Classificação das fáscias cervicais
Na anatomia topográfica russa, utiliza-se tradicionalmente a classificação de V. N. Shevkunenko. Ela distingue cinco lâminas que podem ser correlacionadas com a Nomenclatura Anatômica Internacional (PNA).
| Segundo Shevkunenko | Segundo a PNA | O que formam |
|---|---|---|
| 1ª fáscia | Fáscia superficial | Bainha para o músculo platisma (m. platysma) |
| 2ª fáscia | Lâmina superficial | Bainhas para o m. sternocleidomastoideus e o m. trapezius |
| 3ª fáscia | Lâmina pré-traqueal | Bainhas para os músculos infra-hioides |
| 4ª fáscia | Bainha carotídea | Revestimentos dos órgãos cervicais e do feixe vasculonervoso |
| 5ª fáscia | Lâmina pré-vertebral | Bainhas dos músculos profundos do pescoço |
Fáscias superficiais (1ª, 2ª e 3ª lâminas)
Primeira fáscia (superficial) localiza-se logo abaixo da pele e funde-se firmemente a ela por bandas de tecido conjuntivo, movendo-se, portanto, junto com o tegumento. Ela forma uma bainha para o músculo platisma (m. platysma) e é extremamente móvel em relação às estruturas mais profundas, estendendo-se para a face e para o tórax.
Segunda fáscia (propriamente dita) envolve o pescoço de todos os lados como um «colar» contínuo. Fixando-se aos processos transversos das vértebras, divide o pescoço em regiões anterior e posterior. Superiormente, ela se desdobra, criando um leito para a glândula salivar submandibular. Inferiormente, suas lâminas se afastam, formando o espaço interaponeurótico supraesternal (spatium interaponeuroticum suprasternale), onde se localiza o arco venoso jugular (arcus venosus juguli).
Terceira fáscia (escapuloclavicular ou aponeurose de Richer) tem o formato de um trapézio. Está estendida entre o osso hioide superiormente e o esterno com as clavículas inferiormente. Lateralmente, seus limites são definidos pelos músculos omohioides (mm. omohyoidei). A principal função é a formação de um leito para o grupo de músculos infra-hioides.
Fáscias profundas (4ª e 5ª lâminas)
Quarta fáscia (visceral do pescoço, fascia endocervicalis) desempenha um papel fundamental na topografia dos órgãos viscerais do pescoço. Consiste em duas lâminas:
- Visceral envolve firmemente cada órgão (traqueia, esôfago, glândula tireoide).
- Parietal forma a bainha comum para o principal feixe vasculonervoso do pescoço.
Quinta fáscia (pré-vertebral, fascia prevertebralis) é mais bem desenvolvida na região média do pescoço. Iniciando-se na base do crânio, desce até a III–IV vértebras torácicas. Essa fáscia forma compartimentos osteofasciais para os músculos longos do pescoço e da cabeça, e para os músculos escalenos. Os prolongamentos da quinta fáscia criam bainhas para o plexo braquial e para a artéria subclávia.
Espaços fasciais do pescoço
Entre as lâminas fasciais encontram-se espaços preenchidos por tecido conjuntivo frouxo. Eles servem como vias de propagação de infecções:
- Espaço pré-visceral (spatium previscerale) — situa-se entre as lâminas parietal e visceral da 4ª fáscia, anteriormente aos órgãos cervicais. Sua porção inferior é denominada pré-traqueal.
- Espaço retrovisceral (spatium retroviscerale) — localiza-se entre a 4ª e a 5ª fáscias.
- Espaço retrofaríngeo (spatium retropharyngeum) — é limitado anteriormente pela parede posterior da faringe (revestida pela lâmina visceral da 4ª fáscia) e posteriormente pela 5ª fáscia. Na linha média, é dividido por um septo de tecido conjuntivo.
- Espaço parafaríngeo (spatium parapharyngeum) — localiza-se junto à parede lateral da faringe. O complexo de músculos originados no processo estiloide («diafragma estiloide») divide-o em compartimentos anterior e posterior. No compartimento posterior passam estruturas cruciais: a artéria carótida interna, a veia jugular interna e quatro pares de nervos cranianos.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais órgãos cervicais são revestidos pela lâmina visceral da quarta fáscia?
A lâmina visceral da quarta fáscia (lamina visceralis fasciae endocervicalis) forma a cobertura fascial dos órgãos do pescoço, incluindo:
- laringe (larynx);
- traqueia (trachea);
- glândula tireoide (glandula thyroidea).
Quais músculos compõem o «diafragma estiloide»?
O «diafragma estiloide» (também conhecido como feixe de Riolano) é composto pelos músculos que se originam no processo estiloide e por suas bainhas fasciais. Estes incluem:
- Músculo estilofaríngeo (m. stylopharyngeus) — dirige-se para a faringe;
- Músculo estiloglosso (m. styloglossus) — vai em direção à língua;
- Músculo estilo-hioideo (m. stylohyoideus) — fixa-se ao osso hioide.
Essas estruturas dividem anatomicamente o espaço parafaríngeo em compartimentos anterior e posterior.
Qual é o conteúdo do compartimento anterior do espaço parafaríngeo?
O compartimento anterior do espaço parafaríngeo contém:
- tecido adiposo;
- vasos faríngeos ascendentes;
- processo faríngeo da glândula salivar parótida, separado por fáscia pouco desenvolvida.
Para quais regiões anatômicas as coleções purulentas do espaço retrofaríngeo podem se disseminar?
As coleções purulentas do espaço retrofaríngeo podem se disseminar:
- para o mediastino superior;
- para o mediastino posterior — através do espaço retrovisceral, que se comunica com o mediastino posterior; a propagação por trás do esôfago pode levar a uma mediastinite posterior.
Para memorizar os músculos que formam o "diafragma estiloide" (que divide o espaço parafaríngeo), use a regra dos três músculos estileus: Músculo estilofaríngeo, músculo estiloglosso e músculo estilo-hioide.
Questões de aulas e exames
O que está contido no feixe neurovascular do pescoço?
O feixe neurovascular inclui a artéria carótida comum (a. carotis communis), a veia jugular interna (v. jugularis interna) e o nervo vago (n. vagus). Eles são envolvidos pela lâmina parietal da 4ª fáscia.
Onde se localiza a bolsa cega de Gruber?
A bolsa de Gruber (saccus caecus retrosternocleidomastoideus) situa-se posteriormente à porção inferior do músculo esternocleidomastoideo e comunica-se com o espaço interaponeurótico supraesternal.
Quais nervos passam no espaço parafaríngeo posterior?
Na divisão posterior do espaço parafaríngeo encontram-se quatro nervos cranianos: glossofaríngeo (IX), vago (X), acessório (XI) e hipoglosso (XII).
O que mais estudar sobre o tema
- Topografia e limites dos espaços pré-escaleno e interescaleno
- Estrutura detalhada do leito da glândula salivar submandibular e vias de drenagem do tecido celuloso
- Características da fusão da lâmina parietal da 4ª fáscia com a 3ª fáscia ao nível da glândula tireoide
- Formação da linha alba cervical (linea alba cervicalis) e sua importância na cirurgia operatória
- Relação do tronco simpático com a fáscia pré-vertebral (5ª fáscia)
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