)
  6. Aplicação clínica
  7. Perguntas frequentes

As imunoglobulinas (anticorpos) são glicoproteínas produzidas por plasmócitos (linfócitos B maduros) em resposta à estimulação antigênica. As cinco classes de anticorpos (IgG, IgA, IgM, IgD, IgE) diferem em estrutura, função e relevância clínica. O conhecimento das imunoglobulinas é essencial para compreender a resposta imune, alergias, doenças autoimunes e o diagnóstico sorológico.

Estrutura geral das imunoglobulinas

Todos os anticorpos são compostos por 4 cadeias polipeptídicas: 2 pesadas (H) e 2 leves (L), unidas por ligações dissulfeto:

  • Fragmento Fab (Fragment antigen-binding) — região variável, liga-se ao antígeno. Cada anticorpo possui 2 sítios de ligação
  • Fragmento Fc (Fragment crystallizable) — região constante, determina a classe da Ig e as funções biológicas (ativação do complemento, ligação a receptores Fc, passagem placentária)
  • Região de dobradiça — confere flexibilidade à molécula durante a ligação aos epítopos

As cadeias pesadas determinam a classe: γ (IgG), α (IgA), μ (IgM), δ (IgD), ε (IgE).

Cinco classes de imunoglobulinas: tabela comparativa

Classe% no soroEstruturaPrincipais funçõesOnde predomina
IgG75-80 %MonômeroPrincipal Ig da resposta secundária, opsonização, ativação do complemento (via clássica), neutralização de toxinasSangue, tecidos. A única que atravessa a placenta!
IgA10-15 %Dímero (IgA secretor)Proteção de mucosas, neutralização na superfícieMucosas: trato gastrintestinal, trato respiratório, colostro, saliva, lágrimas
IgM5-10 %PentâmeroResposta imune primária (primeira Ig na infecção), o mais potente ativador do complemento, isohemaglutininas (grupos sanguíneos)Sangue (molécula grande — não penetra nos tecidos)
IgD<1 %MonômeroReceptor na superfície de linfócitos B ingênuos (BCR)Membrana de células B
IgE<0,01 %MonômeroReações alérgicas (hipersensibilidade do tipo I), defesa antiparasitáriaLigado a mastócitos e basófilos através de FcεRI

IgG: o principal protetor

  • 4 subclasses: IgG1 (65 %) > IgG2 (25 %) > IgG3 (7 %) > IgG4 (3 %)
  • O único Ig que atravessa a placenta (via FcRn — receptor Fc neonatal) → imunidade passiva do recém-nascido nos primeiros 3-6 meses
  • Opsonização (via receptores Fc de fagócitos) e ADCC (citotoxicidade celular mediada por anticorpos — células NK)
  • Ativação do complemento pela via clássica (IgG1 e IgG3 são os melhores ativadores)

Resposta imune primária vs secundária

ParâmetroResposta primáriaResposta secundária
Período latente7-10 dias1-3 dias
Primeiro IgIgMIgG (troca rápida de classe)
Título de anticorposBaixoAlto (100-1000 vezes)
AfinidadeBaixaAlta (maturação de afinidade)
CélulasB naive → plasmócitosCélulas B de memória → plasmócitos

É por isso que IgM (+) com IgG (−) = infecção aguda; IgM (−) com IgG (+) = infecção prévia ou vacinação.

IgE e alergia (hipersensibilidade do tipo I)

  1. Sensibilização: primeiro contato com o alérgeno → células B → IgE → IgE fixa-se aos mastócitos via FcεRI
  2. Contato repetido: o alérgeno liga-se de forma cruzada a 2 moléculas de IgE no mastócito → degranulação → histamina, leucotrienos, prostaglandinas
  3. Quadro clínico: urticária, rinite, broncoespasmo, anafilaxia

Aumento de IgE total: doenças atópicas (asma, eczema, rinite), helmintíases, aspergilose broncopulmonar alérgica.

Uso clínico

  • Diagnóstico sorológico: determinação de IgM e IgG contra agentes patogênicos (infecções TORCH, hepatites, HIV)
  • Imunoeletroforese: diagnóstico de mieloma múltiplo (paraproteína monoclonal — pico M)
  • Deficiência de IgA: a imunodeficiência primária mais comum (1:500), frequentemente assintomática; risco de anafilaxia em transfusões de sangue contendo IgA
  • Imunoglobulinas intravenosas (IGIV): terapia de doenças autoimunes (síndrome de Guillain-Barré, doença de Kawasaki, PTII)

Perguntas frequentes

Por que o IgM é um pentâmero e o IgG é um monômero?

IgM — a primeira resposta, produzida antes da maturação da afinidade. Sua baixa afinidade é compensada por 10 sítios de ligação (pentâmero) — alta avidez. O IgG aparece após a troca de classe e maturação da afinidade — cada molécula é altamente específica, por isso bastam 2 sítios de ligação. A estrutura pentamérica também torna o IgM o mais potente ativador do complemento.

Como o IgG atravessa a placenta?

Através do FcRn (receptor Fc neonatal) no sinciciotrofoblasto: o IgG se liga em pH 6,0 (nos endossomos), é transportado através da célula e liberado em pH 7,4 (no sangue fetal). Esse mecanismo é seletivo — IgM, IgA, IgE não passam devido à incompatibilidade com o FcRn. O IgG transplacentário protege o recém-nascido nos primeiros 3 a 6 meses.

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