Estrutura do vírus influenza e proteínas de superfície
Os vírus influenza pertencem à família Orthomyxoviridae e contêm RNA de cadeia simples fragmentado. A estrutura interna é representada por um ribonucleoproteína, cercada pela proteína de matriz M1. O envelope lipídico externo (supercapsídeo) contém glicoproteínas de superfície que determinam o subtipo do vírus e atuam como antígenos.
As estruturas de superfície fundamentais são:
- Hemaglutinina (H) — assegura a adesão do vírion aos ácidos siálicos dos efeitélios das vias respiratórias.
- Neuraminidase (N) — destrói as ligações da hemaglutinina com os receptores celulares, ajudando o vírus a penetrar e a se libertar após a replicação.
Adsorção, penetração e o papel da proteína M2
O processo infeccioso inicia-se com a fixação do vírus na célula-alvo devido à interação da hemaglutinina com os ácidos siálicos. Em seguida, o vírion penetra por endocitose, formando um endossomo.
Dentro do endossomo, o meio é acidificado. Os íons de hidrogênio entram na partícula viral através do canal de prótons formado pela proteína M2. Este processo leva à dissociação da proteína de matriz e das ribonucleoproteínas — ocorre a desproteinização e o RNA viral passa para o citoplasma.
O fármaco rimantadina bloqueia seletivamente os canais iônicos M2, impedindo a acidificação do vírion e o seu "desnudamento".
Síntese intracelular, montagem e liberação de vírions
O RNA viral liberado é transportado para o núcleo da célula hospedeira, onde, com a ajuda da RNA-polimerase viral, ocorre a replicação do genoma e a transcrição do mRNA viral. O mRNA formado vai para o citoplasma, onde as proteínas necessárias são sintetizadas nos ribossomos.
A montagem de novos vírions ocorre junto à membrana celular, após o que as partículas virais brotam para o exterior. Na etapa final, a hemaglutinina retém os novos vírions na superfície da célula infectada.
A enzima neuraminidase destrói essa ligação, assegurando a separação definitiva das partículas virais. O fármaco oseltamivir inibe a neuraminidase, bloqueando a propagação da infecção.
M2 — Bloqueado pela rimantadina, Neuraminidase — Corta a ligação com a célula, bloqueada pelo oseltamivir.
Questões de aulas e exames
Qual é a função da proteína M2 no vírus influenza?
A proteína M2 forma um canal iônico específico no envelope viral. Através dele, os íons de hidrogênio entram no vírion durante a acidificação do endossomo, o que desencadeia o processo de desproteinização.
Qual medicamento bloqueia os canais iônicos M2 e qual é o seu efeito?
A rimantadina bloqueia a função dos canais iônicos M2. Isso perturba o transporte de prótons para o interior do vírion e previne o seu "desnudamento".
Qual é o papel da neuraminidase no ciclo de vida do vírus?
A neuraminidase destrói a ligação da hemaglutinina com os ácidos siálicos da membrana celular. Isso assegura a separação de novos vírions da célula infectada e sua liberação para infectar outras células.
Onde ocorrem a replicação e a transcrição do vírus influenza?
Os processos de replicação do genoma viral e transcrição do mRNA ocorrem no núcleo da célula hospedeira.
O que mais estudar sobre o tema
- Classificação e estrutura dos vírus influenza dos tipos A, B e C
- Estrutura do RNA fragmentado e das ribonucleoproteínas
- O papel da proteína de matriz M1 na estrutura do vírion
- Mecanismos de endocitose e formação do endossomo
- Processos de tradução de proteínas virais nos ribossomos da célula hospedeira
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