Classificação por etiologia
Dependendo dos fatores que causaram o distúrbio do fluxo sanguíneo, distinguem-se quatro tipos principais de anemia arterial:
- Angioespástica. Ocorre devido ao espasmo arterial decorrente de estímulo nervoso, hormonal ou medicamentoso (por exemplo, em casos de estresse, angina ou cólica apendicular). Na patogenia, o principal papel é desempenhado pelo excesso de agentes vasopressores no sangue: angiotensina II, vasopressina e catecolaminas. O curso é sempre agudo.
- Obstrutiva. Está associada ao fechamento parcial ou total do lúmen arterial a partir do interior. A forma aguda é provocada por um trombo ou êmbolo, enquanto a crônica resulta do crescimento progressivo de uma placa aterosclerótica.
- Compressiva. Desenvolve-se quando há compressão do vaso a partir do exterior. A causa pode ser um torniquete aplicado, edema acentuado ou um tumor em crescimento. O processo pode ter caráter agudo ou crônico.
- Redistributiva. Ocorre após a rápida remoção de uma compressão externa (por exemplo, na retirada rápida de líquido ascítico ou de um grande tumor). O sangue afluí abruptamente para os vasos anteriormente isquemiados, causando déficit («roubo») nos órgãos vizinhos. O curso é sempre agudo.
Manifestações clínicas e fisiopatológicas
A sintomatologia da isquemia depende diretamente da redução do suprimento sanguíneo e de alterações profundas no sistema de microcirculação. A área isquemiada sofre uma série de alterações características:
- Palidez e hipotermia local. O órgão empalidece devido à constrição dos vasos superficiais e à redução do número de capilares funcionantes. A temperatura tecidual cai, pois diminui o influxo de sangue arterial aquecido e deprimem-se os processos oxidativos (queda na produção de calor).
- Alterações hemodinâmicas. A pulsação arterial enfraquece. A pressão hidrodinâmica cai, e a velocidade linear e volumétrica do fluxo sanguíneo diminui. As artérias, veias e os vasos da microcirculação se contraem. A queda acentuada da pressão nos capilares acaba por levar à paralisação do movimento sanguíneo — estase.
- Redução do turgor e do volume. O tecido torna-se flácido e o próprio órgão diminui de tamanho. Isso ocorre devido à queda da filtração vascular e à perda de líquido intercelular.
- Distúrbio da circulação linfática. Os processos de formação e drenagem linfática enfraquecem significativamente.
- Síndrome dolorosa e parestesias. Os pacientes sentem dormência, formigamento («sensação de picadas») e dor intensa. A dor surge devido ao acúmulo de mediadores específicos na zona de hipoxia: cininas, histamina, prostaglandinas, íons potássio ($K^+$), além dos ácidos lático e pirúvico.
Morfologia e desfechos da isquemia
A base de qualquer lesão na isquemia é a hipoxia. A natureza e a gravidade das alterações morfológicas dependem da duração e do grau da anemia, da presença de vasos colaterais e da sensibilidade de cada órgão específico à privação de oxigênio.
- Na isquemia aguda, desenvolvem-se rapidamente alterações distróficas e necróticas nos tecidos (formação de infarto).
- Na isquemia crônica, o processo é mais lento: há tempo para a formação de circulação colateral, que compensa parcialmente a hipoxia. Como resultado, passam a predominar alterações atróficas e escleróticas.
Um papel fundamental é desempenhado pelo estado funcional do órgão, que determina a intensidade do metabolismo e a necessidade de oxigênio. Quanto maior a atividade funcional, mais graves são as lesões. Esse princípio é utilizado na medicina: por exemplo, a hipotermia artificial reduz a necessidade tecidual de $O_2$, permitindo realizar cirurgias cardíacas com segurança sob condições de circulação extracorpórea.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais tipos de infarto, de acordo com a cor (aspecto macroscópico), formam-se na isquemia aguda em diferentes órgãos?
Macroscopicamente, distinguem-se três tipos principais de infarto que se formam em diferentes órgãos.
- Branco (isquêmico, anêmico) — ocorre no baço e no encéfalo.
- Branco com halo hemorrágico — característico do coração (miocárdio) e dos rins. O halo forma-se devido à zona de inflamação demarcação na borda dos tecidos.
- Vermelho (hemorrágico) — desenvolve-se nos pulmões, intestino, ovários e encéfalo. O mecanismo está associado à impregnação dos tecidos necróticos por sangue em casos de estase venosa ou duplo suprimento sanguíneo.
Também se destaca o raro infarto vermelho (venoso) do baço, de coloração vermelho-escuro ou preto.
Quais são os estágios sequenciais do morfogênese do infarto?
O morfogênese clássico do infarto inclui três estágios sequenciais.
- Isquêmico (pré-necrótico) — há aumento dos distúrbios metabólicos e do déficit energético. O estágio é reversível com a reperfusão oportuna.
- Necrótico — desenvolvimento direto do foco de necrose.
- Estágio de organização (cicatrização) — formação de cicatriz.
No infarto cerebral, as alterações microscópicas passam pelos seguintes estágios: desenvolvimento de necrose, amolecimento ou reabsorção (início da organização) e formação de cicatriz glio-mesodérmica (ou cisto).
Para memorizar as causas da isquemia, utilize a sigla SOКП: Spasmo (angioespástica), Obstrução (oclusão interna), Compressão (compressão externa), Peristaltismo / Redistribuição (drenagem para zonas vizinhas).
Questões de aulas e exames
Por que a isquemia causa dor intensa?
Sob condições de hipoxia, acumulam-se nos tecidos mediadores da dor: ácidos lático e pirúvico, histamina, cininas, prostaglandinas e íons potássio. Eles irritam as terminações nervosas, desencadeando uma síndrome dolorosa acentuada.
Quais órgãos são mais sensíveis à anemia arterial?
O encéfalo possui a maior sensibilidade. Seguem-se, em ordem decrescente de vulnerabilidade, os rins e o miocárdio. Os pulmões e o fígado também pertencem ao grupo dos órgãos sensíveis.
Quais são as diferenças entre os desfechos da isquemia aguda e crônica?
A isquemia aguda conduz a rápidas alterações distróficas e necrose tecidual. A isquemia crônica evolui de forma mais lenta, acompanha-se do desenvolvimento de colaterais e culmina na atrofia celular com sua substituição por tecido conjuntivo (esclerose).
O que mais estudar sobre o tema
- Mecanismos de formação de trombos e êmbolos na isquemia obstrutiva aguda.
- Patogenia do desenvolvimento de estase nos vasos da microcirculação.
- O papel dos agentes vasopressores (angiotensina II, catecolaminas) no desenvolvimento do angioespasmo.
- O infarto como manifestação extrema da isquemia aguda: tipos e morfologia.
- Particularidades da formação da circulação colateral na anemia crônica.
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