O que é inibição na fisiologia?
A inibição representa um processo biológico ativo que impede o desenvolvimento da excitação ou cessa um processo já iniciado. É um fenômeno temporário que regula o nível de excitação. No sistema nervoso central (SNC) e nos órgãos internos, os processos de excitação e inibição alternam-se constantemente. A inibição pode ocorrer como um processo funcional independente ou como resultado da interação de duas excitações.
Historicamente, distinguem-se dois tipos de inibição:
- Inibição periférica — descoberta pelos irmãos A. e E. Weber em 1847 usando o exemplo da influência dos nervos vagos (n. vagus) na atividade cardíaca.
- Inibição central — ocorre diretamente no SNC. Esse processo foi investigado e descrito pela primeira vez por I. M. Sechenov em 1862.
Como funciona o mecanismo de inibição por hiperpolarização?
Este tipo de inibição é realizado nas membranas pós-sinápticas. Sua ocorrência exige a participação obrigatória de um interneurônio inibitório.
O processo inclui as seguintes etapas:
- A excitação chega pelo primeiro axônio e ativa o neurônio inibitório.
- O neurônio inibitório atua diretamente sobre a membrana pós-sináptica do neurônio-alvo. Isso geralmente ocorre na sinapse axossomática, onde o corpo (soma) da célula, como um neurônio piramidal, é afetado.
- O neurotransmissor inibitório liberado atua sobre a membrana pós-sináptica.
- Ocorre um aumento do sinal da carga da membrana — hiperpolarização.
- Como resultado, o limiar de excitação do neurônio principal aumenta e desenvolve-se um potencial pós-sináptico inibitório (PPSI).
O resultado desse processo é a diminuição da excitabilidade tecidual e a impossibilidade de gerar um potencial de ação.
Quais neurotransmissores realizam o processo?
Dependendo do neurotransmissor liberado, os neurônios inibitórios responsáveis pela hiperpolarização são divididos em vários tipos:
- Neurônios glicinérgicos — liberam o neurotransmissor glicina e realizam a inibição pós-sináptica.
- Neurônios gabaérgicos — liberam ácido gama-aminobutírico (GABA). São capazes de realizar tanto a inibição pós-sináptica quanto a pré-sináptica.
- Neurônios de tipo misto — liberam simultaneamente glicina e GABA (a co-liberação de neurotransmissores ocorre a partir do mesmo axônio). Tais neurônios são encontrados principalmente no tronco cerebral.
Qual é o significado clínico (usando a supressão da dor como exemplo)?
Os mecanismos sinápticos de supressão da dor ocorrem a nível medular — nos cornos posteriores da medula espinal, onde se encontram as terminações dos aferentes primários e os interneurônios.
A nível pós-sináptico, ocorre a hiperpolarização das membranas dos interneurônios, o que inibe sua atividade. Em combinação com a inibição pré-sináptica, que reduz a liberação de neurotransmissores nociceptivos da dor — como o glutamato, neurocininas e a substância P —, isso leva ao bloqueio da transmissão do impulso doloroso para os centros superiores do SNC.
Qual é a sua posição na classificação eletrofisiológica?
Além da inibição por hiperpolarização, que reduz a excitabilidade por meio da ação de neurotransmissores inibitórios, existem outros dois mecanismos de inibição baseados na membrana:
- Inibição despolarizante persistente — ocorre em alta frequência de excitação. Devido ao excesso de neurotransmissor excitatório, conhecido como fenômeno de inibição pessimal, ou à ausência de enzima inibidora, ocorre a ativação sustentada dos canais de sódio e potássio. A membrana não consegue retornar ao estado de repouso, o período refratário absoluto é prolongado e a diferença entre a carga atual da membrana e o nível crítico de despolarização (NCD) aumenta. O processo é análogo aos fenômenos de parabio ou acomodação. Também pode ocorrer sob a ação de neurotransmissores inibitórios devido a propriedades específicas das membranas.
- Inibição estabilizadora — ocorre sob a ação de várias substâncias biologicamente ativas. Ocorre o bloqueio da permeabilidade ao sódio das membranas celulares sem alterar o potencial de repouso, tornando impossível a geração de excitação.
Questões de aulas e exames
A participação do interneurônio é obrigatória?
Sim, a ocorrência de inibição pós-sináptica por hiperpolarização exige a participação obrigatória de um interneurônio inibitório, que libera os neurotransmissores correspondentes.
Como a inibição por hiperpolarização difere da despolarizante?
Na inibição por hiperpolarização, o sinal da carga da membrana aumenta sob a ação de neurotransmissores inibitórios. A inibição despolarizante persistente ocorre devido à alta frequência de excitação e ao acúmulo de neurotransmissor excitatório, o que impede o retorno da membrana ao estado de repouso.
Como a hiperpolarização afeta o limiar de excitação?
Ela aumenta o limiar de excitação do neurônio principal. Nesse processo, forma-se um potencial pós-sináptico inibitório (PPSI), tornando impossível a geração de potenciais de ação.
O que mais estudar sobre o tema
- Inibição pré-sináptica
- Inibição despolarizante persistente
- Inibição estabilizadora
- Potenciais pós-sinápticos inibitórios (PPSIs)
Estude o tema por completo no curso de «Fisiologia»
Aqui está um resumo. No curso, você encontra tudo o que é cobrado em aula e na prova.
- Manual completo sobre o tema «Inibição por hiperpolarização» e outras 4.128 páginas da disciplina
- Exercícios e testes após cada tópico — como no colóquio
- Tutor de IA responderá a perguntas sobre o tópico a qualquer momento
- 118 videoaulas da disciplina
Outros tópicos da seção "Conceitos de Fisiologia"
Videoaulas gratuitas: fisiologiaAulas curtas com resumos — sem cadastro.
Material preparado por professores da WhiteCoat Pro de acordo com o currículo de medicina. Possui caráter educacional.