Propedêutica: hemograma completo, anemias e leucemias

Análise da interpretação do hemograma completo: características morfológicas de eritrócitos e leucócitos, classificação das anemias por cromia e regeneração, e diagnóstico diferencial entre leucemia aguda e crônica.

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Principais parâmetros do hemograma completo

O hemograma clínico avalia hemoglobina, eritrócitos, reticulócitos, plaquetas, fórmula leucocitária (neutrófilos bastonetes e segmentados, eosinófilos, basófilos, linfócitos, monócitos) e VHS. Este último parâmetro é pouco específico e praticamente não é utilizado no diagnóstico diferencial.

Os valores de referência variam entre os laboratórios, portanto, deve-se orientar pelos valores de referência do laudo específico. Para a prática clínica, basta lembrar que o índice colorimétrico (IC) fica em média entre 0,85 e 0,95, e os reticulócitos entre 0,6% e 2%.

Alterações morfológicas celulares

Anemias: classificação por cromia e regeneração

Anemia — redução do nível de hemoglobina (e, via de regra, dos eritrócitos) por unidade de volume de sangue. O parâmetro determinante é justamente a hemoglobina: em caso de hemoconcentração ou hemodiluição, o quadro pode ser distorcido.

De acordo com o índice colorimétrico, as anemias são divididas em:

De acordo com a capacidade da medula óssea de regenerar a linhagem eritroide, distinguem-se:

Terminologia das alterações na composição celular

Para descrever os desvios, utilizam-se os sufixos -penia (redução) e -citose/-filia (aumento): trombocitopenia e trombocitose, leucopenia e leucocitose, linfocitopenia e linfocitose, neutropenia e neutrofilia. As alterações podem ser absolutas ou relativas, mas no curso de propedêutica basta indicar o fato do desvio.

Diagnóstico diferencial das leucemias

As leucemias são divididas em agudas e crônicas; a classificação é determinada pelo quadro da fórmula leucocitária.

Deve-se distinguir a verdadeira leucemia da reação leucoeritroblástica (reação leucemoide) — liberação reativa de mielócitos e seus precursores na corrente sanguínea durante estresse, infecções graves ou patologia cardíaca. É uma variante de resposta fisiológica que não exige diagnóstico oncohematológico.

Alterações reativas e desvios infecciosos

Nas infecções crônicas, é típica a combinação de leucopenia, neutropenia, linfocitose relativa e granulação tóxica dos neutrófilos. A eosinofilia isolada é característica de reações alérgicas e helmintíases (por exemplo, ascaridíase). O aparecimento de normoblastos no sangue periférico com função medular preservada é considerado uma reação compensatória à hemorragia aguda.

Algoritmo de avaliação do hemograma

  1. Avaliar os níveis de hemoglobina e eritrócitos — estabelecer a presença de anemia.
  2. Determinar o tipo de anemia com base no índice colorimétrico e nos reticulócitos.
  3. Analisar a contagem de plaquetas e leucócitos.
  4. Estudar a fórmula leucocitária: presença de blastos, desvio à esquerda, hiato leucêmico, associação eosinofilo-basofílica.
  5. Considerar as características morfológicas dos eritrócitos e neutrófilos (corpúsculos de Jolly, anéis de Cabot, manchas de Gumprecht, granulação tóxica).
  6. Formular a conclusão: tipo de anemia, leucemia (aguda/crônica, mieloide/linfóide) ou estado reativo.

Pontos-chave

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