Base imunológica e status do método
Na prática microbiológica e infecciosa, o método alérgico não é universal. Ele tem status auxiliar e é utilizado apenas em um grupo específico e estritamente limitado de infecções.
A fundação deste tipo de diagnóstico é a capacidade do sistema imunológico de formar memória específica. Ao entrar em contato com o patógeno ou após a administração da cepa vacinal, o organismo torna-se sensibilizado. Se um antígeno específico (alérgeno) for administrado a tal paciente, desenvolver-se-á uma reação de hipersensibilidade do tipo tardio (HTT), que na classificação de Gell e Coombs é designada como reação do tipo IV. A principal forma de visualizar esta reação é através da realização de testes cutâneo-alérgicos.
Técnica de aplicação e leitura dos resultados
Para realizar o diagnóstico, administra-se ao paciente um fármaco diagnóstico padronizado contendo antígenos do microrganismo-alvo.
Existem duas maneiras principais de administrar o alérgeno:
- Intradérmica — utilizada com mais frequência. O fármaco é injetado no terço médio da superfície flexora do antebraço.
- Cutânea (teste de escarificação) — utilizada com menos frequência. Neste caso, o alérgeno é aplicado na pele, após o que são feitas arranhaduras superficiais (escarificações) através da gota do fármaco.
Como se baseia na hipersensibilidade do tipo tardio, não ocorre uma reação instantânea. A avaliação dos resultados é realizada estritamente de forma tardia — após 48–72 horas. O principal critério diagnóstico que confirma a sensibilização do organismo é a formação de um infiltrado inflamatório (pápula) no local da injeção. O médico avalia o fato da presença da pápula e mede o seu tamanho.
Produtos diagnósticos
Para cada doença infecciosa, utiliza-se um fármaco específico próprio, cujo nome é mais frequentemente derivado do nome do patógeno.
| Fármaco | Doença infecciosa | Nota (teste epônimo) |
|---|---|---|
| Tuberculina | Tuberculose | Teste de Mantoux |
| Brucelina | Brucelose | Teste de Burnet |
| Tularina | Tularemia | - |
| Toxoplasmina | Toxoplasmose | - |
| Maleína | Mormo | - |
| Antraxina | Carbúnculo (Antraz) | - |
| Pestina | Peste | - |
| Ornitina | Ornitose | - |
Alergia à flora condicionalmente patogênica e testes in vitro
A sensibilização do organismo é possível não apenas a patógenos estritos, mas também a representantes da própria microflora normal ou condicionalmente patogênica. O desenvolvimento de HTT a esses micróbios é de enorme importância clínica: essa alergia frequentemente se torna o mecanismo condutor na patogênese de várias doenças crônicas. Diferentes sistemas de órgãos podem ser afetados: trato gastrintestinal, vias respiratórias, rins, pele e articulações.
Os alérgenos que mantêm essa inflamação crônica podem ser:
- Estafilococos e estreptococos;
- Pneumococos;
- Escherichia (E. coli);
- Proteus;
- Pseudomonas aeruginosa.
Além dos testes cutâneos clássicos no paciente (in vivo), existem variações laboratoriais do método alérgico que são realizadas em tubo de ensaio (in vitro). Estas incluem a reação de dano aos neutrófilos e a reação de blasticastoma (transformação blástica) com a adição dos alérgenos correspondentes.
Para memorizar facilmente os nomes dos fármacos, preste atenção ao sufixo "-ina". A raiz da palavra sempre indica a doença ou o patógeno (Brucelose — Brucelina, Peste (Pestis) — Pestina). Exceção que requer memorização: a Maleína é usada para diagnosticar o mormo.
Questões de aulas e exames
Por que o método alérgico é chamado de auxiliar?
Porque ele revela apenas o fato de sensibilização do organismo (encontro prévio ou atual com uma infecção ou vacina), e não o patógeno em si. Além disso, é aplicável apenas a uma lista restrita de infecções.
Quanto tempo depois é necessário verificar a reação na pele?
A avaliação dos testes cutâneo-alérgicos é sempre realizada após 48 a 72 horas. Esse tempo é necessário para o desenvolvimento da resposta imunológica celular (HTT).
Como determinar se a reação é positiva?
O principal critério para uma reação positiva é a formação de uma pápula (infiltrado denso) no local da injeção do fármaco. Tanto a sua presença quanto o seu tamanho são levados em consideração.
O que mais estudar sobre o tema
- Patogênese da reação de hipersensibilidade do tipo tardio (tipo IV segundo Gell e Coombs)
- Princípios da realização da reação de transformação blástica com alérgenos
- Mecanismo da reação de dano aos neutrófilos in vitro
- O papel da flora condicionalmente patogênica no desenvolvimento de patologias autoimunes e crônicas
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