Noções básicas de regência
As preposições latinas (Praepositiones) são palavras gramaticais invariáveis. Na terminologia médica e farmacêutica, elas nunca são usadas de forma arbitrária ou caótica. Uma regra gramatical estrita determina que cada preposição exige que a palavra dependente seja colocada estritamente em um caso específico.
Ao contrário do português, onde existem várias opções de regência, as preposições latinas funcionam exclusivamente com dois casos:
- Accusativus (acusativo);
- Ablativus (ablativo, que engloba as funções de ablativo, instrumental e locativo).
Um detalhe crucial para o estudo: não se deve confiar na intuição. A regência em nossos idiomas frequentemente diverge, portanto, a combinação "preposição + caso correto" deve ser memorizada juntamente com o significado no vocabulário.
Preposições de regência fixa
A maioria das preposições de prescrição exige o uso de apenas um caso específico. Trata-se de uma regra estática que não depende do contexto da frase.
Com o acusativo (Accusativus), utilizam-se consistentemente as seguintes preposições:
- ad (até, para, em): ad 20,0 (até 20 gramas), ad usum internum (para uso interno), ad decubitum (em caso de úlceras de pressão);
- contra (contra): contra tussim (medicamento contra a tosse);
- inter (entre): inter costas (entre as costelas);
- per (através de, por meio de): per os (por via oral, pela boca), per inhalationem (por inalação);
- post (após): post mortem (após a morte, post-mortem).
Com o ablativo (Ablativus), utiliza-se outro grupo de preposições:
- cum (com alguém ou algo): cum extracto (com extrato);
- ex (de, a partir de): ex aqua (em água);
- pro (para): pro injectionibus (para injeções).
Preposições de dupla regência
Apresentam particular dificuldade na elaboração de receitas as preposições in (em, para dentro de) e sub (sob). Elas são capazes de reger dois casos diferentes. A escolha da estrutura gramatical depende exclusivamente da pergunta feita ao substantivo de acordo com o sentido da ação:
- Se a ação indicar direção (fazemos a pergunta Para onde? Em o quê?), usa-se o Accusativus.
- Se a ação indicar localização (fazemos a pergunta Onde? Em quê?), usa-se o Ablativus.
Vejamos a diferença em exemplos clássicos:
- Colocar in vitrum (traduzido como "no frasco", direção, para onde?) — usa-se o Accusativus.
- Conservar in vitro (traduzido como "no frasco", local, onde?) — usa-se o Ablativus.
- Colocar sub linguam (sob a língua, para onde?) — Accusativus.
- Estar sub lingua (sob a língua, onde?) — Ablativus.
Expressões profissionais de prescrição
Em receitas e na documentação médica diária, encontram-se constantemente expressões fixas com preposições. É fundamental que o estudante as saiba de cor.
Expressões com as preposições EX e PER:
- ex tempore — conforme a necessidade (a chamada dispensação extemporânea, quando o medicamento é preparado na farmácia antes da entrega);
- per rectum — por via retal (administração retal);
- per se — em estado puro (substância sem adição de impurezas).
Nomes de formas farmacêuticas (IN + Ablativus): Na maioria das vezes, a preposição in responde à pergunta "em quê?":
- in ampullis — em ampolas;
- in capsulis — em cápsulas (e in capsulis gelatinosis — em cápsulas gelatinosas);
- in tabulettis — em comprimidos (e in tabulettis obductis — em comprimidos revestidos).
Termos laboratoriais e clínicos:
- in vitro nigro — em frasco escuro (para proteção contra a luz);
- in vitro — in vitro (em condições laboratoriais, fora do organismo);
- in vivo — in vivo (em organismo vivo).
Indicações e dosagens (PRO + Ablativus): A preposição pro é frequentemente usada para indicar o destinatário do medicamento ou o seu volume:
- pro infantibus — medicamento para crianças;
- pro inhalatione — para inalação;
- pro narcosi — para anestesia;
- pro r(o)entgeno — para radiografia.
Destacam-se separadamente os termos de dosagem: pro dosi (dose única por tomada) e pro die (dose diária total para o dia). Se o médico prescrever a receita para si próprio, ele substitui o sobrenome do paciente pela fórmula padrão pro auctore (para o autor) ou pro me (para mim).
Para onde? — Acusativo (Accusativus). Onde? — Ablativo (Ablativus). Se transferimos um líquido in vitrum (para onde? para o frasco) — acusativo. Se ele já está in vitro (onde? no frasco) — ablativo.
Questões de aulas e exames
Por que as preposições em latim não devem ser traduzidas literalmente do russo?
A regência caso a caso difere entre o latim e o russo. Mesmo que as preposições em russo e latim coincidam em significado, elas podem exigir casos completamente diferentes do substantivo que as sucede.
Como um médico pode prescrever uma receita para si mesmo?
Em vez do sobrenome do paciente no campo correspondente da receita, deve-se indicar a expressão pro auctore (para o autor) ou pro me (para mim).
O que significa o termo "receitura extemporânea"?
Este é o processo de preparo de um medicamento pelo farmacêutico diretamente na farmácia antes da entrega ao paciente. O termo deriva da expressão latina ex tempore — "conforme a necessidade".
O que mais estudar sobre o tema
- Terminações de substantivos no Accusativus após as preposições ad, per e post
- Terminações de substantivos no Ablativus após as preposições ex, cum, pro
- Concordância gramatical de adjetivos nas expressões in capsulis gelatinosis e in tabulettis obductis
- Diferenças na aplicação clínica dos termos *in vitro* e *in vivo*
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