Crupe verdadeiro e falso em crianças: clínica e atendimento de emergência

Laringite obstrutiva aguda em crianças de 6 meses a 6 anos: tosse latrante, rouquidão, dispneia inspiratória. Análise da conduta de emergência: inalações de budesonida, dexametasona, indicações de internação.

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Definição e patogenese

Crupe falso é uma laringite obstrutiva aguda caracterizada por inflamação e edema da mucosa laríngea e dos tecidos do espaço subglótico, localizado imediatamente abaixo das pregas vocais. Como resultado, o lúmen da laringe e da traqueia se estreita, dificultando a passagem do ar.

A doença pertence à patologia pediátrica devido às características anatômicas das vias aéreas da criança: a laringe tem forma de funil (ao contrário da forma de barril nos adultos), e o lúmen da laringe e da traqueia é inicialmente estreito. Portanto, mesmo uma inflamação moderada nessa zona leva rapidamente a uma estenose clinicamente significativa.

Deve-se distinguir entre dois conceitos:

Como a etiologia é viral, os antibióticos não são indicados no crupe falso. Esta é a causa mais frequente de obstrução aguda das vias aéreas superiores em crianças de 6 meses a 6 anos de idade.

Quadro clínico

O diagnóstico é clínico e estabelecido com base na anamnese e nos sintomas. O episódio ocorre mais frequentemente à noite ou de madrugada, na estação fria, no contexto de uma infecção respiratória aguda (IRA).

Na ausculta, os ruídos respiratórios não estão alterados: murmúrio vesicular ou pueril (a respiração pueril é normal em lactentes e crianças pequenas). A radiografia pode revelar o sinal da torre (ou do campanário) — estreitamento característico do espaço subglótico, embora os métodos instrumentais não sejam obrigatórios.

Primeiros socorros antes da terapia medicamentosa

A regra principal é manter a calma: quanto mais calmo estiver o responsável, mais calma estará a criança e mais fácil será para ela respirar. No primeiro episódio, recomenda-se chamar o atendimento de urgência. Antes da chegada da equipe, aplicam-se medidas não medicamentosas:

É estritamente desaconselhada a inalação de vapor quente («respirar sobre a bacia com batata cozida») — isso pode provocar estenose espástica e piorar o quadro clínico.

Terapia medicamentosa

Os medicamentos de escolha são os glicocorticoesteroides. O algoritmo é escalonado: primeiro inalação de budesonida, se ineficaz — dexametasona sistêmica, seguida de internação hospitalar.

Inalação de suspensão de budesonida (nome comercial — Pulmicort):

A dexametasona é utilizada na ausência de efeito ou na impossibilidade de realizar a inalação:

A alternativa é a prednisolona na dose de 1–2 mg/kg, mas é menos eficaz.

Indicações de internação e terapia intensiva

A internação hospitalar é necessária se a terapia com glicocorticoesteroides for ineficaz ou se o estado da criança piorar progressivamente. Sinais de alerta:

No ambiente hospitalar podem ser utilizados: inalações de adrenalina, oxigenoterapia e, nos casos de estenose grave, intubação traqueal.

O que não deve ser prescrito

No crupe falso, não são medicamentos de escolha e não são indicados:

Pontos-chave

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