Regiões e grupos musculares do membro inferior
O membro inferior é dividido em várias zonas topográficas, cada uma contendo grupos musculares específicos:
- Região glútea (regio glutealis). É limitada superiormente pela crista ilíaca e inferiormente pelo sulco glúteo (sulcus glutealis). Nesta zona situam-se os músculos glúteos máximo e médio, o músculo piriforme, bem como os músculos obturadores com vasos e nervos adjacentes.
- Coxa (femur). O limite superior passa 3–5 cm acima da patela, e o inferior é uma linha transversal situada 3–4 cm acima da prega poplítea. Destacam-se a região anterior (regio femoralis anterior), onde se encontram os músculos quadríceps e sartório, e a região posterior (regio femoralis posterior), que contém os músculos flexores da coxa.
- Joelho (regio genus). Inclui a região anterior (acima e lateralmente à patela) e a fossa poplítea posterior (fossa poplitea), que se forma entre os músculos da superfície posterior da coxa.
- Perna (crus). Na região anterior (regio cruris anterior) encontram-se os flexores dorsais do pé. A região posterior (regio cruris posterior) contém os flexores plantares do pé, que anatomicamente se dividem em camadas superficial e profunda.
- Pé (pes). Divide-se nas regiões dorsal (dorsum pedis), plantar (planta pedis), calcânea (regio calcanea) e nos artelhos (digiti pedis).
Clavícula como suporte ósseo do membro superior
A clavícula (Clavicula) é um osso longo em formato de S. Sua principal função é conectar o membro superior ao tronco e fornecer um suporte seguro para os músculos.
- Corpo da clavícula (Corpus claviculae). Na sua superfície inferior rugosa (facies inferior) localiza-se o sulco do músculo subclávio (Sulcus musculi subclavii). A superfície superior (facies superior) permanece lisa.
- Extremidade esternal (Extremitas sternalis). É a extremidade medial e achatada do osso. Ela se articula com a incisura clavicular do manúbrio do esterno por meio da superfície articular (Facies articularis sternalis). Bem ali encontra-se a impressão do ligamento costo-clavicular (Impressio ligamenti costoclavicularis).
- Extremidade acromial (Extremitas acromialis). É a extremidade lateral e plana que se articula com o acrômio da escápula (Facies articularis acromialis). Nela localiza-se a tuberosidade do ligamento coracoclavicular (Tuberositas ligamenti coracoclavicularis), que consiste no tubérculo conóide (local de inserção do ligamento conóide) e na linha trapezoide (local de inserção do ligamento trapezoide).
Fácias e drenagem linfática superficial do membro inferior
As massas musculares dos membros inferiores são revestidas por bainhas espessas de tecido conjuntivo. A fáscia lata (Fascia lata) cobre os músculos da coxa, e a fáscia da perna (Fascia cruris) cobre os músculos da perna. Na fáscia lata há uma abertura importante — o hiato safeno (Hiatus saphenus) —, através do qual a veia safena magna mergulha profundamente para desembocar na veia femoral.
Os vasos linfáticos superficiais (Vasa lymphatica superficialia) originam-se no dorso do pé. Eles formam o grupo medial, que corre paralelamente à veia safena magna (V. saphena magna). Na perna e na coxa, esses vasos situam-se no tecido subcutâneo estritamente superficiais às fáscias.
A linfa proveniente das pernas dirige-se para os linfonodos inguinais superficiais (Nodi lymphoidei inguinales superficiales), localizados no terço superior da coxa, abaixo do ligamento inguinal. Eles dividem-se em:
- Linfonodos superomediais: situam-se mais próximos à sínfise púbica, coletando a linfa do períneo e da parte inferior do abdome.
- Linfonodos superolaterais: localizam-se abaixo da espinha ilíaca ântero-superior, recebendo a linfa da parte lateral das nádegas.
- Linfonodos inferiores: situam-se verticalmente ao longo da veia safena magna, servindo como coletores principais para todo o membro inferior.
Linfonodos do membro superior, cabeça e pescoço
A drenagem linfática do membro superior, do cíngulo escapular e da glândula mamária ocorre para os linfonodos axilares (Nodi lymphoidei axillares). Na superfície do músculo peitoral maior, junto à margem lateral da mama, encontram-se os linfonodos paramamários — a primeira barreira de metástase no câncer de mama.
A linfa dos tecidos moles da cabeça é coletada pelos linfonodos occipitais, mastóideos, parotídeos, submandibulares e submentuais. Em seguida, ela segue para os linfonodos cervicais, situados ao longo dos feixes vásculo-nervosos (por exemplo, os linfonodos cervicais laterais superficiais ao longo da veia jugular externa, os linfonodos jugulodigástrico e jugulomohioide).
Toda a linfa da metade direita da cabeça, do pescoço e do membro superior direito é coletada nos troncos jugular direito e subclávio direito. Ao se fundirem, eles formam o curto (1–1,5 cm) ducto linfático direito (Ductus lymphaticus dexter), que desemboca no ângulo venoso direito.
Para determinar rapidamente o lado da clavícula, utilize a regra dos três: a extremidade esternal (achatada) deve apontar medialmente, a acromial (plana) lateralmente, e a superfície absolutamente lisa para cima. Assim, o osso assumirá imediatamente a sua posição anatômica correta.
Questões de aulas e exames
Quais músculos formam a região anterior da coxa?
Na região anterior da coxa (regio femoralis anterior) localizam-se o músculo quadríceps e o músculo sartório.
Onde passam os vasos linfáticos superficiais das pernas?
Eles originam-se no dorso do pé e seguem no tecido subcutâneo superficiais às fáscias da perna e da coxa, acompanhando a veia safena magna.
Onde desemboca o ducto linfático direito?
Este vaso curto, com 1–1,5 cm de comprimento, desemboca no ângulo venoso direito — a zona anatômica de confluência das veias jugular interna e subclávia.
Quais estruturas passam pelo hiato safeno da coxa?
A veia safena magna passa através do hiato safeno (Hiatus saphenus) na fáscia lata da coxa para desembocar na veia femoral profunda, e para lá também se dirige a linfa.
O que mais estudar sobre o tema
- Topografia e subgrupos dos linfonodos inguinais superficiais.
- Anatomia dos linfonodos da cabeça e pescoço (occipitais, mastóideos, parotídeos).
- Formação do ducto linfático direito e sua desembocadura no ângulo venoso.
- Linfonodos paramamários e seu significado clínico.
- Marcos ósseos do membro inferior: maléolo medial e espinha ilíaca ântero-superior.
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