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Em poucas palavras. Fratura — interrupção da continuidade óssea. Classificam-se pelo mecanismo (direto/indireto), traço de fratura (transverso, oblíquo, espiroide, cominutivo), desvio, localização (diáfise, metáfise, epífise, intra-articular), segundo a AO/OTA (segmento — tipo A/B/C). Expostas — segundo Gustilo-Anderson I–IIIC. Princípios: redução precoce, fixação estável, preservação do suprimento sanguíneo, tratamento funcional (4 princípios da AO). Consolidação: 4–6 semanas (crianças) — 8–16 semanas (adultos). Complicações: síndrome compartimental, embolia gorda, pseudartrose, necrose avascular, TEP.
1. Classificação
Por etiologia
- Traumáticas (mecanismo direto/indireto).
- Patológicas (tumor, metástases, osteoporose, mieloma múltiplo).
- Por estresse / de fadiga (microtraumatismos repetitivos).
Pela integridade da pele
- Fechadas.
- Expostas (Gustilo-Anderson):
- — Tipo I: ferida < 1 cm, limpa, dano mínimo aos tecidos moles.
- — Tipo II: ferida de 1–10 cm, dano moderado.
- — IIIA: dano significativo, mas o osso está coberto por tecidos.
- — IIIB: dano extenso com exposição óssea, requer retalho/plástica.
- — IIIC: + lesão de artéria principal.
Pelo padrão do traço de fratura
- Transversa — impacto direto.
- Oblíqua — força angular.
- Espiroide — mecanismo rotacional.
- Cominutiva (multifragmentar) — trauma de alta energia.
- Impactada — carga axial (colo do fêmur, calcâneo).
- Por compressão — vértebras em caso de queda.
- Por avulsão — tração tendínea/ligamentar.
- Em «galho verde» e em «toro» — em crianças (subperiosteais).
Pelo desvio
- Sem desvio.
- Com desvio: em comprimento, largura, angular, rotacional.
Por localização
- Diafisárias, metafisárias, epifisárias, intra-articulares.
- Em crianças — epifisiólises segundo Salter-Harris I–V.
2. Classificação AO/OTA
- Código numérico do segmento (por exemplo, fêmur — 3, segmento proximal — 3.1, diáfise — 3.2, distal — 3.3).
- Tipo: A — simples, B — em cunha, C — complexa/cominutiva.
- Grupos e subgrupos por gravidade.
- Utilizada para prognóstico e escolha da conduta.
3. Clínica
- Sinais definitivos: crepitação óssea, mobilidade patológica, deformidade visível, encurtamento do membro.
- Sinais prováveis: dor, edema, hematoma, alteração funcional.
- Sempre avaliar o feixe vásculo-nervoso distal à fratura (pulso, preenchimento capilar, sensibilidade, função motora).
4. Exame físico e complementar
- Radiografia em 2 incidências incluindo as articulações adjacentes.
- TC — fraturas intra-articulares, pelve, coluna, calcâneo.
- RM — fraturas por estresse, ocultas (colo do fêmur), lesões capsuloligamentares.
- USG — em crianças, fraturas sem complicações dos ossos do antebraço.
- Cintilografia — fraturas por estresse, metástases múltiplas.
- Angiografia / Angio-TC — em caso de suspeita de lesão vascular.
5. Princípios da AO
- Redução anatômica — especialmente em fraturas intra-articulares.
- Fixação estável.
- Preservação do suprimento sanguíneo dos fragmentos ósseos e dos tecidos moles.
- Mobilização ativa precoce de músculos e articulações.
6. Métodos de tratamento
Conservadores
- Redução (única ou com tração).
- Imobilização: gesso ou tala plástica, talas articuladas (braces), órteses.
- Tração esquelética (fêmur, tíbia em adultos como medida temporária).
- Tratamento funcional (fraturas costais, compressão vertebral).
Cirúrgicos
- Fixação interna (ORIF): placas, parafusos, haste intramedular bloqueada.
- Osteossíntese transóssea: fixador de Ilizarov, fixadores externos monoplanares/cilíndricos (indicado em fraturas expostas, infectadas, cominutivas).
- Artroplastia em fraturas do colo do fêmur em idosos.
- MIPO (osteossíntese percutânea com placa minimamente invasiva) — técnica preservadora.
- Damage control orthopaedics — fixação externa temporária no politraumatismo, seguida de osteossíntese definitiva.
7. Indicações cirúrgicas
- Fraturas expostas.
- Fraturas irredutíveis ou instáveis.
- Fraturas intra-articulares com desvio.
- Fraturas patológicas.
- Lesão de estruturas neurovasculares.
- Fraturas do colo do fêmur em idosos.
- Politraumatismo.
- Necessidade de mobilização precoce (idosos, atletas profissionais).
8. Tratamento de fraturas expostas
- Antibioterapia nas primeiras 3 h: cefazolina 2 g × 3 (tipos I–II), + gentamicina ou ciprofloxacino no tipo III, + clindamicina/metronidazol em caso de contaminação por terra (C. perfringens).
- Anatoxinatetânica.
- Desbridamento cirúrgico de urgência dentro de 6 h (regra clássica); dados modernos permitem 12–24 h sem aumento do risco de infecção com antibioterapia adequada.
- Fixação primária — fixador externo ou haste (conforme o cenário).
- Fechamento precoce de tecidos moles em até 7 dias — reduz o risco de infecção profunda.
9. Complicações
Precoces
- Choque traumático/hemorrágico.
- Embolia gordurosa (24–72 h após fratura de ossos longos): hipoxemia, exantema petequial, alteração do nível de consciência.
- Tromboembolismo pulmonar (TEP), trombose venosa profunda (TVP).
- Síndrome compartimental: 5P — pain (dor desproporcional), pallor (palidez), paresthesias (parestesias), pulselessness (ausência de pulso — tardio), paralysis (paralisia); ΔP < 30 mmHg → fasciotomia.
- Lesão vascular/nervosa.
- Infecção.
Tardias
- Retardo de consolidação, pseudoartrose, não união.
- Consolidação viciosa.
- Necrose avascular (colo do fêmur, escafoide, tálus).
- Artrose pós-traumática.
- Contratura de Volkmann.
- Síndrome da dor regional complexa (SDRC, «síndrome de Sudeck»).
- Osteomielite crônica.
- Miosite ossificante.
10. Prazos de consolidação
| Localização | Adultos (sem.) | Crianças (sem.) |
|---|---|---|
| Falanges dos dedos | 3–4 | 2–3 |
| Antebraço | 6–10 | 4–6 |
| Úmero (diáfise) | 8–12 | 4–6 |
| Fêmur (diáfise) | 12–16 | 6–8 |
| Colo do fêmur | 12–24 (risco de pseudoartrose) | — |
| Perna (tíbia) | 12–16 | 6–10 |
| Clavícula | 4–6 | 3–4 |
| Costelas | 3–4 | 2–3 |
| Pelve | 8–12 | — |
11. Particularidades em idosos
- Fraturas do colo do fêmur — artroplastia nas primeiras 48 h para redução da mortalidade.
- Rastreamento perioperatório de osteoporose (DEXA).
- Mobilização precoce, profilaxia de TEP (HBR [heparina de baixo peso molecular] por 28–35 dias).
- Tratamento da osteoporose (bisfosfonatos, denosumabe) após fratura.
12. FAQ
O que é a "regra das 6 horas" em fraturas expostas?
Tradicionalmente, desbridamento cirúrgico nas primeiras 6 horas para reduzir infecções. Estudos modernos mostraram que, com antibioterapia oportuna, a "janela" se estende para 12–24 horas sem aumento de complicações.
Qual é a diferença entre pseudoartrose e consolidação retardada?
Consolidação retardada: a consolidação ocorre, mas mais devagar que o normal (aumento do tempo em 1,5 a 2 vezes). Pseudoartrose: após 6–9 meses sem sinais de consolidação; necessita de cirurgia, enxerto ósseo e estimulação.
Por que as fraturas do colo do fêmur em idosos são operadas imediatamente?
O atraso > 48 horas aumenta a mortalidade em 30%. A artroplastia precoce permite a mobilização, reduz o tromboembolismo pulmonar, a pneumonia e as úlceras de pressão.
O que é o "princípio do coco e da palmeira"?
Fratura da base do 5º metatarso em trauma por inversão — uma variante da fratura de Jones; suprimento sanguíneo precário, alto risco de não união; frequentemente requer fixação com parafuso.
Como detectar uma fratura occulta do colo do fêmur?
Ressonância magnética é o método de escolha quando a radiografia é negativa e há quadro clínico (incapacidade de apoio, dor no quadril). A alternativa é a cintilografia após 48 horas.
Veja também: Luxações · Osteoporose · Politrauma · Síndrome compartimental · Catálogo de Cirurgia