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Traumatologia

Fraturas ósseas: classificação AO/OTA, princípios de diagnóstico e tratamento.

Redação WhiteCoat Pro11 de abril de 2026Atualizado em 16 de setembro de 20265 min de leitura
Conteúdo · 12 seções
  1. 1. Classificação
  2. 2. Classificação AO/OTA
  3. 3. Clínica
  4. 4. Exame físico e complementar
  5. 5. Princípios da AO
  6. 6. Métodos de tratamento
  7. 7. Indicações cirúrgicas
  8. 8. Tratamento de fraturas expostas
  9. 9. Complicações
  10. 10. Prazos de consolidação
  11. 11. Particularidades em idosos
  12. 12. FAQ

Em poucas palavras. Fratura — interrupção da continuidade óssea. Classificam-se pelo mecanismo (direto/indireto), traço de fratura (transverso, oblíquo, espiroide, cominutivo), desvio, localização (diáfise, metáfise, epífise, intra-articular), segundo a AO/OTA (segmento — tipo A/B/C). Expostas — segundo Gustilo-Anderson I–IIIC. Princípios: redução precoce, fixação estável, preservação do suprimento sanguíneo, tratamento funcional (4 princípios da AO). Consolidação: 4–6 semanas (crianças) — 8–16 semanas (adultos). Complicações: síndrome compartimental, embolia gorda, pseudartrose, necrose avascular, TEP.

1. Classificação

Por etiologia

  • Traumáticas (mecanismo direto/indireto).
  • Patológicas (tumor, metástases, osteoporose, mieloma múltiplo).
  • Por estresse / de fadiga (microtraumatismos repetitivos).

Pela integridade da pele

  • Fechadas.
  • Expostas (Gustilo-Anderson):
  • — Tipo I: ferida < 1 cm, limpa, dano mínimo aos tecidos moles.
  • — Tipo II: ferida de 1–10 cm, dano moderado.
  • — IIIA: dano significativo, mas o osso está coberto por tecidos.
  • — IIIB: dano extenso com exposição óssea, requer retalho/plástica.
  • — IIIC: + lesão de artéria principal.

Pelo padrão do traço de fratura

  • Transversa — impacto direto.
  • Oblíqua — força angular.
  • Espiroide — mecanismo rotacional.
  • Cominutiva (multifragmentar) — trauma de alta energia.
  • Impactada — carga axial (colo do fêmur, calcâneo).
  • Por compressão — vértebras em caso de queda.
  • Por avulsão — tração tendínea/ligamentar.
  • Em «galho verde» e em «toro» — em crianças (subperiosteais).

Pelo desvio

  • Sem desvio.
  • Com desvio: em comprimento, largura, angular, rotacional.

Por localização

  • Diafisárias, metafisárias, epifisárias, intra-articulares.
  • Em crianças — epifisiólises segundo Salter-Harris I–V.

2. Classificação AO/OTA

  • Código numérico do segmento (por exemplo, fêmur — 3, segmento proximal — 3.1, diáfise — 3.2, distal — 3.3).
  • Tipo: A — simples, B — em cunha, C — complexa/cominutiva.
  • Grupos e subgrupos por gravidade.
  • Utilizada para prognóstico e escolha da conduta.

3. Clínica

  • Sinais definitivos: crepitação óssea, mobilidade patológica, deformidade visível, encurtamento do membro.
  • Sinais prováveis: dor, edema, hematoma, alteração funcional.
  • Sempre avaliar o feixe vásculo-nervoso distal à fratura (pulso, preenchimento capilar, sensibilidade, função motora).

4. Exame físico e complementar

  • Radiografia em 2 incidências incluindo as articulações adjacentes.
  • TC — fraturas intra-articulares, pelve, coluna, calcâneo.
  • RM — fraturas por estresse, ocultas (colo do fêmur), lesões capsuloligamentares.
  • USG — em crianças, fraturas sem complicações dos ossos do antebraço.
  • Cintilografia — fraturas por estresse, metástases múltiplas.
  • Angiografia / Angio-TC — em caso de suspeita de lesão vascular.

5. Princípios da AO

  1. Redução anatômica — especialmente em fraturas intra-articulares.
  2. Fixação estável.
  3. Preservação do suprimento sanguíneo dos fragmentos ósseos e dos tecidos moles.
  4. Mobilização ativa precoce de músculos e articulações.

6. Métodos de tratamento

Conservadores

  • Redução (única ou com tração).
  • Imobilização: gesso ou tala plástica, talas articuladas (braces), órteses.
  • Tração esquelética (fêmur, tíbia em adultos como medida temporária).
  • Tratamento funcional (fraturas costais, compressão vertebral).

Cirúrgicos

  • Fixação interna (ORIF): placas, parafusos, haste intramedular bloqueada.
  • Osteossíntese transóssea: fixador de Ilizarov, fixadores externos monoplanares/cilíndricos (indicado em fraturas expostas, infectadas, cominutivas).
  • Artroplastia em fraturas do colo do fêmur em idosos.
  • MIPO (osteossíntese percutânea com placa minimamente invasiva) — técnica preservadora.
  • Damage control orthopaedics — fixação externa temporária no politraumatismo, seguida de osteossíntese definitiva.

7. Indicações cirúrgicas

  • Fraturas expostas.
  • Fraturas irredutíveis ou instáveis.
  • Fraturas intra-articulares com desvio.
  • Fraturas patológicas.
  • Lesão de estruturas neurovasculares.
  • Fraturas do colo do fêmur em idosos.
  • Politraumatismo.
  • Necessidade de mobilização precoce (idosos, atletas profissionais).

8. Tratamento de fraturas expostas

  • Antibioterapia nas primeiras 3 h: cefazolina 2 g × 3 (tipos I–II), + gentamicina ou ciprofloxacino no tipo III, + clindamicina/metronidazol em caso de contaminação por terra (C. perfringens).
  • Anatoxinatetânica.
  • Desbridamento cirúrgico de urgência dentro de 6 h (regra clássica); dados modernos permitem 12–24 h sem aumento do risco de infecção com antibioterapia adequada.
  • Fixação primária — fixador externo ou haste (conforme o cenário).
  • Fechamento precoce de tecidos moles em até 7 dias — reduz o risco de infecção profunda.

9. Complicações

Precoces

  • Choque traumático/hemorrágico.
  • Embolia gordurosa (24–72 h após fratura de ossos longos): hipoxemia, exantema petequial, alteração do nível de consciência.
  • Tromboembolismo pulmonar (TEP), trombose venosa profunda (TVP).
  • Síndrome compartimental: 5P — pain (dor desproporcional), pallor (palidez), paresthesias (parestesias), pulselessness (ausência de pulso — tardio), paralysis (paralisia); ΔP < 30 mmHg → fasciotomia.
  • Lesão vascular/nervosa.
  • Infecção.

Tardias

  • Retardo de consolidação, pseudoartrose, não união.
  • Consolidação viciosa.
  • Necrose avascular (colo do fêmur, escafoide, tálus).
  • Artrose pós-traumática.
  • Contratura de Volkmann.
  • Síndrome da dor regional complexa (SDRC, «síndrome de Sudeck»).
  • Osteomielite crônica.
  • Miosite ossificante.

10. Prazos de consolidação

LocalizaçãoAdultos (sem.)Crianças (sem.)
Falanges dos dedos3–42–3
Antebraço6–104–6
Úmero (diáfise)8–124–6
Fêmur (diáfise)12–166–8
Colo do fêmur12–24 (risco de pseudoartrose)—
Perna (tíbia)12–166–10
Clavícula4–63–4
Costelas3–42–3
Pelve8–12—

11. Particularidades em idosos

  • Fraturas do colo do fêmur — artroplastia nas primeiras 48 h para redução da mortalidade.
  • Rastreamento perioperatório de osteoporose (DEXA).
  • Mobilização precoce, profilaxia de TEP (HBR [heparina de baixo peso molecular] por 28–35 dias).
  • Tratamento da osteoporose (bisfosfonatos, denosumabe) após fratura.

12. FAQ

O que é a "regra das 6 horas" em fraturas expostas?
Tradicionalmente, desbridamento cirúrgico nas primeiras 6 horas para reduzir infecções. Estudos modernos mostraram que, com antibioterapia oportuna, a "janela" se estende para 12–24 horas sem aumento de complicações.

Qual é a diferença entre pseudoartrose e consolidação retardada?
Consolidação retardada: a consolidação ocorre, mas mais devagar que o normal (aumento do tempo em 1,5 a 2 vezes). Pseudoartrose: após 6–9 meses sem sinais de consolidação; necessita de cirurgia, enxerto ósseo e estimulação.

Por que as fraturas do colo do fêmur em idosos são operadas imediatamente?
O atraso > 48 horas aumenta a mortalidade em 30%. A artroplastia precoce permite a mobilização, reduz o tromboembolismo pulmonar, a pneumonia e as úlceras de pressão.

O que é o "princípio do coco e da palmeira"?
Fratura da base do 5º metatarso em trauma por inversão — uma variante da fratura de Jones; suprimento sanguíneo precário, alto risco de não união; frequentemente requer fixação com parafuso.

Como detectar uma fratura occulta do colo do fêmur?
Ressonância magnética é o método de escolha quando a radiografia é negativa e há quadro clínico (incapacidade de apoio, dor no quadril). A alternativa é a cintilografia após 48 horas.

Veja também: Luxações · Osteoporose · Politrauma · Síndrome compartimental · Catálogo de Cirurgia

O material tem caráter educacional e não substitui a consulta médica. Verifique esquemas de tratamento e dosagens com as diretrizes clínicas vigentes.

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