Causas de aparecimento (Etiologia)
O desenvolvimento de úlceras tróficas está associado a distúrbios da circulação sanguínea local, da inervação ou a transtornos sistêmicos gerais.
Principais grupos de causas:
- Vasculares (crônicas): distúrbios do fluxo sanguíneo venoso (IVC, síndrome pós-tromboflebítica) ou arterial (DAOP, aterosclerose), linfedema.
- Traumáticas: sequelas de queimaduras profundas, congelamentos ou feridas extensas.
- Neurogênicas: siringomielia, lesão nervosa, tabes dorsalis (tabes dorsalis).
- Metabólicas: diabetes melito, deficiência de vitaminas.
- Sistêmicas e infecciosas: colagenoses, doenças hematológicas, tuberculose, sífilis, hanseníase, erisipela, micoses profundas.
- Oncológicas: degradação de tumor maligno.
Classificação e quadro clínico
As mais frequentes na prática cirúrgica são as úlceras de origem vascular. A aparência e a localização do defeito dependem de sua causa.
Úlceras arteriais (ateroscleróticas)
Ocorrem em pacientes idosos no contexto de insuficiência arterial crônica. Localizam-se no pé ou no terço inferior da perna. Os defeitos são pequenos, de formato redondo-oval, com bordas irregulares e densas, e granulações pálidas. São acompanhadas de isquemia acentuada do membro.
Úlceras venosas (varicosas e SPTF)
- Varicosas: Localizam-se mais frequentemente perto do maléolo medial. Podem ser profundas e extensas. São caracterizadas por hiperpigmentação e esclerose dos tecidos circundantes, com pouca dor. Estão associadas a varizes.
- Pós-tromboflebíticas: Formam-se na SPTF. Localização — maléolo medial. Podem atingir tamanhos gigantescos (chegando a úlceras em "polaina", englobando toda a perna). As bordas são planas, as granulações são flácidas. A pele ao redor é acentuadamente endurecida e edemaciada (celulite indurativa).
Úlceras por radiação
Consequência de irradiação ionizante. São precedidas por atrofia cutânea, telangiectasias e alopecia. Os defeitos são profundos (chegando ao osso), com bordas irregulares, cercados por uma zona de esclerose.
Úlceras por desintegração tumoral
Formam-se sobre um infiltrado denso e imóvel. As bordas são nodulares, espessadas, o fundo é coberto por necrose, e o crescimento contínuo do tecido tumoral é perceptível na periferia.
Princípios de tratamento
A abordagem terapêutica é sempre abrangente e inclui três direções:
- Tratamento patogenético: eliminação da causa primária. Por exemplo, normalização do fluxo sanguíneo (remoção de veias varicosas, cirurgia vascular) ou excisão de cicatrizes.
- Tratamento local:
- Limpeza: remoção de necrose e combate à infecção (vácuo, enzimas, bisturi).
- Regeneração: estimulação da cicatrização (fisioterapia, curativos com agentes reparadores) ou enxerto de pele (autodermoplastia).
- Terapia de suporte geral: vitaminas, correção nutricional, estimulação do anabolismo.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais métodos e grupos de medicamentos são utilizados para a limpeza local de uma úlcera trófica contra massas necróticas?
Para a limpeza local de uma úlcera trófica contra massas necróticas, utilizam-se excisão cirúrgica, vácuo e enzimas proteolíticas. As enzimas pertencem aos agentes de antissepsia biológica; elas lisam tecidos necrosados, fibrina e pus, além de exercerem efeito antiedematoso. De acordo com sua origem, distinguem-se os seguintes grupos de enzimas proteolíticas:
- De origem animal — Tripsina, Quimotripsina, Ribonuclease, Colagenase.
- De origem bacteriana — Terrilitina, Estreptoquinase, Asperase (bem como a pomada combinada Iruxol).
- De origem vegetal — Papaína, Bromelaína.
Estes medicamentos são aplicados topicamente na forma de solução ou pó diretamente sobre a úlcera.
Quais são os estágios clássicos do processo de ferida identificados durante o curso e a cicatrização de uma úlcera trófica?
Durante o curso e a cicatrização de uma úlcera trófica, assim como em qualquer processo de ferida, distinguem-se três estágios clássicos. O esquema de cicatrização é universal, e as diferenças são apenas de natureza quantitativa:
- I fase — Inflamação (hidratação) — une os processos de alteração, exsudação e necrolise; sua essência consiste na limpeza dos tecidos necróticos (clinicamente corresponde a uma ferida "preta" ou "amarela").
- II fase — Proliferação (regeneração, desidratação) — ocorre a formação e maturação do tecido de granulação (clinicamente é uma ferida "vermelha").
- III fase — Cicatrização (reorganização da cicatriz e epitelização) — inclui a maturação do tecido cicatricial e a epitelização do defeito (ferida "branca").
Questões de aulas e exames
Por que é necessária a biópsia de uma úlcera trófica?
A biópsia é necessária em úlceras de cicatrização prolongada (calosas) para excluir transformação maligna (malignização) ou confirmar infecção específica (por exemplo, tuberculose).
O que mais estudar sobre o tema
- Patogênese dos distúrbios microcirculatórios na IVC e na DAOP
- Métodos de fechamento cirúrgico de defeitos ulcerosos (autodermoplastia)
- Celulite indurativa na SPTF
- Úlceras específicas (tuberculosas, sifilíticas)
- O papel das enzimas proteolíticas na limpeza de feridas
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