Sumário · 13 seções
- 1. Escala de coma de Glasgow (GCS)
- 2. CURB-65 — gravidade da pneumonia adquirida na comunidade
- 3. CHA₂DS₂-VASc — risco de AVC na fibrilação atrial
- 4. HAS-BLED — risco de sangramento em uso de anticoagulantes
- 5. qSOFA — triagem de sepse
- 6. Escore de Wells — probabilidade de TEP
- 7. SOFA — avaliação de disfunção orgânica
- 8. Escala de Apgar — avaliação do recém-nascido
- 9. Child-Pugh — gravidade da cirrose hepática
- 10. Índice de comorbidade de Charlson (CCI)
- Como memorizar as escalas
- Lista completa de escalas na plataforma
- Conclusão
As escalas clínicas são ferramentas padronizadas para a avaliação objetiva do estado do paciente. Elas transformam as observações subjetivas do médico em uma pontuação numérica, com base na qual as decisões clínicas são tomadas: hospitalizar ou tratar ambulatorialmente, prescrever anticoagulantes ou não, transferir para a UTI ou manter na enfermaria.
Neste artigo, apresentamos 10 escalas que todo médico e estudante de medicina dos anos finais deve conhecer. Para cada uma delas: quando aplicar, como calcular e onde usar a calculadora interativa.
1. Escala de coma de Glasgow (GCS)
Para que serve: avaliação do nível de consciência em qualquer situação de emergência — TCE, AVC, intoxicação, distúrbios metabólicos.
Como calcular: três componentes — abertura ocular (1-4), resposta verbal (1-5), resposta motora (1-6). Soma de 3 a 15.
- 13-15 — alteração leve da consciência
- 9-12 — moderada
- 3-8 — grave (indicação de intubação)
Importante: GCS ≤ 8 — "intubar" — é uma das regras mais conhecidas na medicina de emergência.
2. CURB-65 — gravidade da pneumonia adquirida na comunidade
Para que serve: determinar onde tratar a pneumonia — em ambulatório, enfermaria ou UTI.
Critérios (1 ponto para cada):
- Confusion — confusão mental
- Urea > 7 mmol/L
- Respiratory rate — frequência respiratória ≥ 30 irpm
- Blood pressure — pressão arterial sistólica < 90 ou diastólica ≤ 60 mmHg
- 65 — idade ≥ 65 anos
Conduta: 0-1 — ambulatório, 2 — enfermaria, 3-5 — considerar UTI.
3. CHA₂DS₂-VASc — risco de AVC na fibrilação atrial
Para que serve: decidir se o paciente com fibrilação atrial precisa de anticoagulantes.
Critérios:
- CHF — insuficiência cardíaca (1 ponto)
- Hypertension — hipertensão (1)
- Age — idade ≥ 75 anos (2 pontos)
- Diabetes — diabetes (1)
- Stroke/TIA — histórico de AVC/AIT (2 pontos)
- Vascular disease — doença vascular (1)
- Age 65-74 (1)
- Sex — sexo feminino (1)
Conduta: ≥ 2 pontos em homens (≥ 3 em mulheres) — anticoagulantes orais indicados.
4. HAS-BLED — risco de sangramento em uso de anticoagulantes
Para que serve: avaliar o risco de sangramento em pacientes em terapia anticoagulante. É usada em conjunto com o CHA₂DS₂-VASc.
Critérios (1 ponto cada): hipertensão, disfunção renal/hepática, AVC, histórico de sangramento, RNI lábil, idade > 65 anos, uso de AINEs/álcool.
Conduta: ≥ 3 — alto risco de sangramento, mas isso não é contraindicação para anticoagulantes, e sim um motivo para monitoramento mais rigoroso.
5. qSOFA — triagem de sepse
Para que serve: identificar rapidamente pacientes com suspeita de sepse à beira do leito, sem exames laboratoriais.
Critérios (1 ponto cada):
- PAS ≤ 100 mmHg
- FR ≥ 22 irpm
- Alteração do nível de consciência (GCS < 15)
Conduta: ≥ 2 pontos — alto risco de sepse, exames urgentes necessários (lactato, hemoculturas) e início da terapia.
6. Escore de Wells — probabilidade de TEP
Para que serve: avaliar a probabilidade clínica de tromboembolismo pulmonar e determinar a conduta diagnóstica subsequente.
Critérios-chave: taquicardia >100, imobilização/cirurgia, TEP/TVP prévia, hemoptise, oncologia, clínica de TVP, diagnóstico alternativo menos provável.
Conduta: em caso de baixa probabilidade — Dímero-D; em caso de alta — angiotomografia imediatamente.
→ Calculadora da Escore de Wells
7. SOFA — avaliação de disfunção orgânica
Para que serve: avaliação objetiva da gravidade da disfunção de múltiplos órgãos na UTI. Critério para o diagnóstico de sepse segundo o Sepsis-3.
Como calcular: 6 sistemas orgânicos (respiratório, coagulação, hepático, cardiovascular, SNC, renal), cada um de 0 a 4 pontos. Máximo — 24.
Conduta: aumento do SOFA ≥ 2 em relação ao basal + suspeita de infecção = sepse (Sepsis-3).
8. Escala de Apgar — avaliação do recém-nascido
Para que serve: avaliação rápida do estado do recém-nascido no 1º e 5º minutos de vida.
Critérios (0 a 2 pontos cada): FC, respiração, tônus muscular, reflexos, coloração da pele.
- 7-10 — normal
- 4-6 — asfixia moderada
- 0-3 — asfixia grave, reanimação necessária
9. Child-Pugh — gravidade da cirrose hepática
Para que serve: classificação da gravidade da cirrose e prognóstico de sobrevivência. Determina a conduta terapêutica e as indicações de transplante.
Critérios: bilirrubina, albumina, RNI, ascite, encefalopatia.
- Classe A (5-6 pontos) — cirrose compensada
- Classe B (7-9) — subcompensada
- Classe C (10-15) — descompensada, considerar transplante
10. Índice de comorbidade de Charlson (CCI)
Para que serve: prognóstico de sobrevida em 10 anos considerando comorbidades. Utilizado em oncologia, cirurgia e na tomada de decisão sobre a agressividade terapêutica.
Como calcular: a cada comorbidade é atribuído um peso (de 1 a 6). Infarto, IC, DPOC, úlcera péptica — 1 ponto. Hemiplegia, DRC, diabetes com complicações — 2. Doença hepática grave — 3. Tumor metastático, AIDS — 6.
→ Calculadora do Índice de Charlson
Como memorizar as escalas
Decorar todos os critérios de cor não é eficiente. Eis o que funciona:
- Use na prática. Toda vez que vir um paciente com pneumonia — calcule o CURB-65. Com fibrilação — CHA₂DS₂-VASc. Após 10 pacientes, a escala será lembrada naturalmente.
- Decodifique as abreviações. CHA₂DS₂-VASc — cada letra = um critério. Conhece a abreviação — conhece a escala.
- Treine com as calculadoras. As calculadoras interativas na plataforma permitem "clicar" na escala em 30 segundos e ver a interpretação.
- Vincule a cenários clínicos. Em vez de "qSOFA é PA, FR, consciência", use "chamado ao pronto-socorro, febre + pressão baixa → calculando qSOFA".
Lista completa de escalas na plataforma
Além dos dez descritos, mais 40 calculadoras clínicas estão disponíveis na plataforma WhiteCoat Pro:
- Pneumologia: PESI, sPESI, Escala de Genebra
- Neurologia: escala de Rankin modificada, 4AT, ABCD²
- Cardiologia: HEART Score, NYHA, Killip
- Hepatologia: MELD, Maddrey, FIB-4, APRI
- Nefrologia: TFG (CKD-EPI), Padua
- Cirurgia/Oncologia: Alvarado, ASA, Charlson, ECOG, Karnofsky
- Triagem: AUDIT-C, AUDIT (completo), CAGE, IMC
Todas as 50 escalas e calculadoras clínicas →
Conclusão
As escalas clínicas não são teoria abstrata de livro didático. São ferramentas de trabalho que os médicos usam todos os dias. Aprenda estas dez e você tomará decisões com mais confiança no plantão, na prova e na residência.
Experimentar as calculadoras interativas →