Principais indicações para o procedimento
O procedimento é utilizado em cirurgia de urgência, quando é necessário devolver com urgência ao paciente o volume de sangue circulante perdido. A reinfusão é indicada em hemorragias internas maciças que não sejam acompanhadas de infecção.
As principais indicações incluem:
- Patologias ginecológicas: gravidez ectópica rota.
- Traumas de órgãos parenquimatosos: rupturas profundas do fígado e do baço.
- Lesões vasculares: rupturas de troncos vasculares intratorácicos e vasos mesentéricos.
- Traumas torácicos: rupturas do tecido pulmonar.
Contraindicações absolutas
Em alguns casos, a reinfusão do sangue extravasado é estritamente proibida devido ao alto risco de complicações fatais, principalmente sepse e disseminação de células patológicas.
O procedimento não é realizado em caso de:
- Lesão de órgãos cavitários (devido ao contato do sangue com o conteúdo deles e infecção inevitável). Esses órgãos incluem brônquios principais, esôfago, estômago, intestinos, vesícula biliar e vias biliares extra-hepáticas, além da bexiga urinária.
- Contaminação do sangue por pus, conteúdo gástrico ou intestinal.
- Hemorragias decorrentes de ruptura uterina.
- Presença de neoplasias malignas confirmadas no paciente.
- Permanência prolongada de sangue livre na cavidade abdominal (se já se passaram mais de 24 horas desde o momento da hemorragia).
Metodologia de coleta e conservação
Para que o sangue extravasado não coagule e fique apto para o retorno à corrente sanguínea, ele deve ser coletado e estabilizado adequadamente.
Opções de estabilização:
- Uso de uma solução conservante especial na proporção estrita de 1:4.
- Uso de solução de heparina sódica (proporção padrão: 10 mg de heparina diluídos em 50 ml de solução isotônica de cloreto de sódio — esse volume é suficiente para um frasco de 500 ml).
Técnica de coleta da ferida ou cavidade:
- Método de aspiração (o mais promissor): o sangue é coletado por meio de sucção a vácuo (com pressão negativa de pelo menos 0,2 atm) diretamente para frascos que já contêm o estabilizador.
- Método manual (menos preferível): remoção do líquido com uma concha ou colher metálica, seguida de filtração manual.
Preparação e reinfusão
Antes de retornar o sangue coletado e estabilizado à veia do paciente, ele deve passar por uma limpeza rigorosa para remoção de coágulos, microagregados e detritos teciduais.
Uma etapa obrigatória da preparação é a filtração através de 8 camadas de gaze. Isso é especialmente importante se não tiver sido utilizado um sistema especializado com filtro embutido durante a coleta a vácuo. A transfusão em si é realizada exclusivamente através de um sistema de infusão equipado com um microfiltro padrão, garantindo a máxima segurança do procedimento para o paciente.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais aparelhos são utilizados para a reinfusão sanguínea mecânica moderna (lavagem de hemácias)?
Para a reinfusão sanguínea mecânica moderna, são utilizados aparelhos especiais Cell saver e Haemolite. Esses equipamentos realizam a coleta do sangue extravasado, sua mistura com anticoagulante e a filtração de coágulos. Posteriormente, o sangue entra em um bico giratório, onde ocorre a concentração de hemácias sob a ação de forças centrífugas.
Aparelhos utilizados:
- Cell saver — utilizado para a reinfusão intraoperatória de auto-hemácias.
- Haemolite — utilizado para a autotransfusão sanguínea mecânica com lavagem obrigatória de hemácias.
Uma etapa importante do trabalho é a lavagem das hemácias com solução fisiológica para limpá-las de hemoglobina livre, fatores de coagulação e plaquetas.
Quais alterações bioquímicas e morfológicas ocorrem com o sangue quando ele permanece na cavidade serosa por mais de 24 horas?
As fontes indicam que o sangue extravasado para a cavidade abdominal difere do sangue na corrente vascular pelas seguintes alterações:
- teor de plaquetas reduzido;
- teor de fibrinogênio reduzido;
- nível de hemoglobina livre aumentado;
- presença de produtos de degradação da fibrino-gênica (PDF).
A permanência do sangue na cavidade abdominal por mais de 24 horas é uma contraindicação absoluta para a reinfusão.
Para lembrar as contraindicações absolutas, a regra dos "24 ÓRGÃOS SUJOS E TUMORES" ajuda: não se deve transfundir sangue com mais de 24 horas, contaminado (pus, conteúdo estomacal/intestinal), em caso de ruptura de órgãos cavitários e do útero, bem como em tumores malignos.
Questões de aulas e exames
É possível aplicar a reinfusão em caso de ferimento por arma branca no intestino?
Não, esta é uma contraindicação absoluta. A lesão intestinal (assim como do estômago, vesícula biliar ou bexiga) leva ao contato do sangue com o conteúdo do órgão e à sua infecção.
Qual é o nível de vácuo necessário para a coleta mecânica de sangue?
Ao usar a sucção a vácuo, a pressão negativa deve ser de pelo menos 0,2 atm. O sangue é coletado diretamente em frascos com estabilizador.
Como filtrar corretamente o sangue se ele foi coletado manualmente?
Se o sangue foi retirado com uma colher ou concha, ele deve ser obrigatoriamente filtrado através de 8 camadas de gaze antes da infusão.
O que mais estudar sobre o tema
- Particularidades do uso de heparina sódica para a estabilização sanguínea in vivo e in vitro
- Especifidades da reinfusão na gravidez ectópica rota: riscos e vantagens
- Diferenças entre os sistemas de transfusão com microfiltros padrão e os sistemas de infusão comuns
- Alterações fisiopatológicas no sangue retido na cavidade abdominal por mais de 24 horas
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