Limites da região temporal
A região temporal é limitada anteriormente pelo processo zigomático do osso frontal e pelo processo frontal do osso zigomático. Inferiormente, o limite é o arco zigomático; superior e posteriormente, o contorno da margem superior do músculo temporal. Para memorizar o limite anterior, basta inverter os nomes dos ossos: o frontal e o zigomático fornecem os processos correspondentes.
Estrutura por camadas
- Pele fina e móvel; os pelos persistem apenas na região posterior.
- Tela subcutânea (tecido adiposo subcutâneo) frouxa, fina, não dividida por septos de tecido conjuntivo. Nela passa a artéria temporal superficial.
- Fáscia superficial fina, sendo uma continuação da gálea aponeurótica.
- Fáscia própria (temporal) espessa, a 3–4 cm acima do arco zigomático divide-se em lâminas superficial e profunda. A superficial fixa-se à margem externa e a profunda à margem interna do arco zigomático.
- Espaço interaponeurótico localizado entre as lâminas da fáscia; nele passa a artéria temporal média.
- Espaço subaponeurótico situa-se entre a fáscia temporal e o músculo temporal, estende-se para a fenda massetérino-mandibular e contém o prolongamento temporal do corpo adiposo da bochecha (bola de Bichat), que emerge entre a margem anterior do músculo temporal e a parede lateral da órbita.
- Músculo temporal — músculo mastigatório, origina-se do periósteo do osso temporal e da superfície profunda da fáscia temporal, inserindo-se no processo coronóide e na margem anterior do ramo da mandíbula.
- Espaço osteomuscular entre o músculo e o periósteo comunica-se com o espaço temporopterigóideo.
- Periósteo firmemente aderido ao osso na parte inferior, e frouxo na superior.
- Osso temporal não possui diploe, consistindo apenas de osso compacto, sendo frágil. A ele adjacente está a artéria meníngea média, cuja lesão leva a hematomas epidurais e subdurais.
Processos purulentos da região temporal
Destacam-se três níveis de flegmões:
- Superficiais — no tecido adiposo subcutâneo; extensos devido à ausência de septos.
- Medianos — no espaço interaponeurótico; raros, mais frequentemente secundários à osteomielite do arco zigomático.
- Profundos subaponeuróticos — propagam-se para a região bucal através do corpo adiposo da bochecha, bem como para os espaços temporopterigóideo, interopterigóideo, fossa pterigomaxilar e fenda massetérino-mandibular.
Os processos mais profundos entre o músculo e o periósteo comunicam-se com a fossa infratemporal e os espaços pterigóideos.
Feixe vásculo-nervoso e drenagem linfática
Feixe principal: a. temporalis superficialis, veia homônima e n. auriculotemporalis. Projeção — linha vertical a 1 cm anterior ao trago da orelha, onde a pulsação da artéria é palpável. A drenagem linfática ocorre para os linfonodos localizados no parênquima da glândula parótida.
Região do processo mastoide
Os limites correspondem ao contorno do processo mastoide; o superior é a linha de continuação do processo zigomático. Camadas: pele fina e móvel, tela subcutânea frouxa com vasos e nervos, fáscia superficial (continuação da gálea aponeurótica), fáscia própria (continuação da fáscia do m. sternocleidomastoideus), músculos (m. sternocleidomastoideus, m. splenius capitis, m. digastricus), periósteo espesso, firmemente aderido ao osso (exceto no triângulo de Chipault). O osso contém células aéreas, sendo a maior delas o antro mastoideo (antrum mastoideum), que se comunica com a orelha média, constituindo uma via mútua de propagação de pus.
Formações intra-ósseas e triângulo de Chipault
Para a projeção das formações intra-ósseas, traçam-se duas linhas perpendiculares através do processo mastoide, obtendo-se quatro quadrantes:
- Antero-superior — antro mastoide.
- Antero-inferior — canal ósseo do nervo facial.
- Póstero-superior — fossa craniana posterior com o trajeto do seio sigmoide.
- Póstero-inferior — seio sigmoide da dura-máter.
Triângulo de Chipault limitado: anteriormente — pela margem posterior do meato acústico externo, posteriormente — pela crista mastoidea, superiormente — pela linha horizontal de continuação do processo zigomático. No perímetro do triângulo localizam-se estruturas perigosas: superiormente — fossa craniana média, posteriormente — seio sigmoide, anteriormente — canal do nervo facial. É precisamente dentro dos limites deste triângulo que se realiza com segurança a antrotomia — a trepanação do processo mastoide para a evacuação de pus das células.
Pontos-chave
- A região temporal possui 10 estruturas dispostas em camadas, incluindo a fáscia temporal bifurcada.
- O corpo adiposo da bochecha (bola de Bichat) é a via de propagação dos flegmões subaponeuróticos para a região bucal.
- O osso temporal carece de diploe e é frágil; sua fratura frequentemente lesa a artéria meníngea média.
- A artéria temporal superficial projeta-se a 1 cm anterior ao trago da orelha.
- A linfa drena para os linfonodos da glândula parótida.
- O antro mastoide comunica-se com a orelha média, permitindo a propagação da mastoidite.
- O triângulo de Chipault é a única zona segura para a antrotomia.
- Nos quadrantes do processo mastoide projetam-se o antro, o canal do nervo facial, o seio sigmoide e a fossa craniana posterior.