Desfechos da infecção
O término de uma doença infecciosa tem vários cenários. É importante distinguir a cura clínica (quando os sintomas desaparecem e o patógeno é eliminado) e a recuperação morfológica completa dos tecidos, que leva mais tempo.
Principais variantes de desfechos:
- Cura completa.
- Transição para a forma crônica.
- Formação do estado de portador.
- Desfecho letal.
Além disso, destacam-se as consequências imunológicas. Após a doença, pode se formar imunidade pós-infecciosa. Para algumas infecções, ela é duradoura e vitalícia (sarampo, peste), enquanto para outras é fraca e de curta duração, permitindo a reinfecção (shigueloses). Além disso, o processo infeccioso frequentemente leva ao desenvolvimento de imunodeficiência secundária.
Classificação pela gravidade dos sintomas
Dependendo da presença e intensidade dos sinais característicos de uma doença específica, as infecções são divididas nas seguintes formas:
- Típicas — todos os principais sintomas estão presentes.
- Atípicas — divergem do quadro clássico. Elas incluem:
- Abrandadas (atenuadas) — alguns sintomas estão ausentes e os demais são levemente expressos.
- Inaparentes (subclínicas) — não há sintomas, o diagnóstico é feito apenas laboratorialmente.
- Abortivas — começam de forma típica, mas os sintomas desaparecem rápida e repentinamente (frequentemente em vacinados).
- Fulminantes — curso extremamente grave e tempestivo com alta probabilidade de desfecho letal.
Pela presença de sintomas, também se distinguem a infecção manifesta (com clínica evidente) e a inaparente (sem manifestações).
Localização e formas de presença no sangue
De acordo com a capacidade do patógeno de ir além da porta de entrada, distinguem-se:
- Infecção focal — o patógeno permanece apenas no local de entrada.
- Infecção generalizada — o micróbio se espalha pela linfa, sangue, nervos ou vias respiratórias. A forma focal pode evoluir para generalizada com a diminuição da imunidade.
Presença no sangue (linfa):
- Transitória (bacteriemia, viremia) — o micróbio está no sangue por pouco tempo e não se multiplica lá. Esta é uma etapa de transporte.
- Antigenemia — antígenos do micróbio circulam no sangue, mesmo que o próprio patógeno não esteja lá.
- Toxinemia — toxinas circulam no sangue e o patógeno está localizado no local de entrada (difteria, tétano).
- Sepse — o sangue se torna o local de residência permanente e multiplicação dos micróbios. Distinguem-se a septicemia (porta de entrada desconhecida) e a septicopiemia (formam-se metástases purulentas secundárias).
Características do curso e reinfecções
A infecção pode ocorrer de forma regular ou irregular (com complicações).
De acordo com o momento do surgimento de uma nova infecção, distinguem-se:
- Infecção secundária — associação de outro tipo de micróbio a uma doença já em curso, tendo como pano de fundo o enfraquecimento do organismo.
- Superinfecção — reinfecção pelo mesmo agente patogênico antes da recuperação completa, o que agrava o processo.
- Reinfecção — nova infecção pelo mesmo patógeno, mas já após a recuperação completa.
Durante o curso da doença, podem ocorrer retornos dos sintomas: a exacerbação ocorre na fase de convalescença, enquanto a recidiva ocorre após o desaparecimento dos sintomas (cura clínica).
Persistência: portador de germes e latência
A permanência prolongada do micróbio no organismo sem quadro clínico agudo assume várias formas:
- Portador de patógenos — processo subclínico com eliminação do patógeno para o ambiente. Acompanhado por alterações imunológicas, mas sem alterações teciduais acentuadas (exceto no "portador são"). Pode ser o resultado de uma doença anterior ou um estágio de incubação.
- Infecção latente — o micróbio está presente por um longo tempo ("dormindo"), mas não é eliminado para o meio ambiente (sífilis, herpes).
- Infecção crônica — dura mais de 6 meses (continuamente ou com recidivas). Os micróbios são eliminados por meses e anos (tuberculose, brucelose).
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais tipos de infecção são distinguidos pela duração do curso?
Pela duração do curso do processo infeccioso, distinguem-se infecções agudas, subagudas e crônicas.
- Curso agudo — a doença termina dentro de 1 a 3 meses (no caso de infecções intestinais agudas, até 13 dias).
- Curso subagudo (prolongado) — dura até 4 a 6 meses (no caso de infecções intestinais, de 14 a 29 dias).
- Curso crônico — continua por mais de 6 meses (no caso de infecções intestinais, 30 dias ou mais).
Quais períodos de desenvolvimento são distinguidos no curso cíclico de uma doença infecciosa?
No curso cíclico de uma doença infecciosa, distinguem-se cinco períodos sequenciais, condicionados pela patogênese.
- Período de incubação (oculto) — o tempo desde a entrada do agente infeccioso até a conclusão do seu ciclo de multiplicação.
- Período prodrômico (inicial) — o surgimento dos primeiros sintomas não específicos.
- Período de estado — o estágio das manifestações clínicas principais ou máximas.
- Período de declínio dos sintomas — convalescença precoce com o desaparecimento gradual dos sintomas clínicos.
- Período de convalescença — recuperação completa.
Quais tipos de infecção são distinguidos pelo número de espécies de agentes patogênicos?
Pelo número de espécies de agentes patogênicos, o processo infeccioso é subdividido em monoinfecções e infecções mistas.
- Monoinfecção — causada por uma única espécie de micróbio.
- Infecção mista (infecção mista) — causada simultaneamente por várias espécies de micróbios.
As infecções frequentemente ocorrem como infecções mistas (associações polimicrobianas).
Quais são os tipos de portador de germes classificados pela duração da eliminação do patógeno?
De acordo com a duração da eliminação do patógeno, o estado de portador é classificado em transitório, agudo e crônico.
- Portador transitório — eliminação única do agente causador na ausência completa de manifestações clínicas.
- Portador agudo — a eliminação do microrganismo continua por um curto período de tempo (até 3 meses após a doença sofrida).
- Portador crônico — eliminação prolongada do agente causador, com duração superior a 3 meses, podendo tornar-se vitalícia.
Diferenças entre reinfecções: SUPREinfecção — o micróbio se sobrepõe "super" rápido (antes da recuperação), REinfecção — a infecção ocorre "regularmente" (após a recuperação), SECUNDÁRIA — chega um "segundo" (outro) micróbio.
Questões de aulas e exames
Qual é a diferença entre recidiva e exacerbação?
A exacerbação ocorre quando os sintomas já estavam diminuindo, mas a recuperação clínica completa ainda não ocorreu. A recidiva é o retorno dos sintomas após o seu desaparecimento completo.
O que é a forma abortiva da infecção?
Esta é uma forma que começa com sintomas típicos, mas eles desaparecem de forma súbita e rápida. É frequentemente encontrada em pessoas que foram vacinadas contra esta doença.
Qual é a diferença entre infecção latente e o estado de portador?
No estado de portador, o agente causador é ativamente eliminado no meio ambiente, representando um perigo epidemiológico. Na infecção latente, o micróbio fica "adormecido" no organismo e não é eliminado para o ambiente.
O que mais estudar sobre o tema
- Complicações do processo infeccioso: específicas e não específicas
- Métodos de diagnóstico laboratorial de doenças infecciosas
- Princípios da terapia etiotrópica e específica
- Infecções exógenas e endógenas (autoinfecções) por origem
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