Caracterização do agente etiológico
Os fungos do gênero Candida pertencem principalmente aos deuteromicetos (fungos imperfeitos), pois não possuem fase de reprodução sexuada conhecida. No entanto, existem gêneros teleomórficos com fase sexuada (por exemplo, Pichia, Kluyveromyces).
Clinicamente, os mais importantes são C. albicans e C. tropicalis. Os fungos são aeróbios, crescem bem em meios de cultura simples (a 25–27 °C), formando colônias convexas, brilhantes e cremosas.
Morfologicamente, são polimórficos:
- Células de levedura: ovais, brotantes, com tamanho de 3–4 µm.
- Pseudohifas: células alongadas (5–10 µm) unidas em cadeias com constrições.
- Hifas verdadeiras: filamentos com septos (paredes transversais).
No organismo hospedeiro (in vivo), encontram-se tanto formas leveduriformes quanto pseudohifas.
Epidemiologia e patogênese
Normalmente, as espécies de Candida habitam o meio ambiente (plantas, frutos) e fazem parte da microbiota normal de humanos e mamíferos.
Mecanismos de infecção:
- Endógeno (principal): invasão dos próprios fungos nos tecidos quando as defesas estão enfraquecidas.
- Exógeno: via vertical (da mãe para o filho) ou via sexual.
O desenvolvimento da candidíase é favorecido por fatores de risco: uso irracional de antibióticos, estados de imunodeficiência, doenças endócrinas, além de fatores locais (traumas em mucosas, umidade da pele). A virulência dos fungos (especialmente C. albicans) é garantida pela produção de proteases e pela capacidade de adesão às proteínas da matriz por meio de moléculas semelhantes a integrinas.
Formas clínicas e imunidade
A interação entre o fungo e o macro-organismo pode ocorrer em 5 formas:
- Candidíase superficial: acometimento de mucosas (candidíase oral, vulvovaginite), pele (nódulos e pústulas, mais comum em recém-nascidos) e unhas.
- Candidíase granulomatosa crônica.
- Candidíase visceral: acometimento de órgãos específicos (gastrite, infecções do trato respiratório e urinário).
- Candidíase disseminada (sistêmica): podendo chegar à sepse. Seu marcador característico é a endoftalmite fúngica.
- Alergia: reações alérgicas envolvendo o trato gastrintestinal e os olhos.
A proteção contra a infecção é garantida pela fagocitose (neutrófilos, macrófagos, eosinófilos), pelo sistema complemento e por anticorpos (para opsonização). A imunidade específica é de caráter celular (hipersensibilidade do tipo tardio) e se manifesta pela formação de granulomas.
Diagnóstico microbiológico
O diagnóstico é estabelecido com base em um conjunto de métodos:
- Microscopia de esfregaços: busca por blastósporos, pseudomicélio e micélio verdadeiro.
- Método cultural: semeadura em ágar Sabouraud ou ágar mosto. Para confirmar a candidemia, é necessária hemocultura e, no caso de infecção urinária, a detecção de mais de $10^5$ UFC em 1 mL de urina.
- Identificação de espécies: teste de filamentação, teste rápido de "tubos germinativos" em soro (específico para C. albicans), formação de clamidósporos em ágar arroz (para C. albicans). É importante distingui-las das leveduras do gênero *Saccharomyces*, que não formam pseudomicélio e possuem ascósporos intracelulares.
- Imunodiagnóstico: reações sorológicas (ELISA, fixação do complemento, precipitação) e testes alérgicos cutâneos.
Princípios de tratamento e prevenção
Ao prescrever antifúngicos, é obrigatório monitorar a sensibilidade do fungo, uma vez que algumas espécies apresentam resistência natural (por exemplo, C. lusitaniae é resistente à anfotericina B, e C. krusei e C. glabrata ao fluconazol). Também são utilizados flucitosina, caspofungina e itraconazol.
Para a prevenção, são fundamentais a estrita observância das regras de assepsia em procedimentos invasivos (cateterismo, broncoscopia) e a profilaxia medicamentosa em pacientes com neutropenia grave.
Questões de aulas e exames
Quais são as principais características distintivas de *C. albicans* na identificação?
Para *C. albicans*, duas características principais são típicas: o alongamento dos brotos com a formação de "tubos germinativos" no soro sanguíneo e a formação de clamidósporos grandes e de parede espessa ao cultivar em ágar arroz.
Qual é o principal mecanismo de desenvolvimento da candidíase em humanos?
Na maioria dos casos, a candidíase é uma infecção endógena. Ela surge quando a própria microbiota fúngica (que normalmente é inofensiva) começa a se multiplicar ativamente e a invadir os tecidos devido ao enfraquecimento do sistema imune ou a uma disbiose.
Como diferenciar Candida de Saccharomyces no laboratório?
Os sacaromicetos são leveduras verdadeiras e não formam pseudomicélio. Além disso, eles formam ascósporos no interior das células, que podem ser detectados por coloração especial.
O que constitui um sinal marcador de candidíase disseminada?
O marcador de infecção sistêmica (disseminada) costuma ser a endoftalmite fúngica — alterações exsudativas amarelas e brancas específicas na coroide do olho.
O que mais estudar sobre o tema
- Mecanismos de desenvolvimento de resistência aos antifúngicos em fungos do gênero Candida
- Características da resposta imune na candidíase granulomatosa crônica
- Gêneros teleomórficos de leveduras: importância e propriedades
- Diagnóstico diferencial entre candidíase e outras micoses superficiais
- Fatores de adesão e atividade enzimática como base da virulência de Candida spp.
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