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Neurologia · Capítulo 19. Distúrbios da circulação cerebral

Ataque isquêmico transitório

*Ischemia cerebri transitoria*

Os acidentes vasculares cerebrais são determinados pela localização da isquemia no território de uma artéria cerebral específica, o que leva ao desenvolvimento de síndromes focais (neurovasculares) específicas. Se os déficits neurológicos se tornarem estáveis ou começarem a regredir gradualmente, esse estado é considerado como um AVC estabelecido.

EpidemiologiaA isquemia no sistema carotídeo ocorre 5 a 6 vezes mais frequentemente do que no território vertebrobasilar.
Localização frequenteNo território carotídeo, a isquemia afeta mais frequentemente o território da artéria cerebral média.
Sintoma específicoCegueira em um olho com hemiparesia no lado oposto é um sinal de oclusão da artéria carótida.
Diagnóstico precoceA TC de perfusão permite detectar sinais de isquemia já na primeira hora desde o início da doença.
4 min de leituraPara estudantes de medicinaAtualizado em 20/09/2026
Material preparado por edição WhiteCoat Pro de acordo com os guias metodológicos da plataformaRevisado por médico editor: Aulov A. A., médico generalista · 24/09/2026

Síndromes neurovasculares do território carotídeo

O comprometimento das artérias do sistema carotídeo produz sintomas focais marcantes. A artéria cerebral média é a mais frequentemente afetada.

Na oclusão do tronco principal da artéria cerebral média, desenvolve-se a síndrome de comprometimento total:

  • No lado oposto à lesão: hemiplegia, hemianopsia e hemianestesia.
  • Ocorre paresia central dos músculos da língua e da face.
  • É característica a paresia cortical do olhar.
  • No caso de comprometimento do hemisfério dominante, forma-se afasia total, enquanto no envolvimento do hemisfério não dominante, observa-se perturbação do esquema corporal e anosognosia.

Na oclusão dos ramos da artéria cerebral média, observa-se no lado contralateral hemiparesia (frequentemente com predomínio no braço) ou monoparesia isolada do braço, hemi- ou monogipestesia, hemianopsia quadrântica superior, bem como distúrbios das funções corticais superiores (apraxia, afasia).

O comprometimento da artéria cerebral anterior causa hemiparesia no lado oposto, com predominância de fraqueza na perna e nas regiões proximais do braço, ou apenas monoparesia da perna. Frequentemente associa-se incontinência ou retenção urinária, e os distúrbios sensitivos nos membros afetados costumam ser leves.

A oclusão da artéria carótida interna pode imitar o quadro clínico do comprometimento das artérias cerebrais anterior e média, porém sua marca registrada é considerada a síndrome oculopiramidal. Ela se manifiesta por cegueira unilateral (devido à isquemia da artéria oftálmica) em combinação com hemigipestesia e hemiparesia no lado oposto do corpo.

Comprometimento do território vertebrobasilar

Inclui síndromes do tronco cerebral e lesões das estruturas cerebelares.

A oclusão da artéria vertebral ou da artéria cerebelar póstero-inferior leva ao desenvolvimento da síndrome bulbar de Wallenberg-Zakharchenko (comprometimento da porção dorsolateral da medula oblonga):

  • Manifestações vestibulares e gerais (vômito, náusea, tontura).
  • No lado da isquemia: síndrome de Horner, ataxia cerebelar, gipestesia facial (térmica e dolorosa), bem como disfonia, disartria e disfagia devido à paralisia dos músculos do palato, da laringe e da faringe.
  • No lado oposto: gipestesia térmica e dolorosa do tronco e dos membros.

O comprometimento das estruturas da ponte (oclusão dos ramos da artéria basilar) produz síndromes alternas. A síndrome de Millard-Gubler manifesta-se por paresia periférica da musculatura mímica no lado da lesão e hemiplegia contralateral. A síndrome de Foville distingue-se pela adição de paralisia do músculo reto lateral do olho no lado afetado.

A oclusão das estruturas do mesencéfalo manifesta-se pelas seguintes síndromes:

  • Síndrome de Weber (comprometimento do pedúnculo cerebral): paralisia do nervo oculomotor no lado da isquemia e hemiplegia no lado oposto.
  • Síndrome de Benedikt (comprometimento do tegmento): paralisia oculomotor no mesmo lado e hemiataxia no lado oposto.
  • Síndrome de Parinaud (comprometimento do tegmento): perturbação da convergência, paralisia do olhar para cima, ptose parcial bilateral.

A oclusão da artéria basilar evolui de forma extremamente grave, causando tetraparesia/tetraplegia, alteração das funções vitais (circulação, respiração), perda de consciência e distúrbios oculomotores acentuados. A oclusão da artéria cerebral posterior leva à agnosia visual, distúrbios de memória e hemianopsia homônima contralateral.

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Infartos lacunares

O infarto lacunar ocorre na patologia de pequenos vasos, desenvolve-se mais frequentemente de forma súbita (às vezes os sintomas progridem gradualmente) e não raro evolui de forma assintomática. Destacam-se cinco variantes clássicas:

  1. AVC puramente motor: paresia central unilateral da face, língua, braço e perna (comprometimento da ponte, da cápsula interna ou da substância branca do lobo frontal).
  2. AVC sensório-motor: combinação de hemigipestesia e hemiparesia central leve (comprometimento da cápsula interna).
  3. AVC puramente sensitivo: hemigipestesia isolada (envolvimento do tálamo, da substância branca do lobo parietal ou da cápsula interna).
  4. Síndrome de disartria e “mão desajeitada”: disartria em combinação com fraqueza leve do braço (foco na cápsula interna ou na ponte).
  5. Hemiparesia atáxica: hemiparesia central acompanhada de ataxia nos membros paréticos.

Métodos de diagnóstico

O diagnóstico baseia-se no aparecimento súbito de síndrome neurovascular, na presença de fatores de risco (idade avançada, hipertensão, fibrilação atrial) e nos dados de exames instrumentais.

Neuroimagem:

  • TC sem contraste: é o «padrão-ouro», exclui com segurança hemorragias e tumores, mas os sinais de isquemia só são visualizados após várias horas.
  • TC de perfusão: altamente informativa nos estágios mais precoces (na primeira hora).
  • RM ponderada em difusão: detecta focos nos prazos mais precoces, quando a TC/RM convencional ainda não os visualiza.
  • RM convencional: ideal para a busca de pequenos focos de isquemia no cerebelo e no tronco.

Estudo vascular: Para avaliar o estado das artérias, utilizam-se métodos ultrassonográficos (duplex scan, Doppler transcraniano) e angiografia. A angiografia cerebral por raios X é o método mais informativo, porém invasivo; tem indicação estrita no planejamento de intervenção cirúrgica ou em pacientes jovens com causa de AVC indeterminada. A angio-RM e a angio-TC são mais seguras, contudo não conseguem visualizar a patologia de pequenos vasos intracranianos.

Questões de aulas e exames

Em qual território vascular os distúrbios da circulação cerebral ocorrem com maior frequência?

No território carotídeo, os AVEs desenvolvem-se 5 a 6 vezes mais frequentemente do que no vertebrobasilar. A zona mais vulnerável é o território da artéria cerebral média.

Qual é a essência da síndrome oculopiramidal?

É a combinação de cegueira em um olho (no lado da oclusão devido à isquemia da artéria oftálmica) com hemiparesia contralateral e hemigipestesia (comprometimento hemisférico).

O que a RM convencional permite detectar na isquemia?

A RM convencional é especialmente eficaz para a visualização de pequenos focos isquêmicos nas estruturas cerebelares e no tronco cerebral, que frequentemente não são visíveis na TC convencional.

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O que mais estudar sobre o tema

  • Síndromes alternas do tronco cerebral (Foville, Millard-Gubler)
  • Síndrome bulbar de Wallenberg-Zakharchenko
  • Diagnóstico diferencial dos tipos de infarto lacunar
  • Indicações para a realização de angiografia seletiva por raios X

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