Conteúdo · 12 seções
- 1. Definições gerais
- 2. 1º Estágio — dilatação
- 3. Condução do 1º estágio
- 4. 2º Estágio — expulsão
- 5. Biecanismo do parto (occipito-anterior)
- 6. Avaliação da descida (plano de DeLee)
- 7. 3º Estágio — dequindação
- 8. Hemorragia pós-parto (HPP)
- 9. Avaliação fetal no trabalho de parto
- 10. Complicações e indicações de intervenção
- 11. Partograma
- 12. FAQ
Em resumo. O parto divide-se em 3 estágios: 1º (dilatação) — desde as contrações regulares até a dilatação completa (10 cm); fase latente até 6 cm, fase ativa mais rápida. Duração: 12–18 h em nulíparas, 6–10 h em multíparas. 2º (expulsão) — da dilatação completa até o nascimento; subfases ativa e passiva; 30–120 min / 10–60 min. 3º (dequindação) — até 30 min; a manejo ativo (oxitocina, tração controlada do cordão, massagem uterina) reduz o risco de hemorragia pós-parto. Monitorização: cardiotocografia (CTG), partograma, avaliação das contrações e da progressão.
1. Definições gerais
- Parto fisiológico — parto de concepto único entre 37+0 e 41+6 semanas, em apresentação cefálica, por via vaginal.
- Início do trabalho de parto — contrações uterinas regulares (1–2/10 min) com alteração estrutural progressiva do colo uterino.
- Contrações «falsas» de Braxton-Hicks — irregulares, sem dilatação cervical.
- Classicamente 3 estágios; algumas escolas distinguem a «prelúdio» (latente) e o «4º estágio» (2 h pós-parto — observação na sala de parto).
2. 1º Estágio — dilatação
- Do início das contrações regulares até a dilatação completa do colo uterino (10 cm).
- Duas fases: latente (até 6 cm) e ativa (6–10 cm).
- Latente: lenta, até 20 h em nulíparas sem risco de complicações (norma ACOG).
- Ativa: em nulíparas ≥ 1 cm/h, em multíparas ≥ 1,5 cm/h.
- Mecanismos: contração coordenada do miométrio + encurtamento e apagamento progressivos do colo + dilatação.
- Término — dilatação completa e ruptura das membranas amnióticas (se não tiverem rompido antes).
3. Condução do 1º estágio
- Controle das contrações: frequência, intensidade, duração (a cada 30 min na fase latente, a cada 15 min na ativa).
- Frequência cardíaca fetal — CTG ou ausculta intermitente a cada 15–30 min.
- Avaliação da dilatação — toque vaginal a cada 4 h (mais frequente apenas se houver indicações).
- Monitorização do estado materno: PA, pulso, temperatura a cada 4 h.
- Analgesia: analgesia peridural, óxido nitroso, opioides (conforme indicação).
- Partograma (OMS): registro gráfico da dinâmica; «linha de ação» — em caso de atraso, é necessária avaliação das causas e intervenção.
4. 2º Estágio — expulsão
- Da dilatação total até o nascimento do feto.
- Duas subfases: passiva (cabeça na pelve, sem puxos) e ativa (pujos + contrações).
- Duração (ativa):
- — Nulípara sem peridural: ≤ 3 h.
- — Nulípara com peridural: ≤ 4 h.
- — Multípara sem: ≤ 2 h.
- — Multípara com: ≤ 3 h.
- Contração uterina + esforço materno voluntário (puxos 3 vezes por contração, expiração com glote fechada).
- Posição: semisentada, em decúbito lateral, de cócoras, na água — na ausência de contraindicações.
5. Biecanismo do parto (occipito-anterior)
- 1. Insinuação da cabeça — sutura sagital no diâmetro transverso ou oblíquo da entrada pélvica.
- 2. Flexão da cabeça — queixo encostado ao tórax, ponto de insaturação — fontanela posterior (lâmbda).
- 3. Rotação interna da cabeça — occipito vira para a sínfise púbica (sutura sagital no diâmetro anteroposterior da saída).
- 4. Extensão — desprendimento da cabeça: sucessivamente occipito, bregma, fronte, face e queixo.
- 5. Rotação externa da cabeça + rotação interna dos ombros — sutura sagital retorna ao diâmetro transverso.
- 6. Desprendimento da cintura escapular: ombro anterior sob a sínfise, depois o posterior pelo períneo.
- 7. Desprendimento do tronco.
6. Avaliação da descida (plano de DeLee)
| Plano | Posição |
|---|---|
| −5 | Acima da entrada da pelve |
| −3 | Móvel acima da pelve |
| 0 | Ao nível das espinhas isquiáticas (encaixado) |
| +2 | Pelve preenchida |
| +3/+4 | No assoalho pélvico, períneo distendido |
| +5 | Aparecimento (coroamento) |
7. 3º Estágio — dequindação
- Do nascimento da criança até a expulsão da placenta e das membranas.
- Duração 5–30 min; > 30 min — retardo, maior risco de hemorragia.
- Manejo ativo (OMS 2012): ocitocina 10 UI IM logo após o nascimento do feto; tração controlada do cordão umbilical; massagem uterina.
- Conduta expectante — sem ocitocina (apenas a pedido da mulher e com baixo risco); maior risco de hemorragia.
- Mecanismo de dequissação: 1) central de Schultze (mais comum, hematoma no centro da placenta, sangramento externo após a dequissação); 2) marginal de Duncan.
- Sinais de descolamento: de Schröder (útero acima da cicatriz umbilical + desviado para o lado), de Kustner-Chukalov (ao pressionar acima da sínfise púbica, o cordão umbilical não se retrai), de Alfeld (a ligadura no cordão umbilical desce).
8. Hemorragia pós-parto (HPP)
- Primária — nas primeiras 24 h; > 500 ml (vaginal) ou > 1000 ml (cesárea).
- Causas — «4 Ts»: Tone (atonia — 70 %), Trauma (lacerações), Tissue (retenção placentária), Thrombin (coagulopatia).
- Conduta: massagem uterina + ocitocina 20–40 UI IV em infusão contínua; metilergometrina (contraindicada na hipertensão gestacional); carboprost; misoprostol retal.
- Tamponamento com balão (Bakri), suturas compressivas (B-Lynch), embolização, histerectomia — em caso de falha.
- Reposição da volemia, hemoderivados, ácido tranexâmico 1 g IV.
9. Avaliação fetal no trabalho de parto
- Ritmo basal: 110–160 bpm.
- Variabilidade: 6–25 bpm (moderada) — normal.
- Acelerações: ↑ transitória ≥ 15 bpm × 15 seg — sinal favorável.
- Desacelerações: precoces (resposta à contração, benignas), variáveis (compressão do cordão umbilical), tardias (insuficiência uteroplacentária — sinal de alerta).
- Categorias da Cardiotocografia (NICHD):
- — I: normal, sem intervenções.
- — II: indeterminada — monitorização + estimulação do couro cabeludo, O₂ materno, correção postural.
- — III: patológica — parto imediato (fórceps, vácuo-extrator ou cesárea).
- pH do couro cabeludo (quando disponível) — para elucidação.
10. Complicações e indicações de intervenção
- Distocia de ombros — «emergência obstétrica»: manobras de McRoberts, pressão suprapúbica, Rubin, Woods, Gaskin (posição de quatro apoios).
- Sofrimento fetal — cesárea ou parto vaginal operatório (vácuo-extrator, fórceps).
- Condução do trabalho de parto com ocitocina — em caso de protração, contrações adequadas em caso de atividade insuficiente.
- Amniotomia — acelera a dilatação, mas ↑ o risco de infecção e prolapso de cordão umbilical.
- Episiotomia — apenas com indicação (não de rotina); mediolateral é preferível à mediana.
- Revisão manual da cavidade uterina — em caso de retenção de restos placentários, hemorragia maciça.
11. Partograma
- Registro gráfico da evolução do trabalho de parto: dilatação cervical (eixo Y) vs. tempo (eixo X).
- Linha de alerta — evolução esperada; linha de ação — 4 h à direita.
- Se a curva ultrapassar a linha de ação — indica-se a avaliação das causas (dinâmica uterina inadequada, distocia, má posição).
- Também registra: cardiotocografia, PA, pulso materno, temperatura, apresentação fetal, medicamentos.
- Modificação moderna da OMS 2020 — «LCG» (Labour Care Guide) — formato mais flexível.
12. FAQ
Qual é a diferença entre as contrações verdadeiras e as de Braxton-Hicks?
As verdadeiras são regulares, intensificadas, com diminuição dos intervalos, não cessam com o repouso e banho morno; acompanham-se de modificação cervical estrutural. As de Braxton-Hicks são irregulares, fracas, atenuam-se com a movimentação.
Quando o manejo ativo do terceiro período é indicado?
Para todas as mulheres de rotina (OMS, RCOG, ACOG): ocitocina 10 UI IM dentro de 1 min após o nascimento do concepto, tração controlada do cordão umbilical, massagem uterina após a dequissação da placenta. Reduz o risco de HPP em 60 %.
Por que o segundo período do trabalho de parto é mais longo na analgesia epidural?
O reflexo do pujar e o tônus dos músculos do assoalho pélvico ficam diminuídos. Nos limites da normalidade — acrescenta-se até 1 h ao limite superior; até 4 h em nulíparas e 3 h em multíparas.
O que é a manobra de Credé?
Massagem uterina externa através da parede abdominal para expressão da placenta já dequissa. Atualmente é menos utilizada devido ao risco de trauma; a tração controlada do cordão umbilical é preferível.
Quando a episiotomia é necessária?
Por indicações individuais: risco de laceração perineal de 3º-4º grau, sofrimento fetal grave com necessidade de extração rápida, parto vaginal operatório. Não é indicada de rotina — ACOG/RCOG são contra.
Veja também: Parto fisiológico · Hemorragia pós-parto · Índice de Apgar · Distocia de ombros · Catálogo de Obstetrícia