Mecanismo de ação fungicida
O alvo bioquímico dos medicamentos é a enzima escualeno-epoxidase. O bloqueio dessa enzima leva a dois processos principais:
- A conversão do escualeno em lanosterol, que atua como precursor direto do ergosterol, fica comprometida.
- Metabólitos tóxicos do escualeno acumulam-se dentro da célula fúngica.
Ao contrário dos antifúngicos azólicos, as alilaminas interrompem a síntese de ergosterol em estágios mais precoces. Elas não afetam diretamente os processos de mitose, ao contrário da griseofulvina, agindo diretamente sobre a estrutura da membrana.
Classificação e espectro clínico
Quanto à estrutura química, estes compostos são fármacos sintéticos e dividem-se em duas categorias principais:
- Alilaminas (derivados da N-metilnaftalina): terbinafina, naftifina.
- Benzilaminas: butenafina.
Embora os medicamentos possuam um amplo espectro de atividade antimicótica, a sua principal relevância clínica concentra-se nos agentes causadores de dermatomicoses. Eles demonstram alta eficácia em infecções fúngicas da pele e das unhas.
Farmacocinética e uso da terbinafina
A terbinafina está disponível em formulações de uso tópico e sistêmico (em comprimidos). Na administração oral, sua biodisponibilidade é de cerca de 40% devido ao metabolismo pré-sistêmico acentuado (efeito de primeira passagem hepática), e a ligação às proteínas plasmáticas chega a 99%.
O fármaco é amplamente distribuído, com tendência ao acúmulo em células adiposas e tecidos queratinizados, como pele e unhas. A circulação prolongada é garantida por uma meia-vida ($T_{1/2}$) expressiva de aproximadamente 300 horas.
Indicações para uso oral:
- Onicomicoses (infecções nas unhas);
- Micoses da pele lisa e do couro cabeludo;
- Pitiríase versicolor.
Segurança e interações medicamentosas
O uso sistêmico exige cautela, pois o fármaco é contraindicado na gravidez, bem como em casos de insuficiência renal ou hepática.
- Efeitos colaterais frequentes: dispepsia (náusea, dor abdominal, diarreia, perda de apetite) e erupções cutâneas.
- Reações raras, mas graves: hepatotoxicidade (exige controle laboratorial regular das enzimas hepáticas), neutropenia, síndrome de Stevens-Johnson e exacerbação de patologias autoimunes (psoríase, lúpus eritematoso cutâneo subagudo).
Os níveis plasmáticos de terbinafina são afetados por moduladores do citocromo P450: a cimetidina aumenta a concentração do fármaco ao atuar como inibidora, enquanto a rifampicina a reduz como indutora.
Características da naftifina
Outro representante conhecido do grupo é a naftifina, que atua de forma semelhante, inibindo a escualeno-2,3-epoxidase. O fármaco é utilizado exclusivamente por via tópica (na forma de creme ou gel) duas vezes ao dia.
Em condições laboratoriais (in vitro), ela apresenta ação fungicida contra dermatófitos e fungistática contra leveduras do gênero Candida (C. albicans inclusive). A naftifina é prescrita para tinea pedis e tinea manuum, candidíase cutânea, onicomicoses e pitiríase versicolor. A tolerabilidade é geralmente boa, sendo ocasionalmente relatadas reações locais como ardência, secura ou vermelhidão.
"A TERBINAfina alil-naftalínica acumulou-se na QUERATINA e permaneceu lá por 300 horas" (lembra o grupo químico, o nome, a tropismo pela queratina e a enorme meia-vida).
Questões de aulas e exames
Qual é a principal diferença no mecanismo de ação entre os inibidores da escualeno-epoxidase e os azóis?
As alilaminas bloqueiam a síntese de ergosterol em estágios mais precoces, inibindo a enzima escualeno-epoxidase, enquanto os azóis atuam em outros pontos da via (por exemplo, a lanosterol 14-alpha-desmetilase).
Quais tecidos constituem o principal depósito para a terbinafina na administração sistêmica?
O fármaco acumula-se ativamente em tecidos queratinizados (unhas, pele) e células adiposas, permitindo que permaneça por um longo período no foco da infecção.
Por que a biodisponibilidade da terbinafina por via oral é de cerca de 40%?
A redução da biodisponibilidade para até 40% deve-se ao metabolismo pré-sistêmico acentuado — o efeito de primeira passagem do fármaco pelo fígado.
O que mais estudar sobre o tema
- Estrutura química dos derivados da N-metilnaftalina
- Comparação dos efeitos fungicida e fungistático da naftifina em relação a diferentes espécies de fungos
- O papel do citocromo P450 na interação da terbinafina com cimetidina e rifampicina
- Monitoramento de enzimas hepáticas e parâmetros hematológicos durante a terapia prolongada
- Patogenese das dermatomicoses e fundamentação do uso de fármacos queratofílicos
Estude o tema completo no curso de «Farmacologia»
Aqui está um resumo. No curso, você encontra tudo o que é cobrado em aula e na prova.
- Guia de estudo completo sobre "Inibidores da escualeno-epoxidase" e outras 5.304 páginas da disciplina
- Exercícios e testes após cada tópico — como no colóquio
- Tutor de IA responderá a perguntas sobre o tópico a qualquer momento
- 116 vídeo-aulas da disciplina
Outros tópicos da seção «Antifúngicos»
Vídeo-aulas gratuitas: farmacologiaAulas curtas com resumos — sem cadastro.
Material preparado por professores da WhiteCoat Pro de acordo com o currículo de medicina. Possui caráter educacional.