Principais direções de uso dos medicamentos
Na prática médica, distinguem-se duas direções globais para o uso de medicamentos: profilática e terapêutica.
A farmacoprofilaxia destina-se a prevenir o surgimento de doenças. Exemplos clássicos dessa estratégia são:
- Prevenção de infecções: uso ativo de diversos antissépticos e desinfetantes.
- Profilaxia de estados carenciais: prescrição preventiva de complexos vitamínicos em caso de risco de hipovitaminoses, bem como o uso de preparados de iodo para prevenir o bócio endêmico.
A farmacoterapia (ou terapia medicamentosa propriamente dita) consiste na ação de fármacos sobre uma patologia já instalada. No sistema de ensino médico, este tópico corresponde à disciplina de «Farmacologia Clínica», que se baseia nos conhecimentos de farmacologia geral e especial, estudando detalhadamente a interação dos fármacos com o organismo vivo.
Para que a terapia medicamentosa seja verdadeiramente eficaz, o médico deve apoiar-se na compreensão de três aspectos cruciais de qualquer doença:
- Etiologia — causas iniciais e condições para o surgimento da doença.
- Patogenese — mecanismos complexos de desenvolvimento do processo patológico.
- Sintomatologia — manifestações externas específicas do mal.
Terapia etiológica e patogenética
A classificação básica dos tipos de terapia medicamentosa baseia-se na direção da ação de um fármaco específico — se ele atua sobre a causa da doença ou sobre o mecanismo de seu desenvolvimento.
Terapia etiológica (das palavras gregas aethia — causa e tropos — direção) tem como objetivo principal eliminar ou enfraquecer ao máximo a causa direta da doença. Os principais grupos desses fármacos incluem:
- Agentes quimioterápicos: suprimem de forma direcionada a atividade vital de patógenos (microrganismos) em diversas doenças infecciosas.
- Antídotos: substâncias específicas que se ligam e neutralizam substâncias tóxicas em casos de envenenamento.
Terapia patogenética (do grego pathos — doença e genesis — origem) concentra-se nos mecanismos de desenvolvimento do mal. Seu objetivo é limitar ou eliminar processos patológicos. Uma característica importante é que os fármacos não eliminam a causa em si, mas bloqueiam eficazmente a reação do organismo a ela.
Exemplos de ação patogenética:
- Anti-histamínicos: eliminam de forma confiável os efeitos da histamina na alergia, embora o contato do paciente com o alérgeno não seja interrompido.
- Glicosídeos cardíacos são utilizados para a correção sutil dos mecanismos de funcionamento do coração (aumentam a contratilidade miocárdica) na insuficiência cardíaca.
Terapia de reposição e sintomática
Quando não é possível atuar diretamente sobre a causa, ou quando a doença leva à perda de funções importantes, outros tipos de intervenção medicamentosa são aplicados.
A terapia de reposição visa suprir o déficit de substâncias endógenas (próprias) no organismo. Ela não elimina a causa inicial da doença (etiologia), mas elimina ou atenua com sucesso as manifestações da carência de substâncias vitais. O uso desses agentes é, via de regra, prolongado — são prescritos em cursos ou utilizados por toda a vida.
Principales indicações e exemplos de tratamento de reposição:
- Insuficiência da função das glândulas digestivas: compensada pela administração de ácido clorídrico e preparados enzimáticos.
- Hipofunção das glândulas endócrinas: requer a prescrição de medicamentos hormonais (por exemplo, administração de insulina ou tiroxina).
- Hipovitaminoses: corrigidas pela administração de preparados vitamínicos.
A terapia sintomática tem o objetivo de limitar ou eliminar completamente sinais (sintomas) isolados da doença. O mecanismo de ação desses agentes não afeta nem a etiologia nem a patogênese da doença.
Na prática clínica, o tratamento sintomático inclui:
- Analgésicos (medicamentos para dor) — utilizados para o alívio da dor.
- Antipiréticos (medicamentos antitérmicos) — prescritos para reduzir a temperatura corporal elevada.
Resumo: perguntas e respostas sobre o tema
Quais grupos de medicamentos pertencem à terapia etiológica?
A terapia etiológica inclui medicamentos cujo objetivo é eliminar ou atenuar a causa direta da doença.
De acordo com a classificação, destacam-se os seguintes grupos:
- Agentes quimioterápicos — suprimem a atividade vital de patógenos (microrganismos) em doenças infecciosas.
- Antídotos — ligam-se e neutralizam substâncias tóxicas em casos de envenenamento.
Quais grupos de medicamentos são utilizados para a terapia patogenética?
Para a terapia patogenética, utilizam-se medicamentos que atuam sobre os mecanismos de desenvolvimento da doença: eles não eliminam a causa em si, mas bloqueiam a reação do organismo a ela.
Exemplos de medicamentos e grupos:
- Anti-histamínicos — eliminam os efeitos da histamina na alergia.
- Glicosídeos cardíacos — corrigem os mecanismos de funcionamento do coração na insuficiência cardíaca.
- Triptanos — reduzem a pulsação excessiva dos vasos cerebrais, que é a causa da dor de cabeça na enxaqueca.
- Broncodilatadores — são utilizados na terapia patogenética voltada para o alívio do broncoespasmo.
Quais grupos de medicamentos são utilizados como terapia sintomática?
Como terapia sintomática, utilizam-se medicamentos que limitam ou eliminam completamente sinais isolados da doença, sem influenciar sua causa e patogênese.
Os principais grupos incluem:
- Analgésicos — utilizados para o alívio da dor.
- Antipiréticos — utilizados para reduzir a temperatura corporal elevada.
- Antiométicos — eliminam distúrbios dispépticos, em particular o vômito.
- Antiácidos — aliviam os sintomas de dor e pirose.
- Descongestionantes — utilizados para reduzir o edema da mucosa nasal.
É fácil lembrar os tipos de terapia pelos seus pontos de aplicação: Etiológica — atinge a causa (infecção, veneno). Patogenética — interrompe o mecanismo (reação alérgica). De reposição — fornece o que o organismo não produz sozinho (hormônios). Sintomática — apenas alivia os sinais (dor, febre).
Questões de aulas e exames
Qual é a principal diferença entre a farmacoprevilaxia e a farmacoterapia?
A farmacoprofilaxia utiliza medicamentos para prevenir o surgimento de doenças (por exemplo, o uso de antissépticos ou preparados de iodo). Já a farmacoterapia cuida do tratamento de doenças que já se manifestaram.
A terapia patogenética elimina a causa da doença?
Não, os fármacos patogenéticos atuam exclusivamente sobre os mecanismos de desenvolvimento da doença (limitam os processos patológicos). Eles bloqueiam a reação do organismo à causa, mas não eliminam a causa primária em si.
Quanto tempo costuma durar a terapia de reposição?
Como a terapia de reposição repõe o déficit de substâncias endógenas próprias (por exemplo, na hipofunção de glândulas endócrinas), ela geralmente tem um caráter prolongado. Os medicamentos são prescritos em cursos longos ou por toda a vida.
O que exatamente a terapia sintomática afeta?
A terapia sintomática afeta apenas manifestações externas isoladas (sintomas) da doença, como dor ou febre alta. Ela não exerce efeito nem sobre a etiologia nem sobre a patogenia da doença.
O que mais estudar sobre o tema
- Farmacologia clínica: relação com a farmacologia geral e especial
- Princípios de ação dos agentes quimioterápicos em doenças infecciosas
- Terapia antídota em intoxicações agudas
- Mecanismo de ação dos anti-histamínicos em reações alérgicas
- Farmacologia dos glicosídeos cardíacos na insuficiência cardíaca
- Terapia hormonal na hipofunção de glândulas endócrinas (insulina, tiroxina)
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