Características patofisiológicas
O problema-chave durante a imersão na água é a hipóxia aguda. Em condições normais, o tempo para o aparecimento da morte clínica é reduzido criticamente, sendo de apenas até 3 minutos. Isso está associado ao consumo colossal das reservas internas de oxigênio: a vítima gasta toda a energia disponível com esforços musculares intensos, tentando manter-se na superfície.
No entanto, a situação muda radicalmente no caso de afogamento em água fria. O resfriamento brusco do organismo causa o efeito de hipotermia. A queda da temperatura corporal leva à desaceleração total de todos os processos metabólicos. O consumo de oxigênio pelos tecidos cerebrais cai ao mínimo. Graças a esse mecanismo de proteção, o tempo de morte clínica é significativamente prolongado. A medicina conhece casos documentados em que a reanimação completa de uma pessoa foi possível mesmo após permanecer embaixo d'água por mais de 20 minutos.
Diferenças entre água doce e salgada
A tática de primeiros socorros depende estritamente da composição química do corpo d'água, uma vez que a patogênese da lesão pulmonar é determinada pela diferença na osmolaridade dos líquidos.
- Água doce. A osmolaridade da água de rio ou lago é significativamente menor do que a osmolaridade do sangue. Assim que o líquido entra nos alvéolos, pelas leis da física, ele é absorvido instantaneamente através da membrana diretamente para a corrente sanguínea. É por isso que os socorristas são estritamente proibidos de perder tempo precioso tentando "sacudir" ou remover água da traqueia e dos brônquios.
- Água salgada (do mar). A concentração de sais no mar é de cerca de 3,5–4%, o que torna sua osmolaridade maior do que a do sangue. Ocorre o efeito oposto: a parte líquida do sangue (plasma) migra ativamente da corrente sanguínea para o lúmen das vias aéreas. Ao misturar-se com o ar e a água do mar, o plasma forma um líquido espumoso abundante. Essa espuma cria um obstáculo mecânico intransponível para a ventilação mecânica. Nesses casos, é necessário remover parcialmente o líquido. Para isso, a vítima é levantada muito rapidamente pela parte inferior do tronco (para que a cabeça fique pendurada para baixo) e a água é deixada escorrer. A manobra deve ser realizada da maneira mais rápida possível.
Algoritmo de atendimento
As medidas de reanimação são divididas em duas etapas: ações na água e na margem.
1. Ajuda na água (durante o reboque):
- A ventilação mecânica (VM) deve ser iniciada na primeira oportunidade — assim que o rosto da vítima estiver acima da superfície.
- Se for constatada parada cardíaca, deve-se iniciar imediatamente a massagem cardíaca externa, sem interromper a ventilação mecânica.
- Regra importante: nesta etapa, não se deve perder tempo removendo água das vias aéreas inferiores.
2. Medidas na margem:
- Remoção de água do estômago. O estômago da vítima está sempre cheio de líquido engolido. É necessário virar a pessoa de lado e pressionar firmemente a região epigástrica.
- Limpeza da cavidade oral. É obrigatório limpar a boca de muco, areia e lodo usando o dedo ou um tecido.
- Ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Se os batimentos cardíacos estiverem preservados, mas a respiração estiver ausente, realiza-se a ventilação mecânica pelo método "boca a boca". Com o desenvolvimento de morte clínica, realiza-se a RCP completa por um ou dois socorristas.
Tática posterior: Independentemente do bem-estar e do tempo de permanência submerso, todas as vítimas devem ser obrigatoriamente hospitalizadas em uma unidade de terapia intensiva especializada para tratamento intensivo e monitoramento.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais alterações na composição eletrolítica do sangue e no volume de sangue circulante ocorrem no afogamento em água doce?
No afogamento em água doce, o líquido é rapidamente absorvido dos alvéolos para a corrente sanguínea, uma vez que sua osmolaridade é menor do que a do sangue. Isso leva às seguintes alterações patofisiológicas:
- Hipervolemia — ocorre um aumento no volume de sangue circulante (VSC).
- Hemodiluição — observa-se uma diluição acentuada do sangue.
- Hemólise eritrocitária — destruição dos glóbulos vermelhos.
- Síndrome hiposmolar — acompanhada de hipertensão arterial e aumento da pressão intracraniana devido ao edema das células cerebrais.
Além disso, componentes intracelulares aparecem no plasma devido à citólise e à lesão de células de vários tecidos.
Quais alterações patofisiológicas sistêmicas ocorrem quando a água do mar entra nos alvéolos?
Quando a água do mar entra nos alvéolos, a parte líquida do sangue migra para as vias aéreas. Isso se deve ao fato de que a osmolaridade da água salgada é superior à osmolaridade do sangue; a concentração de sal é de 3,5–4%. Como resultado, forma-se um líquido espumoso que impede a realização da ventilação mecânica (VM). Para remover parcialmente o líquido, é necessário levantar a vítima muito rapidamente pela parte inferior do tronco para que a cabeça fique pendurada para baixo.
Quais complicações específicas podem se desenvolver em um sobrevivente de afogamento no período pós-ressuscitação?
No período pós-ressuscitação após o afogamento, pode se desenvolver a síndrome do desconforto respiratório agudo (edema pulmonar não cardiogênico). Ela é caracterizada pelo desenvolvimento fulminante de insuficiencia respiratória, hipoxemia progressiva e hipercapnia. Podem ocorrer as seguintes complicações:
- falência de múltiplos órgãos, causando desestabilização transitória no âmbito da doença pós-ressuscitação;
- instalação de insuficiência cardíaca fatal;
- síndrome de coagulação intravascular disseminada (CIVD);
- complicações infecciosas.
O prognóstico é avaliado como extremamente desfavorável.
A-A-A: Água doce — Apague (não perca tempo removendo água dos pulmões). S-S-S: Água salgada — Saia/Escoe (vire rapidamente de cabeça para baixo para drenar a espuma).
Questões de aulas e exames
Por que no afogamento a morte clínica ocorre tão rapidamente?
Devido ao trabalho muscular ativo: uma tentativa de pânico para escapar queima quase toda a reserva de oxigênio do corpo em 3 minutos.
É necessário tentar drenar a água dos pulmões da vítima em um rio?
Não, a água doce tem baixa osmolaridade e é absorvida muito rapidamente dos alvéolos para a corrente sanguínea. É proibido perder tempo tentando removê-la.
Por que esvaziar o estômago na margem?
No afogamento, o estômago da vítima está sempre cheio de água engolida. Pressionar a região epigástrica na posição lateral previne a aspiração acidental de conteúdo gástrico para os pulmões durante a reanimação.
O que mais estudar sobre o tema
- Particularidades da técnica de RCP na água durante o reboque
- Mecanismos de formação de líquido espumoso quando a água do mar entra nos pulmões
- Perigos e consequências da distensão gástrica por água
- Complicações tardias após a ressuscitação bem-sucedida (motivos de internação na UTI)
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