Cistos simples e parasitários
Cistos verdadeiros e pseudocistos do baço são indistinguíveis entre si por métodos de diagnóstico por imagem. No ultrassom (USG), eles aparecem como estruturas anecóicas uniloculares clássicas com margens bem definidas. Na TC, são lesões com densidade de água sem parede visível, que não captam o meio de contraste.
Na ressonância magnética (RM), os cistos simples apresentam sinal baixo em imagens ponderadas em T1 (T1-WI) e sinal alto em T2-WI. A exceção são os cistos preenchidos com líquido proteico (proteinaceous fluid), que podem demonstrar alta intensidade de sinal em T1-WI.
Cistos parasitários (mais frequentemente causados por Echinococcus) possuem uma série de características diferenciais. Além da forma arredondada e densidade fluida, caracterizam-se por calcificação anular e presença de pequenos cistos filhos na periferia. Devido àareia hidática (hydatid sand) e detritos internos, a estrutura do cisto parasitário pode ser heterogênea.
Tumores benignos: hemangiomas, linfangiomas e hamartomas
Os tumores vasculares benignos podem ter uma estrutura cística e exigir um diagnóstico diferencial cuidadoso.
- Hemangiomas (Haemangioma). Geralmente são lesões solitárias assintomáticas (múltiplas ocorrem na síndrome de Klippel-Trenaunay-Weber). Podem ser sólidos, mistos ou totalmente císticos. O ultrassom mostra pequenas áreas císticas, calcificações ecogênicas com sombra acústica e fluxo sanguíneo nas zonas sólidas. O principal sinal diagnóstico na RM e TC é o acúmulo gradual de contraste da fase arterial para a portovenosa, com preenchimento completo na fase de equilíbrio (semelhante ao pool sanguíneo). Na RM no modo STIR, os hemangiomas são acentuadamente hiperintensos.
- Linfangiomas (Lymphangiomas). Representam cavidades revestidas por endotélio e preenchidas com líquido proteico. As lesões aumentam o volume do baço, possuindo uma estrutura multilocular com septos (septations). Na TC sem contraste, podem-se notar calcificações lineares periféricas e, na fase portal de contraste, o realce dos próprios septos é claramente visível.
- Hamartomas. Lesões solitárias, que podem ser tanto císticas quanto sólidas. As variantes sólidas fundem-se com o parênquima esplênico normal em suas características de imagem.
Lesões malignas com componente cístico
Tumores primários, linfomas e metástases podem simular alterações císticas do parênquima.
Angiossarcoma (Angiosarcoma) é um tumor primário raro com mau prognóstico. Manifesta-se como múltiplos nódulos ou lesões complexas solitárias. Caracteriza-se pela presença de áreas de hemorragia (aparecem como zonas de alta densidade na TC ou bordas hipointensas na RM). O realce pelo contraste é heterogêneo nas fases arterial e portal, tornando-se homogêneo na fase tardia.
Linfoma (Lymphoma) nem sempre é acompanhado de esplenomegalia e, inversamente, o aumento do órgão não garante a presença de linfoma. Focos grandes semelhantes a cistos no linfoma são acentuadamente hipoecóicos no ultrassom, mas, ao contrário dos cistos verdadeiros, não apresentam efeito de reforço acústico posterior. Na TC, o sinal mais confiável é a combinação de esplenomegalia, defeitos focais de captação de contraste e adenopatia hilar esplênica.
Metástases (Metastases) para o baço são raras (metade dos casos são melanomas, os demais são adenocarcinomas). Podem se manifestar como lesões mal definidas ou como estruturas uniloculares e multiloculares bem circunscritas com densidade de água.
Nuance importante: uma metástase cística na TC pode ser completamente indistinguível de um cisto benigno simples. Na RM, metástases de melanoma ou focos com hemorragia dão um sinal alto específico em T1-WI. O acúmulo de contraste ocorre nos septos e na periferia.
Questões de aulas e exames
É possível distinguir um cisto simples de uma metástase cística por TC sem contraste?
Não, sem contraste, uma metástase cística pode parecer absolutamente idêntica a um cisto unilocular benigno, tendo a mesma densidade de água e margens bem definidas.
O aumento do baço é um sinal confiável de linfoma?
A esplenomegalia isolada é um sinal pouco confiável. Até um terço dos pacientes com baço aumentado não tem linfoma e, inversamente, um terço dos pacientes com linfoma esplênico não tem esplenomegalia.
Como diferenciar um foco semelhante a cisto de linfoma de um cisto verdadeiro no ultrassom?
As lesões hipoecóicas semelhantes a cistos no linfoma carecem do efeito de reforço acústico posterior (dorsal), que está sempre presente nos cistos fluidos simples.
O que mais estudar sobre o tema
- Lesões parasitárias do baço: ciclo de vida do equinococo e estágios da classificação da OMS
- Síndrome de Klippel-Trenaunay-Weber e angiomatose generalizada
- Diagnóstico diferencial da esplenomegalia em leucemias e hipertensão portal
- PET-CT com FDG na avaliação da malignidade de massas esplênicas
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