Métodos básicos e primeiros socorros
Em situações em que o equipamento médico não está disponível, aplicam-se os métodos clássicos de respiração artificial. As principais técnicas incluem a insuflação de ar "boca a boca" ou "boca a nariz". Se a assistência for prestada a uma criança pequena, o socorrista pode utilizar o método "boca a boca e nariz" simultaneamente.
O algoritmo de ação em caso de choque elétrico requer atenção especial. É necessário agir em estrita sequência:
- Garantir a segurança. A tarefa prioritária é afastar imediatamente a vítima do contato com a fonte de corrente elétrica.
- Garantir repouso. Se a exposição à corrente elétrica não causou lesões fatais, a pessoa deve ser deitada estritamente na horizontal e receber repouso físico completo.
- Restaurar a respiração. Ao constatar a ausência de respiração, deve-se iniciar urgentemente a ventilação artificial utilizando o método "boca a boca".
- Suporte circulatório. Em caso de parada cardíaca, a ventilação deve obrigatoriamente ser complementada por massagem cardíaca externa.
Técnica de reanimação por dois socorristas
A ressuscitação cardiopulmonar exige grande esforço físico, por isso sua execução em dupla é a mais eficaz. Os papéis entre os participantes são rigidamente distribuídos:
- O primeiro socorrista assume as compressões torácicas (massagem cardíaca externa).
- O segundo socorrista realiza a ventilação pulmonar artificial.
A regra fundamental é o respeito à proporção: para cada 1 insuflação de ar, deve haver exatamente 5 compressões no esterno (proporção de 1:5).
Durante o processo, os participantes devem monitorar a eficácia das ações um do outro. O socorrista que realiza a ventilação avalia a correção da massagem pela presença de pulsação na artéria carótida no momento das compressões. Por sua vez, o socorrista que executa a massagem monitora continuamente o estado das pupilas do paciente. Como o procedimento consome muita energia, para manter a eficácia adequada dos esforços, os socorristas devem fazer o rodízio (trocar de lugar) periodicamente.
Uso da cânula orofaringe em forma de S
Para prevenir a obstrução das vias aéreas e manter firmemente a base da língua impedindo sua queda, utiliza-se um tubo especial em forma de S — a cânula orofaríngea.
A técnica de inserção do instrumento inclui os seguintes passos:
- A cânula é introduzida na cavidade oral com a extremidade curvada para cima, devendo deslizar suavemente pela superfície do palato duro.
- Ao atingir o nível da base da língua, o tubo deve ser girado em torno de seu próprio eixo exatamente em 180 graus.
- Após o posicionamento correto, o rebordo especial da cânula deve vedar firmemente a boca da vítima.
Durante a ventilação artificial através do tubo inserido, o nariz do paciente é firmemente tapado com os dedos e o socorrista expira diretamente no lúmen livre da cânula.
Uso da máscara facial com bolsa-valva-máscara (Ambu)
O suporte respiratório com equipamento é frequentemente realizado com o auxílio do reanimador manual (bolsa Ambu). Para o sucesso do procedimento, a cabeça da vítima deve estar estendida e a máscara deve vedar hermeticamente a boca e o nariz.
A fixação correta da máscara exige uma posição específica dos dedos do socorrista:
- O polegar (1º dedo) segura firmemente a parte nasal estreita da máscara.
- O indicador (2º dedo) fixa firmemente sua metade inferior.
- Os demais dedos (3º, 4º e 5º) posicionam-se na parte inferior e elevam ativamente a mandíbula para cima.
O mecanismo de funcionamento do dispositivo baseia-se na insuflação manual de ar. A compressão rítmica da bolsa elástica garante a inspiração ativa. Já a expiração ocorre de forma passiva: o ar viciado é liberado para a atmosfera através de uma válvula especial. Na prática clínica, o design da bolsa permite conectar facilmente uma fonte adicional de oxigênio.
A regra "Dois em cima, três embaixo" ajuda a memorizar a pegada correta da máscara da bolsa Ambu. Os dedos polegar e indicador (1º e 2º) pressionam hermeticamente a máscara contra o rosto, enquanto o dedo médio, o anelar e o mínimo (3º, 4º e 5º) atuam como uma alavanca, puxando a mandíbula inferior para cima.
Questões de aulas e exames
Como é feita a divisão do monitoramento do estado do paciente ao trabalhar em dupla?
O socorrista que realiza a respiração artificial avalia a eficácia da massagem verificando a presença de pulsação na artéria carótida durante as compressões. Aquele que executa as compressões no esterno monitora a reação pupilar.
Para que serve a cânula orofaríngea em S e como instalá-la corretamente?
Ela impede a queda da base da língua e evita a obstrução das vias aéreas. É inserida com a extremidade curvada para cima ao longo do palato duro, e ao nível da base da língua é girada em 180 graus.
Como ocorre a expiração ao utilizar a bolsa Ambu?
A expiração ocorre de forma passiva. O ar dos pulmões da vítima sai para a atmosfera através de uma válvula especial do aparelho no momento em que o socorrista para de comprimir a bolsa.
O que mais estudar sobre o tema
- Premissas anatômicas para a queda da base da língua e mecanismos de obstrução das vias aéreas.
- Fisiopatologia do desenvolvimento da parada respiratória em lesões por choque elétrico.
- Particularidades da realização da respiração artificial em lactantes (método "boca a boca e nariz").
- Diferenças entre massagem cardíaca direta e indireta na morte clínica.
- Estrutura das válvulas respiratórias e regras de conexão de oxigênio à bolsa Ambu.
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